Carta aberta ao meu amigo Genoino

Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho:

Caro Genoino,

Fiquei sabendo que você não está querendo receber visitas. Nem deve. Quanto mais tranquilo você puder ficar com a família e se cuidar nestes dias difíceis, melhor. O mais importante é se alimentar bem para revigorar as forças e tomar os remédios na hora certa.

Por isso, e porque está proibido de dar entrevistas, resolvi escrever esta breve carta só para te dizer que, embora fosse dolorido, você fez muito bem em renunciar ao mandato e acabar de uma vez com este deprimente espetáculo de humilhação que vinha sofrendo por parte de setores da oposição e da mídia amiga (deles).

Sei que você já vinha pensando nisso há algum tempo, não foi uma decisão tomada no calor do embate, e só estava esperando o melhor momento, mas tem uma hora em que é preciso haver um desfecho e qualquer solução é melhor do que nenhuma.

Com certeza, você deve agora estar se sentindo mais aliviado, embora tua agonia esteja longe de acabar, sempre dependendo dos outros para saber o que vai ser da tua vida amanhã.

Nessa situação, cada dia é um dia ganho que pode ser decisivo, como agora nesta sexta-feira, em que termina o prazo para a defesa apresentar seus argumentos sobre a prisão domiciliar ao STF. Depois, é esperar por uma decisão de Joaquim Barbosa, o presidente do tribunal.

O grande trunfo com que você conta, e ninguém vai lhe tirar, é esta tua maravilhosa família, que encontrei muito unida quando fui lhe visitar no hospital depois da cirurgia. Depois da prisão, Rioco e Miruna revelaram-se duas leoas na defesa da sua integridade física e moral.

Quarenta anos atrás, vocês se abraçaram numa cela e Rioco teve que esperar o namorado sair da cadeia para poder se casar. Agora, repetiram a cena, quando ela foi te ver na Papuda, e vai ter que precisar de muita paciência outra vez. Nunca vocês, nem ninguém, poderiam imaginar que isso pudesse acontecer de novo.

Qualquer dia desses a gente se vê para colocar as conversas em dia. Te cuida, meu amigo.

Vida que segue.
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Um desafio a Ali Kamel, chefão da Globo

Por Antônio Mello, em seu blog:

O diretor geral de Jornalismo e Esportes da Rede Globo, Ali Kamel, diz que o jornalismo da emissora é independente, ponto, mas, acrescento eu, "dos fatos", só agora ponto.

Para mostrar essa independência, desafio o Jornal Nacional da Rede Globo a produzir reportagem semelhante à que exibiu na edição de ontem do telejornal sobre o hotel em que José Dirceu vai trabalhar. Só que o alvo da operação investigativa tem que ser a Globo Overseas.

Na reportagem de ontem, o JN chegou a enviar repórteres ao Panamá para investigar a quem pertence o Hotel Saint Peter, onde Dirceu vai ser gerente administrativo. Será pelos R$ 20 mil de salário dele? Ou porque a Globo não admite que se dê emprego a "mensaleiros"?

Mas, volto eu, que tal mostrar a independência do jornalismo Global, fazendo uma grande reportagem sobre a Globo Overseas, aquela empresa que a Globo criou no exterior apenas para fraudar a Receita Federal, segundo processo em que foi condenada a pagar, à época, mais de R$ 600 milhões?

Que tal esclarecer aos brasileiros por que a empresa foi criada? Por que a Receita a autuou e a Justiça reconheceu a dívida milionária - hoje, com a correção, provavelmente bilionária?

Por que o processo foi surrupiado da sede da Receita, quem o surrupiou, com que intuito e a mando de quem?

Taí o desafio.
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MÍDIA - Comentário do Lula.

Lula diz que imprensa é seletiva nas notícias que divulga



O ex-presidente Lula chamou atenção para a grande diferença de tratamento feito pela mídia em sua cobertura diária. “Me incomoda a preocupação da imprensa com os condenados, sobretudo com o emprego do Zé Dirceu. E essa mesma imprensa, que em nome da moral fala tanto do Zé Dirceu, esconde o outro lado que estava com 445 quilos de cocaína num helicóptero”, afirmou.
Lula se referiu à apreensão do helicóptero do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD-MG). A aeronave tinha 445 quilos de cocaína.
A declaração foi feita durante encontro de vereadores do PT paulista para promover a pré-candidatura a governador do ministro Alexandre Padilha (Saúde).
Sobre a disputa em São Paulo em 2014, Lula afirmou que é preciso “quebrar a base conservadora que há 30 anos nos derrota em São Paulo”
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MÍDIA - Olhe bem, preste atenção.......na Globo.

Está pagando o preço pelo seu "modus operandi" de manipulações, denúncias seletivas, partidarismo,etc.


OLHE BEM, PRESTE ATENÇÃO


http://www.doladodela.com/


São muitos os sinais de que a crise que se instalou no Jardim Botânico veio para ficar.

Crescem os rumores de que a empresa não terá condições de honrar despesas e folha de pagamentos em 2014 e que, por isso, encomendou um estudo de cortes, sobretudo em relação aos salários pagos dos figurões. Pela primeira vez na história, a emissora tem no comando um gestor que veio do jornalismo, acostumado a baixos custos de produção. Ele estaria assombrado com o que tem visto na Central Globo de Produção, gastos que vão muito além dos padrões de mercado.

E os desvios?

"Ali deve haver muita corrupção", diz um veterano, que já ocupou cargos de gestão. "Imagina-se que haja superfaturamento, coisas que funcionam assim há anos. E se ele mexer ali ele cai", conclui. Como sabemos que a corda sempre estoura do lado mais fraco, dificilmente os cortes atingirão as estrelas de primeira grandeza e sim os salários intermediários e os pequenos larápios, que como nos bancos "desviam clip e elástico". Mas o fato é que a sangria desencadeará vazamentos, matéria-prima para jornalista nenhum botar defeito em 2014. Afinal, "casa onde falta o pão, todo mundo briga e ninguém tem razão".

E o que há por trás deste "fenômeno"?

O cenário é de queda significativa no faturamento. Dificilmente a Globo conseguirá manter o BV, o bônus de volume, pago às agências de publicidade toda vez que ela concentra anúncios no mesmo canal. A razão? Queda na audiência. Não há argumento que prove ao anunciante que a manutenção de uma campanha nacional numa emissora é vantajoso, se ela não leva a mensagem ao público que promete. Estão portanto, diante de um enorme impasse, jamais visto antes.

Mas por que a audiência cai tão rápido?

Analistas consultados por este blog dizem que é hora de "revisar índices". O anúncio de que as emissoras de TV concorrentes acabam de contratar outro instituto para fazer medições - utilizando, inclusive, mais medidores - está obrigando o Ibope, que sempre foi "da casa", a rever sua "metodologia".

Não é de hoje, né?

Faz tempo que os dados são questionados. Desde a extinta TV Manchete, dos Bloch, que nos anos 90 desafiou a Globo nos terrenos em que ela se gabava de ter mais competência: telenovela, telejornalismo e nas grandes coberturas, como o Carnaval. No fim da mesma década, outro concorrente também acusou o Ibope de manipulação, o SBT. Silvio Santos chegou a banir os medidores de sua emissora, sinal de que não confiava nos números. Mas, nem num caso, nem noutro, anunciantes, agências e TV Globo foram alcançados.

O que mudou?

Recentemente a TV Record engrossou o coro, acusando o Ibope de consolidar seus números para baixo e os da emissora concorrente para cima. Foi isso o que finalmente desencadeou a busca por um sistema de medição mais isento. Estava criado enfim o caldo de cultura necessário para questionar na prática a ética concorrencial da emissora dos Marinho.

Mas isso é só um lado da crise?

Sim, o que realmente está "pegando" para o lado deles é que pela primeira vez não há a sustentação política de outros tempos. Dia sim, outro também, a emissora apanha nas redes sociais. Suas ações e seus métodos são questionados o tempo todo.

O sinal amarelou quando?

Em junho, uma multidão de manifestantes decidiu marchar em direção à filial da empresa, em São Paulo, para, sobre a Ponte Estaiada, novo cartão postal da cidade, gritar palavras de ordem contra a manipulação e o monopólio exercidos pelo grupo. "Aquilo criou uma instabilidade enorme. Ficamos com medo de invasão, de vandalismo. É como se tivéssemos virado escudo do patrão", disse um funcionário, que depois do expediente foi obrigado a esperar a multidão dispersar, antes de deixar o prédio naquela noite.

E não parou por aí...

Todos se lembram que jornalistas renomados passaram a ser hostilizados nas coberturas. Carros depredados e incendiados, reportagens abortadas por questão de segurança e um enorme esforço teve que ser feito nos meses seguintes para tentar resgatar a imagem e confiança da comunidade. Só que o estrago já estava feito. Hoje, a emissora é tratada com desprezo. Seu noticiário perdeu credibilidade e nem a recente dança das cadeiras implementada surtiu efeito.

E o fogo amigo?

Fátima Bernardes e Zeca Camargo partiram para a linha de shows, o que para a Central Globo de Produção foi mais um sinal de que o jornalismo avança sobre a programação. Resultado: boicotes. Está difícil trabalhar em alguns programas, que viraram alvo de fogo amigo, ou seja, concorrência interna. Mais um fator de desestabilização.

Só que isso não é nada

A pá de cal foi o escândalo de que a Globo operou em paraíso fiscal para burlar o fisco, e não pagar impostos. Dívida estimada, com multa e juros, em um bilhão de reais. Isso mesmo, um bilhão, tudo auditado, documentado, julgado, condenado, mas que não foi à cobrança por causa de uma ação espetacular, que teria envolvido suborno, subtração de documento de fé pública, chantagem, intimidação e até troca de tiros, o que trouxe à tona um modus operandi típico dos melhores roteiros dos filmes exibidos no Tela Quente. Há quem sustente que a emissora teria comprado os documentos roubados da Receita Federal mas que, no dia e local combinados, teria forjado um flagrante policial, com o requinte de enviar, inclusive, uma equipe de TV para cobrir o caso.

Não tem refresco

Parece que desta vez, por mais que haja ainda alguma costura política em Brasília, a ordem é tocar o processo adiante. "Deixar a Globo Sangrar" seria o mantra entoado em Bossa Nova, bem baixinho, uma alusão à celebre declaração de Fernando Henrique Cardoso aos caciques tucanos, quando do escândalo do Mensalão e da possibilidade de impeachment do presidente Lula. Até hoje o processo surrupiado da Receita "não deu as caras". Mas é um dos melhores dossiês de campanha e chantagem soltos na praça.

A imagem dos irmãos enfraquece

Ao figurar sorridentes em fotos que ilustraram a notícia de que hoje somam a maior fortuna do país, os irmãos Marinho também não contribuem em nada para melhorar a imagem do grupo. Num país injusto e desigual como o nosso, a notícia tem efeito devastador sobre a imagem do conglomerado. A opinião pública começa a achar, ainda que empiricamente, que eles são os típicos criminosos do colarinho branco. Pessoas que frequentam as colunas sociais, "descoladas", celebridades, mas que não valem, no jargão da turma que anda de trem: "uma marmita azeda".

Com uma combinação dessas, o que esperar?

Com a palavra nosso cultuado Marcos Valle: Hoje é um novo dia; De um novo tempo que começou; Nesses novos dias, as alegrias; Serão de todos, é só querer; Todos os nossos sonhos serão verdade; O futuro já começou...

Procurada sem muito interesse em saber sua opinião, reconheço, a emissora não comentou.
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MÍDIA - Mensalão mineiro, um teste para a imprensa.


Por Eugênio Bucci 
Reproduzido do Estado de S.Paulo


Em 1985 o então presidente americano Ronald Reagan passou por uma intervenção cirúrgica que lhe arrancou um tumor de cólon. Indagado sobre a doença, ele respondeu alegremente: “Eu não tinha câncer. Alguma coisa em mim tinha câncer e essa coisa já foi removida”. Pelo quadro clínico da política brasileira em 2013, parece que o PSDB ensaia uma saída na mesma linha com relação ao julgamento do mensalão tucano (mensalão mineiro). “Mensalão, eu?”, arguirá o tal Partido da Social Democracia Brasileira, com litros de brilhantina a empinar-lhe o topete reluzente. “Eu não fiz mensalão nenhum. Alguma coisa em mim fez mensalão e essa coisa já foi extirpada.”
Se conseguirem retirar os réus das fileiras do partido, os tucanos terão confeccionado o penteado retórico com o qual tentarão afastar a sigla do tiroteio judicial que virá em 2014. Se a jogada der certo, o julgamento do mensalão tucano receberá no debate público o tratamento de um crime isolado, um erro isolado, um desvio de pessoas despreparadas. Sua história será despolitizada. Indivíduos serão punidos, sacrificados como párias. Assim, o partido ficará livre de qualquer suspeita e não será criticado na arena pública. Em resumo, se a tática reaganista for bem-sucedida, o mensalão tucano terá sido reduzido a um episódio puramente criminal, sem nexo algum com o hábito político e com a lógica partidária no Brasil. Do ponto de vista estritamente jurídico, isso não fará muita diferença (fará alguma, como já veremos, mas não muita). Já do ponto de vista político, teremos perdido mais uma oportunidade de entender melhor os meandros do submundo eleitoral que ainda dá as cartas no País.
Não que o mensalão mineiro seja um crime político. Não é, na exata medida em que os condenados pelo mensalão petista não são “presos políticos” (por favor). O mensalão mineiro (como o outro) é um ilícito penal, sem tirar nem pôr, mas é um ilícito penal praticado dentro de um contexto político. O topete retórico tenta arrancá-lo desse contexto, ou seja, tenta retirar da pauta o contexto político, cuja compreensão (em detalhes) é do mais alto interesse público.
Obsessões recíprocas
O grande beneficiário dessa manobra discursiva será o PSDB, como é óbvio. O grande prejudicado, porém, não é tão óbvio assim. O maior prejudicado não será o Partido dos Trabalhadores (PT), será o cidadão. Se a retórica reaganista prevalecer, o julgamento do mensalão tucano perderá destaque no noticiário e isso vai lesar o cidadão em seu direito à informação.
A esta altura, só quem pode reordenar a agenda é a imprensa. Apenas o jornalismo profissional dispõe, neste momento, dos instrumentos institucionais necessários para impedir que o contexto se perca no vazio e para promover a informação crítica, sem a qual os cidadãos terão mais dificuldade para refletir sobre as formas de aperfeiçoar a estrutura partidária na qual crimes dessa ordem vêm ocorrendo, em partidos tão diferentes quanto PT e PSDB.
Não, ninguém aqui vai dizer que a culpa desse desvio peculiar, que está à beira de se converter num novo tipo penal – o mensalão –, é do sistema partidário ou da Lei Eleitoral. A culpa é mesmo de gente de carne e osso, que praticou crimes comuns, tipificados na legislação em vigor. Isto posto, não podemos perder de vista que esses crimes denotam vícios sistêmicos – e esses vícios sistêmicos podem e devem ser sistemicamente enfrentados e resolvidos. Aí é que entra a imprensa.
Investigar e tornar públicos os vínculos entre os crimes comuns e os vícios sistêmicos não compete ao Poder Judiciário, mas à imprensa. Ao Judiciário cabe julgar os crimes a partir dos elementos que já constam do processo. Por isso é que se pode dizer que o debate público, a essa altura, se terá algum peso nas decisões dos juízes, não terá peso determinante; o que a imprensa vai publicar ou vai deixar de publicar terá alguma influência, é certo, mas não mudará o que já está nos autos e, nessa medida, não vai fazer uma diferença tão grande assim. Mas para o cidadão e para a sociedade, aí, sim, a diferença será absoluta. Se a imprensa não cuidar de investigar os nexos entre a estrutura política e o desvio de dinheiro público, ninguém mais terá condição de assumir essa tarefa. A opinião pública sairá perdendo.
Na cobertura do mensalão do PT, o jornalismo profissional atuou com acerto porque o fez com persistência. É verdade que a estratégia descabelada dos petistas, com aquela pulsão incontida de dizer que não tinha havido crime algum e que tudo não passava de um complô da “mídia conservadora”, praticamente impôs aos repórteres a obrigação de desmontar a farsa (não do julgamento, mas do discurso governista). Em grande parte, a obsessão da imprensa com o tema do mensalão petista foi também provocada pela obsessão dos governistas em dizer que o julgamento era fajuto, era um golpe, era um rito de exceção. Diante disso, ou a imprensa fazia a sua parte ou a Nação seria tragada por um embuste de consequências trágicas.
Imprensa desafiada
Agora o quadro não é tão diferente, embora os sinais pareçam todos invertidos. Onde o PT queria politizar o julgamento, o PSDB quer despolitizar o contexto do crime. Onde o PT procurou idolatrar os acusados como se fossem heróis da classe operária, o PSDB procura rifar os seus, como se nunca os tivesse visto mais gordos. Onde o PT enxergava um complô das elites para desestabilizar o presidente da República, o PSDB enxerga uma intercorrência policial aleatória, que não tem nada que ver com nada. Num caso e no outro, apesar dos sinais invertidos, os dois partidos tentam desinformar a sociedade.
Logo, assim como se sentiu intimada a esclarecer as coisas no mensalão do PT, a imprensa está desafiada a cobrir com o mesmo rigor o mensalão tucano. De quebra, está convocada a provar que prima pelo apartidarismo e que não se deixa encantar por topetes retóricos.
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Eugênio Bucci é jornalista, professor da ECA-USP e da ESPM  
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