NOVAS BOAS NOTÍCIAS DA PETROBRAS



“A Petrobras apresentou, no dia 28 de dezembro, à ‘Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis’ (ANP), as ‘Declarações de Comercialidade’ das acumulações de petróleo e gás das áreas de "Aruanã" e "Oliva", localizadas na concessão BM-C-36, no bloco C-M-401, no pós-sal da Bacia de Campos.

Na proposta encaminhada à ANP, a Petrobras sugeriu que a acumulação de “Aruanã” seja denominada campo de “Tartaruga Verde” e a acumulação de “Oliva” receba o nome de “Tartaruga Mestiça”.

As estimativas de volumes recuperáveis totais para esses novos campos estão indicados na tabela abaixo:

A acumulação “Tartaruga Verde” está localizada a 127 km da cidade de Macaé, na costa do estado do Rio de Janeiro. Situa-se em lâmina d´água de 976 metros, a uma profundidade de 2.993 metros, com contato óleo/água (O/A) constatado a 3.123 metros.

A acumulação “Tartaruga Mestiça” encontra-se a, aproximadamente, 0,5 km a Nordeste de “Tartaruga Verde”, em lâmina d´água de 934 metros, a uma profundidade de 2.870 metros, com contato O/A constatado a 3.064 metros.

Ambas as acumulações apresentam óleo de boa qualidade (27º API) e estão localizadas em reservatórios carbonáticos, de idade Albiano.

A Petrobras também encaminhou à ANP o relatório final do “Plano de Avaliação da Descoberta” – PAD (1-BRSA-713-RJS – poço descobridor), iniciado em 2010, cujo programa exploratório culminou na delimitação dessas duas acumulações.

Durante o período do PAD, foram perfurados cinco poços, sendo três na área de “Tartaruga Verde” e dois na área de “Tartaruga Mestiça”. Além desse esforço exploratório, foram realizados quatro “testes de formação a poço revestido” (TFR) e dois “testes de longa duração” (TLD). Os resultados desses TLD´s mostraram excelente produtividade e revelaram informações sobre as propriedades dos reservatórios que serão fundamentais para a otimização dos “Planos de Desenvolvimento” (PD).

As “Declarações de Comercialidade” desses novos campos foram antecipadas em mais de seis meses, considerando que o prazo final do Plano de Avaliação era 30 de junho de 2013. Essa situação referenda a possibilidade de colocar em produção definitiva essas áreas no ano de 2017, conforme previsto no Plano de Negócios e Gestão 2012-2016 da Companhia. A Petrobras detém 100% de participação nesses campos de petróleo.”

POÇO “CARCARÁ” CONFIRMA GRANDE POTENCIAL DE BLOCO, NO PRÉ-SAL DA BACIA DE SANTOS

“A Petrobras comunica que foi concluída a perfuração do poço 4-SPS-86B (4-BRSA-971-SPS), localizado no bloco BM-S-8, em águas ultraprofundas, no pré-sal da Bacia de Santos. Este é o terceiro poço perfurado na área do “Plano de Avaliação da Descoberta” (PAD) do 1-BRSA-532A-SPS (“Bem-te-vi”).

O poço, informalmente conhecido como “Carcará”, está localizado a 232 quilômetros da costa e foi perfurado em profundidade d’água de 2027 metros. A partir de 5.742 metros de perfuração, foi identificada uma expressiva coluna de, pelo menos, 471 metros de óleo de ótima qualidade – de 31° API e sem a presença de contaminantes como CO2 e H2S – com 402 metros em reservatórios de excelentes características de porosidade e permeabilidade. Dados de pressão obtidos indicam que esses reservatórios estão interconectados.

Por questões operacionais, não foi possível atingir a profundidade final, prevista originalmente para 7 mil metros, e executar os trabalhos complementares de avaliação. Diante disso, o poço foi abandonado provisoriamente, o que permite a retomada da operação futuramente, caso o consórcio tenha interesse.

Os inúmeros dados coletados do poço – perfis, amostras laterais, fluidos e pressões -, bem como análises petrofísicas, aliados ao conhecimento e experiência da Petrobras em testes de formação e de longa duração em reservatórios do pré-sal, reforçam a expectativa de elevado potencial de vazão de óleo nos reservatórios perfurados. Isso será comprovado com a continuidade das atividades exploratórias na área, que inclui a perfuração de um poço de extensão em 2013, quando será possível avaliar a produtividade dos reservatórios por meio de um teste de formação.

A produção do primeiro óleo de “Carcará” está prevista para 2018, com a prévia perfuração de poços de desenvolvimento ao longo de 2016-2017, seguindo o que estabelece o “Plano de Negócios para o período 2012-2016” e o “Planejamento Estratégico da Petrobras para 2020”.

A Petrobras é operadora do consórcio (66%) em parceria com a Petrogal Brasil (14%), Barra Energia do Brasil Petróleo e Gás Ltda. (10%) e Queiroz Galvão Exploração e Produção S.A. (10%).

Diante do potencial de “Carcará”, o consórcio solicitou à “Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis” (ANP) a extensão do prazo do “Plano de Avaliação da Descoberta’ (PAD) de “Bem-te-vi”, onde o poço está localizado, que venceria ao final de 2012. O consórcio aguarda decisão da ANP sobre o assunto.”

NOVA DESCOBERTA NO PÓS-SAL DE “MARLIM SUL”, NA BACIA DE CAMPOS


“A Petrobras informa que descobriu nova acumulação de petróleo em reservatório do pós-sal, em águas ultraprofundas da Bacia de Campos (RJ).

A descoberta foi feita pelo poço 4-MLS-105D-RJS, informalmente conhecido como “Mandarim”, que está localizado no campo de “Marlim Sul”, a cerca de 126 km da costa do Estado do Rio de Janeiro, em profundidade de água de 1.874 m.

A acumulação ocorre em reservatórios arenosos, de idade eocênica, a aproximadamente 2.965 m de profundidade. Estimativas preliminares indicam uma coluna de hidrocarboneto de aproximadamente 100 m, com qualidade de petróleo similar ao produzido no campo de “Marlim” (13 a 16 graus API). A previsão é que os testes para avaliar a produtividade do reservatório sejam concluídos em 2013.

O poço está localizado em área próxima à plataforma P-56, que opera atualmente no campo de “Marlim Sul”, onde já há estrutura instalada de produção e de escoamento, o que permitirá acelerar sua entrada em produção, que poderá ocorrer no ano de 2014

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10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil

Por Emir Sader - Carta Capital
Em primeiro de janeiro de 2013, se cumprem 10 anos desde a posse do governo Lula, que teve continuidade na sua reeleição em 2006 e na eleição da Dilma em 2010. Dessa maneira se completa uma década de governos que buscam superar os modelos centrados no mercado, no Estado mínimo nas relações externas prioritariamente voltadas para os Estados Unidos e os países do centro do sistema.
São governos que, para superar a pesada herança econômica, social e política recebida, priorizam, ao contrário, um modelo de desenvolvimento intrinsecamente articulado com políticas sociais redistributivas, colocando a ênfase nos direitos sociais e não nos mecanismos de mercado. Buscam o resgate do Estado como indutor do crescimento econômico e garantia dos direitos sociais de todos. Colocam em prática políticas externas que dirigem seu centro para os processos de integração regional e os intercâmbios Sul-Sul e não para Tratados de Livres Comércio com os EUA.
Os resultados são evidentes. O Brasil, marcado por ser o país mais desigual do continente mais desigual do mundo, vive, pela primeira vez com a intensidade e extensão atuais, profundos processos de combate à pobreza, à miséria e à desigualdade, que já lograram transformar de maneira significativa a estrutura social do país, promovendo formas maciças de ascensão econômica e social, com acesso a direitos fundamentais, de dezenas de milhões de brasileiros.
Dotando o Estado brasileiro de capacidade de ação, estamos podendo reagir aos efeitos recessivos da mais forte crise econômica internacional das ultimas oito décadas, mantendo – mesmo se diminuído – o crescimento da economia e estendendo, mesmo em situações econômicas adversas, as políticas sociais redistributivas.
Por outro lado, políticas externas soberanas projetaram o Brasil como uma das lideranças emergentes em um mundo em crise de hegemonia, com iniciativas coletivas e solidárias, com propostas que apontam para um mundo multipolar, centrado em resoluções políticas pacíficas dos focos de conflitos e em formas de cooperação solidária para o desenvolvimento das regiões mais atrasadas.
No entanto, esses governos recebem uma pesada herança de um passado recente de enormes retrocessos de todo tipo. O Brasil – assim como a América Latina – passou pela crise da dívida, que encerrou o mais longo ciclo de crescimento econômico da nossa história, iniciado nos anos 1930 com a reação à crise de 1929. Sofreu os efeitos da ditadura militar, de mais de duas décadas, que quebrou a capacidade de resistência do movimento popular, preparando as condições para o outro fenômeno regressivo. Os governos neoliberais, de mais de uma década – de Collor a FHC – completaram esse processo regressivo do ponto de vista econômico, social e ideológico.
Assim, Lula não retoma o processo de desenvolvimento econômico e social onde ele havia sido estancado, mas recebe uma herança que inclui não apenas uma profunda e prolongada recessão, mas um Estado desarticulado, uma economia penetrada pelo capital estrangeiro, um mercado interno escancarado para o mercado internacional, uma sociedade fragmentada, com a maior parte dos trabalhadores sem contrato de trabalho.
O segredo do sucesso do governo Lula, seguido pelo de Dilma, está na ruptura em três aspectos essenciais do modelo neoliberal:
- a prioridade das políticas sociais e não do ajuste fiscal, mantido em funções dessas políticas
- a prioridade dos processos de integração regional e das alianças Sul-Sul e não de Tratado de Livre Comércio com os EUA
- a retomada do papel do Estado como indutor do crescimento econômico e garantia dos direitos sociais, deslocando a centralidade do mercado pregada e praticada pelo neoliberalismo.
Essas características constituem o eixo do modelo posneoliberal – comum a todos os governos progressistas latino-americanos -, que faz do continente um caso particular de única região do mundo que apresenta um conjunto de governos que pretendem superar o neoliberalismo e que desenvolvem projetos de integração regional autônomos em relação aos EUA.
Foi uma década essencial no Brasil, não apenas pelas transformações essenciais que o país sofreu, mas também porque ela reverteu tendências históricas, especialmente à desigualdade, que tinham feito do Brasil o país mais desigual do continente mais desigual do mundo.
A década merece uma reflexão profunda e sistemática, que parta da herança recebida, analise os avanços realizados e projete as perspectivas, os problemas e o futuro do Brasil nesta década. Um livro com textos de 21 dos melhores pensadores da esquerda, que está sendo organizado por mim, deve ser lançado num seminário geral por volta de abril e, a partir desse momento, fazer várias dezenas de lançamentos e debates por todo o ano.
O projeto pretende promover discussões estratégicas sobre o Brasil, elevando a reflexão sobre os problemas que enfrentamos e projetando o futuro da construção de uma alternativa ao neoliberalismo.
Leia e divulgue o BLOG DA DILMA nas Redes Sociais.
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DEZ MOTIVOS PARA CRER QUE A ECONOMIA CRESCERÁ MAIS DO QUE O PREVISTO


Do blog do Rui Daher (transcrito no portal “Terra Magazine”)

“Antes de ir para o agronegócio, prefiro retornar às perspectivas para a economia, em 2013.

Leva-me a isso o cenário publicado no jornal “Valor” (02/01) que, depois de consultar vários analistas, aponta um crescimento acima de 3% neste e no próximo ano para o Brasil.

É um palpite na média. Típico de quem prefere não se expor nem errar demais. Alguns o chamarão de realista.

Como sei que é nenhuma a consequência de previsões sobre a economia que passam longe do alvo, prefiro seguir meus palpites, argumentos e intuição, para entrar no palco incentivado pelo grito de “Quebra tudo!”.

Em 29/11/2012, neste espaço pouco curtido, arrisquei palpite, infeliz para muitos, mas que, realizado e Fla-Flu à parte, traria felicidade a todos.

Um mês antes do vaticínio das consultoras siglas expostas ontem no “Valor”, mandei ver que acreditava num crescimento do PIB em torno de 5%, para este ano.

Escândalo! Quer aparecer! A ponto de um leitor assim comentar: “Rapaz, você periga ser o analista que mais distante passou da triste realidade. Pelo menos, um recorde para você, mesmo que negativo” (03/12/2012, 15h24).

Confesso que me comovi com o termo “rapaz”, mas vou logo dizendo que, àquela altura do campeonato, no calor da divulgação do “pibinho”, adivinhações tais estavam bem abaixo dos 3,0/3,5%, agora anunciados pelo jornal, o que me faz preocupado com a possibilidade de perder a primazia do recorde que me seria creditado.

Aos argumentos, então. Do lado de dentro:

1) Sou dos que acreditam que as medidas governamentais, primeiro de contenção e, recentemente, de incentivo à economia, começarão a mostrar seus efeitos já no primeiro trimestre deste ano;

2) Isso inclui a indústria de transformação que, precavida, até agora, não desempregou, e estará mais aliviada e confiante com taxas de juros menores, câmbio mais ajustado e BNDES disposto a financiar em longo prazo;

3) Com emprego e renda crescentes, aumentará o consumo das famílias;

4) Sim, a taxa de inflação não voltará ao centro da meta idealizado pela ortodoxia. Permanecerá ao redor do que foi em 2012;

Lá fora:

5) Estão consolidados os sinais de expansão industrial na China. O crescimento do PIB chinês poderá voltar à casa dos 9%;

6) Como previsto aqui, os EUA caminham para acertar sua pendenga fiscal, em 10 anos, não sei se “no cartão” democrata ou republicano;

7) Tanto o FMI como a OCDE estimaram, para os EUA, aumentos de 1,8%, em 2011, 2,2%, em 2012 e 2013, e 2,8%, em 2014. Para a maior economia do planeta, 1% a mais no crescimento é muita coisa;

8) A Europa, que despencou em 2012, neste ano, iniciará uma lenta recuperação (é previsto as economias avançadas crescerem 0,4% e as emergentes, 2%);

9) Situações que tendem a recuperar “o pior saldo da balança comercial desde 2002”, como rolam as manchetes de hoje.

Taí.

Uai, mas não eram 10 os motivos?

O último é o meu irrefreável otimismo com a agropecuária, acima não arrolado e de que falo amanhã.”

FONTE: publicado no blog do Rui Daher e transcrito no portal “Terra Magazine”. O autor é administrador de empresas, consultor da “Biocampo Desenvolvimento Agrícola”, produtor rural. Trabalhou por mais de 30 anos em empresas do agronegócio. Artigo transcrito no portal “Terra Magazine” (http://terramagazine.terra.com.br/blogdoruidaher/blog/2013/01/03/dez-motivos-para-crer-que-a-economia-crescera-mais-do-que-o-previsto/). [Imagens do google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].
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São Francisco do Oeste: Oposição elege novo Presidente do Legislativo e impõe derrota fragorosa à Prefeita, Gildene Barreto.


Em São Francisco do Oeste, a eleição interna para a escolha do novo Presidente da Câmara de Vereadores possibilitou que o grupo oposicionista impusesse uma derrota fragorosa à Prefeita, Gildene Barreto (PTB), que não logrou êxito ao tentar emplacar no comando do Legislativo a Vereadora "Bibia" (DEM).

Isto só aconteceu porque o Vereador, em tese governista, Cícero Gomes (DEM), aliou-se aos parlamentares da oposição, candidatou-se à presidência e, surpreendentemente, obteve todos os votos dos edis adversários da Chefe do Executivo.

Tal acontecimento tem gerado boatos, futricas e buxixos a respeito da, possível, conduta infiel do atual Presidente do Legislativo que teria "passado a perna" em todo o grupo governista (do qual ainda faz parte?) para comandar o Legislativo Oestense.

O que todos querem saber agora é se o parlamentar adotará uma postura de oposição ao "Governo Gildene Barreto", em retribuição ao apoio recebido pelos colegas oposicionistas (correndo o risco de ser punido por infidelidade partidária), ou se voltará a agir em consonância com o pensamento dos líderes governistas.

Com a palavra, o ilustre Presidente do Legislativo Oestense...
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O SETOR DO PETRÓLEO ATÉ 2012 E PERSPECTIVAS PARA O FUTURO

Getúlio Vargas, com petróleo brasileiro nas mãos

Publicado pelo “Correio da Cidadania” e transcrito no blog “de um sem mídia”

Por Paulo Metri, conselheiro do Clube de Engenharia

“O Brasil é um país com relativo baixo grau de soberania. Não cabe aqui descrever o conceito de soberania, que vai além do de defesa da nação, nem tampouco falar sobre as inúmeras vantagens de ser soberano. Entretanto, os governantes de um país com alto grau de soberania podem tomar livremente decisões benéficas para a sua sociedade, sendo o inverso também verdadeiro.

O grau de soberania evolui positiva ou negativamente no tempo. O grande salto que o setor de petróleo brasileiro conseguiu foi graças ao arcabouço institucional, contido na lei 2.004 de 1953, criado em um período de alto grau de soberania. Essa lei criou o monopólio estatal do petróleo e deu permissão para a criação da Petrobras, que seria a executora desse monopólio em nome da União. O interessante é que, na época, o Brasil não possuía uma gota de petróleo. Entretanto, a sociedade de então, menos manipulada pela mídia que a atual, teve a capacidade de impor sua vontade.

Nos anos 1980 e 1990, houve busca incomum do capital internacional por expansão da dominação sobre as sociedades de diversos países, tratando-se da agressiva fase “neoliberal” do capitalismo. Um passo imprescindível para qualquer dominação consiste na posse da mídia pelo capital, fato não desleixado nessa fase, quando houve forte catequese e alienação da sociedade.

Chamo esse processo recente de “dominação cultural”, porque se buscou dissimulá-la, incluindo até suportes ideológicos que induziram péssimas decisões dos dominados, contra si próprios.

No Brasil, nessa fase, foi feita uma reforma profunda no setor do petróleo, com a aprovação da lei 9.478 de 1997, através da qual o escancararam ao capital internacional.

As pessoas não se dão conta do dano que essa lei causou e ainda causa à nossa sociedade. Quando uma área é concedida à empresa estrangeira, sob os auspícios dessa lei, se ela descobre petróleo, todo o óleo pertence a ela, perdendo o Brasil a possibilidade de ação geopolítica. Mais: a empresa estrangeira escolhe levá-lo, invariavelmente, para o exterior e nunca terá que abastecer o mercado nacional.

Além disso, todo o lucro da atividade também vai para o exterior. Se já não bastasse, não se compram equipamentos, materiais, instalações e serviços no Brasil para a fase de implantação do campo, que é a fase dos grandes investimentos. Tais empresas não contratam projetos e desenvolvimentos no país e quase não empregam brasileiros. Deixam no país somente o royalty e a participação especial, que chegam a 12% do valor da produção, um percentual médio para diferentes campos. Então, cabe a pergunta: como a nossa sociedade é beneficiada pelo fato de parte do petróleo do planeta estar localizado aqui?

FHC nomeou o então genro, David Zylbersztajn, para presidir a ANP e conduzir as medidas generosas para as empresas estrangeiras

Até hoje, os defensores do capital estrangeiro dizem na grande mídia, onde têm grande espaço, que o setor do petróleo ficou “ativo” depois da introdução da lei 9.478. Em parte, eles têm razão, pois o setor ficou movimentado, inclusive com grande participação da Petrobras. Mas eles não complementam que essa movimentação, quando não se trata do quinhão da Petrobras, representa quase nenhum benefício para nossa sociedade.

Em 2007, a Petrobras descobriu o Pré-Sal, com a expectativa de existência de muito petróleo na área. O governante brasileiro de então surpreendeu, pois, após ele próprio já ter promovido quatro rodadas de leilões sob a lei 9.478, declarou que iria propor novo marco regulatório, específico para essa área. Implicitamente, estava reconhecendo que o marco caracterizado pela lei 9.478 era prejudicial para nossa sociedade.

Mas, infelizmente, 28% dessa área já haviam sido leiloados sob a lei 9.478, nos governos FHC e Lula. É muito difícil avaliar quantos barris de petróleo já foram entregues através das concessões que estão nesses 28% da área do Pré-Sal, mas não me espantaria se cerca de 20 bilhões de barris forem aí descobertos pelas empresas estrangeiras, na pior situação com relação ao usufruto para nossa sociedade. Mais uma vez, isso reflete nosso baixo grau de soberania.

Em ato contínuo, as empresas estrangeiras arquitetaram um plano de ação para se contraporem à “recaída nacionalista” do governo brasileiro. De um lado, um exército de lobistas foi despachado para o Congresso e o Executivo. De outro, professores universitários, líderes empresariais, supostos especialistas, sempre citados pela mídia do capital, políticos, representantes do Instituto Brasileiro do Petróleo, que congrega a fina flor das petroleiras estrangeiras, foram todos ativados para espalharem na mídia do capital que a lei 9.478 também deveria ser usada no Pré-Sal.

Felizmente, o governo Lula se manteve firme e um novo marco regulatório foi gerado, para tristeza das petroleiras estrangeiras. Assim, chegou-se à lei 12.351 de 2010. Não se trata do arcabouço institucional do sonho dos brasileiros bem intencionados, mas é muito melhor que a lei 9.478. Quem é socialmente comprometido e está bem informado quer o retorno do monopólio estatal do petróleo, desde que haja controle social sobre ele. Porém, todos reconhecem que não é impossível, mas politicamente difícil, de ser aprovado com a mídia do capital sendo contra. Ter a mídia contra nosso povo [como temos] baixa nosso grau de soberania.

A lei 12.351 coloca a Petrobras em todos os contratos de partilha com no mínimo 30% de participação e como operadora, o que é muito bom, pois a operadora é quem decide as compras e só a Petrobras compra no país. Segundo cálculo da “Associação de Engenheiros da Petrobrás” (AEPET), cerca de 50% do petróleo produzido caberá ao Estado brasileiro comercializar. Foi criada uma estatal que, dentre outras funções, conferirá a contabilidade de todos os consórcios. Houve, também, a criação de um fundo social que será abastecido pelas ofertas ganhadoras dos diversos leilões.

Esse é um ponto da lei que traz preocupação, porque se está apostando que as ofertas de parcela do lucro líquido da produção do campo serão boas, uma vez que todas as empresas querem ganhar as áreas. Não é prudente confiar o sucesso do plano a decisões das empresas estrangeiras, porque, apesar de elas aparentarem estar competindo, podem ter feito um acordo secreto de não competição. Para se corrigir essa brecha da lei 12.351, há a necessidade de os editais das rodadas conterem a oferta mínima para cada área.

O rendimento desse fundo social, como o nome diz, só poderá ser utilizado em finalidades pré-determinadas de grande impacto social. Se funcionar corretamente, esse fundo será uma contribuição considerável, pois aumentará os recursos para setores carentes e de grande impacto social, como educação e saúde.

Mas, como esse fundo será abastecido com moeda forte, resultante da venda de petróleo, se fosse estabelecido no Brasil, teria chance de trazer a “doença holandesa” para nossa economia. Assim, ele será um fundo soberano no exterior, com todos os percalços que passam fundos no exterior, como a dificuldade de encontrar investimento seguro com boa rentabilidade, as armadilhas dos “papéis tóxicos”, que buscam nos pegar, e a opção ‘default’, que são os papéis do governo estadunidense com rendimento muito baixo. Por essa razão, o professor Carlos Lessa recomenda que a Petrobras só produza o que o Brasil consome, deixando muito petróleo no subsolo, que é a melhor forma de se obter bom rendimento. O problema dessa sugestão é que ela diminui muito a parcela do fundo destinado às aplicações nobres. Porém, merece mais estudo.

Note-se que, ao aprovar uma lei com esse conteúdo, o Brasil aumentou seu grau de soberania. Entretanto, a manutenção de um grau de soberania requer muito esforço do povo e dos governantes, porque o assédio despudorado de colonização vive ocorrendo. 2012 foi um ano bastante dedicado ao debate sobre os royalties, o que é humano e compreensível. No entanto, sem alarde, houve invasão de empresas estrangeiras fornecedoras de bens para o setor do petróleo no país. Na maior parte das situações, elas adquiriram empresas brasileiras genuínas, fornecedoras tradicionais do setor, que poderiam competir com elas. Notem que, não sendo o sistema capitalista perfeito, as empresas buscam sempre formar oligopólios e monopólios. Por outro lado, os órgãos brasileiros de defesa da concorrência são, infelizmente, fracos do ponto de vista político.

Contudo, a questão consegue ser mais complicada, porque não se trata só da defesa da concorrência. Obviamente, as fornecedoras estrangeiras de bens querem participar da exploração do Pré-Sal e, como a Petrobras é a operadora única dos novos blocos dessa área, elas compreenderam que só podem participar se estiverem instaladas no Brasil. Técnico do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, ouvido em palestras, não tinha tanta preocupação com a desnacionalização da nossa economia, que ocorre em diversos setores. Ele parte do princípio que, se as compras de um programa governamental ocorrem em empresas locais, não importando a origem do capital dessas empresas, a meta de maximizar salários e impostos no país estará sendo satisfeita.

Esse técnico não compreende que a empresa brasileira de capital nacional (empresa brasileira genuína) traz maiores benefícios para a nossa sociedade que a empresa brasileira de capital estrangeiro (subsidiária estrangeira), a começar pelo fato de o lucro da primeira tender a ficar no Brasil, enquanto o da segunda, necessariamente, irá para o exterior. Assim, comprar em uma subsidiária estrangeira instalada no país é melhor do que comprar o produto importado, mas é pior do que comprar junto a uma empresa brasileira genuína. A errada compreensão desse fato faz parte da dominação cultural citada.

Aparecendo na nossa realidade o Pré-Sal, alguns pensadores corretamente advogaram que fosse feito novo plano de desenvolvimento para o país, pois as demandas do setor de petróleo seriam tão grandiosas que alavancariam o desenvolvimento do todo. Tal plano não foi feito e a remessa para o exterior dos lucros do suprimento de bens para o Pré-Sal está sendo garantida. Não houve, infelizmente, a decisão política que consiste em se ser soberano.

Sobre essa questão, faz falta a proteção à empresa brasileira genuína, que constava do Artigo 171 da Constituição de 1988 e foi revogado durante a reforma da Constituição promovida pelo governo FHC[/PSDB/DEM]. Mas, hoje, anos após esse auge do neoliberalismo, a nossa soberania ainda é vilipendiada por vários órgãos do governo, como, por exemplo, o BNDES, quando financia empresas estrangeiras instaladas no Brasil, inclusive para facilitar as privatizações.

A participação das empresas estrangeiras em alguns dos setores industriais brasileiros já ultrapassa 50%. Por mais desgosto que nos traga, o baixo grau de soberania, caracterizado pelo grande patrimônio das empresas estrangeiras existentes no país e pela permanência das leis de excelente tratamento dado ao capital estrangeiro, é uma garantia de que não deveremos ser confrontados militarmente. Infelizmente, não é graças ao poder de dissuasão das nossas Forças Armadas.

No entanto, com o advento da descoberta do Pré-Sal, a atratividade de uma exploração não autorizada pelo Brasil, principalmente em mar internacional, aumentou. Em conseqüência da impossibilidade de utilizar bases de apoio no Brasil e estando a África a mais de 4.500 km de distância, pode levar as empresas a usarem grandes navios já retirados de uso, estacionados como plataformas auxiliares. Nesse caso, a logística será muito difícil, mas não impossível de ser resolvida. Enfim, tudo dependerá do preço do barril. Se algo desse tipo acontecer, iremos lamentar a baixa prioridade dada principalmente pelo governo FHC à construção do submarino nuclear.

A pesquisadora Ana Esther Ceceña, no artigo “Estratégias de dominação e mapas de construção da hegemonia mundial”, após pesquisa em documentos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, lembra que as Forças Armadas desse país [EUA] são planejadas para atender a uma lista de objetivos, dentre os quais está “assegurar o acesso incondicional ao fornecimento de energia em qualquer local do mundo”.

A discussão sobre os royalties é relevante, mas é criadora de um biombo que encobre outros debates. Se o preço de venda de um barril de petróleo for considerado a US$ 100, valor que se mantém há algum tempo no mercado mundial, se for tomado como custo máximo do barril do Pré-Sal US$ 40 e subtraídos os US$ 15 por barril dos royalties, sobram US$ 45 por barril de lucro. Então, volta a questão já citada: como garantir que o fundo social ficará com pelo menos uns US$ 30 por barril?

Faz sentido distribuir a riqueza a um maior número de brasileiros. No entanto, faz sentido também que os estados e municípios produtores ou confrontantes de campos marítimos devam receber algo mais. Consta que a proposta do deputado Zarattini ia nesta direção. Não pode existir uma unidade na Federação que seja duramente penalizada, à medida que o único ICMS cobrado no destino é o do petróleo e o único royalty socializado é o do petróleo. Dessa forma, daqui a pouco, pode surgir um maluco propondo um Movimento Separatista Fluminense.

Não obstante o ponto a que se chegou, deve-se buscar ainda trazer um mínimo de paz para a Federação. A alternativa “sentar de novo para rediscutir o royalty” é impossível. A mudança da Constituição para que o ICMS sobre o petróleo passe a ser cobrado na origem, que é uma questão de justiça, é difícil de ser aprovada no Congresso. Resta uma alternativa boa, que se trata da revogação da lei Kandir para a exportação de petróleo. Essa medida viria ao encontro da diretriz ditada pelo próprio governo, que concorda com a exportação de petróleo, desde que com o maior valor agregado possível. Além disso, talvez motive as petroleiras estrangeiras a quererem abastecer o mercado nacional. Ela tem o único inconveniente de não repercutir muito no curto prazo, mas, com a entrada da produção do Pré-Sal, as arrecadações serão bem representativas. Tem também a vantagem de não se tratar de recurso que possa gerar cobiça em outros estados.

Tenho curiosidade de saber como será a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) que eventualmente apresentarão ao Supremo o Rio de Janeiro e o Espírito Santo. A dúvida é se irão questionar também o destino dos royalties a serem pagos pela produção da área do Pré-Sal. Três secretários do governador Sergio Cabral fizeram artigos recomendando a mesma distribuição dos royalties existente na lei 9.478. Aliás, esses secretários sugeriram que o Pré-Sal fosse explorado seguindo completamente essa lei.

Mais um exemplo de domínio cultural: dirigente da ANP deu declarações demonstrando ter pressa em retomar os leilões de petróleo e que deverá incluir o campo de Libra na primeira rodada com blocos da área do Pré-Sal. Para os que não estão a par, já se sabe que Libra pode conter até 15 bilhões de barris de petróleo, não se tratando, portanto, de um bloco onde, se pesquisado, poderá eventualmente ocorrer petróleo. A pergunta gritante que fica é: por que toda essa doação de patrimônio público? Sobre Libra, a posição que deveria ser exigida do governo por todos brasileiros é que este reservatório seja transferido sem leilão para a Petrobras, que assinaria, com relação a ele, um contrato de partilha com a União, seguindo estritamente o que dita o artigo 12 da lei 12.351.

O noticiário volta a falar que a rodada de leilões de blocos do Pré-Sal irá gerar grande quantidade de bônus. Desejam incutir o conceito de que a existência das rodadas é boa, tanto que bônus são gerados. Os bônus são parcelas ínfimas quando comparados com os lucros gerados pelas atividades petrolíferas.

Os movimentos sociais dariam uma grande contribuição social se aceitassem umas poucas mudanças no texto do seu projeto, que já está no Congresso. Por exemplo, a reivindicação de a Petrobras voltar a ser 100% estatal é quase impossível. Começa que ela nunca foi 100% estatal, pois, desde sua criação, era prevista a venda de uma parte de suas ações em bolsas. Existe por trás dessa reivindicação o conceito de que, ao vender ações, a empresa está se comprometendo a distribuir os lucros na mesma proporção que os donos de ações possuem do capital total. Isto é um engano, pois a empresa só tem que distribuir dividendos, que têm relação com o lucro, mas não existe a relação direta pressuposta.

Foi errado o governo FHC vender ações da Petrobras na Bolsa de Nova York. Mas somente porque, para vender nessa Bolsa, o governo brasileiro foi obrigado a assinar compromissos com órgãos do governo estadunidense, perdendo-se, portanto, graus de liberdade na administração da empresa.

Posso dar, também, mais duas sugestões aos movimentos sociais. Em primeiro lugar, sugiro que o conceito de fundo social seja introduzido na proposta, inclusive com mecanismo de seu abastecimento. Notar que monopólio estatal, Petrobras, como agente executora do monopólio em nome da União, e fundo social não são incompatíveis. Finalmente, sugiro que, no capítulo relativo aos royalties, copiem tudo que for finalmente acordado entre Executivo e Legislativo federal, governadores e prefeitos. Contudo, reformulem o percentual que irá para esses royalties, passando de 15% para 30%. Assim, os estados e municípios produtores ou não produtores e quem mais recebe passariam a receber em dobro. E não se está cometendo nenhum erro, porque não há necessidade de centralização de recursos antes da aplicação social.

Se for aprovado o projeto dos movimentos sociais, o grau de soberania do Brasil crescerá e o povo estará sendo mais bem atendido. Contudo, as forças do capital são poderosas e, neste momento, estamos perdendo a batalha. A menos que surja uma conscientização da sociedade, o que acho difícil; graças à falta de democratização da comunicação de massas, sou pessimista. O Pré-Sal será entregue a conta-gotas, rodada após rodada, a Petrobras não terá capacidade para participar de todos os leilões e o povo nem saberá que está sendo roubado. As televisões anunciarão que foram arrecadados, na rodada tal, tantos milhões de reais de bônus, esta nova versão das miçangas dos índios. O povo está dominado culturalmente.”

or Paulo Metri, conselheiro do Clube de Engenharia,ublicado no “Correio da Cidadania” e transcrito no blog “de um sem mídia” (http://blogdeumsem-mdia.blogspot.com.br/2013/01/petroleo-setor-petroleo-ate-2012.html). [Imagens do google e pequenos trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].
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