Em "banho-maria", oposição pau-ferrense apega-se à única alternativa restante.


Há dias que os nossos webleitores cobram uma análise minha sobre qual seria o futuro do grupo oposicionista de Pau dos Ferros, após a derrota fragorosa nas urnas no último pleito municipal para os governistas.

Resistindo à ideia inicial de escrever sobre o assunto por entender que a atual realidade da oposição pau-ferrense ainda não oferece elementos suficientes que permitam-me vislumbrar os próximos passos dos oposicionistas...

Agora arrisco-me a dizer que o grupo ainda comandado pelo Ex-prefeito, Nilton Figueiredo (PMDB), não dispõe de muitas alternativas para adquirir sobrevida no cenário político local. 

Aos "Niltistas" resta apenas a opção de ficarem na torcida por um, hipotético, rompimento no futuro entre o Ex-prefeito, Leonardo Rego, e o atual Prefeito, Fabrício Torquato, ambos do DEM.

Órfãos de uma robusta representatividade no Poder Legislativo ou até mesmo de novos nomes que possam apresentar-se como uma grande novidade aos eleitores pau-ferrenses, eu diria que os adversários do atual sistema político dominante segue sem condições de voltar a sonhar com a retomada do poder na Terra de Nossa senhora da Conceição.

Em "banho-maria", os oposicionistas seguem (unicamente) "rezando" por um desentendimento no seio governista que, ao menos neste momento, é encarado como bastante improvável.

Com exceção dos "chiliques" públicos patrocinados nas redes sociais pelas esposas de alguns integrantes da oposição local, podemos afirmar que em Pau dos Ferros os inimigos políticos do atual Prefeito, Fabrício Torquato, seguem longe dos holofotes e, por enquanto, com residência fixa na famosa "Terra de Lo-debar", lugar citado na Bíblia como local destinado aos esquecidos, excluídos ou rejeitados pela sociedade.

Como bem disse o Blogueiro Jean Carlos, para o "V" de vitória em destaque na foto acima não existe uma explicação plausível.

Só Freud explica!
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Clima é de incerteza na Venezuela a três dias da posse de Chávez

Por Renata Giraldi - Agência Brasil.
Brasília – A três dias da cerimônia de posse do presidente reeleito da Venezuela, Hugo Chávez, marcada para o dia 10, o país vive em clima de incerteza e dúvidas. O presidente interino, Nicolás Maduro, e o presidente reeleito da Assembleia Nacional (Parlamento), Diodato Cabello, sinalizaram que a data da posse pode ser alterada, mas não definiram quando. Há ainda a possibilidade de empossar Chávez em Havana, capital cubana, onde ele se encontra há quase um mês.
Hospitalizado para um tratamento de combate ao câncer, Chávez não aparece em público desde o começo do mês passado. No dia 11, ele foi submetido a uma cirurgia para a retirada de um tumor maligno na região pélvica. Durante a cirurgia, teve hemorragia e, depois, complicações respiratórias. A informação mais recente é do dia 4 deste mês, quando autoridades informaram que ele estava com uma infecção respiratória grave.
Pela Constituição da Venezuela, na ausência do presidente eleito é empossado interinamente o presidente da Assembleia Nacional, no caso Cabello. Uma vez no poder, Cabello deve promover eleições presidenciais em até 30 dias. Porém, em meio ao agravamento do estado de saúde de Chávez, seus aliados articulam para adaptar as atuais circunstâncias às possíveis brechas existentes na legislação do país.
A decisão sobre o adiamento da cerimônia de posse, segundo especialistas, está sob responsabilidade da Sala Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça (Suprema Corte). A presidenta do órgão é Luiza Estella Moralles.
Há a hipótese de Chávez ser empossado em Cuba na presença de integrantes do Tribunal Supremo de Justiça (Suprema Corte). A Constituição da Venezuela não prevê tal situação, portanto não proíbe. Outra alternativa é declarar Chávez momentaneamente impossibilitado de tomar posse. Nesse caso, Cabello assume por 90 dias, pois Chávez estará licenciado. O período pode ser prorrogado.
Em meio às especulações, os aliados de Chávez promovem campanha nacional de orações e manifestações de apoio ao presidente. Anteontem (5), quando houve as eleições para o novo comando da Assembleia Nacional, manifestantes saíram às ruas exortando o papel de Chávez na política e suas ações. Nas redes sociais, há também campanhas, lideradas por integrantes do governo, para que a população evite a chamada rede de intrigas. Edição: Graça Adjuto.
Acesse e divulgue o Blog da Dilma nas Redes Sociais:
http://blogdadilma.com/
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PRIMEIRO LULA, DEPOIS DILMA


“Para alguns barões da mídia, o pau-de-arara que trouxe o pernambucano poderia ter batido na Rio-Bahia. Para outros, ele deveria ser pendurado no pau-de-arara na época de Vila Euclides. Como Lula escapou até do câncer, esses barões torcem por um raio que o parta.

Por Palmério Doria

Na verdade, a midiazona está tomada pelo espírito de Thor, o Deus do Trovão. Produz uma tempestade por dia. Algumas em copo de Coca-Cola, dando ensejo a uma brincadeira que circula na internet: a imprensa brasileira é a única que tenta derrubar um ex-presidente da República.

No fim de 2012, a coisa chegou a tal ponto, que Lula anunciou: vai deixar a barba crescer não só para deixá-la de molho, mas para recompor a popular imagem do sapo barbudo que pretende exibir nos palanques do país a partir de março deste ano. Em resumo: vai sair pelo país, democratizando a mídia com as próprias mãos.

O tempo ruge, como dizia Mendonça Falcão, e está bem mudado. Hoje não é preciso chamar a frota americana para garantir o golpe. Basta um “Supremo Made in Paraguai” e uma coorte daquilo que eles chamam “formadores de opinião” batendo bumbo todo santo dia.

Para essa turma, o ideal é um líder popular incomunicável, sem direito a voz. Algo assim como Allende sozinho num palácio sob bombardeio com um microfone que lhe restou e um fuzil AK-47 na mão. Ou, então, um Getúlio acuado num palácio com uma carta na manga, que só seria conhecida depois de ele morto.

Ou alguém imagina que os Grandes Irmãos da mídia brasileira – Folha, Estado, Globo, Abril -- são essencialmente diferentes dos donos do El Mercurio, Clarín, El Espectador e outros do corpo de baile permanente da SIP – Sociedade Interamericana de Imprensa?

De longa data, os meios monopolistas de comunicação tentam barrar os avanços sociais, se possível dar marcha à ré na roda da história, como tentaram em 1954 e conseguiram em 1964.

Em 1954, [tentaram barrar] diante das medidas nacionalistas e a favor dos desvalidos tomadas por Getúlio --- Petrobrás e o monopólio estatal do petróleo, que irritaram as petroleiras do hemisfério norte; Volta Redonda, fundadora da nossa indústria de base; salário mínimo dobrado de uma penada; etc.

Então, as incipientes redes, como os “Diários Associados” de Assis Chateaubriand, e os principais jornais e rádios (a televisão engatinhava) bateram bumbo contra Getúlio. Criaram o mote demolidor: "mar de lama", para induzir o povo de que Getúlio estava mergulhado na corrupção – ele que, ao morrer, deixou apenas a fazendola herdada dos pais e um apartamento modesto no Rio. Carlos Lacerda, “demolidor de presidentes” falava no rádio e na tevê, e escrevia em seu jornal, “Tribuna da Imprensa”.

Em 1954, o chefe da guarda do Catete contribuiu indiretamente para a derrocada, [supostamente] ao ordenar a apaniguados seus que matassem o jornalista Lacerda.

O frustrado atentado da Rua Toneleros, do qual Lacerda saiu com um suposto ferimento no pé, levou à criação de um precursor dos “Doi-Codis” da ditadura militar instaurada dez anos depois: a República do Galeão. Os acusados e implicados, nas mãos de militares da Aeronáutica e dos policiais chefiados por Cecil Borer, foram torturados à vontade. Não houve brutalidade que esquecessem.

Havia uma ligação direta entre a República do Galeão e a imprensa, através, principalmente, do “Diário Carioca”. Tão íntima, que seu editor-chefe Pompeu de Souza ficou conhecido como “Presidente da República do Galeão”. A “Tribuna da Imprensa” já era íntima, pela ligação de Lacerda com militares golpistas.

O suicídio de Getúlio provocou comoção nacional. E, no Rio de Janeiro, imediata reação popular, com ataques a jornais antigetulistas, à embaixada dos Estados Unidos, escritórios de empresas americanas. A oposição se desarvorou. Lacerda fugiu para Cuba – a Cuba do ditador sanguinário Fulgêncio Batista. E um milhão de pessoas acompanharam o cortejo até o aeroporto, de onde o corpo de Gegê rumaria para o enterro em São Borja, sua terra natal.

É claro que os barões ficaram furibundos com a eleição de JK e torciam contra o marechal Lott, que garantiu sua posse e pôs para correr os políticos udenistas. É claro que torceram pelos oficiais malucos da FAB que tentaram golpeá-lo, sequestrando aviões, primeiro a partir de Jacareacanga, no Pará, em fevereiro de 1956, depois de Aragarças, Goiás, em dezembro de 1959.

O líder da revolta de Jacareacanga, tenente-coronel Haroldo Veloso, dessa vez estava sob o comando de outro oficial mais facinoroso ainda, o tenente-coronel João Paulo Moreira Burnier, aquele que, na ditadura, queria explodir o gasômetro no Rio e transformar o Brasil numa Indonésia atolada em sangue.

Dezenas de outros militares e civis estavam nessa nova aventura. Eles pretendiam bombardear o Palácios Laranjeiras e do Catete, com três aviões Douglas C-47 e um avião sequestrado da Panair. A revolta ficou restrita a Aragarças e durou 40 horas. Seus líderes fugiram nos aviões para o Paraguai, Bolívia e Argentina, só voltando no governo Jânio. E tal como a estupidez, eles insistem sempre.

Os meios de comunicação monopolistas, a Igreja Católica, os militares da direita formados nas academias norte-americanas, as empresas transnacionais e o Departamento de Estado trataram de aprimorar a estratégia para, dez anos depois do suicídio de Getúlio, enfim barrar a revolução brasileira, com a reforma agrária, a reforma urbana, uma nova e menos rapinante “Lei de Remessas de Lucro” das empresas estrangeiras aqui instaladas – medidas com as quais acenava o presidente reformista João Goulart, afilhado político de Getúlio.

Na segunda década do século 21, há milhões de testemunhas do que foi 1964 vivas por aí. Os maiores de 60 anos se lembram bem.

Injeção de dólares no treinamento policial e militar; compra de intelectuais para redigir artigos e roteiros de filmetes, o patrocínio e financiamento de empresas de comunicação via IBAD-“Instituto Brasileiro de Ação Democrática” com dinheiro da Texaco, Shell, Esso, Standard Oil, Bayer, Schering, General Eletric, IBM, Coca-Cola, Souza Cruz, Belgo-Mineira, General Motors, a campanha de difamação do presidente João Goulart, o Jango, que incluía até a vida pessoal, com a sugestão de mulher adúltera, o fantasma do “comunismo”, as “marchas da família com Deus pela liberdade”, de novo Lacerda no rádio e na televisão, e uma reta final com manchetes arrasadoras, como “Basta!”, “Fora!”, no “Correio da Manhã”.

Se alguém duvidasse que toda essa imensa curriola estava a soldo e a mando de Washington, a dúvida se dissiparia quando, pouco tempo depois, se soube da “Operação Brother Sam”, uma frota se deslocando do Caribe para nosso litoral com 100 toneladas de armas, petroleiros, porta-aviões com caças e helicópteros, seis destróieres, encouraçado, navio de transporte de tropas e 25 aviões de transporte de material bélico, para garantir o golpe em caso de reação.

Reação? Milhares de brasileiros de esquerda caíram presos entre a noite de 31 de março e do dia 1 de abril e não se soube de um só caso de quem tenha reagido.

Se Dilma acha que a sanha dessa curriola se satisfaz com Lula está enganada. Primeiro, eles têm que minar o galho para chegar à flor.”

FONTE: escrito por Palmério Doria, jornalista e escritor. Publicado no blog “Barão de Itararé” e transcrito no portal “Vermelho” (
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=202948&id_secao=1) [Imagem do google adicionada por este blog ‘democracia&política’].
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PSDB descartará o bagaço Azeredo?

Por Altamiro Borges

O jornalista Eduardo Bresciani, do Estadão, informa hoje que o PSDB está preocupado com o julgamento do chamado "mensalão tucano" - que a mídia seletiva insiste em chamar de "mensalão mineiro". O ministro Joaquim Barbosa, ainda antes de assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal, prometeu que o caso seria julgado em 2013. Ele envolve diretamente o atual deputado federal Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas Gerais e ex-presidente nacional do PSDB, que é acusado de peculato e lavagem de dinheiro. 

O escândalo do "mensalão tucano" eclodiu quatro anos antes da revelação do esquema de caixa-dois usado por lideranças do PT - e que resultou no midiático julgamento do STF nas vésperas das eleições municipais de outubro passado. Na época, o próprio Eduardo Azeredo confessou que os "recursos não contabilizados" foram utilizados na sua fracassada campanha pela reeleição ao governo estadual. Ele também revelou que parte da grana, desviada das estatais mineiras, irrigou a campanha pela reeleição do ex-presidente FHC.

O STF nunca demonstrou qualquer pressa para julgar o caso, que já passou pelas mãos de vários ministros e que na fase recente teve como relator o paparicado Joaquim Barbosa. Já a mídia demotucana evitou fazer estardalhaço com o "mensalão tucano" - disfarçado de "mineiro". Agora, antes que prescrevam os prazos para o seu julgamento, o Supremo garante que ele será finalmente analisado. Pelo cronograma, a fase atual será a de instrução, com a tomada de depoimentos e a coleta de provas. E isto que desespera os tucanos!

Segundo a matéria do Estadão, "as condenações em série de petistas no processo do mensalão ampliaram o constrangimento dentro do PSDB e da oposição com a situação de Eduardo Azeredo... Parlamentares oposicionistas admitem nos bastidores que a permanência de Azeredo tem impedido que o PSDB faça um discurso ainda mais forte sobre as condenações petistas. Aliados de oposição, políticos do DEM ressaltam que a postura dos tucanos no caso foi diferente da tomada por eles quando surgiu o mensalão do DEM, no governo de José Roberto Arruda no Distrito Federal, em 2009".

O maior temor da direita é que o prometido julgamento abale ainda mais a imagem dos tucanos e do seu cambaleante presidenciável, o senador Aécio Neves. "Ex-governador de Minas, Azeredo é um incômodo ainda maior para o PSDB por ser conterrâneo de Aécio Neves, postulante do partido à Presidência da República. Em 1998, Aécio foi eleito deputado federal apoiando a campanha de Azeredo, alvo da denúncia. O agora senador tem defendido o julgamento". Será que o ex-presidente do PSDB será descartado como bagaço? Ou ele é um "homem-bomba" que pode detonar de vez o falso moralismo dos tucanos?
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Marcos Coimbra: AINDA BEM QUE A CREDIBILIDADE DA MÍDIA É PEQUENA


O COMPROMISSO DA CONTINUIDADE

Por Marcos Coimbra, na revista “CartaCapital

“Foi-se metade do governo Dilma. Restam-lhe, portanto, dois anos. Diz-se que, para os governantes, os primeiros dois passam devagar e que eles se sentem como se tivessem a eternidade pela frente. E que os segundos voam, pois o fim do mandato se torna um dado cada vez mais palpável e mais presente no dia a dia. Esse não é apenas um sentimento.

Desde antes do fim do terceiro ano, a sucessão torna-se assunto principal. Cessam as inovações e as experiências. A pauta do governo fica limitada e a cobrança de resultados intensifica-se. É preciso ter coisas, de preferência “concretas”, para pôr na mesa. Tudo começa a girar em torno de um objetivo central: reeleger-se ou escolher quem possa vencer a eleição que vem a seguir.

A segunda metade dos governos costuma ter, portanto, dois tempos distintos: um terceiro ano predominantemente administrativo, mas já político, e uma “reta final”, marcadamente política. Se Dilma estivesse mal, se a população se sentisse insatisfeita com ela, os dois anos que tem pela frente seriam suficientes para que revisse rumos e encontrasse meios de consertar problemas.

Já vimos isso acontecer com governadores e prefeitos. São muitos os casos dos que conseguiram recuperar a imagem depois de atravessar dificuldades no começo. Mas Dilma está bem. Na verdade, muito bem. Segundo dados das pesquisas CNI-Ibope, ela saiu da eleição de 2010 com a imagem de que faria uma administração “ótima” ou “boa”. Em dezembro daquele ano, era assim que pensavam quase dois terços (62%) dos entrevistados pelo instituto.

Depois de ter alcançado, em março de 2011, a marca de 68% de avaliações positivas, Dilma foi a 55% em julho (sempre de acordo com o Ibope). De lá pra cá, cresceu sistematicamente. A cada pesquisa, foi batendo os recordes de seus antecessores em igual momento. Nenhum presidente da República foi mais bem avaliado que ela. Nem Lula.

Nas mais recentes, seus números igualam ou ultrapassam as expectativas da população antes que começasse a governar. Em outras palavras: a maioria imaginava que seria uma presidenta “ótima”ou “boa” e acha que é isso que ela está sendo.

Para o eleitorado, quando disputou e venceu a eleição de 2010, Dilma fez uma promessa fundamental: faria um governo de continuidade. Era o que as pessoas queriam. Apesar das dificuldades, elas entendem que Dilma cumpriu seu compromisso nos primeiros 24 meses do mandato.

Ela manteve as políticas mais claramente identificadas com Lula, como o Bolsa Família, o ProUni, o Minha Casa Minha Vida. Não houve mudança na retórica ou em sua implementação. Foram ampliadas e aperfeiçoadas. Prosseguindo a principal opção da política econômica que herdou, renovou a aposta no mercado interno e continuou a procurar a expansão do emprego, da renda e do consumo.

As pesquisas mostram que insistir nas políticas do governo Lula nunca foi demérito para ela. A vasta maioria da população não desejava que fossem alteradas ou esperava que quem havia sido parte importante do governo anterior as mudasse. Com o agravamento da crise na economia internacional, essa continuidade mostrou-se mais significativa. Em vez de retroceder e voltar à prática conhecida de “apertar os cintos”, diminuindo gastos públicos e controlando a moeda, o governo manteve suas escolhas. E as aprofundou.

No segundo semestre de 2012, o governo mudou o discurso e passou a agir para corrigir velhas distorções no funcionamento da economia, algumas particularmente prejudiciais ao cidadão comum. Juros estratosféricos, impostos exorbitantes, preços abusivos da energia elétrica, incompetência e falta de transparência das prestadoras de serviços públicos básicos, coisas que as pessoas consideravam males eternos e sem remédio, começaram a mudar.

Em razão disso, cresceu a aprovação das ações do governo em relação, por exemplo, à inflação (entre junho e 2011 e setembro de 2012, a desaprovação caiu de 56% para 45%) e à taxa de juros (a aprovação subiu de 29% para 49%, no mesmo período). Alguns dos poucos temas de política econômica em que a insatisfação predominava diminuíram de gravidade.

Terminamos o ano com o aumento das preocupações relativas à crise, mas com a maioria da população acreditando que o Brasil está mais preparado que o resto do mundo para superá-la. Ainda bem que é pequena a credibilidade do noticiário econômico produzido pela imprensa oposicionista, que nos diz que vivemos à beira do abismo.

As pessoas acreditam que o País e o governo vão bem, seja porque a economia está corretamente administrada, seja porque a opção social que caracteriza as administrações petistas foi mantida. Mas também porque a presidenta está sendo, desde o início, uma boa surpresa. Sua “maneira de governar” é aprovada por 77% e reprovada por 18%. “Confiam nela” os mesmos 77% e há 22% que dizem que não. Nas duas dimensões, as respostas positivas vêm aumentando desde 2011.

É a primeira vez que temos no Planalto alguém como ela. Que não chega lá para fazer “grandes mudanças”, mas para continuar. Que não exibe uma biografia de “coisas notáveis”, mas um perfil de administradora e gerente. Que não tem passado na política e revela pequena paciência com seus hábitos e personagens.

Com tantas particularidades, ela tinha enorme desafio quando tomou posse: governar o País sem deixar que a população sentisse saudade de Lula. Não era fácil suceder “o melhor presidente que o Brasil já teve”, de acordo com a opinião majoritária. Mesmo para políticos experientes, seria difícil. Imagine-se para quem estava em começo de carreira.

Ao longo do primeiro ano, enfrentou e resistiu ao desgaste de uma série de problemas nos ministérios. Diversos ministros acabaram substituídos, quase todos por suspeita de irregularidades, algumas graves, outras menores. Em nenhum episódio, foi vista como conivente ou tolerante. Atravessou-os como a maior interessada no seu esclarecimento, como quem queria aproveitá-los para fazer uma “faxina” na administração federal.

No exterior, sempre foi considerada uma importante liderança, que assumiu, com naturalidade, o papel de porta-voz de um Brasil com mais protagonismo.

O segundo semestre de 2012 tinha todos os ingredientes para ser um inferno astral para Dilma. Na economia, estabeleceu-se uma conjugação perversa de problemas complicados: crise na economia internacional, aumento das pressões inflacionárias internas, uma sensível retração na indústria.

Na política, o jogo pesado da oposição extrapartidária, procurando transformar o julgamento do “mensalão” em um tribunal de condenações ao PT e suas lideranças. A mídia conservadora, o empresariado que a sustenta e os setores da sociedade inconformados com a longa duração da hegemonia petista apostavam que enfraqueceriam o partido. Com isso, que fragilizariam o governo, seja o desgastando diretamente, seja por meio do aumento do custo público de manter o bloco situacionista em condições operacionais no Congresso.

A faca da imprensa direitista no pescoço do STF continuou funcionando, e muito
Embora ainda vá correr muita água sob a ponte nesse front, o saldo da atual etapa da guerra do “mensalão” foi negativo para as oposições. O efeito eleitoral imediato que buscavam, ao interferir na eleição municipal, foi pequeno. O julgamento não teve consequências relevantes na escolha dos prefeitos.

Pelo que revelaram as pesquisas, especialmente qualitativas, realizadas durante a eleição, nem Dilma nem o governo estiveram em discussão, sequer entre as parcelas do eleitorado sensibilizadas pelas críticas ao PT. O que reprovavam no partido e no comportamento das lideranças condenadas nunca foi estendido à presidenta. Com isso, assim como enfrentou a piora do cenário econômico dando resposta positivas, ela atravessou o julgamento com a naturalidade de quem não tem contas a prestar pelo que aconteceu em 2005.

A eleição de outubro foi uma espécie de batismo para Dilma. Pela primeira vez, subiu ao palanque para pedir votos para outras pessoas. Nos diversos balanços de resultados publicados pela mídia conservadora, prevaleceu a noção de que ela fora malsucedida no novo papel. Que seus candidatos não emplacaram.

É uma avaliação incorreta. Nunca é decisiva a influência do apoio presidencial na escolha dos prefeitos. Como mostra nossa história recente, presidentes mal avaliados não enterram seus candidatos e mesmo os mais populares não fazem milagres. De positivo, a principal contribuição que podem dar é servir de argumento para correligionários e aliados, permitindo que usem com proveito seu nome e realizações.

Isso Dilma ofereceu a candidatos do Brasil inteiro, o que a torna corresponsável pelos bons resultados de seu partido. O saldo de sua entrada direta na eleição em determinadas cidades não deve ser medido pelo número de prefeitos eleitos – mesmo que tenha desempenhado papel nada irrelevante na vitória de Fernando Haddad, a mais importante. Ao subir ao palanque, ela mostrou-se mais do que uma administradora competente ou uma “gerente”. Assumindo papel eleitoral, Dilma sinalizou para o sistema político que faz parte dele, à sua maneira, mas de forma plena. O que ela não podia era se recusar a essa identificação.

Em termos dos indicadores da popularidade, aconteceu na eleição municipal de 2012 o que ocorrera nas anteriores: uma alta da aprovação. Se todos os antecessores se beneficiaram, não havia razão para imaginar que não se repetiria com Dilma.

Ao olhar as pesquisas disponíveis, o que se vê é que o PT está indo para a próxima eleição presidencial com nítido favoritismo. Nas que estão sendo feitas atualmente, seus dois possíveis candidatos lideram com folga. Seja Lula, seja Dilma, têm, sozinhos, mais de quatro vezes a soma dos adversários.

Quando um partido tem um nome com 60% e outro com 70% das intenções de voto, a decisão a respeito de qual deve concorrer deixa de ser eleitoral e passa a ser exclusivamente política. Quando, juntos, têm 80% dos votos espontâneos, a questão se torna estratégica e não instrumental.

Muita coisa pode acontecer até o fim de 2013 e o início de 2014, quando a escolha tiver de ser feita. A guerra do “mensalão” não terminou e novas batalhas vão acontecer no futuro próximo, agora que os antilulopetistas se descobriram tão amigos de alguns integrantes do Judiciário.

Nada sugere que a imagem do governo venha a atravessar perturbações significativas em 2013, a ponto de impactar na eleição. Salvo uma hecatombe altamente improvável, o mais certo é que Dilma e o governo mantenham níveis de aprovação semelhantes aos de agora.

Devemos a Fernando Henrique Cardoso uma curiosidade de nosso sistema político: em um país que cultua o futebol, todo ano de eleição presidencial tem Copa do Mundo (se ele não tivesse reduzido para 4 anos o mandato em troca da reeleição, as duas só coincidiriam a cada 20 anos). Temos suficiente experiência para saber que as duas coisas não são relacionadas. Ganhar ou perder nos gramados foi irrelevante nas eleições de 1994 para cá. Em 2014, o caso é outro. Não que a eleição dependerá do futebol. O relevante é a outra Copa que, simbolicamente, estaremos disputando. Um campeonato para mostrar ao mundo e a nós mesmos que somos capazes de organizar com competência o evento. Onde os adversários serão nossos problemas crônicos – nos transportes, nas comunicações, na saúde, na segurança pública, na mobilidade urbana, nos aeroportos e rodovias.

Essa Copa é mais importante para as pessoas do que o resultado esportivo. Elas lamentarão muito mais se ocorrerem falhas na organização do que se a Seleção for goleada. Se houver problemas, a responsabilidade será do governo federal e da presidenta. Tudo o que acontecer de ruim cairá em seu colo. E podemos apostar a quem nossa “grande imprensa” atribuirá a culpa.

A final da Copa do Mundo vai acontecer em 13 de julho de 2014. Dali a dois meses e meio, teremos a eleição. Tudo o que conhecemos hoje sobre a opinião pública brasileira aponta para o favoritismo do governo. O que ele não pode é ignorar que será julgado na véspera pelo que ocorrer na Copa do Mundo.

Se existe uma prioridade para Dilma nos próximos dois anos, é organizar uma Copa do Mundo sem problemas. Ao menos, sem os problemas evitáveis.”

FONTE: escrito por Marcos Coimbra, na revista CartaCapital”. Transcrito no portal “Viomundo” (http://www.viomundo.com.br/politica/marcos-coimbra-ainda-bem-que-a-credibilidade-da-midia-e-pequena.html) [Imagem do google adicionada por este blog ‘democracia&política’].
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