Serra saiu do armário em Minas e prometeu desmontar o legado de Lula.
Disse o seguinte:
a) o PAC não existe –‘é uma lista de obras’-- logo, não será continuado;
b) todos os contratos federais assinados durante o governo Lula serão revistos, logo, vai paralisar o Estado e o país;
c) o Mercosul só atrapalha; logo, vai desmontar apolítica externa que mudou a inserção subordinada e dependente do Brasil herdada de FHC
d) criticou a Funasa atual, logo, vai repetir o que fez quando foi ministro da Saúde de FHC, entre 1998 a 2002. O que fez condensa em ponto pequeno o que promete agora repetir em escala amplificada, se for eleito.
Recuerdos pedagógicos:
I) Serra assumiu o ministério em 31 de março de 1998, em meio a uma epidemia de dengue; prometeu uma guerra das forças da saúde contra a doença;
II) iniciou então o desmonte que ameaça agora repetir;
III) primeiro, ignorou as linhas de ação e planos iniciados por seu antecessor , o médico Adib Jatene; paralisou a ação do governo contra a doença;
IV) em nome de uma descentralização atabalhoada, transferiu responsabilidades da FUNASA, Fundação Nacional de Saúde, o órgão executivo do ministério, para prefeituras despreparadas e sem sincronia na ação;
V) em junho de 1999, Serra demitiu 5.792 agentes sanitários contratados pela FUNASA em regime temporário, acelerando o desmonte do órgão, em sintonia com a agenda do Estado mínimo;
VI) um mês depois, em 1º de julho de 1999, o procurador da República Rogério Nascimento pediu à Justiça o adiamento da dispensa dos 5.792 mata-mosquitos até que as prefeituras pudessem treinar pessoal; pedido ignorado por Serra.
VII) Em 5 de agosto de 1999, num despacho do processo dos mata-mosquitos, a juíza federal Lana Maria Fontes Regueira escreveu: "Estamos diante de uma situação de consequências catastróficas, haja vista a iminente ocorrência de dengue hemorrágica".
VIII) o epidemiologista Roberto Medronho, diretor do Núcleo de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro, completaria: ‘"A descentralização da saúde não foi feita de forma bem planejada. O afastamento dos mata-mosquitos no Rio foi uma atitude irresponsável”
IX) em abril de 2001, a Coordenação de Dengue do município do Rio previu uma epidemia no verão de 2002 com grande incidência de febre hemorrágica. A sugestão: contratar 1.500 agentes e compra de equipamentos de emergência; foi ignorada por Serra.
X) O ano de 2001 foi o primeiro em que os mata-mosquitos da Funasa, dispensados por Serra não atuaram em nenhum dos 12 meses anteriores. A dengue, então, voltou de forma fulminante no Rio: 68.438 pessoas infectadas, mais que o dobro das 32.382 de 1998, quando Serra assumiu o ministério.
XI) em 2002, quando se lançou candidato contra Lula, Serra era ovacionado no Rio como o 'Presidengue' por sua devastadora atuação na saúde pública.
(Carta Maior, com dados colhidos nos arquivos da Folha que preferiu esquece-los; 20-04)
Reproduzimos material enviado por Gustavo Bernardes, advogado do Grupo SOMOS

Cumprindo nosso papel de sociedade civil que atua na luta permanente em prol dos direitos humanos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais e preocupados com as recentes notícias sobre o comportamento dos jovens freqüentadores da Rua Gal Lima e Silva, nas proximidades do Centro Comercial Nova Olaria o SOMOS – Comunicação, Saúde e Sexualidade vem, pela presente, elucidar algumas questões:
1. A Constituição Federal brasileira em seu artigo 5º, inciso XVI, garante aos cidadãos e cidadãs brasileiras o direito de reunirem-se pacificamente nos espaços públicos. No caso em questão, a juventude reunida na Rua Gal. Lima e Silva está usufruindo do espaço público, única e exclusivamente, para confraternizar e socializar-se com seus pares;
2. Faz parte da nossa sociedade, e isso é notório, o uso de drogas lícitas (álcool e tabaco) para confraternização. Como pode então, essa mesma sociedade, exigir um comportamento diferente desses jovens;
3. Em levantamento realizado em 2007/2008 junto aos jovens freqüentadores do Centro Comercial Nova Olaria, observamos que: 46% daqueles jovens tem ensino médio completo e 16% ensino superior incompleto. 80% dos jovens entrevistados mora com a família e 74% já foram discriminados no Centro Comercial Nova Olaria;
4. Diante desse perfil e dessa situação de violência a que estão submetidos os jovens freqüentadores das proximidades do Centro Comercial não nos surpreende que EM CASOS ISOLADOS alguns jovens cometam excessos visto que, mesmo depois de tantos anos freqüentando o local, ainda não há uma política pública para acolher adequadamente esses jovens e, nem mesmo os comerciantes são trabalhados para observar os direitos humanos e cumprir o artigo 150 da Lei Orgânica Municipal que veda discriminação em razão da orientação sexual em estabelecimentos comerciais;
5. Cumpre ressaltar que em razão da postura autoritária dos comerciantes do Centro Comercial Nova Olaria, os mesmos já foram, até mesmo multados pela Secretaria Municipal da Industria e Comércio, contudo, continuam a repetir a mesma prática, o que já foi denunciado ao Ministério Público Estadual;
6. O SOMOS já procurou os comerciantes do Centro Comercial para, através de uma parceria, buscar uma solução para a situação de abandono dos jovens, contudo não fomos sequer recebidos pelos mesmos;
7. O SOMOS também tem feito intervenções comportamentais no local visando garantir uma presença positiva, buscando, através de atividades culturais, trabalhar questões como saúde, sexualidade e redução de danos;
8. Reiteramos que não há, no local “atitudes pornográficas” conforme alega o Sr. Carlos Schmidt, o que há, isso sim, são demonstrações de afeto como beijos e abraços, atitudes que jamais deveriam chocar os comerciantes;
9. O Sr. Carlos também afirma que os jovens estão prejudicando o seu cinema, ora, de todos sabemos que cinemas fora de grandes shopping centers estão em crise desde a década de 1990, além disso, os cinemas Guion, localizados no Olaria, não conseguem competir em qualidade com outras salas de cinema da capital;
10. Por fim, salientamos que as acusações do Sr. Carlos serão levadas ao conhecimento da Promotoria de Direitos Humanos do Ministério Público Estadual e as alegações deverão ser provadas sob pena de responder por danos morais aquela população.
SOMOS – Comunicação, Saúde e Sexualidade

