Os vira-latas em Teerã

AFP / Wikipedia / RT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

O caráter colonizado de grande parte de nossos observadores diplomáticos teve poucos momentos tão vergonhosos como em maio de 2010. Naquele momento, Brasil, Turquia e Irã assinaram um acordo nuclear que, em seus traços essenciais, era um rascunho bem feito do acerto fechado ontem, em Genebra, com apoio de Estados Unidos, China, Reino Unido, França e Alemanha.

Após três anos e seis meses de tensão e novas ameaças de confronto, o óbvio ficou um pouco mais ululante.

Desmentindo o discurso imperial que em 2010 tentava apresentar uma intervenção militar como inevitável diante da “intransigência” iraniana para defender seu programa nuclear, o novo acordo confirma que era possível avançar numa solução pacífica, respeitando a vontade soberana daquele país. Apesar disso, quem não sofreu uma perda seletiva de memoria irá lembrar-se do que ocorreu há três anos.

Com apoio inicial da Casa Branca, que voltaria atrás sob pressão de lobistas a serviço da extrema direita de Israel, Lula tomou a iniciativa de atrair o Irã e a Turquia para as conversas. Foi uma ideia do presidente brasileiro, a partir de conversas prévias com o então presidente do Ira, Mahmoud Ahmadinejad, em Nova York. Informado, Barack Obama aderiu a ideia, ainda que relutante. O chanceler Celso Amorim atuou nos bastidores entre os envolvidos.

Quarenta e oito horas depois, enquanto os Estados Unidos propunham uma nova rodada de sanções contra o Irã, inviabilizando um pacto que bastante razoável, Lula tornou-se alvo de um massacre externo e, especialmente, interno. Fez-se o possível para ridicularizar sua atuação, como se fosse um caso patológico de caipirismo diplomático. Refletindo o tom geral, um comentarista chegou a mandar os pêsames para o presidente brasileiro. Como explicar essa postura?

Um ponto, claro, era eleitoral. Cinco meses depois da viagem de Lula a Teerã, a população brasileira iria às urnas e era importante impedir qualquer vitória de seu governo, que poderia ajudar a eleição do ainda poste Dilma.

Outro aspecto é o complexo de vira-latas, que não consegue enxergar oportunidades que a conjuntura internacional pode oferecer ao país. Não se perdoou a indisciplina de Lula em relação a Washington. Já que Obama havia mudado de ideia, como é que o governo brasileiro se atrevia a teimar com seu projeto?

Como escreveu o professor José Luiz Fiori, em 2010, “o que provocou surpresa e irritação em alguns setores, não foram as negociações, nem os termos do acordo final, que já eram conhecidos. Foi o sucesso do presidente brasileiro que todos consideravam impossível ou muito improvável. Sua mediação (...) criou uma nova realidade que já escapou ao controle dos Estados Unidos e seus aliados. “

O ponto principal envolve o caráter provinciano do pensamento diplomático estabelecido no país. Incapaz de enxergar novos horizontes quando a situação internacional permite – como estava claro em 2010 – nossos professores de fim de semana procuram sabotar uma diplomacia que, vê-se agora toda clareza, abria oportunidades.

Chato, né?
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PSDB se tornou a nova UDN

Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

E o PSDB virou, no ocaso de seus líderes históricos, a versão pós-moderna da UDN.

A UDN, em sua inglória, desprezível, abjeta existência, funcionou assim: perseguiu o poder e, na falta de votos, conspirou contra a democracia. Esteve por trás de dois golpes contra presidentes populares: Getúlio Vargas e João Goulart.



A UDN, como o PSDB hoje, representava o interesse do chamado 1%. Era a direita, em suma. Não a direita civilizada que você tem em países adiantados como a França e a Inglaterra, para não falar da Escandinávia, mas a direita predadora típica da América do Sul.

Como o PSDB, a UDN tinha a mídia na mão: Roberto Marinho, os Mesquitas e outros varões de Plutarco, aspas e pausa para rir.

Uma única vez a UDN chegou ao poder pelos votos. Indiretamente, na verdade. Foi em 1961, quando trouxe para seu lado, numa aliança de ocasião, um demagogo histriônico chamado Jânio Quadros.

Mas Jânio logo se cansou da tutela da UDN, e fez coisas que a desagradaram profundamente, como condecorar Che Guevara.

Lacerda, o Corvo, começou a atormentar Jânio, e este depois de sete meses renunciou. Terminava assim a breve estada da UDN no poder, pelas mãos de Jânio.

O sucessor de Jânio, João Goulart, o Jango, foi triturado pela UDN, que batera às portas dos quarteis para chamar os militares e recorrera à CIA para garantir o sucesso do golpe que planejava.

Os crimes de Jango: quando ministro do Trabalho de Getúlio, ele fez com que os empresários recorressem não à polícia para tratar de questões trabalhistas, mas que negociassem com os sindicatos.

Presidente, criou o 13.o salário, que o Globo, em manchete, disse que era uma calamidade nacional.

O golpe militar tramado pela UDN deu errado para ela. Os militares gostaram do poder. Lacerda acabaria cassado, e pateticamente foi atrás de Jango para uma aliança contra os generais que não lhe deram a presidência na bandeja, como ele queria.

A UDN foi dissolvida pelos militares, e repousa hoje na lata de lixo.

Meio século depois, o PSDB acabou por fazer as vezes dela.

O PSDB não tem ninguém com a oratória brilhante – embora nefasta – de Lacerda. Tem apenas minilacerdas, o mais abominável dos quais é Serra e o mais velho, FHC.

Como a UDN, o PSDB também não tem ninguém capaz de ganhar uma eleição presidencial. A saída é procurar algum novo Jânio.

Mas quem?

O nome mais óbvio é Joaquim Barbosa. Só que Joaquim Barbosa não é Jânio. Ou melhor: é Jânio em parte. Tem os defeitos de Jânio, como a megalomania e o apego fanático aos holofotes, mas não as virtudes políticas de Jânio.

Jânio falava a linguagem do povo, se vestia como o homem simples da rua, e cuidava até da caspa que o aproximava do cidadão simples. JB tem uma linguagem que ele próprio não parece entender. É empolado, confuso. E quer ser parecido, ao contrário de Jânio, não com o brasileiro médio, mas com a plutocracia. Até apartamento em Miami ele comprou.

Mas, no desespero, o PSDB parece ver em JB o novo Jânio. Rumores dão conta de que Aécio o estaria cortejando para uma chapa.

É uma aliança previsível: a direita busca os seus iguais.

Mas JB, repito, não é Jânio. No jogo das similitudes, o PSDB sim é a UDN.

E isso é uma tragédia não para o Brasil, porque as circunstâncias de hoje são bem diferentes das de 1954 e de 1954 – mas para o próprio PSDB.

Como a UDN, a posteridade o colocará no devido lixo reservado àqueles que defendem os interesses de uma rarefeita elite que levou o Brasil a ser um dos recordistas mundiais de desigualdade social.
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A novela do trensalão tucano

http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/
Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho:

A semana chega ao fim sem se saber o que há de concreto nas denúncias publicadas esta semana por toda a imprensa, a partir de uma reportagem do Estadão, que pela primeira vez envolve nomes do alto tucanato no caso do Trensalão, o esquema de carteis e propinas que há anos ronda os governos do PSDB em São Paulo.


Ao contrário, a cada dia o caso fica mais enrolado, com acusações mútuas entre PT e PSDB, a partir das idas e vindas do principal denunciante, o ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer, que agora alega não ter assinado o documento entregue à Polícia Federal pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e não pelo Cade, como a princípio se noticiou.

No relatório que encaminhou ao PT no dia 17 de abril, Rheinheimer afirma ter em seu poder uma série de documentos originais, "que provam um forte esquema de corrupção no Estado de São Paulo durante os governos Covas, Alckmin e Serra, e que tinha como objetivo principal o abastecimento do Caixa 2 do PSDB e do DEM".

Sete meses depois, não apareceu até agora nenhuma prova ou documento para sustentar as acusações do ex-diretor. Agora, quem quer esclarecer tudo é o PSDB. Neste sábado, no Rio, o presidenciável tucano Aécio Neves cobrou do ministro Cardozo esclarecimentos sobre seu envolvimento no caso que apura as denúncias do Trensalão.

"Meu partido defende que qualquer denúncia seja apurada com rigor, mas não pode haver precipitações, pré-julgamentos e muito menos a utilização da estrutura do Estado para um projeto político". Para o presidente do PSDB, "trata-se de um "atentado à democracia. O que temos percebido no Brasil é a utilização das instituições de Estado para um projeto político. Isso é extremamente grave, jamais aconteceu antes".

Em resposta, o ministro da Justiça afirmou que não há uso político do caso. "O Cade vive hoje uma situação semelhante à da PF. Quando você investiga aliados, se afirma que é um órgão que o ministro e a presidente não controlam. Quando você investiga adversários, fala-se que é instrumentalização (...) Qual é o papel do ministro da Justiça? É mandar apurar, com sigilo. Se não faço isso, prevarico". Segundo Cardozo, a PF vai apurar o vazamento das investigações, que deveriam correr em caráter de sigilo.

Enquanto isso, os principais veículos que se dedicam ao jornalismo investigativo poderiam mandar seus jornalistas para a Suíça, que parece mais interessada nas investigações, sem receber apoio das autoridades brasileiras, e às sedes europeias da Siemens e da Alstom, as principais empresas envolvidas no caso, e que já admitiram a participação no esquema de carteis. Custa mais barato, por exemplo, do que mandar um enviado especial para a região de Gaza ou para acompanhar os jogos do time de Felipão no exterior.
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OAB conclama advogados a participar da Reforma Política Democrática


Brasília – A Ordem dos Advogados do Brasil dá início, na próxima quarta-feira (27/11), à coleta de assinaturas para a apresentação de projeto de lei de iniciativa popular para que seja feita a tão esperada reforma política. O Conselho Federal da entidade decidiu deflagrar, ao lado de outras entidades representativas da sociedade civil, o movimento Reforma Política Democrática. O movimento é composto pela CNBB, pela Fenaj e por mais de 50 entidades.
O primeiro ato do movimento será a coleta de assinaturas e terá início na próxima quarta. O objetivo do movimento é coletar 1,5 milhão de adesões até o dia 11 de agosto de 2014. O ato acontece em Brasília, a partir das 16h, partindo do Museu Nacional até a rodoviária.
Em carta assinada pelo presidente nacional Marcus Vinicius Furtado Coêlho, pelo presidente da Comissão Especial de Mobilização para a Reforma Política, Cezar Britto, e pelo presidente da OAB/DF, Ibaneis Rocha, a Ordem conclama os advogados a participar do movimento.
Clique aqui para conferir a íntegra do projeto de lei.
Leia a carta
Reforma Política e Democrática por Eleições Limpas
A Ordem dos Advogados do Brasil, atendendo às atribuições institucionais que lhe foram conferidas pela Constituição Federal e pela lei estatutária, decidiu deflagrar, ao lado de outras entidades representativas da sociedade civil, o movimento Reforma Política Democrática. O movimento é composto pela CNBB, Fenaj e por mais de 50 entidades.
O primeiro ato do movimento será a coleta de assinaturas e terá início na próxima quarta-feira, 27 de novembro. O objetivo do movimento é coletar 1,5 milhão de adesões até o dia 11 de agosto de 2014. O ato acontece em Brasília, a partir das 16h, partindo do Museu Nacional até a rodoviária. Por meio eletrônico as assinaturas poderão ser feitas no site www.reformapoliticademocratica.com.br
A Ordem dos Advogados do Brasil conclama os cidadãos e, especialmente, os advogados, a participar do ato e assinar a proposta de reforma elaborada pelas entidades. Só há uma forma de o Congresso Nacional aprovar a reforma política: por meio da pressão da opinião pública e da participação popular.
A proposta prevê que os gastos de campanhas devem ter um limite máximo, que será estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral a cada eleição, além da contribuição dos cidadãos com valores individuais de até R$ 700,00 e a criminalização do caixa dois de campanhas. A Lei Ficha Limpa cuidou das consequências do sistema eleitoral brasileiro. Este projeto de reforma política busca cuidar das causas e dos desvios de conduta dos quais nasce a corrupção eleitoral.
Advogado: seja protagonista da história. Sua assinatura pode mudar o País.
Marcus Vinicius Furtado Coêlho Presidente Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil
Cezar Britto Presidente da Comissão Especial de Mobilização para a Reforma Política
Ibaneis Rocha Presidente da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil
*Fonte: OAB-DF  http://www.oab.org.br/
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Mídia ataca Cardozo para salvar tucanos

http://pigimprensagolpista.blogspot.com.br/
Por Altamiro Borges

José Eduardo Cardozo, o ministro da Justiça da presidenta Dilma sempre tão cordato e conciliador, passou a ser o principal alvo da mídia golpista nos últimos dias. Isto porque ele enviou à Polícia Federal os documentos sobre o envolvimento de alguns chefões do PSDB paulista no esquema milionário do propinoduto tucano. Jornalões e “calunistas” da tevê afirmam que ele partidarizou a denúncia e estrebucham histericamente. Eles preferiam que o ministro ficasse, mais uma vez, acuado e passivo – o que até poderia caracterizar prevaricação e omissão de provas.

A violenta cruzada contra o ministro confirma o enorme poder de manipulação da mídia privada. Ela transforma vilões em mocinhos e vice-versa. Isto já havia ocorrido no caso recente da máfia dos fiscais de São Paulo. O prefeito Fernando Haddad, que revelou a trama, passou a ser tratado como cúmplice da corrupção. Já um dos principais suspeitos de ligação com o esquema milionário, Mauro Ricardo – homem de confiança do ex-prefeito José Serra, que o indicou para continuar na prefeitura na gestão de Gilberto Kassab –, simplesmente sumiu das páginas dos jornais e da telinha da TV.

A mídia tucana faz de tudo, até o impensável, para proteger os seus apaniguados no governo paulista. O escândalo do propinoduto tucano, que envolve poderosas multinacionais do setor de transporte e vários caciques do PSDB, ficou engavetado por quinze anos nas gavetas do Ministério Público e da Justiça de São Paulo. Até os pedidos de investigação de autoridades do paraíso fiscal suíço foram desprezados. A própria iniciativa da empresa alemã Siemens, que decidiu abrir o jogo da corrupção para salvar a pele, foi abafada. O tal "jornalismo investigativo" mostrou-se novamente bem seletivo.

Mas não há mentira que dure para sempre. Aos poucos, a sujeira do propinoduto foi sendo revelada e as investigações tiveram início. O PSDB, que tenta se travestir de paladino da ética, ficou na berlinda com a revelação do envolvimento de três governadores – Mario Covas, José Serra e Geraldo Alckmin –, de vários secretários estaduais, de parlamentares da sigla, do DEM e do PPS e de operadores financeiros do tucanato. O ministro José Eduardo Cardozo não fez mais do que a sua obrigação ao encaminhar os documentos com os indícios da ação criminosa.

Mas a mídia não o perdoa. A Folha dá manchetes insinuando que o ministro agiu com o objetivo de prejudicar o PSDB. O Estadão, que revelou com exclusivamente os documentos de um ex-executivo da Siemens acusando quatro secretários do governo Alckmin de montarem o esquema de caixa-2 do PSDB com as propinas da multinacional, agora também condena a atitude de José Eduardo Cardozo.

Teleguiados pela mídia, líderes do PSDB, DEM e PPS estufam o peito e garantem que convocarão o ministro para dar “explicações” no Congresso Nacional. O senador Aécio Neves, o cambaleante presidenciável tucano, esbraveja: “O ministro precisa esclarecer qual foi sua participação nesse processo. Isso é extremamente grave. Estamos assistindo no Brasil o uso das instituições do Estado para fins políticos”. Haja cinismo! A operação diversionista, comandada pela mídia golpista, pode até dar resultado, inibindo as investigações do propinoduto tucano. Seria um absurdo!

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Leia também:

- Mídia tenta desqualificar ministro da Justiça

- Máfia dos fiscais e a estranha obsessão da Folha

- Estadão e Globo abrem caminho para Aécio Neves

- Como a midiazona protege os tucanos
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