EM BERLIM, LULA CRITICA BANQUEIROS

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  • segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
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  • Do "Correio do Brasil"


    Lula critica banqueiros em discurso aos trabalhadores europeus

    “Em sua viagem à Alemanha, na sexta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre a crise na Europa, sobre suas motivações na política e pontuou que, em vez de salvar os bancos, é preciso ouvir as pessoas para encontrar saídas para a crise.

    Lula falou para cerca de 400 representantes sindicais alemães e convidados internacionais no congresso do sindicato alemão de metalúrgicos, o IG Metall, em Berlim. Num discurso de improviso, Lula recordou sua trajetória política, de sindicalista a presidente da República e lembrou que o movimento sindical alemão sempre foi muito solidário com os trabalhadores brasileiros, desde a época das grandes greves do ABC nos anos 80.

    O Congresso internacional "Mudando o rumo para uma vida melhor" reuniu mesas de debates focadas, principalmente, nas saídas para a crise e na qualidade de vida dos trabalhadores. Lula falou, antes dos debates, e o tema de seu discurso foi "O caminho para um mundo mais justo". O ex-presidente acredita que a manutenção do emprego e o estímulo ao crescimento dos países pobres são caminhos para a saída da crise e criticou políticas de austeridade que castigam o trabalhador.

    – Os magnatas do sistema financeiro, quando ganham, não repartem, mas quando perdem repartem os prejuízos com todos – afirmou.

    Para Lula, os políticos precisam perder o medo de exercer a democracia e ouvir o que o povo quer, no lugar de priorizar o salvamento de bancos.

    – A América Latina vive hoje uma era de paz e progresso que há muito tempo não vivia. Continuamos pobres e com problemas, mas há muito tempo não tínhamos esse progresso, principalmente com o aprofundamento da democracia. E a Europa, que era um berço de tranquilidade, vive uma era nervosa, apreensiva, principalmente para a juventude. E por que isso aconteceu? Porque muitos políticos terceirizaram a política. E a política não pode ser terceirizada – acrescentou.

    Para Lula, o maior legado de seus oito anos de governo foi a relação com a sociedade organizada e os movimentos sociais brasileiros.

    – Eu passei parte da minha vida perdendo eleição atrás de eleição. Eu cansava, mas nunca desisti – disse. Quando, finalmente, venci, ele disse, quis mostrar à sociedade brasileira e ao mundo que um simples trabalhador metalúrgico e sindicalista era capaz de ser presidente. “E não só isso, também que esse presidente era capaz de ajudar o país a avançar econômica e socialmente. Eu queria provar, como presidente, que poderia atender à pauta que eu fazia quando era dirigente sindical ou oposição” completou.

    Durante suas viagens, Lula disse que percebeu que foi um dos únicos presidentes que falou com os trabalhadores.

    – Até hoje, em muitos países, a primeira reivindicação dos trabalhadores é que eu interceda para que os presidentes os recebam – notou. E lembrou que, durante seu governo, recebeu catadores, sem-teto e movimentos sociais sem deixar de atender os governantes estrangeiros e empresários.

    Otimista, Lula disse acreditar que “até 2020 o futuro do Brasil é de crescimento do emprego e das conquistas da sociedade brasileira”. “Só interessa ao Brasil ser a quinta economia do mundo se isso servir para melhorar a vida do povo”, e continuou: “vocês que conquistaram esse padrão de vida não têm o direito de ficarem quietos vendo esses direitos serem retirados”.

    Lula recordou que decisões dos encontros do G-20 que participou em Londres e Seul não foram implementadas. Essas decisões diziam que a manutenção do emprego e o estímulo ao desenvolvimento dos países pobres eram cruciais para a superação das crises. E sugeriu prazo mais longo de ajuste fiscal para Espanha e Grécia, alertando que esse ajuste acelerado favorece a recessão e o surgimento de mais problemas e até o questionamento de conquistas já alcançadas.

    – Eu temo que na Europa vocês comecem a negar a União Européia. A União Européia é um patrimônio da humanidade, ela superou 1500 anos de conflitos – lembrou.

    No discurso, que foi comentado nas mesas seguintes por políticos e sindicalistas, Lula elogiou a democracia brasileira, lembrando as dezenas de conferências realizadas em seu governo com os mais diversos segmentos da sociedade.

    – Os brasileiros deram o exemplo de que uma democracia viva é melhor do que uma democracia em silêncio. Democracia é quando a sociedade toda se movimenta – pontuou.

    ENTREVISTA RELÂMPAGO

    O ex-presidente Lula teria dito, ainda na sexta-feira, que não se surpreendeu com a "operação Porto Seguro", deflagrada no último dia 23 de novembro e que desarticulou um esquema de tráfico de influência, corrupção e falsidade ideológica em órgãos federais.

    – Eu não fiquei surpreso – teria afirmado Lula, na viagem à Alemanha, onde participa de uma conferência internacional do sindicato dos metalúrgicos do país, em uma entrevista-relâmpago ao diário "conservador" [tucano, direitista] paulistano "Folha de S. Paulo".

    A curta declaração teria sido a primeira feita pelo ex-presidente sobre o caso.

    POP STAR

    Em sua sua viagem à Alemanha, na realidade, o ex-presidente tem recebido tratamento de uma estrela da política internacional, nas reportagens na imprensa local. O prestigioso jornal "Süddeutsche Zeitung" se referiu a Lula como “superstar” em uma reportagem que afirma que o Brasil é festejado sob seu governo, como se só agora o país tivesse sido descoberto pelo resto do mundo. O texto diz ainda que o presidente brasileiro tem um alto índice de aceitação não somente entre os próprios brasileiros, mas também por parte de políticos de outros países.

    O jornal econômico "Handelsblatt" disse que Lula chega à Alemanha para conversar com a chanceler Angela Merkel “de igual para igual”. No artigo intitulado "Lula não vem como pedinte", o periódico afirmou que o Brasil é um país desejado pelos investidores, e que a líder alemã corteja, por isso, o país em nome do setor econômico alemão.

    Já o conservador "Frankfurter Allgemeine Zeitung" (FAZ) disse que Lula chega à Alemanha como representante de uma “nova terra do milagre econômico” que “ultrapassou os tremores da crise global com uma velocidade impressionante”.

    Na reportagem intitulada "Um visitante autoconfiante", o FAZ lembra que as empresas brasileiras estão, em muitos setores, na ponta do que há de melhor internacionalmente e que o “capital estrangeiro tem entrado no Brasil como nunca antes”, o que faz do real “uma das moedas mais fortes do mundo”.

    FONTE: do “Correio do Brasil”; transcrito no portal de Luis Nassif  (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/em-berlim-lula-critica-banqueiros). [Imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’].
     
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