Informações obtidas pelo Política na Floresta dão conta de que a vice procuradora-geral eleitoral Sandra Verônica Cureau pediu a cassação de todos os candidatos majoritários da Frente Popular que inclui o governador Tião Viana (PT), o senador Jorge Viana (PT) o candidato derrotado ao Senado Edvaldo Magalhães (PCdoB) e o vice-governador César Messias (PSB). Advogados do PSDB em Brasília já foram informados sobre a decisão da Procuradoria Geral da República.
A imprensa e a morte do cardeal
Por Marcelo Migliaccio — Blog Rio Acima
Não sou o Agnaldo Timóteo pra ficar falando mal de morto, mas achei muito estranha a cobertura da morte do ex-cardeal arcebispo do Rio dom Eugênio Sales.
Visivelmente, as emissoras de TV, principalmente a Globo, tentaram criar em torno dele uma aura heróica. Bolas, dom Eugênio sempre foi, no mínimo, omisso em relação à ditadura militar que se instalou no Brasil entre 1964 e 1984. Agora, ele surge como salvador de 5 mil presos políticos. Muito estranho isso. Basta ver como ele combateu a Teologia da Libertação. Quem atuou contra o poder discricionário militar foram dom Hélder Câmara, dom Pedro Casaldaliga e dom Evaristo Arns. Esses sim arriscaram a própria pele protestando contra as torturas e outros crimes cometidos durante o regime verde-oliva.
Mas, na cobertura do seu falecimento, dom Eugênio virou herói. Poderiam ter entrevistado pelo menos um dos 5 mil perseguidos que teriam sido protegidos por ele. Nenhum apareceu. Seria ingratidão ou mistificação?
Também houve um cuidado flagrante em não mostrar planos gerais da Catedral Metropolitana do Rio, onde o corpo foi velado e sepultado. O motivo é que não havia multidão. O máximo que conseguiram em termos de imagem aberta foi uma fila com não mais de 20 pessoas.
Atestada pelo último censo demográfico, a perda de fiéis da igreja católica é uma realidade no Brasil. Apesar disso, atribuíram a um apelo de dom Eugênio ao papa a escolha do Rio para sede do encontro mundial de jovens promovido pelo Vaticano. Ora, é claro que o alto clero optou pelo Brasil por causa do crescimento dos evangélicos e não por causa de um suposto apelo do cardeal.
A nota de pesar do papa Ratzinger foi a mais impessoal e fria possível. No Brasil, a presidente Dilma, que estava do outro lado nos anos de chumbo e sabe quem é quem, manifestou-se apenas por escrito, protocolarmente. O governador e o prefeito do Rio vestiram suas caras de triste e cumpriram a obrigação no velório.
E ainda teve a tal pomba branca que ficou pousada em cima do caixão durante horas. Aos olhos da imprensa, que cria ficção nos noticiários segundo seus próprios interesses, a apática ave virou a imagem do Espírito Santo.
Acho que já vi aquela pomba saindo da manga de algum mágico de festa infantil. Se não era ela, era bem parecida.
Credo!
O receptador das intimidades
Por Marcelo Migliaccio — Blog Rio Acima
Ontem a polícia prendeu ladrões de carro no Rio. Depois disso, os policiais passaram a procurar as oficinas que compram peças de carros desmontados, ou seja, as receptadoras, as financiadoras do crime, que compram o produto roubado para revender ao consumidor final.
Pois aconteceu o seguinte outro dia na televisão.
Um programa novo na emissora líder de audiência decidiu debater a invasão de privacidade. Convidaram um ator contratado da casa e um fotógrafo que passa seus dias perseguindo pessoas mais ou menos famosas atrás de flagrantes inusitados.
O mediador do debate, apresentador do programa, logo tomou partido do ator da casa. Sendo ele uma personalidade também, resolveu colocar o fotógrafo paparazzi contra a parede. Juntaram-se então o ator contratado da casa e o apresentador para demonizar o pobre coitado do lambe-lambe.
O debate de dois contra um virou uma covardia. A dupla de "famosos" ali, colocando para fora todos os seus recalques contra fotógrafos que os emboscaram nos shopping centers da vida, levando embora o sossego de um dia de folga em família.
Foi quando o tal ator, que adora dar lição de moral, disse que também deveriam ser responsabilizados os órgãos de imprensa que compram as tais fotos para publicá-las em suas revistas e sites de celebridades.
Neste momento, o fotógrafo, muito calmamente, disse que sua principal compradora era a empresa dona daquele canal de TV.
Ou seja, o receptador da preciosa intimidade roubada do ator e do apresentador é ninguém menos que seu próprio patrão.
Instantaneamente, as duas celebridades, até então tão indignadas com a situação, se calaram. Ficaram com caras de tacho. Sem graça, o apresentador ainda saiu-se com essa:
_ Que delícia podermos debater isso aqui.
Mas o debate acabou ali, quando chegou nas responsabilidades do patrão de ambos sobre o crime que denunciavam. Acabaram-se seus argumentos e aquela suposta coragem intrépida de debater o tema polêmico.
Ainda se vangloriaram de o programa ser gravado e mesmo assim a cena ter ido ao ar, mas, se cortassem na edição, estariam desmoralizados diante da grande platéia reunida no estúdio.
Você que consome revistas ou visita sites de fofoca, portanto, é o último elo dessa cadeia. É você quem consome a intimidade roubada dos artistas pelos paparazzi e revendida pela indústria da mídia de celebridades. Da mesma forma que o espertinho compra peças roubadas para consertar seu carro a um preço menor, o consumidor de fofoca quer ver o artista sem que ele esteja se apresentando profissionalmente.
A TV comercial não dá margem a nenhum debate sério, porque tudo ali tem implicações e interesses, sejam políticos, econômicos, ou ambos.
Veja o vídeo arremedo constrangedor de debate:
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