'Em vários momentos, ela (Rose) me deu acesso a ele (Lula)'

Ex-vice-presidente do BB confirma encontros com ex-chefe de gabinete

BRASÍLIA - Ex-vice-presidente de Governo do Banco do Brasil, Ricardo Oliveira confirmou ontem que se reunia com frequência com Rose e diz que o objetivo seria defender assuntos institucionais do BB junto a Lula. A agenda de Rose, diz "Veja", registra 16 encontros.

- Para nós, do BB, é muito importante ter acesso facilitado ao presidente e aos ministros - disse. - Em vários momentos, ela me deu acesso a ele (Lula) e isso foi bom para o banco.

Um desses assuntos teria sido convencer Lula a autorizar o BB a comprar a Nossa Caixa, que pertencia ao governo de São Paulo, comandado pelo PSDB. Uma corrente do governo federal era contra, argumentando que a operação fortaleceria os tucanos.

Segundo Oliveira, a proximidade com Rose também servia para que Lula prestigiasse eventos do banco, como o comparecimento dele a uma reunião de 1.800 gerentes, em São Paulo, em março de 2010.

Oliveira não confirma que, em troca da intermediação dos pleitos do BB, Rose pedia ingressos para shows e eventos.

Em nota, a assessoria do BB declarou que a relação do banco "sempre foi estabelecida de forma institucional com a ex-chefe do gabinete da Presidência em São Paulo". E lembrou que o escritório da Presidência funciona no mesmo prédio da sede do BB na capital paulista.

Fonte: O Globo
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O poder oculto de Rose

A agenda de Rosemary Noronha, a amiga de Lula, revela sua influência no Banco do Brasil, nos fundos de pensão e no trato com empresários poderosos

Não era bem o que parecia. Quando o nome de Rosemary Nóvoa de Noronha veio a público com a deflagração da Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, a amiga íntima do ex-presidente Lula e então chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo não passava de uma "petequeira". A expressão, cunhada pelo ex-deputado Roberto Jefferson para designar funcionários públicos que se deixam corromper em troca de ninharia, parecia feita para ela. Rose, como é conhecida, foi acusada de integrar uma quadrilha especializada em fraudar pareceres oficiais para beneficiar empresários trambiqueiros. Defendia os interesses dos criminosos no governo e, em contrapartida, tinha despesas pagas por eles — de cirurgia plástica a prestações de carro. A versão da petequeira foi providencialmente adotada pelo PT. Rose, ventilou o partido, agiria apenas na arraia-miúda do governo e sem nenhuma relação com a sigla. Eis uma tese que os fatos vêm insistindo em derrubar.

No mês passado. VEJA revelou que a amiga de Lula usava o cargo para agendar reuniões com ministros de estado: abria as portas, inclusive de gabinetes no Palácio do Planalto, a interesses privados. Agora, descobre-se que sua área de atuação abrangia também setores de orçamentos bilionários, como o Banco do Brasil (BB) e o fundo de pensão de seus funcionários, a Previ. Rose, a petequeira, participou ativamente das negociações de bastidores que definiram a sucessão no comando tanto do BB quanto no da Previ, defendeu pleitos de caciques do PT junto à cúpula do banco e atuou como lobista de luxo de empresários interessados em ter acesso à direção e ao caixa da instituição. Sua agenda de compromissos como chefe do gabinete da residência em São Paulo, obtida por VEJA. mostra que, graças à intimidade com o então presidente, a mulher que num passado não muito remoto era uma simples secretária se transformou numa poderosa personagem do governo Lula. Com integrantes da cúpula do BB, em cujas dependências funcionava o gabinete que chefiava, suas audiências eram corriqueiras. De 2007 a 2010, foram pelo menos 39 reuniões com ocupantes de postos importantes da hierarquia do banco. Apenas com vice-presidentes do BB, ela se reuniu 28 vezes. A explicação para tantos encontros: Rose usava a proximidade com Lula para influir nas decisões que envolviam o Banco do Brasil, inclusive sobre quem deveria ser escolhido para ocupar cargos de direção. Ela era frequentemente procurada e bajulada pela cúpula da instituição, interessada em fazer com que seus pleitos chegassem ao ex-presidente da República.

"A Rose levava as demandas institucionais do banco para o presidente. Esse contato direto foi muito positivo", admite Ricardo Oliveira, vice-presidente do BB até o ano passado e até hoje um dos mais fiéis aliados do presidente do banco, Aldemir Bendine. A agenda de Rose registra dezesseis reuniões com Oliveira. Ele conta que a lista de serviços que ela prestou à cúpula da instituição incluiu missões espinhosas. Segundo Oliveira, Rose foi acionada, por exemplo, como ponta de lança da ofensiva destinada a convencer Lula a autorizar o BB a comprar a Nossa Caixa, um negócio de 5,3 bilhões de reais. Prestigiada, operou no processo que resultou na escolha do próprio Bendine, em 2009, para o comando do banco. Na ocasião, intercedeu junto a Lula por dois candidatos ao posto: Bendine e Ricardo Flores, petista que ocupava uma das vice-presidências da instituição. Preterido, o companheiro Flores — sempre com a providencial ajuda de Rose — ganhou a presidência da Previ. fundo de pensão que tem uma carteira de investimentos de 150 bilhões de reais. Flores e Rose se tomaram amigos — mas só até a Operação Porto Seguro estourar. Agora, ele diz: "Eu não me lembro dessas audiências com a Rose" Bendine, embora não tivesse seus encontros registrados, também costumava se reunir com ela, mas preferia deixar os assuntos mais comezinhos a cargo de Ricardo Oliveira, seu fiel escudeiro. Na luta por poder dentro do banco, Rose chegou a costurar um acordo, jamais cumprido, pelo qual Flores sucederia a Bendine no comando do BB. O fracasso do acerto acabou por minar a unidade do grupo. Bendine e Flores viraram inimigos figadais. Para refrear a guerra, a presidente Dilma Rousseff demitiu Ricardo Oliveira do BB e Ricardo Flores da Previ. Em troca do acesso privilegiado a Lula, Rose cobrava um tratamento à altura de seu prestígio. Pedia ingressos para shows, eventos em resorts e almoços em restaurantes caros patrocinados pelo banco. Mas não era só. A investigação da PF já havia revelado um contrato de 1,2 milhão de reais firmado sem licitação entre uma subsidiária do Banco do Brasil e uma empresa de fundo de quintal registrada em nome de familiares da ex-secretária.

Agora, sua agenda dá pistas que podem ser úteis à polícia: no mesmo período em que o contrato era negociado, Rose teve reuniões, no gabinete da Presidência, com funcionários do banco encarregados justamente da área onde ela arrumou a boquinha — entre eles, José Salinas, vice-presidente de tecnologia do BB até junho de 2010. A pedido do amigão e ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, Rose chegou a advogar pela permanência de Salinas no posto. Não foi atendida — ninguém ganha todas. Mas o pupilo de Dirceu não ficou na chuva. Salinas hoje despacha em Nova York como gerente regional do BB na América do Norte. Em nota, o Banco do Brasil afirmou que a relação da instituição com Rosemary Noronha sempre foi institucional.

A agenda de Rose mostra suas incursões em outras áreas sensíveis. Ela registrou, por exemplo, um encontro em março de 2009 com o então ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), José Antonio Dias Toffoli, companheiro petista nomeado depois para o Supremo Tribunal Federal — no registro, fez constar que seria uma audiência para "despacho". Os apontamentos revelam certa proximidade de Rose com Toffoli: além de marcar presença em sua posse no Supremo, ela recebeu, em São Paulo, o chefe do gabinete do ministro no tribunal. Chama atenção a diversidade de áreas por onde Rose transitava. E as suspeitas decorrentes daí são inevitáveis. É de indagar, por exemplo, por que a chefe administrativa do gabinete presidencial em São Paulo despachava com dirigentes de fundos de pensão de estatais. Com Newton Carneiro, diretor administrativo e financeiro da Petros, o multimilionário fundo dos servidores da Petrobrás, foram cinco reuniões entre 2009 e 2011.

Nesse mesmo período, houve outros dois encontros com um emissário da presidência da Funcef, fundo de pensão dos servidores da Caixa Econômica Federal. As reuniões com empresários, muitos deles com interesses diretos no governo, eram igualmente frequentes. Com aval de Brasília, Rose se encarregava até de dar as boas-vindas a empresas estrangeiras recém-chegadas ao país. Foi assim com a Boiron, multinacional do setor de medicamentos, cuja representante no Brasil se reuniu duas vezes com a ex-secretária em 2009. A empresa francesa, com negócios em oitenta países, diz que foi recebida por Rose para "apresentar o seu projeto para o Brasil". Hã? Isso mesmo. O rol de compromissos inclui ainda representantes de uma companhia japonesa, bancos privados, empresas aéreas e associações empresariais. Coisa digna de ministra de estado. Petequeira?

Fonte: Revista Veja
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Sigilo cerca despesa oficial com cartões

Quase metade dos gastos (46,2%) com cartões corporativos do governo federal foi mantida em sigilo em 2012, ano em que a Lei de Acesso à Informação entrou em vigor no País. A justificativa é que são informações estratégicas para a segurança da sociedade e do Estado, informa a repórter Alana Rizzo. Ao todo, os portadores dos mais de 13 mil cartões de pagamento gastaram, de forma secreta, R$ 21,3 milhões dos R$ 46,1 milhões pagos.

46% dos gastos via cartão corporativo do governo são mantidos em segredo

Administração. Presidência da República e órgãos oficiais de investigação, como Abin e Polícia Federal, são os que mais recorrem ao sigilo de despesas sob o argumento de que as informações são estratégicas para a segurança da sociedade e do Estado brasileiro

Alana Rizzo

Em 2012, ano em que a Lei de Acesso à Informação entrou em vigor, quase metade dos gastos com cartões corporativos do governo federal foi mantida em segredo, O argumento é que são informações estratégicas para a segurança da sociedade e do Estado brasileiro.

Entre janeiro e setembro, 46,2% das despesas via cartão foram classificadas como sigilosas - as informações referentes aos meses finais de 2012 ainda não foram enviadas pelo Banco do Brasil à Controladoria-Geral da União (CGU) para divulgação no Portal da Transparência do governo.

Ao todo, na administração pública, os portadores dos mais de 13 mil cartões de pagamento do governo espalhados pelo País gastaram, de forma secreta, R$ 21,3 milhões dos R$ 46,1 milhões pagos pelo chamado suprimento de fundos. A maioria é de compras e saques da Presidência da República, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Polícia Federal. Na Presidência, 95% das despesas com cartões são sigilosas.

Pela legislação, o uso do chamado suprimento de fundos - ou seja, os cartões - não é regra e deve ser usado como exceção e em casos de despesas excepcionais ou de pequeno vulto, como compra de material de consumo e contratação de serviços.

A Abin diz que utiliza o cartão de forma "ostensiva" para atender às demandas administrativas de 26 superintendências esta¬duais vinculadas. O Gabinete de Segurança Institucional, a quem a Abin é subordinada, afirma que os cartões de pagamento são usa¬dos em ações de caráter sigiloso em conformidade com a lei.

A Polícia Federal, órgão sub¬metido ao Ministério da Justiça, cujos gastos secretos por meio de cartão corporativo são altos, não quis comentar o assunto.

A Secretaria de Administração, responsável pela gestão dos cartões da Presidência, informou que os cartões corporativos se destinam a atender as despesas eventuais de pronto pagamento e que, por sua excepcionalidade, não podem se subordinar ao pro¬cesso normal de empenho. A Vice-Presidência da República, que gastou R$ 537,8 mil com os cartões, informou que não poderia responder aos questionamentos da reportagem porque seus servi¬dores estavam em recesso.

Sem amparo legal específico, a fiscalização das despesas sigilosas é compartilhada dentro do governo. Cabe à Secretaria de Controle Interno (Giset) da Secretaria-Geral acompanhar os gastos relacionados à Presidência da República, incluindo a Abin. Já as despesas da PF são fiscalizadas pela Controladoria-Geral. No entanto, os relatórios de contas da Ciset e da CGU revelam que os órgãos utilizam artifícios para burlar o controle e não divulgar os gastos.

Atraso. Os últimos dados disponíveis na página da CGU são de setembro. Até a última sema¬na, o portal estava desatualizado e divulgava informações referente à fatura de maio, um atraso de mais de seis meses na divulga¬ção de informações públicas.

O sigilo e a demora na publicação dos dados vai na contramão da Lei de Acesso e do compro-misso assinado pela presidente Dilma Rousseff de implantação do projeto Governo Aberto. Durante a abertura da 1.a Conferência de Alto Nível Parceria para o Governo Aberto (OGP) em abril do ano passado, Dilma ressaltou o "grande compromisso" do go¬verno com a transparência e destacou o Portal da Transparência. "O Portal divulga todas as despesas do governo federal em base diária e nos mínimos detalhes. Quem acessá-lo nesta manhã verá que todos os gastos realizados até a noite de ontem estão lá ex¬postos e configurados."

Em nota, a CGU informou que o Banco do Brasil é o responsável pelo envio dos dados e a Controladoria, pela publicação. O atra¬so, segundo o órgão, foi causado por "problemas de ordem técnica" ocorridos no processamento das informações no mês de julho, o que prejudicou a atualização dos meses subsequentes. O banco alegou que a demora foi provo¬cada por mudanças no sistema dos cartões.

Incorporados ainda no governo Fernando Henrique Cardoso com o objetivo de diminuir os gastos e dar mais transparências às contas, os cartões corporativos provocaram uma crise em 2008. Denúncias de mau uso, incluindo o pagamento de despesas pessoais e saques sem justificativas, levaram a então titular da Secreta¬ria da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, a pedir demissão. Uma CPI foi criada no Congresso. A ex- ministra será secretária adjunta de Netinho de Paula na pasta da Promoção da Igualdade Racial na gestão de Fernando Haddad (PT) na Prefeitura de São Paulo.

Fonte: O Estado de S. Paulo
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Maquiagem de R$ 200 bi garantiu meta do governo

Sem artifício usado com bancos públicos, despesas iriam a R$ 1 trilhão em 2012

Especialistas criticam a "contabilidade criativa" usada nas contas públicas para atingir o superávit fiscal de 3,1% do PIB. Injeção de recursos no BNDES criou subsídio de R$ 15 bilhões.

Maquiagem de R$ 200 bilhões para alcançar meta fiscal preocupa mercado e investidores

BRASÍLIA - Se o Brasil está muito longe do abismo fiscal que os EUA chegaram a ver de perto, algumas fissuras começam a surgir. Malabarismos contábeis e os novos rumos das contas públicas despertam desconfiança e já preocupam o mercado financeiro e investidores. Para analistas ouvidos pelo GLOBO, o governo vem criando mecanismos perigosos para estimular o crescimento econômico com impacto importante nos cofres públicos. As despesas primárias (que não consideram gastos com juros) flertam com a cifra inédita do trilhão. Segundo o especialista em contas públicas do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) Mansueto Almeida, sem os artifícios contábeis, essas despesas, que devem fechar 2012 próximas de R$ 800 bilhões, já poderiam ter batido R$ 1 trilhão. Ou seja, cerca de R$ 200 bilhões mais altas.

Mesmo assim, o Executivo ainda precisou lançar mão do abatimento de R$ 25 bilhões a que tem direito com gastos em investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para poder cumprir a meta de superávit primário (economia feita pelo governo para pagar juros) de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pleo país) prevista para 2012. A justificativa está no fato de o país ter tido um ano difícil, com frustração de arrecadação e sucessivas reduções de tributos para tentar reaquecer a economia em meio à crise internacional.

Para estimular o consumo e novos investimentos, em vez de aumentar o capital dos bancos públicos e das estatais, o governo preferiu emitir títulos públicos para reforçar o caixa dessas instituições. Com isso, esses recursos não são caracterizados como despesa primária, como aconteceria se tivesse simplesmente registrado as capitalizações pelas vias tradicionais. Mansueto destaca que a dívida dos bancos públicos federais com o Tesouro Nacional, que passa ao largo do resultado das contas públicas, saltou de R$ 10 bilhões em 2007 para nada menos que R$ 400 bilhões em 2012.

- Isso significa que, se a metade desse valor tivesse sido usada para capitalizar esses bancos pelas vias tradicionais, as despesas já teriam chegado a R$ 1 trilhão - explica o especialista.

Responsabilidade fiscal sob risco

Outro mecanismo usado pelo governo, que compõe o arsenal que os especialistas vêm chamando de contabilidade criativa, é o uso dos lucros dos bancos públicos e os dividendos pagos pelas estatais para engordar o caixa do Tesouro Nacional. Se as capitalizações não são computadas como despesas, estas duas rubricas são registradas como receitas primárias. Ou seja, o governo empresta sem caracterizar despesas e recebe de volta como receita. Para fechar a conta ano passado, o governo chegou a antecipar o pagamento de dividendos do BNDES e da Caixa Econômica ao Tesouro Nacional.

As sucessivas injeções de recursos no BNDES, como a anunciada na semana passada, não contam como despesas. Porém, elas representam um subsídio implícito (a diferença dos juros de captação do banco e das taxas que empresta) de R$ 15 bilhões só em 2012, o que tampouco é computado como gasto. O valor equivale ao orçamento de um ano do programa Bolsa Família, que atende 45 milhões de pessoas.

O governo enviou ao Congresso Nacional no último dia do ano passado um projeto que permite novos gastos com desonerações fiscais que não estão previstas no Orçamento, desde que as receitas públicas sejam maiores do que o esperado. Neste caso, elas não precisam ser submetidas aos parlamentares como seria de praxe. A medida é vista com desconfiança por analistas, que veem risco a um dos princípios fundamentais da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

O que mais preocupa estes especialistas é a falta de transparência do governo para lidar com as contas públicas. Para o especialista José Roberto Affonso, ao usar artifícios fiscais, o governo mina a credibilidade que levou anos para conquistar junto a mercado e investidores.

- Não está proibido na LRF reduzir a meta de superávit em períodos de crise, ou até mesmo, fazer um saldo negativo, o que seria mais do que justificável em anos de crise. O que não pode é tentar negar que está fazendo malabarismo fiscal quando todos estão vendo - disse Affonso.

- Trata-se de um expansionismo envergonhado, porque ninguém admite publicamente que está aumentando as despesas e que isso terá um impacto sobre o resto da economia num futuro não distante - acrescenta Felipe Salto, especialista em contas públicas da Tendências.

Juros mais baixos e incentivos tributários

De janeiro a novembro de 2012, o aumento das despesas primárias foi de R$ 80 bilhões. Deste total, só R$ 10 bilhões correspondem aos investimentos públicos, dos quais R$ 5 bilhões são recursos do programa Minha Casa Minha Vida, que conta com dinheiro do FGTS do trabalhador. De 1999 a 2011, as despesas primárias saltaram de R$ 337,9 bilhões para R$ 724,4 bilhões.

Um técnico da equipe econômica diz que as críticas à política fiscal não consideram indicadores positivos da economia nem benefícios, como a queda dos juros básicos, incentivos fiscais ao setor produtivo e cortes nas tarifas de energia. Para ele, a queda de dívida líquida federal de 60%, na década de 80, para 45,5%, em 2007, e 35%, em 2012 é um sinal de bons resultados da política fiscal. Ele lembra que a credibilidade do país lá fora se comprova pelas menores taxas de captação registradas para os bônus de 2023 no mês passado no mercado internacional.

Para o professor Adolfo Sachsida, do Ipea, a fatura da folia fiscal virá em 2015. E com o Orçamento engessado, o governo poderá ter de usar expedientes que representam um retrocesso como, por exemplo, fazer o ajuste das contas públicas por meio de uma inflação mais alta.

Fonte: O Globo
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Dilma acelera criação de empresas estatais

Quatro delas foram abertas nos últimos dois anos pelo governo federal

Governo acelera a criação de estatais que não geram receita

Das dez empresas concebidas desde Lula, só uma já tem perspectiva de operar de forma independente

Empresa que nunca funcionou e incluída em plano de desestatização gastou R$ 110 mil para remunerar conselheiros

Gustavo Patu, Breno Costa

BRASÍLIA - A prática de criar estatais foi ressuscitada pela administração petista e acelerada pela presidente Dilma Rousseff, mas a maior parte das novas empresas está longe de fazer jus a essa qualificação.

Levantamento feito pela Folha mostra que, em uma década, os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma deram à luz dez estatais, quatro delas nos últimos dois anos -não foram incluídas na conta subsidiárias de empresas preexistentes, como a CaixaPar, o Banco Popular e a recém-lançada Infraero Serviços.

Da lista, apenas uma já deu os primeiros passos rumo à geração de receitas suficientes para financiar seus investimentos e operações: a Hemobrás, fundada em 2004 para fabricar e vender medicamentos derivados do sangue.

As demais ou não saíram do papel ou são mantidas com recursos da arrecadação de tributos como uma repartição pública.

Aprovada por lei no mês passado, a EPL (Empresa de Planejamento e Logística) já está classificada pelo Ministério do Planejamento entre as estatais dependentes do Tesouro Nacional, ao lado de outras cinco criadas nos governos do PT.

Trem-bala

A EPL tomou o lugar da Etav, uma breve empresa criada no ano anterior exclusivamente para viabilizar o trem-bala nacional -e que, de um orçamento de R$ 166 milhões, desembolsou apenas R$ 3 milhões com salários e despesas administrativas.

Também necessitam do dinheiro do contribuinte a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), a EBC (Empresa Brasil de Comunicação), o Ceitec (Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada), a EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) e a Amazul (Amazônia Azul Tecnologias de Defesa).

A maior delas, a EBC, não é propriamente uma novidade: surgiu em 2007 a partir de uma ampliação da antiga Radiobrás. No ano passado, segundo dados preliminares, ela gerou cerca de R$ 70 milhões em receitas com os serviços de radiodifusão, mas suas despesas ultrapassaram os R$ 400 milhões.

Criado em 2008 para fabricar chips eletrônicos, o Ceitec informou uma receita de R$ 300 mil no ano passado com a venda de seus produtos para a iniciativa privada. A legislação considera microempresas aquelas com receita anual até R$ 360 mil.

Outras duas estatais estabelecidas por lei nos últimos anos ainda não existem na prática: a PPSA, concebida para explorar o petróleo do pré-sal, e a ABGF, apelidada de Segurobras, para garantir obras de infraestrutura.

Legado esportivo

O caso mais inusitado é o da Brasil 2016, ou Empresa Brasileira de Legado Esportivo, criada no final do governo Lula para desenvolver projetos ligados à Olimpíada do Rio de Janeiro. Descartada antes de esboçar qualquer iniciativa, ela foi incluída no Programa Nacional de Desestatização.

Mesmo sem nunca ter entrado em operação, registrou como único gasto em seu balanço R$ 110 mil para remunerar conselheiros.

A Hemobrás, até agora, é a única incluída no orçamento federal de investimentos, que reúne as empresas utilizadoras de recursos próprios, como a Petrobras, a Eletrobras e os bancos públicos.

Ela recebeu aportes do Tesouro Nacional para a abertura de uma fábrica em Pernambuco, ainda não concluída. De um orçamento de R$ 264 milhões em 2012, R$ 50 milhões foram investidos até outubro.

Fonte: Folha de S. Paulo
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