Mercedes Sosa e Luciano Pavarotti

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Haddad e a esfinge da comunicação

Por Renato Rovai, em seu blog:

Declarei apoio a Haddad para prefeito de São Paulo e o fiz com a convicção de que era necessário derrotar o projeto político de Serra e Kassab. A cidade merecia algo melhor. E não me arrependo da decisão tomada.

Segundo as recentes pesquisas de opinião, porém, boa parte dos eleitores que fizeram essa opção já não pensa da mesma forma que este blogueiro. Há um desencanto em relação a atual gestão se cristalizando e o homem novo estaria envelhecendo muito rapidamente.

Haddad ainda tem muito tempo para dar a volta por cima, mas a primeira coisa que precisa acontecer no conjunto do governo é o reconhecimento de que algo vai mal e de que há necessidade de ajustes. Não basta reclamar do passado. É preciso sinalizar melhor o que está sendo mudado no presente e ir apontando claramente o que se está fazendo para melhorar o futuro.

Como fazer isso de forma adequada passa pela comunicação do governo, mas não só. O setor, porém, passou a ser criticado como se fosse o responsável por todos os problemas da gestão. Isso não é incomum. Quando uma administração vai mal, a culpa é da comunicação. Quando vai bem, ela é apenas um detalhe.

Em geral, isso acontece por dois motivos. O primeiro, porque de fato vivemos num momento onde comunicar de forma correta é essencial. Quem erra na comunicação pode acertar na política que os resultados não virão na proporção que deveriam. Mas a recíproca não é verdadeira. Não basta acertar na comunicação. É preciso acertar na política para que um governo dê certo. E os colegas não costumam dizer isso com clareza. Ao contrário, vendem terrenos no céu e fórmulas mágicas para candidatos e governantes. O que gera expectativas inalcançáveis.

Governos precisam de direção, de um líder, de projeto claro, principalmente se forem de esquerda ou centro-esquerda. Porque terão de enfrentar polêmicas para transformar a realidade daqueles que mais precisam do Estado. E isso inevitavelmente desagradará grupos econômicos, setores corruptos e também a mídia tradicional.

Ou seja, um governo de esquerda e centro-esquerda terá de quebrar alguns ovos. E aí que entra a comunicação. Para se comunicar com a população ele não pode ser refém dessa mídia que defende o estabilishment. E mais do que isso, não pode mais fazer comunicação apenas pensando em publicidade e assessoria de imprensa. Ou seja, trabalhando no âmbito dos mediadores.

Vivemos numa sociedade em redes conectadas digitalmente, em especial nas grandes cidades. Num momento, ao contrário do que alguns imaginam, onde nunca se discutiu tanto política em espaços públicos abertos e onde não há a necessidade de que se peça licença para se dizer o que pensa. Num tempo de abundância de informação e de debates. Onde ninguém precisa da autorização de jornais e emissoras de TV e rádio para se constituir em referência informativa.

Ou seja, em um cenário desses fazer política se comunicando mal ou fazendo-o apenas da forma tradicional com base em parâmetros ultrapassados é quase um politícidio. Essa é a questão que parece mal compreendida e da qual já tratei num outro post. Não se pode mais fazer comunicação pública apenas na lógica do marketing.

O marketing é uma ferramenta importante, mas cada vez ocupa um espaço menor no debate político. As pessoas querem poder conversar acerca das questões que lhes tocam. E o marketing se ocupa de um discurso unidirecional. Só de ida. E um governo que preza pela democracia deveria ampliar esses espaços de diálogo, de vai e vem, investindo na construção de ferramentas que aproximassem cada vez mais a população das informações e das decisões.

A comunicação, neste caso, passaria a ser uma política. E não apenas uma ferramenta do sucesso.

Essa é a esfinge do hoje que tem devorado muitos governantes que pensam que basta trabalhar pensando em como melhorar a sua imagem pela via tradicional. E que para realizar isso gastam volumosas quantias de recursos públicos com publicidade que, às vezes, geram resultados imediatos, mas não constroem um legado que permita novas interações e construções políticas capazes de superar o é dando que se recebe do setor.

No caso da gestão Haddad nem esses resultados mais pontuais de ganho de imagem estão sendo conquistados na lógica do velho modelo. E isso tem relação com o novo que ele representa no imaginário de boa parte das pessoas que lhe confiaram seu voto. Foi o novo Haddad que ganhou. O homem que ousaria novos formatos de relação com sua cidade. Uma cidade repleta de problemas e carente de participação.

A boa iniciativa do Conselho Participativo que está ganhando forma na eleição de hoje na cidade de São Paulo precisa ser incorporada não como mais uma formalidade administrativa. Mas como uma política de comunicação com a cidade, que pode ser ampliada com formatos interativos digitais.

De uma cidade que parece querer participar e está cansada da velha política, mas que ao mesmo tempo é desconfiada e que não parece acreditar que a superação dos seus problemas passe por maior participação.

É sim contraditório. Mas, compreensível. São Paulo é um arquipélago. Um amontoado de ilhas distintas e muito semelhantes. E nela, como na teoria, é nas contradições que se produz a síntese. A síntese do hoje é muito desfavorável para o governo municipal. Mas a cidade ainda não produziu juízo. Está apenas apontando que há necessidade de ajustes. E que ela quer entender melhor o que está acontecendo.

Neste caso não há como não se voltar para a comunicação. É, sim, neste setor que se precisa construir os canais para que os paulistanos entendam melhor os caminhos que estão sendo trilhados. E é na construção desses canais que se decifra a esfinge ou se é devorado. Pode se encher as burras dos meios tradicionais com publicidade ou se tentar o novo, buscando outras formas e formatos de diálogos. Muito mais democráticos, amplos e criativos. Muito mais novos. Muito mais próximos do discurso do homem novo que ganhou a eleição.
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Homens ao mar no PSDB

http://pigimprensagolpista.blogspot.com.br/
Por Antonio Lassance, no sítio Carta Maior:

O PSDB encara 2014 com o otimismo de um Titanic frente a um iceberg. Seus dirigentes continuam dando declarações de que não irão afundar de maneira alguma. Mas a verdade é que sentem o frio percorrer a espinha. As más notícias das pesquisas de opinião sobre as eleições presidenciais são o de menos. Aquilo que realmente os apavora é o ataque sofrido ao que têm de mais caro, Minas Gerais e São Paulo, sua república particular do café com leite.




Em 2014, terão pela frente, de um lado, o julgamento do seu próprio mensalão, o original e que deu origem à série, no Supremo Tribunal Federal - STF. De outro, sofrerão as investigações da Polícia Federal sobre o trensalão paulista - denúncia de cartel, superfaturamento de obras públicas e pagamento de propina a dirigentes em altos postos de comando no governo paulista. Perto do propinoduto dos paulistas, o mensalão mineiro é brincadeira de criança.

Sabedores de que têm sérias avarias no casco, já existe um plano B. É simples, curto e grosso. Se houver pressão da opinião pública que aprofunde ainda mais a desmoralização que já vêm sofrendo, e se não conseguirem suficiente blindagem midiática e do Ministério Público, terão que sacrificar alguns de seus membros para serem devorados.

Vão, portanto, desovar em alto mar a carga que considerarem podre. Pretendem se livrar do peso morto e, ao invés de lançar botes e coletes salva-vidas, o plano dos comandantes é usar megafones para alertar os tubarões, dizendo: “olhem eles ali! Encham o estômago e nos deixem em paz”. Quanto mais forem fustigados, mais carne estarão dispostos a sacrificar.

Eduardo Azeredo e José Aníbal são sérios candidatos a serem expulsos. Ambos são considerados figuras isoladas e difíceis de se defender. São os primeiros da fila para andar na tábua. A coisa se complica quando se fala em Aloysio Nunes, que é muito ligado a José Serra e a Fernando Henrique. Mas há informações de que a Polícia Federal tem documentos suficientes para colocá-lo em péssimos lençóis.

A alta cúpula do tucanato sabe que houve corrupção em larga escala. O que não contava é que isso se tornasse tão evidente. Já se avalia que algumas provas do escândalo são incontestáveis e que haverá delatores suficientes para enrascar algumas de suas maiores lideranças até o pescoço, com crueza de detalhes.

Na fissura do salve-se quem puder, o PSDB quer evitar a estratégia adotada pelo PT. O PT assumiu que houve irregularidades, mas rechaçou peremptoriamente a prática de crimes. Se solidarizou com os acusados e atacou quem os condenou. Os tucanos que estão com os nomes jogados na lama serão abandonados – lama é apenas uma maneira de dizer, trata-se de algo bem pior.

O partido que ajudou a envenenar o poço agora vê que não pode reclamar de beber da água. A tentativa de se distinguir dos petistas será vendida como um ato de desprendimento em relação aos seus malfeitores. A questão, no entanto, não tem qualquer fidalguia.

A acusação mais grave que os petistas sofreram no STF foi a de atentar contra o Estado democrático e o funcionamento das instituições. Segundo o delator, Roberto Jefferson, o dinheiro amealhado teria sido distribuído a parlamentares de partidos para a compra de votos no Congresso - por isso o apelido de mensalão. E os tucanos? O que poderão dizer de um escândalo envolvendo a construção de um metrô que teve, como destino final, dinheiro guardado em contas bancárias na Suíça? Não é política. Tem cara, cheiro e cor de enriquecimento. Não é poder, é dinheiro. Não é mensalão. É propina.

Os petistas estão indignados e querem seus dirigentes de volta. A condenação de José Dirceu, Genoíno e Delúbio uniu até quem passou a vida fazendo oposição a eles dentro do PT. Os tucanos estão divididos e querem defenestrar aqueles que foram pegos com a mão na massa, pelo menos seus operadores, porque já sabem que deles não podem esperar qualquer reciprocidade partidária.

O PT trata seus três mosqueteiros como heróis - o quarto, João Paulo Cunha, está a caminho. O PSDB está fazendo sua lista de párias para publicá-la a qualquer momento.

Realmente, são duas coisas completamente diferentes. Enquanto o PT cospe fogo, o PSDB se prepara para engolir espadas.
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Os EUA e a conta da NSA

http://pigimprensagolpista.blogspot.com.br/
Por Mauro Santayana, em seu blog:

As revelações feitas pelo ex-analista de informações da NSA, Edward Snowden, sobre o monitoramento pelas agências de espionagem norte-americanas, de empresas e governos estrangeiros, e a quebra da privacidade e do sigilo na internet de milhões de cidadãos de todo o mundo, não teve repercussão apenas nos meios políticos e estratégicos.

Empresários que trabalham com grandes grupos e empresas na internet têm manifestado sua insatisfação com o comportamento dos Estados Unidos e as consequências, para os seus negócios, da crescente desconfiança dos consumidores com tudo o que cerca o universo da Tecnologia da Informação.


Na semana passada, na Inglaterra, Mark Zuckenberg tocou no assunto no programa semanal da emissora inglesa de televisão BBC - “The Week”. “O governo – norte-americano – estragou tudo com esse problema da espionagem” – afirmou o fundador e principal executivo do Facebook.

No dia 12 de novembro, executivos da Microsoft, do Google e do próprio Facebook, em audiência no Parlamento Europeu, negaram a existência de “portas traseiras” em seus sistemas, e o acesso automático, por parte de agências norte-americanas de espionagem, a seus bancos de dados, no contexto do programa PRISM (prisma) de espionagem.

Em muitos países, os governos estão recomendando que seus cidadãos encerrem suas contas em empresas norte-americanas de internet.

Em junho, por exemplo, a Ministra Iris Varela, ligada à área de segurança da Venezuela, já havia pedido que os internautas daquele país parassem de usar o Facebook.

No mês seguinte, 63 empresas norte-americanas pediram, em carta dirigida ao governo, maior transparência nos pedidos judiciais de informação feitos pela NSA, com a divulgação do número de pedidos e do tipo de informação requerida.

Assinaram a carta, entre outras, o Facebook, a Microsoft, a Apple, Dropbox, Yahoo, Mozilla, Linkedin, Meetup, Reddit, Tumbr e a Cisco.

O principal executivo da Cisco, John Chambers, afirmou, no dia 17 de novembro, que a demanda pelos produtos e serviços da companhia diminuiu depois das denúncias, principalmente em mercados emergentes, como a China, o México e a Índia, onde caiu 18%. A perspectiva de problemas relacionados ao escândalo de espionagem fez com que as ações da Cisco caíssem também em 10%.

Tudo isso explica porque a Information Technology & Innovation Foundation – Fundação para a Informação Tecnológica e a Inovação, financiada, está prevendo, em recente relatório, que a espionagem do governo norte-americano no exterior poderá custar às empresas norte-americanas da área de internet a bagatela de 35 bilhões de dólares nos próximos dois anos, em novos negócios, devido a dúvidas sobre a segurança de informação de seus sistemas.

Cultivar a arrogância e flertar com a onipotência tem um preço, que o governo norte-americano, mais cedo ou mais tarde - direta ou indiretamente - terá que pagar.
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Meu celular, minha vida

Por Frei Betto, no sítio da Adital:
Há uma nova doença nos anais da medicina: a nomofobia, o medo de ficar sem celular. O termo foi cunhado no Reino Unido, e deriva de "no mobile phobia”. O fato é óbvio: para qualquer lugar que se olhe, as pessoas estão atentas ao celular – rua, restaurante, local de trabalho, ônibus, metrô, escola, e até igreja.

Não sem razão, a revista Forbes considerou o mexicano Carlos Slim, em 2013, pela quarta vez consecutiva, o homem mais rico do mundo, com uma fortuna calculada em 73 bilhões de dólares. Com negócios na área de comunicação em vários países, no Brasil ele controla a Globopar (Net), a Claro e a Embratel.

O Brasil é o 60º país do mundo mais conectado por celular, e o 4º a dar mais lucros às empresas de telefonia. O brasileiro gasta, em média, 7,3% de sua renda mensal com o uso do telefone móvel. Em julho deste ano, nosso país dispunha de 267 milhões de aparelhos.

Essa fissura de manter o celular ligado o tempo todo –e manter-se ligado ao celular todo o tempo (até na hora de dormir)– se explica pela hipnose coletiva gerada pelas redes sociais.

Uma das anomalias de nossa época pós-moderna é o esgarçamento das relações pessoais e comunitárias. A família tradicional, que se reunia à mesa de refeições ou na sala para conversar, é hoje um bem escasso. As relações matrimoniais mal resistem à primeira crise. Segundo o IBGE, as uniões conjugais duram, em média, cerca de sete anos!

Na opinião de Aristóteles, amizades são imprescindíveis à nossa felicidade. No entanto, nesse mundo competitivo, muitas andam contaminadas por inveja, ciúme, cobranças, ou prejudicadas pela falta de tempo.

Resta então, nesse mar revolto no qual naufragam antigos e saudáveis costumes, a ilha salvadora do celular! O aparelho corresponde muito bem às contradições da pós-modernidade: por ele me comunico, sem conversar; opino, sem me comprometer; me expresso, sem me envolver; troco mensagens e torpedos, sem me doar a ninguém e a nenhuma causa.

O fascínio do celular consiste em amenizar minha solidão sem exigir solidarizar-me. Estou na rede, interajo com inúmeras pessoas e, no entanto, fico na minha, olhando o meu umbigo, indiferente ao fato de algumas dessas pessoas estarem sofrendo ou, pelo menos, necessitando de minha presença física consoladora ou incentivadora.

O celular faz de mim, Clark Kent, um Super-Homem. Eu, a quem quase ninguém presta atenção, agora gozo de um público multimídia ligado no que expresso. Em contrapartida, o celular me rouba tempo: de leituras, de trabalho, de convivência familiar e com amigos. Com ele ligado no bolso ou ao meu lado, fica cada vez mais difícil a concentração.

O celular é um espelho mágico. Repare como as pessoas o fitam. É como se vissem na tela. Por ser um equipamento eletrônico dotado de múltiplos recursos, ele me traz a sensação de que sou um Pequeno Príncipe capaz de visitar sucessivamente diferentes planetas.

No celular eu me enxergo como gostaria que as pessoas me vissem. Com a vantagem de que ele dissimula minha verdadeira identidade, meu modo de ser, permitindo que eu me esconda atrás dele. Ele faz de mim um ser onipresente. O que transmito é captado por uma rede infinita de pessoas que, por sua vez, podem reproduzir a inúmeras outras.

Hoje em dia os consultórios médicos já lidam com crianças, jovens e adultos que padecem de nomofobia. Gente que não consegue se desconectar do aparelho. Vive as 24h do dia ligada a ele.

Ah, como é saudável estar bem consigo mesmo e manter o celular desligado por um bom tempo, sobretudo à noite! Mas isso exige o que parece cada vez mais raro nos dias atuais: boa autoestima, falta de ansiedade, consistência subjetiva, gosto pelo silêncio e uma vida ancorada em um sentido altruísta.
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