Telefonista chamada de 'elefante' no trabalho é indenizada em R$ 8 mil

Nahla Camila Santos lê a sentença que a indeniza por dano morais em Ribeirão Preto, SP (Foto: Adriano Oliveira/G1)

Mulher de 162 kg teve nome associado a animal em desenho no banheiro.
Funcionária processou empregador por danos morais em Ribeirão Preto.

Nahla lê a sentença do processo que moveu contra a empresa onde trabalhou (Foto: Adriano Oliveira/G1)
Alvo de piadas dos colegas de trabalho porque é obesa, a telefonista Nahla Camila dos Santos, de 29 anos, decidiu recorrer à Justiça e, na quarta-feira (29), aceitou um acordo proposto pela empresa onde trabalhava para receber R$ 8 mil de indenização.
Nahla, que permaneceu na empresa de mototáxi em Ribeirão Preto (SP) entre 2009 e 2011, disse que pesava 162 quilos na época – hoje pesa 130 –  e resolveu denunciar o empregador porque encontrou o desenho de um elefante na parede do banheiro utilizado pelos funcionários. Abaixo da figura estavam as letras “KA” que, segundo a jovem, faziam referência ao seu segundo nome, "Camila".

Primeiro ela procurou a polícia. “Sempre ouvi conversas baixinho, eles se referiam a mim com nomes pejorativos como gorda, elefantinho. Eu ficava mal, chorava e acabei procurando uma psicóloga. Foi ela que me ajudou a não aceitar as ofensas e registrar o boletim de ocorrência”, afirmou.
Orientada pelo escrivão, a telefonista redigiu uma carta relatando ao patrão todos os acontecimentos e pediu que ele assinasse o documento. Como, segundo ela, nenhuma atitude foi tomada, a questão foi levada à Justiça. "Eu ainda aguentei as piadas por mais três meses, até que eles me mandaram embora. E foi essa carta que provou no tribunal que eu realmente era assediada", relatou a telefonista.
Na decisão do processo, o juiz Gustavo Triandafelides Balthazar considerou que "cabe ao empregador propiciar um ambiente de trabalho saudável, tomando as medidas necessárias, inclusive fiscalizadoras, para que nenhum trabalhador tenha sua dignidade abalada."
Nahla Camila recebeu indenização por ser chamada de gorda na empresa onde trabalhava em Ribeirão Preto, SP (Foto: Adriano Oliveira/G1) 
Nahla recebeu indenização por ser chamada
de gorda na empresa onde trabalhava em Ribeirão
Preto, SP
O advogado da empresa de mototáxi, Mário Nelson Perez Júnior, negou que o proprietário não tenha tomado qualquer atitude a respeito da carta escrita por Nahla. Segundo Perez Júnior, o gerente advertiu e, após reincidência, demitiu em julho de 2011 o funcionário responsável pelas piadas preconceituosas contra a jovem, antes mesmo de Nahla ter sido dispensada.
Humilhações
Nahla afirmou que o objetivo da ação judicial era lutar contra o preconceito que sofreu desde a infância por ser obesa. Segundo a jovem, após o nascimento da única filha, há 4 anos, ela entrou em depressão e engordou ainda mais, o que dificultava conseguir um trabalho.
Em uma entrevista de emprego, a gerente de uma rede de lanchonetes chegou a dizer que não poderia contratar uma pessoa “gorda” para vender lanches anunciados como saudáveis. Em outra ocasião, a dona de uma loja afirmou que os uniformes não caberiam nela.
“Eu passava em todas as etapas e nunca era contratada. Fiquei tão desestimulada que ligava nos locais e perguntava se tinham restrição em contratar pessoas obesas. Uma vez a mulher me perguntou: Mas você é gorda quanto?”
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Protegido contra Evo

Embaixada adapta espaço para senador

Representação do Brasil em La Paz transforma cômodo em moradia de Roger Pinto, abrigado há quase cem dias no local


FELIPE LUCHETE -Folha de S Paulo
ENVIADO ESPECIAL A LA PAZ


Em uma das principais avenidas da capital boliviana, o senador direitista Roger Pinto Molina, 52, vive recluso em uma sala de 20 m2, que serve de moradia e escritório. Nesta semana, o líder da oposição ao presidente Evo Morales no Senado completa cem dias de refúgio na embaixada brasileira em La Paz.

Sua chegada, em 28 de maio, surpreendeu o governo brasileiro. Acompanhado de duas senadoras e um deputado, Pinto pediu, naquela segunda-feira, uma reunião de última hora com o embaixador Marcel Biato. No encontro, ele entregou a solicitação de asilo político a Biato e uma carta endereçada à presidente Dilma Rousseff. Pinto alega ser alvo de perseguição política desde que denunciou o envolvimento de autoridades bolivianas com o narcotráfico.

O Brasil confirmou o asilo 11 dias depois, mas a Bolívia desde então nega o salvo-conduto para que ele possa deixar a embaixada e embarcar rumo ao Brasil.

ROTINA

Enquanto dura o impasse, Pinto vive em um espaço adaptado para ele no primeiro andar da embaixada, nos fundos, longe da movimentação de funcionários. Para chegar à sala, é preciso atravessar uma porta fechada a senha, identificar-se com fuzileiros navais e percorrer um corredor.

A embaixada não autorizou a entrada da Folha na sala, sob a justificativa de que isso prejudicaria a situação do senador. Até meados de agosto, Pinto ocupava dois cômodos separados, na parte da frente da embaixada, com vista para a avenida Arce, no centro de La Paz. Teve de ser transferido quando chegaram novos funcionários.

Ele recebe visitas de amigos e de uma filha todos os dias. Tem televisão, notebook, tablet, cama, frigobar e se exercita em uma bicicleta ergométrica, no corredor. Evangélico, lê a Bíblia e os livros "Guia Politicamente Incorreto da América Latina" e "El Sueño del Libertador", sobre o ativista peruano Raúl Haya de la Torre, que ficou cinco anos na embaixada da Colômbia (1949-54) em Lima.

Também conversa pela internet com a mulher, uma filha, dois netos e a sogra, que se mudaram para o Acre. Eles deixaram Cobija, cidade do departamento (Estado) de Pando, logo depois de Pinto ir para a embaixada. Pessoas próximas dizem que os parentes sofreram ameaças e temeram ser usados como moeda de troca para a saída do senador da embaixada.

A filha mais nova, que vive em La Paz, disse que o pai já recebeu mensagens ameaçadoras descrevendo onde e com quem ela está. Denise Pinto, 22, estudante de direito, vai e volta levando roupas e comida. A embaixada fornece as refeições, mas o senador, diz a filha, "adora" que ela leve "churrasco e farofa com bacon".

Denise diz que as acusações contra o pai são invenção do governo. Há processos por suspeita de desacato a autoridades, derrubada de uma árvore e assassinato -segundo a filha, a acusação não diz quem é o morto. Ao menos três processos por desacato são consequência de denúncias do senador sobre o tráfico de drogas, diz o deputado federal Adrián Oliva, do mesmo partido.

Oliva diz que o presidente recebeu em 2010 documentos relatando supostos crimes envolvendo a cúpula do governo, mas só anunciou que iria investigá-los após o refúgio de Pinto ganhar destaque internacionalmente.
Para o deputado federal Luis Felipe Dorado, chefe da bancada da Convergência Nacional, o governo tem um discurso contraditório: embora não libere o salvo-conduto a Pinto, anunciou apoio ao Equador, que concedeu asilo político a Julian Assange.

O fundador do WikiLeaks está desde junho na embaixada do país em Londres.

NEGATIVA


A Bolívia justifica a negativa ao salvo-conduto dizendo que o senador da Convergência Nacional (cuja bancada tem 47 das 167 cadeiras do Congresso) responde a mais de 20 processos judiciais.

A concessão de asilo foi criticada pelo próprio Evo Morales. Em julho passado, causaram mal-estar no Itamaraty declarações da ministra das Comunicações boliviana, Amanda Dávila, que acusou o embaixador brasileiro de fazer pressões pró-libertação.

A situação está empacada. A embaixada avalia que resta apenas aguardar um recuo do governo boliviano. Políticos da oposição ouvidos pela reportagem apostam que isso ocorrerá com ajuda de pressão internacional.

Dorado cobra posição mais firme do Brasil.
"O país tem que fazer respeitar sua soberania."
A Folha tentou ouvir o governo boliviano, mas não teve resposta aos pedidos de entrevista.
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Presidenta Dilma coloca FHC em seu devido lugar, após ele dizer que ela teria recebido herança maldita de Lula

Bem que a presidenta tentou uma relação republicana com o ex-presidente FHC, em cujo governo o Brasil quase quebrou quatro vezes. O homem da privataria, da lista de Furnas, que recebeu dinheiro do mensalão tucano de Minas, como confirmou o capo do esquema, Eduardo Azeredo (leia Azeredo confirma informação do Blog do Mello: Dinheiro do valerioduto tucano irrigou campanha de FHC).

Mas, como na fábula do escorpião e o sapo. a presidenta sentiu na pele o ataque insidioso do homem que se achava o príncipe, mas se viu suplantado por um simples metalúrgico, retirante nordestino.

O despeito, a vaidade ferida (que, no entanto, não se abalou com o chifre que o país sustentou, No Reino da Cornualha, a triste história de Fernandus, de Príncipis a Cornus), fizeram FHC afirmar em artigo que Dilma teria recebido uma herança maldita do ex-presidente Lula.

A presidenta respondeu à altura, com uma nota oficial em que reduz FHC a sua verdadeira dimensão, com uma série de recados nas entrelinhas:

Citada de modo incorreto pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo publicado neste domingo, nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, creio ser necessário recolocar os fatos em seus devidos lugares.
Recebi do ex-presidente Lula uma herança bendita. Não recebi um país sob intervenção do FMI ou sob a ameaça de apagão.
Recebi uma economia sólida, com crescimento robusto, inflação sob controle, investimentos consistentes em infraestrutura e reservas cambiais recordes.
Recebi um país mais justo e menos desigual, com 40 milhões de pessoas ascendendo à classe média, pleno emprego e oportunidade de acesso à universidade a centenas de milhares de estudantes.
Recebi um Brasil mais respeitado lá fora graças às posições firmes do ex-presidente Lula no cenário internacional. Um democrata que não caiu na tentação de uma mudança constitucional que o beneficiasse. O ex-presidente Lula é um exemplo de estadista.
Não reconhecer os avanços que o país obteve nos últimos dez anos é uma tentativa menor de reescrever a história. O passado deve nos servir de contraponto, de lição, de visão crítica, não de ressentimento. Aprendi com os erros e, principalmente, com os acertos de todas as administrações que me antecederam. Mas governo com os olhos no futuro.
Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil [Fonte]

Com o ataque traiçoeiro, a presidenta deve finalmente ter entendido que não é possível uma relação republicana com tucanos e com a mídia corporativa, que não são nem agem como adversários, mas como inimigos, não dela, mas do país.
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Vídeo: Elmano de Freitas e Senador Pimentel falam da Grande Carreata da Vitória

Mais de 5.000 carros e milhares de militantes participaram da Hiper Carreata da Vitória Elmano13doPT - Domingo - 02SET2012 - 19 bairros aderiram a Onda Vermelha do PT de Lula, Dilma, Elmano e Luizianne. Apoio: #REDEPT13 e BLOG DA DILMA
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PT X PSB: limites da campanha e da gestão

Fernando Cartaxo de Arruda, sociólogo - fcartaxoarruda@gmail.com
A eleição municipal de Fortaleza simboliza uma disputa que definirá os rumos da política no Ceará. O que está em jogo é quem dará as cartas políticas nos próximos embates que definirão a nova arquitetura de poder no Brasil, além de quem comandará a máquina pública municipal e a geografia do poder local.
As pesquisas dos institutos Voz Populi, Ibope e Datafolha captaram os primeiros efeitos e tendências das intenções de voto já sob a égide inicial da fase eletrônica e das parafernálias dos carros de sons, alegorias das bandeiras, caminhadas e minicomícios. É certo que o poder da mídia concentra a maior força de impacto sobre o eleitor, pois invade sua intimidade com programas elaborados com arte cinematográfica e apelos depurados pela ciência do marketing eleitoral.
Os candidatos com melhores estruturas financeiras e tempo de televisão e rádio, como era esperado, colhem os melhores frutos nas disputas por votos do eleitor. Dessa forma, não é de se estranhar o salto de Elmano Freitas, candidato do PT; e a ascensão de Roberto Claudio, erguido sob as bênçãos dos Ferreira Gomes. Ainda que o candidato do DEM, Moroni Torgan, tenha ocupado nas prévias da campanha eleitoral e ainda se mantenha em primeiro lugar nas intenções de voto, já se observa o seu processo de declínio. A pesquisa do Ibope capta uma queda acentuada de 7 pontos percentuais e a persistência de elevada rejeição junto ao eleitorado. A mesma tendência sendo registrada na pesquisa Datafolha.
Ainda que seja precoce qualquer diagnóstico definitivo da vontade do eleitor, pois a dinâmica da disputa eleitoral ainda não mostrou todas as suas facetas e efeitos surpresas, já não é de todo improvável se especular um embate no segundo turno que confronte o PT e o PSB. Nesse caso, os laboratórios eleitorais de ambas as candidaturas devem considerar, pelo menos preventivamente, a delicadeza no trato com os demais adversários visando seduzi-los para a eventualidade da polarização PT-PSB. Numa eleição fragmentada e com vários candidatos dotados de consistência eleitoral, apoios políticos no segundo turno podem ser essenciais para a pavimentação da vitória nas urnas.
Um dado interessante é que os postulantes que se definem como oposição de esquerda aos esquemas do PT e PSB, como são os casos do PSOL do Roseno e do PDT de Heitor, não sofreram abalos nas intenções de voto, permanecendo num patamar de estabilidade. É certo que as dificuldades estruturais de contarem com poucos recursos financeiros e minguado tempo na televisão e no rádio representa uma adversidade objetiva diante da lógica cartesiana eleitoral. Além é claro que o nicho eleitoral que lhes fornecem sustentabilidade faça parte de um mesmo filão de eleitores, o que dificulta a agregação de votos em um só nome que o torne competitivo para enfrentar o segundo turno. Até mesmo porque a questão do voto útil ainda não faz parte da paisagem desse segmento eleitoral.
A queda significativa da intenção de votos do candidato Inácio, em parte pode ser explicada pela falta de logística e espaço na mídia. Por outro lado, revela que sua identidade não conseguiu se desvencilhar dos seus antigos aliados do PSB e PT. Dessa forma, o seu eleitor tem maior facilidade de migrar para ambos os campos, principalmente quando estes dispõem de melhores forças de persuasão e viabilidade eleitoral.
Os resultados das pesquisas eleitorais tem como efeito imediato a injeção de ânimo nas campanhas de Elmano Freitas e Roberto Claudio, acirrando a disputa entre os antigos partidos aliados, pois ambos aparecem tecnicamente empatados no segundo lugar. Alguns indícios apontam que o clima poderá esquentar na troca de farpas e críticas, o que poderemos averiguar nos próximos programas eleitorais. Até o momento a presença de Lula e Luizianne tem surtido os efeitos esperados no processo de conquista da confiança eleitoral, fazendo alavancar a candidatura de Elmano. Da mesma forma, os irmãos Ferreira Gomes (Cid e Ciro) tem conseguido turbinar a escalada de Roberto Claudio.
As identidades dos candidatos Elmano e Roberto começam a ser decifradas pelos eleitores, que antes os desconheciam. No caso de Elmano, é nítida a vinculação com a gestão de Luizianne Lins, que vem melhorando gradativamente sua avaliação perante o eleitor. Há um efeito casado, pois quanto mais cresce a aceitação positiva da gestão municipal, maiores são os índices de intenção de votos do candidato do PT. O candidato Roberto Claudio tem sua imagem construída a partir do governador Cid Gomes e do líder político Ciro Gomes, ambos tendo um forte potencial eleitoral. O diferencial do PT é a utilização de Lula como âncora para abordagens das realizações da atual gestão e das ideias a serem implantadas; enquanto o candidato do PSB busca fazer críticas ao desempenho da administração e se lançar como gestor competente e capaz de realizar mais.
Um dos traços dessa campanha eleitoral é o enfoque na capacidade de gestão. A questão ideológica é sutilmente dada pelo PT, que se traduz em realizar mais para quem mais precisa. O restante é similar a todos os candidatos, dando ênfase para aos pilares priorizados pelos eleitores: saúde, segurança, educação e mobilidade urbana.
É uma eleição sem debates aprofundados, onde não salta aos olhos as limitações do nosso sistema socioeconômico. Reduz-se a tentativa de melhor administrar o caos das nossas contradições estruturais. A nossa saúde pública tem um modelo revolucionário, pois universalizou o atendimento e o direito à saúde, mas padece de baixo financiamento para atender com qualidade a escalada crescente das demandas sociais; a educação também sofre as dores de um financiamento insuficiente para atender com padrão de qualidade as populações mais necessitadas, pois a classe média migrou para o ensino pago; a violência urbana tem razões diversificas que vão das desigualdades sociais, do comércio das drogas e armas e da promiscuidade com o crime dos próprios agentes de segurança, além de não depender do município as políticas repressivas e de superação das causas da violência; e por fim, a questão da mobilidade urbana, que é uma tragédia de toda metrópole brasileira que privilegiou o meio de transporte individualista, requerendo uma verdadeira revolução na mudança de hábitos e na opção por transporte coletivo de qualidade, rapidez, conforto e segurança.
Esse é o retrato da eleição municipal: a busca de um gerente para administrar as profundas contradições socioeconômicas e culturais da sociedade brasileira; sem mexer em suas essências, mas apaziguar a desordem e alentar o sonho feliz de cidade.
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