As condenações de Genoino e Dirceu

Por Renato Rovai, em seu blog

O Supremo Tribunal Federal acaba de votar as penas do ex-ministro José Dirceu e do deputado federal José Genoino. Dirceu foi condenado a 10 anos e 10 meses e terá de pagar multa de 670 mil reais. Ao menos 1/6 terá de ser cumprido em regime fechado. Ou seja, Dirceu terá de pagar à sociedade ao menos 1 ano e 9 meses na cadeia. Genoíno teve pena de 6 anos e 11 meses e poderá cumpri-la em regime semi-aberto.

A condenação de ambos cumpriu todos os ritos jurídicos. Parece não haver o que se discutir neste aspecto. Mas por outro lado, nem o Procurador Geral e nem o relator do caso apresentaram provas que pudessem resultar na condenação de ambos.

Pior do que isso, para condená-los utilizaram-se do argumento jurídico do “domínio do fato”, teoria do jurista alemão Claus Roxin. Segundo ele, o autor não é só quem executa o crime, mas quem tem o poder de decidir sua realização e/ou faz o planejamento estratégico para que ele aconteça.
Roxin, porém, registrou que, no caso do Mensalão, sua teoria não permite ausência de provas. “Quem ocupa posição de comando tem que ter, de fato, emitido a ordem. E isso deve ser provado”, disse. O que contradiz o argumento de Barbosa. Esta matéria da Folha trata do assunto.

Isso, porém, não foi o suficiente para que os juízes do Supremo sequer debatessem se de fato haviam agido de forma correta na interpretação da teoria e na dosimetria das penas.
Havia uma decisão política que precisava ser tomada. E por ela, Dirceu teria de pagar alguns anos na cadeia. E Genoino, ao menos, ser condenado por alguns anos.
A despeito do otimismo de alguns que cercavam os réus, este blogueiro sempre duvidou que o STF faria um julgamento técnico. A técnica desses casos, costumava dizer, é a política. Foi o que ocorreu. Infelizmente, mas foi.
Joaquim Barbosa transformou o julgamento num show e contou com a assessoria de alguns dos membros do STF para ladeá-lo no espetáculo. A mídia tradicional cumpriu à risca o seu papel de impedir que o scripit fosse alterado. E os que ousaram fugir dele, como Lewandowski e Tofoli, foram massacrados.
Aliás, no dia 11 de agosto, pouco antes do início do julgamento, Tofoli foi provocado de forma vil pelo blogueiro Noblat, que emitiu um sinal claro do tipo de munição que viria a ser utilizada.
Noblat escreveu um post sem sentido e sem ter quem corroborasse seu relato, afirmando ter ouvido, à distância, Tofoli insultá-lo numa festa. Não só pelos termos utilizados, como pelo que escondia, este texto de Noblat foi um dos piores momento do jornalismo na blogosfera. Uma tentativa clara de intimadação. Algo como: veja do que a gente é capaz. Hoje, Noblat já pedia a inclusão de Lula como réu do mensalão.
Não é exagero imaginar que a condenação de Dirceu e Genoíno seja o que se convencionou chamar nos tempos da ditadura militar de pré-golpe. No Chile, de Allende, foi assim. Antes de Pinochet liderar o 11 de setembro de 1973, tentou-se um golpe em fevereiro. Pinochet saiu em defesa de Allende. Mas o que se queria naquele momento era verificar o poder de resistência do presidente eleito.
As condenações de Genoino e Dirceu também podem ser entendidas como um teste para um futuro golpe no Supremo. O Paraguai e Honduras viverem recentemente processos se não semelhantes, ao menos parecidos com este.
Não é tese de maluco ver um farol amarelo aceso em relação ao processo democrático brasileiro depois dessas duas condenações. A história brasileira e da América Latina permitem entender esse episódio como parte de um movimento maior. De uma história que já vivemos e da qual Genoino e Zé Dirceu foram inimigos em armas. Num momento em que também foram presos. E torturados.
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“O que distingue Pizzolato? É petista”

Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador:

De que forma se estruturou a narrativa do STF, no estranhíssimo (!) julgamento do “mensalão”? Os alicerces do processo estão no uso de dinheiro público, vindo do fundo Visanet, para corromper deputados da chamada “base aliada”. Quem comandaria o envio do dinheiro, que irrigou os cofres de Valério e depois seguiu para a “base aliada”? Henrique Pizzolato, diretor do Banco do Brasil e – claro – um antigo militante petista.

Pois bem, o site Carta Maior acaba de trazer à tona dois dados fundamentais:

- o dinheiro do Visanet não é público;

- Pizzolato não assinou sozinho a liberação dos recursos.

Esse segundo ponto é o mais escandaloso, segundo Carta Maior. Ao lado do nome de Pizzolato nos documentos de liberação dos recursos, haveria assinaturas de outros dois diretores do BB. Nomeados por quem? Por FHC. Foram incluídos no julgamento? Claro que não.

“O que distingue Pizzolato dos demais? Ele é petista”, conclui Carta Maior.

Não se trata de opinião. Há fatos. Os dois diretores do BB estariam sendo julgados numa ação separada. Não foram incluídos no “mensalão”. A tal ação correria em segredo de Justiça, e foi escondida dos outros ministros do STF.

Trata-se de um escândalo, mais um nessa ação judicial que parece (?) ter sido concebida não por juízes, mas por roteiristas/jornalistas de certo canal de televisão.

A novela foi escrita, mas há um erro no roteiro. Confira aqui:

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A empregada doméstica que virou ministra


Em uma sala com uma das vistas mais belas de Brasília, no terceiro andar do Tribunal Superior do Trabalho, trabalha uma ex-empregada doméstica. A ministra Delaíde Alves Miranda Arantes traçou o itinerário de muitas meninas da zona rural brasileira. Filha de agricultores de Pontalina, cidade a pouco mais de 100km de Goiânia, ela começou a trabalhar aos 14 anos cuidando da casa de um bancário e uma professora. 

Depois foi atendente em um consultório médico até ir à capital goiana para estudar. Lá, trabalhou sem remuneração em outra família, em troca de um teto e comida por cerca de um ano. Em seguida, exerceu outras profissões em empresas de vários ramos até enveredar para o direito, formação que cursou graças a uma bolsa.

 A dedicação aos estudos resultou em uma carreira de sucesso como advogada. Em março de 2011, chegou a cadeira de ministra. A trajetória, para ela, é um orgulho, além de ajudá-la a julgar. "Quando analiso as leis, sei exatamente o que significam os direitos, ou a ausência deles, para um trabalhador. O trabalho doméstico carrega o traço do trabalho escravo no Brasil. Só que não podemos mais conviver com uma classe tão grande tratada como profissionais de segunda categoria."
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PCdoB rechaça calúnias do “Estadão”

Por Renato Rabelo, em seu blog:

O jornal O Estado de S.Paulo, do último domingo (11), atacou levianamente a honra do Partido Comunista do Brasil, com a matéria intitulada “ONG ligada ao PCdoB desviou recursos...”. A pretensa reportagem, assinada por Alfredo Junqueira, vincula artificialmente – e sem provas – a legenda comunista a um enredo com o qual ela não tem ligação nenhuma. No dia seguinte, 12, outra dose do mesmo naipe foi publicada.

A narrativa desse arremedo de reportagem se pauta num conflito de acerto de contas entre dois empresários, um deles pertencente a outra legenda, em supostas negociatas referentes ao Programa Segundo Tempo que envolveriam, também, uma ONG.

Trata-se de um ataque vil, posto que é destituído de qualquer veracidade. Primeiro: o PCdoB não tem e nunca teve ONG. Ao contrário, sempre se opôs ao fato de ONGs substituírem entes públicos. Relacionar a movimentação financeira de qualquer dessas entidades com o Partido, sem provas, sem evidências, não é jornalismo, é mentira, é infâmia. Segundo: o PCdoB não tem relação com os empresários citados. Em referência ao Ministério do Esporte, ao qual pertence o Programa Segundo Tempo, em nota oficial esse ministério informou que, nos termos da lei, a denúncia será apurada.

Desse modo, fica claro que o objetivo desse material falsamente jornalístico não é informar e tampouco defender o bem público. Mais uma vez – movido pela sanha reacionária de golpear o campo político progressista do país, em especial a esquerda –,O Estado de S. Paulo recorre a uma montagem grosseira de peças e personagens para jogar lama na honestidade do Partido Comunista do Brasil. Com mentiras e calúnias, como as que acaba de publicar, não conseguirá. Em defesa de sua reputação, de sua honra, construídas em 90 anos de história, o PCdoB não irá se calar e tomará as medidas cabíveis para que a verdade prevaleça.

São Paulo, 12 de novembro de 2012

Renato Rabelo - Presidente do Partido Comunista do Brasil-PCdoB
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A face desumana da Copa e do PSDB


Crianças brincando em meio a escombros e vigas metálicas retorcidas, famílias sem ter para onde ir, falta de apoio do governo paulista de Geraldo Alckmin. Esta é a situação de 200 famílias das comunidades Buraco Quente e Comando em São Paulo, cujas casas estão sendo desapropriadas para a construção de uma linha de metrô para a Copa de 2014 que ficará pronta quando a competição já estará na sua metade.

O fato se deve ao descaso do governo do PSDB com as famílias que ainda não quiseram ou não puderam firmar acordo de desapropriação de uma área pública destinada para a construção da obra. Os que não quiseram firmar o acordo, alegam a dificuldade de encontrar nova moradia com o baixo valor pago pela desapropriação. Até porque com os pouco mais de R$ 40 mil oferecidos são insuficientes mesmo em outras capitais, como Porto Alegre, para encontrar-se um imóvel capaz de abrigar uma família. Também alegam a dificuldade de acesso a escolas e outros serviços públicos. Os que ainda não puderam firmar o acordo, dependem de documentação. Este é o caso de uma avó que mora com seus três netos. Separada na prática, ainda é oficialmente casada e seu ex-marido possui imóvel em outro estado, o que impede a senhora de acessar o programa.
Enquanto não conseguem outro local para se abrigar, as famílias são obrigadas a conviver num cenário de devastação e total abandono. Possivelmente buscando pressionar pela saída imediata dos moradores, os responsáveis pela obra simplesmente realizam a demolição das casas e deixam por ali mesmo os escombros. Fato desumano que transforma a vida dessas 200 famílias em ruínas. Além de ocasionar problemas para a saúde de crianças e idosos.
Gosto de futebol. Para alguém da minha idade, que não pode assistir a Copa de 1950 mesmo com o Maracanazo, ter a Copa do Mundo no Brasil e poder ver as grandes seleções como a Argentina de Messi sempre foi um desejo.Acho até que ela poderia trazer obras importantes para o desenvolvimento das cidades onde se realizará. Agora, ela não pode ser realizada nesta lógica de suplantar a vida das pessoas como defende a FIFA e, neste caso, o governo do PSDB em São Paulo. É desumano. Nesta lógica, um evento esportivo, o lucro, a ânsia de apresentar obras, acaba valendo mais do que a vida.
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