O "showzinho" para abafar o propinoduto

Por Amauri Teixeira, no blog Viomundo:

O PSDB, encabeçado pelo senador Aécio Neves (MG), mostra mais uma vez que está sem rumo e que gosta de se fazer de vítima quando é denunciado por envolvimento em esquemas de corrupção. Os tucanos gostam de um showzinho para desviar o assunto, mas não conseguem explicar a enxurrada de denúncias que vêm da Justiça da Suiça e que se confirmam em documentos de ex-executivos das multinacionais Alston e Siemens sobre um megaescândalo de corrupção em São Paulo, envolvendo direcionamento nas licitações para aquisição e reformas de trens, construção e extensão de linhas metroferroviárias no estado. Como sempre, tentam abafar o caso com a ajuda da mídia amiga.


É quase surreal, flagrados, com provas documentais de que há algo muito sério no mundo tucano paulista, agora querem culpar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, por ter encaminhado documentos à Polícia Federal para que haja apuração do caso, conforme determina a lei. Tucanos de todas as plumagens estrilam, tentam confundir e não explicam nada à sociedade brasileira, pois há vinte anos, por manobras, abafam CPIs, na Assembleia Legislativa de São Paulo, que poderiam desvendar redes criminosas que operam nos subterrâneos do governo paulista.

A prova maior de como procede o PSDB está no fato de nenhum deputado estadual desse partido ter assinado o pedido de CPI do Cartel da Corrupção no Metrô. A função do Legislativo é fiscalizar o Executivo. Mas, na Assembleia Legislativa de São Paulo, quem fala mais alto é o rolo compressor dos governos do PSDB. Essa intolerância à apuração da verdade caracteriza o modus operandi do tucanato, bem diferente da maneira petista de se relacionar com o patrimônio e o interesse públicos.

O PSDB gosta de CPIs…em Brasília
Os governos dos tucanos Geraldo Alckmin e José Serra, em São Paulo, são marcados pela política do “abafa” a exemplo do que ocorreu nos dois mandatos de FHC, que não enfrentou nenhuma CPI, ao contrário do presidente Lula, que enfrentou várias em seus oito anos de mandato , sendo que três delas foram simultâneas, o que rendeu uma saraivada de acusações contra seu governo e também contra o Partido dos Trabalhadores.

O caso atual, dos tucanos atacando o ministro da Justiça, merece reflexões, pois mostra as diferenças nítidas entre o PT e o PSDB no cuidado com o patrimônio público e no tratamento de denúncias relativas a corrupção. Esse escandaloso desvio de recursos públicos do metrô de São Paulo faz ressuscitar um personagem de triste memória de nossa história recente: o procurador-geral da República do governo FHC, Geraldo Brindeiro, fartamente criticado por sua falta de apetite de colocar corruptos e corruptores na cadeia, durante o período em que permaneceu à frente daquele órgão, nos anos de 1995 a 2002.

Vamos aos números: de 626 inquéritos criminais que recebeu, Brindeiro engavetou 242 e arquivou outros 217. Somente 60 denúncias foram aceitas. As acusações recaíam sobre 194 deputados, 33 senadores, 11 ministros e quatro sobre o próprio presidente FHC. Por conta disso, Brindeiro recebeu o certeiro apelido de “engavetador-geral da República”. Entre as denúncias que engavetou está a de compra de votos para aprovação da emenda constitucional que aprovou a reeleição para presidente, beneficiando o então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Só o comportamento do procurador-geral da República na era tucana serve para ilustrar a diferença abissal que separa o governo FHC e o modo petista de conduzir os assuntos da Nação brasileira. Esse contraste é acentuado na forma de se acolher e apurar denúncias contra o Erário e a República. Enquanto o procurador-geral Brindeiro agia de forma facciosa, os governos dos presidentes Lula e Dilma agem de forma republicana, em obediência estrita aos mandamentos de nossa Constituição Cidadã.

Interferência
Não se tem notícias de qualquer interferência governamental, de 2003 para cá, em qualquer investigação ou acolhimento de denúncia em órgão direta ou indiretamente ligado ao presidente ou a seus ministros. O exemplo mais patente é o da Ação Penal 470, que julgou e condenou injustamente diversos companheiros do Partido dos Trabalhadores.

Discordamos frontalmente dos métodos empregados e do conteúdo dessas sentenças, mas até os mais ferrenhos adversários reconhecem que não houve nenhum traço de interferência oficial para o livre desenrolar dessas ações. Não há registro de nenhuma conversa reservada de integrante do alto escalão petista com membros de outros poderes para mitigar, ou mesmo frear, o curso das investigações e o andamento processual da AP 470.

Esse é, em síntese, o modo petista de se portar à frente dos governos. Qualquer que seja sua esfera: municipal, estadual ou federal. Não à toa, os governos petistas, em números absolutos e relativos, são os que mais observam a Lei de Responsabilidade Fiscal e os que menos têm administradores investigados e condenados por atos contra a Administração Pública.

Agora, diante da tentativa do PSDB de tentar desviar o foco da denúncias sobre o propinoduto em São Paulo, que prosperou durante os quase vinte anos de governos do PSDB naquele estado, o próprio Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reafirmou a continuidade dessa linha de atuação. Disse ele que a “época do engavetador-geral da República já acabou, e que não tem nada de disputa política a investigação da Polícia Federal envolvendo as graves denúncias sobre um grande esquema de propina na compra de equipamentos para o metrô de São Paulo”.

E acrescentou ainda o ministro da Justiça: “ É meu dever ético e jurídico encaminhar à Polícia Federal e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) qualquer denúncia que chegue até mim, não importa contra quem quer que seja, o ministro tem que pedir investigação. Senão é prevaricação”.

O ministro Cardozo é movido pelo senso de justiça que sempre o caracterizou. No caso de São Paulo, três pontos são inquestionáveis. Senão, vejamos: O primeiro é que a multinacional Siemens confessou ter atuado em um cartel entre 1998 e 2008 com o objetivo de partilhar obras e elevar o preço das concorrências em São Paulo. Gigantes como a Alstom, a Bombardier, a CAF e a Mitsui teriam integrado o esquema; o segundo é a condenação, na Suíça, de um ex-diretor da CPTM acusado de lavar dinheiro de corrupção; por fim, uma conta atribuída a Robson Marinho, que foi chefe da Casa Civil de Covas, foi bloqueada no mesmo país por suspeita de ter recebido propina.

As investigações do caso Alstom e Siemens começaram em 2004 na Suíça. Com o acúmulo de provas, a partir de 2008, a Liderança do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo entrou com mais de 15 representações nos ministérios públicos estadual e federal, que denunciavam direcionamento nas licitações para aquisição e reformas de trens, construção e extensão de linhas metroferroviárias no estado de São Paulo. Denunciou prática de corrupção, formação de cartel, lavagem de dinheiro, pagamento de propinas a autoridades públicas e prorrogações ilegais de contratos. O Ministério Público alemão condenou a Siemens e apontou pagamento de propinas de R$ 24,4 milhões para funcionários de alto escalão do governo do PSDB.

É falacioso dizer, como fez o senador Aécio Neves (PSDB-MG) , que tudo não passa de uma reedição do episódio dos “aloprados”, quando petistas foram presos com dinheiro que seria supostamente usado para comprar um dossiê contra Serra.

A atuação das bancadas estadual e federal se pauta dentro das prerrogativas do trabalho parlamentar, entre as quais se inclui a função de fiscalizar as ações do Executivo, diferente de como age o governador tucano Geraldo Alckmin que, ciente das denúncias que apresentam fatos relevantes e robustos sobre a existência de cartel, desconsiderou o Ministério Público e criou uma Comissão de Notáveis que, até o momento, não apresentou nenhum resultado.

Foi ótimo os deputados do PSDB se pronunciarem sobre as tentativas do PT de politizar as denúncias do propinoduto do metrô de São Paulo. Os fatos, por si sós, estão agora desmentindo mais claramente todos os discursos que os tucanos vêm fazendo aqui e em São Paulo. Os órgãos de investigação de São Paulo e os de nível federal já têm provas suficientes para fazer o elo entre as empresas corruptoras e os altos escalões do tucanato.

As justiças da Suiça e da Alemanha vão na mesma linha. As falas dos tucanos só podem ser justificadas por uma questão de desespero, pois eles sabem que é questão de tempo o esclarecimento das perigosas e danosas relações do PSDB paulista com o refinado esquema de corrupção que está vindo à tona.

* Amauri Teixeira é deputado federal (PT-BA) e vice-líder do partido na Câmara Federal.
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Cocaína no helicóptero. Cadê a mídia?

Por Cadu Amaral, em seu blog:

Quase meia tonelada de pasta base de cocaína foi encontrada no Espírito Santo no último dia 24 de novembro. A droga estava em um helicóptero do filho do senador mineiro Zezé Perrella (PDT), o deputado estadual em Minas Gerais, Gustavo Perrella (Solidariedade), ambos aliados do também senador mineiro e pré-candidato à Presidência da República Aécio Neves (PSDB).


 Cada quilo de pasta base cocaína pode render até dois quilos da droga. Então no helicóptero de Perrella continha até uma tonelada de cocaína. Uma tonelada! Tráfico de drogas como nos filmes de Hollywood.

Isso deveria abalar as coisas no Senado Federal. Um dos seus pares é traficante de drogas, ou melhor – como gosta a “grande imprensa” quando trata das mazelas dos seus –, “suposto traficante”.

Pior, o senador e “suposto traficante” é aliado de Aécio Neves, o salvador da pátria para os aliados do tucanato. Mas essa relação política entre Perrella e Neves você não vê, nem lê, nem ouve da grande mídia. Por quê?

Já imaginaram se essa quantidade de droga fosse encontrada em posse de alguém ligado ao PT como o trato seria diferente? Não precisava nem ser quase meia tonelada de pasta base de cocaína, bastaria ser um quilo da droga. Num carro de um amigo do vizinho do primo do Lula. Provavelmente teríamos uma capa de Veja com a seguinte frase: além de pingunço, cheirador de pó!

Será que o judiciário brasileiro vai adotar a teoria do domínio do fato nesse caso e prender o Zezé Perrella e todos ao seu redor? Sim, por que agora já empurram a culpa de tudo para o piloto do helicóptero que, aliás, é nomeado na Assembleia legislativa de Minas Gerais. Mas já sabemos que a cobertura sobre esse caso não será nem um décimo do que foi a cobertura sobre a Ação Penal 470.

Empurram a culpa de tudo para o piloto, como tentam fazer com o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo no caso da máfia dos fiscais em São Paulo. Os tucanos não mudam. E a “grande imprensa” também. A aeronave tem dono, a fazenda para onde a droga seria levada também, mas a cocaína não. Maravilha!

Agora diante disso tudo algo me incomoda: qual o tamanho do dedo do Serra sobre a pasta base de cocaína no helicóptero? Será que seria surpresa que ele ajudou a revelar tudo isso apenas para desgastar seu obstáculo a ser – mais uma vez! – candidato a presidente em 2014? Do Serra pode se esperar tudo. E onde tem o Serra tem baixaria.
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Uma vitória da TVT e dos trabalhadores

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Helicóptero do pó e os bagrinhos da mídia

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Já se passaram quatro dias da apreensão do helicóptero do filho do Senador José Perrella com quase meia tonelada de cocaína.

Não há, é verdade, nenhuma prova de que o senador e o seu filho deputado estivessem envolvidos no tráfico, embora haja provas abundantes do desvio de finalidade de servidor da Assembléia e combustível pagos pelos cofres públicos mineiros.


Mas é impressionante a “discrição” com que o caso vem sendo tratado, não sei se pelas notórias ligações entre os Perella e o senador Aécio Neves.

Mas é inacreditável o que está sendo publicado.

Não se trafica quase 500 quilos de cocaína “arranjando” por acaso e em cima da hora um transporte aéreo.

A “carga”, afinal, vale mais de R$ 20 milhões.

Depois, o trajeto entre Avaré (SP), Campo de Marte (SP), Divinópolis (MG) e Afonso Cláudio (ES) não tem lógica. Em linha reta há um aeroporto com reabastecimento, em Juiz de Fora, praticamente em linha reta, ou ainda Macaé, com um desvio mínimo.

Está na cara que se desembarcou ou se embarcou algo ou alguém em Divinópolis, que é próximo a Belo Horizonte.

Também é esquisitíssimo que um helicóptero (Robson R66) com capacidade total de 420 quilos de carga estivesse transportando essa quantidade de droga e mais dois pilotos, a manos que com uma quantidade mínima de combustível, para aliviar o peso.

Será que em nossos jornais, tão adeptos do “jornalismo investigativo” (desconheço que exista um jornalismo não-investigativo, mas vá lá), não há um bom repórter para apurar isso.

Ou não há vontade de saber?
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Cardozo processará tucanos? A conferir!

Por Altamiro Borges

Bombardeado sem piedade pela mídia, o ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça, garantiu nesta quinta-feira (28) que processará os que o acusam de interferir indevidamente nas investigações do propinoduto tucano de São Paulo. “Todos, sem exceção, os que me chamaram de vigarista, de membro de quadrilha, de sonso e de outras adjetivações ‘tão elegantes’, serão processados criminalmente”, afirmou à Agência Brasil. O ministro não deu nome aos bois, mas o recado foi explícito. Ele se referia a vários grão-tucanos, o que também serve para certos “calunistas” da mídia.


“O ministro de Estado da Justiça não pode aceitar ser chamado de 'vigarista' e 'sonso', no sentido de dissimulado. Não pode aceitar ser chamado de membro de quadrilha e não reagir, ele não defende o cargo, porque esse é um cargo de Estado. Acusar um ministro de vigarista é inaceitável e atinge o próprio cargo”, afirmou José Eduardo Cardozo. A bronca do sempre tão passivo e conciliador ministro é plenamente justificável. Afinal, ele não fez mais do que a sua obrigação ao enviar à Polícia Federal as graves denúncias de corrupção em São Paulo. 

Diante da sua atitude “republicana” – para usar um termo da moda –, a mídia tucana passou a questionar a sua permanência no cargo e os chefões tucanos passaram a desqualifica-lo. O PSDB inclusive ingressou com representação contra o ministro na Comissão de Ética Pública da Presidência da República, numa evidente tentativa de sabotar as apurações sobre os desvios do propinoduto paulista e de desviar o foco das denúncias. Alguns tucanos acusados de receber propina da Siemens partiram para baixaria, abusando das tais “adjetivações tão elegantes”.

Aécio Neves, o cambaleante presidenciável do PSDB, chegou a propor o afastamento de Cardozo do Ministério da Justiça. “A ação do ministro não coaduna com preceitos republicanos. A forma açodada como agiu e a sua omissão tiram dele as condições de conduzir essas investigações”, esbravejou. Para ele, “o PT faz um mal enorme à democracia ao se apropriar das instituições como patrimônio para tentar perpetuar o projeto de poder”. Haja cinismo do ex-governador de Minas Gerais, estado hegemonizado pelos tucanos e abalado por tantos escândalos – o mais recente o do “helicóptero do pó”.

Diante de tantos ataques, o ministro José Eduardo Cardozo finalmente resolveu reagir: “Querem uma cortina de fumaça em relação aos fatos. Parece que se tem perdido a dimensão de que essa investigação que ocorre relativo às obras do metro não é apenas brasileira, é mundial e está diretamente relacionada ao que ocorre em vários países. Temos vários países que já investigaram e já puniram o cartel... Acho inaceitável, seja para tentar desviar a atenção de uma investigação séria, seja para intimidar, que pessoas atinjam a honra com tão baixo nível”.

Agora é conferir se esta justa valentia vai até as últimas consequências ou se, mais uma vez, irá vingar o velho pragmatismo e as negociatas de bastidores. Aguardemos, portanto, a abertura dos primeiros processos criminais!

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Leia também:

- O clã tucano e a corrupção na Siemens

- Mídia, Aécio e o caso dos Perrellas

- Na mídia, helicóptero da cocaína virou pó

- O velho faroeste entre PT e PSDB

- O PT e a mídia tucana
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