Esquerdas precisam superar indisponibilidade para reflexão*


* por Boaventura de Sousa Santos, sociólogo e professor catedrático da Universidade de Coimbra (Portugal) 

Quando estão no poder, as esquerdas não têm tempo para refletir sobre as transformações que ocorrem nas sociedades e quando o fazem é sempre por reação a qualquer acontecimento que perturbe o exercício do poder. A resposta é sempre defensiva. Quando não estão no poder, dividem-se internamente para definir quem vai ser o líder nas próximas eleições, e as reflexões e análises ficam vinculadas a esse objetivo.


Esta indisponibilidade para reflexão, se foi sempre perniciosa, é agora suicida. Por duas razões. A direita tem à sua disposição todos os intelectuais orgânicos do capital financeiro, das associações empresariais, das instituições multilaterais, dos think tanks, dos lobbistas, os quais lhe fornecem diariamente dados e interpretações que não são sempre faltos de rigor e sempre interpretam a realidade de modo a levar a água ao seu moinho. Pelo contrário, as esquerdas estão desprovidas de instrumentos de reflexão abertos aos não militantes e, internamente, a reflexão segue a linha estéril das facções.

Circula hoje no mundo uma imensidão de informações e análises que poderiam ter uma importância decisiva para repensar e refundar as esquerdas depois do duplo colapso da social-democracia e do socialismo real. O desequílibrio entre as esquerdas e a direita no que respeita ao conhecimento estratégico do mundo é hoje maior que nunca.

A segunda razão é que as novas mobilizações e militâncias políticas por causas historicamente pertencentes às esquerdas estão sendo feitas sem qualquer referência a elas (salvo talvez à tradição anarquista) e muitas vezes em oposição a elas. Isto não pode deixar de suscitar uma profunda reflexão. Essa reflexão está sendo feita? Tenho razões para crer que não e a prova está nas tentativas de cooptar, ensinar, minimizar, ignorar a nova militância.

Proponho algumas linhas de reflexão. A primeira diz respeito à polarização social que está a emergir das enormes desigualdades sociais. Vivemos um tempo que tem algumas semelhanças com o das revoluções democráticas que avassalaram a Europa em 1848. A polarização social era enorme porque o operariado (então uma classe jovem) dependia do trabalho para sobreviver mas (ao contrário dos pais e avós) o trabalho não dependia dele, dependia de quem o dava ou retirava a seu belprazer, o patrão; se trabalhasse, os salários eram tão baixos e a jornada tão longa que a saúde perigava e a família vivia sempre à beira da fome; se fosse despedido, não tinha qualquer suporte exceto o de alguma economia solidária ou do recurso ao crime. Não admira que, nessas revoluções, as duas bandeiras de luta tenham sido o direito ao trabalho e o direito a uma jornada de trabalho mais curta. 150 anos depois, a situação não é totalmente a mesma mas as bandeiras continuam a ser atuais.

E talvez o sejam hoje mais do que o eram há 30 anos. As revoluções foram sangrentas e falharam, mas os próprios governos conservadores que se seguiram tiveram de fazer concessões para que a questão social não descambasse em catástrofe. A que distância estamos nós da catástrofe? Por enquanto, a mobilização contra a escandalosa desigualdade social (semelhante à de 1848) é pacífica e tem um forte pendor moralista denunciador.

Não mete medo ao sistema financeiro-democrático. Quem pode garantir que assim continue? A direita está preparada para a resposta repressiva a qualquer alteração que se torne ameaçadora. Quais são os planos das esquerdas? Vão voltar a dividir-se como no passado, umas tomando a posição da repressão e outras, a da luta contra a repressão?

A segunda linha de reflexão tem igualmente muito a ver com as revoluções de 1848 e consiste em como voltar a conectar a democracia com as aspirações e as decisões dos cidadãos. Das palavras de ordem de 1848, sobressaíam liberalismo e democracia. Liberalismo significava governo republicano, separação ente estado e religião, liberdade de imprensa; democracia significava sufrágio “universal” para os homens. Neste domínio, muito se avançou nos últimos 150 anos. No entanto, as conquistas têm vindo a ser postas em causa nos últimos 30 anos e nos últimos tempos a democracia mais parece uma casa fechada ocupada por um grupo de extraterrestres que decide democraticamente pelos seus interesses e ditatorialmente pelos interesses das grandes maiorias. Um regime misto, uma democradura.

O movimento dos indignados e do occupy recusam a expropriação da democracia e optam por tomar decisões por consenso nas sua assembleias. São loucos ou são um sinal das exigências que vêm aí? As esquerdas já terão pensado que se não se sentirem confortáveis com formas de democracia de alta intensidade (no interior dos partidos e na república) esse será o sinal de que devem retirar-se ou refundar-se?
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Oscar Niemeyer: 104 anos

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SERRA CUMPRIRÁ PENA EM CELA COMUM



Se o ministro Gilmar Mendes não interferir no processo, o morto-vivo Zé Chirico, candidato à presidência da república derrotado por Lula e Dilma,  deverá puxar a cana a que será condenado dividindo "espaço" com vários coleguinhas e correligionários. 
Baseados nas bandalheiras apresentadas pelo livro A Privataria Tucana, renomados criminalistas consultados por este Cloaca News estimaram que Serra pode pegar uma condenação cumulativa superior a 50 anos de xilindró, em regime fechado. A privação da liberdade, nesse caso, não seria a pior notícia para o tucano. Por não possuir diploma de graduação em curso superior reconhecido no Brasil, Serra não poderá desfrutar o "benefício" da cela especial. Se tivesse concluído o curso de Engenharia na Escola Politécnica da USP, quem sabe. Mas, como ele mesmo já declarou, "não deu pra terminar". Serra não é engenheiro, apesar de já ter mentido a esse respeito em uma audiência no Senado. Serra também não é economista, uma vez que, até hoje, nenhum Corecon do país tenha encontrado sua ficha. A bem da verdade, alguns Conselhos Regionais de Economia já tentaram denunciá-lo por falsidade ideológica, contravenção que lhe renderia mais três meses tomando café de canequinha. O único alento para o ex-governador e ex-prefeito é que, em troca de alguns pacotes de cigarros, ele poderá  gozar de visitas íntimas. Com direito a cortininha, claro.
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118 mil mortos depois e sem encontrar armas de destruição em massa, norte-americanos sairão do Iraque

A segunda invasão norte-americana no Iraque ocorreu meses após os atentados de 11 de setembro no World Trade Center. O então presidente Bush filho alegava que Saddam Husseim escondia armas de destruição em massa capazes de afetar toda a humanidade. Aproximadamente 10 anos depois, 118 mortos depois, entre civis iraquianos e soldados do império, sem achar nenhuma arma de destruição em massa, com a sociedade iraquiana destroçada, Obama anunciou que os Estados Unidos da América finalmente deixarão o país. A presença norte-americana era tão nociva que centenas de milhares de pessoas saíram às ruas por todo o Iraque para comemorar. Avanço? Benfeitoria?

Não. A retirada das forças norte-americanas do Iraque é tardia e tem como principal objetivo fazer com que Barack Husseim – primeiros nomes do presidente – recupere sua popularidade com vista às eleições de 2012. Nem mesmo os norte-americanos mais comuns, acostumados com uma sociedade onde uma em cada três pessoas possuem arma de fogo e sempre propensos a apoiar a invasão de algum país em nome do “American Way Of Life”, defendiam a continuidade das tropas no Iraque. Possivelmente não por respeitar a soberania de outro povo, mas porque mais de quatro mil soldados morreram em solo iraquiano e a permanência do aparato militar foi longa demais, afastando os bravos heróis do solo pátrio.

No anúncio, Obama não citou os horrores cometidos contra civis iraquianos pelos militares na prisão de Abu Ghraib. Também não comentou a manipulação de dados que levou parcela do mundo a acreditar na existência das tais armas de destruição em massa. Nem lamentou a morte do diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Melo que comandava a missão de paz da ONU naquele país. Muito menos apontou caminhos para a reestruturação de uma nação que teve sua economia, suas instituições políticas e sua cultura destruídas durante a invasão.

O imperador norte-americano apenas repetiu a frase dita anos atrás de maneira precipitada pelo se antecessor Bush Filho: “A guerra terminou”. Deixou de lado seus discursos de campanha que condenavam a invasão e os altos gastos dos EUA para garantir a sobrevivência da indústria da guerra e afirmou que “o exército norte-americano é a maior força de combate já conhecida”.

Embora tenha prometido o contrário, o democrata Obama deu continuidade a política intervencionista do conservador Bush filho. Sai do Iraque, mas continua no Afeganistão. Guantánamo continua aberta e seus presos, muitos inocentes, sem direto a julgamento. Nem pelas leis dos EUA, muito menos pelas leis internacionais. As bases militares continuam a se espalhar pelo mundo. A palavra democracia serviu para apoiar os ataques ao povo Líbio e os mercenários sanguinários que humilharam Kadhafi mesmo após a morte. Porém, não serviu para repreender os ataques israelenses ao povo palestino e para restabelecer o estado democrático de direito na Síria. Também não serviu para garantir eleições livres no Egito.

De volta ao Iraque, saem os soldados. Ficam as multinacionais que usurpam do povo iraquiano milhares de barris de petróleo e o direito de se reerguer enquanto nação. Em breve, mesmo em meio a uma crise sem precedentes e uma mudança significativa na geopolítica mundial que permitiu o reconhecimento pleno da Palestina pela Unesco, o império inventará novos inimigos. Sempre no intuito de restabelecer a sua democracia, impulsionar a indústria bélica e abrir caminhos para multinacionais roubarem das nações as suas riquezas e abrir novos mercados consumidores. Assim é e sempre foi o império capitalista.
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Segunda ponte do Guaíba: uma conquista sem pedágios



O anúncio da presidente Dilma em Porto Alegre de que a União construirá a segunda ponte do Guaíba é uma grande conquista para todos os gaúchos.

Primeiro porque atende uma demanda de décadas da sociedade, possibilitando uma melhoria significativa na ligação entre a capital e a zona sul do estado, contribuindo para o escoamento de bens e riquezas que circulam no Rio Grande do Sul e para a qualificação do transporte intermunicipal de passageiros. Hoje, além de enfrentar um grande fluxo de veículos, qualquer problema que ocorrer na única via existente pode provocar algumas horas a mais de viagem entre Porto Alegre e municípios importantes como Pelotas e Rio Grande.

Segundo porque o complexo viário da segunda ponte será construído integralmente com recursos públicos vindos da União. Serão R$ 900 milhões de investimentos federais que possibilitarão a conclusão da obra entre 2016 e 2017. Demonstração clara de uma relação mais qualificada entre os governos Federal e Estadual e uma compreensão de que é preciso investir em infraestrutura para o Rio Grande do Sul alavancar um novo ciclo de desenvolvimento econômico e Social. Esta relação de parceria é altamente benéfica ao estado e já se expressou em outros anúncios, como a construção do metrô de Porto Alegre, o Polo Naval, a Rodovia do Parque e a duplicação da BR 116, entre outros.

Terceiro porque não estão previstos custos adicionais aos usuários. Como a União bancará a obra integralmente, não haverá a prorrogação dos atuais contratos de concessão rodoviária envolvendo a BR 290 e nem licitações para a instalação de praças de pedágios no complexo viário. Fato que contribui para que os custos de logística e transporte não aumentem e, por conseqüência, não sejam repassados ao conjunto da sociedade gaúcha através do aumento no valor de mercadorias comercializadas.

Exemplo a ser seguido em outras situações.


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