"O POVO LEVANTOU-SE CONTRA DILMA E O PT"
Estou no tuiter, aí de repente recebo a mensagem: "Afinal o povo acordou! Em todo o País o povo protesta contra Dilma e o Governo medíocre do PT".
Penso: tem maluco pra tudo.
O desespero da oposição, há 12 anos alijada do poder no Governo Federal e com a perspectiva de continuar pelo menos por mais oito anos, leva os opositores a uma raiva infinita contra Dilma, o PT e a coalizão que os apoia.
Rola de tudo: de ofensas, agressões verbais a agressões físicas, de políticos hábeis - profissionais - a infantilóides de primeira hora.
Mas é grande a alienação, e não falo da alienação política. Falo mesmo é da alienação como loucura.
Acho que funciona assim:
"Já que a realidade me é hostil, já que não consigo na realidade apear do Poder o PT , Dilma , Lula e tudo que eu odeio - e nem sei bem porque odeio, resta-me adequar os fatos aos meus sonhos tornando-os uma nova realidade.A dor que sinto não suporto, preciso de uma outra interpretação de mundo."
Aí o "maluco" resolve que as manifestações de protesto do Movimento Passe Livre é um gigantesco protesto em todo o País contra Dilma e o PT.
Finalmente o "povo acordou", diz ele. Mas que "povo"? Estudantes e jovens idealistas. É bem verdade que isto não os exclui de ser "povo", mas povo mesmo significa muito mais que "segmentos do povo".
O mais curioso na alienação do sujeito é que se o povo protesta contra o PT, por que é a polícia do PSDB quem reprime de forma violenta a manifestação?
Seria isto uma conspiração orquestrada entre a Oposição e a Situação contra o hostil Mundo dele?
Vai se saber?
Não, meu "maluquinho" tucano: a realidade não é o que a gente deseja, mas sim o que ela de FATO é.
O justo movimento contra alta das tarifas de transportes coletivos acontece nos Estados de qualquer matriz de governo, seja ele do PT ou do DEM.
Ocorre acima do Sistema, por fora dele, independente dele. Pauta a si mesmo embora toda a mídia queira pautá-lo de outra forma.
E aí eu fico pensando:se aqui, com todo o arreglo do PT no Poder temos esta radicalidade da oposição, então imaginem o que se passa na Venezuela?
Não dá pra ter papo com "malucos" e fascistas, de Caracas a São Paulo.
Dilma e Haddad sofrem na pele as dificuldades de não serem políticos natos, como um Lula, um Brizola
Política não é para qualquer um. Você não acorda um belo dia e diz "vou ser prefeito de São Paulo" ou "presidente do Brasil".
Mas, às vezes, você é acordado por alguém com essa proposta. E, mesmo não sendo um político nato, daqueles que nasceram pra isso, você coloca o ego na mesa, dá dois beijinhos nele e pensa "por que não"?
Aí está a merda.
Se for eleito e tudo correr bem, segundo os ditames de seu tutor, você navega tranquilamente, toca a administração, e "vida que segue".
Mas, se dá uma merda... se há um imprevisto que dependa do faro político, da percepção do momento, de para onde estão indo as nuvens (para o político e dono do falecido Banco Nacional Magalhães Pinto a política se movimenta como as nuvens, numa hora de um jeito, em outra, de outro), nessa hora o sujeito percebe que ele não é o comandante do navio político e procura uma bússola para tirá-lo da enrascada.
Enquanto isso, o povo espera.
É o que me parece estar acontecendo com a presidenta Dilma e com o prefeito Haddad. Na hora do samba no pé, eles não estão sabendo falar com o povão que os elegeu.
No desfile das Escolas de Samba do Rio isso dá perda de pontos em vários quesitos...
Na política, pode dar merda...
SP: A baderna é da polícia!
por Rodrigo Vianna*
Qual o nome para o que a Polícia Militar fez em São Paulo durante mais uma manifestação contra o aumento das passagens de ônibus e metrô? Proibiu carros de som e megafones nas ruas, agrediu jornalistas e fotógrafos, encurralou manifestantes, atirou bombas a esmo, pisoteou a Democracia.
Desacostumado com manifestações públicas, o brasileiro aceitou a versão da velha mídia que, após os atos da semana passada, classificou os manifestantes como simples “baderneiros”?
Dessa vez, quem tentou impedir uma manifestação pacífica em São Paulo? Como se pode nomear as cenas protagonizadas pela polícia (e devidamente registradas e espalhadas em tempo real pelas redes sociais)? Baderna ou barbárie?
A polícia tentou cercear o direito à manifestação. Atacou a liberdade de expressão. Isso se chama “subversão”. Sim, a PM paulista subverteu a ordem democrática.
A Polícia Militar foi baderneira e subversiva!
E pra completar: manifestantes foram presos com base numa lei que trata ativistas sociais como “quadrilheiros”. O mais chocante: o PT e outros partidos de esquerda, as centrais sindicais mais representativas e os movimentos sociais importantes estão ignorando a garotada que foi pra rua enfrentar a barbárie. É preciso dizer: não aceitamos que o governador de São Paulo trate manifestantes como “quadrilha”. Movimento social não é quadrilha. O próximo passo, disse-me há pouco o colega blogueiro Renato Rovai, é tratar movimento social como “terrorismo”.
Aliás, acompanhe cobertura ao vivo da Revista Fórum, sob coordenação do Rovai.
Alckmin tenta se cacifar junto ao conservadorismo paulista. Ele sabe bem o que está fazendo. É chocante ouvir por aí – na classe média supostamente bem educada – que “essa gente tem é que levar borachada”. É a base alckmista. Mas o mais chocante é perceber que o petismo e as bases lulistas ficam sem saber o que dizer. Talvez à espera do sinal dos “líderes”, à espera dos cálculos que submetem tudo, absolutamente tudo, à lógica eleitoral.
Humildemente, lembro que há questões inegociáveis. E uma delas é o direito à manifestação. Ah, mas esses atos são convocados por “radicalóides” do PSTU e do PSOL! Então, façamos com que sejam mais do que isso, mais amplos. Ah, mas há provocadores que vão pra rua depredar e atirar pedras! Ora, desde que o mundo é mundo, isso é assim. Não há manifestação com mais de 2 mil ou 3 mil pessoas em que não surja gente disposta apenas a tumultuar.
Mas volto a insistir. Manifestação não é baderna, nunca foi e nunca será. Baderna, isso sim, é polícia que dá tiro em manifestante ajoelhado, baderna é governador usar a cavalaria na avenida Paulista, baderna é partido de esquerda (ou, ao menos, com bases de esquerda) submeter-se à lógica eleitoral e não vir a público denunciar o fascismo social que se tenta implantar em São Paulo.
Isso tudo, sim, é baderna pura! É um Pinheirinho no centro de São Paulo. Um Pinheirinho na avenida Paulista.
Há erros na ação dos manifestantes? Parece que sim. Mas há um mérito inequívoco na atitude deles: retirar da letargia jovens que, na última década, foram acostumados com a idéia de que nenhuma ação coletiva faz sentido.
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