Ruas exigem avanços no Brasil [2]

Foto: Igor Carvalho
Por Altamiro Borges

Os efeitos políticos da “jornada de junho” ainda demandarão tempo para serem mensurados. Da parte do governo, a presidenta Dilma Rousseff reagiu com certa rapidez e propôs medidas concretas para atender o “clamor das ruas”. Diferentemente do reinado neoliberal de FHC, que acionou as tropas do Exército contra a greve dos petroleiros e nunca dialogou com os movimentos sociais, o Palácio do Planalto adotou uma postura democrática ao respeitar os protestos de rua e ao convocar as entidades populares – como as centrais sindicais, o MPL, o MST e a UNE – para o diálogo.

Algumas medidas foram colocadas em prática, como o programa “Mais Médicos”, que objetiva melhorar o atendimento à saúde nas regiões mais carentes do país e gerou forte reação das elites e da sua mídia privatista. Outras estão empacadas, como a proposta da reforma política com o fim do financiamento privado das campanhas eleitorais, que esbarrou na resistência dos partidos fisiológicos que são maioria no Congresso Nacional. Estas iniciativas do governo inclusive tiveram reflexo nas pesquisas de opinião pública, com a tímida recuperação da popularidade da presidenta.

Já da parte da oposição demotucana, a “jornada de junho” serviu para evidenciar a ausência de propostas destes setores e seu caráter conservador, contrário aos interesses dos trabalhadores. PSDB, DEM e outras siglas de aluguel, que tentaram pegar carona nas manifestações de rua, não colheram os frutos eleitorais desejados e estão divididas e sem perspectivas. Direitistas e rancorosos, estes partidos até hoje não entenderam as mudanças ocorridas a partir da eleição do ex-líder sindical Lula, que iniciou novo um ciclo político no país, com seus avanços e limitações.

Olhando pelo retrovisor é fácil constatar que o Brasil passou por sensíveis mudanças nos últimos dez anos. Só o partidarismo sectário não enxerga os avanços, mesmo que tímidos. No triste período de FHC, o país afundou na crise econômica e ficou três vezes de joelho para o Fundo Monetário Internacional (FMI). O desemprego bateu recordes, vitimando milhões de trabalhadores; o arrocho salarial ampliou o fosso social entre a minoria abastada e a maioria explorada; os direitos trabalhistas foram surrupiados, com o aumento da precarização no trabalho. Como o projeto neoliberal não combina com democracia, os movimentos sociais foram tratados com descaso e repressão.

A vitória de Lula, em 2002, inicia um novo ciclo politico no país, de enfrentamento moderado às chagas neoliberais. O histórico acordo firmado pelo governo Lula com as centrais sindicais de valorização do salário mínimo e a adoção de vários programas sociais, com destaque para o Bolsa Família, impulsionaram o mercado interno de consumo, o que resultou em mais produção, mais empregos e melhores salários. No final do governo FHC, o salário mínimo equivalia apenas a 78 dólares; atualmente, ele vale cerca de 300 dólares. O governo tucano foi responsável por mais de 12 milhões de desempregados no país; já os dois mandatos de Lula geraram cerca de 17 milhões de vagas e a presidenta Dilma, apesar do agravamento da crise capitalista mundial, tem mantido os índices de geração de emprego, embora num ritmo mais lento.

Com a redução do desemprego, cresceu o poder de barganha dos trabalhadores e 97% das categorias pesquisadas pelo Dieese tiveram aumento real de salário em 2012. Através dos programas de transferência de renda, mais de 40 milhões de brasileiros, que antes vegetavam na pobreza absoluta, hoje têm acesso a produtos básicos de consumo. O projeto de desenvolvimento nacional com inclusão social, que dá os primeiros passos no enfrentamento do neoliberalismo, é uma marca dos governos Lula e Dilma, com todas suas insuficiências e erros. Somado a outras medidas – como o fortalecimento dos bancos públicos e o aumento das linhas de crédito –, este projeto de desenvolvimento permitiu que o Brasil se tornasse a quinta maior economia do mundo – na gestão de FHC o país despencou de sétimo para 10º lugar no ranking mundial.

Além destes avanços sociais e econômicos, o Brasil destes dez últimos anos teve outras duas marcas distintivas. A primeira foi a da relação mais transparente e democrática com a sociedade. Na gestão de FHC, os casos de corrupção eram engavetados pela Justiça e acobertados pela mídia venal, como comprovam dois livros recém-lançados – “A privataria tucana”, do premiado jornalista Amaury Ribeiro Jr., e “O príncipe da privataria”, do repórter Palmério Dória. Atualmente, o Judiciário tem maior autonomia e outros órgãos de fiscalização, como a Polícia Federal e o Ministério Público, agem livremente na apuração das denúncias de desvios dos recursos públicos.

Os governos Lula e Dilma também fortaleceram os mecanismos democráticos de participação da sociedade. No triste reinado dos tucanos, os movimentos sociais eram tratados como “caso de polícia”, sendo alvos de criminalização e feroz repressão. Atualmente, existem vários mecanismos de consulta à sociedade, como as conferências e os conselhos temáticos, que reúnem milhares de participantes. Com os espaços democráticos abertos na esfera federal, o sindicalismo brasileiro passou a ocupar um papel mais protagonista, como interlocutor das mudanças no país – como nos acordos históricos da valorização do salário militar e da extensão dos direitos trabalhistas às empregadas domésticas. Após mais de 60 anos, as centrais sindicais finalmente foram reconhecidas legalmente na gestão do ex-presidente Lula.

Outra mudança significativa se deu na política externa. No reinado de FHC, o país caminhava para se tornar uma neocolônia dos EUA, com a imposição da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e a cessão da base de Alcântara (MA) para os militaristas ianques. Lula rejeitou o servilismo diante do império e o Itamaraty passou a adotar uma política externa mais ativa e altiva, em defesa da soberania nacional e da integração da América Latina. O Brasil apostou no fortalecimento do Mercosul, na criação da Unasul e da Celac, na intensificação do comércio Sul-Sul e na parceira estratégicas com os países dos Brics. Hoje o país é uma nação mais respeitada no cenário mundial. Não é para menos que virou alvo prioritário da espionagem e do terrorismo dos EUA, o império do mal.

* Texto elaborado para o congresso do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo (Sintaema).

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Leia também:

- A crise capitalista e os trabalhadores [1]

- A crise capitalista e os trabalhadores [2]

- A crise capitalista e os trabalhadores [3]

- Ruas exigem avanços no Brasil [1]
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Decadência sem elegância

ÓPERA BUFA NO PANAMÁ 
Leandro Fortes 

Embora tenha visto a matéria do Jornal Nacional pela metade, enquanto zapeava a TV em busca do canal onde passava “The Big Bang Theory”, não posso deixar aqui de fazer o registro:
Este esforço de reportagem da TV Globo para impedir que José Dirceu trabalhe em um hotel de Brasília é uma das coisas mais patéticas que eu, em tantos anos de jornalismo, já vi na televisão. É incrível que ainda haja jornalista disposto a participar de uma encenação como essa, hipócrita, moralista, bem ao nível dessa classe média tristonha que rumina o JN antes da novela das nove.
Como é que uma empresa que sonegou 1 bilhão de reais em impostos do seu próprio País tem a cara de pau de, publicamente, mandar uma equipe ao Panamá para apontar o dedo sujo para os outros?
Por que não gastou esse dinheiro e essa energia moralista de quinta categoria para ir ali, em Minas Gerais, investigar quem são os donos de meia tonelada de cocaína encontrada no helicóptero da família Perrella?
Difícil dizer qual o pior momento da Globo: se quando ela era poderosa e elegia gente como Fernando Collor, ou se agora, decadente, quando nem emplacar gente como José Serra consegue mais.
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A cobertura da mídia

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A sina da oposição: sobrevivência e terrorismo


A oposição não se dará por vencida, e poderá promover um terrorismo político, econômico, moral e midiático jamais visto na política brasileira.
Jeferson Miola, Carta Maior
Depois da incandescência das ruas em junho, análises apressadas pintavam um cenário de terra arrasada para a Dilma. Foi incrível a seletividade de determinados analistas, que alardeavam o pior dos mundos para a Presidenta, mas omitiam que a insatisfação era generalizada e difusa, e abarcava todo o sistema político, a política, os governos e os políticos.

Passado o rescaldo daqueles acontecimentos, sucessivas pesquisas de opinião indicam um ambiente de melhora do desempenho eleitoral de Dilma. Em todas as simulações - de todos os institutos de pesquisa -, a Presidenta ostenta considerável chance de reeleição, inclusive no primeiro turno.

A oposição, entretanto, segue colecionando dificuldades. Para ela, o cenário mais alentador é, curiosamente, aquele no qual figuram as “candidaturas-sombras” de Marina Silva e José Serra. Os até agora “candidatos titulares” Eduardo Campos e Aécio Neves peleiam com seus fantasmas para manterem suas candidaturas, podendo chegar em 2014 menores do que são hoje.

A potencial reeleição de Dilma, que culminaria um ciclo de 16 anos de governos dirigidos pelo PT, levará o reacionarismo capitaneado pelo PSDB, PPS e DEM ao ocaso. Com sua visão de um país arcaico, excludente e colonizado, aqueles partidos perdem a capacidade de interpretação e de aderência ao Brasil contemporâneo. A profecia deles, do “fim da raça”, finalmente terá se realizado; porém, com as setas invertidas – em desfavor deles mesmos.

Nesse contexto, a candidatura do Aécio é tão sólida quanto a chance de se converter em pó. O PSDB, pela primeira vez na trajetória do partido, enfrenta a perspectiva real de uma derrota acachapante no próximo ano. Para os tucanos [mas também para seus satélites PPS e DEM], a eleição de 2014 terá como prioridade a sobrevivência partidária e a preservação dos espaços de poder ameaçados de mudar de guarda.

Não se pode descartar, por isso, a hipótese da candidatura presidencial de José Serra em lugar da de Aécio. Alckmin e Aécio teriam, assim, a função de proteger a jóia da coroa do PSDB: os governos de SP e MG. Aliás, uma tarefa difícil, para quem terá de se explicar sobre escândalos escabrosos: cartel do metrô e o genuíno mensalão.

Adicionalmente, outros dois espectros rondam as eleições. O primeiro, de nome Joaquim Barbosa. Sua candidatura, se confirmada, materializaria eleitoralmente o bloco de poder conformado pela mídia conservadora e setores reacionários do Judiciário. É esse bloco que, na realidade, agenda e articula o combate ideológico ao PT e ao governo Dilma, substituindo os partidos da direita, que estão aos frangalhos e minguando sua audiência na sociedade.

Não existe espaço no Brasil contemporâneo para uma nova farsa do gênero “caçador de marajás”. A Rede Globo não conseguirá converter Joaquim Barbosa em um santo; aliás, um Ministro adepto de manobras fiscais para investir em Miami. O império da família Marinho não conseguirá construir essa nova mitificação da política brasileira, como fez com Fernando Collor em 1989 para derrotar Lula.

A opção Joaquim será calculada não pela aspiração de vitória com ele, mas como variável para levar a eleição para o segundo turno. O contexto proclive para a ocorrência de segundo turno é aquele que apresenta na cédula eleitoral os nomes de Dilma, Serra, Marina e Joaquim. O justiceiro, jacobino, vingativo, exemplar e inexpugnável Barbosa seria um veículo para se tentar barrar a reeleição direta de Dilma.

O outro espectro que ronda a próxima eleição de 2014 atende pelo nome de Lula.
Com considerável insistência é cogitada a candidatura dele em lugar da de Dilma; insinuação que se propaga na base de apoio do governo, nos meios empresariais, no sistema financeiro e junto a setores militantes. Os pretextos são uníssonos, tanto dentro como fora do PT: a heterodoxia econômica e o estilo da Presidenta.

Embora o próprio Lula rechace, essa insinuação paira no ar como uma bruma, fomentada na mídia pelas manjadas “fontes próximas ao ex-Presidente”.

É problemático esse procedimento, porque involuntariamente [ou deliberadamente?] expõe Dilma a tensões conservadoras [e inclusive regressivas] na definição do programa e no perfil do eventual segundo governo. Porém, ao mesmo tempo, não deixa de ser cômodo para o governo – e terrível para a oposição - saber que pode contar com um suplente eleitoralmente insuperável, caso a conjuntura econômica e política degringole.

Hoy por hoy - como se diz em castelhano -, a perspectiva é desalentadora para a oposição conservadora, que vive o dilema de tentar sobreviver enfrentando uma tendência de derrota e de definhamento de sua representação política. A realidade para a direita é tão mais dramática quanto mais evidente é a obsolescência programática e a incapacidade de oferecer uma visão generosa de futuro para um país que, não sem importantes limites e contradições, finalmente passou a ingressar na modernidade.

Devemos nos preparar para uma conjuntura complicada até as eleições de 2014. A oposição não se dará por vencida, e poderá promover um terrorismo político, econômico, moral e midiático jamais visto na política brasileira. Não se pode menosprezar a capacidade de sabotagem, de difusão de ódio e a vilania deles nessa luta derradeira de sobrevivência.
Eles querem sequestrar o Brasil dos brasileiros.”

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Três novas rodovias saem com pedágio 52% menor


Governo federal comemorou nesta manhã o resultado de mais um leilão, agora das rodovias BR 060/153/262 (DF/GO/MG); licitação foi levada pela empresa Triunfo, com deságio de 52%; "Só posso dizer que o governo está feliz pelo andamento e vamos continuar com essa trilha, estimulando projetos atrativos para que tenhamos concorrência", celebrou o ministro dos Transportes, César Borges, que garantiu prioridade nas ferrovias em 2014; houve propostas de cinco grupos na licitação na sede Bovespa, em São Paulo

O governo comemorou na manhã desta quarta-feira 4 o sucesso de mais um leilão de rodovias. A empresa Triunfo Participações e Investimentos foi vitoriosa na licitação promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para a concessão das BRs 060/153/262 (DF/GO/MG), oferecendo deságio de 52%.

Cinco grupos, entre consórcios e empresas, apresentaram propostas e todas as garantias foram classificadas. "Eu só posso dizer que o governo está feliz pelo andamento e vamos continuar com essa trilha, estimulando projetos atrativos para que tenhamos concorrência", celebrou o ministro dos Transportes, César Borges, em discurso após o leilão.

Segundo o ministro, a prioridade do governo agora é licitar ferrovias, importantes, conforme lembrou para o transporte de produtos agropecuários. César Borges anunciou que o plano é realizar leilões para ter parceria com o setor privado nessa área já no primeiro trimestre de 2014.

O vencedor da proposta seria a empresa ou o consórcio que oferecesse a menor tarifa de pedágio, respeitando o teto de R$ 5,94 por 100 quilômetros (km) de rodovia. O trecho licitado tem 1.176,50 km e abrange 47 municípios em três unidades da Federação: Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais. O segundo maior deságio oferecido no leilão foi da Invepar, de 42,13%, seguido pelos ofertados por consórcio da Ecorodovias (41,19%), Queiroz Galvão (37,99%) e CCR (21,41%).

A concessão consiste na exploração, por 30 anos, da infraestrutura e da prestação do serviço público de recuperação, conservação, manutenção, operação, implantação de melhorias e ampliação de capacidade das rodovias. Os investimentos são 7,15 bilhões de reais, de acordo com o edital divulgado pela ANTT.

A vitória da Triunfo no leilão desta quarta-feira ocorreu depois que a companhia perdeu para a Odebrecht Transport a concessão da BR-163 (MT) na semana passada. Participaram da disputa, além da Triunfo, as empresas Invepar, Companhia de Participações em Concessões, e os consórcios integrados pela Ecorodovias e pela Queiroz Galvão.

A Triunfo --que administra aeroportos, portos e rodovias, além de ter ativos de energia-- possui atualmente três concessões de estradas no Sul e Sudeste com vencimento já entre 2017 e 2021, segundo dados da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).”

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