Do povo

Este é um bom documentário disponível na Televisión América Latina mostrando o processo de nacionalização das riquezas naturais da Bolívia. Como elas eram exploradas pelas multinacionais –que abocanhavam quase 100% dos lucros e deixava o povo na miséria – e como passou a ser após a eleição do cocaleiro e indígena Evo Morales.

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Pressões demográficas redesenham a arena política


  
Em uma de suas assombrosas previsões, o francês Alexis de Toqueville cravou em 1835 que Estados Unidos e Rússia disputariam o futuro do planeta. A célebre passagem encerra o primeiro volume de A Democracia na América: "Existem hoje, sobre a terra, dois grandes povos que, tendo partido de pontos diferentes, parecem adiantar-se para o mesmo fim: são os russos e os anglo-americanos (...) O americano tem por principal meio de ação a liberdade; o russo, a servidão. (...) Cada um deles parece convocado, por um desígnio secreto da providência, a deter nas mãos, um dia, os destinos de metade do mundo".

Notas de rodapé mostram que o historiador se valeu de numerosos dados demográficos para antever a polarização que marcou o planeta no século XX: a população das grandes e pequenas cidades, o número de trabalhadores rurais, a proporção de escravos, índios, imigrantes, os grupos religiosos etc. Toqueville considerava que os americanos e os russos estavam então em franco crescimento demográfico, vindo a ocupar "amplos espaços vazios", ao contrário dos europeus, "que parecem ter chegado mais ou menos aos limites traçados pela natureza".
A análise certeira de Toqueville antecipa em quase dois séculos um campo hoje emergente das ciências sociais, a demografia política. Seu objetivo é vencer o fosso que separa a ciência política da montanha de dados populacionais, cujo tratamento matemático é cada vez mais sofisticado. Quando bem-sucedido, o esforço permite traçar cenários políticos com razoável grau de confiança. Que o digam os estrategistas de campanha, sempre prontos a moldar o discurso dos candidatos em função de eleitorados emergentes, como se vê tanto na disputa pela Casa Branca como na corrida pela prefeitura de São Paulo.
Os recados da demografia já estão no radar das campanhas mas ainda custam a chegar à gestão pública. "Não conheço uma Secretaria de Educação no Brasil que tenha um especialista em demografia, que saiba quantas crianças vão nascer nos próximos anos e, portanto, quantas escolas precisam ser abertas ou fechadas", exemplificou a VEJA o educador João Batista Araujo e Oliveira. É o que lamenta Jack Goldstone, professor da Universidade George Mason, em Virgínia (EUA). Daí o livro Demografia política: como as mudanças populacionais estão remodelando questões de segurança internacional e política nacional (em tradução livre), que editou em companhia de Eric Kaufmann, da Universidade de Londres, e Momica Duffy Toft, da Harvard. Lançada em junho de 2012, a obra alerta para as tendências que vão redesenhar o mundo até 2050.
Essas mudanças já estão em curso e em boa medida não têm precedente histórico. Isso porque o crescimento populacional nunca foi tão desigual. Goldstone resume: o mundo de amanhã não será simplesmente o mundo de hoje, só que com mais gente. As discrepâncias entre os perfis demográficos tanto de países como, dentro de suas fronteiras, dos grupos étnicos, religiosos e econômicos exercerão enorme pressão sobre a arena política, deem-se as disputas nas urnas, nos foros diplomáticos ou nos campos de batalha.
Bomba demográfica - Para sucessivos governos israelenses, desde o primeiro gabinete do premiê David Ben-Gurion, demografia é uma questão existencial. Yasser Arafat dizia que a altíssima fertilidade das mulheres palestinas (6,8 filhos em média na Faixa de Gaza) era a 'bomba biológica' que daria a 'vitória final' sobre os judeus. Por muito tempo, Israel compensou a diferença das taxas de fertilidade com políticas de estímulo a imigração. Mais recentemente, entrou no radar dos analistas uma nova força demográfica: os índices de natalidade de judeus ultraortodoxos (8 filhos por mulher), ainda mais altos que os de palestinos. Até 2025, 12% dos israelenses serão judeus ultraordoxos e pode-se prever que esta parcela da população passará a exigir crescente representação política.
A relação entre fervor religioso e fecundidade é conhecida dos demógrafos. As principais religiões são todas entusiastas do casamento e da procriação, com censuras ao divórcio, aborto e homossexualismo. Famílias muito religiosas são comumente mais numerosas que as seculares, o que vale tanto para fundamentalistas islâmicos, como judeus ultraordoxos e cristãos conservadores americanos. Esta diferença explica, por exemplo, a recente inversão no Líbano, onde muçulmanos passaram cristãos e hoje são maioria. Em 1971, um raro estudo sobre fertilidade das mulheres libanesas encontrou os seguintes números: sete filhos em média para muçulmanos xiitas, quase seis para sunitas, cinco para famílias drusas e entre quatro e cinco para cristãos.
A cartada evangélica - O Brasil também caminha para uma inversão de seu perfil religioso, e a razão é a emergência da população evangélica, em particular das correntes pentecostais e neopentecostais. Em 1970, 91,8% dos brasileiros eram católicos. Em 2010, eram 64,6%. Mantida a tendência, evangélicos e católicos se igualarão em no máximo 30 anos, mas desde já o crescente peso do eleitorado evangélico ganha o primeiro plano na disputa eleitoral.
Nos Estados Unidos, a mobilização do eleitorado evangélico é uma cartada eleitoral dos anos 1970 e já não tem a mesma força em 2012: o perfil demográfico americano está mudando, e até 2050 o país de protestantes anglo-saxões será composto majoritariamente por hispânicos, asiáticos e negros. Este tendência é interpretada como um trunfo de longo prazo dos democratas, com quem as minorias, historicamente, têm maior afinidade.
Outono europeu - O crescimento acelerado das minorias americanas é o que tem mantido o perfil demográfico relativamente saudável do país. Das grandes potências, os Estados Unidos são a única onde a fertilidade (2,07 filhos em média) é próxima à taxa de reposição (2,1), que garante uma população estável. A maioria dos países europeus e muitos asiáticos convivem desde os anos 1970 com taxas bem inferiores e atravessam agora a uma espécie de outono demográfico, marcado pelo super-envelhecimento, o encolhimento da força de trabalho e, eventualmente, redução populacional.
Na Alemanha e Japão, a média de filhos por mulher é pouco maior que 1,3, e suas populações já estão diminuindo. É o último estágio da chamada transição demográfica. Este fenômeno consiste na passagem de uma população com alta taxa de fecundidade e baixa expectativa de vida para a situação oposta. Evidentemente, os países não experimentam ao mesmo tempo esta transição, daí as pressões políticas que a demografia permite antever.
O primeiro estágio da transição demográfica consiste na queda da mortalidade infantil e aumento da expectativa de vida, indicadores que os mais básicos cuidados com saúde, saneamento e alimentação são capazes de revolucionar. O resultado imediato é um vigoroso aumento populacional. Muitos países empacam nesta primeira fase (atualmente são 45, a maioria na África e Oriente Médio). A Etiópia é um bom exemplo: de 2000 a 2010, a expectativa de vida aumentou de 51 para 56 anos, mas a fertilidade se manteve alta (acima de 6 filhos por mulher). Em 1995, a Etiópia tinha uma população equivalente à da França (57 milhões). Tudo o mais constante, em 2035 a França terá 71 milhões de habitantes, e a Etiópia, mais que o dobro, 154 milhões.
"É uma novidade na história da demografia mundial: grande parte do crescimento populacional ocorre em países pobres. Se há 50 anos a população da Europa era duas vezes a da África, daqui a 50 anos a população da África será três vezes maior do que a da Europa", diz Goldstone. "Até 2050, as diferenças entre os países pobres e ricos serão máximas", acrescenta Kaufmann.
Oportunidade única - Em um segundo momento da transição demográfica, a taxa de natalidade começa a cair, em função de fatores que se ligam à escolaridade, urbanização, crescimento econômico, políticas de saúde pública etc. O resultado é o aumento da população adulta – economicamente ativa –, ainda desobrigada do ônus de sustentar um número muito grande de idosos ou de crianças. É uma chance rara e única de desenvolvimento, que todos países ricos souberam aproveitar. Esta janela de oportunidade está atualmente aberta a alguns dos países emergentes, como Turquia, Irã, Vietnã, Indonésia, China, Indonésia e, notadamente, o Brasil. Em 1965, havia noventa brasileiros dependentes para cada 100 em idade economicamente ativa. Hoje, essa relação é de 45 para 100.
"Países que tiveram uma queda recente na taxa de fecundidade têm um futuro promissor pela frente. O número de trabalhadores está crescendo muito, enquanto o número de crianças dependentes tem um crescimento mais ameno", diz Goldstone. "Mas para tirar proveito dessas oportunidades, é preciso se concentrar em algumas medidas políticas e econômicas para melhorar as condições dos jovens, incluindo investimento em educação e criação de empregos."
Este bônus demográfico tem prazo para acabar. Até meados do século, o contínuo envelhecimento da população fecha esta janela de oportunidade. E taxas de natalidade persistentemente baixas lançam o país rumo à etapa final da transição demográfica.
Campanhas para acelerar os primeiros estágios da transição já se mostraram eficientes, como mostram a China e, principalmente, a Coreia do Sul. Nos anos 1970, Seul divulgava os seguintes lemas: "pare em dois (filhos), independente do sexo " e "uma garota bem criada vale por dois garotos". Nos anos 1980, a chave era "dois (filhos) é demais". Hoje em dia o país tem o perfil demográfico que os europeus levaram séculos para alcançar – e as mesmas preocupações.
Já as tentativas de reverter a transição têm se mostrado em geral ineficazes e não raro ridículas, como o "dia do sexo". Instituída em 2007 na província russa de Ulyanovsk, a campanha premiava famílias com um veículo utilitário por cada bebê nascido nove meses depois do "dia do sexo".
Paz geriátrica - Demógrafos tratam esta transição como uma fatalidade – efeito do próprio desenvolvimento humano. Disso decorre, como exemplo mais óbvio, que os custos com aposentadorias serão crescentes (mais de um quarto do PIB europeu até 2040). E que será cada vez mais comum o modelo chinês conhecido como 4-2-1, resultado da política de filho único com o aumento da longevidade: um filho sustenta o pai, a mãe e os quatro avós. Mas há também um efeito até pouco tempo atrás inesperado: sociedades com mais adultos e velhos tendem a ser mais pacíficas.
Estudando a frequência de golpes, guerras civis e confrontos entre países vizinhos, demógrafos encontraram a seguinte relação: onde a faixa etária predominante é jovem, são maiores as chances de conflito armado; onde predominam os adultos e os idosos, são maiores as chances de uma democracia liberal. A explicação para isso é que gangues, milícias e revoltas populares têm um custo de mobilização muito mais baixo onde há jovens em excesso e empregos em escassez. As evidências desta hipótese podem ser encontradas em diversas épocas e continentes: nos Bálcãs, na América Latina e no Sudeste Asiático de décadas recentes e também no Oriente Médio e norte da África dos dias de hoje. Também esta oportunidade de "paz geriátrica" exigirá maior atenção aos recados da demografia política.
Veja
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Mensalão: agora, Lula se cala - e o PT fica desnorteado


Na edição passada, uma reportagem de VEJA revelou com exclusividade parte das confissões feitas pelo empresário Marcos Valério, o operador financeiro do mensalão, sobre as engrenagens do maior escândalo de corrupção política da história do país. Além de confirmar a participação decisiva no suborno a parlamentares dos petistas José Dirceu e Delúbio Soares, que figuram como réus no processo em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), Valério implicou o ex-presidente Lula no esquema -- e no papel de protagonista. Valério diz que Lula era o verdadeiro comandante da organização criminosa denunciada pelo Ministério Público. Afirma que a quadrilha do mensalão contava com um caixa de 350 milhões de reais, o triplo, portanto, do valor identificado pela Polícia Federal. Além disso, ressalta que desde a eclosão do escândalo, em 2005, teve Paulo Okamotto como interlocutor no PT. Amigo do peito e pagador de contas pessoais do ex-presidente da República, Okamotto era fiador de um acordo que previa a impunidade em troca do seu silêncio. O empresário desabafou: “Não podem condenar apenas os mequetrefes. Só não sobrou para o Lula porque eu, o Delúbio e o Zé não falamos”.

Em VEJA da semana passada: Marcos Valério revela os segredos do mensalão
Valério sempre ameaçou relatar em detalhes o funcionamento do mensalão. E sempre foi contido - segundo contou a pessoas próximas - pela promessa do ex-presidente e do PT de ajudá-lo na Justiça. Esse acordo se manteve de pé até o início do julgamento no STF. Já condenado por corrupção ativa, peculato e lavagem de dinheiro, crimes que podem resultar numa pena de mais de 100 anos de prisão, Valério resolveu compartilhar seus segredos com um grupo seleto de confidentes. A revelação dessas conversas por VEJA desnorteou o PT, conforme mostra reportagem publicada na edição desta semana. Lula, um notório entusiasta do debate em público, preferiu o silêncio ao ser confrontado com as novas informações. Não rechaçou o que Valério contou nem tentou desqualificá-lo. Dirceu e Delúbio seguiram o chefe. Não foi à toa. Segundo aliados, Lula não quer desafiar Valério, que não teria mais nada a perder. Além disso, teme que o empresário revele mais detalhes se provocado. Rebatê-lo agora, sem saber do arsenal à disposição de Valério, seria uma estratégia de altíssimo risco. A palavra de ordem é não comprar briga com o pivô financeiro do mensalão. Contra-ataques, só em cima dos alvos de sempre, aqueles aos quais os petistas recorrem, como uma conveniente muleta, toda vez que são pilhados em irregularidades.
Essa estratégia foi seguida à risca. Na segunda-feira, o PT divulgou uma nota conclamando a militância para “uma batalha do tamanho do Brasil” - no caso, a defesa do partido e do ex-presidente. O texto não faz menção às confissões de Valério. Ou seja: não explica do que Lula deve ser defendido. Na quinta-feira, outra nota foi publicada. Ela retoma a tese de que o mensalão e seus desdobramentos não passam de uma conspiração urdida pela oposição e por setores da imprensa para tirar o PT do comando do país por meio de um golpe. Esse golpe seria alimentado com a divulgação de denúncias sem provas. Quais denúncias? A redação petista não teve coragem, de novo, de citar as confissões de Valério, providencialmente esquecido. Fala de uma “fantasiosa matéria veiculada pela Revista Veja”. Fantasiosa, por ora, só a nota do PT. Ela foi elaborada pelo presidente da sigla, Rui Falcão. Em seguida, ele ligou para os presidentes de cinco partidos e pediu-lhes que subscrevessem o texto. Não se tratou de uma solidariedade espontânea. Muito pelo contrário. O presidente do PMDB, senador Valdir Raupp, assinou sem ler e nem sequer consultou seus correligionários -- entre eles, o vice-presidente da República, Michel Temer. “Não concordo com a nota, mas não podia recusar um pedido do presidente Lula”, revelou um dos signatários.
Tiago Queiroz/AE, Cristiano Mariz, Caio Guatelli/Folhapress
DEGRADANTE - O mensalão cria constrangimentos à campanha do petista Fernando Haddad para a prefeitura de São Paulo, principalmente diante da aproximação da data de julgamento do ex-ministro José Dirceu e do ex-tesoureiro Delúbio Soares. Os dois serão julgados pelo Supremo por corrupção ativa
  DEGRADANTE - O mensalão cria constrangimentos à campanha do petista Fernando Haddad para a prefeitura de São Paulo, principalmente diante da aproximação da data de julgamento do ex-ministro José Dirceu e do ex-tesoureiro Delúbio Soares. Os dois serão julgados pelo Supremo por corrupção ativa
O PT fabricou uma manifestação de apoio a Lula por saber que as confissões de Valério podem ser investigadas. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, considerou importantes as revelações e declarou que poderá analisar o envolvimento de Lula no mensalão, tal qual relatado por Valério, depois do julgamento do processo no STF. Os petistas também esperam usar a nota assinada por presidentes de partidos aliados no horário eleitoral gratuito. A ideia é alegar que o PT está sendo vítima de uma conspiração de setores conservadores, os quais estariam pressionando o Supremo -- que teve sete dos seus atuais dez ministros nomeados pelo governo petista -- a condenar os réus do mensalão. O processo no STF tem influenciado de forma negativa o desempenho dos petistas nas disputas municipais. Imposto ao partido por Lula, Fernando Haddad está na terceira colocação na corrida pela prefeitura paulistana. Na semana passada, num recurso à Justiça Eleitoral, a equipe dele disse ser “degradante” a associação da imagem de Haddad à de Dirceu e Delúbio, como tem feito o PSDB. Mais sintomático dos efeitos do mensalão, impossível.
O PT sempre desdenhou dos impactos políticos do caso. Numa conversa com aliados dias antes do início do julgamento no STF, Lula disse que o processo teria “influência zero” sobre o partido e seus candidatos. Com a mesma confiança do líder messiânico que prometera aos réus livrá-los da condenação judicial, Lula lembrou que foi reeleito em 2006, um ano depois de ser acossado pela ameaça de um processo de impeachment, e fez de Dilma Rousseff sua sucessora em 2010. O mensalão seria uma mera “piada de salão”. Piadinha sem graça.
Veja
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Presidente da Assembleia de SP vira réu em ação penal - politica - politica - Estadão

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) abriu ação

penal contra o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual

Barros Munhoz (PSDB), acusado de promover licitação supostamente

fraudulenta quando exercia o cargo de prefeito de Itapira (SP), em

2003. Segundo a denúncia do Ministério Público Estadual, o réu

contratou obras e serviços de engenharia de uma empresa fantasma e

teria desviado cerca de R$ 3,5 milhões, em valores atualizados. Munhoz

nega as acusações e diz que aguarda com serenidade a tramitação do

processo. --

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,presidente-da-assembleia-de-sp-vira-reu-em-acao-penal,934288,0.htm





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Linux 3.5.1: Saber-toothed Squirrel

http://www.youtube.com/DanielFragaBR
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