Mercado busca consenso para a TV Digital

por Fernando Paiva - Home Theater & Casa Digital
Operadoras de telefonia celular e empresas de radiodifusão parecem ter hasteado a bandeira branca na discussão sobre a adoção da TV digital móvel no Brasil. Depois de muita polêmica no passado a respeito do modelo de negócios a ser empregado, os dois setores parecem concordar em se utilizar um modelo híbrido, que comporte a oferta de conteúdo gratuito e também conteúdo pago.
Essa foi uma das conclusões do debate "Os modelos de negócio da TV digital móvel" realizado durante o 5º Tela Viva Móvel, na semana passada em São Paulo. Em palestra que precedeu o debate, o diretor de assuntos regulatórios da Claro, Marcelo Pereira, deu o sinal de que as teles não serão inflexíveis quanto ao modelo de negócios da TV móvel: "Não somos contra a TV digital móvel gratuita", afirmou. Depois, ao longo do debate, tanto ele quanto a gerente de serviços de valor agregado da Oi, Fiamma Zarife, afirmaram que entendem que um modelo híbrido é viável.
A expectativa é de que o conteúdo gratuito seja dirigido ao consumo de massa, enquanto o conteúdo pago, on demand, seja direcionado ao público de classes sociais mais altas. Roberto Franco, diretor de tecnologia do SBT e presidente da SET (Sociedade de Engenharia de Televião), concorda com a posição.
Outro ponto de convergência na opinião dos dois setores é de que o melhor canal de retorno para a interatividade com a TV será a rede das operadoras móveis. "O radiodifusor não precisa ser dono do canal de retorno. Existem redes mais capacitadas e capilarizadas para isso", disse Franco, referindo-se às operadoras celulares. E acrescentou mais um ponto em que as emissoras precisarão da ajuda das teles: "Os radiodifusores não têm a expertise para fazer billing, atendimento ao cliente etc".
Outro ponto em que os dois setores precisarão dar as mãos para lançar a TV digital móvel é a construção da rede. Pereira, da Claro, entende que não faz sentido investir em uma rede 100% nova. O executivo defende que haja um compartilhamento da atual infra-estrutura de celulares, aproveitando seus sites. Nesse ponto, contudo, Roberto Franco lembra que a rede de transmissão das emissoras de TV será a mesma dos sinais para TV fixa, e que a complementariedade virá no retorno.
O preço do terminal móvel capaz de receber sinal de TV é considerado atualmente o ponto mais crítico para o lançamento e popularização desse serviço no País. Hoje, fala-se em terminais a preços de aproximadamente US$ 1 mil. O diretor de assuntos regulatórios da Claro acredita que dentro de dois anos ainda não haverá escala suficiente para uma oferta desses aparelhos a preços acessíveis para a maioria da população.
No bloco "Os modelos de negócio da TV digital móvel" do 5º Tela Viva Móvel, Pereira deixou claro que não tem nada contra a oferta de conteúdo gratuito para a TV móvel. Porém, lembrou que o modelo japonês de TV digital (ISDB-T), que viabiliza essa oferta gratuita, pode dificultar a produção em larga escala. "No Japão não há GSM. Hoje, não há um celular que seja GSM e, ao mesmo tempo, ISDB-T", comentou.
Morris Arditti, diretor de desenvolvimento de negócios da Gradiente, pondera que o grande desafio (e oportunidade) do Brasil será desenvolver aparelhos híbridos GSM/ISDB-T. "Isso ainda não existe e podemos ser os primeiros a desenvolver a tecnologia". Já o diretor de tecnologia do SBT, Roberto Franco, lembrou que os celulares não serão os únicos receptores de TV móvel. "Vários tipos de dispositivos conviverão juntos: laptops, celulares, PDAs, receptores portáteis", previu o executivo.
Arditti é um dos mais otimistas. Ele acredita que, no futuro, a TV móvel será quase tão indispensável quanto o celular é hoje. Por conta disso, conforme ganha escala a produção desses aparelhos, Arditti prevê que não será essencial que as operadoras banquem subsídios para a popularização dos terminais.
Modelo de produção
Qual será o modelo de produção de conteúdo para a TV digital móvel? Essa foi outra das questões debatidas. Enquanto uns apostam na produção prévia do conteúdo, outros acreditam que os produtores (tanto os independentes quanto as próprias emissoras) só começarão a investir em conteúdo quando a distribuição do mesmo estiver garantida.
"Não vejo desenvolvimento de produtos novos aqui. Há poucas alternativas para a incubação de conteúdo no Brasil, e esse modelo terá de ser revisto para que se pense em TV digital móvel", diz Adalberto Vianna, consultor de empresas de telecomunicações e ex-executivo da Globo, da Americel e do SBT, após lembrar a experiência com a TV por assinatura, que teve seu início exatamente no sentido inverso, o de produzir primeiro e encontrar canais para a distribuição depois.
Por um lado, a produção de conteúdo demanda tempo e investimento, e as produtoras e empresas de radiodifusão podem não estar dispostas a assumir o risco de produzir e não ter canais para a distribuição dos produtos. "As operadoras não vão investir na viabilização enquanto não houver garantia de conteúdo. Por outro lado, os produtores não vão gastar cerca de seis meses desenvolvendo o projeto de um programa sem garantias de que terão os meios para distribui-lo", afirma Franco, do SBT.
Ele afirma que, além da necessidade de meios para a distribuição, também é necessária uma auto-regulação do mercado, na qual operadoras e radiodifusoras encontrem o seu papel na TV digital móvel. "Os participantes dessa cadeia precisam ter garantias de que quando esse mercado nascer e se desenvolver, todos eles terão acesso a ele de forma isonômica".
A definição do padrão de TV digital vai permitir que os radiodifusores ofereçam serviços móveis a inúmeros dispositivos, com ou sem serviços interativos. "A previsão é que os celulares representem apenas 50% desses aparelhos", afirma Franco, que não vê antagonismo entre as redes das operadoras e radiodifusores, mas um trabalho conjunto. "Hoje a legislação já permite a retransmissão de TV aberta em dispositivos móveis, o que a rede digital vai viabilizar assim que o padrão for definido".
SBT, TVA e Universidade Mackenzie testam, há um ano, a transmissão de TV aberta para dispositivos móveis com o padrão japonês ISDB, com bons resultados, segundo Franco. "O sistema usa apenas um retransmissor para cobrir toda a cidade com a necessidade de poucos repetidores, o que torna o custo da tecnologia mais acessível", diz o executivo. "Hoje o telespectador médio gasta em torno de 4 horas por dia vendo TV. A partir de um dispositivo móvel é possível maximizar esse tempo, já que uma pessoa pode gastar até 3 horas em deslocamentos pela cidade", diz Franco.
Resta saber quem vai bancar o custo do terminal, já que o telespectador que usa transporte público não vai querer pagar em torno de R$ 1 mil por um terminal que pode receber vídeo. "A discussão sobre os custos do terminal (mais simples ou integrado com celular) e qual público vai ser o alvo da nova tecnologia (classes A e B ou C e D) ainda está na ordem do dia", completa.
Coréia
Um dos exemplos citados é o da KTF, segunda maior operadora de telecomunicações da Coréia, com 12,5 milhões de assinantes, que experimenta a convivência entre dois modelos de TV móvel: a terrestre e por satélite. A primeira, uma iniciativa do governo e radiodifusores, oferece conteúdo da TV aberta e é gratuita; a segunda, operada pelas teles móveis, tem a melhor cobertura e oferece conteúdos pagos, mas debate-se com a dificuldade de retransmitir conteúdo da TV aberta, que tem a maior demanda dos consumidores.
O DMB-S (por satélite) foi o primeiro a ser lançado, impulsionado pelo setor privado e pelas operadoras móveis que enfrentavam o problema de desenvolvimento lento desse mercado. "Os serviços móveis chegaram a 80% de penetração, por isso as operadoras tiveram que buscar fontes extras de receita", disse Young Sin An, diretor de desenvolvimento e estratégias da KTF, presente ao 5o. Tela Viva Móvel.
O outro modelo, o DMB-T (terrestre), começou pouco depois, a partir de uma iniciativa do governo para o estabelecimento de padrões do serviço móvel e para desenvolver esse mercado com mais rapidez. O resultado, por ser um serviço gratuito, foi a adesão de 600 mil assinantes, enquanto o DMB-S, mais antigo, mas pago, parou nos 540 mil assinantes.
A TV móvel por satélite usa a freqüência de 2,5GHz, enquanto o terrestre as faixas abertas de UHF, com velocidades maiores. Em janeiro de 2005, a Coréia resolveu seus problemas regulatórios com a nova tecnologia, licenciando 39 canais, sendo 12 de vídeo, 26 de áudio e 1 canal de dados. Em 2004, o Ministério das Comunicações já havia promulgado novas leis limitando os territórios dos radiodifusores e das operadoras nesse novo mercado, diz Sin An.
Na Coréia, o DMB-S custa US$ 30 para instalação mais uma taxa mensal, enquanto o DMB-T é gratuito mas vive o paradoxo de arrecadar pouco em publicidade: US$ 100 mil mensais que não cobrem as necessidades do serviço. "A meta, para que o serviço pague os investimentos na rede para ter cobertura, seriam US$ 50 milhões por ano", diz Sin An.
No DMB-S, as teles recebem 25% de participação dos provedores de serviços, mais a receita complementar dos canais de dados e serviços interativos. A cobertura entre os dois sistemas também é bastante diferente: o DMB-T opera apenas na região metropolitana de Seul e deve estender-se até o final do ano para outras cidades. Já o DMB-S cobre todo o país.
A previsão da KTF é contar com 8 milhões de assinantes de TV móvel até 2010, com conteúdos diferenciados e fazendo uso de novas tecnologias de redes para transmissão de vídeo, como MediaFLO e DVB-H, prevê Sin An. Por conviver com dois serviços, existe uma disputa acirrada por assinantes e por conteúdo. As teles, segundo ele, não conseguem ter acesso às transmissões de TV aberta, regulada pelos radiodifusores, limitando o oferecimento de conteúdo. Um obstáculo adicional é a limitação na oferta de aparelhos. "A Samsung desenvolveu um handset dual mode (para DMB-S e DMB-T) que foi recusado pelas operadoras por medo de perderem assinantes", completa o executivo da KTF. Empresas de telecomunicações e radiodifusores também travaram uma disputa no que diz respeito à distribuição dos sinais das redes abertas. "As pessoas querem ver o mesmo sinal da TV convencional, mas as emissoras não cedem seus sinais para o sistema pago", diz o executivo da KTF.
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DILMA E O DESTINO


A presidenta vai enfrentar um ano difícil, mas tem a oportunidade de mudança histórica para o futuro do País. (Foto: Alfredo Estrella/AFP)

Por Mino Carta, em editorial na revista “CartaCapital”

“Há situações que me causam alguma perplexidade. Durante o governo Lula, o empresariado queixava-se dos juros escorchantes, com exceção dos banqueiros, está claro. De sua alegria cuidava o presidente do BC, Henrique Meirelles. Em compensação, o vice-presidente da República, o inesquecível e digníssimo José Alencar, defendia com ardor a demanda dos seus pares.

Agora, o governo Dilma abaixa os juros, e todos se queixam, em perfeito uníssono. Busco uma explicação, embora me tente recorrer a um dos grandes escritores do absurdo, movido pela convicção de que somente eles seriam capazes de explicar o Brasil. Este é um país que consegue viver contradições abissais, a começar pelo seguinte fato: atravessamos, no mesmo instante, épocas diferentes. A modernidade tecnológica e a Idade Média política e social.

No caso dos juros, os lances mais recentes do governo Dilma revelaram outro fato bastante significativo: muitos brasileiros que se dizem "empresários" são, de verdade, apenas e tão somente especuladores. Contaminados pelo vírus do neoliberalismo, acertaram sua irredutível preferência pela renda no confronto com a produção, e a baixa dos juros os atinge na parte mais sensível do corpo humano, ou seja, o bolso, como disse há muito tempo o professor Delfim Netto.

Seria preciso assumir o autêntico papel do empresário e, em vez de acompanhar os movimentos das bolsas e das oligarquias financeiras, trabalhar para produzir e enfrentar a concorrência e riscos variados como, creio eu, vaticinava Adam Smith. Os próprios banqueiros perdem benesses e têm de arregaçar as mangas para voltar às tarefas da Banca di San Giorgio.

O governo Dilma dá um passo adiante em relação àquele que o precedeu. Mexe com os interesses do poder real, conforme a opinião de analistas atilados. Ousa o que Lula não ousou. E o balanço da primeira metade do seu mandato há de registrar esse avanço em primeiro lugar.

É justo perguntar aos nossos botões por que um país tão favorecido pela natureza não atingiu o grau de desenvolvimento que lhe compete. E a resposta é inescapável: a “casa-grande” ficou de pé e conseguiu, sem maiores esforços, a bem da verdade, manter a Nação atada ao seu próprio tempo de prepotência. “Eles querem um país de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo”, dizia Raymundo Faoro.

Poder absoluto de um lado, submissão do outro. Getúlio Vargas, eleito democraticamente em 1950, tentou enfrentar a casa-grande e morreu suicidado. O novo desafio demorou 48 anos e começou com a eleição de Lula, início de um capítulo inédito da história, este por ora a mostrar-se duradouro. Como se deu com Getúlio, mas em circunstâncias diferentes, o povo identificou-se com seu líder. No entanto, ao contrário de Getúlio, Lula é seu povo, e chegou depois de uma ditadura de 21 anos imposta pela casa-grande e de uma fase da chamada “redemocratização”, na prática voltada à manutenção do poder real e dos seus privilégios medievais.

Dilma, nesses seus últimos dois anos de mandato, deu continuidade à obra do antecessor sem deixar de conferir marca pessoal ao desempenho. De saída, livrou-se de ministros incômodos, como o exorbitante “operador” Antonio Palocci, ou Nelson Jobim, atucanado militarista. Prosseguiu pelos caminhos traçados por Lula na política social e exterior e foi recebida mundo afora como digna sucessora do “cara”. Lança, enfim, as bases de uma política econômica afinada com os objetivos de um governo social-democrático habilitado à contemporaneidade do mundo.

Janus bifronte mostra o cenho franzido na face que encara o passado, enxerga um 2012 difícil, de desenvolvimento econômico medíocre, abalado por uma crise mundial muito antes que brasileira. Não está desanuviado o rosto que olha para o futuro. O ministro Mantega promete em 2013 um crescimento de 4%, ou pouco mais, índice excelente nas circunstâncias. Não me arrisco a analisar a promessa. As dificuldades para Dilma se espraiam bem além da situação econômica, a despeito das influências que esta exercerá em outros quadrantes.

A “Operação 2014”, desencadeada pela mídia contra Lula e contra o governo não arrefecerá certamente na perspectiva do pleito do ano próximo. De certa maneira, a campanha eleitoral já partiu e definiu seus temas recorrentes. Sim, os tempos mudaram e os porta-vozes do poder real não alcançam a maioria da Nação. Sobram, porém, os problemas criados dentro do PT, da base governista e até do governo. Semeados, inclusive, pelo Supremo Tribunal Federal, lunaticamente inclinado a subverter as regras basilares da democracia e a agredir a Constituição. Será que o ministro da Justiça tem mesmo de resignar-se diante de tanto descalabro?

Assustam, sejamos claros, um STF e um procurador-geral da República claramente engajados na "Operação 2014". 

Para seu próprio bem, cabe ao governo uma reação à altura, também em outra frente, para reestruturar o Partido dos Trabalhadores, hoje dividido, depauperado e em estado de confusão. Nesse campo, a intervenção do fundador é indispensável. Lula é o líder em condições de conduzir o partido no retorno ao passado, para reencontrar aquela agremiação que o sustentou por três eleições e enfim o levou à Presidência em 2002.

Quanto à base governista, os problemas parecem insolúveis. Governar exige alianças de ocasião e as melhores intenções acabam por lastrear o caminho do inferno. Há parceiros confiáveis e outros que veem na carreira política a escada da vantagem pessoal. Há quem sugira uma ação para buscar o favor do empresariado. Talvez aqui a tarefa seja menos complicada do que a tentativa de formular planos comuns com, digamos, o PMDB do vice-presidente Michel Temer e do senador José Sarney, ou com o PDT de Miro Teixeira e outros do mesmo jaez.

Permito-me, de todo modo, [indagar] como se daria a aproximação ao empresariado descontente com a política econômica. Por meio de um seminário sobre o capitalismo de Adam Smith e John Maynard Keynes? Mesmo assim, tentativas menos ingênuas poderiam ser experimentadas, com algum êxito, quem sabe.

Pego-me a olhar para os colegas da redação, dobrados sobre seus computadores, intérpretes da modernidade, enquanto eu batuco na minha Olivetti Linea 88. Sou francamente arcaico, mas temo que o computador me engula como fez e faz com tantos outros. Não escapo à sina, também eu mereço Ionesco, ou Beckett. Certo é, sem qualquer parentesco com o absurdo, que às vezes o bonde da história passa pela porta de casa. Não da minha, é óbvio. Falo de Dilma Rousseff. Sinto nela a crença, a energia, a determinação, a capacidade e o porte dos escolhidos do destino.”

FONTE: escrito por Mino Carta emEditorial da revista “CartaCapital” (http://www.cartacapital.com.br/politica/dilma-e-o-destino/). Transcrito no blog do Noblat (http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2013/01/05/dilma-o-destino-por-mino-carta-481174.asp).
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O MÉTODO “VEJA”/TUCANO PARA FAZER DO BRASIL UM "GUEPARDO"


“A revista propôs a diversos especialistas, em geral tucanos, soluções para tornar a economia brasileira "mais dinâmica".

Edmar Bacha, por exemplo, propõe a redução de gastos sociais e o fim da exigência de conteúdo nacional nas encomendas da Petrobras. Gustavo Franco quer acabar com o FGTS. Armínio Fraga, por sua vez, sugere que mulheres com mais filhos tenham mais votos.

Os oito anos de governo FHC não podem ser classificados, exatamente, como um milagre econômico. Embora o Brasil tenha conseguido acabar com a inflação (por medidas desencadeadas pelo governo anterior, de Itamar Franco (PMDB)] (como, aliás, todo o resto do mundo, onde a praga ainda persistia), a média de crescimento, inferior a 2,5%, foi baixa, a dívida pública, a despeito das privatizações, cresceu assustadoramente e o Brasil, sem política de acumulação de reservas, foi três vezes [falido] ao FMI.

A revista “Veja’ desse último fim de semana, no entanto, expressa certa nostalgia do passado. E decidiu ouvir especialistas (em geral, tucanos) para que a economia brasileira cresça de forma mais acelerada. Ou, na imagem usada pelo diretor Eurípedes Alcântara, “para que seja ágil como um guepardo – o animal mais rápido da fauna terrestre”.

As sugestões, apresentadas como milagrosas por “Veja”, são um tanto polêmicas.

Edmar Bacha, por exemplo, propõe a redução do gasto público. Segundo ele, o Brasil gasta 20% do PIB com despesas classificadas como sociais, mas os 11% da previdência seriam suficientes. “Toda atividade governamental terá de provar ter o custo menor que o benefício social proporcionado”, diz ele. Bacha sugere, ainda, que, na saúde, luxo e tratamentos complexos sejam obtidos por meio de seguradoras privadas – detalhe: o Ministério da Saúde acaba de ampliar a lista de procedimentos oncológicos pagos pelo SUS.

Bacha sugere, ainda, [para o bem dos EUA, das grandes potências européias e da China] abertura radical da economia. Na sua visão, a tarifa máxima de importação seria de 10% e deve ser também suspensa a exigência de conteúdo nacional nos financiamentos do BNDES e nas compras das empresas que têm ações governamentais, como da Petrobras.

Gustavo Franco, que foi presidente do Banco Central no governo FHC e responsável por uma política cambial no mínimo polêmica, sugere a "flexibilização" dos direitos trabalhistas. A primeira ideia é a eliminação do FGTS. Em vez da aplicação compulsória desses recursos no FGTS, que rende apenas 3% ao ano, o trabalhador poderia aplicar diretamente em fundos DI. Assim, segundo Franco, a poupança dos trabalhadores deixaria de abastecer o BNDES, que, segundo ele, financia setores com baixíssima contribuição para o crescimento da economia.

Franco propõe, ainda, o enterro da CLT, a “Consolidação das Leis do Trabalho”. “Os contratos de trabalho passam a ser de natureza civil e inteiramente negociáveis entre as partes – com exceção dos casos em que o salário do trabalhador estiver na faixa da isenção do imposto de renda”, diz ele. No entanto, hoje, poucos veriam razões para mexer com esse tema no governo e na sociedade, uma vez que o desemprego é o menor em dez anos e há também um processo de formalização das relações de trabalho.

Veio, porém, de Armínio Fraga, também ex-presidente do Banco Central na era FHC, a sugestão mais inusitada. “Toda mãe terá direito a votar em cada eleição tantas vezes quantos forem seus filhos menores de 16 anos”, afirma. Ou seja: uma mãe com 10 filhos menores teria 10 votos. Segundo ele, as mães pensam mais no futuro e nas próximas gerações do que os outros indivíduos. Mas será que isso vale para mães sem planejamento familiar?

Se várias dessas reformas fossem implementadas, o Brasil voaria rápido como um guepardo, sugere a revista “Veja”... “Soluções existem. Basta usá-las”, diz o título da reportagem. Será mesmo?”

FONTE: do “Brasil 247”. Transcrito no portal “Vermelho” (
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=202915&id_secao=1
) [Imagem do google adicionada por este blog ‘democracia&política’].
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A “OUSADIA” DE JOSÉ GENOINO


Por Eduardo Guimarães

“Aspirantes a ditador encastelados no Judiciário, no Legislativo, na imprensa e até entre cidadãos comuns estão sobejamente indignados com José Genoino Guimarães Neto, cearense de Quixeramobim que, aos 66 anos, está prestes a cumprir pena de prisão por ter colocado a própria firma em um contrato de empréstimo de um banco ao partido político que presidia. A razão da indignação: ele teima em querer exercer seus direitos.

Ainda assim, apesar de a vida do ex-presidente do PT ter sido vasculhada de cima a baixo durante sete longos anos, não foi encontrado um mísero aumento de seu patrimônio. Nem a Polícia Federal, nem o Ministério Público e muito menos a imprensa conseguiram atribuir-lhe qualquer intenção de se locupletar.

Tudo o que Genoino tem na vida é um modesto sobrado no bairro paulistano do Butantã, que, vendido, não pagaria a multa imposta pelo STF no âmbito da Ação Penal 470. Detalhe: o imóvel foi adquirido muito antes de o PT chegar ao poder, não havendo como atribuir sua compra ao “mensalão”.

Colunistas, editorialistas, articulistas, comentaristas de telejornal, repórteres e parte de seus leitores e espectadores tratam de atiçar a matilha despótica contra um homem cujo crime foi cumprir uma obrigação partidária, ainda que possa ter havido alguma ilegalidade no negócio feito entre seu partido e o banco que lhe concedeu o empréstimo fatídico.

A condenação de Genoino, pois, não lhes é suficiente. Prender seu corpo não basta, há que prender, também, seu espírito. Os mesmos aspirantes a ditador querem cassar um direito sagrado em qualquer democracia que se preze: o direito de um acusado pela justiça se declarar inocente independentemente de a acusação ter ou não sido julgada.

Temos visto, à larga, os meios de comunicação serem tomados pela premissa de que o ex-presidente do PT deveria assumir as culpas que lhe imputam e abdicar de exercer seus direitos. Deveria se “envergonhar” e fazer “profissão de fé” na própria culpa, ao melhor estilo daquilo a que eram abrigados os expurgados pelo mesmo stalinismo de que os cúmplices e entusiastas da ditadura militar brasileira acusam petistas e/ou qualquer esquerdista.

Genoino e a filha estiveram no Congresso, altivos. Foram, então, cercados e moralmente seviciados pelos que o prisioneiro de consciência chamou, apropriadamente, de “torturadores modernos”.

Não basta, portanto, condenar Genoino ou qualquer outro réu do mensalão. Eles têm que colaborar com seus algozes. A direita midiática exige que se humilhem publicamente, abdiquem de qualquer direito que lhes reste e, de quebra, ajudem a enlamear a honra de companheiros e até do próprio partido. Querem estender suas condenações àqueles contra os quais não pesa processo algum.

Este blog [“Cidadania”], assim, exorta seus leitores a se solidarizarem não com Genoino, mas com o Estado de Direito, pois está sob severa ameaça quando setores barulhentos e despóticos da sociedade exigem que um homem abdique do direito fundamental de qualquer ser humano de se declarar inocente independentemente de ter sido julgado e condenado, até porque a História está repleta de condenações que depois se revelaram injustas.”

FONTE: escrito por Eduardo Guimarães em seu blog “Cidadania” (http://www.blogdacidadania.com.br/2013/01/a-ousadia-de-jose-genoino/).
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Nova rotina na Prefeitura de Pau dos Ferros.


Na cidade "Princesinha do Alto Oeste" (Pau dos Ferros) o sistema político dominante é o mesmo, mas os métodos de administrá-la começam a apresentar mudanças significativas, diria inacreditáveis até pouco tempo, em todos os setores do novo governo.

A começar pelo horário de chegada ao trabalho do novo Prefeito que antes mesmo das 7h da manhã já se faz presente em seu gabinete, contrariando o estilo do gestor anterior que inciava o expediente praticamente no horário do almoço.

Segundo uma fonte governista, a atitude exemplar de Fabrício teria como objetivo principal agilizar o atendimento ao cidadão pau-ferrense que espera uma resposta rápida aos seus anseios, além de servir como bom exemplo aos demais servidores públicos que, em sua maioria, iniciam a jornada de trabalho logo que o dia amanhece.

Com exceção daqueles poucos comissionados que ganham muito dinheiro, mas não gostam de cumprir com a carga horária normal de trabalho, o "estilo madrugador" de Fabrício Torquato tem recebido elogios até mesmo de integrantes da oposição.

Pelo visto, a nova administração não será anuente com os comissionados que ficam até a madrugada tomando Red Label misturado com Red Bull, pois no horário que eles estavam acostumados a chegar em casa para dormir... O Novo Prefeito tem por hábito levantar-se para trabalhar.

Que dureza...
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