Dois episódios e apenas um impasse - Fabiano Santos

O ano de 2012 terminou de maneira um tanto quanto confusa na política brasileira. Já em meados de setembro até o fim de outubro, com a conjugação do período eleitoral nos municípios ao julgamento pelo Supremo Tribunal Federal da Ação Penal 470 (o chamado mensalão), fortes emoções haviam sido experimentadas pela parcela politicamente engajada da população. Contudo, episódios ainda mais intensos e potencialmente explosivos acabariam ocorrendo de novembro a dezembro do ano findo. Em primeiro lugar, o STF decide por maioria que a condenação no processo do mensalão implica a imediata perda do mandato dos réus donos de cadeiras no parlamento. Tal decisão é tomada em meio a um posicionamento firme de diversos parlamentares, incluindo-se o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, de não acatar qualquer sugestão de extinção de mandato que não seja oriunda das próprias Casas Legislativas. Logo em seguida, a presidente Dilma Rousseff acaba por vetar parcialmente a nova lei dos royalties, aprovada após longas idas e vindas da Câmara para o Senado e vice-versa. Pressão exercida por grande parte das bancadas estaduais e líderes partidários faz com que o plenário do Congresso Nacional, no qual as duas fazem sessão conjunta, vote maciçamente pela urgência em se apreciar o veto à lei, sobrestando infindável lista de vetos antepostos pelo Executivo a decisões do Legislativo desde o governo Itamar Franco e que não haviam ainda merecido consideração por esta última Casa. Parlamentares de Estados produtores apelaram ao STF sob a alegação de que não existiria a figura da "urgência" para a votação de vetos, significando que a apreciação dos vetos parciais à nova lei dos royalties somente poderia ser feita após a manifestação do plenário a respeito dos mais de 3 mil ainda a espera de alguma decisão.

Decisão sobre mandatos é a que pode gerar crise

A princípio estaríamos diante de dois impasses institucionais importantes, impasses, ademais, a envolver ator até recentemente pouco visível no embate político mais duro: o Judiciário e, dentro deste, seu órgão máximo, o Supremo Tribunal Federal. Digo a princípio porque existem boas razões para crer que apenas a questão envolvendo os mandatos parlamentares pode de fato redundar em impasse institucional. Invertamos a ordem de ocorrência e consideremos em primeiro lugar o episódio federativo. De que forma interpretar o papel exercido pelo juiz Luiz Fux ao determinar que o Congresso deveria apreciar todos os vetos "engavetados" antes de se passar à derrubada dos vetos à lei dos royalties? Ora, minorias representadas no parlamento apelaram ao Supremo alegando existir vícios constitucionais em iniciativas da maioria, vícios que, uma vez não sanados, comprometeriam interesses essenciais dessas mesmas minorias. Não custa lembrar que a ação de vetar é tomada pelo Executivo, por seu representante máximo, no caso, a presidente Dilma Rousseff, eleita pela maioria absoluta dos votos dos brasileiros. Ou seja, a decisão do magistrado envolve um conflito entre o Executivo e Legislativo, e no interior do próprio Legislativo, entre maiorias e minorias eventuais, sobre a constitucionalidade de decisões tomada pela maioria. O juiz, no caso, entendeu que a maioria atropelou direitos e procedimentos, elementos fundamentais do processo democrático. O que houve no episódio, portanto, não caracterizou de forma alguma intromissão na dinâmica parlamentar. Envolveu sim um debate entre os Poderes, ao STF cabendo a responsabilidade de dirimir dúvidas a respeito da interpretação do texto constitucional, tendo em vista preservar direitos e interesses essenciais de minorias.

Bem distinta é a situação criada a partir do segundo episódio, a que envolve a perda de mandatos populares. Tal episódio, na verdade, é decorrência de um processo mais longo e tortuoso cuja face visível se dá no julgamento do mensalão, isto é, num contexto no qual os juízes se tornam avaliadores da conduta legal de políticos eleitos. Desnecessário discutir se no caso específico a decisão em torno da culpabilidade dos réus foi ou não acertada, dadas as provas apresentadas, as teorias mobilizadas etc... O interessante é analisar a natureza da relação que se estabeleceu entre os atores políticos e a percepção que estes desenvolveram sobre a sua função. Ora, no caso do mensalão uma inesperada relação de hierarquia acabou surgindo da prerrogativa dos juízes do Supremo de julgarem o comportamento dos representantes do povo. Em várias falas, os juízes assumiram mais do que a tarefa de ajuizar se houve ou não culpa dos réus, ao advogarem para si ajuizar sobre a moralidade da conduta dos réus enquanto representantes. Vejam que a relação de hierarquia entre os poderes, com a predominância do Judiciário, é necessária para a validação do papel autoassumido por boa parte dos juízes. Segundo a teoria subjacente a esta autopercepção, pelo fato de ser juiz, e mais, juiz do Supremo, o ator adquire condições morais e conhecimentos técnicos necessários para avaliar, e avaliar de maneira infalível, a boa ou má conduta dos políticos eleitos, Destituir mandatos nada mais seria do que o desdobramento lógico de tal teoria e de tal autopercepção.

Dos dois casos, somente o segundo encerra potencial de efetivo impasse institucional. Torna-se relevante então saber se a judicialização da política tem no Brasil extrapolado o campo do diálogo entre os Poderes, na interessante acepção de Thamy Pogrebinschi, para adentrar o perigoso terreno de teorias salvacionistas. Na democracia, o soberano é apenas um, o eleitor. E este não deve ser tutelado por ninguém, por nenhuma corporação, por mais bem intencionados e eruditos que sejam seus membros. Clarear a política brasileira em 2013, portanto, significa mais do que buscar soluções para impasses entre Judiciário e Legislativo, aparentes ou genuínos. Significa, sobretudo, definir até onde pode o Judiciário intervir no âmbito da representação política.

Fabiano Santos é cientista político, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Fonte: Valor Econômico
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Chuvas e trovoadas - Eliane Cantanhêde

As manchetes dos jornais de ontem, terceiro dia do novo ano, não foram nada animadoras, muito pelo contrário.

Folha: "Triênio de Dilma deverá ser o pior da América do Sul". "O Globo": "Balança comercial tem o pior resultado em dez anos". "O Estado de S. Paulo": "Reservatórios do NE estão abaixo do nível de segurança". E, para completar, ou arrematar, "Correio Braziliense": "Aumentos em série abrem o novo ano".

Pode-se ler com uma visão míope e persecutória: é a imprensa golpista atacando o pobre e indefeso governo. Ou pode-se ler com um olhar realista, como alerta, para reflexão e análise. Números não mentem, ou melhor, raramente mentem.

No caso do PIB, é fato que o Brasil cresceu em 2012 menos do que a média da América do Sul e do que os países emergentes (entre eles, os Brics), e a perspectiva para 2013 não é para soltar fogos. A ver.

No caso da balança comercial, os dados são oficiais, do próprio governo. No dos reservatórios, o alerta nem chega a ser novidade. E os aumentos em série no DF atingem escolas, material escolar, aluguéis, viagens, seguro de carro, DPVAT, taxas de limpeza urbana e de água. Que atirem a primeira pedra os Estados que estão em situação muito melhor.

Afinal, se o crescimento da economia é pífio, o da inflação não é tanto assim. Como a gente vem dizendo há algum tempo, prevalece no Planalto um certo desdém pelo centro da meta inflacionária. O que vale, agora, na prática, é o teto.

Tudo parece ser compensado com a -justa, aliás- comemoração pelos índices invejáveis de emprego, na contramão do desemprego recorde da Europa, por exemplo. Mas esse não é o único indicador relevante e, no contexto de redução de investimentos, da balança comercial e do fluxo cambial, também pode não se manter sólido como uma rocha.

E as chuvas e deslizamentos nossos de cada ano estão só começando.

Fonte: Folha de S. Paulo
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O ano novo dentro de você - Fernando, Gabeira,

"É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre", diz a propaganda da TV, usando o verso do poeta Carlos Drummond de Andrade, que faria 100 anos em 2012. O anúncio usa o último verso do poema de Receita de Ano Novo.

Aceito a orientação do poeta e concordo com ele quando diz que não precisa fazer listas de boas intenções nem acreditar, parvamente, que por decreto de esperança, a partir de janeiro, as coisas mudem e seja tudo claridade. Há algo novo de Drummond para cá. Ele escreveu: "Ao telefone, perdeste muito, muitíssimo tempo de semear".

Hoje o telefone é um instrumento de trabalho. Mas nos aeroportos, ruas e estradas perdemos muito tempo de semear. Nos aeroportos há espera no saguão, nos ônibus que nos conduzem a bordo e nas poltronas, antes de o avião decolar. Nas ruas de quase toda grande cidade brasileira o trânsito é infernal. Não vejo esperança no horizonte. O governo continua isentando a indústria de carros e estimulando a venda em 70 prestações.

No meu tipo de trabalho, o melhor guia não é um poeta, mas um treinador de futebol. Gentil Cardoso dizia: "Quem não se desloca não recebe". É sempre possível atenuar usando bike ou motoneta no lazer e nas tarefas domésticas. Mas com equipamento pesado nas costas, sem carro ou avião, não posso deslocar-me e receber a bola. Quase nunca é possível usar o saguão de um aeroporto para trabalhar. Os portões de embarque mudam constantemente. É preciso interromper e sair rápido para não perder o voo.

São lamentos de um trabalhador. Quem sabe o PT não os leva em conta, apesar de estar me deslocando sempre a serviço da mídia golpista, da elite reacionária, enfim de todos esses vilões que reaparecem toda vez que os companheiros são colhidos em mais um escândalo.

A favor do governo, no tema mobilidade, lembro que Dilma decidiu privatizar dois aeroportos e prometeu construir 18 regionais. Se tudo der certo, ainda não será neste ano que poderemos colher os frutos. Foram tão lentas as decisões, faz tanto tempo que a demanda crescente expõe a vulnerabilidade dos aeroportos.

No caso dos automóveis, a sensação que tenho é de que Dilma alimenta a utopia de um carro para cada pessoa. No futuro próximo muito mais gente vai compreender como é insustentável essa política. As ruas ensinam. Dilma não as tem frequentado nestes dois anos.

Os companheiros caminham para o modelo econômico com ênfase no papel do Estado, na criação de empresas oficiais e formação de um setor fortemente apoiado pelo BNDES. A discussão econômica é central no momento. O PT venceu as eleições, o governo tem apoio da maioria, é legítimo que tente o seu caminho. O fato é que a economia não cresceu no último ano. O caminho está errado? É uma leitura equivocada da crise econômica de 2008? Esse é o debate mais frequente. Mas existe outro, também essencial: que empresas o BNDES está financiando e em que condições?

Baseado no fato de que o dinheiro é público, o Ministério Público já fez essa pergunta e o BNDES afirmou que tais dados são sigilosos. E a lei de acesso aos dados do governo? Não pegou? Como ter uma visão desse complexo econômico construído com financiamento público sem saber para onde e em que quantidade vão os recursos?

Dilma sempre associou sua imagem ao interesse pela energia. Mas como na campanha foi chamada de mãe do PAC, talvez tenha atravessado os papéis e se sinta mãe onde era técnica. A energia no Brasil é cara. O forte calor aumentou em 8% o consumo no Sudeste. Uma redução no preço será um alívio para todos. Do ponto de vista eleitoral, baixar o preço da energia é ótimo para o governo. Mas não precisa ser um desastre para quem critica sua tática. Basta defender uma redução cuidadosa, sobretudo nesta conjuntura.

Preocupados em resistir ao julgamento do mensalão, os companheiros não se deram conta de que a luz andou apagando aqui e ali, que os reservatórios estão baixos e a chuva real será menor que a esperada. Uma queda de braço no momento pode ser ruim para todos. A popularidade a autoriza. Mas popularidade, com tudo o que implica, é como um vinho que deve ser consumido com moderação.

Na esfera política, os amplos setores do PT que resistem ao julgamento do mensalão estão se queimando. Parecem um pouco aqueles dirigentes de escola de samba que não se conformam com o resultado do júri e batem boca, com o palco já desmontado. O conforto eleitoral estimula avaliações amadorísticas do quadro político pós-mensalão. José Dirceu aparece de punho erguido em foto de jornal. Ele vê o mensalão como um elo na história das lutas da esquerda. O punho erguido foi a saudação dos comunistas. Um atleta negro americano o ergueu ao vencer a Olimpíada. O gesto era usado contra Franco na Guerra Civil Espanhola. O mensalão não pertence à história de lutas da esquerda, mas ao seu extenso rosário de erros. Independente do juízo sobre o comunismo, todos sabem a diferença entre La Passionária e o Delúbio Soares.

Genoino vai para o Congresso, onde nada poderá fazer nos meses em que espera os recursos no STF. Não há condições políticas, nem mesmo psicológicas. Porém ele aceita um cargo público que consome R$ 136 mil/mês. É como se alguns peixes do oceano político não respeitassem mais o momento de submergir.

Drummond tem razão: despertar o ano novo que cochila em você, mesmo porque nas altas esferas o sono ainda é profundo.

O ano terminou com o presidente da Câmara, Marco encarnando o fim do mundo Maia, enfrentando o Supremo. Ele é um produto dos intrincados mecanismos de disciplina e lealdade do PT. Sonha ser dirigente de um clube de futebol. Para não dizer que sou negativo diante do companheiros, esse sonho pelo menos eu apoio, dependendo, é claro do clube escolhido.

Os chineses falam de tempos interessantes como aqueles em que há convulsões sociais, tormentas, revoluções. Espero tempos engraçados, tomando-se o humor em todas as suas dimensões, inclusive as dolorosas.

Fonte: O Estado de S. Paulo
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Um olhar sobre o Parlatino - Roberto Freire

Muito se fala hoje a respeito da importância da integração regional e da discussão dos problemas comuns aos países da América Latina, mas pouco se tem feito de concreto para que a região avance de forma consistente.

Em tempos de dificuldades econômicas globais e até de ameaças pontuais à democracia em alguns de nossos vizinhos, o Brasil, ao invés de exercer a liderança inescapável que lhe cabe no continente, vem tendo uma participação discreta, por exemplo, em uma organização regional das mais importantes: o Parlamento Latino-Americano (Parlatino), de cuja Assembleia Ordinária participei no final do ano passado, na Cidade do Panamá.

Fundado em Lima, no Peru, em 1964, o Parlatino é formado por parlamentares eleitos de 23 países da América Latina. No encontro realizado no Panamá, deputados, senadores e legisladores de cada uma dessas nações discutiram temas relacionados à integração regional e aprovaram projetos de lei que tratam de questões como a preservação dos idiomas indígenas, a proteção das mulheres e crianças contra a violência, os direitos humanos, a renda básica de cidadania, entre outras, que serão enviados para análise de Congressos e Assembleias Nacionais.

Uma questão central foi a moção apresentada pela deputada argentina Nancy González que defendia a suspensão do Paraguai do bloco, com a justificativa de que o ex-presidente Fernando Lugo teria sido vítima de um golpe ao sofrer um processo de impeachment.

A petição foi rejeitada pela ampla maioria, com 98 votos contrários, 60 favoráveis e 26 abstenções. Com base no princípio da autodeterminação dos povos e da não intervenção em assuntos internos de outros países, lembrei em meu discurso que, quando membro da juventude comunista do PCB, fui às ruas para criticar a exclusão de Cuba da Organização dos Estados Americanos, seguindo rigorosamente esses mesmos pressupostos. Recordei, ainda, que todos haviam apoiado o ingresso de Cuba no próprio Parlatino, no momento em que o país estava afastado do órgão, evocando o argumento de que não deveríamos nos envolver em problemas enfrentados por outras nações.

No caso paraguaio, o governo brasileiro descumpriu categoricamente esses princípios. Pode-se questionar se o ex-presidente do Paraguai teve tempo hábil para apresentar sua defesa perante o Congresso daquele país, mas a decisão tomada pelo Senado e, mais tarde, referendada pelo Poder Judiciário, é soberana. Infelizmente, grande parte dos próprios Congressos Nacionais não se dá conta da importância das reuniões de órgãos como o Parlatino para o fortalecimento da integração regional.

O Brasil exemplifica esse descaso: atualmente, o país está ausente do Conselho Político e das instâncias administrativas da organização. O Congresso e o governo brasileiros não podem se limitar ao discurso vazio que anuncia em prosa e verso a liderança de nosso país no continente.

É preciso deixar a retórica e as bravatas de lado e agir, prestigiando não só o Parlatino como outros fóruns regionais. E, sobretudo, honrando as tradições democráticas e o compromisso republicano que sempre deveriam pautar nossa política externa.

Deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS

Fonte: Brasil Econômico
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Marina articula sigla e deve disputar GDF

De olho em 2014 e ancorada nos 611 mil votos recebidos no DF quando concorreu ao Planalto, ex-senadora corre para formar novo partido, que hoje já teria adesão de 14 parlamentares.

Marina estuda disputar o GDF

Ex-presidenciável corre para criar uma legenda e apoiadores admitem que uma das possibilidades é concorrer no Distrito Federal, onde superou Dilma e Serra em 2010

Karla Correia

Ainda amparada pelo capital político dos quase 20 milhões de votos obtidos na disputa presidencial de 2010, Marina Silva passará janeiro e parte de fevereiro empenhada em engrossar as fileiras do partido que pretende lançar com foco nas eleições de 2014. Ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, ela espera consolidar uma bancada de 14 parlamentares que, segundo "marineiros", já teriam se mostrado alinhados com os planos de criação da sigla. Marina trabalha com um calendário apertado para a oficialização do partido, que terá de sair do papel até outubro para poder disputar cargos no próximo ano. Entre as possibilidades, discute-se até uma eventual candidatura ao Governo do Distrito Federal (GDF).

Na mira de Marina estão nomes como os dos deputados Alessandro Molon (PT-RJ), Reguffe (PDT-DF) e Walter Feldman (PSDB-SP). "Até fevereiro, nós devemos ter uma conversa definitiva sobre esse tema", diz o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ), um dos parlamentares sondados pela ex-ministra. Os senadores Randolfe Rodrigues (PSol-AP) e Cristovam Buarque (PDT-DF) também são citados por apoiadores de Marina como quadros desejados pela cúpula da futura legenda. Apesar de ainda não ter nome, o partido será pautado por temáticas ambientais e voltadas para a ética.

O projeto é acalentado por Marina desde meados de 2011, quando se desfiliou do PV em meio a uma série de desavenças com caciques da legenda pela qual se lançou candidata a presidente da República. O Movimento por uma Nova Política, lançado na sequência de sua saída do PV, agremia os simpatizantes do ideário da ex-ministra. "Existem muitos militantes descontentes com a estrutura de seus respectivos partidos e buscando algo novo. É em cima desse clima de descontentamento, dessa necessidade de uma nova proposta na política, que nós estamos trabalhando", diz Pedro Ivo Batista, um dos principais apoiadores de Marina e assessor do instituto que leva o nome da ex-ministra.

Uma das alternativas no caminho do novo partido seria uma fusão com o oposicionista PPS, que deve reafirmar sua proposta a Marina na próxima semana, durante a primeira reunião da sigla neste ano. A princípio, a ideia é descartada pela ex-ministra. "A posição da maioria dos marineiros é que as estruturas partidárias que existem hoje não contemplam as nossas propostas, não nos sentimos representados pelo formato atual dos partidos", explica Pedro Ivo.

A criação de mecanismos permitindo o lançamento de candidaturas apartidárias está entre as bandeiras acalentadas pela futura legenda. A participação de cidadãos não filiados na definição dos rumos do partido é outra inovação discutida entre os elaboradores do programa da sigla. Mas, apesar das discussões adiantadas sobre a estrutura partidária, candidaturas para 2014 ainda são um assunto delicado. A começar, por causa da própria Marina.

Cenários

A ex-ministra hesita em declarar qualquer intenção sobre a corrida presidencial de 2014 e, internamente, afirma que não quer ser vista pelo eleitorado como uma "política profissional", que dependeria de um cargo eletivo para expor suas propostas. Uma das possibilidades aventadas seria o lançamento de Heloisa Helena para disputar a presidência no próximo ano. Hoje vereadora de Maceió pelo PSol, Heloisa Helena já declarou a intenção de abandonar o partido que ajudou a fundar para aderir ao projeto de Marina Silva.

Segundo interlocutores, uma das propostas em estudo por Marina é disputar o GDF em 2014 — na disputa presidencial de 2010, ela foi a mais votada no Distrito Federal. Com 611.362 votos (41,96% dos votos válidos), ficou à frente de Dilma Rousseff e de José Serra. "Apesar de toda a resistência, ela sabe que não vai poder se manter afastada da primeira linha da política sem que isso afete a força do partido que pretende criar", diz um apoiador.

"Existem muitos militantes descontentes com a estrutura de seus respectivos partidos e buscando algo novo. É em cima desse clima de descontentamento, dessa necessidade de uma nova proposta na política, que nós estamos trabalhando" Pedro Ivo Batista, assessor do Instituto Marina Silva

Memória

Conflitos partidários

Elemento surpresa das eleições de 2010, quando se candidatou ao Planalto pelo PV, Marina deixou o partido em julho de 2011, apenas dois anos depois de se filiar à legenda já com a vaga garantida para a corrida presidencial. Outros 15 membros da sigla assinaram a carta de desfiliação com Marina. "A direção do partido, em sua maioria, disse não à democratização de suas estruturas institucionais, ao diálogo com a sociedade e a um projeto autônomo de construção partidária", dizia o documento.

A formalização da saída de Marina do PV foi a plataforma de lançamento do Movimento por uma Nova Política, apresentado como o embrião da legenda que a ex-ministra pretende consolidar neste ano. Essa será a quarta agremiação de Marina. Além do PV, ela já integrou o extinto Partido Revolucionário Comunista (PRC) e foi filiada ao PT entre 1986 e 2009.

Fonte: Correio Braziliense
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