* Presidenta Dilma inaugura do campus universitário em Osório (RS)
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Madame Flaubert é um romance excepcional.
Seu título, brincando com a afirmação de Flaubert, madame Bovary c’ est moi, indicia que ele se arrisca a fazer um romance dentro de um romance dentro de outro romance, como se fosse uma boneca russa que se naturalizasse brasileira.
Sugere, também, uma daquelas gravuras de M. C. Esher, em que as figuras que parecem sair de um quadro ou de uma folha de papel se encontram, por sua vez, em outro quadro ou folha de papel. Da mesma forma, os personagens desse livro escrevem novelas e livros e parecem interagir com os personagens que por sua vez inventam, matando-os e sendo mortos por eles, o que acaba sendo o enredo de um romance chamado... Madame Flaubert.
Tudo acontece no início dos anos 90, quando Collor foi eleito e depois deposto, e quando uma atriz, por acaso filha da autora da novela em que atuava, foi morta por um ator, por acaso seu par romântico na mesma novela. Glória Perez e Fernando Collor têm participações incidentais, mas importantes, no romance de Antônio Carlos de Mello. A história mostra personagens em crise procurando tanto o sucesso quanto o sentido, comumente confundindo um com o outro.
Lê-se como se fosse um romance genial e sofisticado e, ao mesmo tempo, lê-se como se fosse um romance policial e eletrizante. Ou seja: a chamada alta literatura mistura-se desavergonhadamente com a chamada baixa literatura, a literatura popular, de mercado, e o resultado é fascinante.
Antônio Carlos de Mello, que agora assina simplesmente Antonio Mello, publicitário, até hoje publicou pouco: A metáfora de Drácula (Rio de Janeiro: José Olympio, 1982), um fascinante livro de contos, e A fome e o medo (Rio de Janeiro: edição da InternAD, 1998), um panfleto no nível daqueles que Swift fazia. Ou não tem muita consideração pelos leitores, ávidos de literatura de fato instigante, ou estava se guardando para preparar essa obra-prima, chamada Madame Flaubert.
Bem-vind@ a Madame Flaubert.
Desde criança, minha paixão sempre foi escrever. E não ter medo de chavões, caso eles sejam verdadeiros, como na frase anterior.Tenho dificuldade de falar em público, de me concentrar (especialmente se houver música) e de me comportar segundo as etiquetas.No entanto, até esses meus mais de 50 anos de vida, vivi assim, ironicamente (uma de minhas frases prediletas é “Deus é ironia”), de fazer o que mais tenho dificuldade.Como publicitário e marqueteiro político, na maioria das vezes vendi sonhos que nunca foram meus.Mas também descobri qualidades minhas que nunca viriam à tona se não fosse pela força da necessidade. Aqui, coloco o jinglista premiado e procurado que sou - embora não toque instrumento algum, assim como não consigo andar de bicicleta ou dirigir automóveis (mas sou excelente co-piloto... rsrs).MADAME FLAUBERT é, seguindo esse estranhamento, um bildungsroman, um romance de iniciação, embora eu tenha publicado com relativo sucesso o livro de contos “A Metáfora de Drácula”, há mais de 30 anos, em 1982, pela antiga e prestigiada Livraria José Olympio Editora, o que muito me orgulha. E depois um maldito (no bom sentido) “A Fome e o Medo”, em 1999.Este livro é também o primeiro de uma trilogia, que tem como personagem principal o estranho Antônio C. Nele, trabalho a construção do romance, e é possível, a um observador atento, subir degrau a degrau essa montagem.O segundo, que devo concluir até o final do ano, vai se chamar “Maravilhoso Mundo das Mulheres”, e, nele, a trama tenta ser protagonista, embora a forma literária imponha seus gloriosos limites.O terceiro ainda está por se construir, mas tem título e provocação literários: Vai se chamar “Afinal, o que elas querem?”, que chupei de uma famosa frase atribuída a Freud. Uma investigação sobre essas criaturas que tanto nos (ou, pelo menos, me) fascinam: as mulheres.Tenho um blog que não trata de nada disso, mas de política, o Blog do Mello, que completou agora neste 2013 oito anos. E que também me dá muito prazer e me trouxe novos amigos.O que espero que este romance também possa produzir, ao menos, como diria Antônio C., “pelo prazer de encaixar as palavras umas nas outras, esse roçar erótico de letras e sentenças”.