Lula: “A CARA DO BANQUEIRO NÃO APARECE NA TV PORQUE É ELE QUE PAGA A PROPAGANDA”

“Falando no fórum "Escolher o crescimento, sair da crise", em Paris, o ex-presidente criticou os banqueiros que gozam de impunidade absoluta: “o mais fantástico é que o ‘Lehman Brothers’ quebra e ninguém vai preso, enquanto o banco recebe os bilhões que os países nunca recebem no mundo”. Lula disse, ainda, que a cara de nenhum banqueiro responsável pela crise aparece na TV porque são eles que pagam a propaganda.


Por Eduardo Febbro

Paris - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez diferença em relação aos demais participantes do fórum “Escolher o crescimento, sair da crise”, organizado em Paris pelo “Instituto Lula” e pela “Fundação Jean Jaurés”. Longe da verborragia consensual nesse tipo de encontro, Lula disse na capital francesa que “é preciso distribuir para crescer”, ao mesmo tempo em que criticou copiosamente os “comitês de crise” que se criam quando chega o incêndio.

Lula interpelou o ex-primeiro ministro socialista Lionel Jospin, presente na sala, e perguntou quantos desses comitês havia criado quando esteve no poder. O ex-mandatário contou que havia criado muitos desses comitês de crise, mas que só começou a avançar realmente quando criou “comissões de soluções”.

Interrompido várias vezes por aplausos, Lula denunciou “a falta de representatividade” dos organismos internacionais e defendeu a criação de mais espaços representativos multilaterais, que aumentem o peso das vozes alternativas em nível internacional. “Precisamos criar instrumentos e mecanismos com mais solidariedade, mais democracia, para que as decisões não estejam subordinadas a quem tem mais dinheiro, mais poder ou uma indústria maior”.

O senso de humor e a pertinência do ex-presidente fizeram da jornada final do fórum um momento especial. Lula criticou os banqueiros que gozam de impunidade absoluta: “o mais fantástico é que o ‘Lehman Brothers’ quebra e ninguém vai preso, enquanto o banco recebe os bilhões que os países nunca recebem no mundo”.

Lula lembrou que a crise “é responsabilidade de um monte de desconhecidos” e perguntou ao público se alguém tinha visto na televisão a “cara de algum banqueiro”. “Não”, respondeu, e voltou a perguntar: “sabem por quê? Porque é o banqueiro que paga a propaganda”.

Por último, Lula defendeu uma visão solidária e responsável do desenvolvimento. O ex-presidente se perguntou “por que o mundo desenvolvido, que tem problemas de consumo, não cria mecanismos de financiamento para que os países africanos recebam fundos com juros de longo prazo, mais baratos, para assim começar a desenvolver uma indústria, uma agricultura.”

FONTE: artigo de Eduardo Febbro, direto de Paris, publicado no site “Carta Maior” com tradução de Katarina Peixoto  (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21403).
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O CERCO CONTRA LULA SE FECHA. E AGORA?

Por Altamiro Borges, no seu blog


“Reportagem do “Estadão” de terça-feira confirma, até para os mais ingênuos, que a direita midiática e partidária não vai recuar um milímetro na sua ofensiva para desconstruir a imagem de Lula – e para, logo na sequência, bombardear a presidenta Dilma.

Ela teve como base um depoimento prestado por Marcos Valério, em 24 de setembro último, à Procuradoria-Geral da República, que “vazou” no jornal da famiglia Mesquita. Nela, o publicitário afirma que pagou “despesas pessoais” do ex-presidente Lula e que sofreu “ameaças de morte”.

Ainda segundo o sinistro depoimento, prestado após o empresário ser condenado a 40 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal, Lula teria dado aval aos empréstimos que irrigaram o “mensalão” que comprou deputados da base aliada do seu governo. Marcos Valério fez as novas denúncias às procuradoras Raquel Branquinho e Cláudia Sampaio – esta última mulher de Roberto Gurgel, procurador-geral da República. Com isso, ele tentou ser incluído no programa de proteção a testemunhas para reduzir a sua pena.

DIREITA EM PLENA OFENSIVA

O depoimento “vazado” deu novo fôlego à oposição midiática e partidária. Em plena ofensiva, ela atua em várias frentes. Explora ao máximo o midiático julgamento do “mensalão do PT”, que já estava nos seus estertores e agora ganha nova dinâmica, e ainda abusa das baixarias, inclusive moralistas, no caso Rosemary Noronha, ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo. Tudo é calculado para fustigar a popularidade do ex-presidente Lula e, de quebra, para fragilizar o governo da sua sucessora.

Nesse esforço, o que há de mais reacionário na política nativa se une. Logo após o factoide do “Estadão”, o PSDB anunciou que pedirá a imediata convocação de Marcos Valério para depor no Congresso Nacional. “Queremos ouvi-lo para que ele diga ao país o que disse ao procurador. O que se sabe são “vazamentos”. É oportuna a presença dele para confirmar o que saiu na imprensa”, justificou o exótico Álvaro Dias, líder tucano no Senado. Os demos, mais sujos do que pau de galinheiro, também pedem a convocação.

AÉCIO NEVES BEBEU NOVAMENTE?

Já o cambaleante presidenciável do PSDB, Aécio Neves, disse que “o PT e o governo deveriam terminar este ano de luto”. Será que ele bebeu novamente? Será que ele já se esqueceu dos péssimos resultados das eleições municipais? Para o senador mineiro, as denúncias de Marcos Valério confirmam que “o nível das relações íntimas do governo federal nos tráficos de influência que lesaram o erário público… O mensalão está aí na sua fase final e já temos outras denúncias que justificam a investigação da Procuradoria-Geral”.

Outras lideranças políticas, de legitimidade próxima à nulidade, também ficaram excitadas com a denúncia do “Estadão”. Roberto Freire, o chefão do PPS, novamente tentou se colocar como o capacho da direita. Já o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que andava meio na moita por puro oportunismo eleitoral, voltou a esbravejar que “o PT se transformou num verdadeiro carrasco da ética” e que o governo Dilma é “incompetente”. Alguns “viúvos do Demóstenes”, que se travestem de esquerda, também já se ouriçaram.

REAÇÃO TÍMIDA DOS ATINGIDOS

Diante desse verdadeiro linchamento, amplificado pela mídia, a reação das vítimas dessa nova ofensiva da direita ainda é muito tímida. Na França, onde participa de um seminário internacional, Lula disse, apenas, que o depoimento de Marcos Valério “é uma mentira e eu não posso acreditar em mentiras”. Já a presidenta Dilma Rousseff, também presente ao evento em Paris, lamentou “essas tentativas de desgastar a imagem de Lula. Repudio todas as tentativas de destituir Lula de sua imensa carga de respeito pelo povo brasileiro”.

O PT divulgou terça-feira à tarde uma nota, assinada pelo presidente da sigla, Rui Falcão, em repúdio às acusações. “A direção nacional do PT lamenta o espaço dado pela imprensa para as supostas denúncias assacadas pelo empresário Marcos Valério contra o partido e contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Caso essas declarações efetivamente tenham sito feitas em uma tentativa de ‘delação premiada’, deveriam ser tratadas com a cautela que se exige nesse tipo de caso. Infelizmente, isso não aconteceu”.

SUPERAR O PRAGMATISMO E A CONCILIAÇÃO

Ainda segundo a nota, “as supostas afirmações desse senhor ao Ministério Público Federal, ‘vazadas’ de modo inexplicável por quem teria a responsabilidade legal de resguardá-las, refletem apenas uma tentativa desesperada de tentar diminuir a pena de prisão que Marcos Valério recebeu do STF. Trata-se de uma sucessão de mentiras envelhecidas, todas já claramente desmentidas. É lamentável que denúncias sem nenhuma base na realidade sejam tratadas com seriedade”.

Os pronunciamentos e notas, porém, não são suficientes para conter a fúria da direita midiática e partidária. A conjuntura política fica cada vez mais delicada, com forte tendência à radicalização. Os demotucanos, sempre pautados pela mídia, já decidiram “endurecer” e precipitar a sucessão presidencial de 2014. As forças de esquerda, especialmente o PT, precisam reavaliar o cenário. Não podem ficar acuadas em função das visões pragmáticas e conciliadoras. O momento exige partir para ofensiva. Antes que seja tarde!”

FONTE: escrito pelo jornalista Altamiro Borges, no seu blog, e transcrito no portal “Viomundo”  (http://www.viomundo.com.br/politica/altamiro-borges-cerco-se-fecha-contra-lula-e-agora.html) [Imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’].
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'THE ECONOMIST', por Antonio Delfim Netto

“Leio semanalmente "The Economist" desde 1952, quando "filava" os exemplares recebidos pelo grande professor W. L. Stevens, a quem o Brasil deve a introdução da estatística fisheriana. Sempre admirei a clareza, a relativa imparcialidade e o tom doutoral e provocador da revista.


Ela se considera, convictamente, a portadora de uma ciência econômica universal, independente da história e da geografia. Dela extraí (com lógica invejável) as receitas de política econômica que levarão ao bem-estar social do mundo, com, talvez, um viés de maior conforto ao capital e às finanças.

Criada em 1843 por James Wilson -sogro do gigante Walter Bagehot, a quem entregou a sua editoria-, tinha por objetivo fundamental defender a liberdade de comércio então em discussão na Inglaterra. Fala, em seu benefício, que nos últimos 169 anos não mudou. Com altos e baixos, sobreviveu bravamente até tornar-se -não é possível ignorar este fato- a mais importante revista econômica internacional. Isso está longe, entretanto, de garantir a validade dos seus conceitos.

Se há uma virtude escassa na excelente "The Economist" é a humildade: ter ao menos uma pequena dúvida. Recusou, desde a sua origem, a lição do grande economista Ferdinando Galiani (1728-1787), que ensinou ser muito perigoso extrair conclusões políticas de abstrações universais!

O deselegante e injusto ataque "ad hominem" ao ilustre ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, partiu de duas premissas falsas:

1ª) O Brasil não estava "bombando" no início de 2011. O PIB caíra 0,3% em 2009 e, por puro efeito estatístico, aumentara 7,5% em 2010. O crescimento médio de 2009/10 foi de 3,6%, o mesmo número medíocre que vimos obtendo nos últimos 20 anos;

2ª) O ministro não errou sozinho quando sugeriu que o crescimento do terceiro sobre o segundo trimestre estaria entre 1,1% e 1,3%. Analistas financeiros no Brasil e no mundo, inclusive o "The Economist" (por seu instituto), acreditavam na mesma coisa.

O resultado apurado pelo IBGE (sobre o qual não paira qualquer dúvida de credibilidade) foi mesmo uma surpresa (0,6%). Isso nos deixa com um problema. Se os inúmeros estímulos postos em prática produzirem um crescimento de 0,8% do quarto sobre o terceiro trimestre, o PIB de 2012 será da ordem de 1%, um crescimento "per capita" nulo.

O baixo crescimento tem pouca coisa a ver com as políticas monetária, fiscal e cambial. Tem mais a ver com uma redução dos investimentos gerada por uma desconfiança exagerada entre o setor privado e o governo. Fez muito bem a presidente Dilma quando rejeitou a impertinente sugestão da revista.”

FONTE: escrito por Antonio Delfim Netto e publicado na “Folha de São Paulo”  (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/83240-the-economist.shtml) [Imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’].
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CAÇAS DE COMBATE AÉREO PARA O BRASIL: O QUE A HISTÓRIA TEM A DIZER

F-8 Gloster Meteor

EMBORA A AQUISIÇÃO DOS NOVOS CAÇAS SE ORIENTE POR UMA DECISÃO DE GOVERNO, A FAB PRECISA DEFINIR O QUE PRETENDE: É COMPRA OU ABSORÇÃO TECNOLÓGICA?

Em 1953, a FAB começou a usar o jato Gloster Meteor, chamados na FAB de F-7 e F-8, inaugurando a 'Era das Turbinas' e aposentando os caças P-47 Thunderbolt e Curtiss P-40. Na foto o F-8. Vieram desmontados em troca de algodão e montados na Fábrica do Galeão-RJ.

Nam et ipsa scientia potestas est [Conhecimento é poder]

CAÇAS DE COMBATE AÉREO PARA O BRASIL: O QUE A HISTÓRIA TEM A DIZER

Por Fernanda Corrêa, historiadora, estrategista e pesquisadora do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense.

“A transferência de tecnologia tem sido condição sine qua non para que o Brasil feche parceria estratégica na área de Defesa. Em 2009, Brasil e França fecharam parceria estratégica para aquisição de quatro submarinos convencionais e da plataforma-navio para o futuro submarino de propulsão nuclear da Marinha do Brasil.

Muito se tem noticiado sobre as negociações da Força Aérea Brasileira para aquisição de 36 caças de combate. Em 2010, um suposto relatório da FAB vazou a informação de que a Força optaria pelo Gripen da empresa sueca SAAB. Em dezembro de 2012, a revista “Isto É” anunciou o vazamento da informação de que o F-18 Super Hornet, da empresa estadunidense Boeing, seria o favorito da FAB. Aponta-se que os quesitos custo e atendimento das necessidades da Força privilegiam o modelo de caça Super Hornet em relação ao Gripen e ao caça Rafale, da empresa francesa Dassault.

COMPRA OU ABSORÇÃO DE TECNOLOGIA?

O desenvolvimento nacional tem sido o ponto fundamental de discussão no Governo Federal para tomadas de decisão na área de Defesa. Segundo a revista “Isto É”, pelos documentos vazados, a Boeing teria se comprometido com a Embraer a entregar o maior conjunto de “offsets” já oferecido pelos EUA a qualquer país não membro da OTAN. Além de prometer ingresso do Brasil a mercados inacessíveis na área de Defesa, previa a construção conjunta de aviões de treinamento militar para pilotos que poderão, inclusive, serem vendidos para países da América Latina, e o desenvolvimento de um jato de emprego multifuncional de quinta geração que poderia ser comercializado mundialmente. A Boeing se comprometeria, também, a abrir um centro tecnológico em território brasileiro.

Embora a aquisição dos novos caças se oriente por uma decisão de Governo, a FAB precisa definir o que pretende: é compra ou absorção tecnológica? Se for compra, que se opte pela oferta mais barata; porém, se os quesitos absorção de tecnologia e mercado de exportação pesarem em mesmo nível que o quesito custo, a oferta mais barata pode, futuramente, sair mais cara.

Essa é uma questão fundamental que precisa ser analisada pelos tomadores de decisão: se as ousadas promessas da Boeing não são apenas parte da estratégia política dos Estados Unidos para tirar os franceses das negociações na área de Defesa com o Brasil.

A História está aí para quem quiser consultá-la. É preciso que os órgãos competentes tenham sensibilidade nessas questões antes da tomada de decisão para a aquisição dos caças.

Embora tal proposta estadunidense se mostre interessante e alinhada aos interesses brasileiros, é de suma importância que as autoridades políticas e de defesa analisem a história dos programas de cooperação tecnológica da FAB e avaliem se o que ela tem a dizer, se alinham com as promessas ou se confrontam com os interesses políticos e/ou econômicos dos EUA.

EXPERIÊNCIA DA FAB EM PROGRAMAS DE AQUISIÇÃO TECNOLÓGICA

AMX

Em 1978, as empresas italianas Aeritalia e Macchi se envolveram em um consórcio para desenvolver aeronaves de caça. Esse consórcio denominou-se Aeritalia Macchi Experimental (AMX). Buscava-se, em plena era dos caças multifuncionais de alto desempenho, desenvolver caças de ataque leve, que seriam empregados em missões de interdição, apoio aéreo aproximado e reconhecimento. Essas empresas acreditavam que caças como o F-16, Tornado, Jaguar e Mirage F1, aeronaves multifuncionais de alto desempenho, eram muito sofisticadas para missões secundárias de apoio aéreo aproximado tático em um cenário de conflito europeu. Desejavam, assim, desenvolver caças que, além de dispor de capacidade para operar em altas velocidades subsônicas à baixa altitude em qualquer horário do dia e se deslocassem de bases militares pouco aparelhadas e pistas danificadas, dispusessem também de baixa assinatura em infravermelho e capacidade autodefesa propiciada por mísseis ar-ar, sistemas de contramedidas eletrônicas e canhões integrados.

Em 1979, a FAB convocou essas empresas, interessada no seu projeto inovador de caça para um cenário de conflito sul-americano. Em 1980, a FAB decidiu participar do consórcio italiano e envolver a Embraer na construção de caças e na aquisição de ‘know how’ para construção de aviões militares modernos. Ressalva-se que não era a primeira vez que a Embraer era envolvida em programas de aquisição de tecnologia de defesa com a Itália. Em 1971, a Embraer já se envolvera no programa de cooperação com a empresa italiana Aermarcchi para o desenvolvimento da aeronave Xavante. A fim de desenvolver um caça leve subsônico, a Embraer investiu cerca de 29% nesse consórcio, enquanto que a Aermarcchi investiu cerca de 24% e a Aeritalia cerca de 46,3%.

Os caças AMX italianos receberam capacete DASH 4 e bombas guiadas a IR Opher da empresa israelense Elbit, rádio M3AR (Série 6000) da subsidiária alemã Rohde & Schwarz, bombas guiadas a laser GBU-16 Paveway II da estadunidense Raytheon e canhões M-61 A1 de 20 mm com 6 canos giratórios da estadunidense General Electric.

Já no desenvolvimento dos caças brasileiros, além da Embraer, que criou uma subsidiária para atender as necessidades do programa de cooperação, a Embraer Divisão de Equipamentos, a FAB também envolveu as empresas brasileiras Mectron, Eletromecânica Celma e Aeroeletrônica no programa de cooperação.

Em 1986, iniciou-se a produção inicial em série de 30 AMX, dos quais 21 caças ficaram com as empresas italianas e 9 caças ficaram com a FAB. Dos seis protótipos, dois vieram para o Brasil. Calculou-se, na época, que o custo médio de cada aeronave para a FAB chegou a ser de aproximadamente U$50 milhões, inclusos os gastos de engenharia e desenvolvimento. Criticava-se, tanto no Brasil quanto na Itália, os custos, atrasos no desenvolvimento do programa e a eficiência de emprego desses caças.

ELEMENTOS DE ANÁLISE PARA OS TOMADORES DE DECISÃO:

Buscarei elencar aqui alguns elementos de análise apontados pela História para que tomemos como lição para os futuros programas de cooperação tecnológica na área de Defesa:

(1) Quando os brasileiros decidiram participar do consórcio, os empresários italianos já estavam engajados no desenvolvimento de um caça de ataque com escopo já praticamente definido.

(2) A pouca experiência da FAB em participar de programas de cooperação com alta tecnologia agregada conduziu a Força acreditar que, após a assinatura do Memorando de Entendimento (MOU), não haveria maiores resistências em modificar o escopo do projeto de caça.

(3) As inúmeras alterações pedidas pela FAB durante o desenvolvimento do programa de cooperação e os atrasos nos repasses financeiros elevaram exageradamente os custos da aeronave.

(4) Nesse período crítico da década de 1990, as linhas de montagem se encontravam praticamente paralisadas por falta de peças.

(5) As entregas dos AMX se iniciaram em outubro de 1989 e só se encerraram em 1999. O contingenciamento orçamentário da FAB foi o principal motivo para a demora na entrega das unidades.

(6) Apenas o quarto e o sexto protótipos eram brasileiros. O quarto protótipo realizou seu primeiro voo em espaço aéreo brasileiro em outubro de 1985, em São José dos Campos, em São Paulo, O sexto protótipo realizou seu primeiro voo no Brasil, em dezembro de 1986. O único piloto de teste brasileiro foi Luiz Cabral, funcionário da Embraer. Embora o Brasil já contasse com pilotos de teste com qualificação para ensaios em voo no exterior, como o major-aviador Aldo Vieira da Rosa (pioneiro nessa área), o major-aviador José Mariotto Ferreira e o engenheiro Michel Cury, a FAB não dispunha de um centro especializado em qualificação para ensaio em voo em território nacional. Somente em 1986, o Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos, criou o curso de ensaios em voo para formar pilotos e engenheiros qualificados em planejar, executar e gerenciar atividades de ensaios em voos experimentais. Apesar de, desde 1987, o CTA formar pilotos de testes, somente em 2004 esse curso obteve reconhecimento da “Society of Experimental Test Pilots” (SETP), tornando o Brasil o único país na América do Sul a ter esse curso reconhecido internacionalmente.

(7) Ao longo das décadas de 1980 e 1990, o Brasil sofria uma grave crise econômica. Em função do delicado período político que o País experimentava, a Defesa tinha importância secundária na agenda governamental. Com orçamento contingenciado pelas oscilações da política e da economia nacional, a Embraer foi forçada a demitir 3.994 funcionários só em 1990. Aproximadamente 30% do quadro de funcionários da empresa foram demitidos. Nos anos seguintes, mais funcionários foram demitidos pela empresa.

(8) A Embraer acreditava que o AMX seria um sucesso de exportação na América do Sul. O custo desse modelo de caça tornou-se muito caro para o período de crise da época. Embora com ênfase em ataques ar-superfície, os jatos de treinamento militar britânicos Hawk tiveram maior êxito comercial do que os caças AMX. O único país que se mostrou interessado em adquirir 12 unidades do AMX foi a Venezuela. No entanto, por pressão dos Estados Unidos, a Embraer ficou impedida de vender os caças para aquele país.

(9) A Embraer desenvolveu as asas e profundores, tomadas de ar, cabides, trens de pouso, tanques de combustível, pallet de reconhecimento, motores Rolls-Royce Spey Mk 807 sob licença e instalação de canhões nacionais. Ressalva-se que os EUA vetaram o fornecimento dos canhões M-61 A1 de 20 mm com 6 canos giratórios(sistema Gatling), da GE para os caças da Embraer.

(10) Por último, acredita-se que, embora o AMX tenha inovado a FAB em conceitos operacionais, a instável e isolada burocracia interna da Embraer, mesmo após a privatização, não criou uma política de valorização de recursos humanos estratégicos; o que permitiu que engenheiros e pilotos que participaram de grandes programas de cooperação tecnológica da FAB tivessem sua mão de obra absorvida pelo mercado mundial, abandonassem a área de Defesa ou fossem absorvidos por outras empresas nacionais. Após a privatização da empresa, em dezembro de 1994, a Embraer concentrou seu trabalho na aviação regional e na constituição de parcerias empresariais internacionais, como a EADS, a Dassault, a Thales e a Snecma. Na área de Defesa, apesar do sucesso dos jatos de treinamento militar Super Tucanos, o fato de essa aeronave dispor de componentes estadunidenses acarreta sua comercialização estar sujeita aos interesses dos EUA, como já mencionado.

RUMO AO DOMÍNIO TECNOLÓGICO PARA PRODUÇÃO DE CAÇAS

Em função desses elementos de análise citados no programa de cooperação AMX, acredita-se que o Brasil perdeu excelente oportunidade de absorver o conhecimento necessário para construir sozinho um avião de caça de superioridade aérea. É fundamental que os gestores dos contratos tecnológicos da FAB e das empresas brasileiras se conscientizem que, somente após definido o projeto de caça desejado, sejam fechados os contratos com a empresa internacional escolhida. Isso reduzirá o tempo de desenvolvimento e de entrega das aeronaves e, principalmente, reduzirá os custos de investimento no Programa de Cooperação Tecnológica.

Importante considerar que o reduzido avanço na capacitação técnica nacional, tanto na FAB quanto nas indústrias envolvidas, deve ser relativizado. Embora as empresas envolvidas não sejam capazes, ainda hoje, de produzir sozinhas algumas das tecnologias absorvidas do Consórcio AMX, como as bombas guiadas a laser, é importante considerar os avanços tecnológicos de bombas guiadas que os futuros caças da FAB podem dispor a partir das indústrias nacionais.

O desenvolvimento da bomba guiada por sistemas de navegação inercial e por GPS nacional, a SMKB, é o retrato da capacidade de inovação das indústrias brasileiras. Essa bomba guiada está sendo produzida por meio da união das empresas brasileiras “Britanite Defence Systems” (agora chamada EAQ, membro do grupo SDS “Synergy Defesa & Segurança”), com a Mectron, atual “Organizações Odebrecht”, desde novembro de 2009. Enquanto a EAQ se encarrega do projeto, dos componentes mecânicos e pela comercialização, a Mectron se encarrega de desenvolver os conjuntos e subconjuntos eletrônicos, como o sistema de guiagem dessas bombas.

De baixo para cima: F-18, Gripen e Rafale

Se o desenvolvimento tecnológico brasileiro é prioritário na decisão da aquisição dos caças para a FAB, diante da história, o que devemos sempre nos perguntar é até que ponto vai o interesse dos EUA em manter as suas promessas, se já, em muitos outros momentos da história, impediram esse desenvolvimento. Nesse quesito, ao que parece, tanto o Gripen quanto o Rafale atendem às necessidades da indústria nacional. Como já discutido, se exportar também faz parte dos objetivos futuros da Embraer, nem a Boeing nem a SAAB, a qual também conta com tecnologia estadunidense, lhe propiciará isso. Haja visto, como já mencionado, os canhões da GE para a Embraer e os Super Tucanos para a Venezuela, vetados pelos EUA. A comercialização de tecnologias com participação dos EUA sempre está condicionada à política desse País.

Conclui-se que a FAB deve escolher um caça que lhe permitirá dominar todo o ciclo tecnológico. A inovação tecnológica será garantida com a combinação do que os engenheiros e técnicos brasileiros já absorveram de outros programas de cooperação tecnológicos com o que aprenderá se envolvendo nesse novo projeto de caça. Nada impede que a FAB tenha um modelo de caça próprio e que, paralelamente, a Embraer desenvolva outro modelo de caça de combate voltado para exportação.

O alto custo de investimento numa aeronave pode ser recompensado tanto por meio dos “offsets” recebidos pelas indústrias nacionais quanto por meio da própria exportação das aeronaves. É importante ressalvar que, se os nossos técnicos e engenheiros não são capazes de acompanhar o nível tecnológico de aeronaves de quinta geração, é preferível que a FAB adquira uma aeronave de tecnologia mais antiga, a qual os engenheiros e técnicos brasileiros tenham condições de acompanhar e desenvolver. Caso contrário, o custo de uma aquisição tecnológica sairá ainda mais caro para os cofres públicos.

A França, além de dominar tecnologias estratégicas na área de Defesa, tem se comprometido política, militar e estrategicamente, em contribuir com a maior projeção brasileira no sistema internacional. Como afirmou o primeiro-ministro francês Georges Clemenceau (1841-1929), “a guerra é um assunto muito importante para ser deixado a cargo dos Generais”. Não cabe aqui julgar se o Rafale permitirá ou não a Embraer absorver a capacidade de desenvolver sozinha novos caças de combate aéreo no futuro, mas desconsiderar a história é torná-la cíclica.

Que os tomadores de decisão considerem questões como as que foram expostas ao fecharem o grande acordo para a aquisição de 36 caças para a FAB. Lembrem-se de que, no total dos 120 caças de combate aéreo necessários para a Força, previstos na Estratégia Nacional de Defesa, um dia, num futuro muito próximo, teremos que ser capazes de projetar, construir, operar e manter os nossos próprios caças.”

[P.S.: além do que vem sendo publicado na imprensa nacional e estrangeira, este blog 'democraciapolítica' não tem conhecimento dos milhares de detalhes dos estudos técnicos conduzidos pela FAB para permitir a melhor escolha do caça para o projeto FX-2. Há muitos fatores que influem na decisão: operacionais, logísticos, "offset", preço etc. Notei, no artigo acima, sutil tendência a privilegiar a solução francesa (Rafale). Não endosso, nem opino qual seria a melhor ].

FONTE: escrito por Fernanda Corrêa, historiadora, estrategista e pesquisadora do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense. Artigo publicado no site “DefesaNet”  (http://www.defesanet.com.br/fx2/noticia/8952/DEFESA-EM-DEBATE---Cacas-de-Combate-Aereo-para-o-Brasil---o-que-a-Historia-tem-a-dizer). [Imagens do Google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].
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Cid Gomes usa dinheiro público para beneficiar emprerários

Por Antonio Ibiapino - editor do Blog da Dilma em Fortaleza - comandantey@yahoo.com.br
ARENA CASTELÃO
Qual a origem da palavra arena? É uma palavra eminentemente espanhola, cuja tradução para o português equivale a “areia ou pó”.
Os homens bárbaros da idade média criaram um tipo de luta corporal entre homens e homens ou entre homens e feras, nas quais a vitória pertenceria aquele que matasse o adversário. O local da estupida exibição era uma área arredondada com bastante areia na base do circo; onde o perímetro equivalia mais ou menos: pi vezes um raio de 20m²
Era nesse espaço repugnante que os arigós morriam para delírio do rei. Depois de tanto tempo e já em plena era da energia quântica, vem a FIFA querer mudar o nome das praças de esporte de Estádio para Arena.
Daqui a pouco esses imbecis da FIFA vão mudar as terminologias de : goleiro para kipper, de zagueiro para bac e assim por diante. E não duvidem! Porque já mudaram o nome de lateral para “ala”. Esta palavra também é espanhola, quer dizer beira, beirada, asa etc. Como o lateral trabalha primordialmente na lateral ou beirada do campo é evidente que os países de língua espanhola os chame de ala, mas para nós não passa de um neologismo para ignorante dizer.
GOLPE BAIXO CONTRA O POVO
A prefeita Luizianne Lins entra na justiça e derruba liminar da elite que “ganhou” a última eleição. Neste caso a justiça agiu de forma coerente, porque não seria justo aumentar as passagens de ônibus de um empresariado que já tem subsidio para poder garantir um preço mais baixo e desse modo ajudar os menos favorecidos.
SUA MAJESTADE O JUIZ.
É uma monumental obra literária do grande escritor cearense, Jader de Carvalho.
Toda liminar é um ato de um juiz, ou seja, de sua majestade o juiz e tem como objetivo salvaguardar um direito ameaçado. Ontem vimos sua majestade o juiz conceder uma liminar para garantir um direito “ameaçado dos pobrezinhos” empresários de ônibus. No entanto no Cerará de janeiro a outubro deste ano, já foram assassinados 1.340 pessoas. Esse descaso com a segurança pública está de fato pondo o direito à vida em risco, mas infelizmente a sua majestade o juiz não obriga liminarmente que o governador aumente o número de soldados e os recursos da segurança para poder salvaguardar a vido tão ameaçada e tão desprezada em nosso Estado.
DE MÃO BEIJADA!
O Estádio Castelão foi reformado ou refeito. Na obra gastaram milhões de reais, tudo dinheiro público. Depois de feito o estádio será entregue a uma empresa privado para explorar os rendimentos dele advindos.
Legal né? O povo paga imposto, o governo faz a obra e o gato come sozinho. Muito legal mesmo!
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