Juízes acusam Barbosa de 'coronelismo' e 'canetaço'

Associações afirmam que troca de magistrado para dar lugar a juiz com ligações com o PSDB no caso de Genoino e Dirceu constitui uma grave ameaça à democracia e que presidente do STF deve explicações
por Redação RBA publicado 25/11/2013 18:08
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Fellipe Sampaio/STF
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Barbosa deseja endurecimento com condenados do mensalão e, para isso, mandou efetuar troca de juiz
São Paulo – Duas associações de representação de juízes fizeram críticas à decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, de trocar o magistrado responsável por definir o destino do ex-ministro José Dirceu e do deputado licenciado José Genoino, ambos condenados no julgamento da Ação Penal 470, conhecida como mensalão.
Em nota, a Associação Juízes para a Democracia diz que Barbosa deve dar esclarecimentos sobre sua conduta, que, confirmada, constitui uma das acusações “mais sérias que podem pesar sob um magistrado que ocupa o grau máximo do Poder Judiciário e que acumula a presidência do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), na medida que vulnera o Estado Democrático de Direito”.
A entidade recorda que a Constituição garante a independência dos magistrados, uma condição fundamental para que se possa exercer a função livre de pressões. “Inaceitável a subtração de jurisdição depositada em um magistrado ou a realização de qualquer manobra para que um processo seja julgado por este ou aquele juiz. O povo não aceita mais o coronelismo no Judiciário.”
No domingo, novamente em um fim de semana, Barbosa determinou que o juiz Ademar de Vasconcelos, titular da Vara de Execuções Penais (VEP) do Distrito Federal, deixasse o caso. Desde a decretação da prisão de doze condenados no julgamento do mensalão, cabia ao magistrado definir sobre regime de cumprimento de pena. Agora, essa mesma atribuição terá o juiz substituto Bruno André da Silva Ribeiro, filho de um ex-deputado distrital do PSDB, o advogado Raimundo Rodrigues, e da advogada Luci Rosane Ribeiro, também militante tucana no Distrito Federal.
O presidente eleito da Associação dos Magistrados do Brasil, João Ricardo dos Santos Costa, lamentou em entrevista ao site Brasil247 a decisão de Barbosa. "Pelo menos na Constituição que eu tenho aqui em casa não diz que o presidente do Supremo pode trocar juiz, em qualquer momento, num canetaço", disse. "Eu espero que não esteja havendo politização, porque não vamos permitir a quebra de um princípio fundamental, que é uma garantia do cidadão, do juiz natural, independentemente de quem seja o réu.”
Uma situação que provocou atrito entre Vasconcelos e Barbosa foi o quadro de saúde de Genoino. Mantido por três noites em regime fechado, quando tinha direito ao semiaberto, o ex-presidente do PT passou mal devido aos problemas cardíacos de que padece e teve de ser levado ao Instituto do Coração de Brasília. Somente após a internação o presidente do STF e relator da Ação Penal 470 aceitou discutir a possibilidade de que o parlamentar cumpra a pena em regime domiciliar.
A Ribeiro, Barbosa teria pedido endurecimento com os condenados. O juiz, de 34 anos, tem sido um crítico do regime semiaberto, dizendo que a falta de estrutura do sistema prisional dificulta o cumprimento da pena nesta modalidade, que se iguala à do regime aberto, na opinião dele.
O pai do juiz Bruno também trabalhou como gerente regional do patrimônio da União, em 2000, nomeado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Em 2006, foi eleito deputado distrital, concorrendo na mesma chapa que elegeu José Roberto Arruda (ex-DEM) ao governo do Distrito federal. Em 2007, assumiu a Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Distrito Federal – uma super secretaria criada por Arruda, reunindo várias pastas numa só. Ele permaneceu no cargo por 18 meses até reassumir, em 2008, seu mandato parlamentar na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Em 2010 não conseguiu se reeleger.
 

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D. Joaquim I, o imperador do STF, é criticado por juízes


“Em tempo (atualizado às 16h45):
Foi divulgado agora à tarde o laudo dos exames feitos por uma junta médica da UNB, a pedido do presidente do STF, Joaquim Barbosa, com a conclusão de que a doença cardíaca do deputado José Genoino não é grave e que não é "imprescindível a permanência domiciliar fixa". O destino do deputado, se ele volta para a Papuda ou não, agora depende de uma decisão de Barbosa. Ainda não foram divulgados resultados de outros exames para avaliar o estado de saúde de José Genonio, que foram feitos na noite de sexta-feira, a pedido do presidente da Câmara, Henrique Alves.
Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

Não gostou do juiz encarregado da tarefa? Troque-o por outro mais de seu agrado. Quer uma data simbólica para determinar a prisão de réus condenados? Escolha o 15 de Novembro, Dia da Proclamação da República, mesmo que a decisão seja tomada açodadamente. Quer uma boa cobertura midiática? Junte todos os presos e os mande num avião para Brasília, sem esquecer de informar o roteiro à imprensa.

As últimas decisões polemicas adotadas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal,  Joaquim Barbosa, que já vem sendo chamado em Brasília de D. Joaquim I, o imperador do STF, provocaram uma reação em cadeia de entidades representativas de magistrados e da Ordem dos Advogados do Brasil, que divulgaram nesta segunda-feira notas com duras críticas à troca do juiz titular da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, Ademar Vasconcelos.

Barbosa não estava satisfeito com a atuação de Vasconcelos, responsável pela execução das penas dos condenados do mensalão, e conseguiu que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal nomeasse para o seu lugar o juiz substituto Bruno André Ribeiro, filho de um deputado distrital do PSDB. Para o TJ-DF, "o caso está em perfeita observância ao ordenamento jurídico".

Não é isso que pensam as entidades que representam os juízes. "Isso fere o preceito constitucional do juízo natural. Pelo menos na Constituição que eu tenho aqui em casa, não diz que o presidente do Supremo pode trocar juiz , em qualquer momento, num canetaço", afirmou o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, João Ricardo dos Santos Costa. "Não pode um despacho afastar um juiz de um processo sem justificativa, pois isso transmite a posição de que juiz que não decidir de acordo com o interesse deste ou daquele pode ser afastado."

Na mesma linha, a presidente da Associação de Juízes para a Democracia, Kenarik Boujukian, criticou o que chamou de "coronelismo no Judiciário" e solicitou esclarecimentos de Joaquim Barbosa. "Inaceitável a subtração de jurisdição depositada em um magistrado ou a realização de qualquer manobra para que um processo seja julgado por este ou aquele juiz", diz a nota da entidade, que cobrou esclarecimentos de Barbosa. "Se o presidente do STF não der explicações sobre o que ocorreu, ficaria sujeito à sanção equivalente ao abuso que tal ação representa".

Ainda na segunda-feira, o conselho pleno da Ordem dos Advogados do Brasil aprovou por aclamação o envio de ofício ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que seja verificada a regularidade ou não da substituição do juiz Ademar Vasconcelos. "Possuímos o compromisso constitucional de verificar o cumprimento do devido processo legal e do princípio do juiz natural", afirma a nota da OAB. O presidente do CNJ também é Joaquim Barbosa.

As divergências de Barbosa com Vasconcelos começaram logo após a decretação da prisão sobre o do tratamento a ser dado a José Genoíno, que foi preso em regime fechado com graves problemas de saúde após uma cirurgia no coração. Mesmo sem autorização de Joaquim Barbosa, que não respondeu a pedido feito pela Vara de Execuções Penais, o presidente da Câmara, Henrique Alves, determinou que ontem à noite uma junta médica examinasse Genoino, que agora está em prisão domiciliar, para decidir sobre o seu pedido de aposentadoria.

Alves negou que a ida da junta médica à casa onde está Genoino seja uma afronta ao STF. "O Supremo mandou fazer a sua perícia médica e essa casa quer fazer a sua, como Poder Legislativo. São coisas diferentes", justificou o presidente da Câmara, mas é certeza que teremos nova confusão pela frente.

Enquanto se discutem as questões político-jurídicas ou vice-versa, ficamos sabendo que José Genoino correu risco de vida antes de ser levado a um hospital, na quinta-feira, como está relatado na entrevista que minha colega Kamilla Dourado, do R7 de  Brasília, fez com a chefe dos médicos do Presídio da Papuda, Larissa Feitosa de Albuquerque Lima Ramos:

"Falamos para o juiz da Vara de Execuções Penais, fomos bem claros que estávamos preocupados com a saúde dele. Aqui na Papuda não temos condições de atender um caso como o dele. Como o quadro estava instável, nós falamos que ele não tinha condições de ficar no presídio porque não temos atendimento 24 horas. Quando acontece alguma emergência, temos que chamar o Samu ou usar a ambulância da Papuda. No caso dele, poderia não dar tempo e ser fatal" (ver matéria na íntegra aqui).”

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OAB pede ao CNJ que investigue Joaquim Barbosa

26/11/2013
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O documento aprovado por todos os conselheiros federais da Ordem dos Advogados do Brasil, presidida por Marcus Vinícius Furtado Coelho, é ainda mais grave do que uma moção de repúdio a Joaquim Barbosa. A OAB, que liderou movimentos históricos, como o impeachment do ex-presidente Fernando Collor, cobra do Conselho Nacional de Justiça uma investigação sobre a conduta do presidente do Supremo Tribunal Federal. O estopim da crise foi a decisão de Barbosa de substituir o juiz responsável pela execução das penas dos condenados na Ação Penal 470: saiu Ademar Vasconcelos, entrou Bruno Ribeiro, filho de um dirigente do PSDB no Distrito Federal. A decisão responde a uma cobrança feita pelo criminalista e ex-presidente da entidade José Roberto Batochio.
Via Brasil 247
No final da tarde de segunda-feira, dia 25/11, por unanimidade, pela Ordem dos Advogados do Brasil, uma decisão que ainda é ainda mais grave do que uma simples moção de repúdio ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. A OAB irá cobrar do Conselho Nacional de Justiça uma investigação sobre a troca do juiz responsável pela execução das penas do chamado “mensalão”.
Após pressões de Joaquim Barbosa, repudiadas por juristas e advogados, o juiz titular da Vara de Execuções Penais, Ademar Vasconcelos, foi substituído por Bruno Ribeiro, filho de um dirigente do PSDB do Distrito Federal. A decisão fere direitos da magistratura e também dos réus.
A decisão causou espanto na magistratura. “Eu espero que não esteja havendo politização, porque não vamos permitir a quebra de um princípio fundamental, que é uma garantia do cidadão, do juiz natural, independentemente de quem seja o réu”, afirmou João Ricardo dos Santos Costa, presidente eleito da Associação dos Magistrados do Brasil.
Segundo o jurista Claudio Lembo, já existem razões objetivas para o impeachment de Joaquim Barbosa. Os juristas Dalmo de Abreu Dallari e Celso Bandeira de Mello publicaram um manifesto em que defendem uma reação do Supremo Tribunal Federal, para que a corte não se torne refém de seu presidente.
A OAB agiu em resposta a uma cobrança pública feita no início da tarde de segunda-feira, dia 25, por um ex-presidente da entidade, José Roberto Batochio, em reportagem publicada no 247. “Se alguém pode trocar um juiz, porque acha que este será mais rigoroso com os réus, deveria também ser facultado aos réus o direito de escolher o juiz pelo qual querem ser julgados”, disse Batochio.
Pela primeira vez na história, o Conselho Nacional de Justiça receberá um pedido de investigação contra um ato de seu próprio presidente, uma vez que Joaquim Barbosa, como chefe do STF, acumula também o comando do CNJ.
Leia abaixo a nota:
Salvador (BA) – O Conselho Pleno da OAB aprovou por aclamação o envio pela diretoria da entidade, de ofício requerendo a análise do Conselho nacional de Justiça (CNJ), sobre a regularidade da substituição de magistrado da Vara de Execuções Criminais. A decisão do Pleno foi motivada pela recente substituição do juiz responsável pela execução das penas da AP 470.
Leia, abaixo, reportagem anterior sobre a cobrança feita por José Roberto Batochio:
Batochio: “Silêncio da OAB já foi além do razoável.”
O criminalista José Roberto Batochio, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, cobra da própria OAB uma atitude mais firme diante dos desmandos do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. Segundo ele, o sistema judiciário brasileiro tem dado exemplos recorrentes de “heterodoxia” na Ação Penal 470. Batochio afirma ainda que “o silêncio da OAB já foi além do razoável”.
A polêmica mais recente diz respeito à determinação feita por Joaquim Barbosa para que o juiz da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, Ademar Vasconcelos, que conduzia as prisões da Ação Penal 470, fosse substituído por Bruno Ribeiro, filho de um dirigente do PSDB do Distrito Federal. Em relação ao caso, Batochio faz até uma piada. “Se alguém pode trocar um juiz, porque acha que este será mais rigoroso com os réus, deveria também ser facultado aos réus o direito de escolher o juiz pelo qual querem ser julgados”, afirma.
A decisão, segundo Batochio, desrespeita a magistratura como um todo, uma vez que os juízes têm vários direitos assegurados, e também a defesa – uma vez que todo réu tem direito ao chamado juiz natural.
Não custa lembrar que Barbosa tentou minar a atuação de Ademar Vasconcelos antes mesmo das prisões, uma vez que, dez dias atrás, já havia mandado as ordens de prisão para Bruno Ribeiro, que estava de férias – e não para o juiz natural.
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Cardozo rebate PSDB: “Me recuso a ser engavetador”

Do Brasil 247 - 26 de Novembro de 2013 às 18:57 

 

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Em resposta à cúpula do PSDB, que pediu hoje sua cabeça, ministro da Justiça fala duro; "A época de engavetador geral já acabou", disse ele, para justificar envio de denúncias contra tucanos à Polícia Federal, por suspeita de envolvimento em cartel no contrato de trens e Metrô em São Paulo, com Alstom e Siemens; declaração vem a calhar depois que o procurador de São Paulo Rodrigo de Grandis engavetou durante dois anos e oito meses pedido de colaboração da Justiça suíça no caso; em resposta à afirmação dos tucanos de que são diferentes dos petistas, Cardozo afirma: "Todos são iguais perante à lei"; denúncia cita Aloysio Nunes, José Aníbal, Edson Aparecido e Arnaldo Jardim, do PPS, mas ligado a tucanos
247 – O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, falou duro na tarde desta terça-feira 26 ao responder a cúpula do PSDB, que pediu sua cabeça (leia aqui) devido à denúncia de cartel envolvendo nomes importantes do partido apresentada por ele à Polícia Federal. "A época de engavetador geral já acabou. Eu me recuso ser um engavetador geral de denúncias. As denúncias que chegarem às minhas mãos serão sempre encaminhadas à PF para fazer uma investigação imparcial", disse Cardozo.

A declaração é feita cerca de um mês depois de o procurador da República Rodrigo de Grandis ser acusado de engavetar um pedido de colaboração de procuradores suíços no caso Siemens. Segundo De Grandis, que contou que o documento foi guardado numa gaveta errada e, por isso, arquivado indevidamente, houve uma "falha administrativa" na Procuradoria de São Paulo. O pedido ficou longe do conhecimento do órgão por dois anos e oito meses.

Segundo Cardozo, cabe a ele, como ministro da Justiça, apenas solicitar a investigação, que será coordenada por um delegado de polícia. Mais cedo, os tucanos afirmaram que ele não tinha condições de chefiar as investigações. "O presidente do PSDB disse que o ministro da Justiça não tem condições de coordenar e chefiar as investigações. Quem faz isso é o delegado de polícia. Há um ligeiro equívoco jurídico, meu poder se limita a pedir investigação que é feita com absoluta autonomia", disse.

O ministro da Justiça lamentou ainda que o suposto esquema envolvendo multinacionais e governos do PSDB em São Paulo tenha se transformado em disputa política. "Acho muito ruim que investigações sejam transformadas em disputa política, em dizer que 'conosco não que somos diferentes'. Todos são iguais perante à lei", rebateu. Aécio Neves também disse mais cedo que os tucanos eram diferentes dos petistas, numa referência ao caso do 'mensalão'.

"Se há denúncias, não importa contra quem seja, o ministro tem que ser pedir investigação. Senão é prevaricação", afirmou Cardozo. A denúncia apresentada pelo ministro da Justiça à PF cita os nomes do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), do secretário de Energia José Aníbal (PSDB-SP), do deputado licenciado e atual chefe da Casa Civil do governo paulista, Edson Aparecido, e do deputado federal Arnaldo Jardim (PPS), ligado a tucanos.

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Fraude, farsa e golpe... Eis a direita e o "mensalão!"

Blog Palavra Livre - 26/11/2013

 

 

Por Davis Sena Filho 

 

O nome é Henrique Pizzolato. Ele exerceu o cargo de diretor de Marketing do Banco do Brasil, além de ser um dos réus do “mensalão” do PT. Pizzolato, como tudo mundo sabe, fugiu para a Itália porque considera sua pena injusta, de caráter político e justamente por isso afirma, aos quatro ventos, que teve sua defesa cerceada, prejudicada e por causa disso foi condenado à prisão.

De acordo com Pizzolato e seus advogados, o ex-procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e a maioria dos juízes do STF, à frente Joaquim Barbosa, recusaram-se a ler e analisar com isenção os autos do processo, bem como engavetaram documentos que comprovam que o dinheiro da Visanet (atual Cielo) recebido legalmente pelo PT não é dinheiro público, e, sim, privado. 

Este fato é o X da questão e põe por terra a tese da oposição partidária e midiática de direita, que sempre alardeou, incessantemente, no decorrer de oito anos, que políticos e militantes importantes do PT desviaram dinheiro público. Acusação que levou juízes conservadores do STF a punir a grande maioria dos réus por formação de quadrilha, crime que jamais foi provado e que está a ser questionado em diversos segmentos da sociedade civil organizada. 

Setores representativos da vida brasileira não embarcaram no show da mídia dominante, que durante anos organizou uma verdadeira pantomima para fazer do “mensalão” um instrumento político de oposição contra os governantes trabalhistas que administram o Governo Federal há 11 anos. Usaram sem trégua e sistematicamente tal processo como ferramenta de desconstrução e desqualificação do PT, o maior e mais importante partido da América Latina, que implementou uma verdadeira revolução silenciosa social no País em apenas uma década.

O campo conservador percebeu que jamais derrotaria o PT e seus aliados pelas vias democráticas e eleitorais. Passaram, então, a tratar do “mensalão”, o do PT, como uma arma política para desmoralizar e criminalizar as imagens de personalidades históricas do partido e do Brasil, e, consequentemente, beneficiar-se politicamente. O debate nacional saiu da esfera dos projetos e programas dos governantes trabalhistas, que estão a ser efetivados com sucesso há mais de uma década, para se estabelecer, forçadamente e recorrentemente, uma pauta de único assunto: o “mensalão”.

Os magnatas bilionários da imprensa de negócios privados, que sonegam milhões de impostos, vivem da publicidade oficial e de empréstimos dos bancos estatais, além de serem cúmplices de golpes de estado e de apoiarem ditadores, estabeleceram uma estratégia draconiana, mas politicamente efetiva para manter o PT refém de acusação de uma nota só e na berlinda até o julgamento final. 

Para isso, amarraram-se alianças no Judiciário e no Ministério Público, pois sabedores que a direita partidária, representada pelo PSDB, DEM e PPS estava, indubitavelmente, derrotada e desmoralizada pelos oitos anos de fracassos econômicos e privatizações extremamente danosas à União, ao patrimônio da Nação e à emancipação do povo brasileiro, que foi pilhado pelos homens do PSDB e do DEM que nunca construíram nada, mas venderam o Brasil.

No governo do vendilhão tucano Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I — aconteceu, sem sombra de dúvida, o maior escândalo econômico e financeiro da história recente do planeta. Não do Brasil, como a imprensa burguesa e mentirosa quer ainda imputar ao “mensalão” do PT, mas do planeta. Pirataria aplicada na veia. Que isto fique claro. 

Trata-se de um mega-assalto de âmbito mundial e que, apesar dos livros “A Privataria Tucana” e o “Príncipe da Privataria”, a Procuradoria-Geral da República, os procuradores e os promotores até o momento não tiveram o bom senso, a lucidez de descruzar os braços, desengavetar documentos e ir à luta, que se resume em defender os interesses da sociedade. É isto que promotor faz: defender o povo. 

Defendê-lo, se possível, da forma mais republicana, e, obviamente, parar de fazer política. Afinal não pertencer a partidos e não concorrer às eleições e assim mesmo usar o cargo e a instituição onde é empregado para fazer política é definitivamente uma ação e conduta que deixa muito a desejar àqueles que têm por obrigação como servidor público empregado da Nação de defender seus interesses. E é exatamente isto que alguns procuradores e juízes não fazem. Surreal! Ponto.  

Durante o desgoverno do neoliberal FHC, a Nação brasileira foi dilapidada sem pena e misericórdia. Os fundamentalistas (lunáticos) do mercado liderados pelo grão-tucano neoliberal cometeram e formalizaram o maior roubo de riquezas e do patrimônio público deste País em todos os tempos. Um patrimônio sólido, construído no decorrer de décadas de trabalho de sucessivas gerações de brasileiros, que tiveram a tristeza, a decepção e a humilhação de verem o Brasil vendido como se vende sacos de soja, milho e feijão nas bolsas de cotações para produtos agrícolas.

Até hoje os tucanos, a exemplo de Luiz Carlos Mendonça de Barros, Armínio Fraga e Pérsio Arida, dentre outros, andam por aí, serelepes, a deitar falação com arrogância e insensatez sobre suas péssimas ações quando governaram e deixaram o Brasil sob o jugo do FMI, do Bird e de governos de países imperialistas, a exemplo dos Estados Unidos e das potências europeias, que hoje pagam alto preço por suas irresponsabilidades e leniências perante os mercados imobiliário e bancário. 

Essa gente não se sente culpada por nada, porque quem comete desatinos, de forma propositada, geralmente não tem sentimento de culpa, ainda mais quando pertence à classe dominante, que, historicamente, considera seus crimes como um processo seletivo e natural, pois não se preocupa com as condições de vida da maioria da população, bem como nunca construiu nada neste País em termos de patrimônio público, como também nunca concedeu coisa alguma ao povo, a não ser a exclusão social.

A direita herdeira e inquilina da Casa Grande que faz da fome e da mentira a dialética de sua existência e da usura e da violência seu modo de ganhar a vida. É esse seu procedimento quando no poder, e continua a sê-lo fora do poder, o que lhe causa inconformismo e ódio, que são retratados nos meios de comunicação que lhes pertencem, pois usados como canhões e metralhadoras contra todos aqueles que, porventura, são considerados pela Casa Grande inimigos políticos a serem derrotados, porque contrários aos seus interesses de controle social.

Henrique Pizzolato está na Itália e anunciou que vai mostrar por intermédio de provas documentais o que realmente aconteceu no que diz respeito à questão Visanet que os juízes do Supremo se recusaram a analisar de forma republicana e justa. Juiz, antes de tudo, tem de fazer justiça à vítima e também ao criminoso; ao acusador e ao acusado, às partes envolvidas em um processo. E foi exatamente dessa forma que a maioria dos juízes do STF não procedeu.

Resolveram fechar os olhos aos autos, à verdade e realizaram um julgamento de exceção, essencialmente político e que tem por finalidade colocar o PT, os seus membros e o Governo trabalhista de Dilma Rousseff em uma condição de criminosos, avessos à legalidade e ao republicanismo. Nada mais perverso, traiçoeiro e mentiroso. 

A verdade é que Dilma e Lula foram tão republicanos que ao invés de escolherem juízes e procuradores que se identificassem com os programas e os interesses de governos eleitos majoritariamente pelo povo brasileiro, deixaram à vontade a categoria dos promotores, os políticos e juristas divorciados do pensamento político e ideológico do PT para escolherem os candidatos a serem nomeados. E assim foi feito.

Lula e Dilma deram tiros nos pés. Não conheço presidente da República que abra mão de escolher procuradores-gerais, juízes de tribunais superiores, advogados da União, corregedores-gerais da União, comandantes das Forças Armadas e diretores da Polícia Federal. Somente os mandatários trabalhistas permitiram que pessoas alheias ao projeto de País do PT avalizado pelos eleitores dessem sugestões ou até mesmo indicassem nomes para assumir cargos de confiança do presidente, conforme reza a Constituição de 1988. 

Um erro estratégico inacreditável e de trágicas consequências e que, incrivelmente, continuou a ser cometido no decorrer dos mandatos de presidentes petistas. O Governo trabalhista deu comida nas bocas dos lobos, que não se fizeram de rogados e utilizaram o poder dos cargos do STF e da PGR para fazer política de oposição, de direita, pois o PSDB, derrotado em três eleições, encontra-se fragilizado e desmoralizado, pois não tem sequer programa de governo para apresentar ao povo nas eleições de 2014. Se alguém duvida, basta ouvir o pré-candidato do PSDB, Aécio Neves. Simplesmente ele não diz nada com coisa nenhuma, pois vazio de ideias e propostas, bem ao estilo tucano.

Os programas sociais, os eventos grandiosos, as milhares de obras, grandes e pequenas por todo o País, a construção e reconstrução da infraestrutura portuária, aeroportuária, rodoviária e ferroviária, o pré-sal e o visível desenvolvimento econômico e financeiro de dezenas de milhões de pessoas pertencentes às camadas mais pobres da população são assuntos relegados ao segundo plano, quando a verdade é que propiciar dignidade e condições de vida melhores ao povo brasileiro deveria ser a pauta principal para debater o Brasil. 

Contudo, o sistema midiático comercial e privado vai boicotar e sabotar até o fim dos dias os avanços sociais e econômicos efetivados nos governos petistas. A imprensa alienígena se recusa a gerar informação para que todos os brasileiros saibam que o que está a acontecer no Brasil é uma revolução silenciosa e que mudou o País continental para sempre. 

Nada sai na televisão e nas diferentes mídias, a não ser apenas a luta política, ideológica e partidária protagonizada pelo Governo popular e pela oposição exemplificada em STF, PGR, PSDB, DEM, PPS, e, por fim, os barões da imprensa burguesa, golpistas por DNA e de carteirinha, pois se trata da classe empresarial mais retrógrada, reacionária e sectária, dentre todas as classes ou categorias patronais.

Nada é debatido. Apenas casos de corrupção verídicos ou não, pois a grande imprensa de mercado transformou propositalmente a política brasileira em uma novela de péssima qualidade de conotação policial. Grande parte desses casos não foi comprovada e desmentida por falta de provas ou porque os acusadores na verdade eram os envolvidos, como ocorreu com o senador do DEM de Goiás, Demóstenes Torres, associado do bicheiro Carlinhos Cachoeira, que era o “editor” e “pauteiro” das revistas Veja e Época de Policarpo Jr e Eumano Silva. Então restou para a direita o “mensalão”, o do PT, porque o do PSDB ficou “escondido” por 15 anos nas gavetas de promotores e juízes e até hoje os envolvidos não foram julgados. Um acinte à inteligência alheia e à noção de justiça intrínseca a cada cidadão.

Somente agora, de forma discreta, sai alguma coisa na imprensa de mercado, que já tratou também de não mostrar os escândalos da Siemens e da Alston como deveria fazê-lo, em que estão envolvidas as principais lideranças tucanas, nas pessoas de José Serra, Geraldo Alckmin, além do falecido Mário Covas. Gilberto Kassab, que era do DEM e hoje é do PSD e aliado histórico do PSDB paulista, também está envolvido e tenta, de alguma forma, não se transformar em um cadáver político.

Henrique Pizzolato está na Itália e já afirmou que vai provar sua inocência e divulgar, por exemplo, que a Globo é uma das beneficiadas do dinheiro da Visanet. Dos R$ 73,8 milhões, a Globo recebeu R$ 5,5 milhões, mas mesmo assim tal fato importante nunca foi repercutido e muito menos o senhor prevaricador Roberto Gurgel e os juízes do STF, à frente Joaquim Barbosa, debruçaram-se sobre essa questão de forma que administradores de tal empresa de concessão pública fossem também denunciados e punidos.

É o Judiciário do “um peso e duas medidas”. Não houve desvio de dinheiro público do Banco do Brasil para a DNA Propaganda. A Visanet (Cielo) era empresa da iniciativa privada, com sócios majoritários privados e cujo dinheiro foi repassado de forma legal, documentado, como comprovam os autos do inquérito que foi propositalmente engavetado para que o PT fosse criminalizado e alguns de seus integrantes denunciados, julgados e depois presos.

Pizzolato pode reverter o quadro na Itália. O ex-executivo do BB não tinha os poderes de decisão a ele imputados. Ele era apenas um dos membros do comitê de marketing do banco, além de ser o único petista, porque os outros eram membros nomeados no Governo do neoliberal FHC. Somente Pizzolato foi acusado e punido pelos juízes conservadores e políticos do STF. 

O resto é fantasia e estratégia da imprensa entreguista e colonizada para combater os trabalhistas que estão no poder há 11 anos, bem como favoritos a vencer as eleições presidenciais de 2014. Os juízes do STF devem a verdade à Nação. O Judiciário brasileiro é um dos responsáveis pela exclusão social, porque não faz justiça e comete erros graves contra a cidadania e a ordem legal e constitucional. Farsa, fraude e golpe: eis a alma da direita e o mensalão! É isso aí.

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