PPS em busca do voto perdido

Comunista de nascimento, a legenda, cuja história se mistura com as lutas por liberdade e democracia no país, tenta se descolar da imagem de satélite do PSDB na oposição à Dilma. Para isso, quer atrair medalhões como Serra e Marina

Paulo de Tarso Lyra

O PPS, que há 10 anos concorreu à Presidência da República com Ciro Gomes e recebeu 10,1 milhões de votos, hoje luta para deixar de ser uma legenda periférica na oposição ao governo Dilma Rousseff. Herdeiro do antigo PCB — o Partidão de Luis Carlos Prestes e Oscar Niemeyer —, o PPS surgiu após a queda do muro de Berlim, em 1989, e hoje negocia espaços políticos tanto com José Serra quanto com Marina Silva para ter alguma visibilidade em 2014.

Presidente nacional do PPS, Roberto Freire concorreu à Presidência em 1989, ainda pelo PCB, na primeira eleição direta após o fim do regime militar. Três anos depois, promoveu a cisão na legenda, estimulado pelo esfacelamento da antiga União Soviética. “Adotamos o mesmo processo vivido pelo Partido Comunista Italiano, de buscar construir um partido democrático de esquerda”, disse Freire, hoje deputado federal por São Paulo, ao Correio.

Ex-integrantes do PPS reclamam que o poder na legenda ficou muito concentrado nas mãos de Freire. “O PPS foi se apequenando ao longo da história e hoje tem pouco mais de 10 deputados”, disse um político que, hoje, respira novos ares. “Passamos ao lado de Lula o pior momento do governo — a crise do mensalão — e, quando o Planalto começou a respirar, nós abandonamos o barco”, completou um aliado governista que migrou para outro partido.

Durante um período em que esteve amuado com o PDT, Miro Teixeira deixou as hostes trabalhistas e filiou-se ao PPS. Ficou pouco mais de seis meses e voltou para o partido de origem. Mas ele acha que os movimentos recentes do PPS, buscando conversar com outras forças políticas para assumir um novo protagonismo no cenário nacional mostram que a legenda tenta sair da inércia. “No plenário, por exemplo, posso dizer que as intervenções do líder Rubens Bueno (PR) e do próprio Freire têm sido de firme oposição ao governo”, defendeu Miro.

O PPS tem hoje 11 deputados. Nas legislaturas anteriores, contava com uma bancada de 18 a 19 deputados. E ainda perdeu a única cadeira que tinha no Senado com a morte de Itamar Franco (MG) em 2011. O próprio Freire já foi senador por Pernambuco e, depois, transferiu o título para São Paulo para eleger-se deputado federal. “Ele precisa, de fato, grudar no Serra para ter um mínimo de chance de reeleger-se para a Câmara, o que será muito difícil”, prevê um desafeto do presidente do PPS.

Freire rebate os ataques e diz que as conversas com Serra têm como base a afinidade ideológica entre ambos. Elas começaram após as eleições presidenciais de 2010. No caso de Marina Silva, alguns aliados da ex-ministra do Meio Ambiente já migraram para o PPS e defendem que esta é a melhor alternativa que ela tem se quiser concorrer à Presidencia, novamente, no ano que vem, em vez de criar um novo partido. “Nessas eleições municipais elegemos um prefeito de capital (Luciano Rezende, em Vitória). Significa que estamos melhorando? Calma, mas é um caminho”, sinalizou Freire.

A saga do Partidão

1922 – Fundação do Partido Comunista Brasileiro, em Niterói (foto)

1922 – O presidente Epitácio Pessoa coloca a legenda na ilegalidade

1927 – Reconquista a legalidade em janeiro, elege Azevedo Lima deputado federal, mas volta a ser proibido em agosto

1935 – Já com a presença de Luís Carlos Prestes (foto), participa da Aliança Nacional Libertadora (ANL) e inicia a revolta militar conhecida como Intentona Comunista.

1945 – Prestes e outros dirigentes são anistiados e o PCB retorna à legalidade. Nas eleições gerais, conquista 14 cadeiras na Câmara dos Deputados uma no Senado, para o próprio Prestes

1947 – Com cerca de 200 mil filiados, tem o registro novamente cancelado

1960 – Lança campanha para voltar à legalidade

1964 – O regime militar impôs aos membros do PCB mais um longo período de clandestinidade

1973 a 1975 – um terço do Comitê Central foi assassinado e centenas de militantes foram presos e torturados, dentre os quais destacam-se o jornalista Vladimir Herzog

1979 – Lei da Anistia permite o regresso de militantes históricos

1984 – Participa, ainda na ilegalidade, da campanha das Diretas Já (foto)

1985 – Com o fim da ditadura militar, o PCB e o PCdoB voltam a funcionar como partidos políticos legais. O PCB apoia a transição democrática e os primeiros anos do governo de José Sarney

1989 – Crise no comunismo europeu. O PCB perde força política e recursos da União Soviética, que se desintegra após a queda do Muro de Berlim. O PCB se divide entre o grupo do então senador Roberto Freire e o do arquiteto Oscar Niemeyer e do cartunista Ziraldo. Freire vence a disputa interna, cria o PPS. O grupo minoritário comunista deixa o partido e mantém a sigla PCB, mas com baixa representatividade política e sindical

PPS em números

Como está, atualmente, a legenda dos ex-comunistas:

» 1 prefeito de capital (Luciano Rezende – Vitória)

» 6 vice-prefeitos de cidades com mais de 150 mil habitantes

» 123 prefeitos eleitos em 2012

» 11 deputados federais

» Nenhum senador (perdeu a única cadeira com a morte de Itamar Franco)

» Em 2002, o partido obteve 12% dos votos na eleição presidencial, com Ciro Gomes

Fonte: Correio Braziliense
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Eduardo Campos baixará tom das críticas ao governo Dilma

Governadores e prefeitos do PSB querem boa relação com Planalto

Fernanda Krakovics

BRASÍLIA - Apesar de continuar trabalhando para viabilizar sua candidatura à Presidência da República em 2014, o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PE), deve baixar o tom das críticas que tem feito à política fiscal do governo federal. Mesmo sendo entusiastas da candidatura própria, governadores e prefeitos do PSB não querem se indispor, por ora, com o Palácio do Planalto, de quem dependem para conseguir dinheiro para obras e programas, além de renegociação de dívidas. Pelo menos em 2013.

O PSB permanece na base aliada, ocupando dois ministérios, enquanto avalia as chances de uma candidatura própria em 2014. Neste cenário, Campos faz um jogo de morde e assopra em relação à presidente Dilma Rousseff, que ontem voltou a Brasília, depois de passar 12 dias de férias na base naval de Aratu, em Salvador. Dilma, por sua vez, corteja o aliado e seu partido, na tentativa de convencê-los a desistir da ideia de enfrentá-la nas próximas eleições.

Nesse cortejo, Dilma nem sempre acerta. No mês passado, sondou o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), sobre a volta de seu irmão, Ciro Gomes, para a Esplanada dos Ministérios. Ciro ocupou a pasta da Integração Nacional no governo Lula e gostaria de ir para o Ministério dos Transportes, atualmente com o PR. A eventual entrada de Ciro na equipe de Dilma é considerada uma afronta por Campos. A relação do presidente do PSB com os irmãos Gomes é péssima desde que Campos implodiu a pré-candidatura presidencial de Ciro, em 2010.

- Seria uma declaração de guerra para o Eduardo - diz um integrante do PSB, pertencente ao grupo de Campos.

O governador de Pernambuco havia adotado, desde o final de novembro, um discurso crítico à política de desonerações promovida pelo governo federal, que tem impacto na receita de estados e municípios. Além de criticar o governo por lançar mão de instrumentos que não seria mais eficazes para aquecer a economia, ele vinha atacando a forma como o governo implementou sua política de desonerações, privilegiando setores e regiões do país.

Diante do ensaio de voo solo de Campos, Dilma tem feito um esforço para se aproximar do aliado. Ela o recebeu para jantar no Palácio da Alvorada, no início de novembro, logo após as eleições municipais, quando PT e PSB romperam a aliança em Recife e em Fortaleza. Repetiram o encontro em almoço no último sábado, em Salvador.

Apesar do esforço de Dilma, Campos se ressente de não ter com ela uma relação próxima como tinha com Lula. O governador de Pernambuco queria ter sido ouvido, por exemplo, sobre a redistribuição dos royalties do petróleo. Mas esse não é o estilo de Dilma, conhecida pela centralização das decisões e pela falta de gosto pela política.

Se, por um lado, pretende evitar críticas ao governo federal, Campos usará este ano as propagandas regionais de seu partido na televisão, em todos os estados, para nacionalizar seu nome.

Fonte: O Globo
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PSD prepara adesão ao governo após o Carnaval

Partido de Kassab prevê consultar diretórios sobre apoio em fevereiro

De 51 parlamentares hoje filiados ao PSD, 22 eram de DEM, PSDB ou PPS - os principais opositores de Dilma

Erich Decat e Catia Seabra

BRASÍLIA - Com quase metade de seus parlamentares egressos da oposição, o PSD prepara para depois do Carnaval sua entrada oficial na base do governo e o anúncio de apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff no ano que vem.

Presidido pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, o partido prevê para fevereiro a consulta aos diretórios estaduais para coletar avaliações. Para membros da cúpula do PSD, o procedimento é mera formalidade, porque a maioria já manifestou desejo de entrar na base aliada.

O presidente da legenda em Rondônia, Moreira Mendes, já se antecipou e comunicou a adesão ao governo.

O secretário-geral do partido, Saulo Queiroz, diz que prevalece um consenso em favor da aliança com Dilma até em Estados onde o PSD apoia governos de oposição.

Dos 51 deputados e senadores hoje filiados ao partido, 22 estavam antes no DEM, PSDB ou PPS -os principais opositores a Dilma.

A ideia é oficializar o apoio antes das reforma ministerial de Dilma. O PSD quer espaços como o comando da Secretaria de Aviação Civil ou do Ministério dos Transportes.

Fonte: Folha de S. Paulo
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Procurador decide pedir investigação de acusações de Valério contra Lula

Operador do pior escândalo de corrupção do governo do petista prestou depoimento em setembro, durante o julgamento do caso no STF, e acusou ex-presidente de ter recebido dinheiro do esquema

Felipe Recondo e Alana Rizzo

BRASÍLIA - O Ministério Público Federal vai investigar o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva com base na acusação feita pelo operador do mensalão, Marcos Valério, de que o esquema também pagou despesas pessoais do petista. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, decidiu remeter o caso à primeira instância, já que o ex-presidente não tem mais foro privilegiado. Isso significa que a denúncia pode ser apurada pelo Ministério Público Federal em São Paulo, em Brasília ou em Minas Gerais.

A integrantes do MPF Gurgel tem repetido que as afirmações de Valério precisam ser aprofundadas. A decisão de encaminhar a denúncia foi tomada no fim de dezembro, após o encerramento do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF). Condenado a mais de 40 anos de prisão, Valério, que até então poupava Lula, mudou a versão após o julgamento.

Ainda sob análise do procurador-geral da República, o depoimento de Valério em setembro do ano passado, revelado pelo Estado, e os documentos apresentados por ele serão o ponto chave da futura investigação que, neste caso, ficaria circunscrita ao ex-presidente.

O procurador da República que ficar responsável pelo caso poderá chamar o ex-presidente Lula para prestar depoimento. Marcos Valério também poderá ser chamado para dar mais detalhes da acusação feita ao Ministério Público em 24 de setembro, em meio ao julgamento do mensalão. Petistas envolvidos no esquema sempre preservaram o nome de Lula desde que o escândalo do mensalão foi descoberto, em 2005.

Mentiroso. Ao tomar conhecimento das acusações feitas por Valério, Lula o chamou de mentiroso. “Eu não posso acreditar em mentira, eu não posso responder mentira”, reagiu o ex-presidente, em dezembro do ano passado.

No depoimento de 13 páginas, Valério disse ter passado dinheiro para Lula arcar com “gastos pessoais” no início de 2003, quando o petista já havia assumido a Presidência. O empresário relatou que os recursos foram depositados na conta da empresa de segurança Caso, de propriedade do ex-assessor da Presidência Freud Godoy. Nas palavras de Valério, Godoy era uma espécie de “faz-tudo” de Lula.

Ao investigar o mensalão, a CPI dos Correios detectou, em 2005, um pagamento feito pela SMPB, agência de publicidade de Valério, à empresa de Freud. O depósito foi feito, segundo dados do sigilo quebrado pela comissão, em 21 e janeiro de 2003, no valor de R$ 98,5 mil.

Oficialmente, Freud Godoy afirmou que o dinheiro serviu para o pagamento de serviços prestados durante a campanha eleitoral de 2002. Esses serviços, admitiu Freud Godoy à época da CPI, não foram formalizados em contrato e não houve contabilização formal das despesas.

No depoimento, Valério disse que esse dinheiro tinha como destinatário o ex-presidente Lula. Ele, no entanto, não soube detalhar quais as despesas do ex-presidente foram pagas com esse dinheiro. Conforme pessoas próximas, Valério afirmou que esse pagamento ocorreu porque o governo ainda não havia descoberto a possibilidade de gastos com cartões corporativos.

Gurgel volta de férias na próxima semana e vai se debruçar sobre o assunto. A auxiliares, o procurador já havia indicado que seria praticamente impossível arquivar o caso sem qualquer apuração prévia. No fim do ano, a subprocuradora Cláudia Sampaio e a procuradora Raquel Branquinho, que colheram o depoimento de Valério, foram orientadas por Gurgel a fazer um pente fino nas denúncias.

A intenção era identificar possíveis inconsistências no depoimento e armadilhas jurídicas. Gurgel, por mais de uma vez, manteve reservas sobre a acusação feita por Valério. E publicamente afirmou que o empresário é um jogador. Mas não desqualificou de pronto as afirmações do operador do esquema.

O advogado de Valério, Marcelo Leonardo, disse que seu cliente vai aguardar “o destino que será dado ao expediente”.

Cobrança. No STF, a revelação das acusações levou integrantes do tribunal a cobrarem investigações. O presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, afirmou em dezembro que não haveria outra saída senão investigar. “O Ministério Público, em matéria penal, no nosso sistema, não goza da prerrogativa de escolher o caso que leva adiante, que caso ele vai conduzir. É regido pelo princípio da obrigatoriedade, tem dever de fazê-lo”, disse.

Fonte: O Estado de S. Paulo
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Em viagem, Lula não comenta decisão

No mês passado, quando o teor do depoimento foi revelado, ex-presidente classificou as declarações de Valério como 'mentira'

Procurado nesta terça-feira, 8, pelo Estado, o Instituto Lula informou que o ex-presidente está viajando e que não iria comentar a informação de que o Ministério Público Federal vai investigar as acusações de Marcos Valério.

No mês passado, quando o teor do depoimento foi revelado pelo Estado, o ex-presidente classificou as declarações do empresário como “mentira”. Na mesma época, o ministro-chefe da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, chamou de “desespero oportunista” e “uma indignidade” as declarações de Valério ao Ministério Público. Já a presidente Dilma Rousseff classificou como “lamentáveis” as declarações do empresário mineiro, dadas após ele ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal.

Paulo Okamotto, acusado por Valério de ameaçá-lo de morte, também afirmou que o depoimento de Valério prestado no dia 24 de setembro à Procuradoria-Geral da República era fantasioso. “Eu ameacei ele de morte? Por que eu vou ameaçar ele de morte?”, reagiu Okamotto . “Está nos autos que eu ameacei ele de morte? Duvido! Duvido que ele tenha dito isso!”, completou o presidente do Instituto Lula.

Tão logo a existência do depoimento de Valério foi revelada, ministros do Supremo Tribunal Federal, que ainda não haviam concluído o julgamento do mensalão, chegaram a afirmar, informalmente, que as acusações de Valério deveriam ser relativizadas, pois o empresário era um “jogador”. O presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, porém, afirmou que tudo deveria ser investigado pelo Ministério Público.

Após a conclusão do julgamento, em dezembro, a direção do PT se reuniu e elaborou um documento no qual sugeriu que as declarações de Valério integravam um movimento de “setores conservadores” que tinham como objetivo central atingir a honra de Lula para associá-lo à corrupção. “Sabe-se que denúncias sobre corrupção sempre foram utiliza¬das pelos conservadores no Brasil para desestabilizar governos populares”, dizia o documento.

“Vargas foi levado ao suicídio (em 1954) por insidiosa campanha de forças políticas, meios de comunicação e outros agentes inconformados com sua política nacionalista e de fortalecimento do Estado. Dez anos depois, por razões semelhantes, esses mesmos atores se reuniram para derrubar o governo João Goulart e impor 20 anos de ditadura do País.”

Fonte: O Estado de S. Paulo
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