Cultura- VLAD DRÁCULA: O FILHO DO DRAGÃO! A VERDADEIRA HISTÓRIA QUE VIROU LENDA


Herói e tirano, destruidor dos turcos, algoz de seu próprio povo, líder impiedoso. Conheça as muitas faces de Vlad Drácula, o príncipe romeno do século 15 que emprestou seu nome às lendas de vampiros.

A cena é horripilante, sem dúvida, mas até um cego, incapaz de vê-la, conseguiria sentir a dimensão da atrocidade perpetrada ali. Ou melhor, farejá-la: 20 mil corpos humanos apodrecem ou agonizam diante da cidadela abandonada, uma floresta de empalados capaz de atemorizar até o líder do maior império do planeta. O sultão turco Mehmed II, conquistador de Constantinopla e veterano de muitas guerras, diz para quem quiser ouvir que não é possível enfrentar um inimigo que se dispõe a tal ato. Deixa o comando de seu exército e volta para a segurança de seu harém.

Esse inimigo implacável, que no século 15 deteve o avanço do Império Otomano, envergava com orgulho uma alcunha hoje mundialmente famosa: Drácula. Ele era Vlad III da Valáquia, embora seus conterrâneos e inimigos tenham usado também o sinistro apelido de Tepes, “o Empalador”, em romeno. Por uma série de acasos literários, esse príncipe virou sinônimo de vampiro sem ter nenhuma ligação com as criaturas da noite, mas o verdadeiro caráter do Empalador é quase tão misterioso quanto os desses seres: herói nacional, tirano sanguinário ou uma mistura improvável das duas coisas?
Talvez a resposta para o dilema seja difícil de achar porque Vlad viveu num dos períodos (e lugares) mais complicados da história européia. A região que mais tarde se transformaria na Romênia não passava de um aglomerado confuso de principados minúsculos, esmagados entre gigantes. A noroeste, havia o Sacro Império Romano-Germânico, senhor da Alemanha e da Itália e maior potência da Europa Ocidental. Em torno de si (como num abraço mortal), o reino da Hungria começava a ter papel preponderante como campeão da cristandade contra a ameaça turca, ao sul, onde o Império Otomano reduzira os mil anos de poderio Bizantino a um território nanico na Grécia e no Bósforo, onde Constantinopla ainda resistia heroicamente – mas não por muito tempo.

Com tantos grandes brigando entre si, povos mais fracos às vezes conseguiam um espaço para respirar e tentar a independência. Foi o que ocorreu com os ancestrais dos romenos, diferentes de todos os outros povos dos Bálcãs por falarem uma língua latina, assim como o português, herança da antiga colonização romana. A Valáquia, no sul da atual Romênia, escapou do domínio húngaro e passou a ser governada por Besarab, o Grande, em 1330. Dele descendia Mircea cel Batrin (ou Mircea, o Velho), avô de Drácula e príncipe dos valacos de 1386 a 1418. O novo país parecia consolidado, mas bastou que Mircea morresse para que seu filho Vlad tivesse de enfrentar a rebelião de seu primo Dan, apoiado pelos boiardos (os nobres do país).
Dan proclamou-se voivoda (príncipe) e Vlad teve de se retirar para a Transilvânia (então parte do território húngaro). Foi lá que nasceram seus três filhos (Mircea, Vlad e Radu) na cidade de Sighisoara – aliás, essa é a única verdadeira associação do futuro Empalador com a famigerada Transilvânia, já que ele nunca foi conde do lugar. Acredita-se que Vlad filho veio ao mundo em 1431 – ano em que o famoso apelido do príncipe valaco teve sua origem. O imperador germânico Sigismundo convocou Vlad pai a Nuremberg e nomeou-e para a Ordem do Dragão – um grupo de cavaleiros dedicados à defesa do imperador e da cristandade contra a ameaça turca. Vlad parece ter gostado tanto da honraria que adotou o título de Dracul, “o Dragão” (“drac” é dragão em romeno, enquanto “ul” equivale ao nosso “o”). Quando adulto, seu filho do meio também entrou para a Ordem do Dragão e se tornou Draculea ou Drácula – “Filho do Dragão”.

Há quem acredite que o termo também tem a conotação de “demônio” em romeno, mas o fato é que, pelo menos no nome, ambos os “Vlads” (pai e filho) eram guerreiros de Cristo.
Em 1436, Vlad Dracul (o pai) conspirou para assassinar Alexandru I, o governante dos Danesti (a facção de Dan), e tornou-se Vlad II da Valáquia. Apesar de seu juramento de fidelidade à Ordem do Dragão, Vlad Dracul logo percebeu que aquela não era a hora de bancar o cruzado. Os turcos estavam cada vez mais poderosos e, numa tentativa de apaziguá-los e conseguir um pouquinho de independência, ele foi obrigado a enviar Vlad (o filho) e Radu como reféns para as terras do sultão.
Os dois meninos passaram sete anos entre os turcos. Quando o sultão finalmente decidiu liberar os dois, em 1448, só o mais velho, Vlad, escolheu voltar à Valáquia. Não foi uma boa idéia: ao chegar em casa, ele descobriu que seu pai e seu irmão Mircea (herdeiro do trono) tinham sido assassinados pelos rebeldes boiardos, que decidiram apoiar um Danesti. Seguiu-se um luta pelo poder e, por alguns meses, o jovem príncipe conseguiu se apoderar do trono, tonando-se Vlad III. No entanto, um golpe com o apoio dos húngaros o tirou do poder. Os vizinhos não gostavam nada da política de apaziguamento do pai de Drácula em relação aos turcos e colocaram em seu lugar um vassalo do rei húngaro.
Eles logo se arrependeriam da decisão: o novo voivoda mostrou-se um covarde pró-otomanos. Numa daquelas reviravoltas das quais só os políticos são capazes, os húngaros ofereceram seu apoio a Drácula, ou seja, deram-lhe um poderoso exército. Assim, em 1456, Vlad retomou o comando da Valáquia. “Foi nessa época que Drácula realizou seus maiores feitos militares e cometeu as maiores atrocidades”, diz a pesquisadora canadense Elizabeth Miller, da Memorial University of Newfoundland, especialista em ambos os “dráculas” – o histórico e o personagem literário.
Sua posição, mais que nunca, exigia coragem. Afinal, três anos antes, a própria Constantinopla tinha caído, e os turcos não viam a hora de estender seus domínios entre os principados do outro lado do Rio Danúbio. Para resistir ao avanço do Império Otomano, Vlad adotou uma astuta tática de guerrilhas que conseguiu lhe garantir o sossego por alguns anos. Era hora de obter também um pouco de segurança dentro de casa – e é aí que entra o carinhoso apelido de “Empalador”.

Na ponta da estaca

Todos os relatos que ainda existem sobre o reinado de Drácula parecem concordar num ponto: o príncipe tinha uma fascinação macabra por empalamentos. Esse método de execução e tortura prolongada envolvia o uso de uma estaca de madeira – de preferência não muito afiada e embebida em óleo, para não matar a vítima de cara. Uma das maneiras de usar o instrumento era enfiá-lo pelo ânus ou pela vagina e fazê-lo sair pela boca, mas Vlad III gostava de variar: podia espetar a pessoa diretamente no abdome ou pregar bebês ao peito das próprias mães, por exemplo. De um jeito ou de outro, o fato é que a coisa doía – e demorava. Conta-se que, quando não podia praticar esse esporte com seres humanos, Drácula contentava-se com pássaros e ratos.

Provavelmente, esse é o mais inegável dos aspectos negativos do príncipe: “Na história romena, Vlad sempre é chamado de Empalador”, diz Elizabeth Miller. “O nome vem do turco kaziklu bey, ‘príncipe empalador’, expressão empregada pelos cronistas turcos dos séculos 15 e 16. Mas o apelido dá uma idéia do medo que ele causava em seus inimigos, e acabou adotado pelos conterrâneos dele.”
Justiça seja feita, Drácula usava o método com um propósito digno de qualquer governante do Renascimento: a unificação do poder real e a humilhação dos incovenientes boiardos. Segundo Elizabeth, ao assumir o trono, Vlad reuniu todos os nobres numa festa e perguntou quantos príncipes valacos haviam reinado durante a vida deles. Ninguém ali tinha visto menos de sete voivodas no trono. E Vlad teria dito: eu serei o último que verão. “Ele mandou empalar os mais velhos e fez com que os mais jovens e fortes trabalhassem na construção de uma nova fortaleza perto de Tirgoviste, a capital valaca”, diz. Outras vítimas da fúria de Drácula foram os comerciantes saxões que dominavam as conexões entre os Bálcãs e o Ocidente europeu e que tinham uma tradicional aversão ao pagamento de impostos. Vlad passou a cobrar pedágios nas principais rotas comerciais. Com o dinheiro, construía mias estradas e reforçava seu exército.
Os registros da tradição oral romena costuma enfatizar as duras represálias do príncipe contra os criminosos. A política “tolerância zero” de Drácula fez tanto sucesso que o voivoda decidiu erigir um pedestal em Tirgoviste e colocar sobre ele uma peça de ouro, que permaneceu intocada durante todo o seu reinado. Símbolo de que não havia crimes na Valáquia.
Vlad III poderia ter se divertido desse jeito por décadas, mas nada era mais instável que a política balcânica. Era questão de tempo até que os turcos se organizassem para um ataque maciço, e ele veio em 1461, quando 60 mil homens comandados pelo próprio Mehmed II cruzaram o Danúbio. O voivoda iniciou uma lenta retirada para o norte, arrasando as terras por onde passava para evitar que os turcos obtivessem provisões e até tentando usar os últimos avanços em armas biológicas da época – soldados com peste que foram mandados para o acampamento turco.
Quando o exército turco se aproximou de Tirgoviste, o Empalador usou sua derradeira e mais poderosa arma: o terror. Eis o que conta a respeito o cronista grego Khalkondyles: “O exército do sultão chegou a um campo cheio de estacas, com cerca de 3 quilômetros de comprimento e 1 quilômetro de largura. Os turcos, vendo tantas pessoas empaladas, ficaram muito amedrontados”.
O recuo otomano, no entanto, foi temporário. Mehmed decidiu apoiar Radu, o irmão de Vlad, numa conspiração para levá-lo ao poder. Os poucos boiardos que sobravam na Valáquia, cansados do absolutismo de Drácula, aderiram ao movimento. Vlad III fugiu para a Transilvânia como fizera seu pai, e foi preso pelo rei húngaro Matias Corvino. Gradualmente, no entanto, Drácula ganhou a confiança do soberano. Ele se casou com uma nobre húngara ligada à família real e, de forma surpreendentemente diplomática, converteu-se ao catolicismo romano (ele sempre fora ortodoxo). A essa altura, Vlad já sofria com um problema familiar à nobreza moderna: a imprensa sensacionalista. Entre os primeiros textos impressos na Europa já estavam panfletos em alemão que celebravam (ou melhor, denegriam) os feitos do voivoda, com manchetes do tipo “A Asustadora e Extraordinária História do Cruel Tirano Bebedor de Sangue Chamado Príncipe Drácula”.
Matias Corvino finalmente decidiu apoiar a volta de Drácula ao poder, e o mesmo fez o rei Estevão da Moldávia, parente do Empalador. Com essa ajuda, Vlad III cruzou a fronteira transilvânia e, mais uma vez, assumiu o trono, em 1476. O grosso das tropas, no entanto, logo voltou a suas regiões de origem, e Vlad teve de enfrentar sozinho mais um ataque turco. Era o fim da linha: numa batalha numa floresta ao norte de Bucareste, o voivoda foi derrotado e decapitado. Sua cabeça foi enviada a Constantinopla e exposta; seu corpo mutilado, de acordo com a tradição, foi sepultado no mosteiro de Snagov, embora uma escavação arqueológica, feita nos anos 30, não tenha conseguido localizar os restos mortais do guerreiro.
“Se julgarmos somente com base em documentos escritos, então Vlad é mais tirano que herói”, avalia Elizabeth Miller. “Os relatos alemães e turcos enfatizam sua crueldade. Mas os alemães ou saxões da Transilvânia se opunham a ele por razões econômicas e políticas, e os turcos eram seus inimigos”, diz. Segundo ela, os relatos romenos são apenas orais, e eles tendem a ver Vlad como um herói. “Ele realmente conseguiu defender seu pequeno principado de um império poderoso, por algum tempo. Não há dúvidas sobre sua crueldade, mas pode-se argumentar, como fazem muitos historiadores romenos, que ele não era pior que outros líderes de seu tempo”, afirma a pesquisadora.

Produto de exportação

Para os romenos, a figura do Empalador é coisa séria. Afinal, estamos falando de um herói nacional. Por isso, o governo do país está se preparando para honrar os feitos de Vlad III com um... parque temático. A intenção original era construir o parque em Sighisoara, local de nascimento do príncipe, mas a Unesco (sigla em inglês da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) condenou a idéia, já que a cidade, quase totalmente preservada em suas características medievais, iria virar um pesadelo. Por isso, o plano agora é colocar o parque perto de Snagov, onde supostamente Drácula teria sido enterrado. Isso não quer, no entanto, que os romenos já não tentem aproveitar ao máximo a imagem falsa de seu antigo líder. Pacotes de viagem como os da Company of Mysterious Journeys oferecem passeios que misturam locais ligados ao Empalador histórico, como Snagov e Sighisoara, ao lado de Bistritz e o Passo Borgo, percorridos pelo herói Jonathan Harker no romance de Bram Stoker.


Imortal (pelo menos no cinema)


Aventura e horror nunca faltaram na vida do Empalador. Um prato cheio para qualquer escritor, sem dúvida. Quanto dessa saga medieval serviu de inspiração para que o romancista irlandês Bram Stoker (1847-1912) criasse o clássico Drácula em 1897? A resposta meio decepcionante é: quase nada. A idéia original do escritor, por exemplo, era ambientar sua trama na Áustria, e o vilão teria o criativo nome de conde Wampyr, conta Elizabeth Miller. “Bram Stoker desenvolveu seu conceito de vampiros com base em muitas fontes, a maioria das quais não tinha nada a ver com a Romênia”, diz a pesquisadora. Aparentemente, Stoker tomou emprestado o nome Drácula e as vagas alusões às lutas do personagem contra os turcos de um livro obscuro chamado Um Relato dos Principados da Valáquia e da Moldávia, de 1820. As lendas sobre vampiros, embora presentes na Romênia, são muito mais proeminentes em outros países do Leste Europeu, como a Sérvia.

Embora tenha feito sucesso considerável como livro, a história do conde só atingiu mesmo o estrelato quando chegou ao cinema. Aliás, Drácula só perde em popularidade cinematográfica para Jesus Cristo: no maior banco de dados online sobre cinema, o IMDB (www.imdb.com), há 125 filmes sobre Drácula e 127 sobre Jesus. A primeira encarnação de respeito do vampiro na tela grande veio com Nosferatu (1922), obra-prima do expressionismo alemão. O ator húngaro Bela Lugosi, por muitos considerado o melhor de todos os intérpretes vampirescos, fez a primeira versão hollywoodiana com Drácula (1931). A imagem do conde sensual e sedutor deu as caras pela primeira vez com um novo Drácula (1958), que consagrou o britânico Christopher Lee.
Nos anos 90, Francis Ford Coppola lançou seu estiloso e romântico Drácula de Bram Stoker, com Gary Oldman no papel-título e, pela primeira vez, referências explícitas ao Vlad Tepes histórico. Finalmente, não dá para deixar de citar a sátira Drácula – Morto, Mas Feliz, com Leslie Nielsen, de Corra que a Polícia Vem Aí.


Fonte: Revista aventuras na História
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Moralismo ajuda a esconder a lei

Por Paulo Moreira Leite, na coluna Vamos combinar:

Os ataques a José Genoíno chegaram a um ponto escandaloso e inaceitável.

Vários observadores se colocam no direito de fazer uma distinção curiosa. Dizem que a decisão de Genoíno em assumir o mandato para o qual foi eleito por 92 000 votos pode ser legal mas é imoral.

Me desculpem. Mas é uma postura de ditadorzinho, que leva a situações perigosas e inspira atos violentos. Também permite decisões arbitrárias e seletivas. Pelo argumento moral, procura-se questionar direitos que a lei oferece a toda pessoa. Isso é imoral.

Não surpreende que essa visão tenha produzido grandes tragédias, na história e na vida cotidiana.

Isso porque os valores morais podem variar de uma pessoa para outra mas a lei precisa valer para todos.

Você pode achar que aquele livro sobre não sei quantos tons de cinza é uma obra imoral mas não pode querer que seja proibido por causa disso. Por que? Porque a Lei garante a liberdade de expressão como um valor absoluto.

Para ficar num exemplo que todos lembram. Os estudantes de uma faculdade paulista que agrediram e humilharam uma aluna que foi às aulas de mini saia muito mini também se achavam no direito de condenar o que era legal mas lhes parecia imoral. Vergonhoso. Isso sempre acontece quando se pretende dizer que o moral precisa ser o legal.

Para começar, quem acha muita imoralidade da parte de Genoíno deveria olhar para o lado em vez de exagerar na indignação.

Em seis Estados brasileiros o Superior Tribunal de Justiça, a segunda mais alta corte do país, tenta licença para processar governadores e não consegue avançar na investigação. Não consegue nem apurar as acusações que o STJ considera sérias.

Por que? Porque as Assembleias Legislativas não autorizam. Curiosidade: não há ”petistas aparelhados” envolvidos. Entre os 6 governadores, cinco são tucanos e um é do PMDB. Quantos são imorais nesse time? E os ilegais? Vai saber.

O que está em jogo, nos Estados? O princípio do artigo 55 da Constituição, aquele que reserva ao Congresso o direito de decidir pela cassação (ou não) de deputados e senadores. São os representantes eleitos que podem cassar os representantes do povo – e apenas eles.

Mas é curioso que ninguém fala em imoralidade neste caso.

Pergunto: cadê o abaixo assinado, uma denúncia contra “esse políticos” ? Cadê as marchadeiras de botox e cabelo tingido? Onde ficaram nossos moralistas de punho cerrado? Onde estão os cronistas do cronstragimento, os marqueteiros da “imagem” dos políticos?

Será que voltamos (ou nunca saímos?) à lógica dos dois mensalões, o do PT e o do PSDB-MG?

A Constituição reconhece os três poderes e não reconhece, de forma alguma, qualquer hierarquia entre eles.

E aí cabe a pergunta: se as Assembleias Legislativas podem impedir a abertura de uma investigação sobre governadores, por que o Congresso não tem o direito de decidir, como manda a Constituição, o destino de quatro deputados? Há uma diferença de princípio, uma visão de mundo?

Ou é a velha paróquia política do país ?

No caso dos governadores e deputados, a preferência é tão descarada que nem se abre uma investigação. Não vamos julgar e depois absolver. Não. Nem se começa o jogo. Não custa recordar de novo. A Lei diz que o mandato de um deputado só pode ser cassado por decisão do Congresso. Não é interpretação. Não é princípio genérico.

É texto da lei. É tão claro como dizer que o Brasil não pode fabricar bomba atômica. Ou que o racismo é crime e é inafiançável. Ou que a licença-maternidade deve durar quatro meses.

O jurista Pedro Serrano, especialista em Direito Constitucional, disse aqui mesmo neste blogue que essa prerrogativa é um dos elementos básicos da separação entre os poderes, definição que separa a República da Monarquia.

Embora diversos ministros do Supremo tenham feito elogios demorados à Constituição do Império – entre outros traços típicos, ela tratava os escravos como coisas – desde 1899 o país vive sob um regime republicano. O retorno à monarquia foi derrotado em plebiscito, junto com o parlamentarismo, lembra?

Teve gente que levou os descendentes de Pedro II e da Princesa Isabel para percorrer o país, na esperança de que algum fantasma do passado contribuísse para melhorar o marketing eleitoral da monarquia.

Mas o Supremo considerou por 5 votos a 4 que tem o direito de cassar os mandatos dos deputados condenados pelo mensalão. Muitos juristas – os mesmos que os donos da moral de hoje costumam ouvir quando lhes interessa — consideram que foi uma decisão que atravessou essa divisão entre poderes.

Num plenário que em situações normais inclui onze votos, cinco ministros acharam-se no direito de questionar um artigo explícito da Lei Maior. Quatro ficaram contra essa decisão.

Em qualquer caso, não custa lembrar que, como está estabelecido, a Constituição só pode ser modificada por uma emenda constitucional, com o voto de dois terços – e não maioria simples – dos parlamentares, que são os representantes eleitos do povo. Não é debate moral. É determinação legal.

Por que ela diz isso? Porque esse artigo 55 é coerente com o artigo 1, aquele que diz que “todo poder emana do povo, que o exerce através de seus representantes eleitos.”

Uma decisão do Supremo deve ser cumprida e tem força de lei, diz o Ministro da Justiça.

Mas o que se faz quando, por 5 votos a 4, se estabelece uma diferença clamorosa, uma contradição com a própria Constituição?

Não é possível ser simplório nem empregar argumentos de autoridade. A menos, claro, que se pretenda criar um novo tipo de autoritarismo.Durante o Estado Novo, o Supremo autorizou que a militante comunista Olga Benário fosse enviada para a morte num campo de concentração nazista.

Seria imoral e ilegal tentar impedir a entrega de Olga Benário por todos os meios e recursos que poderiam preservar sua vida, sua dignidade e mesmo a filha que levava em seu ventre, vamos combinar.

Em 1964, o Supremo aceitou a tese de que a presidência da República ficara vaga depois que Jango deixou o país e deu posse à ditadura militar. Legal? Moral? Ou ilegal e imoral?

Em 2010, o Supremo decidiu por 7 votos a 2, que só o Congresso poderia modificar a Lei de Anistia. Com isso, as investigações sobre torturas e execuções perderam uma base legal importante.

Pergunto: vamos proibir os jovens que denunciam torturadores nas operações esculacho, e não se rendem a uma decisão que – sem entrar no debate se correta ou não – envolve uma opção pela impunidade?

Vamos chamar a PM para dar porrada? (Quando ela não estiver perseguindo estudantes que portam maconha, o que lei diz que é legal em certa quantidade mas que muita gente considera imoral e por isso aprova todo tipo de repressão, até sem base legal).

Mais ainda. Vamos silenciar procuradores que, teimosamente, ainda procuram brechas para colocar os responsáveis por crimes contra a humanidade na cadeia, lembrando que a Constituição diz que a tortura não é passível de anistia ou graça?

Os 7 a 2 do Supremo deveriam garantir que esses garotos exemplares fossem silenciados para sempre?

Queremos a Submissão à autoridade, título de um livro antológico sobre técnicas de tortura?

Colocar a questão moral à frente da legal só ajuda a despolitizar um debate, a encobrir questões sérias e a impedir uma avaliação consciente do que está em jogo. No saldo, quem perde é a democracia.

Quando Genoíno se diz com a “consciência limpa dos inocentes” deveríamos dedicar alguns minutos de reflexão ao assunto.

Você pode, com base naquilo que viu e ouviu nas 53 sessões do julgamento, achar que ele é mesmo culpado e deveria renunciar ao mandato que recebeu.

Mas você poderia pensar o contrário.

A grande acusação é que ele assinou “empréstimos fraudulentos” que alimentaram o esquema, certo? Podemos ouvir isso todo dia, nos comentários de sabichões que frequentam o rádio e a TV.

Mas: veja só. A própria Polícia Federal, que investigou o caso e as contas do mensalão, concluiu que os empréstimos não eram uma fraude. Em seu relatório, a PF diz que os empréstimos foram verdadeiros, implicaram na remessa de dinheiro do Banco Real para o PT. A Justiça, mais tarde, supervisionou um acordo para o pagamento do empréstimo. Era ilegal? Era imoral? Ou o que?

Em todo caso, se era ilegal, pergunta-se: o que aconteceu com a turma do Banco Central que deveria fiscalizar essas coisas?

O que houve com quem referendou o acordo? Alguém foi punido por ser ilegal? Ou não se julgou moralmente conveniente?

Muitos ministros condenaram Genoíno porque “não era plausível” que ele “não soubesse” do que eles dizem sobre o que seria o “maior escândalo da história.” Uniram o papel político óbvio de Genoíno no governo Lula com um esquema financeiro, sem conseguir provar seu envolvimento direto na “compra de votos” no Congresso. Não conseguiram apontar, sequer, qual projeto foi aprovado em troca de dinheiro.

Enquanto não se provar que Genoíno cometeu uma ilegalidade, estamos, mais uma vez, numa visão moral de uma pessoa, num julgamento que envolve a atribuição de atitudes e valores, mas não consegue reunir provas robustas – indispensáveis no direito penal — para sustentar o que diz.

O que é imoral, neste caso?

Embora o Supremo tenha condenado Genoíno, a lei dá ao deputado o direito de aguardar pelo exame de todos os recursos antes de considerar que o caso está encerrado. Junto com a liberdade, é a história de uma vida que está em jogo.

Ao contrário do que se poderia julgar do ponto de vista moral, ele tem o dever de resistir. A lei não lhe dá essa possibilidade por acaso. O necessário, para o esclarecimento de qualquer dúvida, de qualquer ponto de vista, é que que ele entre com seus recursos, que eles sejam ouvidos, examinados e conhecidos por todos. E a melhor forma de fazer isso é preservando seu mandato.

Vou adorar ouvir seus argumentos, na tribuna da Câmara. E vou adorar ouvir os argumentos contrários.

Será uma grande novidade. Em sete anos de investigações, o mensalão transformou-se no discurso de um lado só, uma única voz, uma única verdade. Cada advogado de defesa teve direito a um discurso de duas horas num julgamento que durou cinco meses. Isso impediu que dúvidas importantes, sobre Genoíno e sobre o mensalão, fossem discutidas e resolvidas. Nenhuma auditoria provou que os recursos usados pelo esquema do PT foram extraídos do Banco do Brasil. Não há sinal de desvio na Visanet, empresa que fazia os pagamentos para as agências de Marcos Valério. Ou seja: verdades que pareciam evidentes em 2005 teriam de ser examinadas, revistas e explicadas em 2012. Ou corrigidas, ou retiradas.

É por isso que o Congresso tem razão em debater suas prerrogativas e nossos moralistas de plantão erram quando tratam Marco Maia e seu provavel sucessor, Henrique Alves,como criadores de caso, encrenqueiros que jogam para a platéia. Se o artigo 55 não foi abolido – o que só os parlamentares tem o direito de fazer – é mais do que razoável que sua aplicação seja discutida. Um pouquinho de história, para quem tem a memória selecionada. A cronologia diz tudo neste caso. Ao longo de 7 anos de mensalão Congresso não moveu um dedo mínimo para atrapalhar a investigação. Tampouco cometeu qualquer gesto em direção ao STF que pudesse ser interpretado como ação indevida. Ficou silencioso em seu canto, respeitoso das atribuições de cada um. E é natural que queira ser respeitado, agora.

O ministro que decidiu a votação por 5 a 4 teve um voto oposto, em situação muito parecida.

Juízes não são obrigados a votar de modo identico a vida inteira.

Mas a democracia é um regime coerente.

Por isso a Constituição diz que o povo exerce o poder através de seus representantes eleitos. Esta frase não é enfeite, certo? O voto da maioria da população é o começo e o fim de tudo.
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A paz ainda não foi instaurada e precisei voltar!


Ainda hoje terei uma bomba para o povão de Colombo !
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POR QUE LULA?


Por Jefferson Lima

“Observei nas últimas semanas do ano de 2012 a forma como nosso ex presidente Lula vem sendo atacado pela oposição conservadora, coordenada pela mídia golpista que tenta desmoralizar a esquerda, o PT e todo nosso legado.

Essa oposição é a mesma que governou o Brasil durante anos, que articulou os golpes de 54 e 64, e que agora quer destruir a maior liderança política da história deste país. Esses mesmos “atores” que não foram capazes de apresentar um projeto nacional durante as décadas que governaram o Brasil desde a redemocratização, e que foram derrotados em 2002 por um ex operário.

Eu me pergunto quais são os reais motivos desse ódio da elite burguesa que tenta destruir nosso companheiro Lula?

1 - Não é fácil para eles aceitarem que Lula, como o primeiro ex-operário na história brasileira, tenha ocupado o posto mais importante da nação.

2 - Eles não aceitam que 40 milhões de brasileiros(as) tenham saído da linha de pobreza, através de programas como Fome Zero, Bolsa Família e pelo aumento real do salário mínimo.

3 - Eles não aceitam a criação da Secretaria Nacional de Juventude, do Conselho Nacional de Juventude, e que a juventude fosse incluída através de programas como ProUNI, Projovem, expansão das universidades, bolsa atleta.

4 - Eles não aceitam a criação de 14 universidades federais e 214 escolas técnicas em oito anos, além da entrada de 750 mil jovens no ensino superior por meio das bolsas do Programa Universidade para Todos(ProUni). Hoje, centenas de milhares de jovens negros, índios e pobres estão sendo os primeiros membros de suas famílias a contarem com o diploma universitário.

5 - Eles não aceitam que um nordestino e retirante posicione o Brasil no cenário da política mundial, e respeite os países da África e América Latina da mesma forma que respeita a Europa e os EUA.

 casa natal de Lula

6 - Eles não aceitam que 15 milhões de brasileiros(as) tenham assinado suas carteiras de trabalho no governo de Lula.

7 - Eles não aceitam que, no governo Lula, o Brasil tenha retomado o crescimento, reduzido a pobreza, a desigualdade social e investido na agricultura familiar, através do PRONAF (Programa de Apoio à Agricultura Familiar), seis vezes mais do que no de FHC.

Além de ter criado outros programas para a área, como o de Aquisição de Alimentos, que compra diretamente a produção dos agricultores. Por volta de 50% dos estabelecimentos de agricultura familiar estão no Nordeste.

8 - Eles não aceitam que, no Governo Lula, o PIB do país tenha batido recorde, que a inflação tenha sido sempre controlada e que se tenha executado importantes obras como a duplicação da BR 101, construção de novas refinarias e estaleiros no Brasil.

9 - Eles não aceitam o fim das privatizações e a participação popular direta nas discussões de políticas públicas através das 72 conferências nacionais realizadas durante os oito anos de governo Lula.

10 - Eles não aceitam a inclusão social do povo pobre, negro e indígena do Brasil através das cotas nas universidades.

11 - Eles não aceitam que grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas serão sediados no Brasil graças a articulação do ex-presidente Lula.

12 - Eles não aceitam a humildade, o diálogo, aprovação e a popularidade que Lula tem com o povo brasileiro. O ex-presidente representa a cara do povo do nosso país.

13 - Eles não aceitam que o PT, Lula e o povo brasileiro tenham elegido a primeira mulher presidenta deste país, e que ela tenha dado continuidade a todos os projetos de mudança do país iniciados na gestão de Lula.

Coloquei 13 pontos, mas poderia colocar outros milhares de motivos para justificar o ódio da direita que faz oposição ao Brasil. Foram muitas as transformações que o país passou e vem passando nos dias de hoje. Tudo isso graças ao trabalho do nosso companheiro Lula.

Somos nós, o povo, que não vamos aceitar e nos calar diante da injustiça que é a criminalização do ex-presidente Lula, do PT e de qualquer movimento social. Vamos continuar sempre na defesa da maior liderança popular da história do Brasil, e do maior partido da América Latina, para manter o rumo do nosso país e cada vez mais aprofundar as necessárias mudanças através do governo da presidenta Dilma.

Por fim, deixo uma frase do nosso guerreiro Lula ao final dos oito anos de governo: “Podem ficar certos de que, quando eu deixar a presidência , cada partícula das coisas que conquistamos terá tido a participação de todo povo brasileiro”.

FONTE: escrito por Jefferson Lima, Secretário Nacional de Juventude do PT. Transcrito no portal do PT (http://www.pt.org.br/noticias/view/artigo_por_que_lula_por_jefferson_lima)[Imagens do google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].
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SAFRA 2012/2013



Do blog do Rui Daher, no “Terra Magazine”

“Voltemos aos trilhos e trilhas agropecuários de 2013, embora, sabem todos, assim não corre o calendário das lavouras e criações em nosso clima subtropical, aliás, em certas regiões quase nada sub.

Produziremos de tudo muito e um pouco. Mais do que nossos recursos naturais, clima e espaço territorial, nisto mandam o mercado, aí entendidos consumo e preços.

Para a próxima safra, o bom e velho mercado de produtos, que este é mercado, o resto é escrituração, será bastante favorável. Até mesmo o clima promete poucas surpresas desagradáveis.

No plano interno, a garantia vem do crescimento do PIB, reflexos positivos nos empregos, renda e consumo e uma boa pitada de política. Afinal, a economia em 2013 ajudará muito a campanha eleitoral de 2014.

No plano externo, ajudam demanda voltando a crescer, preços estáveis em patamares altos e câmbio pouco mais ajustado.

Assim, ano a ano, o campo vai variando suas escolhas, movendo vocações regionais, tomando um gol contra aqui, dando uma goleada acolá.

Grãos, cana-de-açúcar, café e, infelizmente se esvaindo, laranja, juntos, ocupam 93% da área plantada com lavouras.

Segundo a CONAB, “Companhia Nacional de Abastecimento”, o Brasil terá plantado 52 milhões de hectares (+2%) para colher, em 2013, 180 milhões de toneladas de grãos (+8%). Um recorde.

Entram aí, desde os expressivos, na ordem, soja, milho (duas safras), arroz, trigo, algodão e feijão (três safras), que representam 99% da produção, até sorgo, aveia, cevada, amendoim, triticale, girassol, mamona, canola e centeio, também na ordem.

Viram? Fazemos quase tudo. Inclusive, talvez, o que não se deveria, caso houvesse planejamento agrícola.

Deles, apenas o algodão passará por horrores, com os preços em dramática queda. Tanto que seu plantio já caiu quase 30%.

Os demais grãos, sobretudo soja e milho, voltados também para o mercado externo, com o aperto dos estoques mundiais, manterão bons preços, ainda que abaixo do pico.

Para a cana-de-açúcar, na safra 2012/13, entregamos 8,5 milhões de hectares de terra (+2%) para produzir 600 milhões de toneladas do produto (+6%).

Um clima melhor do que nas duas safras anteriores fez aumentar a produtividade média para 70 t/ha. Ainda é muito baixa. Há regiões com alta aplicação de tecnologia que alcançam 100 t/ha.

A queda nos preços internacionais do açúcar e a política interna de preços dos combustíveis estão nas justificativas do setor para diminuir seus investimentos em tecnologia e aumento na capacidade de moagem.

O café teve, no ano passado, a maior colheita de sua história (51 milhões de sacas). Neste ano, de baixo ciclo, deverá ter queda de 10%.

Há controvérsias. As floradas foram atraentes e os chumbinhos pegaram bem. Nesta época do ano, contudo, as corretoras mundiais brincam de esconde-esconde para atiçar o sentido das cotações. Ruim não será.

Situação péssima mesmo é a da citricultura, que não bastassem guerras internas envolvendo indústria, produtores e dezenas de associações especializadas em promover uma paz nunca alcançada, afetada por fantástica queda no consumo de suco de laranja, altos estoques e baixas cotações.

O complexo das carnes lida com demanda ainda acesa e oferta equilibrada. Mesmo com o boi brasileiro em suspeita e os frangos e suínos sofrendo altos custos de produção, ninguém deixará de ganhar dinheiro e crescer na atividade.

Mas e aí? Nenhum vilão para trazer alguma emoção a esse roteiro?

Claro que sim. Sem eles, o que fariam os super-heróis?

Existe uma concentração brutal no setor de insumos para a agropecuária. É um fato mundial que inclui e, pior, realça o Brasil. Preços são administrados para maximizar os lucros da indústria e diminuir os da produção de alimentos, fibras e energia. No próximo capítulo.”
 
FONTE: do “blogdoruidaher”, no portal “Terra Magazine” http://terramagazine.terra.com.br/blogdoruidaher/blog/2013/01/04/perspectivas-para-a-agropecuaria-na-safra-20122013/[Imagem do google adicionada por este blog ‘democracia&política’].

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