A PRIVATIZAÇÃO DA ÁGUA: O MEDIEVO CHEGA AO RS


foto: Gabariel Marques - Fetrafi/RS

 O Rio Grande do Sul é conhecido no cenário nacional pela decantada bipolarização que permeia a sua vida quotidiana: colorados e gremistas, chimangos e maragatos, esquerda e direita, e outras mais.
     Ao longo da história, este “grenalismo” produziu fatos marcantes na vida dos gaúchos, tais como a Revolução Farroupilha, a Revolução Federalista e o Movimento da Legalidade (que neste mês de agosto completa 50 anos), além de, é claro, memoráveis batalhas entre o Internacional e o Grêmio.
     No campo eleitoral, considerando apenas as eleições ocorridas a partir da década de 90 alternaram-se, no comando do governo do Estado, forças políticas fortemente antagônicas: Alceu Collares (PDT), Antônio Britto (PMDB), Olívio Dutra, (PT), Germano Rrigotto (PMDB), Yeda Crusius (PSDB) e Tarso Genro (PT).
     Analisando-se superficialmente os eventos e resultados eleitorais acima, poder-se-ia dizer que o modo de viver dos gaúchos se afigura algo esquizofrênico, diante das sucessivas opções por forças políticas frontalmente contraditórias.
     Em réplica à provocação, alguém poderia afirmar que esta é uma característica salutar da população do autoproclamado “Estado mais politizado do Brasil”, eis que demonstraria um certo desapego a preconceitos.
    Na verdade, nem uma coisa, nem outra. O que ocorre no RS é um embate entre duas formas de pensar que forjaram a alma gaúcha: a republicana, modernizadora, introdutora do conceito de Estado fundado na “coisa pública”, enraizada nos centros urbanos, herança da forte influência do pensamento positivista, e a cultura do latifúndio, privatista, atrasada, oriunda nas áreas de extrema concentração da propriedade da terra.
     Ocorre que estas duas culturas não se manifestam, no entanto, sempre de forma clara e apartada: não raramente misturam suas características, gerando subprodutos que embora contraditórios na aparência, são perfeitamente explicáveis quando analisados à luz dos elementos fundantes do modo de ser dos gaúchos.
     É exatamente o que se observa agora no RS quando, precisamente no momento em que a população gaúcha, após a experiência desastrada do governo Yeda, aposta na gestão republicana e modernizadora de Tarso Genro, emerge um movimento, capitaneado pelo prefeito (não por acaso) tucano de Uruguaiana, de privatização dos serviços de água e esgoto.
     Pois na mencionada cidade, localizada na fronteira com o Uruguai – região na qual a cultura do latifúndio predomina -, os serviços públicos em questão foram retirados da CORSAN, estatal estadual que, à exceção de algumas cidades maiores, possui contratos de concessão firmados com 324 municípios, atendendo a mais de 7 milhões de gaúchos e transferidos, sem qualquer indenização ou garantia de que a mesma ocorrerá, à empresa Foz do Brasil, subsidiária do grupo Odebrecht.
     A história da CORSAN é igual à de tantas outras estatais na mira da privatização: os governos neoliberais encolhem os investimentos, baixando a qualidade dos seus serviços e, diante das reclamações da população, a solução não é outra senão a de entregar os serviços à “competência da iniciativa privada”.
     A privatização a água, antigo desejo dos mascates do patrimônio público, toma novos contornos diante da constatação de que o aumento da população mundial, em contraste com as previsões da redução da oferta de água no planeta, transformará o precioso líquido no “petróleo do futuro”.
     Esquecem os profetas do mercado que a água não pode ser tratada como simples mercadoria, pois dela dependem a vida e a saúde de bilhões de pessoas no mundo todo. 
     Em artigo reproduzido pelo PTSUL, o escritor Eduardo Galeano, comentando o caso de Cochabamba, na Bolívia, na qual a população se levantou e promoveu, em 2002, a “desprivatização” da água, cita o diretor-geral da UNESCO, Frederico Mayor, para o qual “esta fonte rara, essencial para a vida, deve ser considerada como um tesouro natural que faz parte da herança comum da humanidade”, registrando ainda o escritor uruguaio que o Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU declarou, em Genebra, em 2002, o acesso à água como direito humano indispensável e que a água é um bem público, social e cultural; ou seja, um produto fundamental para a vida e a saúde e não um produto básico de caráter econômico (leia a íntegra do artigo aqui).
     Até mesmo em Paris os serviços de água foram remunicipalizados em 2010, depois da privatização comandada por Jacques Chirac em 1985, cujo resultado foi a apropriação dos lucros pelos controladores privados, em detrimento dos investimentos.
     Aliás, todos sabem como funcionam as privatizações: no início tudo é festa, milhões de promessas são feitas, os serviços vão melhorar, os preços vão baixar, e todos serão felizes. Depois vem a dura realidade: baixo índice de investimentos, precarização dos serviços e preços que vão ficando impagáveis, especialmente pelos mais pobres.
     Aqui, caso a moda pegue (além de Uruguaiana, mais três cidades com mais de 50 mil habitantes estão com processos de privatização em curso), poderá ainda haver o encarecimento do preço da água eis que, pelo sistema adotado pela CORSAN, os resultados da operação em cidades maiores compensam os déficits gerados em municípios menores, permitindo água mais barata para todos. Se o equilíbrio for quebrado, perdem todos.
   Mas no Rio Grande latifundiário e privatista, isto não conta: para alguns, aqui, o atrasado posa de moderno, mesmo na contramão da história e do interesse público. E, o que é pior, ainda se orgulham disto.

colaborou Paulo Müzzel
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PITADINHAS II

  
 COLOMBO E SEUS TÍTULOS
Cidade rainha do lixo
Cidade rainha dos buracos
Cidade rainha do mato
Cidade rainha do trânsito horrível
Cidade rainha do crime
Cidade rainha dos políticos incompetentes
Cidade rainha dos vereadores folgados
Cidade rainha dos pré-candidatos a prefeito sem capacidade administrativa.


 PERGUNTAS DESAFIADORAS

Qual a empresa que faz a roçada? E limpeza pública?
O que faz a Secretária de Obras?
A usina de asfalto funciona?
Quando teremos segurança?
Será que haverá um candidato a prefeito competente?
Os veículos do transporte escolar já foram identificados com o logotipo do municipio?
E os da Câmara?
O fiat marea ? do sec. Gilmar Santini.


 VISITAS
Srs vereadores, acredito que já tenham iniciado as visitas aos nossos bairros, e conversado com os moradores. Se a resposta for negativa, Colombo os aguarda. Procurem colocar tapa-ouvidos.

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PITADINHAS

   Político Estrategista
Um político colombense, tem uma estratégia interessante,vejamos: Meninas-moças que buscam emprego em sua agência, é escolhida a mais bonita e de boa aparência sendo imediatamente contratada como assessora. Com o passar do tempo o dito cujo, propõe casamento. O que lhe é negado, com a resposta é demitida. Moral da história: Já perdeu vários casamentos as assessoras e uma graninha razoável.

  Frota Nova                                          
A prefeitura adquiriu quinze veículos novos. Será que a Câmara municípal tem conhecimento de com foi foi realizado as negociações? Qual a concessionária que foram adquiridos? Preço de cada veículo? Houve desconto pela quantidade? O preço é o mais baixo do mercado? ISSO É FISCALIZAR.

  Desconhecimento                                            
Muitas mães de alunos estão apreensivas com o material religioso que será distribuído nos cmei s. Dizem desconhecer a Sociedade Biblica Brasileira, e muito menos os livros. Pedem que sejam informadas, pois nem todos tem a mesma crença religiosa. Uma dica: A Secretaria de Educação deveria enviar informações aos pais

   Assessoria Atenta
O assessor de gabinete, do vereador Helder nos comunicou que seu chefe, não foi o tesoureiro na campanha do governador Beto Richa em Colombo. Fica aqui a retificação.
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A MORTE DE FIDEL E DO BISPO MACEDO

Direto do túnel do tempo: em cinco anos  anos a grande imprensa (leia-se o PIG) estampou com estardalhaço duas mortes eminentes: a de Fidel Castro, e a do Bispo Macedo.

Fidel estaria com um câncer generalizado e teria poucos meses de vida, o regime cubano estaria em crise e seria o seu fim sem o comando forte .
O Bispo teria um câncer de pâncreas, teria no máximo três meses de vida,  a Igreja estava em crise com a  doença e seria seu fim com  divisões internas.

Ou seja: o  mais tardar em maio de 2009 estariam no beleléu.

Ontem vi a foto de Fidel, sorridente e corado, comemorando seus 85 anos de vida.
E ao zapear a Internet vi o Bispo em mangas de camisa, saudável, ministrando seu culto para milhares de fiéis no Rio.

A julgar pela imprensa maledicente seriam fantasmas nos assombrando, já que o PIG os matara em 2009.
Ectoplasmas que só a força do irmão vereza  nos faz ver?

E assim o PIG vai matando e ferindo aqueles que não rezam na sua cartilha, nem lhe servem favores.
E bobo é quem acredita nas suas diatribes escritas, vistas, ou faladas.

“Orai e vigiai.” diz a Palavra bíblica na boca do Bispo. “Lede e criticai.” deve dizer a palavra marxista na boca de Fidel sobre a Imprensa  golpista.

PS.: E ainda redigem Código de Ética e Princípios. kiakiakia


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Protesto global


O protesto ganhou as ruas de várias grandes cidades nos últimos meses. A primavera árabe da Praça Tahrir não se limitou ao Egito. Parece não ter data para terminar. Ecoa no Chile e em Israel, depois de ter dado o ar da graça na Espanha e em Londres, onde as manifestações permanecem. Há acampados em Tel-Aviv, fato que talvez surpreenda muita gente. Por todo lado, impulsionadas por redes sociais e pela dureza da vida, pessoas mostram-se cada vez mais disponíveis para ir às ruas protestar.
Os protestos são de excluídos, mas não necessariamente de pobres. A classe média empobrecida ou insatisfeita parece prevalecer. São seus filhos (e no caso do Chile também os pais de seus filhos) que dão o tom nas manifestações em muitos lugares. Há evidentemente o protesto dos habitantes das periferias, dos imigrantes, dos desempregados e humilhados, daqueles que são vítimas da truculência policial. Mas o eixo parece estar nas classes médias, ou seja, nesse vasto e impreciso contingente social que perdeu mais que ganhou nas últimas décadas de globalização capitalista. Que viu seus sonhos dourados (a casa própria, o emprego estável, a possibilidade de consumo, o status) serem comidos, inviabilizados ou dificultados, que olha para frente e se depara com um cenário enfumaçado, no qual mal se pode vislumbrar um futuro.
É tão visível o protagonismo das classes médias que muitos se apressam em vê-las como o novo sujeito histórico, aquele em que se depositam as esperanças de transformação.
Mas a nossa é uma época bem mais complicada. De sujeitos menos transparentes, mais fluidos e "descorporificados", que fazem política de formas surpreendentes e dissimuladas, quase à margem dos sistemas políticos. Não há mais, a rigor, burgueses e proletários, ao menos no sentido de que possam mover as rodas da história. Essa classes históricas, estruturais, parecem hoje reminiscências de uma época mais simples. O lugar por elas antes ocupado é agora do grande capital global e das "multidões, o primeiro composto por uma união informal dos mais ricos e as segundas, derivadas de um compósito de grupos e classes sem perfil muito bem definido mas que caminham na mesma direção porque se sentem igualmente prejudicados.
Essa é mais ou menos a essência da ótima entrevista dada à jornalista Carolina Rossetti pela socióloga holandesa Saskia Sassen (professora da Columbia University, em Nova York), ao Caderno Aliás do Estadão deste domingo, 14/08. O link para ela está aqui.
É uma leitura que nos ajuda a pensar e a entender que há mais do que crise financeira no ar. Não se trata de análise para ser aceita por todos como inquestionável, mas de uma prova de que o olhar crítico é o único recurso de que dispomos para acumular reservas com que interpretar o mundo.
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