ISRAEL PRECISA DE UM PRESIDENTE DOS EUA FURIOSO

Obama e Netanyahu. O lobby judeu é podero$í$$imo nos EUA


Gideon Levy

“Do segundo Obama, se espera maior autoconfiança e que ele esteja menos preocupado com considerações de sobrevivência. É aqui que a grande oportunidade reside: uma nova e promissora realidade poderia surgir se ele enfrentasse um primeiro ministro de direita que já mostrou não ligar a mínima para as suas exigências, que interveio contra ele nas eleições e continuamente o insulta. Israel precisa de um presidente dos EUA furioso.

Por Gideon Levy, no jornal israelense “Haaretz”

Tel Aviv - Eles podem se tornar o duo de vencedores, aqueles que chegarão a um acordo com os palestinos: um furioso Barack Obama presidente dos Estados Unidos em oposição ao jogador primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (que perdeu o jogo). Se um Obama reeleito obedecer ao seu coração e lógica, ao seu código moral e aos seus valores, e aos interesses Americanos e do resto do mundo, então podemos esperar por um velho-novo presidente na Casa Branca. Um presidente que traduzirá sua raiva contra Netanyahu em pressão para que Israel, finalmente, acabe com a ocupação.

É precisamente esse par que não tem andado junto e nem consultado um ao outro que pode levar ao grande momento. Todos os que conhecem Obama pessoalmente testemunham que o problema palestino está no seu coração. Ao longo dos últimos anos, tenho escutado testemunhos disso mais de uma vez – algumas vezes de israelenses, algumas de palestinos e algumas, de estadunidenses, mas sempre de fontes confiáveis.

Mas o primeiro Obama decidiu deixar esses sentimentos profundos e o seu senso natural de justiça de lado e se tornou adicto de considerações de sobrevivência política. Ele tentou, logo no começo de sua primeira gestão, lidar com a ocupação israelense. Seus primeiros telefonemas do gabinete foram para Netanyahu e para a Autoridade Nacional Palestina e ele designou um enviado especial imediatamente.

Mas esse movimento foi meramente uma corrida. Assim que entendeu o tamanho das forças que estavam trabalhando para perpetuar a ocupação israelense, o homem mais forte do mundo decidiu lavar as mãos e deixar o tema de lado.

Obama se parecia com alguém que tinha desaparecido e perdido o interesse. Ele traiu a sua posição como líder da América e do mundo. Netanyahu o humilhou e insultou, ignorou solenemente os seus pedidos e tomou o seu próprio caminho, e Obama engoliu todos os insultos de uma maneira que obscureceu quem era o presidente da maior potência mundial e quem era o primeiro ministro de um protetorado.

Mas, do segundo Obama, se espera maior autoconfiança e que ele esteja menos preocupado com considerações de sobrevivência. É aqui que a grande oportunidade reside: uma nova e promissora realidade poderia surgir se ele enfrentasse um primeiro ministro de direita que já mostrou não ligar a mínima para as suas exigências, que interveio contra ele nas eleições e continuamente o insulta.

É difícil acreditar que a vontade de Obama capitule nesse segundo mandato também. É difícil acreditar que ele perdoará o comportamento de um Israel que fala de dois estados para dois povos, mas se recusa até a congelar as construções nos assentamentos em territórios ocupados. Essa máscara deve ser retirada da face de Israel, e ninguém pode fazê-lo melhor do que um furioso e moral presidente em seu segundo mandato.

A rotineira e impune tarefa israelense de ataque, invasão e ocupação da Palestina

Israel precisa de um presidente dos EUA furioso. Esta é a última chance para salvar a si mesmo do curso da ocupação. O país nunca fará isso por sua própria iniciativa – não há, simplesmente, a menor possibilidade. Sem a raiva dos EUA, não há razão para fazer isso, enquanto a vida em Israel for tão boa e os palestinos tão fracos.

Se outra pessoa que não Netanyahu for eleita aqui – alguém que venha a dar início a negociações, blá, blá, blá, quem conversará com os palestinos é claro que os desapontará, como sempre aconteceu nas últimas décadas – então nada mudará. Obama, provavelmente, cairá mais uma vez no truque da imagem de um país supostamente moderado.

Mas Netanyahu como primeiro ministro e Avigdor Lieberman como seu número dois vão, provavelmente, insultar Obama. E um presidente como Obama, com um bem desenvolvido senso de justiça e um sofisticado senso de história, provavelmente não perderá a chance de fazer alguma coisa, de novo.

Sim, Obama pode. Israel nunca foi tão dependente de seu país. A questão é se ele quer fazer isso, e se será suficientemente corajoso e determinado.

Isso terá de acontecer rapidamente. Não é nem necessário esperar pela posse. Obama deve mudar as regras do jogo do acordo no qual Israel pode ser agressivo como quiser e meter o nariz no mundo inteiro. A Europa não pode fazer isso, nem as Nações Unidas, e certamente não os Palestinos. Só Obama pode.

Portanto, quando o presidente subiu ao palco na noite da vitória, a esperança se acendeu mais uma vez. Depois das decepções dos últimos quatro anos, que foram tão amargas, dada as grandes expectativas que as precederam, essa esperança não é a mesma que acompanhou a primeira vitória. Mas é ainda assim esperança. E não há outra coisa.”

FONTE: escrito por Gideon Levy, no jornal israelense “Haaretz”. Transcrito no site “Carta Maior” com tradução de Katarina Peixoto  (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21234). [Imagens do Google e suas legendas adicionadas por este blog ‘democracia&política’].
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Wikileaks: TORTURA NOS EUA FUNCIONOU

Bradley Manning

APÓS 14 MESES TORTURAS, SOLDADO DOS EUA CONFESSA QUALQUER COISA, INCLUSIVE SER FONTE DO WIKILEAK



Bradley Manning após a tortura democrática

Bradley Manning é denunciado por crimes capitais e pode ser condenado a prisão perpétua

“AS DENÚNCIAS CONTRA O RÉU SÃO VAGAS E A PROMOTORIA NÃO APRESENTOU PROVAS SUFICIENTES”

Do portal UOL/Folha

“O soldado norte-americano Bradley Manning, acusado pela justiça militar dos Estados Unidos de ter vazado documentos confidenciais de Estado ao “Wikileaks”, assumiu, pela primeira vez, a responsabilidade de algumas infrações menos graves entre as diversas acusações atribuídas a ele. A decisão foi anunciada por seu advogado, David Coombs, que participou de uma audiência preliminar ao julgamento na noite de quarta-feira (07/11).

Em comunicado postado em seu site, o advogado explica que o militar não está se declarando culpado pelos crimes imputados pela justiça norte-americana. “Manning está aceitando a responsabilidade por delitos que estão pressupostos nas acusações”, escreveu ele. As acusações mais graves, como espionagem para o inimigo, por exemplo, continuam sendo negadas.

A medida jurídica conhecida tecnicamente como “alegação por exceção ou substituição” na legislação norte-americana não tenta estabelecer acordo ou negociação com os promotores baseada na declaração de culpa, como no caso da delação premiada. Por essa via legal, o soldado pede, apenas, para a corte reconhecer o seu apelo, e não concordar com ele.

Caso o tribunal permita ao réu declarar sua responsabilidade limitada, os promotores ainda poderão acusá-lo pelos outros 22 delitos previstos, incluindo o crime capital de colaborar com o inimigo, o que pode lhe render a prisão perpétua sem direito a liberdade condicional em uma prisão militar.

O que isso significa para o julgamento, se o pedido for aceito, é que corta a evidência física e as testemunhas que o governo pode precisar chamar para fazer um caso [na Justiça]”, afirmou jornalista do site “Firedoglake” que acompanhou a sessão.

A audiência preliminar determina se o processo deve continuar em corte marcial. Nesse caso, o tribunal decidiu pelo prosseguimento, e o julgamento de Manning foi marcado para o dia 4 de fevereiro e deve durar, pelo menos, seis semanas. De acordo com preferência da equipe de defesa, a corte será conduzida por um único juiz, que decidirá se o réu é culpado e a sua punição, ao invés de um júri militar.

PERSEGUIÇÃO POLÍTICA

Coombs nunca havia negado o envolvimento de seu cliente com o Wikileaks. Sua argumentação se concentra em destacar as inconsistências do governo norte-americano no caso e em expor a falta de assistência que Manning foi submetido enquanto servia como analista de inteligência em base iraquiana.

Em junho deste ano, a juíza responsável pelo caso, a coronel Denise Lind, negou uma moção da defesa para descartar as acusações contra Manning. Os advogados argumentavam que as denúncias contra o réu são vagas e que a promotoria não apresentou provas suficientes. Na mesma decisão, Lind ordenou aos promotores disponibilizarem documentos de acusação para a equipe de defesa.

O processo contra o soldado norte-americano gerou muitas controvérsias. Especialistas indicam a falta de transparência e de provas contra o soldado, enquanto alguns acusam o governo de perseguição política.

Manning, preso em maio de 2010, é acusado de ter vazado centenas de documentos de embaixadas norte-americanas, como também dos militares envolvidos na guerra do Iraque e do Afeganistão. O soldado pode estar por trás, inclusive, da divulgação de vídeos populares na internet que mostram tropas norte-americanas disparando [e assassinando, leviana e irresponsavelmente] contra civis nesses países (veja vídeo abaixo).

TORTURA E ABUSOS

Depois de 14 meses de investigação, o relator especial das Nações Unidas (ONU) sobre tortura, Juan Mendez, disse em março deste ano que o soldado está recebendo tratamento cruel e desumano na prisão. “O período prolongado de ‘isolamento’ pelo qual Manning foi supostamente submetido por sete meses pode ter sido imposto em um esforço [com "métodos físicos convincentes"] para coagi-lo a ‘cooperar’ com as autoridades, com o objetivo de ‘convencê-lo’ a apontar outros envolvidos”, escreveu Mendez em carta para o governo dos EUA em dezembro de 2010.

"Dedurar crimes de guerra não é crime", diz cartaz nos Estados Unidos pedindo pela libertação de Bradley Manning

Julian Assange, o fundador do Wikileaks, também se uniu aos ativistas que pedem pelo fim da perseguição política ao site. Longe dos discursos de diplomatas e chefes de estado, o jornalista se pronunciou via videoconferência para um grupo de representantes na Assembleia Geral da ONU em setembro deste ano.

O tempo das palavras acabou”, disse ele, ironizando o discurso do presidente norte-americano, Barack Obama, na Assembleia. “Chegou a hora de os EUA terminarem com a perseguição ao Wikileaks, a nossa gente e às nossas fontes. Chegou a hora de os EUA se juntarem às forças da mudança, não em belas palavras, mas em boas ações”, acrescentou.

JULIAN ASSANGE

Assange, que também enfrenta acusações na justiça norte-americana, lembrou o caso de Manning e denunciou os abusos pelo qual o oficial está passando.

O fundador do “Wikileaks” é procurado pela Justiça da Suécia para responder por um suposto crime sexual. Ele ainda não foi acusado ou indiciado [não havendo provas]. No Reino Unido, ele travou uma longa batalha jurídica contra sua extradição para o país escandinavo, que se recusava a interrogá-lo em solo britânico. No entanto, a Suprema Corte do Reino Unido decidiu que ele deveria ser extraditado. Há mais de três meses, o jornalista buscou asilo na Embaixada do Equador em Londres, em uma jogada classificada como “tenaz” pela imprensa local.

Assange teme que, após ser preso na Suécia, os Estados Unidos peçam sua extradição, onde poderá ser julgado [e condenado sem provas por Justiça Militar] por crimes como espionagem e roubo de arquivos secretos.

Veja um dos vídeos [de assassinatos coletivos, no processo de "levar valores democráticos para o Iraque"] que Manning é acusado de vazar:



FONTE: publicado pelo “Operamundi” e transcrito no portal UOL/Folha  (http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/25326/soldado+norte-americano+assume+ter+vazado+documentos+ao+wikileaks.shtml). [Subtítulo, imagem e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].
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Todo mundo é salafrário?

http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/
Por Paulo Moreira Leite, na coluna Vamos combinar:

Editorial do Estadão, na sexta-feira, fez observações duras sobre o comportamento de Joaquim Barbosa, o ministro relator do julgamento do mensalão.

Observou que “desde as primeiras manifestações de inconformismo com o parecer do revisor Ricardo Lewandovski” a atuação de Joaquim Barbosa “destoa do que se espera de um membro da mais alta Corte de Justiça do país.”

O jornal, o mais influente nos meios jurídicos, explica que, em vez de “serenidade” o ministro “como que se esmera em levar um espetáculo de nervos `a flor da pele, intolerância e desqualificação dos colegas.”

Lembrando que Joaquim Barbosa exibiu um sorriso debochado diante de um colega que declarava discordâncias - parciais - em relação a um de seus votos, o jornal lamenta o “desdém estampado na face do relator” e registra a queixa de Marco Aurélio Melo: “não admito que Vossa Excelência suponha que todos aqui sejam salafrários e só Vossa Excelência seja uma vestal.”

Acho que em algumas situações o STF tem agido como se fosse possível supor “que todos aqui sejam salafrários”.

Exigir passaportes de quem ainda não foi condenado definitivamente – o julgamento não acabou, gente! – é uma decisão desnecessária. O mesmo vale para a decisão de incluir os réus na lista de procurados.

São medidas com amparo legal.

Mas a questão não é essa.

Estamos tratando de pessoas que jamais se recusaram se a atender a um chamado da Justiça.

Se hoje os brasileiros podem defender seus direitos no Supremo – e não submeter-se a coronéis e generais da Justiça Militar – é porque se travou uma luta por isso. No banco dos réus, hoje, encontramos vários lutadores que participaram da democratização do país.

Quando se recusaram a obedecer a lei, não eram elas que estavam erradas mas a Justiça, inclusive o Supremo da época, que, vergonhosamente, se curvou à ditadura, omitiu-se diante da tortura e da perseguição política, deixando a Justiça Militar tratar de crimes considerados políticos.

Quem considera que o STF é exemplo para o país, poderia se perguntar: depois de torcer abertamente para que o julgamento influenciasse as eleições para prefeito, agora se quer que os réus sejam hostilizados quando saem à rua?

Queremos humilhação? Vamos ampliar aquele teatro, estimulado artificialmente pelos adversários, como se sabe, de agressividade e ofensas?

Eu acho indecoroso lhes dar o tratamento de criminosos comuns, de bandidos.

Sabe por que? Porque eles não são. Têm projeto para o país, defendem ideias, já lutaram de forma corajosa por elas. Pode-se falar o que se quiser dessa turma. Mas não há prova de enriquecimento suspeito de Dirceu nem de Genoíno. Nem de Delúbio Soares, nem de João Paulo Cunha. Nem de Henrique Pizzolato, condenado como maior responsável pelo desvio de recursos do Visanet.

E é porque têm ideias e projetos que essas pessoas foram levados a julgamentos no STF e não para um juiz de primeira instância.

E é só porque este projeto tem apoio da maioria da população que este julgamento tem importância, não sai dos telejornais nem das manchetes. A causa é política. Pretende-se deixar o Supremo julgar estas pessoas, quando este é um direito da população.

E é um julgamento político, vamos combinar.

Pretende-se usá-lo como exemplo.

E é pelo receio de que o exemplo se repita, e condenações sem provas, sem demonstrações inquestionáveis de culpa dos réus, que mesmo quem apoia as decisões do STF começa a ficar preocupado. Por que?

Porque é injusto. E teme-se que a injustiça desta decisão contamine as próximas decisões.

Imagine se o mensalão mineiro obedecer ao mesmo ritual, da lei do “sei que só podia ser dessa forma”, do “não é plausível” e assim por diante. Vamos ter de voltar a 2000, quando, seguindo a CPI dos Correios, o dinheirinho do PSDB começou a sair do Visanet.

Vamos ter de chegar lá e apontar quem era o responsável por liberar a grana que, conforme escreve Lucas Figueiredo, no livro O Operador, chegou a 47 milhões de reais apenas no mandato de Aécio Neves no governo de Minas Gerais.

É assim que se vai fazer a campanha presidencial da grande esperança anti-Dilma em 2014? Parece que não, né, meus amigos.

É certo que há uma visão política por trás disso. Essa visão é seletiva e ajudou a deixar o mensalão PSDB-MG num tribunal de primeira instância, medida que favorece os réus.

Essa visão é acima de tudo distorcida e tem levado a criminalização da atividade política. Confunde aliança política com “compra de votos” e “pagamento de propina.” E estamos condenando sem serenidade, no grito, como se todos fossem “salafrários.”

As provas são fracas. O domínio do fato é um argumento de quem não tem prova individual. Você pode até achar uma jurisprudência válida. Você pode até achar que “não é possível” que Dirceu não soubesse, nem Genoíno.

Mas a Folha de hoje publica uma entrevista com um dos autores da teoria do domínio do fato. Basta ler para concluir que, falando em tese, ele deixa claro que é preciso mais do que se mostrou no julgamento.

Mas não vamos esquecer que o domínio do fato referia-se a uma hierarquia de tipo militar, onde funciona a lei de obediência devida, onde o soldado que desobedece a cadeia de comando pode ir a julgamento.

É disso que estamos falando? De um bando de manés que o Dirceu dominava, todo poderoso?

Que Genoíno comandava porque acabara de virar presidente do PT e tinha de assinar documentos em nome do partido? De generais e soldados?

Alguém ali era menor de idade, não fora vacinado? Alguém não sabia ler ou escrever? Não tinha vontade própria?

Outro ponto é que faltam testemunhas para sustentar a tese da acusação. O mensalão que “todo mundo sabe que existia” continua mais invisível do que se pensa.

Roberto Jefferson é volúvel como prima donna de ópera.

Faltam até heróis neste caso.

Sabe aquela publicitária tratada como heroína por determinados órgãos de imprensa, porque denunciou os desvios no Visanet? Pois é. Embora tenha sido mencionada no tribunal por Roberto Gurgel e também por Joaquim Barbosa, a Polícia Federal encontrou 25 000 reais em sua conta, depositados por uma agência subcontratada pela DNA que é de…Marcos Valério. Teve um outro, o câmara que filmou a denuncia dos correios. O cara trabalhava para o bicheiro Cachoeira.

Coisinhas mequetrefes, né…

A acusação de que o mensalão “está na cara” é complicada quando se lê uma resolução do Tribunal de Contas da União que sustenta o contrário e diz que as despesas fecham. Por esta resolução, não houve desvio.

Você precisa achar que “todo mundo é salafrário” para acreditar em outra coisa. O texto está ali, fundamenta o que diz e assim por diante. E lembra que testemunhas que dizem o contrário de são inimigas notórias de quem acusam.

Falamos em “desvio de dinheiro público”mas não temos uma conta básica. Assim: quanto saiu dos cofres públicos, quando foi entregue para quem deveria receber - agencias de publicidade, meios de comunicação que veiculam anuncios - e quanto se diz que foi desviado. Há estimativas que, às vezes, apenas são o nome elegante de “chute.”

O fato é que não sabemos, de verdade, qual o tamanho disso que se chama de “mensalão.”

É curioso que, mesmo com estimativas, o Supremo fale em pedir aos réus que devolvam o dinheiro desviado. Mas como, se não se sabe, exatamente, o quanto foi. Devolver estimativa?

Então, conforme o TCU, não houve desvio. Você pode até contestar essa visão mas não é uma questão de opinião, somente. Precisamos mostrar os dados, os números, as datas. Não posso entrar no banco e dizer que o dinheiro sumiu de minha conta sem mostrar os saldos e extratos, concorda? E o banco tem de mostrar para onde foi o dinheiro que eu disse que estava lá, certo?

Nós sabemos que os ministros do TCU são indicados por razões políticas e muitos deles são ex-deputados, ex-ministros. Até posso achar que é “todo mundo salafrário” mas não se pode tomar uma decisão com base nessa opinião sem tomar uma providência – como denunciar os supostos salafrários na Justiça, concorda? Vamos cassar os ministros que sustentam a lisura dos contratos?

Sei que você pode discordar do que estou dizendo. Tudo bem. É seu direito. Concorda? Também.

Eu só acho que desde Voltaire, um dos pioneiros do iluminismo, posso não concordar com nada do que dizeis mas defenderei até a morte o direito de fazê-lo.

O nome disso é democracia.

E é em nome disso que não entendo por que o relator Joaquim Barbosa declarou-se ofendido com uma crítica de José Dirceu ao julgamento. Dirceu falou em populismo jurídico.

Barbosa considerou isso uma “afronta.” É engraçado. Embora o populismo tenha virado xingamento depois de 1964, existem cientistas políticos renomados que dizem que é um sistema de ação político válido, que envolve, claro, o argentino Peron, o turco Kemal Ataturk e muitos outros.

Mas essa é outra discussão. O que importa, aqui, é lembrar que juiz julga e fala pelos autos, mesmo quando o julgamento é televisionado.

Não pode ficar ofendido. Ou melhor, pode. É humano.

Mas não pode manifestar isso num julgamento. Não pode ter uma opinião pessoal. Não pode falar que gosta de um partido, ou que tem desprezo por outro. Tem de ser inteiramente impessoal, e por isso usa uma toga negra. Seu símbolo é uma balança, os olhos vendados.

Um juiz pode até ficar indignado com os métodos que se faz política no Brasil desde os tempos de Pedro Alvares Cabral.

Mas não pode enxergar corrupção por trás de toda aliança política que não entende nem consegue explicar. Não pode achar que todo pacto entre partidos é feito de roubo e de propina. Porque é esta visão que domina o julgamento. E ela é errada.

Vou me candidatar ao troféu de frasista do domingo ao lembrar que se não houvesse divergência nem traição nunca haveria aliança em política.

É só perguntar à velha guarda do PMDB o que ele achou da aliança do Tancredo Neves com o Sarney e do abandono das diretas-já.

Aos tucanos, o que eles acharam do acordo com ACM para eleger Fernando Henrique Cardoso. Até dona Ruth se enfureceu.

Aos petistas, o que acharam dos novos-amigos que apareceram em 2002, a começar por um empresário que ficou vice, o PTB do Jefferson, da Carta ao Povo Brasileiro e assim por diante…

Se todo mundo pensasse igual não era preciso fazer aliança.

Aliança se faz com adversários e aliados distantes. Se não fossem, entravam para o partido, certo?

Alianças envolvem partidos diferentes e, as vezes, muito diferentes. Podem ser um desastre ou uma maravilha, mas são legítimas como instrumento de governo. Claro que, pensando como o PCO, o PSTU, a LER, o MNN, é possível achar que não dá para fazer aliança com quem é salafrário, categoria que na visão dessa turma inclui mais ou menos 200% dos políticos – aqueles que estão em atividade e todos os outros que ainda não entraram na profissão.

Alianças se compra com dinheiro? Não. É suborno? Não.

Mas inclui dinheiro porque a política, desde a invenção do capitalismo e da sociedade burguesa, é uma atividade que deixou de ser exclusiva da nobreza, chegou ao cidadão comum e se profissionalizou. O dinheiro pode sair do Estado, recursos que permitem um controle real e uma distribuição democrática. Ou pode vir dos interesses privados, que assim colonizam o Estado conforme seus interesses. Os adversários da turma que está no banco dos réus sempre se opuseram a uma reforma que permitisse esse controle maior. Dá para imaginar por que.

Os “políticos-salafrários” só pensam numa coisa: ganhar a próxima eleição. A vida deles é assim. Contaram os votos, começam a pensar na campanha seguinte. É normal. Você pode achar muito oportunismo. Eu não. A democracia não para.

Por isso as verbas de campanha são sua preocupação permanente

Por isso, os mais velhos contam que o movimento democrático que derrubou a ditadura militar tinha uma caixinha clandestina que ajudou a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. Era imoral? Não. Era ilegal? Devia ser.

Os grandes financiadores da luta no colégio eleitoral foram grandes empreiteiras.

Em 1964, quando até Juscelino foi humilhado por um IPM infamante, se dizia que o mundo se dividia entre subversivos e corruptos.

Mas estávamos numa ditadura, quando se espera que seus adversários políticos sejam tratados como inimigos morais. Este recurso favorece decisões arbitrárias.

Numa democracia, todos são inocentes – até que se prove contrário.
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Saiba como outros países empregam o dinheiro do petróleo


Após dois anos de discussão, a Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira o projeto de lei que muda a distribuição dos royalties do petróleo entre Estados, municípios e governo federal no Brasil.
O petróleo gera grandes riquezas para os governos de diferentes formas – através de impostos sobre a venda do produto ou através de lucros das companhias petrolíferas, nos casos em que o governo tem alguma participação na empresa ou até o seu controle acionário total.

Além de impostos e lucros, a principal fonte de riqueza para muitos governos são os royalties. No caso do Brasil, os royalties são 15% do valor produzido.
Em tese, os royalties são apenas uma compensação paga a Estados e municípios produtores para cobrir diferentes custos relacionados à exploração dos recursos naturais, como investimentos em infraestrutura e danos ambientais.
Mas, como o petróleo é considerado um patrimônio nacional, a questão dos royalties ganha contornos estratégicos que determinam como os países lidam com suas riquezas naturais.
Cada nação tem formas diferentes de tratar os royalties.
No Brasil, o governo tentou inovar ao incluir no Projeto de Lei a destinação obrigatória de 100% dos royalties do petróleo para gastos com educação. No entanto, este item foi derrubado pelos deputados da Câmara.
Já na Noruega, os royalties são investidos em um fundo especial que tem como objetivo pagar as aposentadorias da população no futuro.

No Brasil, Estados e municípios terão direito a quase 80% dos royalties, pela proposta aprovada na terça-feira.
O regime de distribuição de royalties do petróleo brasileiro começou a ser repensado depois da descoberta de grandes reservas na camada pré-sal do litoral brasileiro. O debate foi dominado por uma questão: quanto da riqueza do petróleo pertence aos Estados e municípios produtores, e quanto pertence ao resto do Brasil?
Em 2010, deputados propuseram a "Emenda Ibsen", que ignorava as regiões produtoras e tratava todos os Estados da federação da mesma forma. No entanto, a proposta foi vetada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Dois anos depois, a questão ainda está sendo discutida. Os políticos chegaram a uma fórmula progressiva – que gradualmente vai retirando recursos dos Estados produtores e da União, e repassando mais dinheiro para os demais Estados e municípios brasileiros.
No último mês, o debate ganhou outra dimensão. O relator da proposta, Carlos Zarattini (PT-SP), incluiu uma reivindicação da presidente Dilma Rousseff de que 100% dos royalties do petróleo devem ser investidos em educação.
O objetivo da medida era cumprir uma regra do Plano Nacional de Educação, que exige que o Brasil invista 10% do seu PIB em educação. No entanto, esse item da proposta foi derrubado pelos deputados.
O texto que foi aprovado na terça-feira permite que Estados e municípios gastem nas seguintes áreas: infraestrutura, educação, saúde, segurança, erradicação da miséria, cultura, esporte, pesquisa, ciência e tecnologia, defesa civil, meio ambiente, mitigação das mudanças climáticas e tratamento de dependentes químicos.
A proposta aprovada no Congresso ainda precisa ser sancionada pela presidente.

A Noruega descobriu suas reservas no fim dos anos 1960. O governo ganha dinheiro através de impostos sobre o petróleo, e não de royalties. Desde os anos 1990, as receitas vão para o Fundo do Petróleo, que, em 2006, foi rebatizado de Fundo de Pensão Global do Governo.
O modelo é único no mundo. O governo pode gastar por ano apenas 4% dos recursos do petróleo em seu orçamento. O restante fica guardado no fundo e será usado no futuro para lidar com dois problemas já previstos pelos noruegueses: o alto custo das aposentadorias (decorrente do envelhecimento da população) e a escassez nas receitas do petróleo (que é um recurso finito).
Ainda não houve decisão política de quando esses recursos serão sacados. Em casos de emergência, ele está disponível imediatamente.
Enquanto isso, o dinheiro é investido no mercado de ações e em títulos de governos. A Noruega se orgulha de investir apenas em "práticas éticas" – o que exclui comprar ações de companhias de tabaco ou empresas suspeitas de empregar trabalho infantil.
Recentemente, a fórmula de investimento foi alvo de críticas no país. Em 2008, quando estourou a crise financeira mundial, o fundo perdeu 23% do seu valor, quando as bolsas desabaram em todo o mundo.

A receita do petróleo, gerada por impostos e lucros, é a base da economia venezuelana. Segundo a entidade Council of Foreign Relations, baseada em Washington, os ganhos com petróleo correspondem à metade das receitas do governo.
Desde que o presidente Hugo Chávez chegou ao poder, em 1998, o petróleo ganhou mais importância na economia venezuelana. Em 2006, o governo assumiu o controle majoritário dos projetos de exploração liderados por companhias estrangeiras.
Em 2005, foi criado o Fundo Nacional de Desenvolvimento que, em seu estatuto, é uma "empresa para otimizar os investimentos produtivos e sociais". O dinheiro é gasto em projetos de infraestrutura, saúde, ambiente, energia, defesa, indústrias básicas, educação e agricultura.
Uma crítica recorrente que é feita a esse modelo é a falta de transparência, com analistas reclamando que não é possível saber exatamente tudo que está sendo financiado com o dinheiro do petróleo.
Outro problema é que o orçamento do governo e a economia venezuelana acabam dependentes do preço do barril do petróleo.
Chávez argumenta que os gastos sociais ajudaram a reduzir a desigualdade do país para o menor índice da história.

Os royalties do petróleo – 12% da produção – são pagos diretamente ao Tesouro americano e a alguns fundos de cunho ambiental.
Em 1995, durante o governo de Bill Clinton, os Estados Unidos resolveram abrir mão da cobrança de royalties para novos projetos de exploração de petróleo offshore no Golfo do México.
A ideia da lei Deep Water Royalty Relief Act era estimular alguns novos investimentos em uma área considerada de risco financeiro para os investidores. Os projetos que se encaixam nessa lei não pagam royalties nos primeiros 87,5 milhões de barris produzidos. Também existe um teto na cobrança quando o preço do barril sobe demais nos mercados.
Em 2011, após o desastre ambiental do Golfo do México e em meio a pressões para o governo americano reduzir o seu déficit público, o presidente Obama e os democratas propuseram no Congresso um projeto chamado Close Big Oil Tax Loopholes Act – que acabava com a isenção de royalties.
No entanto, a proposta acabou derrotada pelos republicanos.
BBC Brasil




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A violência fora de controle em São Paulo*


*por Ricardo Kotscho, publicado originalmente em Balaio do Kotscho

Carcaças de ônibus queimados, policiais, bandidos e inocentes assassinados, corpos sendo recolhidos nas ruas, toques de recolher, bairros sem transporte, escolas sem aulas, o medo e o desespero por toda parte.
 
Parece que estamos falando da Síria, mas estas cenas e sentimentos já fazem parte da rotina de quem vive na área metropolitana de São Paulo. Dia após dia, noite após noite, os números da violência vão aumentando.
 
Na última madrugada, de sexta para sábado, foram mais cinco mortos e dois feridos a bala, e outro ônibus incendiado nesta guerra sem fim entre a PM e o PCC.
 
A colega Vanessa Beltrão, do R7, contabilizou mais de 200 mortos a tiros desde o começo de outubro. Apenas entre a noite de quinta e a manhã de sexta, 15 pessoas foram assassinadas e outras 12 baleadas, menos de 24 horas depois de o governador Geraldo Alckmin garantir que a situação estava sob controle:
 
"As mortes já estão em processo de queda. Eu tenho um acompanhamento diário, elas já estão em um ritmo bem menor. Tem coisa que não tem ligação com o crime organizado".
 
Se o governador Alckmin e o seu secretário da Segurança, Antonio Ferreira Pinto, nomeado por José Serra, há seis anos no cargo, fossem menos autosuficientes e arrogantes, certamente muitas destas mortes poderiam ter sido evitadas.
 
Em junho, antes que a atual onda de violência fosse deflagrada, a Polícia Federal avisou o governo de São Paulo que os líderes do PCC estavam preparando ataques a policiais, segundo informam os repórteres Marco Antônio Martins e Rogério Pagnan, na "Folha".
 
"As informações foram repassadas diretamente pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ao secretário da Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto. O secretário, no entanto, nega ter recebido esta informação", relata a matéria.
 
Interceptações telefônicas feitas desde fevereiro do ano passado já revelavam que os chefões do PCC comandavam o tráfico de drogas e armas de dentro da Penitenciária de Presidente Prudente, mas o governo do Estado só concordou esta semana em aceitar a ajuda do governo federal para uma ação conjunta contra os criminosos.
 
O primeiro passo está sendo dado agora com o envio destes líderes da organização criminosa para presídios federais de segurança máxima bem longe de São Paulo, mas as pessoas continuam morrendo na maior cidade do país. Até quando? Já deveriam ter feito isso aqui há muito tempo, como ocorreu em outros Estados.
 
Ninguém fala de outra coisa, cada um tem sua própria história para contar. "Eu fiquei tão apavorado no ponto do ônibus, que peguei o primeiro que passou, e nem era o meu, só para escapar dali", ouvi esta manhã de um funcionário do Colégio Santa Cruz, no Alto de Pinheiros, que estava numa roda com outros colegas relatando seus dramas para chegar ao trabalho e voltar para casa com vida.
 
Com tiroteios em volta dos pontos de ônibus, ruas fechadas pela polícia, o trânsito cada dia mais caótico, quem mora longe sofre mais na "cidade dividida" de que fala o prefeito eleito Fernando Haddad, mas o clima de pavor se alastrou por toda parte.
 
Chegaram a comentar que os ataques do PCC e a legião de mortos que deixaram pelo caminho estavam relacionados com a campanha eleitoral, mas o número de assassinatos só fez aumentar depois do fechamento das urnas.
 
O pior que se pode fazer numa situação como essa é querer politizar e partidarizar este problema que atinge a todos nós, ou querer minimizar o que está acontecendo, como fazem as autoridades estaduais.
 
Em declaração feita a Vanessa Beltrão, publicada hoje aqui no R7, José Vicente da Silva, ex-secretário nacional de segurança pública e atual professor do Centro de Altos Estudos de Segurança da PM, chegou a colocar a culpa na imprensa:
 
"A sensação de insegurança não tem vinculação tão direta e clara com a incidência criminal, mas sim pela maneira como a mídia coloca isso".
 
E pensar que o nome deste professor, segundo a "Folha", chegou a ser cogitado pelo governador Geraldo Alckmin para substituir Antonio Ferreira Pinto na Secretaria de Segurança Pública. Assim, não há risco de a situação melhorar e podermos voltar a viver em paz.
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