Excelente o retorno ao blog “Brasília, eu vi” do jornalista Leandro Fortes. Para quem não lembra, ele é repórter da Carta Capital e autor de duas matérias inevitáveis sobre Gilmar Mendes. Em uma, relata a vida empresarial do presidente do Supremo, a estranha ética que emprega diversos de seus colegas e recebe agrados decisivos, como desconto de 80% no valor do terreno de seu instituto. Na outra, a versão faroeste de Gilmar, até então desconhecida. O repórter esteve em Diamantino, em Mato Grosso, terra da família Mendes, e revelou que lá os valores republicanos do presidente são outros. Foi esta última reportagem que motivou a frase de Joaquim Barbosa sobre capangas, e que a mídia comprometida não explicou aos seus leitores. É sobre este silêncio que Leandro comenta hoje em post. Ele, que ao dar aulas de jornalismo ou em palestras por todo o Brasil, sempre é perguntado sobre a falta de repercussão da Carta Capital. Vale a leitura, Leandro é fundamental reforço à blogosfera.
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Caetano Veloso: O mala-mor da MPB - Parte I
Não se discute que Caetano Veloso tem o seu nome profundamente marcado na história da Música Popular Brasileira. Na verdade, não é exagero dizer que isto já ocorre desde o final da década de 1960, quando Caetano – juntamente com Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes, Torquato Neto e vários outros – esteve à frente de um movimento artístico que teve importância crucial para a nossa cultura: o Tropicalismo. Além disto, nas décadas de 1970 e 1980, ele compôs algumas grandes canções como “Cajuína”, “Muito Romântico”, “O Quereres”, “Língua”, “Como dois e dois” e várias outras que marcaram uma geração. Porém, por conta disto, muita gente alçou Caetano à condição de gênio inquestionável, quase um semideus, e qualquer crítica à sua obra e mesmo à posições pessoais suas - que nada têm a ver com música - passa a ser vista como uma espécie de heresia. Tal postura – que é compartilhada por boa parte dos jornalistas e críticos da grande imprensa – se mostrou bastante clara para mim quando há alguns dias atrás, após ter colocado neste blog uma postagem sobre o que eu chamava de “Música Chata Brasileira”, recebi vários comentários – tanto no próprio post, quanto por e-mail – cujo teor, no geral, era mais ou o menos seguinte: “Quem você acha que é para criticar o Caetano?”. Por conta disto – e também porque desde os primórdios deste blog coloquei em meu perfil que acho esse baiano um chato -, resolvi expor as razões pelas quais não consigo mais ter muita paciência para aturar o Caetano (por questões musicais e extra-musicais). Como os argumentos são muitos, vou dividir este texto em duas postagens para facilitar a leitura.Sendo assim, vamos aos argumentos:
1-Do ponto de vista musical e poético, desde a década de 1990, a obra de Caetano só pode ser considerada mediana. Apesar de ter produzido algumas boas canções como “Fora de Ordem” e “Haiti”, grande parte do que ele compôs a partir desta época pode ser classificado como fraco ou razoável. Não é a toa que algumas das melhores coisas que ele gravou neste período são regravações de canções de outros compositores ou mesmo de antigas músicas suas (como é o caso de “Como dois e dois”). Na verdade, se analisarmos com mais cuidado, podemos notar que, já na década de 1980, ao lado de grandes composições como “Podres Poderes” e as já citadas “Língua” e “O Quereres”, Caetano andou cometendo coisas como “Comeu” ou “Eclipse Oculto”...
2-Caetano insiste o tempo todo em querer ser “moderno” e “antenado”, procurando passar a idéia de que está sempre na vanguarda e atento a novas tendências. Para mim, isto se aplica à sua obra do final da década de 1960, quando com os demais tropicalistas incorporou à música brasileira elementos da cultura pop internacional, ao mesmo tempo em que reconhecia o valor da produção musical da Jovem Guarda e de compositores considerados kitsch, que estavam fora do mainstream da MPB. Porém, a partir de então, parece-me que ele criou um personagem que acaba sendo um pastiche do que ele representou na época do tropicalismo, um pálido clone de si mesmo. Agora, ao buscar ser moderno ele parece se mover muito mais por um fascínio em estar na mídia – e na moda – e por questões mercadológicas, do que por preocupações estéticas autênticas. Neste sentido, ele busca aparecer como um artista de vanguarda e popular ao mesmo tempo, ao gravar canções de compositores considerados bregas, ao fazer shows como os que ele fazia com a banda Black Rio, no final da década de 1970, ou ao elogiar e cantar em suas apresentações alguns hits do Funk carioca, como faz atualmente. Dentro da mesma lógica, inserem-se as suas constantes aparições na revista "Caras", o sonho de consumo das celebridades vazias;
3-O personagem Caetano considera-se uma espécie de “gênio da raça”, um intelectual que entende de tudo e que pode opinar sobre todos os assuntos. Esta auto-imagem é corroborada por inúmeros de seus admiradores que não cansam de incensá-lo e de aplaudir tudo o que ele faz e diz. Dentre estes, não podemos esquecer o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (outro detentor de um grande ego) que, ao comparar Caetano e Chico, chamou o ex-tropicalista de “gênio”, classificando Chico como “elitista” e “ultrapassado” (será que isto aconteceu porque Chico era um crítico de seu governo, enquanto Caetano o elogiava?). Por conta disto, Caetano dirige um filme soporífero como “Cinema Falado” (1986) - e nenhum crítico tem a coragem de dizer claramente que aquilo é cinema da pior qualidade - ou dá declarações como as que ele deu ao jornal português “Expresso” há alguns anos atrás, em que afirma textualmente que “a colonização portuguesa do Brasil foi a pior coisa que você pode imaginar. Foi o oposto dos EUA, para onde alguns ingleses foram para criar um país melhor”. Afirmando isto, o “gênio” baiano reproduz o mais rasteiro senso comum, esquecendo toda a produção historiográfica brasileira sobre o tema - desde pelo menos Caio Prado Júnior, há mais de sete décadas –, que nos mostra que a questão essencial não é “quem” colonizou, mas sim “como” e “por que” se colonizou.
Continua no próximo post.
Ato simultâneo em São Paulo e Brasília

Tendo em vista a vergonhosa atuação do Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e aproveitando o momento de desabafo do Ministro Joaquim Barbosa, será realizado o ATO “VIGÍLIA POR UMA NOVA LUZ NO JUDICIÁRIO”, para o qual você está convidado. A manifestação será norteada pelo seguinte slogan: Gilmar “Dantas[1]”, saia às ruas e não volte ao STF”.
O Ato ocorrerá no dia 06 de maio (quarta-feira), às 19:30, em frente ao prédio do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, situado na Avenida Paulista, nº. 1842. Antes, será realizada uma concentração às 19:00 em frente ao Metrô Consolação (lado par), que seguirá às 19:15 para o prédio do TRF.
O Ato faz parte de uma série de mobilizações organizadas pelo “MOVIMENTO SAIA ÀS RUAS”, que reunirá em Brasília, no mesmo dia e horário, milhares de pessoas em vigília, em frente ao STF. O movimento foi assim batizado por incluir um duplo sentido: o Gilmar deve sair às ruas, mas o povo também, para exigir uma nova luz sob o judiciário.
O ministro Gilmar Mendes está destruindo a credibilidade da Justiça Brasileira, e São Paulo também deve pedir sua saída. Venha participar dessa vigília e acreditar que uma nova forma de fazer justiça é possível. Compareça e traga sua vela!
Data da cidadania: 06/05 (quarta-feira)
Horário: 19:30
Local: Avenida Paulista, nº. 1842 (Prédio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região)
A causa e as propostas do “MOVIMENTO SAIA ÀS RUAS” podem ser conhecidas pelo seguinte blog: http://saiagilmar.blogspot.com
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Reproduzido do Vendedor de Bananas.
Justiça garante liberdade a grande mídia e censura mais um blog
Para a mídia corporativa, toda a liberdade, garante o STF ao eliminar a Lei de Imprensa, herança do final da ditadura, que visava controlar a imprensa alternativa, não os jornalões e suas rádios e TVs. Para blogs, a banda toca diferente. No Maranhão, o Tribunal de Justiça determinou ao Blogue do Colunão, do jornalista Walter Rodrigues Jr, que retirasse todos os posts com reprodução de dados de relatórios do Conselho Nacional de Justiça e da Corregedoria de Justiça do Maranhão, onde ficam expostas diversas irregularidades da 6ª Vara Civil. Entre elas, na análise de quase 2 mil processos, estão, de um lado, a morosidade no julgamento de processos e, do outro, a rapidez em questões “excepcionais” envolvendo o pagamento de indenizações milionárias, por exemplo.
Que justiça é essa que censura para esconder seus próprios atos? E que estupidez é essa que determina que o próprio autor retire as matérias reproduzidas em outros blogs? Diz o jornalista e blogueiro:
Toda nossa solidariedade ao Blogue do Colunão. E aqui cedemos nosso espaço para suas denúncias.
Por uma nova Justiça no Brasil!
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Que justiça é essa que censura para esconder seus próprios atos? E que estupidez é essa que determina que o próprio autor retire as matérias reproduzidas em outros blogs? Diz o jornalista e blogueiro:
Acabo de receber mais uma ordem judicial, transmitida com urgência por uma (In) Justiça que nunca foi tão célere.
Desta vez é para tirar do ar todas as matérias, com respectivos títulos e comentários, que se refiram ao juiz Abraham Lincoln Sauaia, da 6a vara cível, inclusive a que resume informações constantes de relatório do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e da própria Corregedoria de Justiça do Maranhão.
Mais: até uma carta do desembargador Stélio Muniz ao Colunão deve ser escondida dos olhos dos leitores, apenas porque seu teor aborrece aos dois magistrados, o que requereu e o que deferiu a borracha.
Hoje de manhã, acatei a censura da matéria “Sauaia e o escândalo da Caema”, determinada, no chamado Plantão Civil, pelo juiz Raimundo Sampaio Silva. Acerca do qual não se pode esquecer que já passou cerca de três anos suspenso das funções, em consequência de relatório de correição extraordinária de conteúdo arrasador.
Pensei no momento que era muita falta de sorte minha que o pedido de Sauaia fosse formulado justamente quando Sampaio se achava no Plantão. Mas, tranquilo, deixei para cuidar na segunda-feira das providências cabíveis junto ao Tribunal de Justiça.
Agora não foi mais o plantonista. Foi a chamada “distribuição automática”, imagino, que fez cair o processo nas mãos do juiz Douglas Amorim.
Amorim é o mesmo que, em fevereiro, veja só que coincidência, foi sorteado pelo destino para apreciar e conceder um pedido de censura do Colunão, apresentado pelo juiz Luiz Gonzaga, da 8a vara cível. Na época, mesmo discordando, acatei a ordem e interpus agravo no TJ, que até hoje não foi julgado.
Anote também que Amorim e Gonzaga e Sauaia são parceiros não somente no ofício, mas também nos procedimentos duramente criticados tanto no relatório do CNJ, quanto na correição do TJ.
Visto os autos etc, estamos num impasse. Não dá para submeter o Colunão ao capricho de juízes cujo poder não parece ter limite e que tratam os direitos constitucionais do cidadão e do jornalista como vaga referência ao que devia ser, mas não é.
Também não dá para simplesmente ignorá-los, porque não há certeza de que o Estado de Direito esteja em vigor no Maranhão.
Minha resposta então é que impetrarei mandado de segurança com pedido de liminar contra esses desmandos. Por mais otimista que pareça, estou confiante. Enquanto aguardo, pedirei à Elo Internet que tire o saite do ar. Antes isso que mutilá-lo ao gosto da ditadura forense, permitindo que vire moda o que devemos rejeitar como anomalia.
Voltarei assim que o TJ restabelecer a ordem.
Meu e-mail é wr.walter@uol.com.br.
PS — Tanto o mandado de Sampaio, quanto o de Amorim, determinam que eu retire as matérias também de “outros blogues” que as estejam reproduzindo... Sem comentários, já que nenhum comentário educado é possível.
Toda nossa solidariedade ao Blogue do Colunão. E aqui cedemos nosso espaço para suas denúncias.
Por uma nova Justiça no Brasil!
Gripes
Esta semana as postagens serão escassas, talvez nulas. Estou às voltas com uma cartilha e, até terminá-la, não terei tempo para novos desenhos.
Então, por enquanto vamos de velhos desenhos mesmo. Em tempos de Gripe Suína, a pandemia que a cada dia tem mais casos desconfirmados, lembrei da charge abaixo. É de 2003, sobre a Pneumonia Asiática, que depois virou Síndrome Respiratória Aguda, antecessora da Gripe Aviária, todas pandemias que aniquilaram impiedosamente a humanidade... Aliás, nem sei como sobrou gente para ser morta pela Gripe Suína...
Então, por enquanto vamos de velhos desenhos mesmo. Em tempos de Gripe Suína, a pandemia que a cada dia tem mais casos desconfirmados, lembrei da charge abaixo. É de 2003, sobre a Pneumonia Asiática, que depois virou Síndrome Respiratória Aguda, antecessora da Gripe Aviária, todas pandemias que aniquilaram impiedosamente a humanidade... Aliás, nem sei como sobrou gente para ser morta pela Gripe Suína...

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