Renúncia de Genoino é um alerta

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Minha hipocrisia não chega a ponto de me dizer contente com a renúncia de José Genoíno a seu mandato de deputado federal.

Não tenho biografia para julgar um personagem com sua história. Mas é uma decisão preocupante em vários sentidos. Não por ele. Mas por nós.


Um cidadão que já pegou em armas para enfrentar a ditadura militar em seu pior momento – anos Médici – na guerrilha do Araguaia concluiu que não teria meios para defender sua dignidade no Congresso. A lei assegura a Genoíno o direito a ampla defesa mas ele concluiu que não teria esta garantia.

Com mais de 300.000 votos, Genoíno foi o deputado mais votado de São Paulo em 1998. Também chegou a uma posição de destaque em 1994 e foi o único candidato do PT, até hoje, que chegou a um segundo turno na eleição para o governo paulista. Em 2010, já na ressaca da AP 470, deve 92 000 votos. Tornou-se suplente e assumiu o mandato que exerceu até a semana passada.

Como militante, Genoíno trouxe quadros novos e importantes para a política brasileira, entre eles um líder chamado Chico Mendes e sua discípula magrinha, Marina Silva. Formou pessoas e formou-se, também. Uma democracia não se constrói com proclamações de fim-de-semana nem a partir de frases de efeito. Precisa de lideranças legítimas, verdadeiros representantes do povo, a altura de sua tarefa e de suas responsabilidades. Apontado, pelos próprios colegas, como um dos parlamentares mais influentes do Congresso brasileiro, um articulador incansável e um negociador leal, Genoíno tornou-se um personagem indispensável da democracia construída no país a partir de 1985, que produziu o mais prolongado regime de liberdade de nossa história.

Eleito pela primeira vez em 1982, Genoíno conversa à direita, ao centro, e é claro, à esquerda. Semanas antes de enfrentar o problema do coração e fazer o implante de um tubo de 15 cm na aorta, ele debatia com os colegas um projeto de lei sobre consumo de drogas. Fiz uma entrevista com ele naquela época. Alerta para as novidades que o tempo coloca, Genoíno estava preocupado com a criação de uma legislação rígida demais, capaz de obrigar jovens estudantes que fumam um baseado nos fins de semana a cumprir penas de muitos anos como se fossem traficantes.

Vamos pensar de novo. A Constituição garante, em seu artigo 55, que cabe ao Congresso definir a cassação de mandato de parlamentares.

Embora o STF tenha tentado transformar este artigo em simples enfeite, o Congresso reagiu para manter sua prerrogativa, agora numa versão perversa e injusta: pretendia fazer tudo, de qualquer maneira, para cassar o mandato de Genoíno e agradar aquela fatia de eleitores convencidos de que a degola espetacular de parlamentares pode ser útil para nosso sistema político.

Nossos parlamentares – os piores, meus amigos -- estão de olho na reeleição e, sem verdadeiras realizações para apresentar, sem um projeto consistente para oferecer, se submetem as leis dos marketing político mais rasteiro. Eles é que iriam cassar Genoíno, posar para as fotos com cenho franzido e discursinho moralista que a TV adora.

Considerando a estatura política de Genoíno, um gigante em comparação com 99,9% entre eles, seriam obrigados, pela própria hipocrisia, a cumprir um ritual que já vimos no próprio Supremo. Dizer que lamentavam cassar como corrupto um parlamentar cujo maior patrimônio é uma casa modesta no Butantã, em São Paulo.

Seria na verdade um crime obviamente tão horrendo que era preciso acalmar a consciência fingir arrependimento no mesmo instante.

A renuncia de Genoíno tem este significado doloroso: é a comprovação de que o esforço de criminalizar os políticos brasileiros e a própria atividade democrática, que esteve no centro do discurso ideológico sobre a “ compra de votos “ que jamais seria demonstrada com fatos concretos, rendeu frutos, convenceu muitas pessoas e gerou vários resultados daninhos.

Atirado naquele universo da “ publicidade opressiva” que marcou o julgamento, sem que o cidadão comum tivesse acesso a uma visão equilibrada dos fatos, ele nunca foi ouvido pelos brasileiros ao longo do julgamento e, para certificar-se de que não será mais ouvido por um longo período, já recebeu uma sentença que proíbe suas entrevistas. Ou seja: não só foi vítima de uma sentença injusta mas perdeu o direito de reclamar.

E é vergonhoso reparar que nenhum de nossos "jornalistas investigativos," nossos editorialistas, colunistas, jurados do Premio Esso e outros campeões domesticados pela profissão levantou-se para denunciar um ataque frontal a liberdade de expressão, que não atinge apenas o condenado, mas o próprio direito de todo repórter ouvir e entrevistar quem quiser, como acontece em todo país onde a imprensa é livre.

Apesar da selvageria de Guantanamo, reservada estrangeiros, a Justiça norte-americana, tão lembrado como exemplo de direito e liberdade, não proíbe entrevistas com condenados a penas graves, inclusive à pena morte.

Nenhum juiz norte-americano tem o direito de achar que está sendo desafiado quando um habitante do corredor da morte resolve defender seus direitos e denunciar que é inocente e foi condenado injustamente. Vários depoimentos dessa natureza renderam best-sellers e até filmes de sucesso.

Determinados gestos também podem ser questionados no Brasil de 2013.

Sabe aquele punho erguido, no dia em que Genoíno foi preso? Não pode. Irrita, provoca, deve ser evitado. Foi uma das marcas dos protestos de junho mas considera-se que não pode ser usado na coreografia dos condenados.

Compreende-se. Num universo onde a palavra foi cassada e até um gesto com a mão é questionado, o objetivo é impor a submissão, o silêncio. Todo ato de altivez, de resistência, será condenado.

Procura-se mobilizar a turba, a ralé, aqueles que não tem uma identidade social clara além do ressentimento, como dizia Hanna Arendt. O argumento é vergonhosamente antigo: é preciso combater o “privilégio”, a “mordomia”, os “direitos humanos”, como prega o conservadorismo brasileiro desde o tempo em que cidadãos como Genoíno, seus familiares e seus parentes, e tantas outras pessoas que honraram a luta pela democracia, denunciavam a tortura nas prisões da ditadura.

Quando resolveram que o Congresso não deveria cumprir o artigo 55 e manter a palavra final sobre a perda de mandato, os ministros do Supremo chegaram a definir qualquer atitude contrária como “insubordinação.”

Estamos num ambiente de incerteza e insegurança. Depois de um julgamento politizado, assistimos a uma nova transmutação institucional. A medicina não é mais medicina. Pode ser política.

Roberto Kalil, hoje o cardiologista de maior prestígio do país, já deixou claro que Genoíno enfrenta uma doença grave e crônica. Fabio Jatene, cirurgião do mesmo quilate, também fez uma avaliação no mesmo sentido. Peritos do IML do Distrito Federal e da Câmara de Deputados confirmam essa condição. E mesmo doutores indicados por Joaquim Barbosa para fazer um laudo sem a presença de um perito indicado por Genoíno – direito legal de todo prisioneiro – foram incapazes de escrever coisa muito diferente. Mesmo dizendo que não era “imprescindível” manter o deputado em regime domiciliar, levantaram condicionantes de bem-estar e cuidados médicos que não existem nos presídios brasileiros.

Mas nem assim o direito de Genoíno a prisão domiciliar está assegurado. Pedindo que este regime seja considerado definitivo, em vez de prolongar-se por apenas 90 dias, antes de uma nova revisão, como quer o procurador geral Rodrigo Janot, seus advogados lembram que mesmo traficantes de drogas já obtiveram este direito em nossos tribunais.

Eles também recordam uma resolução da Vara de Execuções Criminais do Distrito Federal, que reconhece a absoluta falta de condições de seus presídios atenderem a casos de enfermidade grave.

Entende-se, então, o sentido da luta de Genoíno. Ele trava, no momento o combate político pelo direito a vida.
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Queda do PIB e o tripé neoliberal

Por Adilson Araújo, no sítio da CTB:

O PIB recuou 0,5% no terceiro trimestre deste ano. Embora o fato esteja sendo explorado de forma enviesa pelas forças conservadoras, que cobram mais do mesmo (pressionando por doses adicionais de arrocho fiscal), não há como fugir à constatação de que se trata de um desempenho frustrante para os que lutam pelo desenvolvimento nacional, muito aquém das possibilidades e das necessidades nacionais.


O Brasil deve fechar o ano com um crescimento pouco acima de 2%. Com isto, a economia continua a descrever o que alguns economistas classificam de voo de galinha. Apesar do baixo nível de desemprego, o cenário não é confortável, muito menos quando se leva em conta o crescimento do déficit em conta corrente e a persistente instabilidade cambial.

Em que pese o cenário ainda marcado pela crise crônica da economia internacional, bem como da ordem capitalista liderada pelos EUA, o comportamento medíocre da economia é um testemunho eloquente dos efeitos perniciosos da política econômica de viés neoliberal, que foi no essencial mantida por Lula e por Dilma, apesar de mudanças positivas como a valorização do salário mínimo, o Bolsa Família e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O famoso tripé – composto de juros altos (consagrados pelo Copom na última reunião do ano, em 27-11), superávit primário, obtido à custa de dolorosos cortes nos gastos públicos, e câmbio flutuante - tem se revelado um veneno para a economia nacional, constituindo hoje provavelmente o maior obstáculo ao desenvolvimento nacional e ao atendimento das demandas do nosso povo por saúde, educação, transporte público de qualidade e valorização de trabalho.

Não restam dúvidas de que a queda do PIB no terceiro trimestre deste ano tem tudo a ver com a política econômica, que objetivamente reduz a demanda interna, o consumo e também os investimentos, e reduz o ritmo de expansão das atividades. Para piorar a situação o governo promoveu desonerações indiscriminadas que não reverteram em investimentos produtivos e esvaziaram os caixas dos governos, diminuindo a arrecadação de impostos e impondo novos limites aos gastos públicos.

Conforme a CTB tem reiterado em suas resoluções, notas e documentos, é imperioso mudar a política econômica (reduzindo juros, controlando o câmbio e extinguindo o superávit primário) para que o Brasil possa avançar no rumo de um novo projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho, soberania e democracia.

* Adilson Araújo é presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
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POLÍTICA - Carta aberta ao Genoíno.


Carta aberta ao meu amigo Genoino

Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho:

Caro Genoino,

Fiquei sabendo que você não está querendo receber visitas. Nem deve. Quanto mais tranquilo você puder ficar com a família e se cuidar nestes dias difíceis, melhor. O mais importante é se alimentar bem para revigorar as forças e tomar os remédios na hora certa.

Por isso, e porque está proibido de dar entrevistas, resolvi escrever esta breve carta só para te dizer que, embora fosse dolorido, você fez muito bem em renunciar ao mandato e acabar de uma vez com este deprimente espetáculo de humilhação que vinha sofrendo por parte de setores da oposição e da mídia amiga (deles).

Sei que você já vinha pensando nisso há algum tempo, não foi uma decisão tomada no calor do embate, e só estava esperando o melhor momento, mas tem uma hora em que é preciso haver um desfecho e qualquer solução é melhor do que nenhuma.

Com certeza, você deve agora estar se sentindo mais aliviado, embora tua agonia esteja longe de acabar, sempre dependendo dos outros para saber o que vai ser da tua vida amanhã.

Nessa situação, cada dia é um dia ganho que pode ser decisivo, como agora nesta sexta-feira, em que termina o prazo para a defesa apresentar seus argumentos sobre a prisão domiciliar ao STF. Depois, é esperar por uma decisão de Joaquim Barbosa, o presidente do tribunal.

O grande trunfo com que você conta, e ninguém vai lhe tirar, é esta tua maravilhosa família, que encontrei muito unida quando fui lhe visitar no hospital depois da cirurgia. Depois da prisão, Rioco e Miruna revelaram-se duas leoas na defesa da sua integridade física e moral.

Quarenta anos atrás, vocês se abraçaram numa cela e Rioco teve que esperar o namorado sair da cadeia para poder se casar. Agora, repetiram a cena, quando ela foi te ver na Papuda, e vai ter que precisar de muita paciência outra vez. Nunca vocês, nem ninguém, poderiam imaginar que isso pudesse acontecer de novo.

Qualquer dia desses a gente se vê para colocar as conversas em dia. Te cuida, meu amigo.

Vida que segue.
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SAÚDE - Ande! Faz viver mais.


Por Mônica Tarantino

Os problemas cardíacos são, hoje, a principal causa de morte nos Estados Unidos. Por isso, a Associação Americana do Coração (sigla em inglês AHA), uma referência mundial em cardiologia, está à frente de uma campanha para estimular a prática da caminhada nos Estados Unidos e em outros países. No site da associação (www.heart.org) há uma área destinada a reunir argumentos e estudos que permitem compreender a extensão dos riscos da falta de atividade física e oferece também dicas para quem quer se mover mais.


Preste atenção

A associação americana de cardiologistas selecionou informações importantes para convencer os indivíduos a levantar do sofá e caminhar. Confira:

ANDAR APENAS 30 MINUTOS POR DIA 
Já proporciona benefícios a saúde do coração.

CAMINHAR

É a maneira mais simples de iniciar sua relação com o exercício e melhorar o condicionamento cardiovascular. E sem gastar nada.

QUER COISA MAIS FÁCIL?

Andar oferece a menor taxa de abandono de qualquer tipo de exercício.

ECONOMIA PARA QUEM PRATICA E PARA QUEM EMPREGA

Nas contas dos cardiologistas americanos, as pessoas fisicamente ativas economizam pelo menos US$ 500 (cerca de R$ 1.150,00) por ano com despesas de saúde.

Andar reduz custos das empresas com as pessoas que nelas trabalham. Os dados mostram que os empregadores podem economizar, em média, US $ 16 por US $ 1 gastos na promoção da saúde e bem-estar dos funcionários

Os empregadores que investem em programas de fitness para os funcionários ganham também: a iniciativa pode reduzir em até 55% os custos de saúde das empresas.

EM CASA 

Saia para uma curta caminhada antes do café, depois do jantar ou ambos. Comece com 5-10 minutos e continue aumentando gradativamente o tempo até chegar aos 30 minutos.

Em vez de pedir a alguém para lhe trazer uma bebida, levante do sofá e vá lá pegar.

Levante-se e ande enquanto fala ao telefone.

Estique-se para alcançar itens em lugares altos e faça agachamentos para olhar ou pegar coisas que estejam no chão.
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Testamento




O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros — perdi-os...
Tive amores — esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.

Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.

Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!... Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.

Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!

Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!                  
                           Manuel Bandeira - 1943 
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