Cartel: para ombudsman, Folha perdeu o trem


Em sua coluna deste domingo, Suzana Singer avalia que o jornal da família Frias, apesar do "mérito" de ter dado o chute inicial sobre o caso, "ficou para trás na cobertura do cartel do metrô" e agora "enfrenta acusações de que protege o PSDB"; "Foram dois 'furos' importantes, mas agora o jornal parece estar perdendo esse trem", escreve; jornalista acredita, no entanto, que não se trata de proteção a "a" ou "b", e sim "falha de reportagem" numa cobertura que envolve desvios maiores que o do 'mensalão' petista
A Folha de S.Paulo tem ficado para trás na cobertura do cartel do metrô que envolve políticos do PSDB no estado e agora recebe cobranças diárias e acusações de que protege os tucanos. A avaliação foi feita pela ombudsman do jornal da família Frias, Suzana Singer, em sua coluna deste domingo.
Suzana diz que o jornal teve o "mérito" de ter dado o chute inicial sobre o caso Siemens e cita outro "bom momento" neste episódio: a denúncia de que investigações, já existentes em 2011, não prosperaram. "Foram dois 'furos' (informações exclusivas) importantes, mas agora o jornal parece estar perdendo esse trem", escreve.
Apesar de as investigações, conduzidas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pelo Cade, estar sob sigilo, documentos têm sido vazados a conta-gotas, mas quase sempre para o concorrente, o jornal O Estado de S.Paulo, diz a ombudsman. Na avaliação da jornalista, no entanto, não se trata de proteção a "a" ou "b", mas "falha de reportagem" numa "cobertura importante", que envolve desvios bem maiores que o do 'mensalão' petista.”
Leia a íntegra da coluna aqui.
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Kátia Abreu e a milícia dos ruralistas

Da revista Fórum:

No Mato Grosso do Sul para participar do chamado “Leilão da Resistência”, a senadora Kátia Abreu (PMDB/TO), que também é presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), mandou um recado para a juíza da 2º Vara Federal, Janete Lima Miguel, na manhã deste sábado (07). “Eu informo essa senhora que o produtor rural não precisa de dinheiro para contatar milícia.”

Janete foi responsável por conceder liminar que cancelou o leilão, previsto para a última quarta-feira (04). Porém, a Federação de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Famasul) anunciou que a Justiça Federal deferiu, na última sexta-feira (06), o recurso impetrado pela organização e autorizou o evento, que deve acontecer no final da tarde deste sábado (07).

O evento pretende leiloar cabeças de gado para financiar a “divulgação do movimento e segurança dos ruralistas”, segundo Francisco Maia, presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), em entrevista ao portal G1. São aguardados, para o leilão, mais de 2 mil produtores rurais do MS, além de parlamentares federais e estaduais.
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Vingança de Tuma Jr., novo heroi da Veja

Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Para quem quer entender como funciona a mídia.

Li Kwong Kwen foi preso, em 2010. A Polícia Federal apurou que ele, conhecido como Paulo Li, era chefe de uma máfia chinesa que promovia contrabando de celulares falsificados procedentes da China. A quadrilha também intermediava vistos de permanência no Brasil para imigrantes chineses em situação irregular.

Gravações mostraram conversas comprometedoras de Li com o então secretário nacional da Justiça, Romeu Tuma Jr. Nas conversas, Tuma Jr chegou a fazer encomendas a Li.

Era uma relação tão próxima que, quando foi preso, Li telefonou para Tuma Jr na frente dos agentes da Polícia Federal.

Coisas do Brasil da governabilidade: Tuma Jr chegou à Secretaria Nacional de Justiça numa negociação para que o partido de seu pai, Romeu Tuma, aderisse à base aliada do governo Lula.

Para encurtar, Tuma Jr acabaria demitido.

Três anos depois, ele aparece com um livro no qual, segundo a Veja, existem revelações “estarrecedoras”. Repare: não são “acusações”. São “revelações”.

Você pode imaginar quais são os alvos da vingança de Tuma Jr. Ou melhor: o alvo. Lula, Lula e ainda Lula.

Como age a mídia nestes casos, além de tratar acusações como revelações? Esquecendo, por exemplo, de dizer quem é o acusador e o que está por trás de suas acusações.

Fiz uma breve pesquisa e fui dar num artigo do jornalista Carlos Brickman de alguns meses atrás, publicado no Observatório da Imprensa, de Alberto Dines.

Brickman falava do livro, que estava por sair. Já no título o veredito de Brickman estava manifestado: “Um livro fura a imprensa”. Quer dizer: se fura é porque é sério, profundo, embasado.

Li duas vezes o texto de Brickman em busca de alguma informação que me ajudasse a entender quem é Tuma Jr, e o que estava por trás de suas acusações.

Nada.

Repito: nada.

Não há uma única menção às relações de Tuma Jr com a máfia chinesa, e sua consequente demissão.

De Brickman vou ao site da Veja. Topo com Reinaldo Azevedo. Em negrito, ele inicia assim seu artigo:

“O LIVRO-BOMBA – Tuma Jr. revela os detalhes do estado policial petista.”

Enfrentei o texto copioso de Azevedo. Como em Brickman, nem uma única menção ao passado de Tuma Jr. Ao pobre leitor são negadas informações essenciais se você quer cobrir com decência um caso de decnúncia.

Vejo que Tuma Jr, numa de suas mais estridentes acusações – ou “revelações” –, invoca o pai morto.

Quer dizer: o “documento” que ele apresenta no caso é a palavra, aspas, do pai morto.

Isto diz tudo.

Quanto a mim, aguardo um livro-bomba de Carlinhos Cachoeira com revelações devastadoras sobre Lula, e rio sozinho ao imaginar o aproveitamento que a Veja dará a isso.
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50 verdades sobre Nelson Mandela

Por Salim Lamrani, no sítio português Resistir:

As grandes potências ocidentais opuseram-se até ao último instante à sua luta e apoiaram sempre o governo racista de Pretória. Mas o herói da luta contra o apartheid marcou para sempre a história da África. No crepúsculo da sua existência, Nelson Mandela passou a ser louvado por aqueles que sempre o combateram ou o ignoraram – como por exemplo Cavaco Silva. Eles agora choram lágrimas de crocodilo.

1. Nascido no dia 18 de julho de 1918, Nelson Rolihlahla Mandela, apelidado de Madiba, é o símbolo por excelência da resistência à opressão e ao racismo na luta pela justiça e pela emancipação humana.

2. Procedente de uma família de treze filhos, Mandela foi o primeiro a estudar em uma escola metodista e a cursar direito na Universidade de Fort Hare, a única que aceitava, então, pessoas de cor no governo segregacionista do apartheid.

3. Em 1944, aderiu ao Congresso Nacional Africano (ANC) e, particularmente, à sua Liga da Juventude, de inclinação radical.

4. O apartheid, elaborado em 1948 depois da vitória do Partido Nacional Purificado, instaurava a doutrina da superioridade da raça branca e dividia a população sul-africana em quatro grupos distintos: os brancos (20%), os indianos (3%), os mestiços (10%) e os negros (67%). Esse sistema segregacionista discriminava 4/5 da população do país.

5. Foram criados "bantustões", reservas territoriais destinadas às pessoas de cor, para amontoar as pessoas não brancas. Assim, 80% da população tinha de viver em 13% do território nacional, muitas vezes sem recursos naturais ou industriais, na total indigência.

6. Em 1951, Mandela transformou-se no primeiro advogado negro de Johanesburgo e assumiu a direção do ANC na província de Transvaal um ano depois. Também foi nomeado vice-presidente nacional.

7. À frente do ANC, lançou a campanha de desafio (defiance campaign), contra o governo racista do apartheid, e utilizou a desobediência civil contra as leis segregacionistas. Durante a manifestação do dia 6 de abril de 1952, data do terceiro centenário da colonização da África do Sul pelos brancos, Mandela foi condenado a um ano de prisão. Da sua prisão domiciliar em Johanesburgo, criou células clandestinas do ANC.

8. Em nome da luta contra o apartheid, Mandela preconizou a aliança entre o ANC e o Partido Comunista Sul-Africano. Segundo ele, "o ANC não é um partido comunista, mas um amplo movimento de libertação que, entre seus membros inclui comunistas e outros que não o são. Qualquer pessoa que seja membro leal do ANC, e que respeite a disciplina e os princípios da organização, tem o direito de pertencer às suas fileiras. Nossa relação com o Partido Comunista Sul-Africano como organização é baseada no respeito mútuo. Unimo-nos ao Partido Comunista Sul-Africano em torno daqueles objetivos que nos são comuns, mas respeitamos a independência de cada um e a sua identidade. Não houve tentativa alguma por parte do Partido Comunista Sul-Africano de subverter o ANC. Pelo contrário, essa aliança nos deu força política".

9. Em dezembro de 1956, Mandela foi preso e acusado de traição com mais de uma centena de militantes antiapartheid. Depois de um processo de quatro anos, os tribunais o absolveram.

10. Em março de 1960, depois do massacre de Sharperville, perpetrado pela polícia contra manifestantes antisegregação, que custou a vida de 69 pessoas, o governo do apartheid proibiu o ANC.

11. Mandela fundou então o Umkhonto we Sizwe (MK) e preconizou a luta armada contra o governo racista sul-africano. Antes de optar pela doutrina da violência legítima e necessária, Mandela inspirava-se na filosofia da não violência de Gandhi: "Embora tenhamos pegado em armas, não era nossa opção preferida. Foi o governo do apartheid que nos obrigou a pegar em armas. Nossa opção preferida sempre foi a de encontrar uma solução pacífica para o conflito do apartheid."

12. O MK multiplicou, então, os atos de sabotagem contra os símbolos e as instituições do apartheid, preservando ao mesmo tempo as vidas humanas, lançou com êxito uma greve geral e preparou o terreno para a luta armada com o treinamento militar de seus membros.

13. Durante sua estada na Argélia, em 1962, depois da intervenção do presidente Ahmed Ben Bella, Mandela aproveitou para aperfeiçoar seus conhecimentos sobre guerra de guerrilhas. A Argélia colocou à disposição do ANC campos de treinamento e deu apoio financeiro aos residentes antiapartheid. Mandela recebeu ali uma formação militar. Inspirou-se profundamente na guerra da Frente de Libertação Nacional do povo argelino contra o colonialismo francês. Quando libertado, Mandela dedicou sua primeira viagem ao exterior à Argélia, em maio de 1990, e rendeu tributo ao povo argelino: "Foi a Argélia que fez de mim um homem. Sou argelino, sou árabe, sou muçulmano! Quando fui ao meu país para enfrentar o apartheid, senti-me mais forte". Recordou ter sido "o primeiro sul-africano treinado militarmente na Argélia."

14. Mandela estudou minuciosamente os escritos de Mao e de Che Guevara. Transformou-se em um grande admirador do guerrilheiro cubano-argentino. Depois de ser libertado, declarou: As "façanhas revolucionárias [de Che Guevara] — inclusive no nosso continente — foram de tal magnitude que nenhum encarregado de censura na prisão pôde escondê-las. A vida do Che é uma inspiração para todo ser humano que ame a liberdade. Sempre honraremos sua memória".

15. Cuba foi um dos primeiros países a dar ajuda ao ANC. A esse respeito, Nelson Mandela destacou: "Que país solicitou a ajuda de Cuba e lhe foi negada? Quantos países ameaçados pelo imperialismo ou que lutam pela sua libertação nacional puderam contar com o apoio de Cuba? Devo dizer que quando quisemos pegar em armas nos aproximamos de diversos governos ocidentais em busca de ajuda e somente obtivemos audiências com ministros de baixíssimo escalão. Quando visitamos Cuba fomos recebidos pelos mais altos funcionários, os quais, de imediato, nos ofereceram tudo o que queríamos e necessitávamos. Essa foi nossa primeira experiência com o internacionalismo de Cuba."

16. No dia 5 de agosto de 1962, depois de 17 meses de vida clandestina, Mandela foi levado à prisão em Johanesburgo, graças à colaboração dos serviços secretos dos Estados Unidos com o governo de Pretoria. A CIA deu às forças repressivas do apartheid a informação necessária para a captura do líder da resistência sul-africana.

17. Acusado de ser o organizador da greve geral de 1961 e de sair ilegalmente do território nacional, foi condenado a cinco anos de prisão.

18. Em julho de 1963, o governo prendeu 11 dirigentes do ANC em Rivonia, perto de Johanesburgo, sede da direção do MK. Todos foram acusados de traição, sabotagem, conspiração com o Partido Comunista e complô destinado a derrubar o governo. Já na prisão, Mandela foi acusado das mesmas coisas.

19. No dia 9 de outubro de 1963, começou o famoso julgamento de Rivonia na Corte Suprema de Pretoria. No dia 20 de abril de 1964, frente ao juiz africâner Quartus de Wet, Mandela desenvolveu sua alegação brilhante e destacou que, frente ao fracasso da desobediência civil como método de combate para conseguir a liberdade, a igualdade ou a justiça, frente aos massacres de Sharperville e à proibição de sua organização, o ANC não teve outro remédio senão recorrer à luta armada para resistir à opressão.

20. No dia 12 de junho de 1964, Mandela e seus companheiros foram declarados culpados de motim e condenados à prisão perpétua.

21. O Conselho de Segurança das Nações Unidas denunciou o julgamento de Rivonia. Em agosto de 1963, condenou o governo do apartheid e pediu às nações do mundo que suspendessem o fornecimento de armas à África do Sul.

22. As grandes nações ocidentais, como Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, longe de respeitarem a resolução do Conselho de Segurança, apoiaram o governo racista sul-africano e multiplicaram o fornecimento de armas.

23. De Charles de Gaulle, presidente da França de 1959 a 1969, até o governo de Valéry Giscard d'Estaing, presidente da França de 1974 a 1981, a França foi um fiel aliado do poder racista de Pretoria e negou-se sistematicamente a dar apoio ao ANC em sua luta pela igualdade e pela justiça.

24. Paris nunca deixou de fornecer material militar a Pretoria, provendo até mesmo a primeira central nuclear da África do Sul, em 1976. Sob os governos de De Gaulle e de Georges Pompidou, presidente entre 1969 e 1974, a África do Sul foi o terceiro maior cliente da França em matéria de armamento.

25. Em 1975, o Centro Francês de Comércio Exterior (CFCE) disse que "a França é considerada o único verdadeiro apoio da África do Sul entre os grandes países ocidentais. Não apenas fornece ao país o essencial em matéria de armamentos necessários para sua defesa, mas também se tem mostrado benevolente, ou, mais ainda, um aliado nos debates e nas votações dos organismo internacionais."

26. Preso em Robben Island, com o número 466/64, Mandela viveu 18 anos de sua existência em condições extremamente duras. Não podia receber mais de duas cartas e duas visitas por ano e esteve separado de sua esposa Winnie — que não tinha permissão para visitá-lo — durante 15 anos. Foi condenado a realizar trabalhos forçados, o que afetou seriamente a sua saúde, sem conseguir jamais quebrar sua força moral. Dava cursos de política, literatura e poesia aos seus camaradas de destino e clamava pela resistência. Mandela gostava de recitar o poema Invictus de William Ernest Henley:

It matters not how strait the gate
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

Não importa quão estreito é o portão
E quantas são as punições listadas
Sou o mestre do meu destino
Sou o capitão da minha alma.

27. No dia 6 de dezembro de 1971, a Assembleia Geral das Nações Unidas qualificou o apartheid como crime contra a humanidade e exigiu a libertação de Nelson Mandela.

28. Em 1976, o governo sul-africano propôs a Mandela sua libertação em troca da sua renúncia à luta. Madiba negou firmemente a proposta do governo segregacionista.

29. Em novembro de 1976, depois das revoltas de Soweto e da sangrenta repressão que o governo do apartheid desencadeou, o Conselho de Segurança das Nações Unidos impôs um embargo sobre as armas destinadas à África do Sul.

30. Em 1982, Mandela foi transferido para a prisão de Pollsmoor, perto de Cape Town.

31. Em 1985, Pieter Willen Botha, presidente de fato da nação, propôs libertar Mandela se ele se comprometesse, em troca, a renunciar à luta armada. O líder da luta antiapartheid recusou a proposta e exigiu a democracia para todos: "um homem, um voto."

32. Frente ao recrudescimento das operações de guerrilha do MK, o governo segregacionista criou esquadrões da morte com a finalidade de eliminar os militantes do ANC na África do Sul e no exterior. O caso mais famoso é o de Dulci September, assassinada em Paris no dia 29 de março de 1988.

33. A mobilização internacional a favor de Nelson Mandela culminou em um show em Wembley, em junho de 1988, em homenagem aos 70 anos do resistente sul-africano, que foi assistido por 500 milhões de pessoas pela televisão.

34. O elemento decisivo que pôs fim ao apartheid foi a estrepitosa derrota militar que tropas cubanas infligiram ao exército sul-africano em Cuito Cuanavale , no sudeste de Angola, em janeiro de 1988. Fidel Castro enviou seus melhores soldados a Angola depois da invasão do país pelo governo de Pretoria, apoiada pelos Estados Unidos. A vitória de Cuito Cuanavale também permitiu à Namíbia, até então ocupada pela África do Sul, conseguir sua independência.

35. Em um artigo intitulado "Cuito Cuanavale: a batalha que acabou com o apartheid", o historiador Piero Gleijeses, professor da Universidade John Hopkins, de Washington, especialista na política africana de Cuba, aponta que "a proeza dos cubanos nos campos de batalha e seu virtuosismo na mesa de negociações foram decisivos para obrigar a África do Sul a aceitar a independência da Namíbia. Sua exitosa defesa de Cuito foi o prelúdio de uma campanha que obrigou o exército sul-africano a sair de Angola. Essa vitória repercutiu para além de Namíbia."

36. Nelson Mandela, durante sua visita histórica a Cuba, em julho de 1991, lembrou-se daquele episódio: "A presença de vocês e o reforço enviado para a batalha de Cuito Cuanavale têm uma importância verdadeiramente histórica. A derrota esmagadora do exército racista em Cuito Cuanavale constituiu uma vitória para toda a África! Essa contundente derrota do exército racista em Cuito Canavale deu a Angola a possibilidade de desfrutar da paz e de consolidar sua própria soberania. A derrota do exército racista permitiu que o povo combatente da Namíbia alcançasse finalmente a sua independência! A decisiva derrota das forças agressoras do apartheid destruiu o mito da invencibilidade do opressor branco! A derrota do apartheid serviu de inspiração para o povo combatente da África do Sul! Sem a derrota infligida em Cuito Cuanavale nossas organizações não teriam sido legalizadas! A derrota do exército racista em Cuito Cuanavale possibilitou que hoje eu possa estar aqui com vocês! Cuito Cuanavale é um marco na história da luta pela libertação da África austral! Cuito Cuanavale marca a virada da luta para libertar o continente e nosso país do flagelo do apartheid! A decisiva derrota infligida em Cuito Cuanavale alterou a correlação de forças da região e reduziu consideravelmente a capacidade do governo de Pretoria para desestabilizar seus vizinhos. Este feito, em conjunto com a luta do nosso povo dentro do país, foi crucial para fazer Pretoria entender que tinha de se sentar à mesa de negociações."

37. No dia 2 de fevereiro de 1990, o governo segregacionista, moribundo depois da derrota de Cuito Cuanavale, viu-se obrigado a legalizar o ANC e aceitar as negociações.

38. No dia 11 de fevereiro de 1990, Nelson Mandela foi finalmente libertado, depois de 27 anos de prisão.

39. Em junho de 1990 foram abolidas as últimas leis segregacionistas depois da pressão feita por Nelson Mandela, pelo ANC e pelo povo.

40. Eleito presidente do ANC em junho de 1991, Mandela recordou os objetivos: "No ANC sempre estaremos ao lado dos pobres e dos que não têm direitos. Não apenas estaremos junto deles. Vamos garantir antes cedo que tarde que os pobres e sem direitos rejam a terra onde nasceram e que — como expressa a Carta da Liberdade — seja o povo que governe".

41. Fortemente criticado por sua aliança com o Partido Comunista Sul-Africano por causa das potências ocidentais que continuavam a apoiar o governo do apartheid durante o processo de paz, Mandela replicou de modo contundente. "Não temos a menor intenção de fazer caso aos que nos sugerem e aconselham que rompamos essa aliança [com o Partido Comunista]. Quem são os que oferecem esses conselhos não solicitados? Provêm, em sua maioria, dos que nunca nos deram ajuda alguma. Nenhum desses conselheiros fez jamais os sacrifícios que fizeram os comunistas pela nossa luta. Essa aliança nos fortaleceu e a tornaremos ainda mais estreita."

42. Em 1991, Mandela condenou o persistente apoio dos Estados Unidos ao governo do apartheid: "Estamos profundamente preocupados com a atitude que a administração Bush adotou sobre esse assunto. Este foi um dos poucos governos que esteve em contato habitual conosco para examinar a questão das sanções e lhe fizemos ver claramente que eliminar as sanções seria prematuro. No entanto, essa administração, sem nos consultar, simplesmente nos informou que as sanções estadunidenses seriam anuladas. Consideramos isso totalmente inaceitável."

43. Em 1993, Mandela recebeu o Prêmio Nobel da Paz por sua obra a favor da reconciliação nacional.

44. Durante a primeira votação democrática da história da África do Sul, no dia 27 de abril de 1994, Nelson Mandela, de 77 anos, foi eleito presidente da República com mais de 60% dos votos. Governou até 1999.

45. No dia 1 de dezembro de 2009, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, em votação unânime de seus 192 membros, uma resolução que decreta o dia 18 de julho como Dia Internacional Nelson Mandela, em homenagem à luta do herói sul-africano contra todas as injustiças.

46. Se hoje Mandela é cumprimentado por todos, por décadas as potências ocidentais o consideraram um homem perigoso e o combateram apoiando o governo do apartheid.

47. Estados Unidos, França e Grã-Bretanha foram os principais aliados do governo do apartheid, o qual apoiaram até o último momento.

48. Se os Estados Unidos veneram hoje em dia Nelson Mandela, de Clinton a Bush passando por Obama, é conveniente lembrar que ele foi mantido na lista de membros de organizações terroristas até o dia 1 de janeiro de 2008.

49. Nelson Mandela lembrou varias vezes dos laços inquebrantáveis que ligavam a África do Sul a Cuba. "Desde seus primeiros dias, a Revolução Cubana tem sido uma fonte de inspiração para todos os povos amantes da liberdade. O povo cubano ocupa um lugar especial no coração dos povos da África. Os internacionalistas cubanos deram uma contribuição para a independência, para a liberdade e a justiça na África que não tem paralelo pelos princípios e pelo desinteresse que a caracterizam. É muito o que podemos aprender da sua experiência. De modo particular, nos comove a afirmação do vínculo histórico com o continente africano e seus povos. Seu invariável compromisso com a erradicação sistemática do racismo não tem paralelo. Somos conscientes da grande dívida que existe hoje com o povo de Cuba. Que outro país pode mostrar uma história mais desinteressada que a que teve Cuba em suas relações com a África?

50. Thenjiwe Mtintso, embaixadora da África do Sul em Cuba, lembrou-se da verdade histórica a propósito do compromisso de Cuba na África. "Hoje a África do Sul tem muitos amigos novos. Ontem, estes amigos se referiam aos nossos líderes e aos nossos combatentes como terroristas e nos acusavam enquanto apoiavam a África do Sul do apartheid. Esses mesmos amigos hoje querem que nós denunciemos e isolemos Cuba. Nossa resposta é muito simples, é o sangue dos mártires cubanos e não destes amigos que corre profundamente na terra africana e nutre a árvore da liberdade em nossa pátria."
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A crise da TV Globo veio para ficar

Por Marco Aurélio Mello, no blog DoLaDoDeLá:

São muitos os sinais de que a crise que se instalou no Jardim Botânico veio para ficar.

Crescem os rumores de que a empresa não terá condições de honrar despesas e folha de pagamentos em 2014 e que, por isso, encomendou um estudo de cortes, sobretudo em relação aos salários pagos dos figurões. Pela primeira vez na história, a emissora tem no comando um gestor que veio do jornalismo, acostumado a baixos custos de produção. Ele estaria assombrado com o que tem visto na Central Globo de Produção, gastos que vão muito além dos padrões de mercado.

E os desvios?

"Ali deve haver muita corrupção", diz um veterano, que já ocupou cargos de gestão. "Imagina-se que haja superfaturamento, coisas que funcionam assim há anos. E se ele mexer ali ele cai", conclui. Como sabemos que a corda sempre estoura do lado mais fraco, dificilmente os cortes atingirão as estrelas de primeira grandeza e sim os salários intermediários e os pequenos larápios, que como nos bancos "desviam clip e elástico". Mas o fato é que a sangria desencadeará vazamentos, matéria-prima para jornalista nenhum botar defeito em 2014. Afinal, "casa onde falta o pão, todo mundo briga e ninguém tem razão".

E o que há por trás deste "fenômeno"?

O cenário é de queda significativa no faturamento. Dificilmente a Globo conseguirá manter o BV, o bônus de volume, pago às agências de publicidade toda vez que ela concentra anúncios no mesmo canal. A razão? Queda na audiência. Não há argumento que prove ao anunciante que a manutenção de uma campanha nacional numa emissora é vantajoso, se ela não leva a mensagem ao público que promete. Estão portanto, diante de um enorme impasse, jamais visto antes.

Mas por que a audiência cai tão rápido?

Analistas consultados por este blog dizem que é hora de "revisar índices". O anúncio de que as emissoras de TV concorrentes acabam de contratar outro instituto para fazer medições - utilizando, inclusive, mais medidores - está obrigando o Ibope, que sempre foi "da casa", a rever sua "metodologia".

Não é de hoje, né?

Faz tempo que os dados são questionados. Desde a extinta TV Manchete, dos Bloch, que nos anos 90 desafiou a Globo nos terrenos em que ela se gabava de ter mais competência: telenovela, telejornalismo e nas grandes coberturas, como o Carnaval. No fim da mesma década, outro concorrente também acusou o Ibope de manipulação, o SBT. Silvio Santos chegou a banir os medidores de sua emissora, sinal de que não confiava nos números. Mas, nem n'um caso, nem n'outro, anunciantes, agências e TV Globo foram alcançados.

O que mudou?

Recentemente a TV Record engrossou o coro, acusando o Ibope de consolidar seus números para baixo e os da emissora concorrente para cima. Foi isso o que finalmente desencadeou a busca por um sistema de medição mais isento. Estava criado enfim o caldo de cultura necessário para questionar na prática a ética concorrencial da emissora dos Marinho.

Mas isso é só um lado da crise?

Sim, o que realmente está "pegando" para o lado deles é que pela primeira vez não há a sustentação política de outros tempos. Dia sim, outro também, a emissora apanha nas redes sociais. Suas ações e seus métodos são questionados o tempo todo.

O sinal amarelou quando?

Em junho, uma multidão de manifestantes decidiu marchar em direção à filial da empresa, em São Paulo, para, sobre a Ponte Estaiada, novo cartão postal da cidade, gritar palavras de ordem contra a manipulação e o monopólio exercidos pelo grupo. "Aquilo criou uma instabilidade enorme. Ficamos com medo de invasão, de vandalismo. É como se tivéssemos virado escudo do patrão", disse um funcionário, que depois do expediente foi obrigado a esperar a multidão dispersar, antes de deixar o prédio naquela noite.

E não parou por aí...

Todos se lembram que jornalistas renomados passaram a ser hostilizados nas coberturas. Carros depredados e incendiados, reportagens abortadas por questão de segurança e um enorme esforço teve que ser feito nos meses seguintes para tentar resgatar a imagem e confiança da comunidade. Só que o estrago já estava feito. Hoje, a emissora é tratada com desprezo. Seu noticiário perdeu credibilidade e nem a recente dança das cadeiras implementada surtiu efeito.

E o fogo amigo?

Fátima Bernardes e Zeca Camargo partiram para a linha de shows, o que para a Central Globo de Produção foi mais um sinal de que o jornalismo avança sobre a programação. Resultado: boicotes. Está difícil trabalhar em alguns programas, que viraram alvo de fogo amigo, ou seja, concorrência interna. Mais um fator de desestabilização.

Só que isso não é nada

A pá de cal foi o escândalo de que a Globo operou em paraíso fiscal para burlar o fisco, e não pagar impostos. Dívida estimada, com multa e juros, em um bilhão de reais. Isso mesmo, um bilhão, tudo auditado, documentado, julgado, condenado, mas que não foi à cobrança por causa de uma ação espetacular, que teria envolvido suborno, subtração de documento de fé pública, chantagem, intimidação e até troca de tiros, o que trouxe à tona um modus operandi típico dos melhores roteiros dos filmes exibidos no Tela Quente. Há quem sustente que a emissora teria comprado os documentos roubados da Receita Federal mas que, no dia e local combinados, teria forjado um flagrante policial, com o requinte de enviar, inclusive, uma equipe de TV para cobrir o caso.

Não tem refresco

Parece que desta vez, por mais que haja ainda alguma costura política em Brasília, a ordem é tocar o processo adiante. "Deixar a Globo Sangrar" seria o mantra entoado em Bossa Nova, bem baixinho, uma alusão à celebre declaração de Fernando Henrique Cardoso aos caciques tucanos, quando do escândalo do Mensalão e da possibilidade de impeachment do presidente Lula. Até hoje o processo surrupiado da Receita "não deu as caras". Mas é um dos melhores dossiês de campanha e chantagem soltos na praça.

A imagem dos irmãos enfraquece

Ao figurar sorridentes em fotos que ilustraram a notícia de que hoje somam a maior fortuna do país, os irmãos Marinho também não contribuem em nada para melhorar a imagem do grupo. Num país injusto e desigual como o nosso, a notícia tem efeito devastador sobre a imagem do conglomerado. A opinião pública começa a achar, ainda que empiricamente, que eles são os típicos criminosos do colarinho branco. Pessoas que frequentam as colunas sociais, "descoladas", celebridades, mas que não valem, no jargão da turma que anda de trem: "uma marmita azeda".

Com uma combinação dessas, o que esperar?

Com a palavra nosso cultuado Marcos Valle: Hoje é um novo dia; De um novo tempo que começou; Nesses novos dias, as alegrias; Serão de todos, é só querer; Todos os nossos sonhos serão verdade; O futuro já começou...

Procurada sem muito interesse em saber sua opinião, reconheço, a emissora não comentou.
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