Que venha a próxima alagação

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  • quarta-feira, 1 de agosto de 2012
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  • Mais um Expoacre findada e a vida volta ao normal. Encerrada a festa é hora de fechar os números dos negócios milionários alcançados nos nove dias. Como não poderia deixar de ser, as cifras sempre superam as metas passadas e a cada ano a Expoacre fica mais robusta.

    O fato é que ninguém sabe nem viu toda essa dinheirama. Fico a me perguntar se seria do tacacá pequeno de R$ 10 ou da lata de refrigerante de R$ 3. Por mais que uma concessionária venda todos os seus carros expostos ali é impossível se chegar a mais de R$ 130 milhões.

    Talvez levem em consideração o lucro da Pop Show durante os dias de espetáculo, deixando o público a esperar por mais de quatro horas pelo início do espetáculo. Ou então as vendas financiadas de caminhões ou tratores. Tinha me esquecido dos leilões das raças nobres de bovinos e outros animais.

    Pode ser que o empresariado ainda tenha algum dinheiro no bolso Agora, a grande maioria da população que passeava pelo espaço apenas olhava e se assustava com os preços. A nossa grande força consumidora, os funcionários públicos, ainda estava para receber seus vencimentos. Ainda assim estes precisam deixar boa parte dos salários no banco para descontar os empréstimos.

    O Estado tem salvado a economia acreana. Os pífios salários pagos pela iniciativa privada servem tão somente para assegurar a sobrevivência da grande maioria da população. A economia do contracheque garante os suspiros do comércio e outros setores.

    Com uma iniciativa privada fraca e sua força econômica (funcionalismo) desmotivada, é de se questionar os estratosféricos números oficiais da Expoacre –que em todo ano são alvo do ceticismo da sociedade. Mas como na imaginação de nossos governantes o Acre continua um modelo para o Brasil e o mundo, tudo vai muito bem, obrigado.

    A Expoacre acabou. Os números estão no azul. É curar a ressaca e preparar o Parque de Exposições Marechal Castelo Branco para sua próxima utilidade: abrigar nossos miseráveis que moram em área de risco despejados de suas casas quando o rio Acre supera (novo recorde) sua cota de transbordamento. Na riqueza e na pobreza o local serve para mostrar os dois lados opostos do Acre: a potência econômica na cabeça dos petistas e a pobreza real vivida diariamente pela população.
     
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