O "soldado do Serra" na TV Cultura

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Por Igor Carvalho, na revista Fórum:

O deputado estadual João Paulo Rillo (PT) irá questionar a Fundação Padre Anchieta sobre a indicação do jornalista e colunista de Veja, Augusto Nunes, para o comando do Roda Viva. De acordo com o parlamentar, o apresentador é “um soldado de José Serra” no programa.
O Roda Viva é comandado por Augusto Nunes desde o dia 26 de agosto, ocasião em que o jurista Miguel Reale Jr. foi entrevistado a respeito dos os embargos infringentes e os meandros da AP 470.

Para Rillo, desde que Nunes se tornou apresentador do Roda Viva, ficou clara a guinada do programa. “Ele tem um lado, até aí tudo bem, todos temos. Porém, o sujeito faz questão de demonstrar esse lado, e de forma violenta. Ele é tucano e todo mundo sabe disso.”

O deputado demonstrou irritação ao falar sobre a edição da última segunda-feira (2), na qual o músico Lobão foi entrevistado. “A gota d’água é levar esse sujeito [Lobão] que precisa ser tratado urgentemente. Ele sofre da Síndrome de Estocolmo, se apaixonou por quem o prendeu. Não tenho a menor dúvida que a ida do Lobão ao programa foi pensada e organizada pelo Augusto Nunes, ele é o antijornalista e antipetista”.

Rillo pretende questionar a Fundação até que Nunes seja removido da função. “Vou usar todas as ferramentas que meu cargo me permite utilizar para tirar esse sujeito de lá. O Roda Viva, que é um programa importante, não pode continuar sendo um programa do PSDB.”
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Dirceu e a indignação seletiva do JN

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Por Nelson Ferraz, no blog Diário do Centro do Mundo:

O Jornal Nacional foi ao Panamá e dedicou uma reportagem de 6 minutos - uma enormidade em termos de televisão - ao escândalo do dia: a estrutura societária do hotel que cometeu a ousadia de oferecer um emprego a José Dirceu.

Seguindo o conhecido script, o senador tucano Álvaro Dias (PSDB/PR) foi ao plenário repercutir a matéria, dizendo que “o Jornal Nacional fez uma denúncia da maior gravidade, desenhando os caminhos da ilegalidade que levam esse empreendimento hoteleiro a uma arapuca no Panamá”; o que certamente será repercutido pela mídia num processo de auto-referência.

Se esta é uma denúncia da “maior gravidade”, o que podemos dizer do helicóptero de um aliado de Aécio, apreendido com 445 quilos de cocaína? Ou o “mensalão” tucano, mais antigo do que o petista, e que ainda não foi julgado? Ou a acusação - ou melhor, confissão - de propinas pagas nas licitações do metrô de São Paulo?

Nada disso recebeu atenção equivalente da Globo, o que demonstra uma das formas mais insidiosas de manipulação na mídia brasileira: “agenda-setting” - a capacidade da mídia de ditar o que é ou não relevante na agenda de discussão pública.

“The media doesn’t tell us what to think, but what to think about.”

(“A mídia não nos diz o que pensar, mas sobre o que pensar”)

Se a imprensa é um espelho do que se passa numa sociedade, a imprensa brasileira é um espelho deformado; e tão revelador quanto o que ela mostra, é o que esconde, revelando quem manipula o espelho - aquele que nunca aparece em seu reflexo.
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Globo não mandou ninguém à Suíça

Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:

O escândalo dos trens paulistas acontece há meses. Há confissões, documentos, auditorias, investigações já prontas feitas em outros países. Não há nenhuma necessidade de se apelar para “domínio do fato”, ou condenar alguém porque “assim a literatura me permite”. No entanto, a Globo, e nenhum outro órgão de imprensa, mandou ninguém à Suíça, onde acontecem as principais investigações sobre as empresas Siemens e Alstom.

Entretanto, foi só alguém descobrir que um sócio do hotel onde Dirceu vai trabalhar é do Panamá que a Globo mandou uma equipe para lá e, no dia seguinte, exibiu reportagem no Jornal Nacional.

Dirceu não tem nada a ver com os proprietários do hotel, quanto mais com os sócios do Panamá. Ele só vai trabalhar no estabelecimento, como poderia trabalhar em qualquer outro. Ele precisa trabalhar em algum lugar para reduzir a sua pena, e, como se viu, qualquer empresa que o empregar sofre risco de ser devassada impiedosamente pela mídia.

Ontem, ficamos sabendo que o Ministério Público descobriu que somente uma reforma de trens paulistas, durante a gestão Serra, superfaturou R$ 1 bilhão…

E a Suíça continua lá, intocada por repórteres brasileiros. Se o Dirceu fosse trabalhar numa firma onde houvesse um sócio com 0,1% das ações morando na Suíça, já haveria um batalhão de jornalistas investigativos desembarcando em Zurique.

Como não tem, o Panamá é mais interessante…
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O objetivo único da 'grande imprensa'

Por Cadu Amaral, em seu blog:

Com mais repeteco do que cantiga de grilo, a campanha para criminalizar o PT segue a todo vapor na “grande imprensa”. Não que isso tenha dado à direita brasileira resultados eleitorais, mas vale, no caso, a lógica da natureza do escorpião.

O tratamento dispensado é o da ocultação total das falcatruas do PSDB e lentes de aumento em qualquer coisa que possa ter relação, mesmo com milhas de distância, do PT.


Assis Chateaubriand realmente fez escola. É dele a máxima de que “quem quiser imprensa livre que compre a sua”. Vejam só, o hotel Saint Peter, em Brasília, é de propriedade de uma empresa estrangeira, do Panamá, conforme o Jornal Nacional. E tem um laranja como dono. Como se essa fosse a única empresa no Brasil a adotar laranjas como proprietários legais.

Todo esse barulho por que é nesse hotel que José Dirceu solicitou permissão para trabalhar.

Não há, nem mesmo na matéria do JN, qualquer relação entre Dirceu e a empresa que administra o hotel. Será que o Saint Peter é a única empresa que tem laranjas como proprietários? Se couber, por se tratar de empresa sediada em outro país, a situação do hotel deve ser apurada pela Receita Federal ou pela Polícia Federal.

Será que todos que trabalham em empresas que usam laranjas para encobrir os verdadeiros donos têm envolvimento com tal prática?

O que tem mais importância jornalística, isso ou a quase meia tonelada de pasta base de cocaína em um helicóptero da família de um senador da república?

O que vale mais jornalisticamente, mais um laranja em um hotel ou um esquema de que circunda o valor de um bilhão de reais no metrô em São Paulo?

O que vale mais, um laranja em uma empresa estrangeira no Brasil ou o “esquecimento” de julgar o esquema de caixa dois do PSDB em Minas Gerais, com dinheiro público, da CEMIG (Companhia Energética de Minas Gerais), onde figuras como o Filho do FHC e Gilmar Mendes aparecem na lista de beneficiários do esquema?

O que vale mais, mais um laranja em uma empresa ou a filha do Serra, Verônica, em conjunto com Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil, comprarem 20% de uma empresa de sorvete, no valor de R$ 100 milhões sendo que o lucro dessa empresa é de R$ 30 milhões?

O que vale mais jornalisticamente, isso ou o fato do ex-senador e mosqueteiro da ética de Veja, Demóstenes Torres, após ter comprovado seu envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, está aposentado pelo Ministério público? Torres recebe R$ 22 mil de salário.

O que vale mais, o laranja do hotel ou Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), comprar um apartamento de um milhão de dólares através de uma empresa off shore, lotada em seu apartamento funcional por apenas dez dólares?

Lembrando que a condição de Barbosa não permite que ele seja dono de empresas.

O que vale mais, mais um laranja em empresas no Brasil ou a sonegação fiscal das Organizações Globo que, corrigidas, chegam à casa dos bilhões de reais?

O que vale mais, mais um caso de uso de laranjas em empresas ou a condição do banqueiro Daniel Dantas. Preso na Operação Satiagraha da Polícia Federal por lavagem de dinheiro, desvio de verbas públicas?

A PF apreendeu no apartamento do banqueiro Daniel Dantas, documentos que comprovam o pagamento de propinas a políticos, juízes e jornalistas no valor de 18 milhões de reais.

Sabe o que vale mais para a nossa autoproclamada “grande imprensa”? Criminalizar a esquerda, o trabalhismo. Sempre foi assim. Houve a vez do partido comunista, do Getúlio, Jango e Brizola. Agora é a vez do PT e seus expoentes, seus aliados pontuais e programáticos.

Pior é que tem gente que se diz de esquerda que parece dar boa noite ao William Bonner ao término do Jornal Nacional.
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Primeiro balanço de 2013: ano cinzento

Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho:

Pedem-me para fazer um primeiro balanço do ano com os cinco fatos que, na minha opinião, foram os mais importantes de 2013. Em resumo, se o país fosse uma escola, diria que passamos o ano raspando, com média cinco, e olhe lá. Não há muito o que comemorar. Para mim, não foi bom nem ruim, nem preto nem branco, mas cinzento, com todos aqueles 50 tons do livro de sucesso.

Vou deixar as questões econômicas, esportivas e culturais para quem é do ramo e me ater aos temas tratados neste Balaio, que completou em setembro cinco anos no ar, juntando novos leitores aos fiéis comentaristas que me acompanham desde o começo. Aos fatos:

Protestos de junho: tudo começou com as tradicionais manifestações do Movimento Passe Livre na avenida Paulista sempre que a prefeitura aumenta as tarifas das passagens de ônibus. O movimento cresceu e se espalhou pelo resto do país quando, depois de alguns dias, a PM paulista resolveu soltar bombas e descer o cacete em todo mundo. Logo seria cancelado o reajuste das tarifas, que voltaram a R$ 3,00, mas surgiram dezenas de outras reivindicações, a partir do slogan "Não é só pelos 20 centavos", o valor no aumento das passagens. Por que era, então?

Até hoje não sei direito quem estava por trás ou na frente desta explosão de descontentamento, apresentado como espontâneo e que logo degenerou em vandalismo, com o surgimento dos tais black blocs mascarados. Notícia publicada pela Folha nesta quinta-feira dá pelo menos algumas indicações sobre os personagens daquele que foi chamado pela imprensa como o maior movimento de massas no país desde o impeachment de Fernando Collor. Chegaram a escrever até que o país nunca mais seria o mesmo.

Seis meses depois, ficamos sabendo que a polícia indiciou 116 pessoas acusadas de crimes como furto, associação criminosa e dano ao patrimônio. O jornal informa que a maioria dos detidos é homem, jovens entre 18 e 24 anos e tem escolaridade acima da média brasileira: 59% deles tinham segundo grau completo e um terço das pessoas levadas a delegacias chegaram a cursar faculdade.

Assim como surgiu, o movimento desapareceu de repente com o começo das férias de julho, restando alguns protestos isolados, com pouca gente, que perduram até hoje, interditando ruas e avenidas, e infernizando a vida de quem precisa circular pelas nossas metrópoles.

Julgamento do mensalão: este é um assunto que vem de agosto do ano passado, atravessou 2013 de ponta a ponta e parece ainda longe de sair de cartaz. Pela primeira vez na história política do nosso país, importantes dirigentes políticos, principalmente do PT, entre eles José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, foram julgados, condenados e mandados para a prisão. Segundo as pesquisas, a maioria dos brasileiros, inclusive os que se declaram petistas, apoiou as decisões do Supremo Tribunal Federal. Depois de intensa campanha pela condenação, a grande mídia soltou fogos.

Com quase todos os condenados já presos, o que ainda se discutirá no ano que vem é o regime de prisão, se fechado ou semiaberto, a depender do julgamento dos embargos infringentes. Tanto a presidente Dilma como seu antecessor Lula procuraram se manter à distância do julgamento, mas a cúpula do PT está preparando um ato de desagravo aos condenados pelo STF durante o 5º Congresso Nacional, na próxima semana, em Brasília.

Leilão do pré-sal: depois de muita polêmica, o governo federal conseguiu realizar em 2013 o primeiro grande leilão do pré-sal, vencido por um consórcio formado por cinco empresas nacionais e estrangeiras, o único que participou da disputa. Foi, certamente, o fato mais importante do ano para o futuro da economia brasileira, mas os primeiros resultados ainda vão demorar a aparecer, da mesma forma como as recentes concessões em áreas de infraestrutura, como portos, aeroportos e estradas.

O tesouro submarino comemorado pelo governo Dilma acabou sendo também a principal razão da ciclópica falência do ex-bilionário Eike Batista, que viu sua fortuna derreter em 2013 ao passar anos vendendo vento e não entregar petróleo.

Eduardo & Marina: na cena partidária, o mais importante e surpreendente lance com vistas às eleições presidenciais do próximo ano certamente foi dado pelo casamento do presidenciável pernambucano Eduardo Campos, do PSB, com a ex-verde e ex-petista Marina Silva, que não conseguiu emplacar a sua Rede Sustentatiblidade.

A princípio, porém, a inesperada aliança acabou provocando mais barulho, com os dois ocupando generosos espaços na mídia, que continua em busca de uma candidatura viável, do que calor nas pesquisas. Logo surgiram as primeiras divergências entre socialistas e marinistas em torno do programa e das alianças, e os dois acharam melhor deixar para março de 2014 o anúncio de quem será o candidato a presidente. Embora atrás de Marina nas pesquisas, ninguém acredita que Eduardo Campos abrirá mão da vaga.

Mais Médicos: o principal fato novo na administração federal, que vinha apenas dando continuidade aos programas sociais implantados por Lula, foi a criação do Mais Médicos, única resposta concreta às demandas surgidas durante os protestos de junho.

Como a maioria dos médicos brasileiros não se interessou em tratar de pacientes carentes nos fundões e nas periferias do Brasil, o governo viu-se na necessidade de importar mão de obra estrangeira, o que provocou uma enorme polêmica ideológica, já que o principal contingente era formado por profissionais cubanos.

O fato é que muitas cidades brasileiras, especialmente do norte e nordeste, antes totalmente desassistidas, contam agora com pelo menos um médico para atender às suas populações. Foi uma vitória do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que já está em campanha para governador de São Paulo, e uma das razões para a recuperação dos índices de popularidade da presidente Dilma Rousseff nas pesquisas.

Feliz 2014!
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