O que a mídia esconde sobre Mandela

FOTO: JIM HOLLANDER (EFE)
Por Beto Almeida, no sítio do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC):

Mesmo na morte de um gigante da humanidade como o revolucionário Nelson Mandela, o imperialismo não deixa de exibir sua baixeza ao buscar manipular a imagem deste líder para mostrá-lo como um conciliador abstrato. A revista Veja, que tem como acionistas empresários sul-africanos apoiadores do apartheid, o apresenta como "o guerreiro da paz", a quem prenderam e torturaram. Seria o segundo sequestro de Mandela, depois de 27 anos de prisão: o da sua imagem, para que não se saiba tratar-se de um dirigente comunista, revolucionário, que apoiou a luta armada contra o regime racista da África do Sul e a revolução no mundo.

É obrigatório lembrar a posição de Mandela sobre Cuba, sempre sonegada pela mídia do capital, para mostrar seu pensamento por inteiro. Logo após Angola ter conquistado sua independência, em 1975, foi alvo de agressão militar da África do Sul, que ocupou grande parte de seu território, com o apoio dos EUA e Inglaterra, que hoje fazem declarações hipócritas sobre Mandela. O presidente de Angola, Agostinho Neto, solicitou diretamente a Fidel Castro o apoio militar de Cuba.

Imediatamente se organizou uma das maiores operações de ajuda militar internacionalista, com 400 mil cubanos, homens e mulheres, tendo lutado em solo angolano, ao longo de um década, derrotando a agressão imperialista e libertando Angola e Namíbia. A Batalha decisiva foi a de Cuito Cuanavale quando, derrotadas, as tropas do regime racista bateram em retirada. Mandela a declara: “A Batalha de Cuito Cuanavale foi o começo do fim do apartheid. Nós devemos a destruição do apartheid a Cuba!”

Hoje, Cuba, que foi o único país a se levantar em armas em defesa de Angola e Namíbia e contra o apartheid, continua a compartilhar internacionalmente médicos, professores, vacinas e exemplos. Com o reconhecimento e solidariedade do revolucionário Nelson Mandela, que, neste episódio, mostrou sua integridade e grandeza!
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"Livro-bomba" de Tuminha deu chabu

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

É dura a vida da tucanagem.

Logo hoje, que o flamejante senador Álvaro Dias já se preparava para armar um carnaval no Senado com a convocação do delegado Romeu Tuma Júnior - promovido de amigo de contrabandista para varão de Plutarco pela revista Veja -, deu chabu no livro bomba em que ele acusava Lula e seu governo de dossiês para “assassinar reputações”.

Na verdade, o livro, sim, era uma tentativa de chacina de reputações.

Veja este trecho, onde a revista e ele dizem que Lula era “informante do DOPS”:

*****

O senhor afirma no livro que o ex-presidente Lula foi informante da ditadura. É uma acusação muito grave.

Não considero uma acusação. Quero deixar isso bem claro. O que conto no livro é o que vivi no Dops. Eu era investigador subordinado ao meu pai e vivi tudo isso. Eu e o Lula vivemos juntos esse momento. Ninguém me contou. Eu vi o Lula dormir no sofá da sala do meu pai. Presenciei tudo.

*****

Investigador subordinado ao pai, delegado Romeu Tuma, repare bem.

É que alguém do site Brasil 247 pegou um lápis, fez a conta e concluiu o seguinte:

Lula foi preso no dia 19 de abril de 1980 e solto no dia 20 de maio do mesmo ano.

Tuminha nasceu no dia 3 de outubro de 1963.

Tinha, portanto, 16 anos e seis meses de idade quando Lula foi preso.

Como podia trabalhar de ”investigador subordinado” do Tumão?

Tuminha era “dimenor”…

Ou tirava onda de X-9 imberbe na delegacia?

Tuminha saiu explodido logo no primeiro episódio do seu livro-bomba…
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Barbosa e o "mensaleiro" inimigo

http://pigimprensagolpista.blogspot.com.br/
Por Pedro Estevam Serrano, na revista CartaCapital:


A ilegalidade da prisão dos condenados no caso do mensalão é evidente e dispensa maiores comentários. A ordem antecipada de execução da pena, antes do transito em julgado do caso, como já tratamos em artigo anterior é de constitucionalidade no mínimo duvidosa, atentando contra direitos fundamentais dos réus.

Walter Maierovich em recentes artigos na CartaCapital, demonstrou os descumprimentos da lei de execução penal até mesmo em assuntos de natureza disciplinar, como no caso da inconstitucional e ilegal decisão de opor uma mordaça aos condenados, impedindo-os do livre exercício do seu direito a livre expressão contrariando nossa Carta Magna e a referida lei de execução penal

A nosso ver o que mais assusta é o encarceramento de pessoas que não foram condenadas a este tipo de pena. Por maiores que sejam as tentativas de produção de um discurso sinuoso de justificação a realidade é crua: pessoas não condenadas definitivamente ao aprisionamento estão aprisionadas.

Não se desrespeita apenas mandamentos constitucionais e de legalidade neste tipo de comportamento de nosso sistema de justiça, mas regras elementares de civilidade. Conquistas civilizatórias mínimas já assentadas ha mais de século são solenemente desprezadas. Prende-se em regime fechado quem não foi condenado a prisão em regime fechado.

O que também chama a atenção é que o protesto contra tal tipo de conduta ilícita e autoritária, a reivindicação de direitos legítimos pelos condenados é tida no mais das vezes, pelos órgãos de comunicação, como luta por privilégios. O argumento é rasteiro mas revelador, quase um ato falho. Se a maioria da população pobre encarcerada não tem garantido direitos mínimos, até mesmo o de contar com advogado e defesa, muitos estando presos ilicitamente, porque os condenados do mensalão devem ser atendidos em sues direitos? Ou restaure-se a legalidade a todos ou mantenham-se todos no fosso da ilegalidade e do arbítrio

Quase como dizer: se muitos detidos pela policia como suspeitos de crimes são torturados, porque não torturar os “mensaleiros” também? A mesma mídia que protestava ,corretamente, contra o uso de algemas quando da prisão de Daniel Dantas agora quer instaurar a indistinção de classes no sistema prisional pela universalização do arbítrio e não dos direitos. O que diferencia Daniel Dantas e outros detidos semelhantes de José Dirceu e Genoino?

A diferença é clara. Para esses setores midiáticos e sociais Dirceu e Genoino devem ser postos na mesma categoria politico-penal da maioria pobre da população, a de inimigo.

Conforme já tratamos em artigos anteriores e mesmo em trabalhos acadêmicos a figura do inimigo há de ser tida como categoria politica no plano da Teoria do Estado.

A expressão inimigo, aqui tem sentido próprio e especifico, como a pessoa que não é tida no plano jurídico-politico como pessoa, Tem seus direitos fundamentais suspensos. É tratado como um ser vivente sem proteção jurídica ou politica por sua condição humana. “Vida nua “ portanto na expressão de Giorgio Agambem.

Durante o regime militar brasileiro, o inimigo era o comunista. Como o comunista é difícil de identificar no todo social, a sociedade em sua totalidade tinha seus direitos suspensos em alguma medida. Todos, por exemplo, tinham o direito a livre expressão suprimido, os oposicionistas, seus parentes, amigos e alguns incautos também viam suspensos seus direitos a vida e a integridade física. Ou seja, a sociedade civil, não fardada, era a inimiga

No Brasil de hoje o inimigo é o “bandido”. O bandido tem etnias diversas ,de acordo com o local do território nacional, mas em geral é afrodescendente. E sempre é pobre

O incluído do centro expandido das grandes cidades e dos bolsões de riqueza no campo, quando suspeito de crime ou quando eventualmente condenado é tratado como o ser humano que erra, tem os direitos fundamentais de sua condição humana mantidos mesmo na detenção ou condenação. Não perde seus status jurídico e político de humano.

O pobre quando suspeito de crime é morto, sem qualquer respeito ao seu direito a vida. Se não é morto é preso sem processo real ou defesa efetiva. Sequer se cogita de qualquer cumprimento da legalidade na execução de sua pena. É tratado como inimigo, como vida nua, sem qualquer tipo de proteção de direitos mínimos inerentes a sua condição humana.

Ora o que se pleiteia é que os réus dos mensalão não sejam tratados como os de sua classe social, os incluídos do centro urbano, mas sim como os excluídos da periferia

O sistema punitivo de nossa Justiça funciona sobre um nítido mecanismo de distinção de classes. Talvez seja o âmbito da vida social onde a distinção injusta de classes mais possa ser aferida.

Mas no caso de Genoíno e Dirceu, sua classe social pouco importa. A eles deve ser destinado o tratamento punitivo do inimigo, do pobre suspeito ou condenado por crime. Creio que tal aspecto pode ser inconscientemente revelador do porquê do excesso.

Deseja-se não apenas a condenação dos réus mas seu máximo sofrimento. Deseja-se retirar-lhes sua condição humana pela condenação. Deseja-se trata-los como inimigos e não como seres humanos que erraram.

Talvez não apenas pelos supostos crimes que cometeram, mas também pelo fato de serem políticos com relevante papel na construção do partido e do governo que em nossa historia recente mais fez pela maioria pobre de onde os bandidos e os inimigos provem.

Os “mensaleiros” devem ter por parte do sistema punitivo tratamento igual ao do segmento social que defenderam por toda sua vida politica e não o costumeiramente oferecido aos integrantes da classe social a qual efetivamente pertencem.

Estariam tais mensaleiros sendo punidos também por alguma imaginária “traição de classe”? Filhos da classe média incluída que dedicaram seu tempo vivido a combater os privilégios deste mecanismo de opressão social.

O caso do mensalão ainda esta vivo, só se pode analisá-lo por biopsia. E a boa analise histórica e politica se faz, normalmente, por necropsia. O tema está muito quente no espirito para conclusões definitivas. Mas essa outra narrativa alternativa à narrativa dominante, que este artigo traz uma de sua dimensões, não pode ser de plano descartada. Há que ser refletida ao menos como possibilidade.
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O significado de Mandela para o futuro

Por Leonardo Boff, em seu blog:

Nelson Mandela, com sua morte, mergulhou no inconsciente coletivo da humanidade para nunca mais sair de lá porque se transformou num arquétipo universal, do injustiçado que não guardou rancor, que soube perdoar, reconciliar pólos antagônicos e nos transmitir uma inarredável esperança de que o ser humano ainda pode ter jeito. Depois de passar 27 anos de reclusão e eleito presidente da Africa do Sul em 1994, se propos e realizou o grande desafio de transformar uma sociedade estruturada na suprema injustiça do apartheid que desumanizava as grandes maiorias negras do pais condenando-as a não-pessoas, numa sociedade única, unida, sem discriminações, democrática e livre.


E o conseguiu ao escolher o caminho da virtude, do perdão e da reconciliação. Perdoar não é esquecer. As chagas estão ai, muitas delas ainda abertas. Perdoar é não permitir que a amargura e o espírito de vingança tenham a última palavra e determinem o rumo da vida. Perdoar é libertar as pessoas das amarras do passado, é virar a página e começar a escrever outra a quatro mãos, de negros e de brancos. A reconciliação só é possível e real quando há a admissão completa dos crimes por parte de seus autores e o pleno conhecimento dos atos por parte das vítimas. A pena dos criminosos é a condenação moral diante de toda a sociedade.

Uma solução dessas, seguramente originalíssima, pressupõe um conceio alheio à nossa cultura individualista: o ubuntu que quer dizer: “eu só posso ser eu através de você e com você”. Portanto, sem um laço permanente que liga todos com todos, a sociedade estará, como na nossa, sob risco de dilaceração e de conflitos sem fim.

Deverá figurar nos manuais escolares de todo mundo esta afirmação humaníssima de Mandela:”Eu lutei contra a dominação dos brancos e lutei contra a dominação dos negros. Eu cultivei a esperança do ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivem juntas e em harmonia e têm oportunidadades iguais. É um ideal pelo qual eu espero viver e alcançar. Mas, se preciso for, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer”.
Por que a vida e a saga de Mandela funda uma esperança no futuro da humanidade e de nossa civilização? Porque chegamos ao núcleo central de uma conjunção de crises que pode ameaçar o nosso futuro como espécie humana. Estamos em plena sexta grande extinção em massa. Cosmólogos (Brian Swimm) e biólogos (Edward Wilson) nos advertem que, a correrem as coisas como estão, chegaremos por volta do ano 2030 à culminância desse processo devastador. Isso quer dizer que a crença persistente no mundo inteiro, também no Brasil, de que o crescimento econômico material nos deveria trazer desenvolvimento social, cultural e espiritual é uma ilusão. Estamos vivendo tempos de barbárie e sem esperança.

Cito o insuspeito Samuel P. Huntington, antigo assessor do Pentágono e um analista perspicaz do processo de globalização no término de seu O choque de civilizações: “A lei e a ordem são o primeiro pré-requisito da civilização; em grande parte no mundo elas parecem estar evaporando; numa base mundial, a civilização parece, em muitos aspectos, estar cedendo diante da barbárie, gerando a imagem de um fenômeno sem precedentes, uma Idade das Trevas mundial, que se abate sobre a Humanidade”(1997:409-410).

Acrescento a opinião do conhecido filósofo e cientista político Norberto Bobbio que como Mandela acreditava nos direitos humanos e na democracia como valores para equacionar o problema da violência entre os Estados e para uma convivência pacífica. Em sua última entrevista declarou: "não saberia dizer como será o Terceiro Milênio. Minhas certezas caem e somente um enorme ponto de interrogação agita a minha cabeça: será o milênio da guerra de extermínio ou o da concórdia entre os seres humanos? Não tenho condições de responder a esta indagação”.
Face a estes cenários sombrios Mandela responderia seguramente, fundado em sua experiência política: sim, é possível que o ser humano se reconcilie consigo mesmo, que sobreponha sua dimensão de sapiens à aquela de demens e inaugure uma nova forma de estar juntos na mesma Casa.

Talvez valham as palavras de seu grande amigo, o arcebispo Desmond Tutu que coordenou o processo de Verdade e Reconciliação:“Tendo encarado a besta do passado olho no olho, tendo pedido e recebido perdão e tendo feito correções, viremos agora a página — não para esquecer esse passado, mas para não deixar que nos aprisione para sempre. Avancemos em direção a um futuro glorioso de uma nova sociedade em que as pessoas valham não em razão de irrelevâncias biológicas ou de outros estranhos atributos, mas porque são pessoas de valor infinito, criadas à imagem de Deus”.
Essa lição de esperança nos deixa Mandela: nós ainda viveremos se sem discriminações pusermos em prática de fato o Ubuntu.
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Rádios comunitárias e livres no celular

Por Bruno Marinoni, no Observatório do Direito à Comunicação:

Os centros urbanos estão cada vez mais povoados por pessoas que transitam de lá para cá com seus fones de ouvido, seja nos ônibus, metrôs, trens, barcas ou mesmo a pé. A prática de se ouvir playlists ou transmissões de rádio por meio dos telefones celulares parece se alastrar na esteira da epidemia dos smartphones. Em meio a isso tudo, rádios livres e comunitárias vão construindo o seu caminho para se incorporar às novas tecnologias. Exemplo disso foi a criação do Radcom, aplicativo para Android e IOS que reúne e disponibiliza transmissões dessas emissoras espalhadas por todo o mundo.

Brasil, Argentina, África do Sul, Nicarágua, Alemanha e Suíça são apenas alguns dos países que já possuem emissoras conectadas ao aplicativo. Embora muitos comunicadores populares e ativistas já dominem boa parte das novas tecnologias e transmitam programação por meio da internet, essa não é a regra. Além disso, diante das inúmeras possibilidades de navegação no mundo virtual, a localização dessas iniciativas nem sempre é tão fácil. Por isso, a proposta de disponibilizar os conteúdos para dispositivos móveis representa uma das frentes de batalha que a comunicação não-corporativa tem que enfrentar hoje.

O agrupamento das rádios comunitárias e livres em um mesmo aplicativo que facilita o acesso pode ser uma estratégia importante de fortalecimento e visibilidade dessas iniciativas. A luta por um lugar no espectro eletromagnético se ampliou e vai ganhando novos contornos ao ter que lidar com a convergência digital. Para conhecer e difundir conteúdos independentes, basta fazer o download do aplicativo, que está disponível aqui. Mesmo quem ainda não aderiu ao software livre não precisa ficar de fora. O Radcom funciona também em sistemas operacionais como Windows e Mac, além, claro, do Linux.


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