Justiça suspende "leilão" dos ruralistas

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Por Ruy Sposati, no jornal Brasil de Fato:

A juíza Janete Lima Miguel, da 2a. Vara de Campo Grande da Justiça Federal, determinou que o Leilão da Resistência não seja realizado. Convocado pela Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) e Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), o leilão, marcado para o próximo dia 7, venderia para financiar seguranças armados contra indígenas.


Na terça-feira, 3, o conselho do Aty Guasu Guarani e Kaiowá e o Conselho Terena entraram com uma ação na Justiça Federal exigindo a suspensão do leilão, denunciando que ruralistas planejavam realizar a atividade para arrecadar fundos para a "contratação de empresas de segurança em supostas defesas de terra”, conforme apontava a petição inicial dos indígenas.

“Esse comportamento por parte da parte [fazendeiros] não pode ser considerado lícito, visto que pretendem substituir o Estado na solução do conflito existente entre a classe ruralista e os povos indígenas”, afirma a decisão da juíza. “Tal comportamento tem o poder de incentivar a violência (…) e colide com os princípios constitucionais do direito à vida, à segurança e à integridade física”.

Além de suspender o leilão do dia 7, a decisão também proíbe a realização de outros leilões similares em locais e datas diversas”, sob pena de multa de 200 mil reais, caso sejam realizados.

“Viajei do meu tekoha até aqui para falar para a juíza sobre esse leilão”, conta Genito Kaiowá, filho do cacique Nízio Gomes, do Guaiviry, assassinado em sua própria aldeia em novembro de 2011. Ele viajou do município de Aral Moreira, a 411 quilômetros de Campo Grande, para uma reunião com a juíza. "Antes de eu sair eu pedi para o Ñanderu (rezador tradicional) rezar bastante para que nós tivéssemos vitória. Eu nem precisei conversar com ela”, conclui.
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Os que choram por Mandela

Por Leonardo Sakamoto, em seu blog:

Precisamos de mais pessoas como Mandela.

Pessoas que são capazes de usar a força quando necessário e adotar uma atitude conciliadora quando preciso. Mas que não descartam qualquer uma das duas ações políticas.

Por conta da morte de Mandela, estamos sendo soterrados por reportagens que louvam apenas um desses lados e esquece o outro, como se as folhas de uma árvore existissem sem o seu tronco e os galhos. O apartheid não morreu apenas por conta do sorriso bonito e das falas carismáticas do líder sul-africano, mas por décadas de luta firme contra a segregação coordenada por uma resistência que ele ajudou a estruturar.

É fascinante como regimes execrados pelo Ocidente foram, muitas vezes, os únicos que estenderam a mão a Mandela e à luta contra o apartheid. E como, décadas depois, muitos países prestam suas homenagens a ele, sem um mísero mea culpa por seu papel covarde durante sua prisão. Ou, pior: como veículos de comunicação desse mesmo Ocidente ignoram a complexidade da luta de Mandela, defendendo que o pacifismo foi o seu caminho.

Desculpem, mas a necessária conciliação para curar feridas ou a tolerância são diferentes de injustiça. E ser pacifista não significa morrer em silêncio, em paz, de fome ou baioneta. A desobediência civil professada por Gandhi é uma saída, mas não a única e nem cabe em todas as situações em que um grupo de pessoas é aviltado por outro.

“Eu celebrei a ideia de uma sociedade livre e democrática, na qual todas as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal pelo qual espero viver e o qual espero alcançar. Mas, se for necessário, é um ideal pelo qual estou pronto para morrer'', disse ele, ao ser condenado a 27 anos de prisão.

As histórias das lutas sociais ao redor do mundo são porcamente ensinadas. Ao ler o que os jovens aprendem nas carteiras escolares ou no conteúdo trazido por nós jornalistas, fico com a impressão que a descolonização da Índia, o fim do apartheid na África do Sul ou a independência de Timor Leste foram obtidas apenas através de longas discussões regadas a chá e um pouco de desobediência. Dessa forma, a interpretação dos fatos, passada adiante, segue satisfatória aos grupos no poder.

Muitos que hoje lamentam por Mandela detestam manifestações públicas e mudanças no status quo.

Adoram um revolucionário quando este é reconhecido internacionalmente e aparece em estampas de camisetas, mas repudiam quem ocupa propriedades, por exemplo, “impedindo o progresso''.

Leio reclamações da violência de protestos quando estes vêm dos mais pobres entre os mais pobres – “um estupro à legalidade” – feitas por uma legião de pés-descalços empunhando armas de destruição em massa, como enxadas, foices e facões. Ou contra povos indígenas, cansados de passar fome e frio, reivindicando territórios que historicamente foram deles, na maioria das vezes com flechas, enxadas e paciência. Ou ainda professores que exigem melhores salários e resolvem ir às ruas para mostrar sua indignação e pressionar para que o poder público mude o comportamento. Todos eles são uns vândalos.

Daí, essa pessoa que ama Mandela, mas não sabe quem ele é, pensa: poxa, por que essa gente maltrapilha simplesmente não sofre em silêncio, né?

Muitas das leis criticadas em protestos e ocupações de terra ou mesmo no apartheid não foram criadas pelos que sofrem em decorrência de injustiça social, mas sim por aqueles que estavam ou estão na raiz do problema e defendem regras para que tudo fique como está. Nem sempre a legalidade é justa. E essa frase assusta muita gente.

Mandela é a inspiração. Com ele, é possível acreditar que manifestações populares e ocupações resultem nos pequenos vencendo os grandes. E, com o tempo, os rotos e rasgados sendo capazes de sobrepujar ricos e poderosos.

Por isso, o desespero inconsciente presente em muitas reclamações sobre a violência inerente ou involuntária desses atos. Ou na tentativa de reescrever a história editando aquilo que não interessa.

Enquanto isso, mais um indígena foi morto no Mato Grosso do Sul. Mas tudo bem. Devia ser apenas mais um vândalo, não um homem de bem como Mandela.

Enfim, precisamos de mais pessoas como Mandela. Pois os bons do século 20 estão morrendo antes que realmente entendamos suas mensagens.
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Mandela: revolucionário e estadista

http://aporrea.org/
Por Renato Rabelo, em seu blog:

Nelson Mandela, ou simplesmente Madiba, como é conhecido por seu povo, nos deixou neste 5 de dezembro de 2013. É com enorme pesar pela irreparável perda que recebemos a triste notícia do seu falecimento. Neste momento de despedida e dor, solidarizamos-nos com o povo sul-africano, com o Presidente Jacob Zuma, com os familiares de Mandela e com todos os que lutam contra a opressão neocolonial, imperialista e racista.

A obra de Mandela sobreviverá. Ele lutou convicta e obstinadamente pela libertação do seu povo e pela edificação de uma África do Sul democrática e justa, livre do “apartheid”. Empenhou-se pela unidade do continente africano e na construção de um mundo de paz e justiça social, sem o racismo e a dominação imperialista.

Como disse o atual presidente da África do Sul, Jacob Zuma, “a nação perdeu seu maior líder”. E podemos completar, sem medo de errar: a humanidade também perdeu um dos seus maiores líderes, que com seu pensamento e ação deixou uma marca indelével na história.

Nascido em 1918, em uma aldeia do interior, Mandela estudou Direito em uma das primeiras universidades de seu país, onde conheceu Oliver Tambo. Juntos, entraram em contato com o movimento de libertação nacional da África do Sul e se integraram ao Congresso Nacional Africano (CNA). O Partido Comunista Sul-Africano, fundado em 1921, caracterizou o então regime como um tipo específico de colonialismo, que oprimia e explorava os trabalhadores e a maioria negra.

Em 1944, já formado advogado, Mandela participou da criação da Liga Juvenil do CNA, da qual foi eleito presidente em 1951. Nesse período, em 1949, o governo sul-africano aprova um novo regime “legal” segregacionista: o famigerado “apartheid”.

A partir desse momento, intensifica-se e radicaliza-se a luta popular e, em 1952, Mandela, já fazendo parte do Conselho Executivo do CNA, lidera nacionalmente protestos que desafiam a nova lei imposta pelo governo de minoria branca. Afirmando que a luta revolucionária é feita de acordo com as condições objetivas, Mandela se vê forçado a entrar na clandestinidade em 1958, acusado com base na Lei de Repressão ao Comunismo.

Em 1964, quando estava sendo julgado, afirmou: “Por várias décadas os comunistas eram o único grupo político na África do Sul que estava preparado para tratar os negros como seres humanos e seus iguais; que estavam preparados para comerem juntamente conosco; conversar conosco, morar e trabalhar conosco. Em função disso, há muitos africanos negros que, hoje em dia, tendem a igualar a liberdade com o comunismo”.

Diante do recrudescimento da repressão, o CNA resolveu organizar a resistência armada e criou um braço armado: Lança da Nação. Nelson Mandela tornou-se o seu primeiro comandante em chefe. Saiu do país com outros companheiros para conhecer novas experiências de resistência anticolonial e fez treinamento militar com etíopes e argelinos. Quando, em 1962, retornou à África do Sul, Mandela foi detido e passou mais de 27 anos na prisão.

A resistência do povo sul-africano continuou e alcançou um nível inédito com a rebelião de Soweto, em 1976. Em meados dos anos 1980, o CNA desencadeia uma campanha que intensifica as jornadas para isolar e debilitar o regime racista, enquanto cresciam as manifestações de solidariedade internacional, e as forças armadas racistas sul-africanas são derrotadas em Angola e na Namíbia, com o apoio da URSS e a participação das tropas internacionalistas de Cuba.

O processo de resistência heroica do povo sul-africano, liderado pela chamada Aliança Tripartite, formada pelo CNA, pelo Partido Comunista Sul-Africano e pela central sindical Cosatu, ganhou força e apoio internacional. Orientados pelo programa da Revolução Democrática Nacional, a resistência popular se fortalece e obriga o regime racista a negociar uma transição. A campanha mundial para a libertação de Mandela atinge seu auge.

No final dos anos 80, iniciam-se as negociações, e em 1990 Mandela é libertado. Nos comícios que reuniam multidões, o líder da Revolução Democrática Nacional gritava “Amandla!” (Poder!), e o povo respondia “Awethu!” (Para o povo!).

Em 1991, Mandela, eleito presidente do CNA, visita o Brasil, e em São Paulo recebe o título de Cidadão Paulistano do então vereador comunista Vital Nolasco. Nesta mesma viagem ao nosso país foi a Salvador, Bahia, onde foi recebido com carinho e festa. Mais de 150 mil pessoas se concentraram na Praça Castro Alves para ouvir sua mensagem.

A transição avança e, em 1994, Mandela é eleito com 62% dos votos presidente da África do Sul. Instala a Comissão da Verdade e da Reconciliação, e governa o país de acordo com as novas condições históricas de defensiva estratégica das forças socialistas e revolucionárias. Se revelou um grande estadista que usou a força de sua liderança para uma unir uma nação dividida pelo ódio racial e a enorme desigualdade social. Em 1996, é aprovada a nova Constituição de conteúdo democrático e patriótico, fato que representou uma grande vitória contra o “apartheid”. Desde 1999 o CNA elege os presidentes do país, primeiro Thabo Mbeki e atualmente Jacob Zuma, que foi anteriormente importante dirigente do Partido Comunista Sul-Africano e até hoje um grande aliado dos comunistas.

A maestria e a genialidade de Nelson Mandela, a sua bravura e inteligência política, a sua convicção e paciência revolucionárias, a sua sábia e heroica atuação na resistência de acordo com as condições concretas de cada momento, são atributos que também podem ser conferidos ao povo sul-africano.

Nelson Mandela é um fruto desse povo, filho dessa gente que sangrou e sofreu – e muito – para conseguir sua liberdade. Diríamos mesmo que é o fundador da nova Nação sul-africana.

Portanto, homenagear Nelson Mandela é, para os comunistas brasileiros, homenagear a consciência e a capacidade de luta e de resistência dos trabalhadores e do povo sul-africano. Homenagear Nelson Mandela é homenagear todos os militantes e dirigentes da Aliança Tripartite que governa hoje a África do Sul com uma orientação patriótica e progressista.

Concluímos reafirmando: Nelson Mandela foi um dos maiores líderes populares do século XX, um exemplo inesquecível de revolucionário e de estadista, fonte de inspiração para novas vitórias libertadoras.

São Paulo, 6 de dezembro de 2013

Renato Rabelo – Presidente Nacional do PCdoB
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Mandela contra a escravidão


Por Emir Sader, no sítio Carta Maior:

A escravidão foi o maior crime de lesa humanidade cometido ao longo de toda a história humana. Tirar milhões de africanos dos seus países, do seu mundo, da sua família, para trazê-los para a América, para trabalhar como escravos, como “raça inferior”, produzindo riquezas para os brancos europeus foi um crime incomensurável, do qual nunca se compensou, sequer minimamente, a África.

O “apartheid” foi uma sobrevivência da escravidão na África do Sul. Como relata o Museu do Apartheid, em Joanesburgo, impressionante testemunho do mundo do racismo, os brancos consideravam essa politica uma “genial arquitetura” para conseguir a convivência entre brancos e negros. Nas mais escandalosas condições de discriminação, de racismo, de opressão.

Por detrás estava a super exploração da mão de obra negra nas minas sul-africanas, fornecedor essencial para os países europeus, sob comando da Holanda. As pessoas eram legalmente declaradas brancas ou negras, com todas as consequências de direitos para uns e exclusão de direitos para os outros. Uma declaração da qual se poderia apelar todos os anos, mas que, ao mesmo tempo, se corria o risco de alguém questionar a condição de branco de qualquer outra pessoa, que poderia recair na condição de negro.

O cinismo das potências coloniais e dos próprios EUA estava na postura de não aderir ao boicote à África do Sul, alegando que isso isolaria ainda mais esse pais e dificultaria negociações politicas. Na verdade, a África do Sul do apartheid era um grande aliado dos EUA – junto com Israel – em todos os conflitos internacionais, além de fornecedor de matérias primas estratégicas.

Não foi essa via de negociações que o apartheid terminou, mas pela luta, conduzida por Nelson Mandel, mesmo de dentro da cárcere, por 27 anos. Como reconheceu o próprio Mandela, o país que desde o começo apoiou ativamente, sem hesitação, a luta dos sul-africanos foi a Cuba de Fidel, o que forjou entre os dois lideres uma relação de amizade e companheirismo permanente.

A libertação de Mandela, o fim do apartheid e sua eleição como o primeiro presidente negro da África do Sul, foram a conclusão de décadas de lutas, de massacres, de prisões, de sacrifícios. Mandela aceitou ser eleito presidente, para concluir esse longo caminho, com a consciência de que estava longa de ser conseguida a emancipação dos sul-africanos. O país manteve a mesma inserção no sistema econômico mundial, as estruturas capitalistas de dominação não foram atingidas. A desigualdade racial foi profundamente afetada, mas não as desigualdades sociais.

Por esta via, os negros sul-africanos continuaram a ser vítimas, agora da pobreza, que os segue afetando de maneira concentrada. Os governos posteriores foram impotentes para mudar o modelo econômico e promover os direitos sociais da massa da população. Os ideias de Mandela se realizaram, com o fim do apartheid, da discriminação racial legalmente explicitada, mas não permitiu aos negros saírem da sua condição de massa super-explorada, discriminada, agora socialmente.

Mas a figura de Mandela permanece como a do maior líder popular africano, porque tocou no tema essencial de todo o período histórico da colonização – a escravidão. Ele soube combinar a resistência pacifica e violenta, para canalizar a força acumulada dentro e fora do país, para negociações que terminaram com o apartheid.

O historiador marxista britânico Perry Anderson considera Nelson Mandela e Lula como os maiores líderes populares do mundo contemporâneo, não apenas pelo sucesso das lutas a que eles se dedicaram – contra a discriminação racial e contra a fome -, mas também porque tocam em temas fundamentais das formas de exploração e de opressão do capitalismo. O apartheid terminou, fazendo com que Mandela ficasse como um dos maiores lideres do século XX. Lula projeta sua figura no novo século, na medida em que a sobrevivência do capitalismo e do neocolonialismo reproduzem a fome e a miséria no mundo.
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Manuela D'Ávila depena tucano machista

http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/
Por Renato Rovai, em seu blog:

O vídeo abaixo é uma resposta da deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) a uma grosseria machista do deputado Duarte Nogueira, ruralista e líder da bancada do PSDB. Na ida do ministro José Eduardo Cardozo à Câmara dos Deputados para tratar do cartel que envolve o governo de São Paulo, Siemens e Alston, o tucano insinuou que Manuela teria referendado a fala de Cardozo porque, segundo ele, “o coração tem razões, que a própria razão desconhece”.

Ou seja, desqualificou a posição da deputada pelo fato de ela ser ex-namorada do ministro. Manuela foi a tribuna e fez um discurso histórico contra o machismo escroto de tipos como Duarte Nogueira. Foi algo semelhante ao troco dado por Dilma ao senador Agripino Maia, quando este disse que se Dilma mentia na ditadura também poderia estar mentido ali na Câmara em seu depoimento.

É um vídeo para ser amplamente divulgado. O mínimo que se pode dizer é que o deputado Duarte Nogueira foi depenado por uma mulher, jovem e corajosa. Para um tipo machista como ele, não deve ser nada fácil. Não deixe de assistir.

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