MST se solidariza com Dirceu e Genoino

http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/
Do sítio do MST:

Caros Camaradas José Dirceu e José Genoino
A Direção Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vem acompanhando com indignação o Julgamento de Exceção e a condenação injusta.

Repudiamos com veemência a ação do judiciário brasileiro, em especial o Supremo Tribunal Federal, serviçal à classe dominante no país, que há anos vem atuando contra a classe trabalhadora, os movimentos sociais e a luta política.


Para os Movimentos Sociais, a criminalização representa um recuo das conquistas democráticas obtidas através das lutas históricas dos trabalhadores e trabalhadoras, das quais vocês são sujeitos protagonistas.

No último período, o MST também tem sido alvo da atuação parcial do judiciário, no que diz respeito ao bloqueio da Reforma Agrária, à continuidade da violência no campo, à perpetuação da impunidade aos crimes e massacres cometidos e perseguições políticas às nossas entidades jurídicas.

Essa atuação tem sido fortalecida pelos meios de comunicação de massa a partir de uma aliança de classe entre os setores dominantes, que arquitetam “shows midiáticos”, cerceando o direito à informação e à crítica. No caso desse julgamento, a aliança entre a Globo e o STF se tornam evidentes e revelam, mais uma vez, o poder de hegemonia da dominação.

Diante disso, reafirmamos o nosso compromisso em denunciar e combater as práticas promíscuas de parte do judiciário e da mídia burguesa brasileira. Seguiremos na luta pela construção de um país soberano, com participação popular efetiva e na construção intransigente da justiça social.

Expressando nossa indignação, nos solidarizamos e exigimos a liberdade imediata de vocês.

“Contra a intolerância dos ricos, a intransigência dos pobres” - Florestan Fernandes
São Paulo, 22 de novembro de 2013.
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E quem tá preso é o Genoino...


51% do Aeroporto do Galeão foi leiloado por 19 bilhões. Se somado ao Aeroporto de Confins vai dar mais de três companhias Vale do Rio Doce, infinitamente mais rica. A Vale, patrimônio nacional, foi doada por Fernando Henrique Cardoso.


No SQN
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Ponto fora da democracia: O julgamento do mensalão não foi apenas algo fora da curva. Foi uma afronta à retidão

O julgamento do mensalão não foi apenas algo fora da curva. Foi uma afronta à retidão
“Um ponto fora da curva”. Foi assim que o Ministro Barroso, do STF, definiu a AP 470 em sua sabatina no Senado. 
O então candidato à nossa suprema corte foi elegante, como sempre. Talvez demasiadamente. Muitos consideram que a sua definição é apenas um eufemismo para coisa bem mais grave.
Com efeito, a AP 470 já tinha começado torta, fora da curva, com a negativa do desmembramento, e está terminando com uma série de irregularidades destinadas a propiciar um espetáculo midiático, com a humilhação pública dos acusados. Um final convenientemente distorcido para um começo torto. 
Entre um e outro ocorreu de tudo: timing político-eleitoral das condenações, acusações sem provas, humilhações públicas do Ministro Lewandowski, declarações políticas em votos que deveriam espelhar a imparcialidade da justiça e, last but not least, a transformação do domínio do fato na tirania da hipótese pré-estabelecida. 
Assim sendo, ponto fora da curva é pouco. Não foi apenas algo fora da curva. Foi afronta à retidão. Não foi mera exceção. Foi julgamento de exceção. Ou praticamente isso. 
Fez-se justiça? Não, não se fez justiça. Justiça pressupõe equilíbrio e, sobretudo, imparcialidade. Não houve nem uma coisa nem outra. Justiça e procuradores que prendem Genoino, um homem doente e sem posses, mas que sequer investigam fatos muito mais graves e bem mais polpudos que um mero exemplo do usual caixa dois de campanha, esquecendo-os dentro de providenciais gavetas, não parecem imparciais. Tampouco equilibrados. As condenações da AP 470 excedem bastante os ilícitos que efetivamente foram comprovados. 
O julgamento deixou algum legado positivo? Não. Ao contrário do que alguns disseram, a AP 470 não inaugura uma nova era de “poderosos na cadeia”. Só os mais rematados panglossianos, aqueles que vivem dizendo que o mensalão é o maior escândalo de corrupção da história do Brasil, poderiam acreditar que o “julgamento” teve como propósito real o combate efetivo à corrupção e à impunidade. Os verdadeiramente poderosos, aqueles que tradicionalmente fazem a ponte entre o poder econômico e o poder político, continuarão a desfrutar da sua também tradicional impunidade, assegurada pelas gavetas oportunas e pela óbvia parcialidade daquilo que Gramsci denominava de “o partido do capital”. 
Entretanto, para aqueles que não fazem parte desse seleto grupo, ou que não contam com sua simpatia, a AP 470 criou um precedente perigoso. A menor suspeita, a mais ínfima ofensa poderá agora ser draconianamente punida com penas elevadas, com domínio do fato e sem provas cabais. É o predomínio das conveniências políticas sobre os direitos fundamentais. É a definitiva “judicialização” da política, ou a politização da justiça, como queiram. Nesse sentido, o “julgamento” enfraqueceu o Estado de Direito.
Porém, isso não é o mais preocupante. Na realidade, o que preocupa mais é que esse “ponto fora da curva” representa sintoma de algo consideravelmente mais grave: a radicalização do processo político no Brasil e a deturpação de nossa democracia. 
Basta ver a repercussão da AP 470 na mídia e na internet para ver que algo está profundamente errado no país.  A caixa de Pandora aberta nas redes sociais revela um bestiário atemorizante. O ódio ao PT, aos “mensaleiros” e à esquerda em geral se mistura à indignação seletiva e oportunista para compor um quadro de radicalização à direita que lembra a Munique dos anos 20 ou o Rio de Janeiro de 1964. Sem exageros.
Nas eleições de 2010, já tínhamos visto uma avant-première desse protofascismo impudico. Naquele ano, a candidatura conservadora assumiu claros ares de um Tea Party tupiniquim, com direito à mistura de fundamentalismo religioso com ressentimento político. No entanto, agora a coisa parece ter saído definitivamente de controle. O ódio ao PT e ao seu governo atingiu um paroxismo vulcânico, com uivadas promessas de “varrer”, de “acabar”, de “exterminar” com a “raça de petistas e comunistas”. 
O irônico é que todo esse ressentimento não foi provocado por um mau governo, mas pelo fenômeno contrário: o PT, “penetra” na estrutura do poder no Brasil, fez e faz, em linhas gerais, um governo muito bom, que rende aos seus titulares índices de popularidade bem superiores aos de seus antigos adversários. O “penetra” virou a estrela da festa. Isso é imperdoável.
Evidentemente, tal ressentimento, tal ódio destrutivo, não preocuparia se ficasse restrito às miasmas digitais. Contudo, ele se espraia vitoriosamente pela mídia, pelos partidos de oposição e até mesmo por algumas instituições importantes para a democracia. O STF não parece exceção. 
O nosso sistema político está hoje contaminado por essa nova cultura do ressentimento, que não identifica adversários a serem eventualmente superados em debates e pleitos eleitorais, mas inimigos que precisam ser exterminados a qualquer custo. Recentemente, uma conhecida pré-candidata, em tese adepta de uma “nova política”, teria afirmado que seu objetivo principal era “acabar com o PT e o chavismo que tomou conta do Brasil”. Brave new politics.
Esse fenômeno é muito inquietante. A democracia tem a capacidade de conviver bem com as diferenças e de intermediar conflitos de interesses. Ralf Dahrendorf, grande teórico do conflito, afirmava que tal capacidade de conviver com os embates era a grande fortaleza das modernas democracias. Contudo, esse novo radicalismo à droit, que impede o diálogo e a convivência democrática com o conflito de interesses, tende a ressuscitar o anacrônico golpismo, sob inéditas roupagens.
Na América Latina, as recentes experiências de governos de centro-esquerda têm levado, em alguns casos, a tentativas, bem-sucedidas ou não, de golpes de Estado “constitucionais” e “jurídicos” e a um clima permanente de tensão que compromete a governabilidade e a convivência democrática entre forças políticas adversárias O Brasil parecia infenso a essa tendência. Não parece ser mais o caso. Não há golpe à vista, mas a saudável convivência com as divergências e as diferenças foi substituída por essa patologia política.
Nesse quadro, há uma clara degradação da democracia brasileira e um evidente rebaixamento do debate político. Na ausência de propostas alternativas às do governo atual, algumas forças de oposição, dentro e fora do Congresso, se limitam a gritar o vazio moralista de um neoudenismo casuístico. Esse filme é velho. Seu final também.
A política brasileira está num perigoso ponto fora da curva da saudável democracia. Há gente que, embora deteste o “chavismo”, vem se esforçando para que o processo político brasileiro se iguale ao da Venezuela. 
O ano de 2014 está chegando. Teremos um novo teste para a nossa democracia. Seria bom que todas as forças democráticas voltassem a debater, em alto nível (alguém se lembra disso?), os destinos do país, em vez de se digladiarem em torno de uma paupérrima e estéril agenda de delegacia de polícia. A reforma política seria um bom começo.
Afinal, quem quer que resulte vitorioso em 2014 será obrigado a fazer coalizões, a repartir cargos e responsabilidades e a conviver democraticamente com a oposição. Com domínio do fato e tudo o mais. 
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Dilma ganha mais uma: ágio de 293% no Galeão


Expectativa da presidente Dilma Rousseff de "competição forte" na disputa dos aeroportos, colocada em entrevista exclusiva ao 247, se confirma; consórcio liderado pelo grupo Odebrecht, em parceria com o grupo Changi, de Cingapura, fez proposta de R$ 19 bilhões pelo terminal internacional do Rio de Janeiro, com ágio de 293%; "o Brasil já vive o maior ciclo de investimentos em infraestrutura de toda a sua história", diz a presidente; resultado do leilão torna risível a crítica sobre desconfiança de empresários em relação ao Brasil; em Confins, venceu a CCR com oferta de R$ 1,8 bilhão e ágio de 66%; nesta rodada, governo arrecadou R$ 20,8 bilhões
Leilão de aeroportos tem lances de até R$ 19 bilhões
Acabou agora pouco a etapa de apresentação dos lances escritos no leilão para concessão dos aeroportos internacionais Antônio Carlos Jobim/Galeão, no Rio de Janeiro, e Tancredo Neves, em Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte. Foram feitos cinco lances para os direitos de ampliação, manutenção e exploração do aeroporto carioca e três para o mineiro.
O maior lance para o Galeão foi do consórcio Aeroportos do Futuro, com um valor de outorga de R$ 19 bilhões. O lance mínimo era de R$ 4,82 bilhões. Para Confins, o maior lance foi do consórcio Aerobrasil, R$ 1,4 bilhão. O lance mínimo para o terminal mineiro era de R$ 1,09 bilhão.
As propostas estão sendo verificadas. Os consórcios que tiverem os três melhores lances considerados válidos poderão continuar participando do leilão na etapa de viva voz.
Juntos, os dois aeroportos movimentam 14% do total de passageiros do país, 10% da carga e 12% das aeronaves do tráfego aéreo brasileiro. Atualmente, o Galeão movimenta, por ano, cerca de 17,5 milhões de passageiros. O prazo de concessão será 25 anos, podendo ser prorrogado uma vez, por mais cinco anos. Segundo a Anac, a expectativa é que 60 milhões de passageiros utilizem o aeroporto em 2038, ano em que acaba a concessão.
Em relação a Confins prazo de concessão será 30 anos, também com possibilidade de prorrogação por mais cinco anos. Atualmente, o movimento é 10,4 milhões de passageiros por ano, e ao fim da concessão, a expectativa é 43 milhões de passageiros utilizando o aeroporto anualmente.

Daniel Mello
No Agência Brasil
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POlÍTICA - Hannah Arendt e o Barbosão.

Diário do Centro do Mundo

Hannah Arendt e o prazer de Joaquim Barbosa com a luz dos refletores

by Kiko Nogueira
Hannah Arendt
Hannah Arendt

Em 1961, a filósofa alemã de origem judaica Hannah Arendt foi a Jerusalém cobrir para a revista New Yorker o julgamento de Adolf Eichmann. Eichmann havia sido capturado em Buenos Aires pelo serviço secreto. Durante o nazismo, fora chefe da Seção de Assuntos Judaicos e responsável pela organização do esquema de deportação para os campos de extermínio.
A reportagem saiu em duas edições e, posteriormente, virou o livro “Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal”. Essa expressão, que ela consagrou, estava na última linha do último capítulo do livro. Arendt se assombrou com a mediocridade de Eichmann, um burocrata que só se utilizava de clichês para falar, sem traços de anti-semitismo, um funcionário ambicioso sem discernimento moral e dotado de cega obediência aos superiores. Onde estava o monstro?
Publicado seu relato, ela foi acusada de nazista, perdeu amigos, recebeu ameaças de morte. Tocava no assunto delicado da cooperação de organizações judaicas no transporte para os campos. E criticou duramente o julgamento.
O que ela conta sobre o sensacionalismo em torno da corte cabe no que se viu aqui, transmitido ao vivo, durante o processo do mensalão.
Segundo Arendt, o julgamento, que deveria ser grandioso, perdia dimensão com a pequenez do réu e a atitude da promotora e com o clima de “acerto contas”. Era algo que o estado israelense queria transformar em um espetáculo inesquecível para as próximas gerações. Ela insiste na teatralidade que colocava em xeque a noção de justiça do caso.
Para Arendt, o julgamento “foi instaurado não para satisfazer as exigências da justiça, mas para aplacar o desejo e talvez o direito de vingança das vítimas”. Ela enxergava a o seguinte paralelo: “Um julgamento parece uma peça de teatro porque ambos começam e terminam com o autor do ato, não com a vítima”. Eichmann se transformou no símbolo do nazismo e estava pagando por todos os crimes do regime -- e também pela perseguição histórica aos judeus. Foi condenado e enforcado.
Arendt denunciou a vontade insaciável do promotor Gideon Hausner de aparecer. Estava na imprensa o tempo todo, lançava olhares para a plateia, gostava e sabia se utilizar das câmeras (o julgamento foi televisionado; está no YouTube). Hausner ganhou elogios públicos de John Kennedy por sua atuação. Mais tarde, teve ele mesmo uma carreira política.
"A Justiça não admite coisas desse tipo”, disse ela, referindo-se à vaidade e ao exibicionismo.”Ela exige isolamento, admite mais a tristeza do que a raiva, e pede a mais cautelosa abstinência diante de todos os prazeres de estar sob a luz dos refletores." Luz sem a qual Joaquim Barbosa, por exemplo, não sobrevive.
A história da filósofa em Jerusalém, aliás, está no bom filme "Hannah Arendt", lançado neste ano no Brasil. Existe em DVD.
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