Com novo juiz, Barbosa escancara viés político do julgamento da AP 470


O deputado tucano  Raimundo Ribeiro e seu filho, o juiz, Bruno Ribeiro

Barbosa escolhe filho de dirigente tucano, que também é braço direito do ex-governador do DF, José Roberto Arruda, para 'cuidar' dos petistas
O ministro Joaquim Barbosa continua tomando decisões com forte viés político no julgamento da Ação Penal 470, o chamado caso mensalão. Neste fim de semana, Barbosa retirou a execução penal dos sentenciados das mãos do juiz titular da Vara de Execuções Penais (VEP), Ademar Vasconcelos, e nomeou o substituto Bruno André Silva Ribeiro.A motivação óbvia: aplicar rigor máximo na execução das penas a José Genoino, José Dirceu e Delúbio Soares.O problema é que o juiz Bruno Ribeiro é filho do ex-...Leia mais aqui
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Blogueiro diz que Barbosa perdeu utilidade

Do Brasil 247 -  24 de Novembro de 2013 às 07:53

 

Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr (04.06.2009): Joaquim Barbosa Ministro
O blogueiro Sergio Saraiva, do jornal GGN, publicou artigo neste fim de semana em que prevê a queda de Joaquim Barbosa. O motivo: não serve mais aos propósitos da elite
247 - O blogueiro Sergio Saraiva, do jornal GGN, publicou artigo neste fim de semana em que prevê a queda de Joaquim Barbosa. O motivo: não serve mais aos propósitos da elite. Leia abaixo:
Mensalão: Joaquim Barbosa e o sentido da tragédia

O Ministro Joaquim Barbosa não tem mais utilidade. Deve começar a ser desconstruído pelas mesmas forças a que serviu e às quais passa agora a ser um incômodo.

No post anterior, tratei do que via de perdas pessoais, humanas no julgamento da AP 470. Preferi tratar Joaquim Barbosa como um caso à parte. Não que ele não seja um perdedor. Na AP 470 não há vencedores. E Joaquim Barbosa é um dos grandes perdedores.

O Ministro Joaquim Barbosa é patético. Carrega consigo uma dimensão trágica, como só os patéticos conseguem ter. Mas não trágico como Otelo, pois que Otelo não era patético. Patético e trágico tal qual Macbeth.

E, coerente a Macbeth, se os maus presságios que me desassossegam a alma a respeito de sua pessoa estiverem certos, Joaquim Barbosa estará cumprindo uma trajetória parabólica que começa sua descendente.

O início:
A indicação de Joaquim Barbosa ao STF foi um gesto político de Lula. Mas esse gesto político, uma justa homenagem e uma forma de reparação aos negros do Brasil, também é uma maldição a pesar sobre o indicado.

Interessante, poderia pesar também sobre a ex-ministra Ellen Gracie, a primeira mulher a assumir como ministra da suprema corte do Brasil. No entanto, todos parecem entender o gesto político de sua indicação, mas ninguém considera que ela foi escolhida apenas por ser mulher. Por que isso pesa sobre os ombros de Joaquim Barbosa? Pesaria sobre os ombros de qualquer outro negro que assumisse o cargo?

De Frei Beto sobre Joaquim Barbosa:
“Em março (2003), Márcio Thomaz Bastos (então, ministro da Justiça) indagou se eu conhecia um negro com perfil para ocupar vaga no STF. Lula pretendia nomear um para a suprema corte do país. Lembrei-me de Joaquim Barbosa”.

Conhecera-o, meses antes, de forma prosaica, em uma agência de viagens, em 2002, quando o, então, procurador Joaquim Barbosa cultivava a arte de ser simpático e ainda cuidava de suas próprias passagens aéreas:
“Instalei-me no primeiro banco vazio, ao lado de um cidadão negro que nunca vira.
- Você é o Frei Betto? – indagou-me.
Confirmei. Apresentou-se: Joaquim Barbosa… Trocamos ideias e, ao me despedir, levei dele o cartão e a boa impressão.”

E assim ficou a indicação de Barbosa em função de sua cor e não de sua capacidade, apesar de sua respeitável formação acadêmica e de ter alçado aos cargos que ocupou sempre por concurso público.

Do ex-ministro Cesar Peluso sobre Barbosa:
 “A impressão que tenho é de que ele tem medo de ser qualificado como arrogante.Tem receio de ser qualificado como alguém que foi para o Supremo não pelos méritos, que ele tem, mas pela cor”.
Ou seja, como aos negros em geral, neste país, não era dado a Joaquim Barbosa o reconhecimento de estar em pé de igualdade nem quando alcançava o ponto máximo da carreira a que se propôs seguir.
Isso o incomoda? Basta ver o seu comentário após entrevero com o ministro Gilmar Mendes:
“Enganam-se os que pensavam que o STF iria ter um negro submisso, subserviente.”

Ou quando da resposta que deu a Peluso:
 “sempre houve um ou outro engraçadinho a tomar liberdades comigo, achando que a cor da minha pele o autorizava a tanto”. “porque alguns brasileiros não negros se acham no direito de tomar certas liberdades com negros”.  “Sempre minha resposta veio na hora, dura.”

Permitamo-nos um interregno, é interessante como, realmente, o tempo é o senhor da história. Comparemos a imagem que se forma hoje sobre Joaquim Barbosa – presidente do STF e a crítica do Ministro Joaquim Barbosa ao então presidente Cezar Peluso, em 2012:
 “as pessoas guardarão na lembrança a imagem de um presidente do STF conservador, imperial, tirânico, que não hesitava em violar as normas quando se tratava de impor à força a sua vontade”.
Voltando à história de Joaquim Barbosa, empossado ministro e com problemas ortopédicos, começam a fazer-lhe a fama de relapso com suas obrigações. Suas várias licenças médicas são vistas como uma forma de se ausentar do trabalho. Flagram-no bebendo em um bar, confraternizando com amigos durante uma das licenças.

Preto e indolente. Não é outro o motivo de sua discussão com o Ministro Gilmar Mendes:
 Eles discutiam duas ações que já haviam sido julgadas no Supremo em 2006:
“JB - Não se discutiu claramente.
GM - Se discutiu claramente e eu trouxe razão. Talvez Vossa Excelência esteja faltando às sessões. [...] Tanto é que Vossa Excelência não tinha votado. Vossa Excelência faltou à sessão.
JB - Eu estava de licença, ministro.
GM - Vossa Excelência falta à sessão e depois vem...”

Aqui, outra vez o tempo arma uma arapuca para Joaquim Barbosa usando suas próprias palavras. Na resposta já clássica de deu a Gilmar Mendes:
“Vossa Excelência está destruindo a justiça deste país...Vossa excelência não está nas ruas, Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. ...Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar”.
“Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do judiciário brasileiro”.
Uma das acusações que se faz à AP 470 é justamente em relação ao seu caráter midiático. Os grandes grupos de mídia pautando o Supremo e Joaquim Barbosa a sua estrela maior.

A ascensão:
A mudança dos “donos do poder” em relação ao Ministro Joaquim Barbosa começa com a sua indicação para a relatoria da AP 470 – O mensalão.

A Ministra Carmen Lúcia não pode ser considerada uma “bruxa shakespeariana”, longe disso, mas, tal qual elas, foi profética, em 2007, ao comentar o que ocorreria com Joaquim Barbosa, a partir dessa relatoria, em uma troca de correspondência com o Ministro Lewandowisk flagrada por jornalistas bisbilhoteiros:
“Esse vai dar um salto social com o julgamento”

Com quanto possa carregar uma ponta de preconceito, o comentário de Carmen Lúcia denuncia que já era sabido, desde então, que o julgamento do “mensalão” era uma porta para a ascensão social. Claro, desde que as coisas certas fossem feitas. O ministro Lewandowisk, por exemplo, foi o revisor desse processo e ninguém dirá que obteve um “salto social”. O Ministro Celso Mello sentiu na pele o que é “não fazer a coisa certa”.

Mas, como vimos de seu diálogo com Frei Beto, Joaquim Barbosa sabia fazer a coisa certa.
A sua atuação, como magistrado, na AP 470 ainda será estudo de caso nos cursos de direito, tal o grau de “inovação”, se não, de desrespeito aos mais basilares direitos dos réus. Mas condenar o PT na figura de José Dirceu era a “coisa certa” que esperavam de Joaquim Barbosa. As outras 39 almas eram o bônus e Joaquim Barbosa não se fez de rogado em pena-las.

Desde então, o “preto indolente” transformou-se em “o menino pobre que mudou o Brasil”.
Passou a ser cumprimentado nas ruas, dava autógrafos. Nas fotos que vi, todos os que o cumprimentavam eram brancos de classe média, mas todos sorridentes e orgulhosos em estar junto do novo herói, Batman ou Anjo Vingador.

A brutalidade e a intolerância com que conduzia o julgamento foram relevadas – traços de uma personalidade “mercurial”, dizia a Folha.

Tudo lhe era permitido, de negar cumprimento à Presidente da República na recepção ao Papa a ofender jornalista, desde que a “coisa certa” fosse feita.

E ela foi feita, a condenação dos “mensaleiros” foi comemorada em manchetes da grande imprensa, dezoito minutos no “Jornal Nacional”. Algo só comparável ao frenesi quase orgiástico das grandes conquistas do esporte nacional.

A queda:
Desde então, algo mudou na relação de Joaquim Barbosa com a grande imprensa.

Sua atitude passou a ser relativizada. Em uma das muitas discussões com o Ministro Lewandowisk, chamou-o de “chicaneiro”. Coisas muito piores já havia dito – foi censurado publicamente. Agora havia limites.

Apareceu seu apartamento em Miami, adquirido com uma forma, digamos, “inovadora” em relação ao recolhimento de impostos. Apareceram suas passagens aéreas em viagens não oficiais.

Por fim, Joaquim Barbosa cometeu o seu grande erro.

Na busca pelos holofotes costumeiros, enviou para a prisão os mensaleiros que importavam, em dia de feriado nacional. Entre eles um homem convalescendo de extensa cirurgia cardíaca. Numa artimanha jurídica, pôs em regime fechado, por alguns dias, prisioneiros condenados ao semiaberto .

Quando li, no dia seguinte, a palavra “brutalidade” na Folha de São Paulo se referindo a ele, quando depois, Elio Gaspari, na mesma Folha, comparava sua atitude a de linchamento e depois soube que a Globo noticiou no mesmo Jornal Nacional a carta de repúdio a ele dirigida por artistas, intelectuais e juristas, pensei – “foi para o tronco”.

São esses os maus presságios que me desassossegam a alma – com os “mensaleiros” condenados e presos, o Ministro Joaquim Barbosa não tem mais utilidade. Deve começar a ser desconstruído pelas mesmas forças a que serviu e às quais passa agora a ser um incômodo.

Incômodo não só pela associação aos seus métodos truculentos que precisa ser evitada. Incômodo porque, como vimos, Joaquim Barbosa só presta reverência a si próprio, não compõem nem demonstra “gratidão”.

“A imprensa brasileira é toda ela branca, conservadora. O empresariado, idem. Todas as engrenagens de comando no Brasil estão nas mãos de pessoas brancas e conservadoras”.

Joaquim Barbosa será presidente do STF até novembro de 2014, depois, passará a presidência para Ricardo Lewandowisk e retornará à planície árida do plenário. Como abrir mão da figura do “Anjo Vingador”?

Joaquim Barbosa não encarna a figura do “menino pobre que mudou o Brasil”, esse é Lula. Oriundo da burocracia federal, é um classe-média típico.Típico até na necessidade de compensações simbólicas, e, no caso de Barbosa, até por outros e bons motivos. Estaria sonhando em ascender à alta burguesia, aos “donos do poder”?

Se é essa a sua intenção, aprenderá, como Macbeth aprendeu em relação ao trono da Escócia, que “os donos do poder” são uma oligarquia hereditária.

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Como se manipula a informação

Do Blog do Miro - domingo, 24 de novembro de 2013

Por Mário Augusto Jakobskind, no sítio Direto da Redação:


Não é de hoje que vários pensadores sérios estudam o mecanismo da manipulação da informação na mídia de mercado. Um deles, o linguista Noam Chomsky, relacionou dez estratégias sobre o tema.

Na verdade, Chomsky elaborou um verdadeiro tratado que deve ser analisado por todos (jornalistas ou não) os interessados no tema tão em voga nos dias de hoje em função da importância adquirida pelos meios de comunicação na batalha diária de “fazer cabeças”.

Vale a pena transcrever o quinto tópico elaborado e que remete tranquilamente a um telejornal brasileiro de grande audiência e em especial ao apresentador.

O tópico assinala que o apresentador deve “dirigir-se ao público como criaturas de pouca idade ou deficientes mentais. A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantil, muitas vezes próxima da debilidade, como se o espectador fosse uma pessoa de pouca idade ou um deficiente mental. Quanto mais se tenta enganar o espectador, mais se tende a adotar um tom infantil”.

E prossegue Chomsky indagando o motivo da estratégia. Ele mesmo responde: “se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, então, por razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos”.

Alguém pode estar imaginando que Chomsky se inspirou em William Bonner, o apresentador do Jornal Nacional que utiliza exatamente a mesma estratégia assinalada pelo linguista.

Mas não necessariamente, até porque em outros países existem figuras como Bonner, que são colocados na função para fazerem exatamente o que fazem, ajudando a aprofundar o esquema do pensamento único e da infantilização do telespectador.

De qualquer forma, o que diz Chomsky remete a artigo escrito há tempos pelo professor Laurindo Leal Filho depois de ter participado de uma visita, juntamente com outros professores universitários, a uma reunião de pauta do Jornal Nacional comandada por Bonner.

Laurindo informava então que na ocasião Bonner dissera que em pesquisa realizada pela TV Globo foi identificado o perfil do telespectador médio do Jornal Nacional. Constatou-se, segundo Bonner, que “ele tem muita dificuldade para entender notícias complexas e pouca familiaridade com siglas como o BNDES, por exemplo. Na redação o personagem foi apelidado de Homer Simpson, um simpático mas obtuso personagem dos Simpsons, uma das séries estadunidenses de maior sucesso na televisão do mundo”

E prossegue o artigo observando que Homer Simpson “é pai de família, adora ficar no sofá, comendo rosquinhas e bebendo cerveja, é preguiçoso e tem o raciocínio lento”

Para perplexidade dos professores que visitavam a redação de jornalismo da TV Globo, Bonner passou então a se referir da seguinte forma ao vetar esta ou aquela reportagem: “essa o Hommer não vai entender” e assim sucessivamente.

A tal reunião de pauta do Jornal Nacional aconteceu no final do ano de 2005. O comentário de Noam Chomsky é talvez mais recente. É possível que o linguista estadunidense não conheça o informe elaborado por Laurindo Leal Filho, até porque depois de sete anos caiu no esquecimento. Mas como se trata de um artigo histórico, que marcou época, é pertinente relembrá-lo.

De lá para cá o Jornal Nacional praticamente não mudou de estratégia e nem de editor-chefe. Continua manipulando a informação, como aconteceu recentemente em matéria sobre o desmatamento na Amazônia, elaborada exatamente para indispor a opinião pública contra os assentados.

Dizia a matéria que os assentamentos são responsáveis pelo desmatamento na região Amazônica, mas simplesmente omitiu o fato segundo o qual o desmatamento não é produzido pelos assentados e sim por grupos de madeireiros com atuação ilegal.

Bonner certamente orientou a matéria com o visível objetivo de levar o telespectador a se colocar contra a reforma agrária, já que, na concepção manipulada da TV Globo, os assentados violentam o meio ambiente.

Em suma: assim caminha o jornalismo da TV Globo. Quando questionado, a resposta dos editores é acusar os críticos de defenderem a censura. Um argumento que não se sustenta.

A propósito, o jornal O Globo está de marcação cerrada contra o governo de Rafael Correa, do Equador, acusando-o de restringir a liberdade de imprensa. A matéria mais recente, em tom crítico, citava como exemplo a não renovação da concessão de algumas emissoras de rádio que não teriam cumprido determinações do contrato.

As Organizações Globo e demais mídias filiadas à Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) raciocinam como se os canais de rádio e de televisão fossem propriedade particular e não concessões públicas com normas e procedimentos a serem respeitados.

Em outros termos: para o patronato associado à SIP quem manda são os proprietários, que podem fazer o que quiserem e bem entenderem sem obrigações contratuais.

No momento em que o Estado fiscaliza e cobra procedimentos, os proprietários de veículos eletrônicos de comunicação saem em campo para denunciar o que consideram restrição à liberdade de imprensa.

Os governos do Equador, Venezuela, Bolívia e Argentina estão no índex do baronato midiático exatamente porque cobram obrigações contratuais. Quando emissoras irregulares não têm as concessões renovadas, a chiadeira do patronato é ampla, geral e irrestrita.

Da mesma forma que O Globo no Rio de Janeiro, Clarin na Argentina, El Mercurio no Chile e outros editam matérias com o mesmo teor, como se fossem extraídas de uma mesma matriz midiática.
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O clã tucano e a corrupção na Siemens

Por Flávio Aguiar, na Rede Brasil Atual:

No Brasil, pesam sobre a empresa acusações de formação de cartel (com outras mais) para fornecimento de material para construção de meios de transporte, como o metrô de São Paulo, além de, ultimamente, distribuição de propinas. Segundo o noticiário brasileiro e internacional, as relações entre o governo do estado de São Paulo e fornecedores de equipamentos, especialmente para o sistema de transporte por trens e metrô, são permeadas de contratos superfaturados e pagamentos de gordas propinas.


Enfim, corruptores privados encheram os bolsos de agentes públicos corruptos, entre eles pessoas íntimas dos governadores tucanos, desde a gestão Maior Covas, em 1998, até os dias atuais, com Geraldo Alckmin – passando por José Serra. Se estiverem certas as denúncias, as despesas com sobrepreço e “gorjetas” fizeram contratos que somaram R$ 30 bilhões em década e meia engordar 30%, o que representaria um prejuízo de R$ 9 bilhões, ou dezenas de quilômetros de trilhos jogados no bolso de alguéns.

Como grande parte das denúncias partiu de dentro de uma das empresas que integram o suposto cartel, a Siemens, é improvável que não haja fogo na base dessa fumaça. O gesto parece ser parte de um esforço da multinacional alemã em tentar recuperar o prestígio da marca, que não anda bem no noticiário internacional. Na Alemanha, a Siemens tem sido notícia devido a uma crise de administração em consequência de uma série de contratempos, como perda de prazos e de espaço para concorrentes e um desconforto financeiro. Essas dificuldades levaram a uma troca de comando na empresa. O novo presidente é Joe Kaeser, ex-chefe do Escritório Financeiro Central, órgão encarregado de avaliar riscos financeiros e perdas decorrentes, e como evitá-los ou enfrentá-los.

Kaeser substituiu Peter Löscher, aus­tríaco de nascimento, que assumiu a presidência da empresa em julho de 2007, depois de um período conturbado em que executivos caíram e outros subiram em meio a acusações e acordos judiciais envoltos no tema da corrupção, por meio do pagamento de propinas em diferentes países, inclusive nos Estados Unidos.

Não houve acusações de corrupção contra Löscher. Aparentemente, a “acusa­ção” contra ele foi de má gestão, decisões ­erradas que levaram, por exemplo, a Siemens a atrasar a entrega de trens encomendados à “sagrada” Deutsche Bahn, a ferroviá­ria estatal alemã, um dos ícones do país, ao lado da sua indústria ­automobilística.

Nesse recente sobe e desce de CEOs (de Chief Executive Officer, no jargão internacional), a mídia alemã noticiou uma luta interna entre dois pesos pesados: Gehrard Chrome, presidente do Conselho Supervisor, e Josef Ackermann, um dos vice-presidentes. Pelo noticiário subsequente, Ackermann, que já foi CEO do Deutsche Bank, perdeu e renunciou a seu posto no Conselho da Siemens, sem que ficassem claras as razões da disputa.

Longo passivo
O fato é que o passivo de acusações contra a Siemens é muito longo e variado.­ Até ter fornecido, por exemplo, material elétrico para os campos de concentração nazistas, além de haver fotos de carros seus sendo usados para fazer propaganda do partido. Em 2006, a empresa foi objeto de uma devassa por parte da promotoria pública alemã.

Em 15 de novembro daquele ano, procuradores e agentes policiais invadiram 30 escritórios da empresa, além de várias casas de seus top executivos. O obje­tivo da operação era investigar o que foi descrito como um grande esquema de pagamento de propinas para obtenção de favores em escala mundial. Nessa ocasião caíram executivos como Heinrich von Pierer e Klaus Kleinfeld. As acusações levantaram detalhes bizarros, como o de que até 1998 a empresa abatia do imposto de renda alemão propinas pagas no estrangeiro, descritas como “despesas correntes”.

A nova direção da Siemens negociou laboriosamente, por exemplo, com o fisco norte-americano, chegando a um acordo em 2008 para o pagamento de US$ 800 milhões em indenizações. Não se sabe o montante das indenizações pagas pela empresa. Há avaliações de que passava de US$ 1,5 bilhão antes de vir à luz o caso brasileiro. Chegou ao noticiá­rio que o contador que operava secretamente as contas das propinas – e um dos poucos a serem condenados judicialmente, Richard Sieksczek – lidava anualmente com valores entre US$ 50 milhões e US$ 60 milhões.

Mas o caso mais espetacular ocorreu na China, onde em junho de 2011 o empresário Shi Wanzhong foi condenado à morte por ter recebido da Siemens US$ 5,1 milhões em “por foras” para favorecer compras de materiais. A execução da sentença foi suspensa, mas não se sabe exatamente o que aconteceu com o condenado. A empresa sempre se recusou a comentar o assunto.

A Siemens emprega cerca de 370 mil ­trabalhadores em 200 países – e se orgulha­ de ter em seus quadros 18 mil enge­nheiros de informática, mais do que a Microsoft­ – e está passando por um processo dramá­tico de ajustes. Seu novo presidente anunciou a extinção de 15 mil postos de trabalho na Alemanha, o que, nesta época de crise­ europeia, pode significar uma “pequena” catás­trofe social. Ao mesmo tempo, embora a empresa não comente nada, a disposição de agora colaborar com as autori­dades brasileiras mostra que há um empenho em recuperar a aura há muito tempo perdida.

Os homens da corporação
Werner von Siemens
Fundou a empresa em 1847, voltada para a expansão do telégrafo. Passou desde logo a operar em nível internacional, na Índia, na Rússia e no continente europeu. Construiu uma linha telegráfica da Índia a Londres, por exemplo.

Peter Löscher, 56 anos
Foi o diretor-presidente de 2007 a julho de 2013. Não há acusações de corrupção contra ele.

Gehrard Chrome, 70 anos
Proeminente empresário, assumiu a presidência do Conselho Diretor em 2007, substituindo Klaus Kleinfield. É considerado o homem forte da empresa.

Josef Ackermann, 65 anos
Nascido na Suíça, um dos mais importantes CEOs da Europa, amigo de Angela Merkel, ­ex-diretor-presidente do Deutsche Bank, já foi até objeto de documentário da uma rede de TV (ARD). Não há acusações de corrupção contra ele.

Klaus Kleinfeld, 56 anos
Foi presidente do Conselho Diretor de 2005 a 2007. Quando surgiram as acusações contra a empresa, foi acusado de negligência por não ter agido. Negou. Ainda assim, deixou o cargo e a empresa, segundo algumas fontes pagando uma indenização simbólica de € 2 milhões. Desde 2008 é o CEO da Alcoa norte-americana.

Heinrich von Pierer, 72 anos
Presidente do Conselho Diretor de 1992 a 2005, quando foi substituído por Klaus Kleinfeld, passando a presidente do Conselho Fiscal, onde ficou até a maré de escândalos de 2006-2007. Demitiu-se, alegando inocência. Permanecem acusações de negligência, mas não houve processo contra ele. Em 15 de maio de 2010, o jornal Süddeutschen Zeitung noticiou que ele teria pago uma indenização de € 5 milhões à empresa. Hoje é membro do conselho da empresa mista turca Koç Holding.

Shi Wanzhong
De acordo com as poucas informações disponíveis, esse executivo chinês era diretor da China Mobile, uma companhia estatal no ramo da telefonia móvel, quando recebeu a propina da Siemens. Entretanto, não houve processo contra a empresa.
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A História o condenará

A maioria dos brasileiros, e bem maioria mesmo, acha que há provas em profusão para condenar os réus do chamado “mensalão”, que as penas de alguns acusados não foram excessivas, que a democracia sai fortalecida e que o ministro Joaquim Barbosa é um herói.

Essa maioria assimilou o que, durante oito anos, e de forma sistemática, difundiu a grande imprensa brasileira. Os que questionavam as acusações, o processo e o julgamento são boicotados nos principais jornais e emissoras e os livros que contradisseram as teses da acusação não tiveram nenhuma divulgação, tudo para impor um pensamento único a respeito do processo.

Não é que não houve crime e que muitos acusados são culpados. Mas há réus condenados sem nenhuma prova, penas muito maiores do que as que se dão a assassinos reincidentes, e o ministro Joaquim Barbosa causa mal à democracia com suas atitudes arbitrárias, autoritárias e destinadas a receber repercussão favorável da mídia e transformá-lo em ídolo.

Barbosa faz política usando sua cadeira no mais alto tribunal do país, o que é ilegítimo e antidemocrático. Foi de propósito que decretou as prisões em um feriado, para que os réus não tivessem a quem apelar contra as ilegalidades cometidas e ficassem em regime fechado na Papuda. Sequer comunicou ao juiz de execuções penais, para evitar que ele tomasse alguma decisão. Mandou virem todos para Brasília, mesmo um cardiopata como José Genoíno, sem nenhuma necessidade, algemados, apenas para garantir que a mídia tivesse assunto para ocupar os dias de fins de semana.

Combater a corrupção que grassa no país é uma coisa. Fazer disso uma luta política contra apenas alguns e para se promover é outra. Joaquim Barbosa hoje é herói da direita ideológica e dos milhões de desinformados pela mídia. A história, porém, o condenará.
Helio Doyle

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