Bolsonaro não é nosso guia


O Guga Türck, do blog Alma da Geral, encontrou esta justaposição de imagens e legendas impressionante, no site ClicRBS, no dia 2011-04-05.

O que vemos?

Infelizmente, vemos homofobia.

A justaposição da imagem do casal aparentemente homo sob a rúbrica policial com a imagem do casal hétero sob a rúbrica do namoro é impressionante. Um casal, o que parece homo, e se beija, tem as palavras "excesso" e "policial" na legenda.

Beijar é um excesso?

Outro casal, claramente hétero, só se toca de maneira pudica. A legenda é mais aprovadora, fala de espera e "busca" do "amor da sua vida". Sem polícia, sem excesso.

Quem acharia que um beijo é um excesso policial? É claro, beijos são excessos, transbordes, hybris solta, mas de tesão, a mais saudável e mais necessária das energias. Mas beijar não é crime, graças a deus!

Daí vem a ação policial, no dia 2011-04-10, feita sob medida para agradar o moralista. Ele vai sorrir no dia seguinte, quando seu jornal predileto for escorrido sob a soleira da sua porta, trazendo a foto dos amantes tratados como criminosos.

Nessa data, a partir das 19h30, a polícia começou a revistar casais que se beijam, coisa que é suficiente para transformar a cidade de Porto Alegre no mico dos micos fundamentalistas, visto que, de capital do cosmopolita Fórum Social Mundial, se transformou em paróquia de um interior profundo, onde, ao estilo do Irã, a função da polícia é zelar pelos bons costumes, de acordo com o padrão de quem chama a polícia porque um cidadão tá beijando na rua.

Quer dizer que há tanta polícia disponível em Porto Alegre que alguns soldados podem ser deslocados para fazer um trabalho que é lamentável mesmo nas notícias sobre o ultraconservador Irã?

Olha o que o pessoal do grupo Somos conta:
«É comum usarmos a expressão “pra inglês ver” quando nos referimos a uma situação ou atitude encenada, que cumpre algumas regras sociais mais ou menos ritualizadas e que concretamente não tem efeito. “Pra inglês ver” são aquelas ações ou falas que procuram mostrar que alguém faz o que é mandado/a fazer, mesmo que sua prática não resulte em grandes feitos. 
Foi isso o que aconteceu ontem na rua Lima e Silva, por volta das 19h30min. Três caminhonetes da Brigada Militar estacionaram em frente ao Centro Comercial Nova Olaria, e mais de 10 policiais da Brigada mandaram que as pessoas que se aglomeravam ali em frente fossem para a “parede”: todos e todas foram revistados/as – as meninas por uma policial feminina – e as mochilas foram abertas e inspecionadas, inclusive os maços de cigarro, pois talvez ali se esconderiam as buchas de cocaína que os jovens supostamente cheiram nos parapeitos das janelas dos prédios.»
Três veículos táticos foram deslocados para a inócua operação iraniano-policial de revistar gente que se beija.

Três!

Quantos veículos desses há, em pleno funcionamento, em Porto Alegre? Digamos que haja 60. Deve ser menos. Se for 60, 5% dos veículos táticos estavam cuidando de reprimir o beijo. Em Porto Alegre! Dá pena dos soldados da PM, pois têm que fazer a encenação toda só porque o comando quer agradar o jornalzinho.

É claro, isto faz felizes o povo que chama a puliça pra lidar com beijo, pois eles veem a foto do casal na parede, tomando atraque. Agora eles acham que os bandalhos aprenderam a lição, e serão como eles. O jornal também fica feliz, pois o escândalo gera lucro, apesar de custar a vida, a saúde ou a propriedade de quem precisa de polícia, mas ficou sem porque os soldados tavam cuidando de beijo, não de crime.

Não devemos nos guiar pelo que faria um Bolsonaro agradecer. É claro que deve haver polícia ao redor das pessoas que se beijam, mas para protegê-las de malucos homofóbicos e de eunucos psicopatas que nunca foram tocados por ninguém, mas querem morrer pra serem tocados após mortos por homens bem limpinhos. Se há um problema em tudo isso, é o problema da escandalização moralista, a qual sempre é um péssimo guia para a ação e o interesse público.

PS - Um jornal responsável não chantagearia a polícia para fazer operações espetaculares, mas caras e inócuas, só porque isso dá lucro. Um jornal responsável, tal como um cidadão responsável, não transformaria em crime o que não é crime, pois o custo disso é vidas perdidas aonde não há mas é preciso haver, de fato, polícia. Todos sabemos que há carência de polícia para lidar com o crime de fato. Se, sabendo disso, forçamos a polícia a deixar o crime de lado, pra cuidar de nada, estamos simplesmente facilitando a vida de quem mata, agride, rouba, estupra. Simples assim.
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Dengue Tipo 4: escalada para o Ano 2011.

Diário de Sorocaba, 01/04/11.
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MILICOS PERDEM TEMPO COM "AMOR E REVOLUÇÃO"

Militares estão fazendo circular abaixo-assinado em que pedem que seja retirada do ar a novela “Amor e Revolução”. Parece que não aprenderam nada com os vinte anos dividindo este País.
Continuam querendo exercer censura sobre as obras de arte e sobre os atos do Governo.
Denunciam bobagens inverídicas, relacionando a novela ao Banco Panamericano etc.,etc..
Devem ser os ovos do Bolsonaro chocados, ou então a própria harpia que deu origem á sua candidatura.
Mas perdem muito tempo: afinal “Amor e Revolução” não atinge sequer  5 pontos do IBOPE.
A turma da teledramaturgia agradece aos “milicos”, com isso vão conseguir melhorar o IBOPE da novela que tem chegado até a 3 pontos.
Ao autor Thiago Santiago e ao SBT  a nossa solidariedade.
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O convescote de Túlio Milman no TRF - Quarta Região

 Milman (E) foi recebido pelos desembargadores Darós, Marga e Paciornik
[foto do portal do TRF-Quarta Região]
O Jornalista Túlio Milman teria ido saber sobre o sumiço do processo 5027955-60.2010.404.7100 do portar do tribunal???


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Bolsonaro e os indignados da hora.


Vou confessar uma coisa: toda esta marola em torno das declarações do Deputado Jair Bolsonaro tem me causado um certo incômodo. Isto ocorre não pela execração pública que o parlamentar vem enfrentando – ver alguém como ele sendo execrado é sempre um prazer -, mas pela forma como esta onda de “indignação cívica” começou e se espalhou. A grande questão é a seguinte: Bolsonaro está em seu sexto mandato como deputado federal; quando era casado, conseguiu eleger a sua então mulher, Rogéria Bolsonaro, como vereadora no Rio de Janeiro; depois da separação, apoiou (e ajudou a eleger) um de seus filhos, Carlos, para o mesmo cargo e, posteriormente, também conseguiu emplacar o outro, Flávio, como deputado estadual. Suas posições reacionárias, preconceituosas, sexistas, homofóbicas e saudosistas da ditadura sempre foram públicas e notórias, até porque ele nunca deixou de explicitar claramente tais posições, inclusive no espaço do Horário Eleitoral Gratuito. No entanto, com exceção de algumas reações de setores da sociedade organizada quando da sua indicação para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias na Câmara, não me lembro de ter assistido anteriormente a qualquer grita geral – como a de agora - contra suas posições. Aliás, pelo contrário: no ano passado, cansei de receber por e-mail e de ver postados em redes sociais vídeos em que o parlamentar do PP destilava todo o seu ódio e preconceito contra o presidente Lula e a então candidata, Dilma Rousseff. Porém, bastou ele demonstrar o seu preconceito contra uma artista conhecida para que, de repente, todos – inclusive muitos do que ano passado divulgavam suas declarações Anti-Lula e que, consequentemente, votaram para presidente no candidato que comandou uma das campanhas mais obscurantistas e preconceituosas que já tivemos oportunidade de assistir – descobrissem que o Bolsonaro é um fascista e começassem a ir para a rua pedindo a sua cassação. Sinceramente, estou de saco cheio desta indignação classe média, de movimentos do gênero “Cansei” e das passeatas fashion, que traduzem um modismo passageiro (afinal, se jovens estão a se revoltar no mundo árabe, a juventude oprimida do eixo Leblon-Morumbi-Pampulha também tem o direito de fazer o mesmo!). Mas como as modas passam, na próxima eleição, o deputado Bolsonaro provavelmente será reeleito para mais um mandato e muito destes revoltados da hora postarão - nas redes sociais que forem “in” nesse futuro não tão distante - vídeos em que o nobre parlamentar, alçado então à condição de paladino da ética e da moralidade, falará mal do Lula, da Dilma, do PT e dos comunistas comedores de criancinhas...
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