A corrupção ainda no primeiro plano

Charge de Millôr Fernandes
Nem seria preciso a recente descoberta de um vasto esquema de fraudes, ilícitos e cobrança de propinas no coração da Prefeitura de São Paulo para que a corrupção voltasse ao primeiro plano. Correndo ao lado da CPI de Carlos Cachoeira, da cassação do senador Demóstenes e do vai-e-vem que cerca o início do julgamento dos acusados pelo mensalão de 2005, as novas suspeitas turbinaram o problema.
O caso paulistano é escabroso, para dizer o mínimo. Deixa patente que a corrupção tem mil tentáculos. Não é comandada por um centro articulador claramente localizado. Sua cabeça não está em Brasília, por exemplo. O fenômeno está disseminado, podendo se manifestar em qualquer canto do país, e talvez seja até mais grave quanto mais baixo se desce na estrutura político- administrativa do Estado, onde há menos fiscalização e controle. Também não é monopólio de nenhum grupo ou partido; todos estão sujeitos a ela e todos podem vir a praticá-la, ativa ou passivamente. Não reconhecer isso é limitação ideológica.
Se quisermos enfrentar a sério o problema, vale a pena dilatar o conceito, para nele incluir, além dos crimes financeiros, uma série de procedimentos e atos que produzem menos frisson, mas são igualmente graves. Ou não haveria corrupção, por exemplo, na atitude de um parlamentar que se ausenta do plenário mas permite que seus assessores registrem sua presença e votem em seu nome? Não seria corrupto um servidor público que exige, do usuário dos serviços, um elenco enorme de documentos e exigência só para postergar o atendimento, ou justificar uma falha do sistema? Um policial que achaca e humilha um suspeito só pelo prazer de vê-lo acatar sua autoridade é tão corrupto quanto o cidadão que sonega o imposto de renda porque se convenceu de que o governo usa mal o dinheiro que arrecada.
A corrupção é uma falha ética. Anda junto com o poder (político, econômico ou ideológico), como se fosse uma espécie de efeito colateral: onde há poder e poderosos há sempre a probabilidade de abuso, e no abuso está a raiz da corrupção.
Nos tempos hipermodernos em que nos encontramos, a corrupção tornou-se um problema que desafia e surpreende. Redes, tecnologias de informação e comunicação, uso intensivo do espaço virtual, uma mentalidade que transforma tudo em mercadoria, oportunidade e negócio, um desejo socialmente incontido de consumir e ostentar, tudo isso atiça a corrupção. Faz com que ela tenda a ficar fora de controle, a ultrapassar fronteiras, a se sofisticar. O crime organizado, o narcotráfico, os atentados ambientais, a luta sôfrega por mercados, a facilidade com que se obtêm informações, são muitos os combustíveis.
Mas aquilo que a impulsiona também ajuda a freá-la: os mesmos fluxos virtuais funcionam como vitrines de atos escabrosos, roubando legitimidade deles e de certo modo controlando-os. A democratização da vida social faz com que o poder se torne mais visível e menos onipotente. Além do mais, o Estado brasileiro não é indefeso; está institucionalizado e bem aparelhado, dispõe de atualizados sistemas de controle internos e externos à administração pública, que criam incentivos à accountability, ao controle da burocracia, à isenção e à transparência. O poder público é vigiado pela sociedade civil, pela mídia, pela opinião pública, tem seus serviços avaliados cotidianamente pelos cidadãos. A corrupção é condenada pela opinião pública, algumas punições ocorrem e há muitos esforços governamentais para debelá-la.
Mesmo assim, problema persiste. O que sugere que ainda não conhecemos suficientemente seus meandros e suas determinações.
Ainda não avaliamos, por exemplo, a real força que o dinheiro tem na modelagem do Estado, no exercício do poder político, no funcionamento do sistema representativo, no processo eleitoral e no modo de fazer política. Talvez por acreditarmos que um regime democrático está vacinado contra desvios e defeitos, menosprezamos a análise das relações entre os negócios e a democracia. Abandonamos a discussão sobre a qualidade da democracia, tema que agora frequenta alguns núcleos acadêmicos mas que ainda não estacionou no centro da agenda pública.
Também não conhecemos a fundo o efeito que a falência dos partidos como sujeitos de programa, vontade e ação tem na maré montante da corrupção. Nossos partidos não são mais “escolas de quadros”, espaços privilegiados de seleção de lideranças ou organizadores de consensos sociais. Passaram a potencializar os defeitos do sistema partidário, sua permissividade exagerada, sua flexibilidade e sua falta de critério institucional. Colaboram, com ou sem intenção, para rebaixar a qualidade da política e aproximá-la do submundo.
Esses dois fatores combinam-se perversamente em nosso “presidencialismo de coalizão”, minando o que se tem de avanço institucional em termos de controles sobre o Estado.
Por fim, precisamos acertar as contas com os fatores culturais da corrupção. Culpar a formação nacional ou a cultura política pelo que há de corrupção na sociedade é um mau caminho, especialmente se não se levar em conta a dinâmica social e a construção do Estado. Não há uma maldição cultural oprimindo a sociedade, por mais que se tenha de reconhecer que nenhum povo é livre de moldes culturais e tradições, que aderem a seu corpo como uma segunda pele. Cultura política é uma construção social, que acompanha o desenvolvimento histórico. Não podemos ignorá-la, mas será um erro se a empregarmos para naturalizar a corrupção.
Se juntarmos as pontas desse novelo, compreenderemos que a corrupção não é uma força da natureza, mas uma coisa dos homens. Em suma, algo que pode ser enfrentado e combatido, ainda que não possa ser peremptoriamente eliminado. [Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo, 28/07/2012, p. A2].
Clique para ver...

Carta Aberta à LULA, digo, E-mail Aberto ao LULA!


De: GUERRILHEIROS VIRTU@IS
Para: Luiz Inácio LULAda Silva

Assunto: Eleições 2012 em Cuiabá!

Companheiro, há anos marchamos lado a lado nas mais diversas eleições.


Em 1982 estivemos em São Paulo na sua disputa ao Governo do Estado, em 1989 tivemos a honra de participar daquela inesquecível campanha, tendo nos encontrado – entre outras oportunidades – na homenagem aos 10 anos do MST em Encruzilhada Natalino.


Em 1994, 1998 e 2002 cerramos fileiras novamente até conduzi-lo ao Palácio do Planalto, coisa que repetimos em 2006.


Em 2010 – ou melhor, antes disso ainda no Blog da Dilma – acompanhamos seu esforço de conduzir sua sucessora e elegê-la a primeira Presidenta de nossa nação.


Agora em 2012 temos um convite – queria dizer convocação, mas não me atrevo – de trazê-lo à Cuiabá para que nos auxilie e potencialize a conquista do Palácio do Alencastro – também pela primeira vez – para uma administração PeTista, ao lado do PMDB!


Seis horas em Cuiabá é o nosso sonho – sabemos que estás com diversos compromissos nas muitas cidades deste nosso Brasil querido e que seus médicos lhe restringem muito seus movimentos, mas também sabemos o quão importante para nós será tua visita.


Te encontras com nosso candidato, Lúdio Cabral, hoje – ele está entre as campanhas prioritárias – sabemos também de sua intenção de gravares depoimento e tirar fotos com ele, mas sua vinda à Cidade Verde seria uma potencialização fundamental à nossa campanha.


Venha à Cuiabá, Companheiro LULA, nós te receberemos de braços abertos e caminharemos a teu lado e de Lúdio Cabral pelas ruas de nossa Capital.


Está na hora de Cuiabá experimentar o PT!
Clique para ver...

A mágica de Ollanta Humala



O esquerdista Ollanta Humala completa um ano à frente da presidência do Peru. Um ano que passou voando. Parece que foi ontem a apertada eleição de Humala sobre Keiko Fujimori, a filha do tirano Alberto Fujimori. A vitória de Humala no Peru representou a vitória do novo da esquerda sobre o velho conservadorismo enraizado na sociedade peruana.

Para Humala vencer as arcaicas oligarquias peruanas embasadas sobre a exploração das ainda restantes jazidas de minério nos Andes e a riqueza do petróleo e do gás na Amazônia, ele precisou se comprometer a não colocar em risco o status quo da burguesia e das multinacionais que lucram bilhões de dólares no país.

Temia-se que Humala seria mais um discípulo bolivariano de Hugo Chávez, seguindo os exemplos de Rafael Correa no Equador, Evo Morales na Bolívia e Cristina Kirchner na Argentina. (Por mais que ele esteja geograficamente cercado pelos seguidores de Chávez, o Peru está ileso).

O esquerdista ganhou no segundo turno com a promessa de seguir o exemplo do Lulinha paz e amor do Brasil. Aliás, os marqueteiros de Lula fizeram a campanha de Humala.

Ele mantém o discurso da esquerda, do governo para os mais pobres, mas sem deixar de rezar a cartilha do capitalismo. Está sobrevivendo em um ano. “O Peru vai bem, estamos resolvendo os problemas, em um ano não é de se esperar que resolvamos todos, não sou mago, e acredito que as coisas estão indo bem”, disse ele durante as celebrações dos 191 anos da Independência do Peru, comemorados no sábado, 28 de junho.

Boa sorte a Humala nos próximos anos de presidência. Que continue sem fazer as magias de Chávez e companhia nos países vizinhos –com políticas populistas que mergulham suas nações ainda mais na miséria. Que de forma racional possa conciliar o desenvolvimento econômico com o social, garantindo a distribuição de renda aos mais pobres e assegurando a estabilidade do Peru para atrair investimentos.   
Clique para ver...

O real objetivo da "comissao da verdade" e a vinganca





 ........................................................... 



Por que então essa perseguição implacável contra alguém que cumpriu brilhantemente seu dever como militar? Quem entra num confronto armado sabe que está ali para matar ou morrer. Não havia anjos inocentes mas guerrilheiros armados e dispostos a eliminar os militares que se opunham aos seus planos. A tal “comissão da verdade” não
Clique para ver...

O fantástico mundo de Tião




Na tarde deste domingo o governador acreano Tião Viana mostrava, pelo Facebook, todo o seu orgulho e amor pelo Acre. Escreveu sobre a alegria de ver os filhos brincando no quintal de casa durante o pôr do sol deste dia de calor escaldante. “O entardecer do domingo com os filhos brincando no quintal...o Acre que amamos...”, escreveu ele.

O Acre que amamos do governador seria impossível de ser odiado. Tião Viana mora no Residencial Ipê, o reduto da elite acreana. Fechado e com câmeras, o bairro oferece a segurança de que todo cidadão sonha; qualquer pequeno pode brincar tranquilamente sem o susto de sofrer alguma violência. Além disso, o petista tem a segurança garantida 24 horas por policiais militares.

Este é o Acre imaginário de Tião Viana. Para a grande maioria da população, entretanto, a realidade é outra. Crianças pobres brincam de futebol nas ruas empoeiradas ou ficam correndo atrás de papagaio, com o risco de ser atropelados ou sofrer outro acidente. Este é o Acre que também amamos...
Clique para ver...
 
Copyright (c) 2013 Blogger templates by Bloggermint
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...