POLÍTICA - Pesos e medidas.

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Como seria, por Luis Fernando Veríssimo

Alguém aí se lembra que um dos primeiros atos do Collor na Presidência foi fechar um local onde faziam experiências nucleares, simbolizando o fim da pretensão do país a ser uma potência atômica? Ou eu estou delirando?
A pretensão era defendida pela facção Brasil Potência, entre os militares, e imagina-se que a negociação secreta para o seu fim, talvez instigado pelos americanos, não tenha sido fácil. De qualquer maneira, não se ouve mais falar em programa nuclear brasileiro nem em Brasil Potência, os militares estão quietos e o próprio Collor anda meio apagadão.
Só pensei no assunto porque é interessante especular sobre como teria sido se o Brasil não desistisse do programa e estivesse hoje a ponto de dominar a tecnologia nuclear, na última fase do enriquecimento de urânio e prestes, Deus meu, a ter a bomba.
Seríamos considerados uma ameaça à paz continental e ao equilíbrio geopolítico da região? As grandes potências se uniriam contra nós, como fizeram com o Irã, e nos mandariam voltar para nossa insignificância bélica? Especulações, especulações. Seja como for, seria bom ter a bomba, nem que fosse só para ver a cara dos argentinos.


PESOS E MEDIDAS

Recorre-se tanto à frase “dois pesos e duas medidas” para reclamar isonomia no julgamento dos casos de corrupção no país que eu proponho o fim da hipocrisia. Oficialize-se, já, dois sistemas de pesos e medidas diferentes no Brasil, um que vale só para o PT (Sistema 1) e outro para os outros, principalmente o PSDB (Sistema 2).
As previsíveis confusões — desencontros em construções, conflitos na medição de terras etc — seriam resolvidas por um conselho arbitral formado por representantes dos dois sistemas. Desde que não fosse presidido pelo Barbosa, claro.
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POLÍTICA - Novos protestos.

Copiado do blog Balaio, do Ricardo Kotscho.

 Para que e contra quem?


19 02 58 765 file Vêm por aí novos protestos. Para que e contra quem?
Dia sim, noutro também, aqui e acolá, em diferentes espaços da nossa imprensa, assim como quem não quer nada, estão aparecendo notinhas nas últimas semanas anunciando novas manifestações de protesto em todo o país.
Na nota de abertura da sua sempre bem informada coluna, o velho amigo Ilimar Franco, de "O Globo", relatou neste sábado:
"Os movimentos sociais que foram para as ruas em junho, organizam-se para voltar a protestar na Copa. Comitês de mobilização estão sendo criados nas 12 capitais-sede dos jogos. A ideia é colocar gente na rua nos dias das partidas, na frente dos estádios e nas "fan fest" produzidas pela Fifa. Neste momento, seus líderes percorrem o Congresso em busca de apoio político e logístico".
Ilimar não dá maiores detalhes nem nomes, mas ao ler o texto fiquei curioso em entender certas coisas e me fiz algumas perguntas:
Quais movimentos sociais estão se organizando?
Vão protestar contra o quê, exatamente?
Os comitês de mobilização estão sendo criados por quem?
Quem são seus líderes que estão percorrendo o Congresso em busca de apoio?
14 47 26 148 file Vêm por aí novos protestos. Para que e contra quem?
Até agora, os chamados "protestos de junho" foram apresentados pela mídia como iniciativas autônomas, espontâneas, sem líderes, que brotam assim do nada. A nota de Ilimar Franco aponta exatamente para o quadro oposto: um movimento organizado desde já para se apresentar durante a Copa.
Em junho, por conta da violência dos protestos, como ficamos sabendo esta semana, corremos o risco de ficar sem a Copa do Mundo no Brasil, como escreve Juca Kfouri em sua coluna da "Folha" deste domingo:
"Eis que, na última terça-feira, o secretário geral da Fifa, Jerome Valcke, em entrevista por feliz coincidência ao repórter André Kfouri, da ESPN Brasil, falou com todas as letras que a entidade esteve na iminência de paralisar o torneio, o que, acrescentou, caso se materializasse, punha em risco a Copa".
Juntando os pedaços, encontro outra nota na "Veja" desta semana que trata do mesmo assunto:
"O mercado publicitário tem constatado que os patrocinadores da Copa estão tímidos em suas ações e planejamento de marketing para o Mundial. Pairam em suas cabeças as manifestações diante dos estádios na Copa das Confederações".
É bom nos lembrarmos que, em 2014, além da Copa do Mundo, teremos eleições presidenciais e a campanha estará entrando em sua fase decisiva justamente ao final da festa do futebol. Pode não ser mera coincidência. O que antes era "espontâneo", agora está sendo organizado com meses de antecedência e já causando prejuízos para o mercado publicitário.
Até que ponto um evento tem a ver com o outro e aonde querem chegar os líderes dos novos protestos? Está tudo muito bom, muito bonito, Fernanda Lima está cada vez mais Fernanda Linda, mas acho tudo isso bem estranho.
Ajudem-me a entender o que está acontecendo. Quem tiver respostas para as minhas muitas perguntas, por favor escreva aqui para o Balaio.
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POLÍTICA - Veja e o Tuminha.

Veja quer reduzir Lula a um Cabo Anselmo

O dedo-duro Cabo Anselmo
em seus dias de glória:
para Tuminha, Lula é igual a ele 
A nova armação da Veja contra o PT durou algumas horas apenas, o suficiente para que vários internautas provassem que seu herói da vez, o delegado Romeu Tuma Junior, o Tuminha, personagem principal de um "livro bomba" com "denúncias" variadas contra petistas de alto calibre, foi defenestrado do cargo de secretário nacional de Justiça do governo Lula por suspeita de envolvimento com a chamada "máfia chinesa", uma turma da pesada. 
Pior: os internautas lembraram que a mesma revista que hoje glorifica Tuminha, há um tempo, justamente quando ele estava feliz da vida no governo Lula, provavelmente para preencher cota dos partidos da base aliada, o tratava como um bandido da pior espécie.

Ou seja, o mesmo Tuminha, para a mesma revista, pode tanto ser um anjo ou um demônio. 
No fundo, ele, para a Veja, não passa de mais um personagem que só tem importância para ser usado na sua cruzada antipetista. 
Se esse personagem não fosse o que é, poderia ser chamado de "inocente útil"...
De todos os disparates ditos pelo delegado, chama atenção o de que Lula era informante da ditadura: "O que conto no livro é o que vivi no Dops. Eu era investigador subordinado ao meu pai e vivi tudo isso. Eu e o Lula vivemos juntos esse momento. Ninguém me contou. Eu vi o Lula dormir no sofá da sala do meu pai. Presenciei tudo. O Lula era informante do meu pai no Dops." 
Esperto esse Tuminha.
"Ninguém me contou...Presenciei tudo", diz.
As testemunhas seriam, então - a menos que apareçam outros envolvidos nesse estranho caso de espionagem que o maior líder sindical da época fazia contra si mesmo -, Lula, Tuminha e seu pai, o delegado Romeu Tuma.
Romeu Tuma está morto.
Sobram então, para esclarecer o caso, Lula e Tuminha.
É a palavra de um contra a do outro.
Esperto esse Tuminha.
Seu único azar é que, até agora, a palavra de Lula tem sido avalizada por dezenas de milhões de brasileiros e a de Tuminha...
Bem, a de Tuminha tem sido avalizada pela Veja, o que, por si só, já diz muito.
De qualquer forma, para quem já foi acusado de ter estuprado um companheiro de cela, ser apontado como um novo Cabo Anselmo é pouca coisa. 
Lula já deve estar surdo de tanto ouvir esse tipo de "acusação" na sua longa vida pública.
E se até agora as injúrias, as calúnias, as difamações, essas mentiras todas não pegaram, é bem capaz de seus inimigos mudarem de tática.
Como qualquer um sabe, eles estão cada vez mais desesperados.
E pessoas desesperadas são capazes dos maiores desatinos.
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POLÍTICA - "Privilegiados e perseguidos".

Paulo Moreira Leite: “Privilegiados e perseguidos”



Em artigo publicado em seu blog, o jornalista Paulo Moreira Leite diz que “há muito tempo nós sabemos que o uso de palavras inadequadas é uma das formas menos inocentes e mais eficazes de manipulação política” pois “permite esconder a realidade, confundir o cidadão comum e estimular reações que não têm apoio nos fatos”.
Ele diz que empregar o termo “privilegiados” para se referir aos condenados na ação penal 470 e usar a expressão “privilégios” para se referir às condições no presídio da Papuda “é prestar um favor desnecessário às autoridades comandadas por Joaquim Barbosa”.
“Um exame criterioso dos fatos mostra que, pelo contrário, desde o início o STF tomou  um conjunto de medidas jurídicas que é adequado classificar como perseguição em vez de prestação de favor ou benefício indevido.”
“Já era absurdo falar em privilégio para cidadãos condenados num julgamento ‘exemplar’ onde foram aceitas várias medidas excepcionais e nada exemplares. Para quem ainda fica surpreso quando lê isso, vamos recordar rapidamente. Quem já está cansado de ouvir os argumentos, pode pular para o final do ítem ‘F’”:
A) Negou-se o direito a um duplo grau de jurisdição, garantia constitucional reservada a todo brasileiro que não tem foro privilegiado e assegurado aos mensaleiros PSDB-MG  e também no DEM do Distrito Federal.
B) Na falta de provas capazes de demonstrar a culpa dos réus além de qualquer dúvida razoável, aceitou-se uma teoria exótica, do domínio do fato, que não tem a mais remota ligação com o caso em questão.
C) As penas foram agravadas artificialmente, em debates onde se disse, explicitamente, que a prioridade era garantir que os réus fossem encarcerados – e não que a justiça deveria ser feita.
D) Os réus foram acusados de desviar R$ 73,8 milhões do Banco do Brasil mas a própria instituição nega, oito anos depois da denúncia, que qualquer centavo tenha sido extraído indevidamente de seus cofres.
E) Os petistas foram acusados de encobrir o esquema através de contratos fictícios com o Banco Rural mas a Polícia Federal garante que foram verdadeiros e envolviam empréstimos reais.
F) investigações que poderiam ajudar na inocência de determinados réus até hoje se encontram sob segredo de justiça. O julgamento já acabou e o segredo continua.
“Também é errado falar em privilégio na fase de execução das penas. Presos num feriado de 15 de novembro, até hoje réus com direito a cumprir pena em regime semiaberto são mantidos em regime fechado – a última novidade é avisar que mesmo quem tiver conseguido trabalho fora da prisão deverá, em nome da ‘igualdade’,aguardar no fim da fila pelo exame de seus pedidos. Sabemos o que isso significa, certo? Também sabemos que o fatiamento dos mandatos de prisão foi anunciado como uma medida que iria beneficiar os réus. Na prática, o que se vê é uma forma de garantir que fiquem em regime fechado – de qualquer maneira.”

Privilegiados e perseguidos

No país da novilíngua, direito assegurado em lei é tratado como privilégio


 
Há muito tempo nós sabemos que o uso de palavras inadequadas é uma das formas menos inocentes e mais eficazes de manipulação política.

Permite esconder a realidade, confundir o cidadão comum e estimular reações que não têm apoio nos fatos.  

Estudioso aplicado dos regimes stalinistas, a quem acusava de manipular uma ideologia igualitária criada pelo pensamento comunista para construir uma  ditadura opressiva, George Orwell criou o termo novilíngua para explicar o fenômeno.
Com isso, explicava, era possível fazer uma coisa – e fingir que se praticava seu oposto.  
Cinco décadas depois da morte de Josef Stalin, velhas técnicas stalinistas de propaganda foram despidas de sua origem primeira e servem a qualquer causa, a qualquer ideologia, mesmo a mais conservadora: esconder  fatos desagradáveis, falhas humanas, gestos incoerentes, contradições e mesmo mentiras.
 É tudo retórica. Seu método, no entanto, é o mesmo. Consiste em usar uma questão real para deformá-la ao sabor de propósitos  e conveniências de momento.  
 No Brasil de 2013 a novilíngua está na primeira página dos jornais.
Empregar o termo “privilegiados” para se referir aos condenados na ação penal 470 e usar a expressão “privilégios” para se referir às condições no presídio da Papuda é prestar um favor desnecessário às autoridades comandadas por Joaquim Barbosa.

Um exame criterioso dos fatos mostra que, pelo contrário, desde o início o STF tomou  um conjunto de medidas jurídicas que é adequado classificar como perseguição em vez de prestação de favor ou benefício indevido.

Já era absurdo falar em privilégio para cidadãos condenados num julgamento “exemplar” onde foram aceitas várias medidas excepcionais e nada exemplares. Para quem ainda fica surpreso quando lê isso, vamos recordar rapidamente. Quem já está cansado de ouvir os argumentos, pode pular para o final do ítem “F”.  
 A) Negou-se o direito a um duplo grau de jurisdição, garantia constitucional reservada a todo brasileiro que não tem foro privilegiado e assegurado aos mensaleiros PSDB-MG  e também no DEM do Distrito Federal.
 B) Na falta de provas capazes de demonstrar a culpa dos réus além de qualquer dúvida razoável, aceitou-se uma teoria exótica, do domínio do fato, que não tem a mais remota ligação com o caso em questão.
 C) As penas foram agravadas artificialmente, em debates onde se disse, explicitamente, que a prioridade era garantir que os réus fossem encarcerados – e não que a justiça deveria ser feita.
 D) Os réus foram acusados de desviar R$ 73,8 milhões do Banco do Brasil mas a própria instituição nega, oito anos depois da denúncia, que qualquer centavo tenha sido extraído indevidamente de seus cofres.
 E) Os petistas foram acusados de encobrir o esquema através de contratos fictícios com o Banco Rural mas a Polícia Federal garante que foram verdadeiros e envolviam empréstimos reais.  
 F) investigações que poderiam ajudar na inocência de determinados réus até hoje se encontram sob segredo de justiça. O julgamento já acabou e o segredo continua.
 Também é errado falar em privilégio na fase de execução das penas. Presos num feriado de 15 de novembro, até hoje réus com direito a cumprir pena em regime semiaberto são mantidos em regime fechado – a última novidade é avisar que mesmo quem tiver conseguido trabalho fora da prisão deverá, em nome da” igualdade,” aguardar no fim da fila pelo exame de seus pedidos. Sabemos o que isso significa, certo? Também sabemos que o fatiamento dos mandatos de prisão foi anunciado como uma medida que iria beneficiar os réus. Na prática, o que se vê é uma forma de garantir que fiquem em regime fechado – de qualquer maneira.
 Os presos foram deslocados para a Papuda em dia de feriado nacional, num esforço obvio para usar seu infortúnio – a perda de liberdade é sempre um infortúnio para cidadãos convencidos de seu valor,  certo? -- como ilustração para um evento de propaganda.
 Um preso como José Genoíno está proibido de dar entrevistas, o  que   atenta contra a liberdade de expressão.
 Que privilégios são estes?  
 Na realidade, o que se quer é negar o direito de uma pessoa pelo fato de que nem sempre ele se encontra ao alcance de todos.
 Equivale a obrigar um cidadão a pagar,  como indivíduo, pelas irresponsabilidades e omissões acumuladas por gerações e gerações que estiveram a frente do Estado.
 Qualquer calouro de ciência política sabe que, num país onde a distribuição de renda e a desigualdade seguem uma tragédia, a luta pela igualdade é necessária e positiva.
 Mas, na situação atual, basta que os meios de comunicação, que definem o que é a opinião publicada, que muitos confundem com a opinião pública, tenham disposição de dar crédito a novilíngua quando ela convém. Pela falta de um componente indispensável a seu trabalho, o espírito críticos, eles  referendam a manipulação do “privilégio” e do “privilegiado.”
 Na ficção de Orwell, a função do ministério da Verdade era divulgar mentiras, não é mesmo?
 Só quem nunca abriu um gibi de sociologia acredita que a vida real é um simples decalque das planilhas de renda do IBGE.
 A experiência demonstra que uma pessoa pode ser privilegiada, do ponto de vista econômico e social, mas perseguida – até com violência -- do ponto de vista político.  
 Milionário, o empresário Rubens Paiva foi preso, torturado e massacrado num ritual animalesco sob o regime militar.
 Mortos com um tiro na nunca, na guerrilha do Araguaia, quando estavam desarmados e dominados, dezenas de militantes do PC do B haviam saído de famílias de classe média, tinham diplomas universitários e seriam, em comparação aos demais brasileiros, cidadãos privilegiados.
 E até hoje o Estado brasileiro não foi capaz de dar qualquer notícia sobre o paradeiro de Rubens Paiva nem desses estudantes do Araguaia,  situação que transforma a dor de seus familiares num sofrimento idêntico ao dos parentes de Amarildo, o humilde pedreiro torturado e morto pela PM numa favela do Rio de Janeiro em 2013.
 Nenhum torturador de Rubens Paiva foi preso, nem julgado nem condenado. Idem para os estudantes do PC do B. Idem, possivelmente, para os carrascos de Amarildo.

Centenas de milhares de brasileiros são vítimas, todos os dias, da incompetência da policia para prender e controlar a violência de criminosos comuns. Milhões de mandados de prisão destinados a prender ladrões de automóvel, assaltantes de resistência, quadrilhas de sequestradores, não são cumpridos.
Vítimas de assalto e de roubo muitas vezes sequer se animam a fazer qualquer denúncia porque tem certeza de que será inútil – ou mesmo arriscado, caso tenham de identificar suspeitos.
 Estrutura de classe? Privilégio?
 Do playboy Doca Street ao doutor Osmany Ramos, sem falar em vários casos de médicos-monstro de nossos consultórios, e até banqueiros especialmente inescrupulosos, o inferno de nosso sistema prisional possui exemplos de habitantes dos degraus superiores que foram colocados atrás das grades.  Embora a impunidade seja grande, vez por outra até figurões do judiciário são apanhados e denunciados.
 O discurso contra o privilégio dos prisioneiros da ação penal 470 também alimenta  uma operação de marketing político. É uma arma eleitoral, na realidade.
Procura associar a condição de riqueza e privilégio econômico a lideranças de um governo que tem um histórico reconhecido de combate a desigualdade na renda e na ampliação das oportunidades para os mais pobres. A tentativa é mostrar que todos os governos são iguais e que nenhum político tem valor.
 É aquilo que os estudiosos chamam de desconstrução.
 E assim voltamos ao período em que nasceu a novilíngua. Foi o tempo dos Grandes Expurgos, quando, através da violência e da ditadura, Josef Stalin eliminou uma geração inteira de combatentes e lideranças  da vida política da antiga União Soviética e consolidou um poder absoluto que manteve até a morte, quase vinte anos depois. 

“Morte aos cães!” gritava o procurador geral, Andrey Vichinsky. Aos condenados, punidos com a pena de morte, exigia-se que aceitassem suas penas, admitissem suas falhas, confessassem erros e, em especial, traições. Sim, esta palavra, traição, era essencial. O importante, de qualquer modo, era que morressem depois de confessar.  Não podia haver ilusão quanto a seu destino na história. Estavam condenados e precisavam admitir sua culpa, sua falha, sua fraqueza.

É assim que, 80 anos depois, em outro país, em outro contexto, sob outro regime, se fala em privilégios e privilegiados. É uma parte importante dos combatentes da ditadura, onde se encontram, e eu duvido que seja pura coincidência, os mais decididos, mais resolutos, mais corajosos, aqueles que mais estiveram comprometidos com mudanças reais e com a construção de uma democracia de conteúdo social, aliada dos mais pobres, dos excluídos, dos negros, que devem ser silenciados.

Um quarto de século depois da democratização do país, os brasileiros convivem, pela primeira vez, com um sistema plítico onde a polarização política reflete, menos remotamente do que gostariam nossos sociólogos da aristocracia, uma certa divisão de interesses de classe na sociedade. Não vamos criar fantasias nem caricaturas. Todos sabemos dos limites e falhas inesquecíveis do governo Lula-Dilma desde 2003.
Mas eu acho difícil negar que, apesar disso, os brasileiros  vivem uma situação nova na sociedade, onde as camadas inferiores obtiveram  direitos e conquistas.
 Deixo para os historiadores e os eruditos verdadeiros e independentes, que não estão na folha de pagamentos da novilingua industrial, nem usam uma bola de cristal de uma cigana sobrancelhuda que só faz profecias para anunciar desastres, a tarefa de encontrar um outro governo, em nossa história, que tenha demonstrado um empenho tão profundo com a preservação do emprego, a melhoria do consumo e a distribuição de renda. Num período de capitalismo de abismo, este é o grande diferencial, a primeira fronteira, o ponto de partida, a luta inicial. É a resistência, num universo onde economistas do Estado mínimo dizem que comer bife todo dia é extravagância.  
 É por causa disso que palavras fora do lugar, como “privilégio” e “privilegiados” têm tanta importância. É ali que está o alvo a ser atingido pela novilíngua.
Não são os prisioneiros, alguns competentes, outros trapalhões, outros as duas coisas. Talvez até haja corruptos entre eles, vamos admitir, até porque sabemos que podemos encontrar essas pessoas em todos os cantos de nosso universo político, em casos até mais cínicos e escancarados. Mas nós sabemos que, sem provas, isso é igual a nada.
 O que se quer, muito simplesmente, é impedir o debate sereno de fatos e provas que podem mostrar o que houve – e não aquilo que se quer fazer acreditar que aconteceu no julgamento da AP 470.


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Projeção para a inflação, este ano, volta a cair



Brasília/DF – Agência Brasil - A projeção de instituições financeiras para a inflação em 2013 caiu pela quarta vez seguida. A nova estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 5,70%, ante 5,81% da previsão anterior. Para 2014, a expectativa é que a inflação seja maior. Mas projeção foi mantida, pela segunda semana seguida, em 5,92%. Essas estimativas são do boletim Focus, uma publicação semanal do Banco Central (BC), feita com base em pesquisa sobre os principais indicadores financeiros.
O IPCA é utilizado pelo Banco Central como medidor oficial da inflação do país. O índice serve de referência para o governo verificar se a meta estabelecida para a inflação está sendo cumprida.
Na última sexta-feira (6), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA em 12 meses encerrados em novembro ficou em 5,77%.
O BC tem de fazer com que o IPCA fique dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Esta meta tem como centro 4,5% e margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Um dos instrumentos usados para influenciar a atividade econômica e, por consequência, a inflação é a taxa básica de juros, a Selic. 
Quando o Comitê de Política Moentária (Copom) do BC aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida e isso gera reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Neste ano, o Copom elevou a Selic seis vezes seguidas. A taxa encerra 2013 em 10% ao ano. A previsão dos analistas é que a Selic volte a subir em 2014, com continuidade do ajuste já em janeiro. A expectativa é que a taxa suba 0,25 ponto percentual na primeira reunião do próximo ano. Ao todo, a previsãoé alta de 0,5 ponto percentual, com a Selic encerrando 2014 em 10,5% ao ano.
A pesquisa do BC a instituições financeiras também traz estimativa para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), que foi ajustada de 3,97% para 3,86%, este ano, e de 5,40% para 5,39%, em 2014.
A projeção para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) foi alterada de 5,41% para 5,32%, este ano, e mantida em 6%, em 2014. Para o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), a projeção foi mantida em 5,41%, em 2013, e altera de 5,98% para 6% no próximo ano. (Por Kelly Oliveira, Repórter da Agência Brasil) 
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