É o capitalismo, estúpido! - Luiz Gonzaga Belluzzo

Antes da Grande Recessão iniciada em 2007, a economia global viveu as três décadas da Grande Moderação. Iniciada em meados dos anos 80, depois do trauma de juros de Paul Volcker, a Grande Moderação só foi interrompida por raros e passageiros episódios recessivos nas economias centrais, não obstante cravejada por severas crises cambiais e bancárias na periferia. Em sua evolução, o "novo regime de crescimento" não só impôs a liberalização das contas de capital à maioria dos países ditos emergentes, como também estimulou a desregulamentação financeira nas economias centrais.

No mesmo movimento, a Grande Moderação impulsionou a metástase produtiva da grande empresa americana, europeia e japonesa para a Ásia dos pequenos tigres e novos dragões. O Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão publicou o White Paper on International Economy and Trade, onde registra a migração das empresas japonesas para os vizinhos, particularmente China, depois que o Acordo do Plaza impôs em 1985 a valorização do iene.

O estudo cuida de mostrar e quantificar as transformações ocorridas na divisão internacional do trabalho desde 1990. Constitui-se uma mancha manufatureira, demandante de recursos naturais, que pulsa em torno da China, reintegrada ao circuito capitalista desde as reformas do final dos anos 70. A China e seus parceiros combinaram mão de obra barata, câmbio real competitivo, taxas elevadas de formação bruta de capital e ganhos de escala e escopo com a rápida incorporação nas empresas locais dos avanços tecnológicos oferecidos pelo investimento direto estrangeiro. Hoje são notáveis os programas chineses de estímulo à constituição de sistemas de P&D públicos e privados.

As desvalorizações asiáticas deram fôlego à euforia consumista americana amparada no crédito fácil

A divisão do trabalho entre as economias asiáticas e entre elas e o resto do mundo transformou a região em uma formidável produtora e processadora de peças e componentes baratos com impacto na exportação de bens finais para as demais regiões. Os dados do estudo patrocinado pelo ministério japonês revelam que em 2010 a China é importadora líquida de bens intermediários e de bens de capital do Japão e dos países da Asean e exportadora líquida de bens finais (consumo e equipamentos) para os países do Nafta e da União Europeia. As exportações chinesas para o Nafta são superiores às exportações totais dos 27 países da União Europeia para a mesma região.

A estratégia chinesa inclui um forte controle e direcionamento do crédito, cuja oferta está concentrada nos cinco grandes bancos públicos. Depois da crise de 2007/08, a relação crédito/PIB avançou de 200% para 250%. Os principais tomadores foram as empresas públicas, privadas e semi-públicas dedicadas à execução dos grandes projetos de infraestrutura, sobretudo ferrovias de alta velocidade e infraestrutura urbana com atenção especial para o transporte coletivo.

Na escalada produtivista asiática, preços de exportação das manufaturas caíram substancialmente entre 1995 e 2007 e acentuaram a queda depois da crise financeira. Esse declínio continuado dos preços das manufaturas teve grande impacto no comportamento da inflação global. O regime de metas de inflação (ou coisa assemelhada, como é o caso dos EUA) foi condecorado, em muitos países, com as honrarias que celebram a vitória contra o dragão da maldade. No regime de metas, dizem os entendidos, o propósito é definir a regra ótima de reação do banco central. Trata-se da regra que, ao longo do tempo, fortalece a confiança dos mercados no manejo da taxa de juro de curto prazo entregue à responsabilidade dos BCs. Ao adequar suas decisões às expectativas (racionais) dos formadores de preços e dos detentores de riqueza, os bancos centrais tornam mais suave o processo de manutenção da estabilidade, reduzindo a amplitude das flutuações da renda e do emprego.


Para os adeptos do regime de metas, nada de novo: a integração financeira e produtiva das economias deixou tudo como dantes. Negam relevância à integração dos mercados de bens e serviços, de ativos financeiros e de fatores de produção sobre as regras de atuação dos bancos centrais.

Na contramão, Cláudio Bório, economista do BIS, sugere que "os fatores globais se tornaram mais importantes do que os fatores domésticos". Bório se refere às transformações já mencionadas nas condições da oferta na economia globalizada. A combinação entre baixa inflação e excessiva elasticidade do sistema financeiro global promoveu a intensificação dos movimentos de capitais de portfólio e acentuou o caráter pró-cíclico da oferta de crédito nos "desenvolvidos consumidores".

Depois da crise asiática de 1997-98, à exceção da China, os países mais afetados promoveram desvalorizações cambiais que contribuíram para deprimir os preços dos manufaturados. As desvalorizações asiáticas deram fôlego à euforia consumista americana amparada no crédito fácil, enquanto estagnavam os rendimentos dos assalariados. Daí a fragilização dos balanços das famílias e dos países envolvidos na trama dos assim chamados desequilíbrios globais.

As Grandes Transformações foram operadas nos subterrâneos da Grande Moderação. A velha toupeira do capitalismo e de seus negócios não só redefiniu em poucos anos a distribuição espacial da produção, do comércio e dos fluxos de capitais, como cavou os buracos em que iriam soçobrar as crendices sobre a eficiência dos mercados autorregulados no provimento de informações para os agentes racionais e otimizadores.

Os modelitos dinâmicos estocásticos de equilíbrio geral (DSGE) deixaram escapar, sob sua dinâmica sem movimento, o ronco rouco das transformações e os ruídos que anunciavam a crise financeira e de crédito.

Bobearam, diz o economista David Colander, porque os modelitos, encantados com a fábula da otimização intertemporal do agente representativo, não contemplam a diversidade de protagonistas envolvidos na dura concorrência pelo dinheiro como objeto dos negócios e nem o crédito e a finança como instrumentos e formas da acumulação de capital. Enquanto falam das virtudes dos mercados, os negócios do capitalismo realizam suas proezas, entre vigores e sobressaltos.

Luiz Gonzaga Belluzzo, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda é professor titular do Instituto de Economia da Unicamp. Em 2001, foi incluído entre os 100 maiores economistas heterodoxos do século XX no Biographical Dictionary of Dissenting Economists.

Fonte: Valor Econômico
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2013 e o estado-vampiro - Arnaldo Jabor

Antes do fim do ano fiz uma palestra para alunos de jornalismo. Falei-lhes deste "quarto poder" tão importante em um país onde a crise paira como uma espada sobre nossas cabeças, onde não se consegue aprofundar reformas contra a muralha de interesses fisiologistas que nos dominam.

Temos uma presidente com claros desejos de modernização, mas impedida pelo Legislativo com mais de 300 picaretas de plantão como denunciou uma vez o ex-Lula, que também impede que ela saia dos "porões da ineficácia", induzindo-a a manter a linha de intervenção estatal em tudo, a bater cabeça para os medíocres "peronistas de direita" que infestam o governo. Agora, a barra vai pesar mais ainda com a subida do lado podre do PMDB à presidência das casas do Congresso, e 2013 será um ano de lutas entre atraso e modernização, com a nação impedida de adotar as óbvias medidas de progresso que todos os grandes economistas do mundo recomendam. Com uma oposição desagregada e covarde que traiu até suas próprias vitórias, nossa Imprensa ainda livre (apesar dos bolchevistas que tramam nossa "argentinização") é a única voz para defender a sociedade.

Perguntei aos estudantes: o que nos move? Claro que as empresas querem lucro, profissionais querem viver, comer, aparecer, sim, mas afinal que grão de esperança ou romantismo treme em nossos textos? Amor à pátria, busca de harmonia, combate ao crime e à mentira? O quê?

A imprensa democrática cumpre um papel imenso nesse vazio reflexivo em que nos meteram há quatro séculos. Temos uma população mergulhada na ignorância, fácil de enganar; vejam as multidões de vítimas de evangélicos corruptos e os milhões de votos do neocabresto moderno: os "bolsistas da família".

Nunca me esqueci da formulação de Brecht, o "efeito de estranhamento", ou seja, "ver por trás do familiar o que existe de estranho, desumano". Que fatos sinistros há embaixo dos fatos que nos parecem normais? Que doença se disfarça de saúde? Disse a eles, portanto, que a imprensa deve ser "crítica" em primeiro lugar. E "crítica" não quer dizer "ataque" ou "denúncia" apenas, mas avaliação, busca de entendimento, que pode ir da mais amarela bile de ódio até propostas de positividade. Disse também a eles: tentemos a difícil tarefa de pensar sem ideologia. Isso. Entender os fatos sem um preconceito. O pensamento ideológico distorce a realidade para fazê-la caber numa certeza anterior ao fato. Dificílimo isso, pois somos todos seres "ideológicos". Acho que a única ideologia de hoje (para além de esquerda ou direita, essa velha dualidade) é defender o que seja civilizatório, o que possa aumentar a qualidade da vida pessoal e do interesse público. Como dizia Marco Aurélio (não o Garcia nem o de Mello, claro, mas o imperador): "O que é bom para a abelha tem de ser bom para a colmeia". Disse a eles que a denúncia pura no Brasil é muito fácil, porque há um excesso de absurdos no dia a dia. Vivemos em um momento em que tudo parece desabar, o que pode nos levar a um "delírio de ruína".

Disse-lhes do meu medo de que a denúncia mecânica, o trágico espetacular, possam ser até mais lucrativos para quem denuncia do que para quem sofre. Acho que o catastrofismo beneficia o atraso e aqueles que vivem do erro nacional, dos buracos das instituições, da fraqueza de nossa formação. Falei que somos todos parte do "grande erro" e que devemos nos incluir no que criticamos. Não concordo com articulistas que se salvam do abismo, que falam como se não fizessem parte do país. Os fatos estão cada vez mais além das interpretações, os crimes ocorrem numa velocidade de jatos e as formas de combatê-los se arrastam. Pode ser que agora, com o exemplo de grandeza dado pelo STF, diminua o descaro com que os criminosos agem, sabendo-se impunes. Mas a resistência do atraso é imensa, comandada pelo nefasto Sarney, o "aliado" que vai estimular a guerra entre Legislativo e Judiciário, como já anunciam oportunistas e ladrões.

Falei que ficar na dualidade antiga de esquerda x direita não esgota a análise dos fatos. A agenda progressista do Brasil é outra - o que nos paralisa não é a malignidade de grupos ou "imperialismos", mas velhos vícios ibéricos que nos impedem de progredir.

Lembrei-lhes que nossas doenças são a corrupção endêmica, o burocratismo paralisante, o clientelismo cordial, o personalismo ridículo, o arcaísmo das leis, a ausência de noção de "república". O jornalismo tem de ser uma "psicanálise" de nossos vícios e não a mera procura de culpados.

Disse-lhes que no seio do romantismo revolucionário dos anos 1960 havia uma "finalidade" a se atingir, uma utopia que substituía o presente e o "possível" pelo imaginário. Esse pensamento mágico destrói a administração da vida real em nome de um futuro que não chega nunca. Hoje, temos de aceitar que nunca teremos um país perfeito, resolvido; nunca chegaremos "lá". E isso é bom.

O fracasso da esquerda em 1964 e depois o suicídio da guerra urbana mostraram o absurdo heroico e frágil do voluntarismo. Houve um real espasmo de democracia nos anos seguintes a 1985, mesmo com as tragédias que começaram com a morte de Tancredo até a hiperinflação dos anos 1980 até 94.

Agora, estamos em uma fase em que o perigo é o eterno pêndulo entre liberalismo e Estado centralizador. Temos uma atávica fixação no "Estado salvador". A complexidade lenta da democracia traz saudades do simplismo velho de guerra.

Na primeira fase da era Lula, o petismo "corrupto-bolchevista" tentou tomar o Estado mas, espantosamente, fomos salvos pelo Jefferson, com sua legitimidade de mensaleiro confesso.

O perigo atual é o regresso à burrice.

Aos poucos, o rabo do lagarto do atraso pode se recompor. Com um leve sabor de sacrilégio, disse-lhes que no Brasil só um choque de empreendedorismo privado poderá destruir o bunker de aço do estamento patrimonialista que nos anestesia. Não adianta anunciar catástrofes; é preciso ensinar a população a se defender do Estado vampírico. O resto - disse-lhes - é papo morto.

Fonte: O Globo
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Marisa Monte-Rosa (Pixinguinha)

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Ato de pensar - Graziela Melo

Pensar,
pensar,
pensar

Nas trevas,
na luz,
no ar...

Pensar
em andar
na terra
ou em voar!!!

Pensar
na amargura
ou na douçura
que a gente
não cansa
de procurar!!!

Pensar
na loucura,
nos tempos
terríveis
da ditadura...

Pensar
na ternura
que guardo
na alma,

Sempre
disposta
a entregar...

Entregar
ao mundo
à vida,
à terra,
ao mar!!!

E pensar,
pensar,
pensar!

idealizar,
filosofar,

brincar
amar,
querer,

até a hora
de acabar

o carinho,
o afago...

É o momento
amargo

de terminar
o ser,
o ter
e o
haver...

É a hora de morrer!!!
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Justiça- DR. JOAQUIM BARBOSA: SE NÃO JULGAR O MENSALÃO TUCANO EM 2013, O MESMO PRESCREVERÁ


Saiu no jornal Folha de São Paulo que o "mensalão" tucano não será julgado em 2013. 

Se não for julgado logo, não será julgado nunca, pois em 2014 os crimes, que ocorreram em 1998, completarão 16 anos de ocorrência e estarão prescritos. 


Se o STF cometer esse disparate de deixar prescrever, pode trocar o crucifixo que fica na parede por uma estátua de tucano de uma vez por todas. 

Já chega ter "furado a fila" e ter dado prioridade de julgar primeiro o que iria prescrever depois.
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