“Uma vergonha para um país democrático”, diz Tarso sobre o monopólio da mídia
Governador Tarso Genro expôs críticas ao modelo neoliberal durante a abertura do Fórum da Igualdade | Foto: Daiani Cerezer/ CUT-RS
Sul21 - por Débora Fogliatto -“Não há liberdade sem igualdade”. É este o lema do III Fórum da Igualdade, que teve início nesta segunda-feira (8) com a presença do governador do Estado, Tarso Genro. O evento é promovido pela Coordenação dos Movimentos Sociais do RS (CMS/RS) e criado como um contraponto dos movimentos sociais e de esquerda ao neoliberal Fórum da Liberdade, que também começou nesta segunda. Realizado na Câmara Municipal de Porto Alegre, o fórum ainda conta com painéis nesta terça-feira (09).
Em seu discurso, o governador falou da evolução da liberdade, mencionando quatro etapas: a liberdade de pensamento, a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e a “liberdade de fazer circular livremente a opinião”. A primeira, articulada na Idade Média, era reivindicada pelas mulheres acusadas de bruxaria. “Na época, a Igreja organizava a dominação através do pensamento”, argumentou Tarso.
Já o conceito de liberdade de expressão surgiu no Renascimento e representava um perigo para aqueles no poder. Com a Revolução Francesa, veio a necessidade da liberdade de imprensa, de “transformar a liberdade em palavras”. E isso se tornou central à luta pela democracia, de acordo com o governador. O monopólio das grandes empresas, no entanto, ameaça a efetividade dessa liberdade. A quarta etapa, a “liberdade de fazer circular livremente a opinião”, não é possível com esse monopólio. “Não temos esse direito (de fazer circular a opinião)”, afirmou Tarso.
“O que se discute na esfera pública é controlado pelos meios de comunicação monopolizados”, acrescentou. Para exemplificar o que ele chamou de “ataque” da grande imprensa aos políticos, Tarso lembrou de dois casos nos quais, enquanto ministro, tomou decisões que foram na época duramente criticadas pela mídia. O primeiro foi o da criação do ProUni, projeto proposto por ele enquanto era Ministro da Educação. Mais tarde, o mesmo aconteceu com a proposta da criação de cotas raciais nas universidades públicas.
“Eu sofri uma campanha difamatória das grandes empresas, que diziam que eu estava sendo racista e que a medida iria baixar o nível das universidades. Havia uma clara campanha articulada contra o ProUni e contra as cotas por parte da mídia”, expôs o governador.
O segundo exemplo foi o caso de Cesare Battisti, a quem Tarso concedeu refúgio por entender que ele havia sofrido perseguição política na Itália, seu país de origem. “Battisti era um jovem militante revolucionário que tinha entrado em confronto com o governo nos anos de chumbo, como muitos de nós. Ele foi acusado sem provas”, afirmou.
“Eu sofri uma campanha difamatória das grandes empresas”, disse Tarso sobre a proposta de criação do ProUni e das cotas | Foto: Daiani Cerezer/ CUT-RS
A grande mídia na época se referia a Battisti seguidamente como “terrorista”. “O mesmo foi feito no processo do mensalão”, disse Tarso, garantindo que não estava procurando defender os acusados. A questão, de acordo com ele, é que “os réus, antes do juiz proferir qualquer sentença, já haviam sido condenados pela mídia”.
Apesar de haver na constituição a proibição ao monopólio midiático, na prática é preciso criar um sistema de comunicação que não seja dependente dos financiamentos dos
grandes grupos econômicos. O governador afirma que, ao contrário do que dizem os contrários à regulamentação midiática, ela não representa o fim da liberdade de expressão, mas sim o fim do monopólio. “Isso (o monopólio midiático) é uma vergonha para um país democrático”, afirmou Tarso.
Para o governador, o neoliberalismo, cujos defensores atacam a proposta de regulamentação da mídia, está em crise. Esse modelo, que propõe a privatização e a destituição do Estado, não se preocupa “com a real igualdade”, afirmou. “Existe um conflito entre os que acreditam no neoliberalismo e os que que não compactuam com guerra, com o preconceito, com a violência e com a exclusão de quem está fora do mercado”. O desafio para o Brasil, de acordo com Tarso, é encontrar um modelo de desenvolvimento capaz de não isolar o país internacionalmente e, ao mesmo tempo, dar ao Estado soberania e autonomia, para que este não dependa das iniciativas privada. (...)
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REGISTROS DA VISITA DO GOVERNADOR TARSO GENRO A SANTIAGO/RS
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| Governador Tarso Genro falando aos petistas de Santiago e Região |
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| Bueno, presidente do PT de Santiago, fazendo a abertura da reunião com o Governador |
| Vereador petista Sérgio Marion (Santiago), comp. Guerra, Governador Tarso e Júlio Garcia |
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| Mesa: Dep. Pimenta, Governador Tarso, Dep. Valdeci, Prefeito José Grosso (Itacurubi) e ver. Iara (Santiago) |
*Para saber mais sobre a estada do Governador Tarso Genro em Santiago (oportunidade em que anunciou a liberação R$ 15 milhões da Corsan para a ampliação do sistema de abastecimento de água, dentre outros investimentos) e, após, da reunião com parlamentares, dirigentes e militantes petistas de Santiago e Região e representantes do PDT e PPL (vereadores Nelson Abreu e Miguel Bianchini), realizada na noite 5/04 no Hotel São João, CLIQUE AQUI e AQUI
WikiLeaks: Embaixador dos EUA afirma que Stuart Angel foi 'subsequentemente assassinado por agentes da Aeronáutica' em 1971
| Stuart Angel, assassinado pela ditadura |
Subsequentemente
assassinado
por
agentes
da
Aeronáutica
Agentes, claro está, que recebiam do Estado brasileiro o dinheiro com que compravam o pão, o bife, a batata frita, o sundae do Bob's. Também pagavam o aluguel, a prestação do carro e da TV, geladeira. A escola do filho. O dinheiro pro lanche.
E recebiam esse dinheiro para torturar e assassinar cidadãos brasileiros que lhes pagavam salário, via impostos, e que lutavam contra a ditadura vendida aos EUA, que nos foi imposta.
Stuart, confirma o vazamento do Wikileaks, foi assassinado.
Disponibilizado pelo Wikileaks, documento da embaixada dos EUA em Brasília endereçado aos escritórios de Assuntos Interamericanos do Departamento de Estado dos EUA, em Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, no dia 14 de março de 1973, fala sobre o assassinato do militante Suart Edgart Angel Jones, que teria sido absolvido em sessão secreta da Suprema Corte Militar dois anos após sua morte.
Assinado pelo então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, William Manning Rountree, o telegrama narra “o capítulo final do trágico caso” de Stuart Angel. “Na última semana, em uma sessão secreta, a Suprema Corte Militar reafirmou a decisão do Tribunal da Aeronáutica em absolver Jones de sua alegada contravenção ao Ato de Segurança Nacional. Como o departamento está consciente, Jones foi detido no Aeroporto Galeão (Rio) em 1971 e subsequentemente assassinado por agentes da Aeronáutica”.
O também guerrilheiro Alex Polari deu detalhes do que ocorreu:
A versão mais conhecida e aceita de sua tortura e morte foi dada pelo ex-guerrilheiro Alex Polari, também preso na base, e que assistiu da janela de sua cela as torturas feitas contra Stuart, presenciando inclusive a cena em que ele foi arrastado por um jipe militar, com o corpo completamente esfolado e com a boca no cano de descarga do veículo, pelo pátio interno do quartel, o que causou sua morte por asfixia e envenenamento por gás carbônico. [Fonte]
A "ditabranda" da Folha era assim. E a cada dia ficamos sabendo um pouco mais de tudo aquilo que aconteceu. Do terror. Das vidas e sonhos interrompidos.
E a cada nova informação, como essa do Wikileaks, a família revive a dor dilacerante de sempre saber a verdade aos poucos e durante anos, e de nunca ter a oportunidade do último adeus ao pai, ao marido, ao irmão, à esposa, à mãe, à irmã.
A Comissão de Verdade é um primeiro passo para que o Brasil um dia chegue à situação da Argentina, que está colocando a História nas ruas e os assassinos na cadeia.
Hildegard, todos somos Hildergard Angel, enquanto o Brasil não passar a limpo a ditadura civil-militar e colocar na cadeia os canalhas, assassinos ( e seus financiadores, inclusive donos de empresas midiáticas) travestidos de nacionalistas.
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