O evento estelar mais brilhante já registrado em toda a história foi desencadeado pela fusão de duas anãs brancas, revelou um estudo espanhol publicado nesta quinta-feira na revista Nature. Entre 30 de abril 1º de maio de 1.006, observadores de diferentes partes do hemisfério norte registraram um súbito aumento do brilho de uma determinada estrela no céu, o que levou os astrônomos modernos a concluir que fora avistada, naquele ano, a luz proveniente da explosão de uma supernova. Um astrônomo egípcio da época, por exemplo, escreveu que o brilho que chegou à Terra era três vezes mais intenso do que o de Vênus e correspondia a um quarto daquele emitido pela Lua. Agora, mil anos mais tarde, os cientistas parecem ter descoberto como a ignição termonuclear começou.
A supernova de 1.006 foi produzida em um sistema binário, um processo de transferência de massa entre dois objetos astronômicos pela força da gravidade. A combinação pode ser entre uma anã branca (massa equivalente à do Sol, mas com um tamanho similar ao da Terra) e uma estrela normal, menos compacta. Em dado momento, quando a anã branca atinge 1,4 vez a massa do Sol – proporção chamada massa limite de Chandrasekhar –, ela explode e libera uma enorme quantidade de energia. "A estrutura da anã branca não suporta mais do que isso", explica o professor Jorge Horvath, professor de evolução estelar do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP). A nuvem multicor que se forma, visível nas imagens captadas pelos observatórios espaciais, é formada pelo gás remanescente em expansão. Mesmo depois da detonação, a estrela companheira continua a existir, só que modificada pela força do estouro da anã branca. "A aparência de uma possível estrela companheira, mesmo mil anos depois do violento impacto, não seria o de uma estrela gigante normal", diz Jonay González Hernández, pesquisador que lidera o trabalho. González Hernández e sua equipe buscaram, com um dos telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile, rastros de corpos celestes com marcas de abalo de uma explosão supernova. Como não encontraram nada – apenas estrelas normais – , concluíram que a supernova provavelmente foi desencadeada pela colisão de duas anãs brancas (veja o vídeo). Neste caso, uma anã branca atrai a outra até que ocorra a fusão das duas, fazendo com se chegue à massa limite de Chandrasekhar. Depois do boom, ambas simplesmente deixam de existir. "Realizamos uma exploração exaustiva em torno do lugar onde explodiu a supernova de 1.006 e não encontramos nada, o que nos leva a pensar que esse evento foi causado pela colisão ou fusão de duas estrelas anãs brancas", concluiu González Hernández. Até hoje, cinco supernovas foram estudadas por Pilar Ruiz-Lapuente, pesquisadora do grupo. Apenas em uma, avistada em 1572, foram encontrados sinais de uma estrela companheira. "Os novos resultados sugerem que a fusão de añas brancas poderia ser uma via usual para o início das violentas explosões termonucleares", afirma. Veja
Pesquisadores criaram um pequeno dispositivo eletrônico que pode ser implantado dentro do corpo do paciente por meio de uma cirurgia simples, e nunca precisará ser retirado. Depois de cumprir sua função, o aparelho irá simplesmente se dissolver, sem deixar nenhum rastro ou efeito colateral. A chamada tecnologia transitória poderá ser usada para medir a temperatura de partes específicas do corpo, monitorar atividades do cérebro, coração e tecidos musculares ou aplicar medicamentos por períodos precisos de tempo. "Esses eletrônicos existirão enquanto você precisar deles, e depois que servirem a seu propósito eles desaparecem. Esse é um conceito totalmente novo", diz Yonggang Huang, pesquisador da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo. Ao contrário de outros aparelhos eletrônicos, que são desenvolvidos para durar, os circuitos transitórios desaparecem após um período programado de tempo — de dias a meses. "Desde o começo da indústria da eletrônica, um dos objetivos mais importantes é construir aparelhos que durem para sempre. Mas quando pensamos na possibilidade oposta — aparelhos desenvolvidos para desaparecer de maneira controlada e programada —, surgem outras oportunidades de aplicação", diz o engenheiro John Rogers, da Universidade de Illinois, que também participou da pesquisa.
Beckman Institute, University of Illinois and Tufts University
Um dispositivo para monitorar e tratar infecções bacterianas foi implantado em ratos pelos pesquisadores
No laboratório, os cientistas conseguiram criar transistores, diodos, sensores de temperatura e tensão, células solares e antenas de rádio que se dissolvem depois do contato com a água ou fluidos do corpo humano. Para testar a efetividade da tecnologia, eles desenvolveram um dispositivo de aquecimento, que poderia manter ferimentos livres de bactérias, e o testaram em ratos. Ele foi implantado debaixo da pele do animal, perto de cortes cirúrgicos, e programado para se degradar em 15 dias. Três semanas depois do procedimento, ao examinar o rato, os pesquisadores não encontraram sinais de infecção, e apenas pequenos resíduos do implante. O estudo foi publicado nesta quinta-feira na revista Science. Magnésio, seda e silício — Para criar o implante, os pesquisadores usaram apenas materiais capazes de se desintegrar em contato com a água. Os eletrodos foram feitos de magnésio, com camadas de silício entre eles. O silício normalmente usado em aparelhos eletrônicos é capaz de se dissolver em água, mas em velocidade tão lenta que pode demorar séculos até ser totalmente absorvido pelo ambiente. Por isso, os pesquisadores tiveram que desenvolver camadas muito finas do material. Tanto a quantidade de silício quanto a de magnésio usada no eletrônico é menor que a recomendada para consumo diário por nutricionistas — e está longe de fazer mal ao corpo. Uma camada de óxido de magnésio e seda envolve o eletrônico, e é a primeira a ser dissolvida no corpo do paciente. É a partir da espessura dessa estrutura de seda que os pesquisadores decidem se o dispositivo vai durar horas, dias ou meses.
Segundo os cientistas, a tecnologia transitória poderá ser usada em outras áreas além da medicina. Eles citam, por exemplo, dispositivos que monitoram o meio ambiente em locais distantes, e não precisariam ser recolhidos depois que sua atividade chegasse ao fim. Com o avanço da tecnologia, eles pensam que ela poderá ser usada mesmo em dispositivos portáteis e eletrodomésticos comuns, que demoram séculos para se decompor e podem até ameaçar o ambiente quando isso acontece. Veja
O juiz Sylvio Ribeiro de Souza Neto, da 305º Zona Eleitoral de Ribeirão Preto, reiterou nesta sexta-feira que o diretor financeiro do Google, Luiz Pinto Balthazar, deve comparecer a uma delegacia da Polícia Federal para assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por desobediência eleitoral; caso contrário, o executivo será preso. O episódio ocorre dois dias após Fábio Coelho, diretor geral do Google Brasil, assinar termo idêntico, sendo liberado em seguida. Os dois casos são consequência de decisões liminares em que a Justiça ordenou que o Google retirasse, de sites de sua propriedade, conteúdos considerados ofensivos a candidatos nas eleições municipais do próximo dia 7. Nas duas situações, o gigante de buscas não cumpriu as decisões. No episódio de Ribeirão Preto, o magistrado acatou, no dia 12, pedido da prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera (PSD), candidata à reeleição. Ela solicitava remoção de textos do blog do jornalista Márcio Francisco que a criticavam. A página estava hospedada no serviço Blogspot, do Google, e, segundo o juiz, continha "ofensas, publicações abusivas e depreciativas à honra e à imagem da candidata". O Google se recusou a retirar do ar os conteúdos apontados, alegando que a medida traria prejuízos à liberdade de expressão e ao acesso de eleitores e usuários em geral à informação. No dia 22, o juiz manteve a decisão e determinou ainda que Balthazar assinasse o TCO. Ao site de VEJA, o juiz de Ribeirão Preto afirmou que os textos de Francisco violam o Código Eleitoral, que determina a exclusão de qualquer material contendo injúria ou calúnia a candidatos. "Críticas polidas não são vistas como um problema. As ofensas, contudo, devem ser retiradas do ar", diz o magistrado. Em resposta à resolução judicial desta sexta-feira, o Google afirmou que já tomou as medidas legais cabíveis. "Reafirmamos nosso compromisso com a liberdade de expressão, pois acreditamos que os eleitores têm direito a fazer uso da internet para livremente manifestar suas opiniões a respeito de candidatos como pleno exercício da democracia, especialmente em períodos eleitorais", diz comunicado da companhia. Veja