Por culpa de João Arruda, Requião entrega a 'paçoca' na convenção do PMDB e sofre derrota histórica.
O velho leão não assusta mais ninguém, está mais para gatinho...
Requião perdeu a convenção estadual do PMDB para o grupo de Osmar Serraglio e do ex-governador Pessutão (Orlando Pessuti).
Foi uma derrota histórica, Osmar Serraglio teve 289 votos contra 220 para Requião. Um voto em branco. Requião e seu séquito abandonaram a sede do PMDB. Irritados. Um soturno e agora gorducho escudeiro de Requião, que vive albergado na presidência do Senado, saiu dizendo impropérios, a imitar o chefe.
A festa no PMDB é grande. Vitória de Orlando Pessuti, dos deputados estaduais, senadores, Doático Santos.
A maioria dos convencionais atribui a derrota ao 'deputadozinho' João Arruda, sobrinho de Requião e metido a reizinho...
Requião deve dar o troco em Arrudinha, lançando seu filho, Maurício, para deputado federal...
Com isso, acaba-se o sonho de Requião de disputar o governo do estado em 2014.
João arruda pode começar a dar adeus a sua curtíssima carreira de deputado...
Em Colombo, o mais novo pupilo de João Arruda deve estar desesperado, pois ele e seu molequinho deflagraram guerra contra o vereador Waldirlei Bueno, atual presidente municipal do PMDB, fazendo de tudo para, com apoio de Arrudinha, dar o golpe e usurpar o PMDB de Colombo, o rapaz viu sua tentativa de golpe ser frustrada, o que será dele e seu pupilo destrambelhado agora ?...
Já Waldirlei Bueno, inteligentemente, fechou questão com Pessuti e Serraglio, ganhou a convenção, se fortaleceu no PMDB estadual e começa a consolidar sua posição a nível estadual no partido.
O fim da era Requião e o início de um PMDB democrático e com voz ativa da base, é isso o que se pode esperar de Pessuti e Serraglio.
Parabéns ao novo MDB de guerra e já vão tarde os séquitos da velha tirania.
Parabéns pela vitória ao vereador Waldirlei Bueno, que segue junto com o novo PMDB democrático !
Época e a "murdechização" da mídia
Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:
A reportagem de capa da Época desta semana revela a murdochização inexorável, definitiva e… cara de pau da mídia brasileira… Trata-se de uma matéria feita inteiramente com vazamentos seletivos fornecidos pela Polícia Federal.
O esquema de Murdoch na Inglaterra era parecido. Seus jornais subornavam policiais para obterem dados sigilosos dos desafetos ou vítimas da vez. A maioria das vítimas eram celebridades, cujas intimidades eram expostas na mídia. A coisa aqui, porém, é bem mais pesada. O mau caratismo murdochiano visava, na maioria das vezes, apenas o lucro. Na mídia brasileira, o esquema de vazamentos de dados sigilosos para órgãos de comunicação faz parte de uma estratégia de luta pelo poder.
A matéria da Época força a barra ao vender conversas entre Rose e os irmãos Paulo, ou os irmãos entre si, como “tentativa de influenciar o julgamento do mensalão”.
O envolvimento de Dirceu na história, entra, mais uma vez, de maneira nebulosa, sem qualquer prova de crimes. A matéria, assinada por Diego Escoteguy, que trabalhou na Veja, incorpora sem nenhum critério, do início ao fim, ilações desencontradas, baixa intriga e insinuações levianas.
O problema de alguns segmentos do jornalismo de escândalos assemelha-se ao da oposição politica: falta de objetividade e consistência. Uns não conseguem provas para embasar suas denúncias, outros não conseguem votos.
Ganhar a confiança da mídia é fácil, basta demonstrar ausência de escrúpulos quando se trata de chutar o “lulo-petismo”. Difícil é ganhar a confiança do povo.
Entretanto, temos aqui uma situação realmente grave: a luta política está se deteriorando para uma guerra suja e antidemocrática, onde já se pode vislumbrar a criação de uma frente golpista, que inclui os seguintes pontos:
O esquema de Murdoch na Inglaterra era parecido. Seus jornais subornavam policiais para obterem dados sigilosos dos desafetos ou vítimas da vez. A maioria das vítimas eram celebridades, cujas intimidades eram expostas na mídia. A coisa aqui, porém, é bem mais pesada. O mau caratismo murdochiano visava, na maioria das vezes, apenas o lucro. Na mídia brasileira, o esquema de vazamentos de dados sigilosos para órgãos de comunicação faz parte de uma estratégia de luta pelo poder.
A matéria da Época força a barra ao vender conversas entre Rose e os irmãos Paulo, ou os irmãos entre si, como “tentativa de influenciar o julgamento do mensalão”.
O envolvimento de Dirceu na história, entra, mais uma vez, de maneira nebulosa, sem qualquer prova de crimes. A matéria, assinada por Diego Escoteguy, que trabalhou na Veja, incorpora sem nenhum critério, do início ao fim, ilações desencontradas, baixa intriga e insinuações levianas.
O problema de alguns segmentos do jornalismo de escândalos assemelha-se ao da oposição politica: falta de objetividade e consistência. Uns não conseguem provas para embasar suas denúncias, outros não conseguem votos.
Ganhar a confiança da mídia é fácil, basta demonstrar ausência de escrúpulos quando se trata de chutar o “lulo-petismo”. Difícil é ganhar a confiança do povo.
Entretanto, temos aqui uma situação realmente grave: a luta política está se deteriorando para uma guerra suja e antidemocrática, onde já se pode vislumbrar a criação de uma frente golpista, que inclui os seguintes pontos:
- Esquema de vazamentos seletivos de operações deflagradas pela Polícia Federal.
- Rede de apoios entre procuradores, figuras corruptas da PF, empresários de mídia ligados à oposição.
- Grupo de ministros do STF dispostos a violar princípios constitucionais básicos, interpretando a Constituição de maneira distorcida, ou contra legem.
A ação do STF é essencial ao esquema. Juízes tem procurado consolidar a tese, que é eminentemente golpista, de que tem o poder quase ilimitado para “interpretar a Constituição”. Existe interpretação da Constituição sim, mas voltada para o aprofundamento de seus princípios, e não contra eles. A Constituição, por exemplo, volta-se sempre em favor da democracia, em favor da presunção da inocência, em favor da preeminência do povo, só para citar alguns exemplos.
A reportagem da Época, porém, é traída justamente por seu tom exagerado e alarmista. Falta conteúdo. Pra piorar, ao final, reproduz uma conversa privada entre Adams, advogado-geral da União, e Weber, advogado-adjunto da mesma instituição, com ilações sobre quem seria “Paulo”. O máximo que a revista conseguiu, após fuçar horas de conversas convencionais entre dois funcionários da AGU foi uma frase de Adams perguntando se ele teria “ido no Paulo”. Adams diz que se referia a Paulo Kuhn, procurador geral da União, e ao jantar em sua homenagem. A reportagem, ao invés de ligar para o tal Paulo Kuhn, e perguntar se houve, de fato, tal jantar, prefere o suspense. Ou seja, o único momento em que a revista poderia acrescentar uma informação nova ao “dossiê” que recebeu do esquema golpista de vazamentos seletivos, não faz o serviço.
Não estou dizendo que Adams seja inocente, apenas ressaltando a criação de um ambiente onde todos são culpados. As mais inocentes conversas ao telefone são manipuladas com objetivo de se encaixarem em determinadas teorias. Cria-se, assim, um clima de chantagem perpétua contra qualquer autoridade e mesmo contra qualquer cidadão comum. Haveria, dentro da Polícia Federal, um balcão de negócios para vender informações sigilosas? Murdoch vendeu muito jornal comprando sigilos da até então incorruptível Scotland Yard. Quando estourou o escândalo em Londres, um membro do esquema Murdoch revelou que pelo menos dez funcionários da respeitada polícia britânica estavam no bolso do magnata.
Se Murdoch conseguiu subornar membros da Scotland Yard, não é absurdo suspeitar que nossos barões midiáticos compraram agentes da PF, com objetivo de obter, com exclusividade, vazamentos das conversas captadas na Operação Porto Seguro, entre outros favores.
Pior que o vazamento, porém, é a sua seletividade, tanto dos trechos que interessam quanto do veículo a receber o material. No mesmo momento em que vemos setores da mídia radicalizarem o discurso de oposição, e usarem seu poder de influência sobre o STF para obterem as vitórias políticas que não conseguem nas urnas, cria-se, dentro da Polícia Federal, núcleos de vazamentos seletivos de operações justamente para esses mesmos jornais?
Embora seja saudável vermos que a Polícia Federal tem autonomia para investigar a fundo membros do próprio governo, não me parece que o seja tanto a criação, dentro da PF, um braço do grande esquema golpista que se está criando no país. A coisa está ficando feia demais. Condena-se sem provas, cassa-se mandatos ao arrepio da Constituição, e agora se promove vazamentos seletivos de informações sob segredo de justiça. A seletividade, claro, se dá em função dos interesses políticos do grupo que patrocina o esquema. É assim que operações enormes, que gravam uma quantidade colossal de conversas, a maioria das quais apenas conversas privadas, ou mesmo articulações de caráter político, se tornam fontes de material de chantagem. Esse é um poder eminentemente murdochiano. Se eu tenho em meu poder gravações que, mesmo que não ofereçam nada de claramente comprometedor, podem ser facilmente manipuladas para causar grande dano político ou moral a uma autoridade, seja membro do executivo, parlamentar ou juiz, eis-me dotado de condições para chantageá-lo se não agir conforme a minha vontade. E assim se conseguem direcionar votações, remover nomes de relatórios finais de CPI, e impedir a abertura de outras comissões.
A ação do STF é essencial ao esquema. Juízes tem procurado consolidar a tese, que é eminentemente golpista, de que tem o poder quase ilimitado para “interpretar a Constituição”. Existe interpretação da Constituição sim, mas voltada para o aprofundamento de seus princípios, e não contra eles. A Constituição, por exemplo, volta-se sempre em favor da democracia, em favor da presunção da inocência, em favor da preeminência do povo, só para citar alguns exemplos.
A reportagem da Época, porém, é traída justamente por seu tom exagerado e alarmista. Falta conteúdo. Pra piorar, ao final, reproduz uma conversa privada entre Adams, advogado-geral da União, e Weber, advogado-adjunto da mesma instituição, com ilações sobre quem seria “Paulo”. O máximo que a revista conseguiu, após fuçar horas de conversas convencionais entre dois funcionários da AGU foi uma frase de Adams perguntando se ele teria “ido no Paulo”. Adams diz que se referia a Paulo Kuhn, procurador geral da União, e ao jantar em sua homenagem. A reportagem, ao invés de ligar para o tal Paulo Kuhn, e perguntar se houve, de fato, tal jantar, prefere o suspense. Ou seja, o único momento em que a revista poderia acrescentar uma informação nova ao “dossiê” que recebeu do esquema golpista de vazamentos seletivos, não faz o serviço.
Não estou dizendo que Adams seja inocente, apenas ressaltando a criação de um ambiente onde todos são culpados. As mais inocentes conversas ao telefone são manipuladas com objetivo de se encaixarem em determinadas teorias. Cria-se, assim, um clima de chantagem perpétua contra qualquer autoridade e mesmo contra qualquer cidadão comum. Haveria, dentro da Polícia Federal, um balcão de negócios para vender informações sigilosas? Murdoch vendeu muito jornal comprando sigilos da até então incorruptível Scotland Yard. Quando estourou o escândalo em Londres, um membro do esquema Murdoch revelou que pelo menos dez funcionários da respeitada polícia britânica estavam no bolso do magnata.
Se Murdoch conseguiu subornar membros da Scotland Yard, não é absurdo suspeitar que nossos barões midiáticos compraram agentes da PF, com objetivo de obter, com exclusividade, vazamentos das conversas captadas na Operação Porto Seguro, entre outros favores.
Pior que o vazamento, porém, é a sua seletividade, tanto dos trechos que interessam quanto do veículo a receber o material. No mesmo momento em que vemos setores da mídia radicalizarem o discurso de oposição, e usarem seu poder de influência sobre o STF para obterem as vitórias políticas que não conseguem nas urnas, cria-se, dentro da Polícia Federal, núcleos de vazamentos seletivos de operações justamente para esses mesmos jornais?
Embora seja saudável vermos que a Polícia Federal tem autonomia para investigar a fundo membros do próprio governo, não me parece que o seja tanto a criação, dentro da PF, um braço do grande esquema golpista que se está criando no país. A coisa está ficando feia demais. Condena-se sem provas, cassa-se mandatos ao arrepio da Constituição, e agora se promove vazamentos seletivos de informações sob segredo de justiça. A seletividade, claro, se dá em função dos interesses políticos do grupo que patrocina o esquema. É assim que operações enormes, que gravam uma quantidade colossal de conversas, a maioria das quais apenas conversas privadas, ou mesmo articulações de caráter político, se tornam fontes de material de chantagem. Esse é um poder eminentemente murdochiano. Se eu tenho em meu poder gravações que, mesmo que não ofereçam nada de claramente comprometedor, podem ser facilmente manipuladas para causar grande dano político ou moral a uma autoridade, seja membro do executivo, parlamentar ou juiz, eis-me dotado de condições para chantageá-lo se não agir conforme a minha vontade. E assim se conseguem direcionar votações, remover nomes de relatórios finais de CPI, e impedir a abertura de outras comissões.
A agenda conservadora da mídia
Por Saul Leblon, no sítio Carta Maior:
A novela do chamado 'mensalão' revelou-se um cavalo de Tróia dos interesses contrariados pela ampliação do espaço progressista na sociedade brasileira.
Como fica a cada dia mais explícito, a reação conservadora cozinha nesse julgamento um cardápio inteiro para 2014.
Um dos pratos principais é a tentativa de dissolver Lula num caldeirão fervente de suspeição.
A meta é transformá-lo num frango desossado incapaz de equilibrar-se de novo, sobretudo num palanque.
Vivemos um ensaio desse banquete pantagruélico que atrai todas as bocas famintas de 2002, 2006 e 2010.
Avança-se em fatias, comendo o mingau pelas berbas na arguta percepção de que é preciso aleijar o corpo antes de atacar o coração.
Coisa de profissionais do ramo. O ramo do neogolpismo; aquele que arremete por dentro das regras institucionais, aliás invocando o papel de guardião daquilo que golpeia.
O novo ferramental não se dispensa dos artefatos do velho repertório.
Em certa medida, vive-se um revival do clima de 2002, quando a falta de respeito e o preconceito de classe ilustraram a que ponto pode chegar a polidez das elites quando o céu que as protege ameaça cair em mãos alheias.
Diariamente uma ração de manchetes, colunas e escaladas televisivas, ademais de sobrancelhas em pinça, esgares e olhares insinuantes destilam o mesmo e incontido ódio "à la 2002".
Em qualquer guerra o bombardeio intenso não transforma a saturação em apoio ao agressor.
As três vitórias sucessivas do PT, nenhuma delas com apoio deles, evidenciam um limite a partir do qual o peso da realidade pulsa na formação da consciência social.
A brecha tende a se alargar à medida em que cresce o saldo positivo das gestões petistas -- a palavra saldo não condensa uma evolução linear, nem isenta o percurso das contradições inerentes a governos policlassistas de centro esquerda.
Marmorizado no cotidiano da população o legado da década petista forma um repertório que adensa a percepção de um país distinto do ecoado pelo bumbo conservador.
O atrito obriga o agendamento a radicalizar a narrativa.
Analistas de maior consistência são vencidos pelo alarido grosseiro do segundo escalão. A fotografia cede ao photoshop, literalmente e eticamente.
Tome-se o exemplo a página 2 da Folha.Ali escreveram progressistas como Antonio Calado e conservadores, como Otto Lara Resende, entre outros. Ambas as cepas com expressões de alto nível.
Tornou-se um rodapé intelectual.
Excetuadas honrosas exceções, respinga ali o suor inglório dos que brigam com as palavras para compensar a irrelevância com decibéis.
Isso para não falar de casos clínicos.
'Veja', que um dia foi dirigida por Mino Carta, é cada vez mais um desengonçado encadernamento de replicantes do Tea Party.
O efeito bumerangue é inevitável.
A forma como o panfleto da Abril rejeita a regulação da mídia é um testemunho da pertinência da regulação da mídia.
O conjunto expõe a armadilha que enredou o conservadorismo em uma contradição nos seus próprios termos.
Quanto mais espaço abre ao escalão beligerante , maior o fosso entre a percepção sensorial do país e o que as manchetes martelam.
Parece uma boa notícia. E uma parte do governo acha que resolve o embate dessa forma.
Engana-se. O outro lado também sabe que corre contra os ponteiros da história.
A radicalização observada neste momento não deve ser encarada como um hiato.
É um ciclo de tudo ou nada. E reserva pouco espaço à acomodação
O blog Grupo Beatrice (http://grupobeatrice.blogspot.com.br/) qualifica de forma interessante essa natureza ambígua do poder de agendamento conservador nesse momento.
Uma pesquisa feita por estudantes de jornalismo da Universidade Anhembi Morumbi São Paulo discute a tese de que o dispositivo midiático já não tem mais o poder de eleger presidentes ou forçar impeachments.
Mas ainda é eficiente em estabelecer pautas e agendas como a do julgamento da AP 470.
No dizer do 'Beatrice', o aparelho de difusão conservador já não determina como pensar, mas retém o poder de prescrever 'sobre o que' pensar.
Diariamente uma ração de manchetes, colunas e escaladas televisivas, ademais de sobrancelhas em pinça, esgares e olhares insinuantes destilam o mesmo e incontido ódio "à la 2002".
Em qualquer guerra o bombardeio intenso não transforma a saturação em apoio ao agressor.
As três vitórias sucessivas do PT, nenhuma delas com apoio deles, evidenciam um limite a partir do qual o peso da realidade pulsa na formação da consciência social.
A brecha tende a se alargar à medida em que cresce o saldo positivo das gestões petistas -- a palavra saldo não condensa uma evolução linear, nem isenta o percurso das contradições inerentes a governos policlassistas de centro esquerda.
Marmorizado no cotidiano da população o legado da década petista forma um repertório que adensa a percepção de um país distinto do ecoado pelo bumbo conservador.
O atrito obriga o agendamento a radicalizar a narrativa.
Analistas de maior consistência são vencidos pelo alarido grosseiro do segundo escalão. A fotografia cede ao photoshop, literalmente e eticamente.
Tome-se o exemplo a página 2 da Folha.Ali escreveram progressistas como Antonio Calado e conservadores, como Otto Lara Resende, entre outros. Ambas as cepas com expressões de alto nível.
Tornou-se um rodapé intelectual.
Excetuadas honrosas exceções, respinga ali o suor inglório dos que brigam com as palavras para compensar a irrelevância com decibéis.
Isso para não falar de casos clínicos.
'Veja', que um dia foi dirigida por Mino Carta, é cada vez mais um desengonçado encadernamento de replicantes do Tea Party.
O efeito bumerangue é inevitável.
A forma como o panfleto da Abril rejeita a regulação da mídia é um testemunho da pertinência da regulação da mídia.
O conjunto expõe a armadilha que enredou o conservadorismo em uma contradição nos seus próprios termos.
Quanto mais espaço abre ao escalão beligerante , maior o fosso entre a percepção sensorial do país e o que as manchetes martelam.
Parece uma boa notícia. E uma parte do governo acha que resolve o embate dessa forma.
Engana-se. O outro lado também sabe que corre contra os ponteiros da história.
A radicalização observada neste momento não deve ser encarada como um hiato.
É um ciclo de tudo ou nada. E reserva pouco espaço à acomodação
O blog Grupo Beatrice (http://grupobeatrice.blogspot.com.br/) qualifica de forma interessante essa natureza ambígua do poder de agendamento conservador nesse momento.
Uma pesquisa feita por estudantes de jornalismo da Universidade Anhembi Morumbi São Paulo discute a tese de que o dispositivo midiático já não tem mais o poder de eleger presidentes ou forçar impeachments.
Mas ainda é eficiente em estabelecer pautas e agendas como a do julgamento da AP 470.
No dizer do 'Beatrice', o aparelho de difusão conservador já não determina como pensar, mas retém o poder de prescrever 'sobre o que' pensar.
Metaforicamente, a condição de pautar a sociedade remete à modelagem totalitária de um mundo administrado no qual a ficção é a realidade, como no filme Matrix.
A diferença sutil entre 'o que' e 'sobre o que' tem implicações políticas nada desprezíveis.
A primeira é demonstrar que o poder antagônico não é absoluto. O que parece animador.
Mas envolve essa contrapartida virulenta de quem, repita-se, sabe que corre contra o tempo. E avança para o tudo ou nada, antes que seja tarde.
O lado oposto, o das forças progressistas --e o do governo-- deve socorrer-se nas lições práticas que os momentos de intensa polarização histórica como esse deixaram.
A gravidade da hora impõe o dever de repetir incansavelmente : se o dispositivo midiático conservador mantém uma escala de difusão capaz de determinar sobre o que o país deve ou não pensar, não adianta ater-se ao manejo eficiente da economia para contrastá-lo.
Isso é indispensável, mas não é suficiente. E até para que ocorra é imprescindível afrontar o poder de alcance do monopólio difusor.
De duas formas.
Com um novo marco regulatório das comunicações, que resguarde o equilíbrio de pontos de vista requerido pela democracia; e, antes disso até, como pede o tique-taque do relógio político: propiciando à mídia progressista condições legítimas para expressar um ponto de vista que hoje, objetivamente, reflete os interesses históricos dos novos atores majoritários do país.
A diferença sutil entre 'o que' e 'sobre o que' tem implicações políticas nada desprezíveis.
A primeira é demonstrar que o poder antagônico não é absoluto. O que parece animador.
Mas envolve essa contrapartida virulenta de quem, repita-se, sabe que corre contra o tempo. E avança para o tudo ou nada, antes que seja tarde.
O lado oposto, o das forças progressistas --e o do governo-- deve socorrer-se nas lições práticas que os momentos de intensa polarização histórica como esse deixaram.
A gravidade da hora impõe o dever de repetir incansavelmente : se o dispositivo midiático conservador mantém uma escala de difusão capaz de determinar sobre o que o país deve ou não pensar, não adianta ater-se ao manejo eficiente da economia para contrastá-lo.
Isso é indispensável, mas não é suficiente. E até para que ocorra é imprescindível afrontar o poder de alcance do monopólio difusor.
De duas formas.
Com um novo marco regulatório das comunicações, que resguarde o equilíbrio de pontos de vista requerido pela democracia; e, antes disso até, como pede o tique-taque do relógio político: propiciando à mídia progressista condições legítimas para expressar um ponto de vista que hoje, objetivamente, reflete os interesses históricos dos novos atores majoritários do país.
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