Quem quer, apura


Por Janio de Freitas*

O desejo de esclarecer as licitações e compras do metrô paulistano e da CPTM, reiterado pelo governador Geraldo Alckmin, dispõe de caminhos muito mais simples, rápidos e eficientes do que os processos judiciais por ele anunciados. Estes, além de lançarem dúvida sobre a veracidade do desejo, com sua preferência pelo método confuso, e lerdo, correspondem demais a utilidades reeleitoreiras.

Não é preciso esperar pelos documentos já colhidos na investigação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), e tão reclamados à toa pelo governador. Ao que se saiba, também o governo paulista não é dado a repassar aos investigados por sua polícia as pistas e provas obtidas em investigações ainda sigilosas.

As licitações, contratações e compras foram feitas pelo governo paulista. É só abrir os seus respectivos arquivos e surgirá uma profusão de documentos com indícios, esclarecimentos, mesmo com provas em um ou em outro sentido, coisas que talvez nem o Cade já tenha. O governo paulista não se deu a esse trabalho simples para embasar as informações esperadas pela opinião pública, até agora só servida de palavrório requentado.

De fácil acesso nos arquivos está um outro indicador, sempre enrolado em meias explicações pelo governantes e, no caso paulista, parte essencial. São os acréscimos de preço apelidados de reajustes, que só em casos raros refletem motivos justos e não pretextos, convenientes à melhoria do preço feito para vencer. E não menos convenientes a mais participações de terceiros, quartos e outros.

Na beira do cadafalso estão governos paulistas e o PSDB. Cabe então ao governador Geraldo Alckmin abrir o jogo, mostrar o que se passou conforme a documentação em posse do governo paulista, caso queira deixar mais do que a impressão de tergiversar e fazer gestos ilusórios como resguardo eleitoreiro.

Janio de Freitas, colunista e membro do Conselho Editorial da Folha de SP (fonte desta postagem), é um dos mais importantes jornalistas brasileiros. Analisa com perspicácia e ousadia as questões políticas e econômicas.
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Preso no aeroporto em Londres companheiro de jornalista britânico que divulgou informações de Snowden

David Miranda, companheiro do jornalista do “The Guardian” Glenn Greenwald, que escreveu a série de reportagens revelando a vigilância de civis pela Agência de Segurança dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês), ficou por quase nove horas detido no aeroporto de Heathrow, em Londres.

David mora com o jornalista britânico no Rio e foi detido em Londres, com base no artigo 7 da lei de terrorismo, de 2000. Ele ficou preso por nove horas - tempo máximo permitido. Não havia acusação alguma contra ele. Ainda assim, teve confiscados "equipamentos eletrônicos, incluindo telefone celular, laptop, câmera, cartões de memória, DVDs e jogos".

A medida do governo britânico está sendo vista como uma tentativa de intimidação.

No seu blog, no "Guardian", Glenn diz que tratou-se de um ataque à liberdade de imprensa e uma mensagem de intimidação pela divulgação da espionagem.

"Mas a última coisa que este ato vai provocar é nos intimidar ou nos deter de fazer nosso trabalho como jornalistas. Pelo contrário: irá nos encorajar mais para continuar denunciando", afirmou no blog.

[Fonte da matéria é o Extra, das Organizações Globo, que têm o hábito de sonegar não apenas impostos mas links dos blogs que não sejam deles. Aqui está o link do Blog do Glenn Greenwald no The Guardian, e, em protesto, dou o crédito ao Extra mas não o link. Leia Detaining my partner: a failed attempt at intimidation, postagem  de Greenwald sobre o caso].


Madame Flaubert, de Antonio Mello

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Por baixo dos panos...



*Charge do Kayser
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Quando Joaquim Barbosa atira em Dilma e Lewandowski, está de olho nos que o querem no Planalto, ou golpe

Não bastasse a grosseria feita com a presidenta Dilma diante do Papa, quando Barbosa lhe negou cumprimento e passou por ela como se não existisse, o presidente do STF voltou a dar seu showzinho diante das câmeras (e é bom frisar "diante das câmeras"), agindo de modo grosseiro e ofensivo com seu colega de STF, ministro Ricardo Lewandowski, acusando-o de promover chicana no Supremo.

Já escrevi aqui, e esta postagem é prolongamento de outra, que a grosseria, o ar imperial do ressentido Barbosa, não são apenas fruto de seus dramas internos. Ele sabe que boa parte dos brasileiros aprova sua arrogância, sua falta de educação e civilidade, quer por identificação, quer por projeção.

Joaquim Barbosa foi picado pela mosquinha azul do poder, o que ficou evidenciado na viagem à Costa Rica, quando levou a tiracolo (e às custas do Estado) repórter de O Globo (a Folha não aceitou o convite) para repercutir seu brilhareco.

Barbosa age com intenção de representar aquele público, que pode ser definido como o leitor típico de Veja, segundo Roberto Civita, em texto que publiquei aqui, na postagem Nem Civita lê a Veja:


Roberto Civita: “... Os leitores clamam, (...), querem que a sua revista se indigne. Eles querem. Os brasileiros, hoje, não posso falar de outras partes do planeta, mas os leitores de Veja querem a indignação de Veja. Eles ficam irritados conosco quando não nos indignamos. Estou tentando explicar, não justificar. Acho que Veja se encontra toda semana na difícil posição, de um lado, de saber que reportagem é reportagem e opinião é opinião, sendo que não tem editoriais além daquele da frente; e, de outro, sabendo que os leitores..."

Quando age com aquela indesculpável grosseria, além de alimentar seu ressentimento, ele se coloca como o opositor perfeito de Dilma, ante os olhares desses ressentidos citados por Civita.

É um eleitorado nada desprezível, se olharmos a última pesquisa do Ibope, com relação aos votos espontâneos, aqueles que são declarados pelo pesquisado sem que nenhum nome de candidato lhe seja apresentado.  Barbosa está empatado com Serra e à frente de Eduardo Campos e Alckmin.

Em números: Dilma teria 16% das intenções de voto; Lula, 12%; Aécio, 5%; Marina, 4%; Joaquim Barbosa, 3%; José Serra (PSDB), 3%; Eduardo Campos, 1%; e Geraldo Alckmin (PSDB), 1%. [Fonte desses números do Ibope: G1]



Madame Flaubert, de Antonio Mello

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Jornalista premiado da Time diz que não vê a hora de escrever sobre a morte de Julian Assange

O jornalista Michael Grunwald, principal correspondente da revista Time e ganhador de vários prêmios, escreveu em seu perfil no Twitter: I can't wait to write a defense of the drone strike that takes out Julian Assange,


Com a revolta que sua mensagem provocou na rede, Grunwald deletou a postagem no Twitter (mas, como você pode conferir na reprodução acima, tarde demais...) e, segundo a reportagem, se desculpou, reconhecendo que a mensagem foi estúpida.

Wikileaks escreveu à revista pedindo a demissão de Grunwald.

Será que isso vai acontecer? Será que não é exatamente a morte de Assange, e também a de Snowden, o que desejam governo e boa parte do povo dos EUA?

[Fonte]



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