A sorte de não ser pobre, preto, puta ou petista

Um momento e depois 
Janio de Freitas

Duda Mendonça, além de talentoso, é homem de sorte, compartilhada com sua sócia Zilmar Fernandes

A segunda coincidência prevista entre o julgamento no Supremo e as eleições (onde haja segundo turno) também terá, como a primeira, um dos dois temas mais agudos de acusação e de votação. No primeiro turno, foi a votação referente a José Dirceu e José Genoino. A seguinte será sobre a existência, ou não, de organização dos acusados para a prática sistemática e continuada de crimes, que vem a ser a formação de quadrilha.

"Quadrilha" e "grupo criminoso" foram mencionados várias vezes na sessão de ontem. Embora se demonstrasse, mais uma vez, as mágicas de que o sucesso público é capaz neste país obcecado por celebridades. Até a leitura feita pelo ministro Joaquim Barbosa estava diferente. Mansa e solta, uma correnteza sem corredeiras, de um acusador que pôde mesmo admitir, com naturalidade, um caso de dúvida, deixada aos critérios alheios. E até conceder absolvições, ainda que apenas em parte.

"Por falta de provas" foi outra menção do ministro relator Joaquim Barbosa. E os indícios, de tanta utilidade para amparar votos ali, com o atribuído "valor de provas"? E as deduções, capazes de concluir que as trapaças financeiras se deram por "golpe" e continuísmo, entre outras deduções de idêntica miséria factual? O acusado Duda Mendonça, além de talentoso, é um homem de sorte, compartilhada com sua acusada sócia Zilmar Fernandes.

Os dois foram dispensados de ter obrigatório conhecimento da origem ilícita do dinheiro recebido. Não havia por que saberem mesmo. Tratou-se de receberem o pagamento pelo trabalho de excelência na campanha de Lula. Para outros, valeu a dedução de que "só podiam ter conhecimento" ou "não podiam deixar de saber", duas expressões que nem a martelo se encaixariam direito em votos judiciais. Mas, de esguelha, esbeiçadas, lá foram enfiadas. E guardam-se, sonoras, em vídeos do próprio STF para quem duvide e para a posteridade.

Duda e Zilmar tiveram outra dispensa, não concedida pelo relator a mais acusados. À falta do pagamento por seu trabalho, os sócios contataram Delúbio Soares. Foi o que fizeram outros, como os então deputados Paulo Rocha e Professor Luizinho, para o mesmo fim. No caso deles, procurar pelo tesoureiro do seu partido, o mesmo Delúbio, levou à dedução acusatória de que comprovava o conhecimento da origem ilícita do dinheiro.

Mas escapar de ser, também, motivo de investida de Joaquim Barbosa contra Ricardo Lewandowski, impedindo-o de proferir normalmente o seu voto de revisor, esse direito Duda e Zilmar não tiveram. E lá se foi a fisionomia descontraída do relator Joaquim Barbosa, logo submetida às discordâncias vindas dos esforços conscienciosos da ministra Rosa Weber. Para começar.
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Após quebra, EUA passam o bastão da soja para o Brasil


Com a colheita de soja e milho na reta final, a quebra histórica na safra dos Estados Unidos coloca o Brasil como principal fornecedor de soja para o mundo. Por conta de uma exportação menor pela Argentina, que em condições normais seria suprida pelos norte-americanos, a agricultura brasileira também assume a vice-liderança no milho.
Em 2012 os embarques brasileiros do cereal devem superar 17 milhões de toneladas, com um crescimento de 85% sobre 2011. As vendas externas de soja em grão pelo Brasil devem fechar o ano com crescimento de quase 20%. Para 2013, as projeções apontam para um embarque ainda maior da oleaginosa, próximo de 39 milhões de toneladas.

Consolidada, a quebra de mais de 100 milhões de toneladas no maior produtor mundial (veja tabela abaixo) beneficia o Brasil, que se firma definitivamente como um dos principais players no mercado internacional de commodities agrícolas. Preocupados com o abastecimento do mercado interno por causa da oferta reduzida, os EUA devem diminuir consideravelmente os seus embarques de grãos no ciclo 2012/13.
Com a demanda doméstica aquecida (veja na página 3), os norte-americanos devem reduzir em 7% seus embarques de soja e em 26% as suas vendas externas de milho. As exportações da oleaginosa, que começaram o ciclo aceleradas, tendem a perder ritmo a partir de agora. Os embarques do cereal, que no início de outubro ainda corriam 43% atrás dos registros de igual período do ano passado, prometem continuar limitados pela oferta escassa.
Mais espaço
Já o Brasil, que até o mês passado havia vendido 9,4 milhões de toneladas de milho ao mercado externo, deve embarcar ao menos outros 8 milhões de toneladas até dezembro (cerca de 2,5 milhões de toneladas mensais), alcançando a inédita marca de 17,5 milhões de toneladas exportadas. O recorde histórico é embalado pela safrinha, que rendeu aos produtores brasileiros mais de 37 milhões de toneladas em 2012, compensando com folga as perdas sofridas no verão e dando ao país condições de ocupar o espaço deixado por seus principais concorrentes, EUA e Argentina, no mercado internacional de milho.
No caso da soja, as vendas externas brasileiras, que ignoram a quebra de safra e crescem em ritmo alucinante neste ano, devem dar novo salto em 2013, impulsionadas por um aumento de 10% no plantio e um incremento de 11% na produtividade média. Estimativa preliminar da Expedição Safra aponta que os produtores brasileiros devem semear nesta temporada recordes 27,5 milhões de hectares com a oleaginosa e, com clima normal, têm potencial para colher 81 milhões de toneladas do grão. Da produção total, 48% (39 milhões/t) devem seguir para a exportação em 2013. No milho, a safra total (verão e inverno) deve recuar de 72 milhões para 70 milhões de toneladas.
No verão, o recuo da área tende a ser compensado por uma melhora do rendimento médio das lavouras, enquanto, no inverno, a produtividades mais baixas do que as de 2012 devem ofuscar o aumento do plantio. Na próxima semana, os técnicos e jornalistas da Expedição voltam a pegar a estrada para dar início ao roteiro brasileiro de plantio. Após o percurso, será divulgada uma nova estimativa de área e produção de verão.

Clima severo
Seca de mais de dois meses teve impacto aliviado pela água do subsolo, que pode faltar em 2013
Completamente atípica, a safra norte-americana 2012/13 vai ficar marcada na memória dos produtores. Boa parte das lavouras ficou mais de dois meses sem chuvas. “Antes de começar a colher, estava me preparando para o pior. Mas tive uma agradável surpresa quando coloquei as máquinas no campo. Acho que ainda vou passar os próximos anos me perguntando como conseguimos colher uma safra assim em um ano de clima tão ruim como esse”, diz Doug Frye, de Downs, Iowa. Com quebra de 40% na soja e de apenas 18% no milho, ele se diz satisfeito com o resultado da produção.
A 100 quilômetros dali, em Madrid, Iowa, Steve Lawler poder ter a resposta para o questionamento de Frye: “Viemos de dois anos bastante úmidos. Então, ainda tínhamos bons níveis de umidade no subsolo. A planta teve que ir fundo para procurar água, mas achou”, explica. Com pouco mais de 20% da produção perdida para a seca, ele afirma que o pior ainda está por vir. “O que me preocupa é o ano que vem. Entrar em uma nova temporada com clima seco é muito pior do que enfrentar estiagem da metade para o final do ciclo”, avalia. (LG)
113,13 milhões
de toneladas de milho e soja deixaram de ser colhidas nos Estados Unidos em relação ao potencial das lavouras medido em maio, antes da seca.
17,5 milhões
de toneladas de milho devem ser exportadas pelo Brasil neste ano. Até dezembro, a tendência é que sejam embarcadas 8 milhões de toneladas, justamente pela quebra gigantesca na produção do cereal verificada nos Estados Unidos. 


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Os novos reféns

Vladimir Safatle


Os homossexuais tornaram-se os novos reféns da política brasileira. O nível canino de certos embates políticos fez com que setores do pensamento conservador procurassem se aproveitar de momentos eleitorais para impor sua pauta de debates e preconceitos.

Eleições deveriam ser ocasiões para todos aqueles que compreendem a igualdade como valor supremo da República, independentemente de sua filiação partidária, lutarem por uma pauta de modernização social que inclua casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, permissão de adoção de crianças e constituição de família, além da criminalização de toda prática de homofobia e do engajamento direto do Estado na conscientização de seus cidadãos. Parece, no entanto, que nunca nos livraremos de nossos arcaísmos.

Alguns acreditam que se trata de liberdade de expressão admitir que certos religiosos façam pregações caracterizando homossexuais como perversos, doentes e portadores de graves desvios morais. Seguindo tal raciocínio, seria também questão de liberdade de expressão permitir que se diga que negros são seres inferiores ou que judeus mentem em relação ao Holocausto.

Sabemos muito bem, contudo, que nada disso é manifestação da liberdade de expressão. Na verdade, tratam-se de enunciados criminosos por reiterar proposições sempre usadas para alimentar o preconceito e a violência contra grupos com profundo histórico de exclusão social.

Nunca a democracia significou que tudo possa ser dito. Toda democracia reconhece que há um conjunto de enunciados que devem ser tratados como crime por fazer circular preconceitos e exclusão travestidos de "mera opinião".

Não há, atualmente, nenhum estudo sério em psiquiatria ou em psicologia que coloque o homossexualismo enquanto tal, como forma de parafrenia (categoria clínica que substituiu as perversões).

Em nenhum manual de psiquiatria (DSM ou CID) o homossexualismo aparece como doença. Da mesma forma, não há estudo algum que mostre que famílias homoparentais tenham mais problemas estruturais do que famílias compostas por heterossexuais.

Nenhum filósofo teria, hoje, o disparate de afirmar que o modelo de orientação sexual homossexual é um problema de ordem moral, até porque a afirmação de múltiplas formas de orientação sexual (à parte os casos que envolvam não consentimento e relação com crianças) é passível de universalização sem contradição.

Impedir que os homossexuais tornem-se periodicamente reféns de embates políticos é uma pauta que transcende os diretamente concernidos por tais problemas. Ela toca todos os que lutam por um país profundamente igualitário e republicano.

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Serra é pego na mentira...De novo


A notícia divulgada nesta segunda feira (15), pela colunista  Monica Bergamo, caiu como uma bomba dentro do QG do tucano José Serra. A notícia informava que, o candidato a prefeito de São Paulo distribuiu para as escolas paulistas, em 2009, quando foi governador, um material semelhante ao que o MEC (Ministério da Educação), na gestão de Fernando Haddad (PT), elaborou para combater a homofobia nas escolas..Leia aqui a matéria completa
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Eduardo Campos já está em campanha para 2014?


Oficialmente, o PSB é aliado do PT federal e parceiro potencial de Dilma Rousseff em 2014. Em segredo, o partido discute com lideranças de outras legendas vinculadas ao governo um projeto alternativo para a sucessão presidencial.

Iniciados antes do primeiro turno da eleição municipal, os contatos são conduzidos por Eduardo Campos. Ele governa Pernambuco, preside o PSB e cultiva uma não declarada candidatura ao Planalto.

Entre as legendas já contactadas estão os governistas PDT e PTB. As conversas incluem também o “independente” PV e o indefinido PSD, partido nascido das costelas do oposicionista DEM.

Um partidário de Eduardo Campos utiliza dois vocábulos para definir as conversas: “sondagens” e “prospecções”. O objetivo é testar a receptividade de uma eventual candidatura presidencial de Eduardo Campos.

A conferir.
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