MARCELO TAS SAI EM DEFESA DE “PIADA” DE AUSCHWITZ

Em uma entrevista que entrará para os anais da História do Jornalismo como divisor de Eras, tal a relevância e a complexidade epistemológica do pensamento do entrevistado, o engenheiro, jornalista e apresentador Marcelo Tristão Athayde de Souza – Marcelo Tas – chamou de “fascista” a atitude das pessoas que tacharam de nazista uma “piada de 140 caracteres”.  Tristão, que agora deu para ameaçar seus críticos com processos judiciais, estava, provavelmente, fazendo alusão à “piada” que seu pupilo Danilo Gentili, do programa CQC (Rede Bandalha) difundiu no Twitter, dia 12 de maio último, em que dizia entender “os velhos de Higienópolis”.

Para tomar conhecimento das ideias transcendentais (no sentido kantista) deste titã hodierno e conferir seu extraordinário senso de humor, vá até o Portal Imprensa.  
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CENAS DA DITADURA - 04 - PAPARAM A MULHER DO COMPANHEIRO

- “Comi!
- Não comeu!
- Comi.
“ Não comeu!
- Comeu ou não comeu?
- Comi.
- Questão de ordem: se comeu, comeu quando?”

Esta era a acalorada discussão política, revolucionária, que se desenrolava num quarto do “aparelho” com a presença dos 18 militantes da base do partido, e mais o assistente da Direção Municipal, e o enviado especial do Comitê Estadual da Guanabara (o nome do estado naquele tempo) .
Vinte camaradas para apurar se eu havia realmente desrespeitado o dogma partidário de que: “mulher de companheiro é homem”,  e haveria ou não papado a mulher do Raposo.


Raposo era o mais novo membro da base, estava com 15 anos. Um galinho garnizé.Todo emproado , orgulhoso da sua virilidade nascente.
O companheiro havia conseguido cair nas graças de uma “coroa” aposentada  da Panair. A “moça” deveria ter por volta de 55 anos. E ele, 15.Ela morava no mesmo bairro e dava a ele vida boa, e sobretudo sexo para saciar o testosterona que dirigia agora suas emoções.

A Ilha do Governador não era exatamente um subúrbio. Não éramos  “suburbanos”, éramos “ilhéus”. Mas naquele ano de 1965 era muito comum os rapazes de subúrbio, ou ilhéus, saírem sábado à noite para Copacabana pra “ganhar” uma coroa, e quando isso acontecia a volta era triunfal, e a ida se repetiria com endereço certo por vezes incontáveis.

Raposo havia conseguido sua “coroa” na própria Ilha, e estava muito vaidoso de si. Desprezava agora a disciplina stalinista, o centralismo, e os companheiros de base.Achava-se o maior machão do mundo... displicente com as tarefas da militância... era preciso agir para que Lenine , e não Domícia – o nome da senhora -  voltasse a ocupar a sua cabeça.
Coube a mim esta tarefa revolucionária.

Um dia em que Raposo não estava na Ilha, fui eu mesmo à casa da dita senhora, com a desculpa de levar um recado de Raposo,  e sobrou pra mim. Amanheci ao seu lado com café servido na cama e massagem nos pés.

De sunga, da cama  fui à varanda no momento justo em  que Raposo passava na rua e viu-me ,eu, ali, "nas asas da Panair",  amante da amantíssima ex-comissária .
Armou tamanho escândalo sexo-político na base, que foi necessária uma reunião com a Direção Estadual  presente para esclarecer se eu havia comido ou não a dita senhora.
Raposo negava-se a  acreditar no fato. Seria a destruição de sua vaidade viril , a quebra da sua “fantasia amorosa”.

E na “seríssima reunião” que se estendeu por horas  -  mesmo na clandestinidade - para discutir o assunto, Raposo negava que eu pudesse tê-la “papado”. Daí o diálogo :

- “Comi!
- Não comeu!
- Comi.
-  Não comeu!
- Comeu ou não comeu?
- Comi.
- Questão de ordem: se comeu, comeu quando?”

A querela findou-se quando respondi esta pergunta:
- “Comi 5ª feira  á noite. E digo como prova : na hora do orgasmo,ela que tem uma pinta na virilha, chamava-me  de seu “coelhinho” enquanto sussurrava  :Come alface coelhinho, come.”
Prova definitiva.. Raposo queria me encher de porrada e fui suspenso das funções de Secretário Geral da Base , por um bom tempo, o tempo suficiente para que a camaradagem entre Raposo e eu voltasse através da luta diária.

A senhora? Nunca mais a "visitei", menos ainda  o Raposo, traído. Corno aos 15 anos.

(Próximo: INCÊNDIO NO APARELHO)

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• Palocci se explicando

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CENAS DA DITADURA -03 - A BELA E AS FERAS

- “Boazuda.
- Gostosa.
- Toda minha!!!”

Isto era o que passava pela cabeça dos 17 varões que compunham a base do Partido na Ilha do Governador ao olharem para a única presença  feminina nas reuniões . 

Aquela belezura que em breve iria tornar-se atriz de novelas e levar  todo os homens do Brasil a terem os mesmos pensamentos.

Nos seus 16 anos ela arrancava suspiros cada vez que falava “Companheiros...”.

No dia seguinte à reunião podia notar-se em todos os olhos as olheiras profundas deixadas pelas fantasias noturnas no quarto, ou no banheiro, de cada solitário jovem pretendente à posse daquela Vênus, que mais tarde seria platinada.

Mas nada além. A moça tinha namorado.

“- Babaca.
- Brocha.
- FDP!!!”

Era o que  passava pela cabeça dos 17 varões acerca do galã da mocinha.

O tal namorado era também da base partidária, da mesma base, e pelos preceitos quase religiosos da política leninista da época, mulher de companheiro era homem. Intocável. Seria um pecador,um burguês pervertido,  aquele que ousasse quebrar este dogma. 

Filha de militar, morava na Vila da Aeronáutica, e entre toda a sua militância sobressaía o fato de nos informar sobre movimentações naquela Base Aérea. Mas quem queria ouvir alguma coisa quando ela falava? Ficava na sala aquele clima de cães ferozes,  amestrados pelo poder sedutor dos seus olhos negros.

Mas, se por um lado era Bela, pelo lado político era uma Fera, como veremos adiante. Corajosa. Determinada. Lutadora. Jogaria para o alto a Venus Platinada e se transformaria numa “passionária” da luta armada, vindo a bestialidade da tortura – pelo nome, Comandante Brilhante Ulstra -  conspurcar  aquele sacrário de formosura.

Próximo: “PAPARAM A MULHER DO COMPANHEIRO”
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MARCELO TAS PENSA QUE É ALI KAMEL



LIBERDADE RELATIVA: MARCELO TAS QUER ME PROCESSAR


Por Lola Aronovich, do blog Escreva Lola Escreva
.
"Estou indignada, mas vou me esforçar para não parecer tão indignada. Ontem, como vocês viram, publiquei um post mandando o CQC pra PQP. Isso foi no título. No texto em si eu estava muito mais comedida, e expliquei porque é misoginia ter nojo da anatomia feminina (principalmente quando esta anatomia não está a serviço dos homens adultos e héteros, como no caso da vagina no parto e dos seios na amamentação). Por que fiquei tão revoltada? Por uma questão de princípios. Não sou mãe, nunca quis ser mãe, e agora, prestes a completar 44 anos na próxima segunda, definitivamente não serei mãe. Portanto, nunca amamentei. Também nunca fiz aborto, e no entanto sou 100% a favor da legalização do aborto. Assim como não sou lésbica, mas comemorei quando a união homoafetiva passou no Supremo. Não sou negra, mas faça uma piadinha racista perto de mim. E por aí vai. Eu não defendo apenas as causas que me beneficiam diretamente.


Já faz tempo que eu e muitas, muitas pessoas não engolimos as asneiras “politicamente incorretas” (código para “posso falar o que quiser e não aceito ser contestado”) de Rafinha Bastos, Danilo Gentili, e do CQC em geral, entre tantas outras celebridades e seus programas. Mês passado foram dois casos: Rafinha, numa revista, defendendo com todos os dentes piada de estupro (é um favor uma mulher feia ser estuprada, estuprador merece um abraço etc), e Danilo twittando que entende porque os judeus de Higienópolis são contra a construção do metrô — porque, da última vez que entraram num vagão, foram parar em Auschwitz. No segundo caso, a Band exigiu retratação do seu contratado, e Danilo rapidamente tirou o tweet do ar e pediu desculpas. No caso de Rafinha, nada. Parece que não é bacana fazer piada com judeu, mas com mulher, zuzo bem, tá liberado. Afinal, somos apenas 52% da população.

Mas eu me ofendo. Sou feminista desde os 8 anos de idade, e pra mim é ponto pacífico que a mulher tenha liberdade sobre seu corpo. Portanto, quando vem um bando de marmanjo ridicularizar mulheres por amamentarem em público, vejo isso como uma intervenção no corpo da mulher. É dizer que ela não pode amamentar na frente de outras pessoas, que existe apenas um tipo de seio que pode ser exposto. Isso num momento em que os mamaços se intensificam por todo o país, porque as mães não são bobas: elas sabem que vem crescendo no Brasil um conservadorismo que é contra a liberdade feminina (e também contra a liberdade de todas as outras minorias).

Quando Rafinha desdenhou do mamaço (e do beijaço), ele sabia o que estava fazendo. O CQC sabia. E aqui admito que errei numa informação no meu texto, como me informou uma leitora: não foi na TV que esse lamentável diálogo (veja aqui) aconteceu. Foi no CQC 3.0, que passa na internet após o programa televisivo. Mas faz muita diferença? Os participantes são os mesmos. Os temas, pelo que me contam, são os mesmos. O nível de estupidez é o mesmo. Se a gente considerar que integrantes do CQC estão ligados ao programa até quando falam numa revista ou no twitter, imagino que o que eles digam num troço pra internet chamado CQC 3.0 conte como parte do CQC, ou não?

De todo modo, ontem mais ou menos no almoço recebi um email do Marcelo Tas, curto e grosso, querendo saber onde e quando ele se posicionou contra a amamentação. Eu respondi, com a mesma educação que me foi dispensada, que nem ele nem o CQC se opuseram à amamentação, e sim à amamentação em público, como está claro no meu texto. E que eu só citei o Tas uma vez, num parênteses sem referência à amamentação em si, em que eu dizia que é claro que a sociedade gosta de seios (desde que direcionados a sua função única, a de fazer babar os homens) porque a TV não sobreviveria só de Rafinhas ou Marcelos Tas. Mas ele me mandou um outro email, subindo o tom, pedindo retificação imediata, porque ele não se disse contra a amamentação em público, ele não disse nada daquilo, e ele não é misógino. Comentei no Twitter que eu tinha recebido email do Tas e, mais tarde, publiquei nos comentários do meu post esses dois emails curtinhos como resposta dele, como um “outro lado”. Recebi outro email em seguida, em que ele diz: “
Você vai aprender através de um processo por calúnia e difamação a ser mais responsável com o que publica, esta troca de e-mails documenta a minha tentativa de dialogo com voce antes de tomar o caminho da Justiça”. Quer dizer, o que foi isso? Ameaça de processo, certo?

E isso me deixa indignada. O CQC tem o direito sagrado da liberdade de expressão para caluniar todas as mulheres, mas eu não tenho a liberdade para criticá-los? Então me parece que essa tal liberdade é meio relativa. Eu, por exemplo, dona deste humilde bloguinho com suas 90 mil visitas e 150 mil pageviews por mês, jamais ameacei ninguém com um processo. Sou contra a censura. Em todas as minhas críticas aos machistas, misóginos, homofóbicos e racistas de plantão (e são muitas críticas em 3,5 anos de blog com atualizações diárias), nunca exigi que alguém se calasse ou que algo fosse tirado do ar ou da internet. No caso do Rafinha fazendo piada com estupro, não divulguei nem o que seria totalmente legítimo — que passássemos a boicotar os anunciantes do CQC, programa que o emprega.

É engraçado que o Tas queira me processar porque, como lembrou a Srta.Bia, no caso do Danilo, quando a PinkyWainer perguntou ao Tas se ele apoiava o tipo de humor danístico sobre judeus e o metrô de Higienópolis, ele respondeu: Engraçado também que o CQC e demais programas são os primeiros a gritar “Censura! Exijo liberdade de expressão!” quando recebem qualquer crítica, mas são tão rápidos no gatilho pra ameaçar com processo quem os critica.

Eu até entendo. Por coincidência, estava lendo uma matéria da Lúcia Rodrigues na Caros Amigos de maio. Chama-se “As Novas Táticas da Repressão Política” (trecho aqui) e fala justamente sobre como processos jurídicos são movidos para intimidar os ativistas. É o que está em alta atualmente. O MST incomoda? Não basta só jogar a polícia em cima, mete também um processo! Processo é usado pra calar qualquer um que se oponha ao status quo. E Tas e seus colegas de CQC, apesar de posarem de moderninhos, representam, com seus preconceitos ultrapassados, esse status quo. Seu exército de advogados, sempre prontos para defender os integrantes de qualquer processo, também serve para intimidar. Mas se alguém achar que difamei o Tas, peço para que leia o post, do qual não troquei uma só vírgula. Como disse o Bruno, “
se esse post é calúnia, o CQC é formação de quadrilha”.

Tas em nenhum momento criticou o que seus colegas disseram, ou as outras besteiras que vivem dizendo. Mas se irritou porque eu o chamei de misógino. É, fui injusta. Gostaria de acrescentar que, além de considerá-lo um misógino de marca maior, também o vejo como um tucano enrustido e um babaca arrogante. Isso é calúnia e difamação? Ou é a minha opinião?

Se não tenho direito a minha opinião, então, Tas, me processe. Pela demonstração de apoio que recebi ontem, suponho que bastante gente ficará do meu lado, a favor da liberdade de expressão. Acho que na hora muit@s de nós nos levantaremos gritando “Eu sou Spartacus”, sabe? Você deve saber a força de uma mobilização online. Fico no aguardo de você começar uma luta de Davi e Golias contra mim. Ao contrário de você, eu não tenho um dos maiores grupos de comunicação do país me dando apoio. Tenho apenas a minha consciência, e esta precisará de mais de um processo pra ser calada. Eu sou mulher, sou feminista, tenho peito, não tenho medo. Pra mim “aquilo roxo”, balls, cojones, nunca foram sinônimo de coragem. Coragem é enfrentar todo um sistema que insiste em perpetuar preconceitos".
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