POLÍTICA - Luis Nassif e a pesquisa do Ibope.


Por Luis Nassif

"A última pesquisa Ibope traz algumas informações que devem ser relativizadas e outras são relevantes.

No primeiro grupo, os índices de aprovação dos novos candidatos em comparação com os que participaram de eleições presidenciais. Políticos como José Serra, Dilma Rousseff e Marina Silva são mais conhecidos do que Aécio Neves e Eduardo Campos.

Mesmo assim, chamam a atenção as seguintes conclusões:

1. Na pesquisa espontânea (na qual os pesquisados indicam seu candidato espontaneamente), Dilma recebeu 21% das indicações, Aécio 5%, acima dos 4% de Serra, dos 2% de Campos e abaixo dos 6% de Marina.

2. Entre eleitores com ensino superior, Dilma cai para 15%, Marina sobe para 11%, Aécio vai para 7%, acima dos 5% de Serra e dos 3% de Campos.

3. É curioso avaliar o desempenho de Serra no extrato superior e no extrato inferior de renda. No superior, fica com 4%, atrás dos 17% de Dilma, 10% de Marina e Aécio. No extrato inferior, cai para 2%, contra 33% de Dilma, 3% de Campos, 3% de Marina a 0% de Aécio.

No caso da pesquisa dirigida (aquela em que o entrevistado recebe uma cartela com nomes de candidatos), Dilma Rousseff reina absoluta em qualquer cenário. Tem 41% de preferência em um cenário com Marina (22%), Aécio (14%) e Campos (10%). E com expressivos 22% de brancos e nulos.

Sem Marina, Dilma mantém os 41% contra 14% de Aécio e 10% de Campos. E os mesmos 22% de brancos e nulos. Entrando Marina no lugar de Campos, Dilma cai levemente para 39%, Marina vai para 21% e Aécio para 13%.

Dilma mantém 40% em um confronto com Serra (18%) e Campos (10%).

Mas o ponto central de análise é a taxa de rejeição. É ela que determina o teto de cada candidato.

Três candidatos ficam na faixa de 40% de rejeição – Aécio com 40%, Dilma com 38% e Campos com 39%. Serra salta para expressivos 47% e Marina cai para cômodos 31%.

À medida que os candidatos se tornem mais conhecidos e a batalha, mais acirrada, haverá aumento da taxa de rejeição dos demais.

Nas eleições, os candidatos não constroem a imagem de forma homogênea. Nas classes de menor renda, sobressaem as impressões sobre cada candidato, sua capacidade de se mostrar mais ou menos solidário com os mais pobres.

Fica evidente nas pesquisas a dificuldade do PSDB em desenvolver um discurso minimamente atraente para essas faixas. Mas é curioso que o discurso ecológico de Marina – visando aos leitores de média e alta renda– é mais forte do que sua origem humilde – que poderia provocar alguma identificação nos eleitores de menor renda. Decididamente, até agora eles não parecem se identificar com ela.

Há uma faixa de formação de imagem que passa pelo discurso político, pela visão programática. Nesse campo, Dilma se alicerça no discurso social do PT e do lulismo. E Marina herdou o contraponto do discurso neoliberal –que está migrando rapidamente do PSDB para ela.


Aécio e Campos são candidatos ainda à procura do discurso.

Aécio teria algumas boas experiências mineiras para mostrar. Mas parece preso a um invencível sentimento de inferioridade em relação ao núcleo paulista do PSDB – que oscila entre o discurso vazio de FHC e o fundamentalismo de Serra."
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Lou Reed




* Lou Reed - Perfect Day (Live At Montreux 2000)

(Singela homenagem do blog ao artista ontem falecido)
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Entrevista com Boaventura de Souza Santos




Sociólogo português Boaventura de Sousa Santos veio ao Brasil para o lançamento de dois livros: "Se Deus fosse um ativista dos direitos humanos" e "Direitos Humanos, democracia e desenvolvimento", o segundo em coautoria com a filósofa Marilena Chaui. (A seguir, confira a entrevista concedida por ele  ao jornal  FSP).

Folha - "Se Deus fosse um ativista dos Direitos Humanos" é um título provocador. Sugere que o senhor acredita em Deus. E sugere que Deus poderia dar mais importância para os direitos humanos. É isso?

Boaventura de Sousa Santos - De fato, não. O título é provocador. Eu não me comprometo com a existência de Deus. Sou como Pascal [filósofo francês, 1623-1662]: diria que não temos meios racionais para poder afirmar com segurança se Deus existe ou não. O que podemos é fazer uma aposta: apostar se existe ou se não existe. Como sociólogo, o que penso é que há muita gente que aposta na existência de Deus e que organiza sua vida ao redor disso.

Estamos num momento de fortes movimentos sociais em todo o mundo, com protestos, muita indignação, muita revolta. Alguns desses movimentos trazem no seu interior pessoas e grupos que seguem diferentes religiões. Ou que transformam a religião e a existência de Deus no motivo da ação ou num impulso para a ação. Portanto, eu tive curiosidade de analisar. Esse fenômeno é extremamente ambíguo.

Quando surgiu a curiosidade?

Eu já tinha notado desde o Fórum Social Mundial de 2001, onde vi que havia movimentos sociais e organizações de diferentes partes do mundo com vivências religiosas, como a Teologia da Libertação e outros. Tinham uma dinâmica de grupo onde o elemento religioso, espiritual, era forte. Havia movimentos indígenas, para quem o elemento da religiosidade é sempre forte. Essa dimensão do transcendente é que me fascinou, pois eu venho de uma cultura eurocêntrica, que há muito tempo tenho criticado, mas sou filho dela, por assim dizer. Essa cultura tinha resolvido o problema através do que chamamos de secularismo, que é expulsar a religião do espaço público.

A presença da religião na política está crescendo?

A religião nunca saiu verdadeiramente da política. Temos sociedades que são laicas, mas cujos estados não são. É o caso da Inglaterra, por exemplo. E temos sociedades onde a convivência é mais laica do que outras. Tanto assim que hoje a gente faz distinção entre o secularismo e a secularidade. Secularismo é uma atitude mais radical, de deixar que a religião fique exclusivamente no espaço privado, na família, na vida. Secularidade é aquela que permite que haja expressões [religiosas] no espaço público como afirmação da própria liberdade de todos os cidadãos.

Mas é evidente, a gente sabe, a maneira com que a Europa resolveu a questão da separação da igreja e do Estado no século 17, depois de uma guerra enorme, nunca foi uma separação total. A igreja continuou a ter uma grande influência. Foi assim no esforço da colonização. Continuou com grande influência, ainda tem, nas agendas que o papa Francisco disse recentemente que são as agendas da cintura para baixo (risos), acerca das orientações sexuais, aborto, divórcio. Obviamente são questões de interesse público.

O que parece é que a crise do Estado secular trouxe uma maior presença da religião no espaço público. No mundo árabe, no mundo indiano e também no mundo ocidental. Começou a emergir nas televisões religiosas, cada vez mais e sobretudo com as correntes evangélicas e pentecostais. É uma presença pública muito mais forte, mas também um interesse em influenciar a vida pública, a vida dos Congressos, dos parlamentos. É o que acontece hoje no Brasil. (...)

CLIQUE AQUI  para continuar lendo a entrevista concedida pelo sociólogo  Boaventura de Souza Santos à FSP (via Blog do Saraiva).
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Trem Das Onze




Trem Das Onze - de Adoniran Barbosa - com Caetano Veloso e  Maria Gadú  
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RS recebe mais 32 profissionais do 'Mais Médicos'

Brasileiros e estrangeiros chegaram a Porto Alegre neste sábado 
Crédito: André Ávila

Porto Alegre/RS - Correio do Povo - Mais 32 profissionais contratados pelo programa “Mais Médicos” do governo federal desembarcaram no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, na manhã deste sábado. O grupochegou ao Estado em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e foi recebido com flores, faixas e bandeiras {por dezenas manifestantes e} pelos ministros gaúchos de Direitos Humanos, Maria do Rosário, e do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas. Cada médico vai para um município diferente a partir de 4 de novembro.

Além de brasileiros, inclusive gaúchos, há médicos da Bolívia, El Salvador, Índia, República Dominicana, Cuba e Venezuela. Os profissionais passaram por cursos de acolhimento realizados em Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza e Vitória. O grupo permanece uma semana na Capital para continuar com treinamento de adaptação. Todos foram aprovados pelo Ministério da Educação (MEC).

Um dos médicos é Hector Flôres, 34 anos, natural de El Salvador. Ele está formado há sete anos e atuou por seis na Venezuela em um programa similar ao Mais Médicos. “Estamos aqui para atender aos mais necessitados. Precisamos do apoio de todos, pois não estamos aqui para competir,” declarou. Flôres disse que a pobreza e a desigualdade social são características semelhantes de Brasil e Venezuela. Ele afirmou que em ambos países uma parcela da população tem dificuldade de acesso à saúde.

Na segunda-feira pela manhã, mais 70 médicos desembarcam no Rio Grande do Sul e, à noite, outros 31. No total, o Estado vai receber 133 profissionais. É o segundo do País a ganhar maior quantidade de médicos pelo programa, ficando atrás apenas de São Paulo. Já atuam no Estado 86 médicos – 31 brasileiros formados no exterior e 48 estrangeiros.

http://www.correiodopovo.com.br     *Grifos e edição final deste Blog . 
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