O conselho que Dirceu não me pediu

Por Hildegard Angel, em seu blog:

Conversei hoje, às duas e meia da tarde, com José Dirceu. E o que disse a ele? O que poderia dizer, num momento de contagem regressiva, a quem considero inocente, ante o super espetáculo de linchamento público que se lhe preparam, em rede nacional?

- Não perca a dimensão histórica deste momento, mantenha sua altivez de homem de fibra que é, pois só um homem de fibra teria se mantido todo este tempo, sob tamanho bombardeio, de pé como você; não vista a carapuça que lhe imputam, pois é isso que pretendem; acredite, você tem amigos que se mantêm e se manterão ao seu lado; não use óculos escuros; aja como aquele jovem Dirceu, no momento de partir para o exílio: como um herói, e não como alguém com culpa, como agora pretendem, já que culpa você não tem; não se acabrunhe. Seus amigos estão com você.

Dirceu me ouviu calado, sem interromper, e ao fim de nossa conversa se despediu educada e amavelmente da amiga, como chamou. Ele não havia pedido conselhos, muito menos minha opinião. Diferentemente do que pensam, é um homem modesto e paciente. Pois quem sou eu, afinal, para orientar ou aconselhar um estrategista de longo curso como José Dirceu? Só mesmo o desvario e a aflição de acreditar, firmemente, estar prestes a testemunhar a concretização do que acredito ser um ato injusto e absurdo, poderia me levar a tal ímpeto de arrogância de pretender orientar um homem de tal estatura histórica e de tão elevados conhecimentos políticos.

Perdoe-me, José Dirceu, pela infantilidade de ter ousado aconselhar um Herói brasileiro.
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POLÍTICA - Dois Josés e a mesma história de luta contra a arbitrariedade.

Dois Josés e a mesma história de luta contra a arbitrariedade


José Genoíno e José Dirceu, personagens da história brasileira, que lutaram contra a ditadura e ajudaram a construir a vitória de Lula em 2002
José Genoíno e José Dirceu, personagens da história brasileira, que lutaram, sem medo, contra a ditadura e ajudaram a construir a vitória de Lula em 2002

Hildegard Angel publicou hoje em seu blog um trecho de uma conversa que teve com José Dirceu e o conselho que lhe deu, como amiga e crente em sua inocência:”Conversei hoje, às duas e meia da tarde, com José Dirceu. E o que disse a ele? O que poderia dizer, num momento de contagem regressiva, a quem considero inocente, ante o super espetáculo de linchamento público que se lhe preparam, em rede nacional?
- Não perca a dimensão histórica deste momento, mantenha sua altivez de homem de fibra que é, pois só um homem de fibra teria se mantido todo este tempo, sob tamanho bombardeio, de pé como você; não vista a carapuça que lhe imputam, pois é isso que pretendem; acredite, você tem amigos que se mantêm e se manterão ao seu lado; não use óculos escuros; aja como aquele jovem Dirceu, no momento de partir para o exílio: como um herói, e não como alguém com culpa, como agora pretendem, já que culpa você não tem; não se acabrunhe. Seus amigos estão com você.”
Hildegard em famoso vídeo que gravou em apoio a Dirceu e Genoíno, tratou o caso julgado pelo Supremo Presidente do STF e seus colegas de toga com o devido nome que a história tratará de reconhecer e dar lugar: Mentirão!
Pedidos de prisão, meticulosamente programados para o feriado da proclamação da República, tem simbolismo para seus postulantes a um lugar na história do país, mas “esquecimentos”, partidarismos e protecionismos do Judiciário para alguns, como no caso do Trensalão Tucano de São Paulo, Lista de Furnas, Propinoduto Paulista, Mensalão Tucano, Cachoeiroduto e outros escândalos jogados para debaixo do tapete, confirmam que há uma campanha persecutória contra um partido político, o PT, e seus filiados importantes.
É certo que a associação judicial/midiática em ação pretendia levar Dirceu e Genoíno a cometer atos desesperados, como uma fuga do país ou suicídio, ou oferecer generoso espaço para que culpassem outros para livrarem-se, quem sabe atingir Lula… Pretendiam torná-los símbolo da culpa por fraquezas cometidas em esperados atos de medo do encarceramento e do linchamento público incessante a que são submetidos a quase 10 anos.
Dirceu e Genoíno são fortes personagens do país e suas histórias, em algum momento, se confundiram com a brasileira na luta contra a ditadura militar e em defesa da democracia.  Não se prestariam a um papel ridículo, falso e insidioso a que se prestou, por exemplo, Roberto Jefferson, réu confesso de ter desviado R$ 4 milhões em caixa dois de campanha, transformado em novo “herói” da mídia…
Abaixo reproduzimos as notas de Dirceu e Genoíno:
dirceu
CARTA ABERTA DE JOSÉ DIRCEU AO POVO BRASILEIRO
15 de novembro de 2013

“O julgamento da AP 470 caminha para o fim como começou: inovando – e violando – garantias individuais asseguradas pela Constituição e pela Convenção Americana dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário. A Suprema Corte do meu país mandou fatiar o cumprimento das penas. O julgamento começou sob o signo da exceção e assim permanece. No início, não desmembraram o processo para a primeira instância, violando o direito ao duplo grau de jurisdição, garantia expressa no artigo 8 do Pacto de San Jose. Ficamos nós, os réus, com um suposto foro privilegiado, direito que eu não tinha, o que fez do caso um julgamento de exceção e político. Como sempre, vou cumprir o que manda a Constituição e a lei, mas não sem protestar e denunciar o caráter injusto da condenação que recebi. A pior das injustiças é aquela cometida pela própria Justiça. É público e consta dos autos que fui condenado sem provas. Sou inocente e fui apenado a 10 anos e 10 meses por corrupção ativa e formação de quadrilha – contra a qual ainda cabe recurso – com base na teoria do domínio do fato, aplicada erroneamente pelo STF. Fui condenado sem ato de oficio ou provas, num julgamento transmitido dia e noite pela TV, sob pressão da grande imprensa, que durante esses oito anos me submeteu a um pré-julgamento e linchamento. Ignoraram-se provas categóricas de que não houve qualquer desvio de dinheiro público. Provas que ratificavam que os pagamentos realizados pela Visanet, via Banco do Brasil, tiveram a devida contrapartida em serviços prestados por agência de publicidade contratada. Chancelou-se a acusação de que votos foram comprados em votações parlamentares sem quaisquer evidências concretas, estabelecendo essa interpretação para atos que guardam relação apenas com o pagamento de despesas ou acordos eleitorais. Durante o julgamento inédito que paralisou a Suprema Corte por mais de um ano, a cobertura da imprensa foi estimulada e estimulou votos e condenações, acobertou violações dos direitos e garantais individuais, do direito de defesa e das prerrogativas dos advogados – violadas mais uma vez na sessão de quarta-feira, quando lhes foi negado o contraditório ao pedido da Procuradoria-Geral da República. Não me condenaram pelos meus atos nos quase 50 anos de vida política dedicada integralmente ao Brasil, à democracia e ao povo brasileiro. Nunca fui sequer investigado em minha vida pública, como deputado, como militante social e dirigente político, como profissional e cidadão, como ministro de Estado do governo Lula. Minha condenação foi e é uma tentativa de julgar nossa luta e nossa história, da esquerda e do PT, nossos governos e nosso projeto político. Esta é a segunda vez em minha vida que pagarei com a prisão por cumprir meu papel no combate por uma sociedade mais justa e fraterna. Fui preso político durante a ditadura militar. Serei preso político de uma democracia sob pressão das elites. Mesmo nas piores circunstâncias, minha geração sempre demonstrou que não se verga e não se quebra. Peço aos amigos e companheiros que mantenham a serenidade e a firmeza. O povo brasileiro segue apoiando as mudanças iniciadas pelo presidente Lula e incrementadas pela presidente Dilma. Ainda que preso, permanecerei lutando para provar minha inocência e anular esta sentença espúria, através da revisão criminal e do apelo às cortes internacionais. Não importa que me tenham roubado a liberdade: continuarei a defender por todos os meios ao meu alcance as grandes causas da nossa gente, ao lado do povo brasileiro, combatendo por sua emancipação e soberania.”
José DirceuJosé Genoíno lutou na guerrilha do Araguaia contra as forças do regime militar. Esta imagem é a que mídia e o STF gostariam de poder reproduzir no JN...
José Genoíno lutou na guerrilha do Araguaia contra as forças do regime militar. Esta é a imagem que a mídia e o STF gostariam de poder reproduzir no JN…
Nota Pública de José Genoíno
“Com indignação, cumpro as decisões do STF e reitero que sou inocente, não tendo praticado nenhum crime. Fui condenado porque estava exercendo a presidência do PT. Do que me acusam, não existem provas. O empréstimo que avalizei foi registrado e quitado.
Fui condenado previamente numa operação midiática inédita na história do Brasil. E me julgaram num processo marcado por injustiças e desrespeito às regras do Estado democrático de direito.
Por tudo isso, considero-me preso político.
Aonde for e quando for defenderei minha trajetória de luta permanente por um Brasil mais justo, democrático e soberano.”
José Genoino
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POLÍTICA - Por que a direita odeia tanto Zé Dirceu?

15 novembro 2013

Por que a direita odeia tanto Zé Dirceu?

Dirceu
Paulo NogueiraDiário do Centro do Mundo

“Por que Zé Dirceu é tão odiado pela direita?

Ele é ainda mais odiado que Lula, o que não é pouco.

Tenho minha tese.

De Lula era esperado, mesmo, que estivesse do lado oposto ao da direita. Operário, nordestino, nove dedos, pouca oportunidade de estudar.

Seria uma aberração Lula se alinhar ao 1%, para usar a grande terminologia do movimento Ocupe Wall Street.

Mas Dirceu não.

Ele tinha todos os atributos para figurar no 1% que fez o país ser o que é, um dos campeões mundiais de iniquidade, a terra das poucas mansões e das tantas favelas.

Articulado, inteligente, dado a leituras. Bem apessoado. Na ótica do 1%, pessoas como Zé Dirceu são catalogadas como traidoras, e devem ser punidas exemplarmente para que outras do mesmo gênero, ou se preferirem da mesma classe, não sigam seu exemplo.

Na França revolucionária, a aristocracia entendia que os Marats, os Desmoullins, os Héberts  pregassem a morte do velho regime, mas jamais conseguiu compreender o que levou o Duque de Orleans a também lutar pela liberdade, pela igualdade e pela fraternidade.

O 1% brasileiro, na história recente, soube sempre atrair equivalentes a Dirceu. Carlos Lacerda, por exemplo, era de esquerda na juventude.

Depois, se tornou um direitista fanático. Segundo relatos de quem o conheceu, ele se cansou da vida dura reservada aos esquerdistas em seus dias e foi para onde o dinheiro estava.

O 1% recompensa bem. Nos dias de hoje, se você defende os privilégios, acaba falando na CBN, aparecendo em entrevistas na Globonews, tendo coluna em jornais e revistas, dando palestras muito bem pagas. E, com a carteira abastecida, ainda pode posar de ‘corajoso’ defensor da ‘imprensa livre’.

Dirceu não fez a trajetória de Lacerda. Não abjurou suas crenças.
E então virou o demônio.

Quem o demonizou foram exatamente aqueles que o adulariam se ele se vendesse. Aimagem que a mídia construiu de Zé Dirceu concentrou num único homem todos os defeitos possíveis: vaidoso, arrogante, corrupto, inescrupuloso, maquiavélico.

Um monstro, enfim.

Pegou essa imagem? Menos do que o 1% gostaria, provavelmente. Quem não se lembra de Serra, num debate com Haddad, repetidas vezes tentar encurralar seu oponente com a acusação de que era “amigo do Dirceu”?

Haddad reconheceu tranquilamente a amizade, e quem terminou eleito não foi Serra.

Na mídia tradicional, a campanha contra Dirceu desconhece limites jornalísticos e, pior que isso, legais.

Um repórter tenta invadir criminosamente o quarto do hotel que ele ocupa, e ainda assim é Dirceu que aparece como o vilão do caso.

Quem conhece o Dirceu real, com seus defeitos e virtudes, grandezas e misérias, são aqueles poucos de seu círculo íntimo. Para eles não faz efeito o noticiário que o sataniza. (Caso interesse a alguém, nunca votei em Dirceu e não o conheço pessoalmente.)

De resto, esse noticiário – ou propaganda – não é feito para eles, mas para os chamados ‘inocentes úteis’, aqueles que em outras épocas acreditaram no “Mar de Lama” de Getúlio Vargas ou no “perigo comunista” representado por João Goulart.

É a imagem demoníaca de Dirceu construída pela mídia que, nestes dias, é utilizada pela maioria dos juízes do Supremo no julgamento do Mensalão.

Não chega a ser surpresa. A justiça brasileira tradicionalmente foi uma extensão do 1%.

Estudiosos já notaram a diferença da atuação da justiça no Brasil e na Argentina na época das duas ditaduras militares.

No Brasil, a justiça foi servil aos militares. Na Argentina, a justiça desafiou frequentemente os militares ao declarar inocentes muitos acusados de “subversivos”.

Isso acabou levando os militares argentinos a simplesmente matar milhares de opositores sem que fossem julgados.

Fundamentalmente, Dirceu paga o preço de sua opção teimosa pelo 99%.

Mas quem vai julgá-lo perante a história não é o 1%, representado por uma mídia que defende seus próprios privilégios e finge se bater pelo interesse público. E nem uma corte em cuja história a tradição é o alinhamento alegremente pomposo com o 1%.

Ele deve saber disso, e imagino que isso o conforte em horas duras como esta.”
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Dirceu preso no JN: "A Rede Globo apoiou a ditadura

"A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura", era o que se ouvia quando o Jornal Nacional, apresentado por Heraldo Pereira e Alexandre Garcia, noticiava, nesta sexta, a prisão de José Dirceu; o ex-ministro da Casa Civil se apresentou espontaneamente à Polícia Federal e, assim como José Genoino, cerrou os punhos antes de entrar nas dependências da instituição; "a maior injustiça é aquela que a Justiça comete", disse ele, nesta sexta.
Brasil 247 - "A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura". Eram os gritos de manifestantes que podiam ser ouvidos no Jornal Nacional, enquanto o repórter Tonico Ferreira noticiava a prisão de José Dirceu.

O ex-ministro da Casa Civil se apresentou espontaneamente à Polícia Federal. Estava acompanhado do jornalista Breno Altman.

Hoje cedo, em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, ele se disse inocente e afirmou que "a maior injustiça é aquela cometida pela Justiça".

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Carta Aberta ao Povo Brasileiro


O julgamento da AP 470 caminha para o fim como começou: inovando - e violando - garantias individuais asseguradas pela Constituição e pela Convenção Americana dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário.

A Suprema Corte do meu país mandou fatiar o cumprimento das penas. O julgamento começou sob o signo da exceção e assim permanece. No início, não desmembraram o processo para a primeira instância, violando o direito ao duplo grau de jurisdição, garantia expressa no artigo 8 do Pacto de San Jose. Ficamos nós, os réus, com um suposto foro privilegiado, direito que eu não tinha, o que fez do caso um julgamento de exceção e político.

Como sempre, vou cumprir o que manda a Constituição e a lei, mas não sem protestar e denunciar o caráter injusto da condenação que recebi. A pior das injustiças é aquela cometida pela própria Justiça.

É público e consta dos autos que fui condenado sem provas. Sou inocente e fui apenado a 10 anos e 10 meses por corrupção ativa e formação de quadrilha - contra a qual ainda cabe recurso - com base na teoria do domínio do fato, aplicada erroneamente pelo STF.

Fui condenado sem ato de oficio ou provas, num julgamento transmitido dia e noite pela TV, sob pressão da grande imprensa, que durante esses oito anos me submeteu a um pré-julgamento e linchamento.

Ignoraram-se provas categóricas de que não houve qualquer desvio de dinheiro público. Provas que ratificavam que os pagamentos realizados pela Visanet, via Banco do Brasil, tiveram a devida contrapartida em serviços prestados por agência de publicidade contratada.

Chancelou-se a acusação de que votos foram comprados em votações parlamentares sem quaisquer evidências concretas, estabelecendo essa interpretação para atos que guardam relação apenas com o pagamento de despesas ou acordos eleitorais.

Durante o julgamento inédito que paralisou a Suprema Corte por mais de um ano, a cobertura da imprensa foi estimulada e estimulou votos e condenações, acobertou violações dos direitos e garantais individuais, do direito de defesa e das prerrogativas dos advogados - violadas mais uma vez na sessão de quarta-feira, quando lhes foi negado o contraditório ao pedido da Procuradoria-Geral da República.

Não me condenaram pelos meus atos nos quase 50 anos de vida política dedicada integralmente ao Brasil, à democracia e ao povo brasileiro. Nunca fui sequer investigado em minha vida pública, como deputado, como militante social e dirigente político, como profissional e cidadão, como ministro de Estado do governo Lula. Minha condenação foi e é uma tentativa de julgar nossa luta e nossa história, da esquerda e do PT, nossos governos e nosso projeto político.

Esta é a segunda vez em minha vida que pagarei com a prisão por cumprir meu papel no combate por uma sociedade mais justa e fraterna. Fui preso político durante a ditadura militar. Serei preso político de uma democracia sob pressão das elites.

Mesmo nas piores circunstâncias, minha geração sempre demonstrou que não se verga e não se quebra. Peço aos amigos e companheiros que mantenham a serenidade e a firmeza. O povo brasileiro segue apoiando as mudanças iniciadas pelo presidente Lula e incrementadas pela presidente Dilma.

Ainda que preso, permanecerei lutando para provar minha inocência e anular esta sentença espúria, através da revisão criminal e do apelo às cortes internacionais. Não importa que me tenham roubado a liberdade: continuarei a defender por todos os meios ao meu alcance as grandes causas da nossa gente, ao lado do povo brasileiro, combatendo por sua emancipação e soberania.

José Dirceu
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