POLÌTICA - Em defesa de Ruffato.

Diário do Centro do Mundo


Em defesa de Ruffato

by Paulo Nogueira
Clap. clap, clap
Clap. clap, clap
Para abreviar: acho que Ruffato foi muito bem na Feira de Frankfurt ao descrever a iniquidade social brasileira. Mandei-lhe, mentalmente, um clap, clap, clap, tão logo li suas palavras.
Vejo sentido em que a direita se incomode com o quadro traçado por Rufatto. Foi ela, afinal, que levou o país para as profundezas da desigualdade social.
O golpe militar de 1964, com apoio maciço das grandes empresas de mídia, foi vital para que a sociedade brasileira se dividisse entre o 1% e os 99%.
Destruição do ensino público de qualidade, arrocho salarial, proibição de greves, extinção de um direito trabalhista vital como a estabilidade – a obra da ditadura pode-se resumir numa frase: favorecer aqueles que já eram donos de imensos, descabidos, acintosos privilégios.
O Brasil se favelizou a partir de 1964 enquanto um pequeno grupo enriqueceu brutalmente. Delfim Netto, o nome forte da economia na ditadura, alegava que o bolo tinha que crescer antes de ser distribuído.
A fala de Delfim – segundo alguns, ele nega que disse o que disse – foi uma das maiores maldades cometidas contra os brasileiros desfavorecidos, os “Zés do Povo”, como afirmava o fundador do jornal Globo, Irineu Marinho, há coisa de um século.
Fique claro, portanto: a responsabilidade pela construção de uma sociedade injusta e insustentável é, inteiramente, da direita predadora nacional.
Nos últimos anos, e isso foi adequadamente registrado por Ruffato, houve avanços no combate à desigualdade. A chegada do PT ao poder – e este é provavelmente o maior mérito do partido na condução do país – colocou enfim a desigualdade no topo da agenda.
Considere a mídia. Quando ela liderou uma cruzada contra a miséria chocante de tantos brasileiros? Nunca. Era como se o problema não existisse. Ao longo do último meio século, inúmeras campanhas foram feitas por jornais e revistas – mas para aumentar ainda mais os privilégios do grupo que representam.
Quantas vezes você leu – e lê – que os direitos trabalhistas brasileiros são absurdos? Compare-os com os que existem em países desenvolvidos socialmente, e você tem vontade de chutar a parede. Nos países nórdicos, para ficar num pequeno exemplo, as mães podem tirar mais de um ano de licença maternidade, e os pais também têm extensas folgas para ajudar a cuidar dos filhos.
Mas no Brasil a mídia cultivou tenazmente a falácia de que não teríamos uma economia competitiva com nossos modestos direitos trabalhistas. Era mentira. Na verdade, o que se buscava era uma fatia cada vez maior do bolo de que falava Delfim. A fortuna de uma pequena parcela da sociedade foi se tornando simplesmente abjeta.
Repito: obra da direita, que fracassou miseravelmente na tarefa de construir uma sociedade justa.
Desfazer os estragos da direita é o maior desafio dos governantes brasileiros hoje, amanhã, depois de amanhã etc – pertençam eles a que partido pertencerem.
Se trouxe a questão da iniquidade para o centro dos debates, o PT, nestes dez anos, promoveu avanços sociais numa velocidade aquém da esperada e da desejada. Muitos privilégios foram mantidos, ou timidamente atacados – em nome da governabilidade.
Com isso, os brasileiros continuam ainda hoje a ver coisas que gostariam de não ver – comunidades como a de Pinheirinho desalojadas selvagemente, índios tratados a pontapés, Amarildos subitamente desaparecidos para jamais retornar.
As jornadas de junho deixaram clara a insatisfação da sociedade com tudo isso. A direita tentou depois roubar a razão dos protestos, e dizer que o alvo era a “corrupção” – um velho pretexto para justificar ataque a governos populares.
Mas a indignação era contra a persistência de altos níveis de desigualdade, a despeito dos avanços – aquém dos necessários, repito -- promovidos por Lula, primeiro, e Dilma, agora. “Queremos mais”, gritou a sociedade.
Foi este mesmo o grito – esplêndido -- de Ruffato em Frankfurt.
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RESPOSTA ABERTA A UM EDITORIAL DO ESTADÃO.

           


Resposta aberta a um editorial do Estadão

by Diario do Centro do Mundo
A (precária) mobilidade urbana de São Paulo
A (precária) mobilidade urbana de São Paulo
É uma pena que um dos maiores jornais do país, o Estado de S. Paulo, tenha dedicado um editorial para reduzir a questões eleitorais partidárias um debate muito maior e mais importante, que é a mobilidade da cidade de São Paulo.
“O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, assumiram o papel de defensores dos sem-carro e passaram a combater, sem pensar nas consequências, a multidão dos que se atrevem a sair às ruas em seus automóveis, mesmo tendo de enfrentar grandes congestionamentos todos os dias”, afirma o jornal. E acusa o prefeito e o secretário de transportes de não se importarem com “os donos dos 7 milhões de veículos da capital”.
Escrevo esse texto não com o objetivo defender Haddad, Tatto ou o PT, mas para examinar friamente alguns dados da mobilidade da cidade e apontar o absurdo da crítica feita pelo jornal.
Em primeiro lugar, antes de defender “os donos dos 7 milhões de veículos da cidade”, é preciso compreender que o dado que mais importa para a mobilidade não é o número absoluto de veículos, mas o número de viagens diárias feitas de carro. Por exemplo: o país com mais carros per capita do mundo é Mônaco (que está na marca de 0,8 carros por pessoa). Para efeitos de comparação, São Paulo está na marca dos 0,4. Mas São Paulo tem níveis de congestionamento muito maiores do que Mônaco porque o uso dos carros aqui é irracional.
Quando medimos as viagens diárias feitas na cidade, percebemos que os carros são minoria: 38,42% dos deslocamentos são coletivos (transportes públicos), 30,78% individuais (carros e motos) e 30,80% não motorizados (a pé e de bicicleta). Esses dados da pesquisa Origem e Destino foram a base do estudo do engenheiro de transportes Horácio Figueira que concluiu que 20% dos paulistanos se locomovem de carro, mas ocupam 80% das vias da cidade.
Em suma: o congestionamento se dá porque a minoria das pessoas está ocupando a maioria do espaço.
Ao mesmo tempo, até o começo desse ano, São Paulo tinha a enorme disparidade de 17.000 km de ruas e avenidas para carros contra apenas 150 km de corredores ônibus. Essa oferta desigual de vias está sendo corrigida com a criação de mais corredores exclusivos para evitar que ônibus com 60 pessoas precisem disputar espaço com carros levando apenas uma. Não é um processo fácil nem livre de erros, mas necessário para equilibrar uma disparidade histórica na cidade.
“Estima-se que os recursos provenientes das multas crescerão 22% em 2014, atingindo R$ 1,2 bilhão, um novo recorde”, diz o jornal. Não quero aqui defender a chamada “indústria das multas”, mas há um ponto que também precisa ser reequilibrado junto com as vias: a economia dos transportes. O Nobel da Economia William Vickrey enunciou que “cada indivíduo deve ser economicamente responsável por seu deslocamento”. Quem anda de carro precisa de infraestrutura per capita mais cara, polui mais o ar e ocupa mais espaço, mas não paga essa conta.
Encarecer os deslocamentos feitos de carro é um dos caminhos para o equilíbrio da economia dos transportes que foi bem sucedido em Bogotá, Londres e Copenhague e pode ser um caminho para São Paulo – desde que esses recursos gerados sejam bem administrados.
“Essa má vontade com o transporte individual prejudica a cidade”, diz o jornal. Na verdade é exatamente o oposto: a priorização do carro como transporte de massa é que passou as últimas décadas prejudicando a cidade. E é isso que pode ser revertido nesse processo de reequilíbrio de suas vias.
“Antes de reduzir o espaço destinado aos carros para forçar seus proprietários a deixá-los nas garagens, é preciso criar mais vagas de estacionamento para eles, com a construção – há muito prometida e nunca concretizada – de garagens subterrâneas.” diz o jornal, mais uma vez errando feio. Como diz ex-prefeito de Bogotá e consultor do ITDP Enrique Peñalosa, não é função do poder público garantir espaço para o estacionamento de veículos particulares.
O jornal encerra o texto com uma frase pouco propositiva e conclusiva: “É preciso, em suma, mais planejamento e menos demagogia.” Uma crítica atrapalhada que não contempla o ponto mais importante do problema da mobilidade paulistana: o desequilíbrio das centralidades da cidade.
Com empregos concentrados no centro e pessoas em excesso morando nas periferias, não é criando linhas de transporte público ou avenidas para carro que se resolve o congestionamento, mas aproximando as pessoas de seus empregos com políticas de mobilidade combinada à habitação, para reduzir a necessidade de deslocamentos tão longos.
Criar uma polaridade carros x transporte público é um desserviço prestado pelo jornal, que ficou na superfície de uma questão muito mais profunda e complexa.
O texto acima foi publicado originalmente no site Cidade para Pessoas.
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Deputado Henrique Fontana quer reduzir custos das campanhas



Deputado vai apresentar Emendas de Plenário ao projeto de minirreforma eleitoral que modificam modelo de financiamento das campanhas eleitorais.
O deputado federal Henrique Fontana (PT-RS) vai apresentar, em plenário, três Emendas ao Projeto de Lei (PL) 6.397/13 que trata da minirreforma eleitoral, que visam regulamentar aspectos importantes do modelo de financiamento das campanhas eleitorais vigente no país. Uma propõe teto de gastos para cada cargo em disputa - baseado em índices de custo do voto por eleitor, considerando-se o tamanho do eleitorado e o tipo da disputa - e limitação para contratação de cabos eleitorais. Outra, proíbe o financiamento de empresas e limita as doações de pessoas físicas a R$ 700,00. Uma terceira Emenda aglutina todas as propostas. Em todos os casos, o parlamentar prevê sanções nos casos comprovados de desvios de recursos ou arrecadação ilícita (caixa 2).
Relator da reforma política nos últimos dois anos e meio, Henrique Fontana afirmou que sem as emendas propostas ao PL o crescimento da influência do poder econômico na democracia brasileira aumentará de forma exorbitante na próxima eleição. Considerando a evolução dos gastos declarados por partidos e candidatos nas últimas eleições – de R$ 800 milhões, em 2002, para R$ 4,8 bilhões, em 2010 -, o próximo pleito geral poderá ultrapassar os R$ 8 bilhões caso a minirreforma eleitoral seja aprovada pelos parlamentares do jeito que está. Para Fontana, a matéria que pode ir à votação no plenário traz prejuízos para a política do país, pois propõe um conjunto de mudanças cosméticas e que pioram o sistema político brasileiro.
Conforme Fontana, com a aprovação das emendas poderá haver uma economia, em média, de 48% nos custos de campanha, considerando-se a média dos gastos nas últimas eleições por parte dos candidatos mais votados ou eleitos para governador, senador, deputado estadual ou federal. Os valores são calculados com base em uma série de coeficientes apontados no texto da emenda do parlamentar.
Nas últimas eleições, por exemplo, a média de gastos dos dois candidatos a governador mais votados em cada estado foi de R$ 12,2 milhões. Com a instituição do teto de gastos proposto por Fontana, haveria um teto máximo de despesas de R$ 5,9 milhões em média para cada governador, ou seja, uma redução de 52%. Em São Paulo, o maior estado do país, o limite seria de R$ 17 milhões. No Rio Grande do Sul, R$ 8,3 milhões. Em Roraima, onde teria o menor custo, R$ 1,3 milhão.
Os deputados federais que, em 2010, tiveram média de gastos de R$ 1,1 milhão entre os eleitos, poderiam ter uma redução para R$ 605 mil - cerca de 50%. No caso dos senadores, de R$ 3,7 milhões para R$ 2,3 milhões.
Fontana lembra que a regulamentação do teto de gastos para campanhas pode ser votada até 10 de junho por ser a regulamentação da lei vigente que diz que o limite de gastos será votado até esta data no ano em que ocorre a eleição (artigo 17 A da lei eleitoral atual).
-Continue lendo (via sítio do Dep. Henrique Fontana) clicando AQUI
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PETRÓLEO - Leilão de Libra.


Espalhe na internet os vídeos contra o leilão do Campo de Libra


Osvaldo Maneschy
Precisamos espalhar na internet esses dois vídeos sobre o leilão de Libra, campo de petróleo que vale 1 trilhão e 500 bilhões de dólares, que a ANP do governo Dilma Roussef pretende leiloar no próximo dia 21/10 para fazer caixa. As pessoas precisam tomar conhecimento das informações contidas nos vídeos, que a mídia comercial – que conhecemos tão bem – sonega.
Se você mora em Brasília, também não deixe de ir ao debate que acontece nesta terça (15/10), a partir das 9 horas da manhã, no auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados. Estarão lá falando sobre o leilão de Libra e a necessidade do Brasil ter uma política de petróleo que atenda aos interesses nacionais, especialistas do setor e personalidades.
Entre elas o vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras, Fernando Siqueira; o ex-diretor da Petrobras e professor da USP, Ildo Sauer; o engenheiro e consultor legislativo Paulo César Ribeiro, um dos responsáveis pela recente lei que destina 75% dos royalties para a educação; o professor de criptografia da UnB Pedro Antônio Dourado de Rezende; o ex-presidente do BNDES Carlos Lessa; e o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabriell – entre outros palestrantes. Um ato público contra o leilão de Libra será realizado, logo após o debate.
Informe-se, veja os vídeos e compartilhe na internet. Não podemos nos deixar manipular – sabemos que a informação é um dos direitos consignados na Declaração Universal dos Direitos do Homem.
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Vídeo 01 (21 minutos)
Com Fernando Siqueira (AEPET), Maria Augusta Tibiriçá, Carlos Lessa (ex-presidente do BNDEs), Ildo Sauer (ex-diretor da Petrobras), Emanuel Cancela (Sindpetro-RJ), Aloísio Mercadante (Ministro), Paulo Betti (ator), Roberto Requião (Senador) e outros.

Entenda por que o pré-sal é importante. Compartilhe

http://youtu.be/Nm_uUQMzKCYVídeo 02 (12 minutos)
Com João Antônio de Moraes, da Federação Única dos Petroleiros (FUP)
Entenda porque é um crime contra o Brasil leiloar  Libra. Compartilhe
http://www.youtube.com/watch?v=L6oYLCsE-ZM
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POLÍTICA - Datafolha e as falsas comemorações.

Por Altamiro Borges

Cada um interpreta as pesquisas ao seu gosto. No caso da sondagem divulgada neste final de semana pelo instituto Datafolha – que alguns internautas já apelidaram de Datafalha –, as leituras dos resultados são hilárias. Aécio Neves, o cambaleante presidenciável tucano que subiu de 16% para 21% das intenções de voto, solta rojões e garante que irá ao segundo turno. Já Eduardo Campos, que acaba de selar um midiático casamento com Marina Silva, superou a barreira de um digito e atingiu 15% dos votos, também festeja. Bem na dianteira, com 42% das intenções, mais do que o dobro dos dois adversários juntos, a presidenta Dilma Rousseff é só alegria. Mas, afinal, quem saiu ganhando na corrida presidencial?


A pesquisa Datafolha não permite conclusões cabais. Com a aparente desistência de dois candidatos – José Serra e Marina Silva –, a disputa ficou mais concentrada. As intenções de voto do paulista José Serra aparentemente migraram para o mineiro Aécio Neves. Já os votos de Marina Silva se diluíram entre os três postulantes atuais. Os dois oposicionistas até andaram afirmando que herdaram os votos da ex-verde. Mas isto não é verdadeiro. A própria Folha tucana confessa que “Dilma fica com a maior parte dos votos de Marina” e ainda lança um veneno – “se ela desistir”. O jornal ainda aposta na candidatura da ex-senadora como única forma de viabilizar o segundo turno nas eleições presidenciais de 2014.

“A constatação pode ser feita a partir do cruzamento de dados da pesquisa Datafolha. Segundo a apuração do instituto, 42% dos eleitores que declaram voto em Marina passam a votar em Dilma num dos cenários em que a ex-ministra não consta como opção. O senador Aécio Neves (PSDB) herda 21% dos votos marineiros. E o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) – aquele que teria o apoio formal de Marina na hipótese de sua ausência –, fica com 15%... Nas duas simulações feitas pelo Datafolha em que Marina aparece na disputa, a eleição iria para o segundo turno. Com até 29% das intenções de voto, ela é a rival mais forte de Dilma até o momento”, argumenta a Folha da oposição.

Muita água vai rolar outubro de 2014. Eduardo Campos, presidente do PSB, ainda poderá ser apunhalado pelas costas por Marina Silva, segundo comentário ácido do jornalista Jânio de Freitas, da Folha. Já Aécio Neves ainda terá muitas noites de ressaca temendo as famosas traições de José Serra. De concreto, o Datafolha apenas sinalizou que a Dilma Rousseff seria reeleita em primeiro turno caso dispute as eleições contra os dois “prováveis” candidatos do PSDB e do PSB. Ela teria 42% dos votos, contra 21% de Aécio e 15% de Campos. O resto é apenas torcida, que força a barra na interpretação e manipulação das pesquisas.

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