Globo persegue Dirceu, mantém o linchamento público e evita ir à Suíça tucana

Por Davis Sena Filho – Blog Palavra Livre



O ex-ministro da Casa Civil e político histórico do PT, José Dirceu, continua em sua via crucis mesmo depois de condenado à prisão. Dirceu precisa trabalhar para diminuir sua pena. Qualquer preso em regime aberto ou semiaberto necessita do trabalho para se ocupar e ser reintegrado à sociedade.
Trata-se de um direito previsto em Lei e mesmo assim os magnatas bilionários donos da imprensa venal continuam a perseguir o petista, de forma infame e covarde ao fazer de tudo para impedir que José Dirceu consiga um emprego e, consequentemente, passe a gastar seu tempo a executar algum serviço laboral, no caso dele assumir um posto de gerente no Hotel Saint Peter.
O problema do militante do PT é que ele é alvo dos jornalistas pagos pelos barões da imprensa comercial e privada. As principais redações enviaram repórteres ao Panamá porque descobriam que a empresa de hotelaria foi comprada por intermédio de um laranja em uma operação classificada como ilícita.
Agora, vamos à pergunta que teima em não se calar: o que o líder petista tem a ver com isso? Respondo: Nada! Contudo, os verdugos da imprensa de negócios privados continuam em seus périplos de terror, com a finalidade de prejudicar José Dirceu e para isso fazem ilações maldosas, “reportagens” maledicentes, que induzem as pessoas a pensar mal do petista e torcer para que algum juiz conservador do STF impeça o político socialista de sair da prisão para trabalhar e, por conseguinte, diminuir sua pena.
A imprensa burguesa é infame e sua infâmia a leva, inexoravelmente, ao descrédito e à total desconfiança de milhões de brasileiros que há muito tempo desconfiam do jornalismo meramente declaratório e de apelo escandaloso de uma imprensa mercantilista que somente pensa em seus negócios financeiros e que não tem compromissos quaisquer com a Nação brasileira.
Se José Dirceu não conseguir ser contratado, vai ter de ficar encarcerado, porque vai ser impedido de sair, pois o regime semiaberto não permite que a pessoa saia sem ter sido contratada para trabalhar. Com a perseguição da imprensa corporativa, as empresas vão ter medo de contratar alguém que é seu alvo, pois os empresários não querem ter seus negócios de devassados, de forma impiedosa e sem o mínimo cuidado com a realidade dos fatos.
A Rede Globo enviou uma equipe para o Panamá, porque um dos sócios do hotel é de lá. E aí sabe como é que é, né? José Dirceu quer um emprego em tal hotel... E daí? Enquanto isso os escândalos do trensalão e do metrosalão tucanos de mais de R$ 1 bilhão, “o maior propinoduto da história do País”, poderiam alardear as manchetes dos jornais da velha imprensa, o que, seguramente, os bárbaros não vão fazer.
Escândalos de corrupção que tramitam no Judiciário suíço, pois denunciados por empregados das multinacionais da Alstom e da Siemens e investigados pelo Ministério Público Federal da Suíça não mereceram uma viagem dos repórteres da Globo ao país alpino, pois o que interessa ao Jornal Nacional é o Panamá, fato este que tem a intenção de atingir José Dirceu e por tabela o governo popular de Dilma Rousseff, o PT “e tudo o que está aí”, como afirmavam, de forma alienada mas perversa, muitos dos coxinhas reacionários que foram às ruas em junho, sem, no entanto, saber pontualmente por que estavam a protestar, por falta de pauta, de conhecimento das realidades brasileiras, porém, com a certeza de compreender que são por índole e instinto politicamente conservadores.
O Ministério Público anunciou há dois dias que houve superfaturamento de R$ 1 bilhão em reformas de trens em São Paulo na administração de José Serra. A verdade é que se houvesse uma devassa nas contas públicas nos últimos 20 anos de administrações do PSDB em São Paulo, os valores seriam inimagináveis, porque somente se fala em bilhões quando se trata das investigações efetivadas pelo MP. E a Globo se cala, pois cúmplice e irmã siamesa dos tucanos paulistas. Por sua vez, quando se trata de José Dirceu e do PT... 

Não há cego que não enxergue tão grande patifaria midiática; não há surdo que não ouça sobre os escândalos de corrupção bilionários dos tucanos; e não há mudo que não fale sobre esses casos. Não adianta esconder o sol com a peneira, porque quando começar o horário político eleitoral em 2014, o PT vai tratar desses assuntos.
Temas que vão ser abordados de forma direta com o cidadão eleitor, que vai ouvir outras versões, pois que até agora a versão que é difundida e repercutida é a da mídia historicamente golpista, que censura e esconde os crimes dos tucanos e, por seu turno, alimenta uma campanha sistemática e intermitente contra o PT, os presidentes trabalhistas, os governos populares e o programa de governo que incluiu mais de 50 milhões de brasileiros.
Por que a imprensa de mercado trata diferente o cartel tucano e a AP 470?  Todo mundo sabe disso, até os que votam no PSDB. O que está a acontecer no Brasil em plena vigência do estado democrático de direito é a intromissão nada republicana do sistema midiático privado na vida brasileira, no que diz respeito à soberania das instituições e à desconstrução das imagens dos políticos eleitos legalmente e constitucionalmente pelo povo brasileiro.
A imprensa empresarial, juntamente com o STF e a PGR, quer pautar a agenda governamental e governar no lugar dos presidentes eleitos, ainda mais quando os mandatários que estão no poder são trabalhistas e de esquerda. Esses fatos e realidades acontecem com as lideranças políticas em toda a América Latina. Basta não abaixar a cabeça para o establishment. José Dirceu tem direito ao semiaberto, e, portanto, tem de ter acesso ao trabalho, apesar de a Globo fugir da Suíça como o diabo foge da cruz. É isso aí.
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Do Blog O TERROR DO NORDESTE.

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Nelson Mandela e Fidel Castro

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Homenagem ao guerreiro Mandela

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Homenagem a Nelson Mandela [2]

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As novas demandas do sindicalismo [3]

Por Altamiro Borges

Na fase atual, o sindicalismo ainda procura jogar um papel mais protagonista na mobilização, conscientização e organização dos trabalhadores. A vitória de Dilma Rousseff em outubro de 2010 não alterou substancialmente a correlação de forças no país. A presidenta dá continuidade, com alguns ajustes, ao ciclo político inaugurado por Lula. As forças neoliberais perderam influência no terreno partidário-eleitoral, com a desintegração do DEM e a crise do PSDB, mas ainda tem poderosos instrumentos de pressão na sociedade – principalmente através do capital financeiro e da mídia privada, hoje o principal partido da direita nativa.


Os avanços políticos e sociais conquistados nos últimos dez anos foram significativos, mas insuficientes. Os protestos de rua deflagrados a partir de junho evidenciam que a sociedade quer mais – ela deseja mudanças estruturais no país. As manifestações juvenis exigiram mais saúde, educação, mobilidade urbana e mais democracia, contra o poder corruptor dos ricos. Os setores de direita, inclusive de cunho fascista, tentaram capturar os protestos de rua e manipular a sua pauta. Não conseguiram total êxito, mas não desistiram do seu projeto.

Já o sindicalismo não fugiu das ruas e também tentou emplacar suas justas demandas. Dois protestos unitários foram organizados pelas centrais sindicais na luta pela pauta trabalhista – redução da jornada de trabalho sem perda salarial, fim do fator previdenciário, contra o projeto que amplia a nefasta terceirização, entre outros itens. Já em setembro, importantes greves foram deflagradas – como a paralisação nacional dos bancários e a mobilização dos petroleiros contra os leilões do pré-sal.

Os rumos do Brasil estão em disputa – o que deverá se acirrar ainda mais em 2014, ano de novas eleições presidenciais. Neste contexto, o sindicalismo tem importante papel a desempenhar. As ruas demonstraram que é urgente avançar nas mudanças – superando os entraves neoliberais e viabilizando as reformas estruturais. Ao mesmo tempo, é preciso evitar qualquer risco de retrocesso político. No terreno propriamente trabalhista, os perigos também são grandes. Sob o argumento da crise capitalista mundial, as entidades patronais persistem na defesa de medidas contrárias aos anseios dos trabalhadores. Vários projetos de lei em debate no Congresso Nacional visam retirar direitos trabalhistas, com o que amplia a terceirização.

Neste processo de retomada da sua organização e da capacidade de mobilização, após a avalanche do neoliberalismo, o movimento sindical tem inúmeros desafios pela frente. Entre outros, ele precisa intensificar e aperfeiçoar a sua relação com a juventude, que possui novas demandas, anseios e linguagens. O mundo do trabalho passa por intensas alterações. Os jovens ocupam cada vez mais espaços nas empresas. Eles desconhecem a história das conquistas trabalhistas, não possuem cultura sindical e muitos são formados numa visão individualista, tecnicista. A forma de se comunicar com a juventude exige mudanças de comportamento, mais criatividade e audácia na atuação sindical.

Outros dois grandes desafios da atualidade são os da formação e da comunicação. O processo de renovação das lideranças é muito lento no Brasil, o que decorre, entre outros fatores, dos retrocessos dos tempos neoliberais. É urgente investir na formação para reciclar os dirigentes com certa experiência e para formar novos líderes. Para avançar nas lutas é necessário aumentar o time de lutadores organizados e formados. A luta de ideias na sociedade hoje é bem mais complexa e difícil. As empresas adotam técnicas de gerenciamento que visam cooptar os trabalhadores, estimular a concorrência no seio da própria classe e afastá-los dos sindicatos. Já a mídia privada estimula o individualismo e consumismo, que também dificulta a ação organizada dos trabalhadores.

Além de priorizar a formação, os sindicatos necessitam apostar a comunicação, investindo mais no setor, apropriando-se das novas ferramentas (como a internet) e aprimorando sua linguagem. Sem formação e comunicação dificilmente o sindicalismo conseguirá superar as dificuldades atuais para mobilizar, conscientizar e organizar a classe dos trabalhadores.

Por último, entre os desafios da atualidade, cabe destacar a importância da unidade. O Brasil possui mais de 13 mil sindicatos e nove centrais sindicais – cinco delas legalizadas. As batalhas de cada categoria por seus direitos cumprem importante papel, mas são insuficientes para promover mudanças mais profundas no país e para garantir maiores conquistas para o conjunto da classe. É urgente superar a fragmentação e a atomização das nossas lutas. É preciso, ainda, superar as divisões no nosso campo. Só a unidade de classe dos trabalhadores, respeitando sua pluralidade e diversidade, é que garantirá os avanços necessários no enfrentamento da barbárie capitalista e na construção dos caminhos para a emancipação, para o socialismo!

* Texto elaborado para o congresso do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo (Sintaema).
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Leia também:
- A crise capitalista e os trabalhadores [1]

- A crise capitalista e os trabalhadores [2]

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