Quando o controle remoto não resolve
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Ilustração: Saad Murtadha |
Jornais, revistas, o rádio e a televisão tratam de inúmeros assuntos, quase sem restrição. Apenas um assunto é tabu: eles mesmos.
Durante muito tempo a crítica da mídia esteve restrita às universidades e a alguns sindicatos de jornalistas ou radialistas. Hoje a internet tem um papel importante na ampliação desse debate.
Mas na academia houve um retrocesso. O programa “Globo Universidade”, das Organizações Globo, tem parcela importante de responsabilidade nessa mudança. Surgiu com o objetivo de neutralizar aquela que era uma das poucas áreas onde se realizava uma análise crítica sistemática dos meios de comunicação.
Passou a financiar laboratórios de pesquisa e eventos científicos e, com isso, o objeto de investigação, no caso a própria Globo, tornou-se patrocinador do investigador, retirando da pesquisa a necessária isenção.
Fez na comunicação o que a indústria farmacêutica faz com a medicina há muito tempo, bancando viagens e congressos médicos para propagandear remédios.
O resultado prático pode ser visto no número crescente de trabalhos acadêmicos sobre o uso de novas tecnologias associadas à TV e as formas de aplicação dos seus resultados pelo mercado.
Enfatizam cada vez mais o papel do receptor como elemento capaz de selecionar, a seu critério, os conteúdos que lhe interessam.
Fazem, dessa forma, o jogo dos controladores dos meios, retirando deles a responsabilidade por aquilo que é veiculado. Fica tudo nas costas do pobre receptor, como se ele fosse dono de um livre-arbítrio midiático.
Esquecem o fenômeno da concentração dos meios que reduz o mundo a uma pauta única, com pouca diferenciação entre os veículos.
Dizem em linguagem empolada o que empresários de TV costumam expressar de modo simples: “o melhor controle é o controle remoto”. Como se ao mudar de canal fosse possível ver algo muito diferente.
Cresce também o número de empresas de comunicação oferecendo cursos até em universidades públicas retirando dessas instituições o espaço do debate e da critica.
Saem dos cursos de comunicação jovens adestrados para o mercado, capazes de se tornarem bons profissionais. No entanto, a débil formação geral recebida os impedirá de colocar os conhecimentos obtidos a serviço da cidadania e da transformação social.
O papel político desempenhado pelos meios de comunicação e a análise criteriosa dos conteúdos emitidos ficam em segundo plano, tanto na pesquisa como no ensino.
Foi-se o tempo em que, logo dos primeiros anos do curso, praticava-se a comunicação comparada com exercícios capazes de identificar as linhas político-editoriais adotadas pelos diferentes veículos.
Caso fosse aplicada hoje mostraria, com certeza, a uniformidade das pautas com jornais e telejornais reduzindo os acontecimentos a meia dúzia de fatos capazes de “render matéria”, no jargão das redações.
Mas poderia, em alguns momentos excepcionais, realçar diferenças significativas, imperceptíveis aos olhos do receptor comum.
Como no caso ocorrido logo após a condenação de José Dirceu pelo STF. Ao sair de uma reunião, o líder do PT na Câmara dos Deputados, Jilmar Tatto foi abordado por vários repórteres.
Queriam saber sua opinião sobre o veredicto do Supremo. Claro que ele deu apenas uma resposta mas para quem viu os telejornais da Rede TV e da Globo foram respostas diferentes.
Na primeira Tatto dizia: “a Corte tem autonomia soberana e pagamos alto preço por isso. E só espero que esta jurisprudência usada pelo STF continue e que tenha o mesmo tratamento com os acusados do PSDB”. Na Globo a frase sobre o “mensalão tucano” desapareceu.
Em casa o telespectador, mesmo vendo os dois jornais, dificilmente perceberia a diferença entre ambos, dada a seqüência rápida das imagens.
Mas para a universidade seria um excelente mote de pesquisa cujos resultados teriam uma importância sócio-política muito maior do que longos discursos sobre transmídias e receptores.
Saem dos cursos de comunicação jovens adestrados para o mercado, capazes de se tornarem bons profissionais. No entanto, a débil formação geral recebida os impedirá de colocar os conhecimentos obtidos a serviço da cidadania e da transformação social.
O papel político desempenhado pelos meios de comunicação e a análise criteriosa dos conteúdos emitidos ficam em segundo plano, tanto na pesquisa como no ensino.
Foi-se o tempo em que, logo dos primeiros anos do curso, praticava-se a comunicação comparada com exercícios capazes de identificar as linhas político-editoriais adotadas pelos diferentes veículos.
Caso fosse aplicada hoje mostraria, com certeza, a uniformidade das pautas com jornais e telejornais reduzindo os acontecimentos a meia dúzia de fatos capazes de “render matéria”, no jargão das redações.
Mas poderia, em alguns momentos excepcionais, realçar diferenças significativas, imperceptíveis aos olhos do receptor comum.
Como no caso ocorrido logo após a condenação de José Dirceu pelo STF. Ao sair de uma reunião, o líder do PT na Câmara dos Deputados, Jilmar Tatto foi abordado por vários repórteres.
Queriam saber sua opinião sobre o veredicto do Supremo. Claro que ele deu apenas uma resposta mas para quem viu os telejornais da Rede TV e da Globo foram respostas diferentes.
Na primeira Tatto dizia: “a Corte tem autonomia soberana e pagamos alto preço por isso. E só espero que esta jurisprudência usada pelo STF continue e que tenha o mesmo tratamento com os acusados do PSDB”. Na Globo a frase sobre o “mensalão tucano” desapareceu.
Em casa o telespectador, mesmo vendo os dois jornais, dificilmente perceberia a diferença entre ambos, dada a seqüência rápida das imagens.
Mas para a universidade seria um excelente mote de pesquisa cujos resultados teriam uma importância sócio-política muito maior do que longos discursos sobre transmídias e receptores.
Trabalho escravo, quando acaba?
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| http://fineartamerica.com |
Em janeiro de 2004, três auditores fiscais do trabalho e um motorista foram assassinados em Unaí (MG) ao investigarem trabalho escravo em uma lavoura de feijão. Em janeiro próximo se completam 9 anos de impunidade. Até agora ninguém foi condenado pela chacina que tirou as vidas dos auditores Eratóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares Lage, Nelson José da Silva, e do motorista Ailton Pereira da Silva.
O Brasil possui uma eficiente fiscalização do trabalho degradante. O Grupo Móvel atua desde 1995 e, a partir de 2003, já libertou mais de 35 mil trabalhadores, segundo dados da CPT (Comissão Pastoral da Terra).
Há obstáculos permanentes a enfrentar, como aponta meu confrade Xavier Plassat (Prêmio Nacional de Direitos Humanos 2008), como a burocracia que atrasa a apuração de denúncias; dificuldades operacionais para agilizar a Polícia Federal, que atua como polícia judiciária; resistência de algumas superintendências regionais a fiscalizações efetivas.
A fiscalização, entretanto, tem melhorado. Apenas 1/3 das denúncias continua sem investigação. Isso não significa que libertar trabalhadores faz cessar a escravidão. Ela deita raízes profundas no solo brasileiro: tivemos o mais longo período de escravidão nas Américas, 358 anos (1530-1888) e, hoje, a ganância, a miséria e a impunidade favorecem esse crime hediondo.
A escravidão não ocorre apenas em áreas rurais. Expande-se aos grandes centros urbanos, como em confecções de São Paulo, que exploram a mão de obra de imigrantes bolivianos e asiáticos.
Em 2010, 242 pessoas foram libertadas de situações análogas à escravidão em atividades não agrícolas, como construção civil (175 em obras do PAC!). Na zona rural, 2/3 dos casos, entre 2003 e 2010, ocorreram na pecuária (desmatamento, abertura e manutenção do pasto); 17% em lavouras de cana de açúcar, soja, algodão, milho, café, e reflorestamento; e 10% em carvoarias a serviço de siderurgias.
A maioria dos libertados trabalhava na pecuária e no corte de cana, sobretudo na região amazônica, principalmente nos estado do Pará, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso, onde se destaca a voz profética do bispo Dom Pedro Casaldáliga, ainda hoje, aos 84 anos, ameaçado de morte por defender os oprimidos (Prêmio Nacional de Direitos Humanos 2012).
Por que trabalho escravo em pleno século XXI? O lucro! E quando flagrado, o proprietário finge não saber o que ocorria em suas terras e culpa o capataz. Fazendeiros, parlamentares, magistrados, artistas de TV, figuram entre proprietários rurais que adotam trabalho braçal de baixo custo em condições subumanas – o trabalho escravo.
Daí a dificuldade de a Câmara dos Deputados aprovar, após espera de 8 anos, a emenda constitucional que propõe cancelar a propriedade da terra de quem adota mão de obra escrava. Felizmente, a PEC 438 foi aprovada em maio deste ano e, agora, aguarda aprovação do Senado.
Hoje, o proprietário rural não é mais dono do servo, nem responsável por sua manutenção e reprodução de sua prole, como acontecia no Brasil colonial. Ele usa e abusa da mão de obra escrava, arregimentada sob promessas enganosas, e a descarta três ou quatro meses depois. Carvoeiros, roçadores de pasto e cortadores de cana têm, em pleno século XXI, expectativa de vida inferior aos escravos do século XIX.
O trabalho escravo está presente nas principais cadeias produtivas do agronegócio brasileiro: carne e madeira (metade das denúncias); cana e demais lavouras (metade dos libertados), e carvão vegetal.
Há uma estreita vinculação entre expansão do agronegócio no contexto da economia globocolonizada e a precarização das relações trabalhistas. Eis a contradição, alerta frei Xavier Plassat: o mesmo governo que estimula as monoculturas de exportação corre atrás dos enormes prejuízos que ela provoca, inclusive à imagem do Brasil no exterior.
A OIT (Organização Internacional do Trabalho) calcula que, atualmente, haja no mundo de 12 a 27 milhões de trabalhadores escravos. No Brasil, estima-se em 25 mil o número de pessoas submetidas a condições degradantes de trabalho, inclusive crianças.
É hora de as centrais sindicais descruzarem os braços quanto a essa nódoa do cenário brasileiro.
O Brasil possui uma eficiente fiscalização do trabalho degradante. O Grupo Móvel atua desde 1995 e, a partir de 2003, já libertou mais de 35 mil trabalhadores, segundo dados da CPT (Comissão Pastoral da Terra).
Há obstáculos permanentes a enfrentar, como aponta meu confrade Xavier Plassat (Prêmio Nacional de Direitos Humanos 2008), como a burocracia que atrasa a apuração de denúncias; dificuldades operacionais para agilizar a Polícia Federal, que atua como polícia judiciária; resistência de algumas superintendências regionais a fiscalizações efetivas.
A fiscalização, entretanto, tem melhorado. Apenas 1/3 das denúncias continua sem investigação. Isso não significa que libertar trabalhadores faz cessar a escravidão. Ela deita raízes profundas no solo brasileiro: tivemos o mais longo período de escravidão nas Américas, 358 anos (1530-1888) e, hoje, a ganância, a miséria e a impunidade favorecem esse crime hediondo.
A escravidão não ocorre apenas em áreas rurais. Expande-se aos grandes centros urbanos, como em confecções de São Paulo, que exploram a mão de obra de imigrantes bolivianos e asiáticos.
Em 2010, 242 pessoas foram libertadas de situações análogas à escravidão em atividades não agrícolas, como construção civil (175 em obras do PAC!). Na zona rural, 2/3 dos casos, entre 2003 e 2010, ocorreram na pecuária (desmatamento, abertura e manutenção do pasto); 17% em lavouras de cana de açúcar, soja, algodão, milho, café, e reflorestamento; e 10% em carvoarias a serviço de siderurgias.
A maioria dos libertados trabalhava na pecuária e no corte de cana, sobretudo na região amazônica, principalmente nos estado do Pará, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso, onde se destaca a voz profética do bispo Dom Pedro Casaldáliga, ainda hoje, aos 84 anos, ameaçado de morte por defender os oprimidos (Prêmio Nacional de Direitos Humanos 2012).
Por que trabalho escravo em pleno século XXI? O lucro! E quando flagrado, o proprietário finge não saber o que ocorria em suas terras e culpa o capataz. Fazendeiros, parlamentares, magistrados, artistas de TV, figuram entre proprietários rurais que adotam trabalho braçal de baixo custo em condições subumanas – o trabalho escravo.
Daí a dificuldade de a Câmara dos Deputados aprovar, após espera de 8 anos, a emenda constitucional que propõe cancelar a propriedade da terra de quem adota mão de obra escrava. Felizmente, a PEC 438 foi aprovada em maio deste ano e, agora, aguarda aprovação do Senado.
Hoje, o proprietário rural não é mais dono do servo, nem responsável por sua manutenção e reprodução de sua prole, como acontecia no Brasil colonial. Ele usa e abusa da mão de obra escrava, arregimentada sob promessas enganosas, e a descarta três ou quatro meses depois. Carvoeiros, roçadores de pasto e cortadores de cana têm, em pleno século XXI, expectativa de vida inferior aos escravos do século XIX.
O trabalho escravo está presente nas principais cadeias produtivas do agronegócio brasileiro: carne e madeira (metade das denúncias); cana e demais lavouras (metade dos libertados), e carvão vegetal.
Há uma estreita vinculação entre expansão do agronegócio no contexto da economia globocolonizada e a precarização das relações trabalhistas. Eis a contradição, alerta frei Xavier Plassat: o mesmo governo que estimula as monoculturas de exportação corre atrás dos enormes prejuízos que ela provoca, inclusive à imagem do Brasil no exterior.
A OIT (Organização Internacional do Trabalho) calcula que, atualmente, haja no mundo de 12 a 27 milhões de trabalhadores escravos. No Brasil, estima-se em 25 mil o número de pessoas submetidas a condições degradantes de trabalho, inclusive crianças.
É hora de as centrais sindicais descruzarem os braços quanto a essa nódoa do cenário brasileiro.
Connecticut e o controle de armas
Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:
As últimas notícias sobre o massacre numa escola infantil de Newtown, no estado de Connecticut, dão conta de que pelo menos 28 pessoas morreram, entre elas 20 crianças. O suspeito está morto numa sala de aula. Seu nome é Adam Lanza, 20 anos. Sua mãe, Nancy, que trabalhava na escola, também foi assassinada. Não está claro ainda se Adam foi abatido pela polícia ou se cometeu suicídio. Seu irmão Ryan, 24, está sendo interrogado.
É a segunda pior ocorrência desse tipo na história dos Estados Unidos, onde assassinatos em massa são uma tradição. A primeira é a da Virginia Tech, em 2007, com 32 vítimas fatais. Nos últimos 40 anos, houve 61 casos. Só em 2012, foram seis, com 110 pessoas mortas e feridas (sem contar a chacina de hoje).
Um garoto de 8 anos contou à CNN como escapou. Ele estava a caminho da diretoria quando avistou o atirador. “Eu ouvi tiros no corredor e um professor me puxou para dentro da sala”, disse. Outros meninos descreveram o barulho dos disparos como similares a chutes na porta ou estouros de bombas. “Foi horrendo”, disse uma mãe. “Todos estavam histéricos. Crianças saíam ensanguentadas. Não sei se tinham sido atingidas, mas estavam cobertas de sangue”.
Obama fez um pronunciamento em que chorou e mandou suas condolências. Segundo seu porta voz, Jay Carney, não é hora ainda de discutir o controle de armas nos EUA.
Por que não? O que falta acontecer? Quando será hora?
Em 2008, Obama afirmou: “Não vou tirar suas armas”. Entretanto, prometeu aperfeiçoar a fiscalização. Ao invés disso, assinou autorizações para o porte em parques nacionais e na rede ferroviária Amtrak. A venda de armamentos, aliás, aumentou quando ele foi eleito da primeira vez.
Atualmente, calcula-se que haja 90 armas para cada 100 americanos. Segundo uma pesquisa do ano passado do instituto Gallup, apenas 26% da população apoia o fim da venda legal. A taxa de associados à NRA, National Rifle Association, cresce exponencialmente há décadas. Hoje são 4.3 milhões de sócios (fundada em 1871, a NRA tem um lobby poderoso e advoga a segunda Emenda da Constituição, que garante “o direito das pessoas manterem e carregarem armas.”)
Não há uma liderança política relevante em defesa do desarmamento. O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, é a voz mais ativa. Alguns analistas acreditam que isso é efeito do medo numa nação sempre em guerra. Setores reacionários creem que um arsenal será útil para defender sua família e sua propriedade no caso de um governo tirânico (!?).
A cada chacina, esses grupos invertem a discussão, afirmando que uma população armada se defenderia melhor de um psicopata. As pessoas no cinema de Aurora, no Colorado, que estavam assistindo Batman, estariam mais seguras se portassem seus Colts quando um maluco abriu fogo? Os professores de Newtown protegeriam seus alunos? Os alunos sacariam suas Magnums?
Supondo que o fizessem, qualquer mente sã entende que seria ainda muito, muito pior.
É a segunda pior ocorrência desse tipo na história dos Estados Unidos, onde assassinatos em massa são uma tradição. A primeira é a da Virginia Tech, em 2007, com 32 vítimas fatais. Nos últimos 40 anos, houve 61 casos. Só em 2012, foram seis, com 110 pessoas mortas e feridas (sem contar a chacina de hoje).
Um garoto de 8 anos contou à CNN como escapou. Ele estava a caminho da diretoria quando avistou o atirador. “Eu ouvi tiros no corredor e um professor me puxou para dentro da sala”, disse. Outros meninos descreveram o barulho dos disparos como similares a chutes na porta ou estouros de bombas. “Foi horrendo”, disse uma mãe. “Todos estavam histéricos. Crianças saíam ensanguentadas. Não sei se tinham sido atingidas, mas estavam cobertas de sangue”.
Obama fez um pronunciamento em que chorou e mandou suas condolências. Segundo seu porta voz, Jay Carney, não é hora ainda de discutir o controle de armas nos EUA.
Por que não? O que falta acontecer? Quando será hora?
Em 2008, Obama afirmou: “Não vou tirar suas armas”. Entretanto, prometeu aperfeiçoar a fiscalização. Ao invés disso, assinou autorizações para o porte em parques nacionais e na rede ferroviária Amtrak. A venda de armamentos, aliás, aumentou quando ele foi eleito da primeira vez.
Atualmente, calcula-se que haja 90 armas para cada 100 americanos. Segundo uma pesquisa do ano passado do instituto Gallup, apenas 26% da população apoia o fim da venda legal. A taxa de associados à NRA, National Rifle Association, cresce exponencialmente há décadas. Hoje são 4.3 milhões de sócios (fundada em 1871, a NRA tem um lobby poderoso e advoga a segunda Emenda da Constituição, que garante “o direito das pessoas manterem e carregarem armas.”)
Não há uma liderança política relevante em defesa do desarmamento. O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, é a voz mais ativa. Alguns analistas acreditam que isso é efeito do medo numa nação sempre em guerra. Setores reacionários creem que um arsenal será útil para defender sua família e sua propriedade no caso de um governo tirânico (!?).
A cada chacina, esses grupos invertem a discussão, afirmando que uma população armada se defenderia melhor de um psicopata. As pessoas no cinema de Aurora, no Colorado, que estavam assistindo Batman, estariam mais seguras se portassem seus Colts quando um maluco abriu fogo? Os professores de Newtown protegeriam seus alunos? Os alunos sacariam suas Magnums?
Supondo que o fizessem, qualquer mente sã entende que seria ainda muito, muito pior.
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