Confirmado: PMs de UPP da Rocinha sequestraram, torturaram e mataram Amarildo




Agora não restam mais dúvidas: aquilo que se suspeitava e por aplicação do domínio de fato estava no inquérito ganha confirmação com depoimentos de PMs que teriam participado, por omissão, da agonia do pedreiro Amarildo.

O jornal O Globo teve acesso ao depoimento de PMs e mostra num infográfico (reproduzido acima. Clique para ampliar) a agonia de Amarildo e a desfaçatez combinada com certeza de impunidade de seus algozes.

Quantos Amarildos já não morreram ou estão sendo mortos assim, acobertados por uma política de segurança cínica e midiática, e por uma corporação que já deveria ter deixado de ser militar, junto com o fim da ditadura?

Se não fossem as redes sociais, Amarildo seria mais um e, ao mesmo tempo, menos um. Mais um cidadão desaparecido, menos um na estatística dos assassinatos do Instituto de Segurança Pública.

Que todos os que participaram sejam punidos, inclusive os de paletó e gravata que comandam o estado. Porque esta PM que mata Amarildos é a mesma que achaca cidadãos nas ruas, agride manifestantes, e os responsáveis por estes comportamentos são seus comandantes primeiros, governador e secretário de Segurança.

A detalhada descrição do infográfico de O Globo (original aqui) é de embrulhar o estômago. Mas, o pior é saber que com ou sem UPP a PM continua à margem da lei e à espera de ser desmilitarizada, porque a época da ditadura já passou.

A cada dia, novos detalhes do crime vêm à tona. Mas a pergunta que a sociedade não cala ainda não tem resposta: - Cadê o Amarildo?

Leia também:

Impunidade dos torturadores da ditadura está na raiz dos crimes das PMs brasileiras


Madame Flaubert, de Antonio Mello

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PETRÓLEO - Em 35 anos, pré-sal vai nos deixar a todos mais ricos?



dilma Em 35 anos, pré sal vai nos deixar a todos mais ricos?
Rio de Janeiro, 21 de outubro de 2013.
Se as contas da presidente Dilma Rousseff estiverem todas certas, o tesouro do pré-sal leiloado nesta segunda-feira vai render "o fabuloso montante de mais de R$ 1 trilhão. Repito: mais de 1 trilhão!" ao país, nos 35 anos de exploração do campo de Libra, como ela anunciou solenemente em cadeia nacional de rádio e televisão logo após a assinatura dos contratos.
Tenho algumas dúvidas se a presidente e eu, que temos a mesma idade, vamos viver até lá, para conferirmos o acerto ou não das suas previsões. Afinal, em 2048, estaremos (ou estaríamos...) completando exatamente 100 anos de idade.
Como a expectativa de vida dos brasileiros vem aumentando ano a ano, quem sabe?
Seja como for, apesar da onda de pessimismo que assola o país, estimulada por sábios da economia e magos das finanças, a maioria deles ex-colaboradores ou admiradores midiáticos do governo de Fernando Henrique Cardoso, que nem são tantos, mas fazem um barulho danado, como os torcedores da Portuguesa, apesar deles, como eu ia dizendo, o leilão do pré-sal só nos dá motivos de otimismo e esperança de vivermos num país melhor sem termos que sair do Brasil.
Basta ver quem foi contra o leilão, para se ter certeza de que o governo acertou no formato de partilha adotado pela primeira vez na exploração de petróleo no país. Além da Petrobras, quatro das maiores petroleiras do mundo, a Shell, a Total e duas estatais chinesas, se uniram para formar um superconsórcio que renderá ao Brasil 85% de toda a renda produzida por Libra.
Após o anúncio do resultado do leilão, as ações da Petrobras dispararam na Bolsa de Valores, mostrando que o mercado _ o sagrado mercado! _ ficou contente, mesmo com o ágio mínimo a ser pago pelo único consórcio que apresentou proposta.
Só restou ao principal líder da oposição, o tucano Aécio Neves, criticar o leilão por ter sido "tardio e envergonhado", e reclamar que a presidente Dilma utilizou mais uma vez a rede nacional de rádio e televisão para falar de ações do seu governo. Queria o quê? Que ela agradecesse a valiosa contribuição dada pela oposição e pela mídia amiga?
Dilma ainda aproveitou para lembrar que irão para a Educação 75% dos royalties e do excedente de óleo de Libra. Os outros 25% serão investidos em Saúde. Os primeiros barris de Libra ainda vão levar cinco anos para saírem do fundo do mar, mas os ganhos para o país, nas mais diferentes áreas da economia, serão imediatos, com a geração de milhares de empregos e as encomendas para a indústria nacional de 12 a 18 megaplataformas, barcos, gasodutos e demais linhas de produção ligadas à área do petróleo.
Feliz com o desfecho pacífico da história, apesar de alguns corre-corres e arranca-rabos entre manifestantes e policiais diante do hotel na Barra da Tijuca onde foi promovido o leilão, Dilma encerrou seu pronunciamento de dez minutos na TV, lembrando que "a batida do martelo foi também a batida à porta de um grande futuro que se abre para nós, nossos filhos e nossos netos".
Para quem ainda é jovem e tem um pouco de paciência, o que aconteceu ontem pode mesmo ser um divisor de águas na nossa história, o início de um novo tempo no "país do futuro", que finalmente chegou. Não basta o petróleo ser nosso: era preciso ter coragem para captar os recursos necessários, aqui dentro e lá fora, estatais ou privados, para tirar o tesouro das profundezas do mar e colocá-lo a serviço de uma vida melhor para todos os brasileiros.
E o caro leitor do Balaio, o que achou de tudo isso? Mande sua opinião porque, como escrevi na coluna de ontem, não quero ser o dono da verdade.
A sorte está lançada. Na sua opinião, nós ganhamos ou perdemos?
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ECONOMIA - "BRIC"


A máscara de BRIC não nos cobre


Carlos Lessa

A expressão BRIC foi recorrentemente utilizada em um encontro político-cultural com mais de 500 participantes (em sua imensa maioria, europeus, asiáticos e africanos). O Novo Mundo estava praticamente ausente: apenas seis latino-americanos, um canadense e dois americanos, mas a expressão frequentou as conferências e foi utilizada em debates; está vulgarizada no vocabulário geopolítico e geoeconômico. Praticamente não foram utilizadas as antigas dualidades: centro-periferia, norte-sul, países desenvolvidos-subdesenvolvidos etc.
É quase impossível encontrar o denominador comum, a não ser o tamanho geográfico e demográfico dos países. O Brasil é um estranho nesse ninho. Rússia, China e Índia têm domínio e armamento nuclear e dispõem de submarinos atômicos. O Brasil é insignificante potência militar e não tem acesso ao armamento nuclear nem à eletrônica dos drones e de interferências variadas. Rússia, China e Índia têm brutais problemas com seus vizinhos. Internamente, a Rússia tem o problema do Cáucaso; a China, do Tibete; e a Índia é, ainda, uma construção precária e pouco integrada. Todos os três têm barreiras internas religiosas e de grupos étnicos-culturais e são mosaicos de diferenças.
O Brasil pratica um único idioma e é quase homogêneo. Quando comecei a viajar pelo interior, em qualquer pequena cidade encontrei um Grande Hotel, uma Padaria Ideal e uma Tinturaria Arco-Iris. Do Oiapoque ao Chuí, são mínimas as diferenças culturais. Conflitos religiosos que são comuns nos demais grandes países são aqui substituídos pelo “sincretismo” que, pragmaticamente, é praticado. Lembro de uma pequena propriedade leiteira cuja dona rezava para Santo Antonio, pregava folhas de arruda nos ângulos do curral, fumava charutos perto das vacas, amedrontada pela ameaça de mastite – mas, para cercar o problema por todos os lados, convocava o veterinário. Somos um país mestiço e multicolor. Integramos tudo que aqui nos chega. Na beira da estrada, um conjunto com feijão preto, polenta e carne de churrasco recebe agora a comida japonesa. Nosso povo combina conservadorismo de tudo que sabe e possui, com uma permanente prospecção, assimilação e digestão das novidades. É visível a nossa não arrogância (à exceção do futebol) e ausência de resistência ao que vem de fora.
COM A AMÉRICA DO SUL
BRIC é um conceito construído e dissolvente de nossa proximidade com os latino-americanos e, em especial, com nossa óbvia e indispensável integração com a América do Sul. Nos últimos anos, 50% das nossas exportações manufatureiras foram para os latino-americanos, sendo 30% para o Mercosul. O ritmo da integração sul-americana depende do modo como o Brasil venha a priorizar o mundo ibero-americano, o que não é fácil, pois é brutal a assimetria da luso-América com a hispano-América.
O discurso BRIC sublinha esta dificuldade; nossa diplomacia deveria sublinhar nossa pertinência à Sul-América e nosso condomínio marítimo no Atlântico Sul com a África. Entretanto, a expressão BRIC parece acariciar os ouvidos da diplomacia brasileira. Temos a duvidosa dimensão de ser o terceiro maior credor do Tesouro americano. A China tem reservas de US$ 1,27 trilhão e o Brasil tem US$ 256,4 bilhões. Quando terminou a II Guerra Mundial, nossas reservas viraram fumaça. Qual a garantia de que isso não ocorrerá?
O conceito de emergência é aplicável integralmente à China, que se industrializa e evolui rapidamente para dispor de tecnologias de ponta próprias. Contudo, o problema social chinês é avassalador: metade de sua população é rural com renda média de 1/3 em relação à da população urbana. Nossa questão social é relativamente pequena se comparada ao desafio que o futuro coloca para a China. A Índia, com suas diferenças sociais, não tem qualquer possibilidade de acelerar a urbanização; seu debate é como preservar sua agricultura camponesa com baixa produtividade dos efeitos da industrialização. Etiópia e Somália tem o Mediterrâneo a cruzar para a Lampedusa. Não há saída demográfica para a Índia e maior parte da Ásia. A Rússia se debate no dilema de alinhar-se com a Europa, ou seja, com a Otan, ou lançar-se em uma neoaventura eurásica, lançando-se em aliança com o Japão, para criar uma barreira à China. Para isso projeta um trem-bala transiberiano que faria uma “alça submarina” no Pacífico, se articulando com o Japão.
A expressão BRIC, como um conglomerado de “baleias” emergentes, acaricia os ouvidos dos governantes e caminha suavemente pela mídia. O Brasil tem acelerada desindustrialização precoce; retrocedeu o peso da indústria no PIB em relação ao do final dos anos 50. Define o Brasil com a função de “celeiro do mundo”, sem ter superado a fome dentro da rede urbana nacional. Desmatamos a Amazônia, formando pastos e plantações de soja. Com a desindustrialização, destruímos empregos de qualidade e propensão à pesquisa científica e tecnológica.
FALSO EMERGENTE
O governo pratica um discurso eufórico em ser “emergente”, submergindo a uma exportação que retrocede nos itens manufaturados ou com alta tecnologia: exportamos minério de ferro, couro bovino cru e assistimos o aço e o calçado chinês ocuparem os nichos mercadológicos que o Brasil dispôs em passado recente. Voltamos a ser agroexportadores, porém o complexo de soja não reproduz o antigo complexo do café: os equipamentos, fertilizantes e defensivos são todos fabricados por filiais estrangeiras. A Monsanto domina e difunde a semente transgênica. As grandes exportadoras são filiais estrangeiras; o empresário nacional existe como fazendeiro de soja e, talvez, seja proprietário de caminhões transportadores.
O café, na República Velha, era plantado, financiado, transportado, comercializado e exportado por empresas nacionais. As ferrovias abriram o planalto paulista e a Companhia Docas de Santos era controlada por capital nacional. O café não propunha a industrialização, porém sob a sombra dos cafezais, nasceram amplos segmentos industriais. A soja não propõe a industrialização. Getulio Vargas e Juscelino Kubitschek empurraram a industrialização, porém defenderam o café, o açúcar, o algodão, a borracha, o cacau, etc. Houve um projeto nacional de industrialização e urbanização concentrador de renda e deficiente nas políticas sociais. Continuamos ultra-concentradores: os bancos brasileiros tem uma rentabilidade patrimonial que é o dobro do setor industrial de transformação. Na repartição funcional de renda, diminui a participação dos salários; multiplicamos empregos de baixos salários.
O conceito de classe média é ambíguo, principalmente se for medido pela posse de veículos automotores, eletrodomésticos etc. Em função da alta de preços de commodities derivado do boom chinês, da afluência de capitais especulativos em busca dos altos juros nacionais e das importações de manufaturas, houve base para aumentar o salário real, e isso foi extremamente positivo, porém houve contenção de investimento público e desânimo empresarial com investimento privado.
Afirmar que o Brasil é emergente quando, estruturalmente, estamos submergindo, não assumir que fazemos parte da periferia mundial, não sublinhar que nosso bloco é sul-americano ou latino-americano, não discutir um projeto nacional e aprofundar nossa presença como supridor primário – e, talvez, involuir para país exportador de petróleo – é assustador. A máscara de BRIC não nos cobre nem resolve nossos problemas estruturais e é suprema ingenuidade imaginar que as outras baleias virão para proteger um país tropical.
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POLÌTICA - "OS AMIGOS DA ALSTOM".

Serra, Alckmin e os "amigos da Alstom"

Por Altamiro Borges
O Estadão desta quinta-feira (24) publica uma bomba que justificaria a convocação imediata de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o escândalo de propinoduto tucano. Segundo o jornal, que nunca escondeu seu apoio aos candidatos do PSDB, e-mail do ex-presidente da Alstom no Brasil confirma as suspeitas sobre a existência de um poderoso esquema de corrupção envolvendo a multinacional francesa e os governos tucanos de São Paulo. Reproduzo alguns trechos da matéria:  



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Alstom recomenda uso de lobistas e fala em 'amigos políticos' no governo tucano
Fausto Macedo e Ricardo Chapola

Novos documentos enviados pela Procuradoria da Suíça ao Brasil há 20 dias reforçam, segundo investigadores do caso Alstom, suspeitas de corrupção e pagamento de propina em contratos da multinacional francesa no setor de transportes públicos em São Paulo. Em e-mail de 18 de novembro de 2004, o então presidente da Alstom no Brasil, engenheiro José Luiz Alquéres, "recomenda enfaticamente" a diretores da empresa que utilizem os serviços do consultor Arthur Gomes Teixeira, apontado pelo Ministério Público como lobista e pagador de propinas a servidores de estatais do setor metroferroviário do governo paulista, entre 1998 e 2003.

Alquéres, que não está mais no comando da Alstom, destaca o "bom relacionamento" com governantes paulistas. Teixeira, segundo as investigações em curso, era o elo da multinacional com estatais do setor de transporte público de massa. "Temos um longo histórico de cooperação com as autoridades do Estado de São Paulo, onde fica localizada nossa planta", escreveu. "O novo prefeito recém-eleito participa das negociações que vão nos permitir a reabertura da Mafersa como Alstom Lapa. O atual governador também participa".

Na época, José Serra acabara de vencer o pleito municipal e o Palácio dos Bandeirantes estava sob gestão de Geraldo Alckmin, ambos do PSDB. A unidade Alstom Lapa claudicava, em 2004. Com uma carteira minguada de contratos públicos e reduzidos investimentos, aquele setor da empresa, na zona oeste da capital, esteve na iminência de cerrar as portas.

Ao pedir empenho a seus comandados, Alquéres assinala a importância de conquistar novos contratos com o Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Cita vagamente quatro empreendimentos das estatais. "Tais projetos representam um total de cerca de 250 milhões de euros", observa. "Nesse período de mudanças sofremos duas grandes derrotas em leilões públicos, coisa que não ocorria há anos. Mas ainda podemos ter sucesso nos 4 projetos que o Estado de São Paulo vai negociar ou leiloar nas próximas semanas".

O então presidente da Alstom cita os "amigos políticos do governo" e diz confiar na recuperação da empresa. "O processo está avançando, começo a receber mensagens de parceiros em potencial, e, principalmente, dos amigos políticos do governo que apoiei pessoalmente. A Alstom deve estar presente, como no passado".

(...)

O e-mail do engenheiro, endereçado aos diretores de quatro áreas, com cópia para os mandatários mundiais da Alstom, na França, foi captado pela Procuradoria da Suíça em meio à investigação de polícia criminal que cita João Roberto Zaniboni - ex-diretor de operações e manutenção da CPTM entre 1998 e 2003 - como recebedor de propinas do esquema Alstom.

Há 20 dias chegaram ao Brasil cópias de documentos bancários que mostram depósitos de US$ 836 mil na conta Milmar, alojada no Credit Suisse de Zurique, de titularidade de Zaniboni. Os extratos revelam que Teixeira transferiu US$ 103,5 mil, em maio de 2000, para Zaniboni, por meio da offshore Gantown Consulting. Em dezembro daquele ano, um sócio de Teixeira enviou mais US$ 113,3 mil para o ex-diretor da CPTM. O Ministério Público suíço diz que é dinheiro de propina.

A Procuradoria da Suíça mandou para o Ministério Público cópia do e-mail de Alquéres, que governou a Alstom/Brasil entre os anos de 2000 e 2006. O dossiê faz referência a outra mensagem do engenheiro, que teria sido enviada três dias depois da primeira, para Philippe Mellier, presidente mundial do setor de transporte da Alstom. A Procuradoria assinalou: "E-mail Alquéres para Mellier de 18 de novembro de 2004, com possíveis indícios de atos de corrupção no contexto de projetos de transporte no Brasil".

No e-mail, Alquéres cita que cinco dirigentes, "pessoas chave bem conhecidas", haviam deixado o setor de transportes da Alstom. E fala das relações com o poder. "Três das cinco pessoas que foram dispensadas recentemente, como Carlos Alberto (diretor-geral) e Reynaldo Goulart (Desenvolvimento de Negócios) ou transferidas como Reynaldo Benitez (diretor financeiro) desenvolveram fortes e robustos relacionamentos pessoais com membros da CPTM e do Metrô-SP." Sugere aos pares que busquem os serviços de Teixeira e da empresa dele, a Procint, "que demonstra grande competência em condições 'favoráveis ou desfavoráveis'".

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A reportagem do Estadão deixa nus dois dos principais líderes do PSDB. José Serra, que ainda está na briga para desalojar Aécio Neves e ser o candidato da legenda a sucessão presidencial de 2014, já garantiu várias vezes que nunca teve ligação com os chefões das multinacionais do transporte. Já o governador Geraldo Alckmin tentou se apresentar como vítima de cartéis, jurou inocência e total desconhecimento dos contratos e até montou uma comissão de fachada para apurar o escândalo.

Agora, ambos são apresentados como "amigos da Alstom". Segundo o ex-presidente da multinacional no Brasil, "o novo prefeito recém-eleito participa das negociações que vão nos permitir a reabertura da Mafersa como Alstom Lapa. O atual governador também participa". Apesar das inúmeras provas que pipocam todos os dias, a Assembleia Legislativa de São Paulo se recusa a instalar a CPI para apurar o caso. A maioria tucana sabota todas as iniciativas neste sentido. Com as novas denúncias e, principalmente, com a urgente pressão das ruas será inevitável a convocação da CPI.
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"MAU DIA BRASIL E O ÓDIO PELO ENEM"


 Blog Palavra Livre


 


  Por Davis Sena Filho
 
 
Nos próximos sábado e domingo, dias 26 e 27 de outubro, vai ser realizada a quinta edição do novo Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). O exame é o segundo maior do mundo, com 7.105.903 candidatos inscritos, e já incluiu mais de um milhão de jovens pobres, negros, indígenas nas universidades públicas, até então reduto das classes média tradicional e alta, ou seja, da burguesia. No mundo, somente a China tem um exame de inclusão social ao ensino público maior do que o do Brasil.

Aos que ficam a ouvir e ler as notícias negativas sobre o Enem repercutidas pela imprensa de negócios privados, salutar se torna também informar que o Enem tem apenas a finalidade da avaliar o ensino médio. Já o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) serve como processo seletivo, que tem como base as notas dos candidatos do Enem. O processo é tão democrático que possibilita aos aprovados consultar as vagas disponíveis das faculdades e universidades, bem como saber dos inúmeros cursos que são oferecidos.

Contudo, ligo a televisão e me deparo como o Mau Dia Brasil, da Rede Globo. Vejo e ouço dois dos porta-vozes da Casa Grande, os apresentadores Chico Pinheiro e Ana Paula Araújo, a noticiar sobre o Enem. Eles tem um ar de deboche e acionam os apresentadores de São Paulo e Brasília para também participar da matéria sobre o exame que incluiu centenas de milhares de brasileiros na universidade pública e, consequentemente, elevou a autoestima de milhares de brasileiros, sendo que muitos dos filhos de famílias pobres são os primeiros de tantas gerações a ingressar em um sistema educacional que privilegiava aqueles que no decorrer de suas vidas estudantis frequentaram escolas particulares, caras e tradicionais.

Os governos trabalhistas de Lula e Dilma efetivaram uma rede de proteção social no que diz respeito à educação. E é isto o que mais incomoda a Casa Grande de tradição escravocrata. “Como pode — ela se pergunta — pobres, negros, índios e portadores de necessidades especiais frequentarem a mesma escola que eu frequento há mais de cem anos?” E eu respondo: “Pode!” O que não se deve aturar é preconceito de coxinha metido a besta e que pensa que o País é um lugar VIP para os “bem nascidos”.

Por isso, temos matérias cretinas como a apresentada pelo Mau Dia Brasil, que se esforça ao máximo para desqualificar e desconstruir o Enem, que é um exame democrático, justo e de inclusão social, a exemplo do Bolsa Família, do Luz para Todos, do Previdência Social, do Saúde da Família, do Rede Cegonha, do Brasil Alfabetizado, do Mais Educação, do Brasil Sorridente, do Minha Casa Minha Vida, dentre outros programas, que visam combater a miséria, a pobreza e incluir, definitivamente, grande parte da população brasileira no mercado de emprego e de consumo.

Contudo, com o propósito de concretizar esse processo, urge fazer com que o brasileiro estude para que possamos, em futuro próximo, transformar o Brasil em uma nação de classe média, porque para o socialismo ser implementado em um país capitalista, grande e diversificado como o Brasil, torna-se imperioso enfrentarmos um processo lento, que demanda tempo e convencimento, por se tratar de uma doutrina econômica e política que requer rompimento com o establishment, e, por conseguinte, iniciar-se uma nova ordem política, econômica e social.

O objetivo é transformar a sociedade. Entretanto, torna-se necessário distribuir riquezas e propriedades, de forma equilibrada, pois que o desejo é diminuir a distância entre pobres e ricos e, por sua vez, realmente edificar um estado de bem-estar social. Porém, as classes sociais abastadas e proprietárias dos meios de produção e serviços reagem aos avanços conquistados pela maioria da população. A reação é levada a efeito pelos partidos políticos de direita e de suas caixas de ressonância materializadas em diversas mídias, principalmente na imprensa de mercado, que por muito tempo teve em suas mãos o monopólio da informação.

A imprensa que sataniza os partidos, os políticos, os grupos sociais e as instituições que, porventura, não rezam por sua cartilha reacionária, conservadora e de caráter hegemônico. A imprensa do pensamento único e que se nega a dar direito de resposta a quem é difamado e caluniado. A mesma imprensa do jornalismo meramente declaratório e que se recusa a ouvir o outro lado, procedimento que qualquer jornalista iniciante sabe que tem de ser feito para que o leitor, espectador ou ouvinte possa formular seu juízo de valor para comparar as diferentes versões e, por seu turno, discernir sobre os fatos e as realidades acontecidos e repercutidos.

Informação e educação caminham juntas. São irmãs siamesas. E é por saber disso que os grupos econômicos privados tentam controlar os meios de comunicação e sabotar programas de governo e projetos de país que visem, sobretudo, emancipar os povos e em especial o povo brasileiro vítima de uma burguesia perversa, egoísta, provinciana, preconceituosa e de passado escravocrata. A burguesia entreguista e colonizada, bem como arrogante e prepotente com os mais fracos, ao tempo que vergonhosamente subserviente e aduladora daqueles que ela considera ser suas cortes. A burguesia brasileira tem a alma prostituída, além de um incomensurável e inenarrável complexo de vira-lata.

Por isso, ela tem de ser duramente combatida para que o Brasil avance e se torne realmente um País para todos os brasileiros. E a revolução começa pela educação pública, de boa qualidade e aberta para todos que nascem neste colosso tropical que é o Brasil. Se não há espaço e nem meios no momento para a efetivação de uma revolução socialista, que se faça as reformas necessárias para que o povo seja inserido no contexto do consumo e do estudo, pois se as pessoas estudam e consomem elas, por si sós, darão conta de providenciar a melhoria na qualidade de suas vidas, bem como vão ter discernimento do País que elas querem para seus filhos e as gerações vindouras.

A educação é a revolução. E sem justiça social não há paz. As reformas estão a acontecer desde 2003 quando o presidente Lula sentou na cadeira da Presidência da República, bem como a presidenta Dilma Rousseff continua a caminhar na mesma trilha do desenvolvimentismo e do trabalhismo. Somente por intermédio da educação faremos com que a ignorância e o egoísmo dos que reagem contra a inclusão social sejam derrotadas.

Quando os áulicos da Casa Grande de forma sistemática criticam açodadamente o Enem e tudo que gravita em torno dele, a exemplo do Sisu, do Fies e do Prouni é sinal que tais programas estão em um caminho certo, sem volta ao passado e que desagrada, sobremaneira, as “elites” brasileiras associadas aos grandes capitalistas, aqueles que defendem a diminuição do estado, a venda do patrimônio público e que quando metem as mãos pelos pés correm como cachorrinhos esfomeados a pedir comida para salvar o que restou de seus patrimônios, sem, contudo, esquecer de enviar para os paraísos fiscais os milhões que ainda lhes sobraram, pois conquistados por meio de sonegações.

Vinte e dois milhões de pessoas estão a ser atendidas pelo Governo trabalhista. Os programas reduziram em 13% as desigualdades sociais. Além disso, 13,8 milhões de pessoas são atendidas pelo Bolsa Família, o que ajudou, e muito, para que o Brasil diminuísse em mais de 55% a pobreza e a extrema pobreza em apenas uma década, segundo o relatório “A Década Inclusiva (2001/2011): Desigualdade, Pobreza e Políticas de Renda”, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e produzido pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2011 (Pnad).

O Brasil cumpriu a meta do milênio no que concerne à diminuição da pobreza em apenas dez anos, o que era previsto para ser realizado em um tempo de 25 anos. E aí vem a direita e os que se associaram aos inquilinos desse campo político e ideológico reacionário e violento para afirmar, sem qualquer responsabilidade do que falam, que vão fazer mais e melhor, sendo que quando estiveram no poder não fizeram nada, pois nem acesso ao emprego o povo brasileiro teve nos tempos do vendilhão da pátria, Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, aquele que foi ao FMI três vezes, humilhado, pois de joelhos e pires nas mãos a mendigar esmolas, porque quebrou o Brasil três vezes.

Todos esses fatores, além de muitos outros não citados neste artigo, favorecem o que os economistas estruturalistas, desenvolvimentista e o próprio presidente Lula chamam de ciclo virtuoso, que fomentou e ainda fortalece a economia interna, que por sua vez ajudou o Brasil a não sentir muito a crise internacional de 2008. A crise que derreteu as economias de países europeus e prejudicou enormemente os Estados Unidos e o Japão, bem como mostrou, inapelavelmente, que o neoliberalismo é uma doutrina que colocada em prática tem por finalidade concentrar renda e riqueza, apostar na jogatina dos mercados de capitais, favorecer os rentistas e prejudicar quem produz para beneficiar os banqueiros e os governos dos países ricos, que determinam como o sistema mundial hegemônico deve proceder, a fim de sugar as riquezas dos países periféricos e emergentes, além de explorar a mão de obra barata dos povos pobres, em forma de rapinagem e pirataria.

Voltemos ao Mau Dia Brasil. Chico Pinheiro e Ana Paulo Araújo, além de os “âncoras” de Brasília e de São Paulo falavam sobre o Enem de mais de 7 milhões de inscritos em tom de pilhéria e desdém. A reportagem anunciada por Chico Pinheiro e veiculada na tela das Organizações(?) Globo iniciou assim: “No próximo final de semana, sete milhões de estudantes vão fazer as provas do Exame Nacional do Ensino Médio. Desta vez, o Ministério da Educação promete um exame sem sobressaltos”.

A partir da chamada, a matéria passou a falar dos “sobressaltos”, evidentemente com o propósito de superdimensionar os erros e equívocos acontecidos em anos anteriores, e, consequentemente, desqualificar para diminuir a importância do Enem e, por seu turno, fazer com que milhões de pessoas, ainda jovens e em formação, passem a ter a sensação de insegurança, além da calar em suas mentes e corações a desconfiança de um processo escolar excepcional, que deveria ser valorizado e admirado, pois se trata de um exame complexo, com um número de inscritos que supera a população de vários países, a exemplo do Uruguai, e que por sua grandiosidade os erros que aconteceram são infinitamente inferiores em relação às suas virtudes.

E o narrador da matéria global sabotadora dizia: “Em 2009, a prova foi furtada em uma gráfica (...)”. Mas o senhor Chico Pinheiro, editor-chefe do Mau Dia Brasil “esqueceu” de lembrar que a prova foi roubada na gráfica da “Folha de S. Paulo” por um contratado dela. Tal pasquim de direita é aquele diário que emprestava, na ditadura militar, seus carros para os torturadores na década de 1970, e que, na maior cara de pau e cinismo, publicou o ocorrido do furto da gráfica como manchete de capa do jornal. Depois a pseuda reportagem relembrou as “falhas” do Enem em 2010. Neste ano, alguns inscritos foram vítimas de vazamentos sobre seus dados pessoais. Uma professora de Remanso (BA) teve acesso às provas e repassou para seu filho. O fato foi relato por um professor de cursinho de Petrolina, que denunciou o ocorrido. Porém o Mau Dia Brasil mais uma vez não mostrou essa ocorrência.

Além disso, ainda em 2010, um dos cadernos da prova continha erros. A gráfica RR Donnelley, a maior do mundo, assumiu as falhas e declarou ao governo e ao público que houve erros de impressão em 0,3% das dez milhões de provas. É isto mesmo: dez milhões de provas e 0,3% de erros. A empresa considerou que o índice de erro é pequeno e que está dentro de uma margem esperada para um processo industrial de larga escala. Contudo, a imprensa superdimensionou novamente, porque os barões magnatas que controlam as mídias no Brasil fazem política, tem lado e escolhem candidatos, sempre os de e da direita.

A falha virou um “escândalo” de gigantescas proporções e quase tais magnatas fecham as portas do Ministério da Educação e terminam de vez com o Enem com a finalidade de impedir o acesso dos pobres à universidade pública. Seria cômico se não fosse trágico e ridículo, porque o “escândalo” não colou. E sabe por quê? Porque os milhões de alunos candidatos sabem que o Enem inclui, é justo, público e democrático, bem como compreendem que a imprensa burguesa, corporativa e sectária defende os interesses empresariais, dos ricos e que luta contra a distribuição de renda, de riqueza, além de ser contrária à independência do Brasil e à autonomia do povo brasileiro.

Em 2011, o Enem foi novamente alvo de irregularidades e patifarias, ou seja, o boicote e a sabotagem continuavam. A finalidade era mais uma vez esvaziar e desqualificar o exame, com o apoio e a cumplicidade, evidentemente, da imprensa comercial de caráter golpista. Alunos do Colégio Christus, de Fortaleza, tiveram acesso a quatorze questões. A Polícia Federal investigou e constatou que o vazamento poderia ter acontecido em um teste formulado pelo Inep realizado em 2010. Apenas 639 provas foram invalidadas em um contexto de milhões de provas aplicadas pelo Enem em todo o Brasil. Pronto! Mais uma vez os porta-vozes da Casa Grande e os mensageiros da dor e da agonia transformaram o vazamento em outro “escândalo” de proporções planetárias.

Contudo, o Chico Pinheiro e a Ana Paula Araújo e seus colegas de Mau Dia Brasil não tocaram neste assunto. Óbvio. Eles fazem um jornalismo mequetrefe, porque aproveitaram uma concessão pública para fazerem suas assertivas ao tempo que não dão o direito de alguém do Ministério da Educação rebater tais vilanias, manipulações e mentiras. Creio que essas pessoas pelo menos não devem pensar, lá com seus botões, que elaboram e efetivam um jornalismo de verdade e isento e imparcial para falar dos fatos e das realidades. Será?

Bem, já em 2012 e apesar de toda a propaganda contra o Enem, as inscrições superaram todos os números, pois um verdadeiro recorde até então. Quase 6,5 milhões de candidatos se inscreveram e com isso o Governo trabalhista percebeu que o Enem é como massa: quanto mais apanha, mais a massa cresce. Neste ano, as fraudes, as trapaças e as sabotagens foram evitadas. Entretanto, em 2013, as falsas polêmicas retornaram, e os motivos eram concernentes aos métodos de correções das redações, considerados demasiadamente permissivos ou tolerantes. Um aluno escreveu como redação uma receita de miojo, o que gerou descontentamento a quem não passou. O Governo trabalhista reconheceu o erro e tratou rapidamente de não permitir que aconteça tais fatos novamente. Quem o fizer, não passará na prova. Ponto.

As provas a serem realizadas neste fim de semana vão ter um enorme e sofisticado esquema de segurança. Todavia, a humanidade é a humanidade e sempre alguém vai tentar burlar a segurança e, consequentemente, fraudar as provas e assim prejudicar a imensa maioria que presta exames de forma legal e honesta, além de sonhar com dias melhores, principalmente aquele que nasceu em berço da classe pobre e que espera, geração após geração, formar-se em uma faculdade, apesar do ódio elitista pelo Enem.

Contudo, o Mau Dia Brasil e o restante da imprensa de negócios privados estão à espera de falhas, fraudes e até mesmo que algum criminoso, a serviço de “sujeitos ocultos”, consigam criar um novo “escândalo”, e, por seu turno, dar oportunidade de a imprensa burguesa repercuti-lo com estardalhaço, com o propósito de mais uma vez dizer ao povo brasileiro que o Enem não presta. Afinal, o que presta para tal imprensa de desejos inconfessáveis são os cursinhos e os colégios, as faculdades e as universidades particulares sem qualidade comprovada e pagos a peso de ouro com o suor dos trabalhadores e dos pais de milhões de jovens que não tiveram acesso ao ensino público superior. Mas não vai adiantar, pois o número é este: 7.105.903 candidatos. Sorry periferia. É isso aí.
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